Publicidade
A Catequista

A Catequista

Em uma entrevista ao jornal alemão Die Zeit, o Papa Francisco disse que o celibato opcional para padres “não é a solução” para a falta de vocações, e considerou que os viri probati, talvez, poderiam ser uma alternativa (Fonte: Religión en Libertad).

Os viri probati eram homens casados, de fé comprovada, que podiam se tornar padres. Era algo muito praticado no primeiro milênio do cristianismo, mas não faz muito sentido no nosso contexto atual.

A ordenação de homens casados era uma coisa normal, nos tempos da Igreja primitiva. Essa verdade está explícita nas Escrituras. Ao lado dessa, há outra verdade bíblica, que está implícita: esses homens renunciavam ao convívio e à vida sexual com suas mulheres.

Pedro, que era casado, disse ao Mestre: "Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?" (Mt 19,29). Jesus respondeu: "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna". Está claro que os Apóstolos tinham renunciado a TUDO – inclusive às suas esposas – para se dedicar inteiramente ao Evangelho.

ATENÇÃO: isso não significa que o viri probati deixava de ser casado! O matrimônio é indissolúvel. Marido (sacerdote) e mulher continuavam casados até o fim da vida, porém, viviam com separação de corpos e nunca mais faziam sexo. Os viri probati poderiam morar apenas com uma irmã ou com uma filha virgem consagrada, conforme vemos na Bíblia:

"Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo de outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e Cefas?" (I Cor 9,5)

Na tradução mentirosa e pervertida da bíblia protestante (King James e João Ferreira de Almeida), a expressão "mulher irmã" foi substituída por "esposa crente". É muita cara-de-pau!

Para que um homem casado fosse ordenado, era preciso que sua esposa estivesse de acordo. Após a ordenação, a Igreja assumia o sustento da sua esposa e filhos. Portanto, a velha piada de que pessoas casadas não fazem sexo era a mais pura verdade para os viri probati

A primeira legislação escrita dessa norma está registrada no cânon 33 do Concílio de Elvira, que aconteceu no início do século IV:

"Estamos de acordo sobre a proibição total que se aplica aos bispos, padres e diáconos, ou seja, para todos os clérigos que estão engajados no serviço do altar, que devem abster-se de suas esposas e não gerar filhos; quem fez isso deve ser excluído do estado clerical."

Porém, muito antes do século IV, desde os primórdios da Igreja, essa lei já vigorava, sendo transmitida pela Tradição oral. Por causa da fraqueza humana, havia, certamente, muitos viri probati vacilões, que continuavam a se relacionar com suas esposas. Mas a Igreja lutava continuamente contra esse abuso.

O EXEMPLO DE SÃO PAULINO DE NOLA

O viri probati mais célebre, talvez, seja São Paulino de Nola, que nasceu no ano 355. Ele e sua esposa Teresa decidiram doar todos os bens aos pobres e viver como irmãos, após a morte de seu bebê. Paulino se tornou monge, e depois foi eleito presbítero e bispo.

O POVO DO ORIENTE QUEBROU A FIRMA

Hoje, como já explicamos em outro post (veja aqui), assim como a Igreja Ortodoxa, as igrejas católicas orientais sui iuris admitem homens casados ao sacerdócio, e eles continuam vivendo normalmente com suas esposas. Os bispos, por sua vez, devem sempre ser celibatários (em geral, são selecionados entre os monges).

Porém, nos primeiros séculos do cristianismo, não era assim. A Igreja Católica no Oriente seguia a mesmíssima disciplina sobre o celibato sacerdotal do Ocidente. A prova disso está nos escritos de diversos Padres orientais, como o bispo Epifânio, que viveu entre os anos 315 e 403.

Na sua principal obra, o Panarion, Epifânio diz que Deus chama ao sacerdócio especialmente os homens que sempre viveram como virgens, a exemplo de Jesus. Essa é, garante ele, a regra estabelecida pelos apóstolos em sabedoria e santidade.

Epifânio ensina também que a Igreja admite como sacerdotes, além dos virgens, viúvos ou homens que renunciaram ao convívio com sua esposa.

Infelizmente, essa disciplina foi pervertida e se perdeu no Oriente. Como já explicamos em outro post (veja aqui), a perseguição à Igreja do Ocidente nos primeiros séculos e a grande dificuldade de comunicação entre o Oriente não permitiam que o Papa tivesse muita possibilidade de influenciar e intervir nas comunidades orientais. Com mais autonomia e menos fiscalização do bispo de Roma, os patriarcas acabaram cedendo e afrouxando a norma.

E por que, quando as coisas ficaram mais tranquilas, o Papa não chutou o pau da barraca e obrigou os católicos orientais a restabelecer a disciplina do celibato, conforme a Tradição? Porque, como não se tratava de uma questão dogmática, por misericórdia, Roma preferiu deixar as coisas como estavam, do que insistir com a norma e, talvez, provocar um cisma. O mal seria muito maior!

Para quem quer virar craque no assunto, é só ler o livro Il celibato ecclesiastico - La sua storia e i suoi fondamenti teologici, do Cardeal A. Stickler. A obra apresenta fontes seguras e irrefutáveis.

*****

QUER LER AGORA O 1º CAPÍTULO DO NOSSO LIVRO As Grandes Mentiras Sobre a Igreja Católica? A Amazon colocou esse conteúdo acessível online, para "degustação". Aproveite! Basta entrar no link abaixo e clicar sobre a imagem da capa do livro:

Site da AMAZON (clique aqui)

O livro está à venda em quase todas as livrarias, e também no site da Fnac (clique aqui), da Cultura (clique aqui), da Travessa (clique aqui) e da Folha (clique aqui).

Quinta, 09 Março 2017 20:06

Peixe em dia de abstinência é sussa

Graças ao Sangue precioso que Jesus Cristo derramou na cruz, fomos redimidos da culpa original, e podemos ter esperança de salvação. Para fazer memória desse fato central da nossa vida, e para nos ajudar a dominar nossos instintos, a Igreja ordena que deixemos de comer carne nas seguintes ocasiões:

  • Quarta-feira de Cinzas (obrigatório);
  • Sexta-feira Santa da Paixão (obrigatório);
  • Todas as sextas-feiras da Quaresma (recomendável);
  • Todas as sextas-feiras do ano (obrigatório – mas, no Brasil, há um “porém”*).

Quem, de livre vontade e livre consciência, não respeitar a abstinência obrigatória, peca gravemente. Deve se arrepender e se confessar.

Segundo o Código de Direito Canônico, a abstinência obrigatória vale para todos os maiores de 14 anos. Não pode comer carne vermelha nem carne de aves. Peixe e outros frutos do mar, tá sussa.

UÉ, MAS PEIXE NÃO E CARNE?

Sim e não. Dentro do nosso conceito atual, peixe é carne, assim como os demais frutos do mar. Porém, segundo a norma de alimentos Kasher, que obedece à lei judaica, peixe não é carne, é “parve”.

O cristianismo, certamente, herdou do judaísmo essa tradição cultural que não classifica peixe como carne. Peixes são animais pecilotérmicos, ou seja, de “sangue frio” (para ser mais preciso, seu sangue varia conforme a temperatura ambiente). Cobras, lagartos e rãs também são pecilotérmicos – taí a dica de um prato exótico para os dias de abstinência! Como diria o chinês, vai um espetinho saboloso de cobla, aí? Hummmm...

Por sua vez, os animais de carne vermelha e as aves são homeotérmicos. Ou seja, o sangue deles é quente, assim como o sangue que Nosso Senhor derramou na cruz. Peixes também, em geral, não morrem derramado sangue, como Jesus. Além disso, o peixe sacia menos do que a carne vermelha ou de aves, pois é menos calórico.

Como já dissemos, peixe e outros frutos do mar, pode comer. Mas tem que ser peixe barato, ok? Camarão, só se for uma empadinha só, e olhe lá! Se a ideia da abstinência é nos levar a fazer penitência (pois a carne, em geral, é um prato nobre), é muita cara-de-pau a galera cheia da bufunfa ir no rodízio de japa, ou cair de boca na lagosta, no salmão e no caviar em plena Sexta-feira da Paixão! 

*SOBRE A ABSTINÊNCIA EM TODAS AS SEXTAS DO ANO

No Brasil, a CNBB a permite que os católicos substituam a abstinência de carne para todas as sextas-feiras do ano por alguma outra penitência, como obras de caridade ou práticas de piedade. Então, atenção: você pode até decidir comer carne, mas deve fazer penitência nesses dias.

O mesmo vale para quem já não come carne mesmo – porque é vegetariano ou porque é mais duro do que o Seu Madruga. É preciso adotar outro tipo de penitência.

*****

QUER LER AGORA O 1º CAPÍTULO DO NOSSO LIVRO As Grandes Mentiras Sobre a Igreja Católica? A Amazon colocou esse conteúdo acessível online, para "degustação". Aproveite! Basta entrar no link abaixo e clicar sobre a imagem da capa do livro:

Site da AMAZON (clique aqui)

O livro está à venda em quase todas as livrarias, e também no site da Fnac (clique aqui), da Cultura (clique aqui), da Travessa (clique aqui) e da Folha (clique aqui).

Quinta, 02 Março 2017 19:25

Os atrasildos da missa podem comungar?

Esse é aquele tipo de questão para a qual não podemos dar uma resposta tipo sim ou não. E o pior é que cada teólogo diz uma coisa!

Mas podemos informar vocês sobre os CRITÉRIOS para que cada católico julgue a si mesmo e veja se pode comungar ou não, em determinado dia em que chegou atrasado na missa.

Os católicos não têm obrigação de participar das missas que não são dominicais ou que não são em dias de guarda. Sendo assim, ainda que a pessoa chegue na missa somente na hora da Consagração, poderá comungar.

Porém, nos domingos e dias de guarda, a coisa muda totalmente de figura. O Catecismo (ponto 2042) lembra que o primeiro preceito é “Ouvir missa inteira e abster-se de trabalhos servis nos domingos e festas de guarda”. Missa INTEIRA, certo?

De acordo com a interpretação mais rígida dessa norma, quem chega atrasado na missa dominical e nas missas dos dias de guarda não cumpre o preceito, já que não assistiu à missa inteira. Precisa assistir a outra missa, no mesmo dia, INTEIRA, para poder comungar.

Ouço choro de gente lerda...

Porém, como a questão não fica explícita em nenhum documento da Igreja, outras interpretações mais flexíveis são normalmente aceitas.

E agora, quem poderá nos defender? Como dar uma reposta objetiva a esse problema?

Vamos recorrer a uma análise muito bem ponderada do Padre Edward McNamara, professor de liturgia no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em Roma (tradução livre nossa). Confira a seguir!

*****

Comunhão para quem chega atrasado na Missa?

(Communion for late arrivals at mass?)

Padre Edward McNamara

Fonte: Site da EWTN

Em que momento da Missa é considerado tarde demais para qualquer pessoa que entre na Missa para receber a Comunhão?

Como a maioria dos sacerdotes, eu não gosto de dar uma resposta direta a esta pergunta, porque, de certa forma, é uma pergunta para a qual não há uma resposta precisa.

É verdade que, antes do Concílio Vaticano II, alguns manuais de teologia moral colocavam a chegada antes do ofertório como linha divisória para decidir se cumpriu ou não a obrigação dominical de assistir à missa. Mas depois da reforma litúrgica, com a ênfase na unidade geral da Massa, teólogos modernos evitam tal exatidão.

A missa começa com a procissão de entrada e termina após a bênção final, e devemos estar lá do começo ao fim. Cada parte da Missa se relaciona e complementa as outras em um único ato de adoração, embora algumas partes, como a Consagração, sejam essenciais, enquanto outras são meramente importantes.

Dizer que há um momento particular antes ou depois do qual estamos "fora" do preceito ou "seguros" em cumprir o preceito, por assim dizer, é dar a mensagem errada e sugerir que algumas partes da Missa não são realmente tão importantes. Também pode dar a algumas almas menos fervorosas a ideia de que não há problema em chegar atrasados, até certo ponto da Missa.

Embora eu prefira não arriscar dar um momento de corte preciso, certamente alguém que chega após a Consagração não assistiu à Missa não deve receber a Comunhão. E se é um domingo, deve ir para outra Missa.

Chegar no tempo não é apenas uma questão de obrigação, mas de amor e respeito por Nosso Senhor que nos reuniu para compartilhar seus dons e que tem alguma graça para nos comunicar em cada parte da Missa. É também um sinal de respeito pela comunidade com quem adoramos e que merece nossa presença e a contribuição de nossas orações em cada momento. (...)

Assim, as pessoas que chegam tarde à missa têm de se perguntar honestamente: por que me atrasei? Se chegarem atrasados ​​devido a algum motivo justificado ou imprevisto, como o tráfego bloqueado devido a um acidente, agiram em boa consciência e não estão estritamente obrigados a assistir a uma Missa posterior (embora eles fariam bem em fazê-lo, se chegaram muito tarde e se for possível).

Da mesma forma, para muitas pessoas idosas, até mesmo chegar à igreja é uma odisseia, e não se deve pesar suas consciências contando os minutos.

Mas se as pessoas chegam tarde devido a negligência culposa, e especialmente se o fazem habitualmente, então elas precisam refletir seriamente sobre suas atitudes, emendar seus caminhos e, se necessário, buscar o Sacramento da Reconciliação.

Dependendo de como chegam tardiamente, elas podem preferir honrar o dia do Senhor participando de alguma outra Missa ou, se isso não for possível, pelo menos permanecer na Igreja depois que a Missa terminar e dedicar algum tempo à oração e reflexão sobre as leituras do dia.

*****

QUER LER AGORA O 1º CAPÍTULO DO NOSSO LIVRO As Grandes Mentiras Sobre a Igreja Católica? A Amazon colocou esse conteúdo acessível online, para "degustação". Aproveite! Basta entrar no link abaixo e clicar sobre a imagem da capa do livro:

Site da AMAZON (clique aqui)

O livro está à venda em quase todas as livrarias, e também no site da Saraiva (clique aqui), da Fnac (clique aqui), da Cultura (clique aqui), da Travessa (clique aqui) e da Folha (clique aqui).

“Penitência, penitência, penitência!”, pedia o anjo com voz forte, segurando uma espada de fogo na mão esquerda, com chamas que ameaçavam incendiar o mundo. Essa foi a visão dos Três Pastorinhos, o Terceiro Segredo de Fátima. E o Nosso Mestre mesmo alertou: "Se não fizerdes penitência, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13,5).

Está claro que não se trata de uma questão secundária, mas sim de um ponto decisivo para a nossa salvação. Não podemos ser relaxados com isso!

Temos que fazer penitência, especialmente (mas não somente) durante a Quaresma. Mas o que é penitência? Qual a melhor penitência que posso fazer?

Penitência é uma PENA, uma punição que cumprimos para expiar nossos pecados, ou para ajudar a expiar os pecados de nossos irmãos. Quando Jesus disse que para segui-lo, era necessário que cada um tome a sua cruz, ele estava justamente falando sobre penitência.

Há outra palavra que é praticamente sinônimo de penitência: MORTIFICAÇÃO. Quanto nos mortificamos, fazemos morrer as nossas pequenas vontades, como uma espécie de “treinamento do espírito”. Assim, quando no futuro o Senhor nos pedir uma grande renúncia (pode esperar, porque ELE VAI PEDIR), seremos mais capazes de ouvi-Lo e de cumprir a Sua vontade, já que nos acostumamos a morrer um pouquinho todos os dias.

Fazer penitência é morrer um pouquinho a cada dia, por amor. E assim, a cada pequena morte diária, mais damos espaço em nosso coração para que o Espírito Santo viva em nós, pois “é morrendo que se vive para a vida eterna”!

Deus, em sua infinita misericórdia, nos oferece muitas oportunidades de penitência. Mas nós, que temos a tentação de buscar o Paraíso aqui neste mundo, tantas e tantas vezes desperdiçamos essas bênçãos em forma de cruz.

Olhando para a minha experiência: quantas vezes eu poderia ter comido em silêncio o que estava no meu prato, mas preferi reclamar, pois não gostei do sabor?

Quantas vezes poderia ter levantado da cama na hora certa, mas preferi ficar enrolando na cama por mais dez minutos?

Quantas vezes poderia ter respondido com paciência a alguém que estava me irritando, mas explodi? Quantas vezes poderia ter desligado a TV e rezado um terço? E me neguei! Preferi fazer o que mais me agradava imediatamente.

Ninguém está dizendo que devemos renunciar a tudo, e toda a hora fazer penitência. Podemos, sim, desfrutar de muitos prazeres, como se divertir ou saborear uma boa comida. Jesus, por exemplo, foi até mesmo chamado de "comilão e beberrão" (Lc 7,34) pelos fariseus. E o grande Padre Pio se divertia muito jogando bocha com seus confrades (segundo o testemunho de Luigi Peroni, em se livro "Padre Pio - o São Francisco de nosso tempo").

Porém, se ficamos frouxos demais a ponto de nunca ou raramente fazermos pequenas renúncias em nosso dia a dia ... Aí a coisa tá feia.

Se você está nessa situação de malandragem espiritual, não se acomode, nem se desespere: recomece hoje!

Compartilho com vocês um texto de São Josemaría Escrivá, que tem me ajudado muito a retomar a atenção com os pequenos atos de penitência. Confira a seguir!

 *****

São Josemaría Escrivá, “Amigos de Deus”, 138-140

 (o livro completo pode ser lido aqui)

 

"Penitência é o cumprimento exato do horário que marcaste, ainda que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se em sonhos quiméricos. Penitência é levantar-se na hora. E também não deixar para mais tarde, sem um motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou trabalhosa.

"A penitência está em saberes compaginar todas as tuas obrigações - com Deus, com os outros e contigo próprio -, sendo exigente contigo de modo que consigas encontrar o tempo de que cada coisa necessita. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares esgotado, sem vontade ou frio.

"Penitência é tratar sempre com a máxima caridade os outros, começando pelos da tua própria casa. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes, os que padecem. É responder com paciência aos maçantes e inoportunos. É interromper ou modificar os programas pessoais, quando as circunstâncias - sobretudo os interesses bons e justos dos outros - assim o requerem.

"A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades da jornada; em não abandonares a tua ocupação, ainda que de momento te tenha passado o gosto com que a começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem importunar ninguém com caprichos. (...)

"Poderia continuar a apontar-te uma multidão de detalhes - citei-te apenas os que me vinham à cabeça - que podes aproveitar ao longo do dia para te aproximares mais e mais de Deus, mais e mais do teu próximo. Se te mencionei esses exemplos, insisto, não é porque eu despreze as grandes penitências (...). Mas já te aviso que as grandes penitências são compatíveis com as quedas aparatosas, provocadas pela soberba.

"Em contrapartida, se alimentamos um desejo contínuo de agradar a Deus nas pequenas batalhas pessoais - como sorrir quando não se tem vontade; eu vos garanto, além disso, que em certas ocasiões custa mais um sorriso do que uma hora de cilício -, é difícil dar pasto ao orgulho, à ridícula ingenuidade de nos considerarmos heróis notáveis; ver-nos-emos como um menino que mal consegue oferecer a seu pai ninharias - ninharias que, no entanto, são recebidas com imenso júbilo.

"Portanto, um cristão tem que ser sempre mortificado? Sim, mas por amor. Porque este tesouro da nossa vocação nós o trazemos em vasos de barro, para que se reconheça que a grandeza do poder é de Deus e não nossa. (...) Trazemos sempre no nosso corpo por toda a parte a mortificação de Jesus, a fim de que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos.

"Como é que nos atrevemos a clamar sem hipocrisia: 'Senhor, doem-me as ofensas que ferem o teu Coração amabilíssimo', se não nos decidimos a privar-nos de uma insignificância ou a oferecer um sacrifício minúsculo em louvor do seu Amor? A penitência - verdadeiro desagravo - lança-nos pelo caminho da entrega de nós mesmos, da caridade. Entrega para reparar, e caridade para ajudar os outros, como Cristo nos ajudou."

 

É cada vez mais difícil a gente se manter bem informado. A grande mídia, frequentemente, mostra que tem mais interesse em defender determinada ideologia e moldar a sociedade à sua imagem, do que apurar seriamente e fazer uma análise precisa os fatos. Quando o assunto é catolicismo então... é uma bola fora trás da outra!

Em uma homilia na Casa Santa Marta (23/02/2017), o Papa Francisco falou sobre os católicos que dizem uma coisa, mas fazem outra:

“Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu’.” (Fonte: Rádio Vaticana)

O Papa, portanto, se referiu ao que as pessoas dizem por aí quando veem católicos vivendo de forma contrária à fé que professam. Da mesma forma, se eu viro pra um amigo meu e digo: “Fulano, estão dizendo lá no bairro que você não presta!”, é óbvio eu não estou falando mal dele, apenas estou citando o que outros andam dizendo.

Então, se você foi um daqueles que saiu falando mal do Papa após ler no jornal que ele teria dito que “é melhor ser ateu do que católico hipócrita”, trate de procurar um padre para se confessar. Você caluniou o Sucessor de Pedro com base em fake news

Pele milésima vez, alertamos: não se deve confiar cegamente nas sínteses de discursos papais feitas pela mídia secular. Sempre procure as fontes oficiais do Vaticano, como a Rádio Vaticana, o News.Va e o site do Vaticano. 

Quando vejo aquele meu amigo católico que sempre critica o Papa com base nas matérias que ele lê na mídia secular...

 

BENTO XVI DISSE A MESMA COISA!

E se o Papa Francisco tivesse dito isso, estaria errado? Não, não estaria! Obviamente, quem tem a imensa graça de ser alimentado pela Palavra de Deus e pelos sacramentos, e ainda assim vive como pagãos, será muito mais cobrado do que um pagão que não recebeu essas bênçãos.

Um ateu que, por livre vontade e consciência, se recusou a buscar Deus, vai pro Inferno? Muito provavelmente! E um católico que, mesmo frequentando os ritos da Igreja, viveu como ateu, vai pro inferno? Muito provavelmente! Mas quem vai descer mais fundo será justamente o católico, porque “a quem muito se deu, muito se exigirá” (Lc 12,48).

O mais engraçado é que o povinho que está criticando o Papa Francisco por essa homilia não chiou quando Bento XVI disse a mesmíssima coisa! Confiram esse trecho de seu discurso na audiência geral de 14/11/2012:

“...de fato, existe uma forma de ateísmo que definimos ‘prático’, no qual não se negam as verdades da fé ou os ritos religiosos, mas simplesmente se consideram irrelevantes para a existência quotidiana, destacadas da vida, inúteis. Então, com frequência, cremos em Deus de modo superficial, e vivemos ‘como se Deus não existisse’ (...). Mas, no final este modo de viver resulta ainda mais destrutivo, porque leva à indiferença à fé e à questão de Deus.”

Em poucas palavras: Bento XVI disse que ser católico, mas não viver de acordo com o catolicismo (ateísmo prático), é pior do que ser ateu.

E não é só isso! Em outro documento – a carta apostólica Porta Fidei –, Bento XVI falou daqueles que não abraçaram a verdadeira fé, mas “vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva”. Essas pessoas, se permanecerem assim, mais cedo ou mais tarde encontrarão a Resposta.

"...há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus."

Portanto, ser ateu é ruim, mas um ateu que vive uma busca sincera (atenção, busca sincera!) sobre o sentido da vida está em posição bem mais vantajosa do que um católico cínico e malandro, que não busca colocar em prática os ensinamentos do Senhor.

*****

QUER LER AGORA O 1º CAPÍTULO DO NOSSO LIVRO As Grandes Mentiras Sobre a Igreja Católica? A Amazon colocou esse conteúdo acessível online, para "degustação". Aproveite! Basta entrar no link abaixo e clicar sobre a imagem da capa do livro:

Site da AMAZON (clique aqui)

O livro está à venda em quase todas as livrarias, e também no site da Saraiva (clique aqui), da Fnac (clique aqui), da Cultura (clique aqui), da Travessa (clique aqui) e da Folha (clique aqui).

Elas estavam lá, na entrada do convento, apertadas para fazer xixi. Inicialmente, eram dez mulheres... Mas logo se formou uma fila com centenas delas! E muitas traziam estampadas em suas camisetas e cartazes frases de ataque ao cristianismo e de apoio ao aborto.

Era 21 de janeiro, dia em que milhares de mulheres marcharam em Washington D.C., em protesto contra o recém-empossado presidente Trump. Não havia banheiros químicos suficientes para as manifestantes, e o resultado é que uma multidão ficou no maior aperto.

O convento dominicano (Dominican House of Studies) fica ao sul do parque National Mall, onde ocorreu a marcha. Vendo a agonia das mulheres, alguns freis deixaram que uma dúzia delas usasse o banheiro do convento. O que eles não esperavam é que a fila aumentaria exponencialmente!

O Frei Martin Davis, um dos que estavam presentes, conta que ficou um tanto constrangido e aflito naquele momento, pois muitas daquelas mulheres estavam exibindo mensagens vulgares e anticristãs em suas camisetas, bonés e cartazes, algumas até mesmo pornográficas.

Mas a ansiedade do frei logo foi embora, quando viu que as mulheres que portavam esse tipo de mensagens tinham o cuidado de cobri-las, assim que entravam no convento. Então, a partir de um gesto de misericórdia tão pequeno por parte dos freis, o grupo de mulheres que parecia tão hostil à Igreja mostrou ser capaz de gentileza e respeito.

Os freis poderiam ter escolhido, em nome da prudência, ver naquele grupo somente uma massa de mulheres vulgares e agressivas. Mas a misericórdia falou mais alto, e eles puderam enxergar o coração das pessoas de carne e osso por trás da feiúra de toda aquela capa anticristã.

A fila para o uso do banheiro durou cerca de duas horas. Durante esse tempo, os freis honraram o nome de sua comunidade – a Ordem dos Pregadores –, e se puderam a pregar. Debateram sobre o que a Igreja ensina a respeito da dignidade da mulher, dos operários e dos pobres, assim como sobre a importância do meio ambiente.

Mas pregar não é só saber falar, como muitos pensam: é fundamental ouvir o outro com coração aberto e sincero. Conversando com as mulheres, notaram que a maioria defendia ideias do feminismo radical; mas algumas delas tinham reflexões interessantes e queriam simplesmente lutar para que suas filhas não crescessem em um mundo onde seriam tratadas como objetos.

Vejam como Deus é bom: muitas mulheres tinham em suas camisetas o slogan “Tire seus rosários de meus ovários”, agora estavam justamente ao lado de homens que traziam o rosário em seus cintos! E elas se mostraram curiosas e fascinadas com a rotina de uma vida dedicada a Jesus Cristo.

Mais uma grande maravilha dos planos de Deus foi o fato de aquele dia ser, incrivelmente, o dia de Santa Inês, martirizada aos 12 anos por se recusar a se casar (ela dizia estar comprometida espiritualmente com Jesus). O Frei Martin Davis contou a história da santa a muitas mulheres, e algumas delas se mostraram comovidas.

Os freis ficaram surpresos quando viram que as mulheres começaram a recolher dinheiro para o convento. Em nenhum momento os freis pediram nada, mas elas, espontaneamente, quiseram mostrar gratidão pela acolhida que receberam, e doaram centenas de dólares.

“Essa experiência, embora tenha sido muito estranha e, em alguns momentos, embaraçosa, me deixou com a impressão de que, apesar das diferenças, muitas pessoas têm um senso de cortesia e de generosidade que vai além do que as notícias mostram. Além disso, podemos encontrar um terreno comum em muitas questões, se dedicamos tempos a dialogar com os outros”, diz Frei Martin (Fonte: Aleteia).

Os freis correram risco? Sim! Tudo poderia ter terminado muito mal, com o convento vandalizado? Sim! Mas milagres acontecem, quando saímos de nossas trincheiras e damos espaço para Deus agir.

Muitos estão surdos para as palavras do Papa Francisco, que declarou:

“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, do que uma Igreja enferma pela oclusão e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (Evangelii Gaudium).

Quem não está disposto a correr riscos, não pode ser missionário. Viva São Domingos de Gusmão!

*****

QUER LER AGORA O 1º CAPÍTULO DO NOSSO LIVRO As Grandes Mentiras Sobre a Igreja Católica? A Amazon colocou esse conteúdo acessível online, para "degustação". Aproveite! Basta entrar no link abaixo e clicar sobre a imagem da capa do livro:

Site da AMAZON (clique aqui)

O livro está à venda em quase todas as grandes livrarias, e também no site da Fnac (clique aqui), da Cultura (clique aqui), da Travessa (clique aqui) e da Folha (clique aqui).

Muitos de vocês já devem ter visto o filme “Casamento Grego”, em que há uma cena muito bonita do casamento em uma igreja ortodoxa, com atos rituais que não costumamos ver nos casamentos católicos. O que muitos não sabem é que esse mesmo ritual é realizado na Igreja Católica, nas igrejas orientais.

As igrejas católicas orientais sui iuris são igrejas particulares com certo grau de autonomia em relação a Roma. Elas possuem organização hierárquica, ritos e leis disciplinares diferentes das conhecidas pela grande maioria dos católicos, que praticam o Rito Latino. Mas estão em plena comunhão com o Papa!

Quanto mais conhecemos a nossa Igreja, mais cresce o nosso amor por ela. Por isso, mostramos hoje para vocês um pouco da tradição litúrgica católica oriental. Reparem que há vários elementos em comum com o rito do matrimônio do Rito Latino, mas há outros elementos bem diversos.

Essa é a descrição do ritual de um casamento realizado em uma igreja católica ucraniana de rito bizantino (St. Joseph’s Ukranian Catholic Church, em Oakville, no Canadá. Fotos de Oleksandr Photography).

Alianças - As alianças são abençoados pelo sacerdote que, fazendo o sinal da cruz sobre as cabeças dos noivos, diz: "O servo de Deus (nome do noivo) está comprometido com a serva de Deus (nome da noiva). Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

Toalhas bordadas - A toalha bordada, entrelaçada com fios de várias cores, representa todos os aspectos da vida humana: família, amor, tradição, dificuldades e fé em Deus. O casal conserva consigo uma das toalhas para indicar a nova vida que agora começam. Outra toalha é usada para amarrar as mãos do casal durante a caminhada cerimonial, para mostrar que, a partir de agora, eles seguirão sua jornada em unidade.

Velas - Os noivos recebem velas, que seguram durante o rito. As velas são como as lâmpadas das cinco virgens sábias da Bíblia, que por terem óleo suficiente com elas, foram capazes de receber o Noivo, Cristo, quando Ele veio nas trevas da noite. As velas simbolizam a disposição espiritual do casal para receber a Cristo, que os abençoará através deste Mistério.

Coroas - As coroas são colocadas sobre as cabeças dos noivos, para indicar que eles estão iniciando o governo de um “novo reino", lado a lado. Elas também recordam aos noivos que seu casamento é uma parceria em Cristo, para uma vida de honra e de amor.

A Taça Comum - O rito de coroação é seguido pela leitura da Epístola e do Evangelho. A leitura do Evangelho descreve as Bodas de Caná, onde Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo realizou Seu primeiro milagre. Ele transformou a água em vinho da melhor qualidade, e deu aos recém-casados. Em memória desta bênção, o vinho é dado ao casal.

Esta é a "taça comum" de uma vida de harmonia, em que o casal partilhará alegrias e tristezas. Ao beber o vinho no copo comum o casal deve gravar em sua mente que, a partir daquele momento, eles irão compartilhar tudo na vida, e que eles devem "suportar os fardos uns dos outros". Suas alegrias serão dobradas e suas tristezas reduzidas à metade, porque serão compartilhadas.

Passeio Cerimonial - O sacerdote conduz a noiva e o noivo em uma volta ao redor da mesa onde estão colocados o Evangelho e a Cruz. O marido e a mulher dão os seus primeiros passos como um casal, e a Igreja, na pessoa do sacerdote, os conduz no caminho da Salvação, pelo qual devem seguir.

Durante esta caminhada ao redor da mesa, um hino é cantado aos Santos Mártires (pense num momento de arrepiar!), lembrando aos recém-casados ​​o amor sacrificial que devem ter um pelo outro – um amor que não busca o seu próprio interesse, mas está disposto a se sacrificar pelo outro.

As Bênçãos - O casal volta para seus lugares e o sacerdote, abençoando o noivo, diz: "Sê magnificado, ó noivo, como Abraão, e abençoado como Isaque, e engrandecido como Jacó, andando em paz e cumprindo com retidão os mandamentos de Deus." E à noiva, ele diz: "E tu, ó noiva, sê magnífica como Sara e alegre como Rebeca, e cresces como a Raquel, regozijando-te no teu marido, cumprindo as condições da lei; isso é agradável a Deus ".

No final da cerimônia, o padre leva a noiva para junto do ícone da Santíssima Virgem Maria. Enquanto o padre oferece orações em seu favor, a noiva se ajoelha na frente do ícone e oferece à Mãe de Deus um buquê de flores.

Não é demais a tradição litúrgica dos nossos irmãos católicos orientais? Tem alguém aí com um pingo de inveja, ou sou só eu? Alexandre Varela, cadê a nossa Toalha Bordada e a nossa Taça Comum!?

Enquanto isso, no Ocidente, nego bota música pop ou MPB pra tocar na cerimônia de casamento, deixando a cerimônia mais melosa e menos sacra.

*****

QUER LER AGORA O 1º CAPÍTULO DO NOSSO LIVRO As Grandes Mentiras Sobre a Igreja Católica? A Amazon colocou esse conteúdo acessível online, para "degustação". Aproveite! Basta entrar no link abaixo e clicar sobre a imagem da capa do livro:

Site da AMAZON (clique aqui)

O livro está à venda em quase todas as grandes livrarias, e também no site da Fnac (clique aqui), da Cultura (clique aqui), da Travessa (clique aqui) e da Folha (clique aqui).

Tem gerado muito bafafá nas redes sociais os vídeos de padres mergulhando bebês inteiramente na água no momento do batismo. O mais curioso é que, pelo visto, a “moda” está pegando aqui no Brasil. Mas pode isso?

Sim, pode! A Igreja Católica admite o batismo de crianças e adultos dessa forma, por imersão. Porém, historicamente, esse rito é muito mais usado pelas igrejas católicas orientais sui iuris.

O Código de Direito Canônico diz:

“Cân. 854 – O batismo seja conferido por imersão ou por infusão, observando-se as prescrições da Conferência dos Bispos”.

Por sua vez, a CNBB diz que, no Brasil, o costume é batizar por infusão (jogando água sobre a cabeça); essa é a praxe. Porém, “permite-se o batismo por imersão, onde houver condições adequadas, a critério do Bispo Diocesano”.

Muita gente não sabe, mas nos primórdios da Igreja, o batismo era feito preferencialmente por imersão. Porém, como nem sempre havia um lugar apropriado para realizar o rito dessa forma, era também admitido o batismo por infusão. Com o tempo, nas igrejas do Ocidente, por uma questão de maior praticidade, o batismo por infusão acabou se tornando o mais comum, enquanto no Oriente permaneceu a prática do rito por imersão.

Então, já sabemos que pode. Mas será que se deve batizar bebês, aqui no Brasil dessa maneira? É mesmo uma boa ideia? Bem, cada diocese tem sua própria realidade. Daí a importância do zelo e bom senso de cada bispo.

Mas, já que muitos de nossos leitores pediram a nossa opinião, eu – eu – acho que o batismo de adultos por imersão, por seu simbolismo forte e rico, pode muito bem ser aplicado para os adultos em nossas paróquias. Mas quanto aos bebês, a coisa não é tão simples assim. 

Por não estarem acostumadas com o rito do batismo por imersão, as famílias costumam ficar muito apreensivas ao ver seus bebês sendo mergulhados na água. É possível que alguns pais nem mesmo queiram que seus filhos sejam batizados assim. Sinceramente, é necessário expor os fiéis a esse tipo de tensão?

Outro problema é que, por não ser parte da nossa cultura, nem todo o padre tem a "manha" de afundar o bebê de forma causar a ele o mínimo desconforto possível. No vídeo abaixo, podemos ver o batismo de uma criança ortodoxa. O sacerdote faz tudo com tanta delicadeza que ninguém se mostra preocupado, e o bebê quase nem chora.

Nessa outra igreja ortodoxa, os padres se mostram muito habilidosos em um batismo coletivo, em que 500 bebês foram batizados:

Porém, um erro pode ser fatal. Apesar de raros, acidentes em batismos de bebês por imersão acontecem. Em 2010, um bebê morreu após ser submerso três vezes durante batismo, em uma igreja ortodoxa na Moldávia. Uma desgraça! 

Portanto, não dá para um padre do Rito Latino um dia acordar e , do nada, resolver fazer batismo de bebês por imersão. Ele precisa refletir se, do ponto de vista pastoral, essa novidade será realmente frutífera, e também precisa estar bem seguro do que está fazendo, para não haver acidentes nem pimpolhos traumatizados.

Quando eu era criança, um tio meu me levou para participar de um culto em sua comunidade evangélica. Logo após a exibição de um filme medonho sobre o Apocalipse (tinha mais sangue do que no “Casamento Vermelho” de Game of Thrones), o pastô (que merecia mesmo era pastar) ameaçou o pessoal:

– Vocês viram o que aconteceu com os infiéis no Apocalipse? Vocês querem escapar desse fim horrível?

De olhos esbugalhados, todos acenavam que sim com a cabeça, ou gritavam angustiados. O pastô continuou:

– Então, prove sua fé e oferte agora aqui no altar o valor X em dinheiro (eu não lembro qual era a moeda na época, se era Cruzeiro, Cruzado... Mas era um valor alto, algo equivalente a uns R$ 50,00). Quem vai fazer a oferta, fique de pé! Quem não vai fazer, fique sentado!

E assim o pastô dava um jeito de constranger e humilhar publicamente os coitados que não tinham tanto dinheiro para dar. Além desta, outra técnica ainda mais eficaz para arrancar gordas doações dos fiéis é pregar que Deus vai lhe dar muita prosperidade e bênçãos materiais, em troca de sua generosidade no dízimo. Esse é o modo de agir de muitas das seitas que pregam a demoníaca Teologia da Prosperidade. As pessoas mesquinhas, gananciosas ou simplesmente desesperados por causa de suas dívidas caem nessa história como patinhos!

siriguejo_dinheiro

Na Igreja Católica, não é assim. Porém, justamente por ser um chamado à liberdade de cada fiel, muitos católicos não estão nem aí para o dízimo. Em quase todas as paróquias, a proporção de dizimistas em relação ao número de fiéis que frequentam a paróquia é ridiculamente baixa.

A maioria das pessoas gosta mesmo é que lhe ponham um cabresto, gostam de uma religião que lhes faça passar vergonha diante dos outros “irmãos”, caso não ande na linha, em troca da promessa de evitar a cruz e viver o Céu aqui na Terra. É por isso que ouvimos tanto protestante dizer: “Eu era católico, mas naquele tempo eu bebia, eu vivia na farra, eu traía, eu fazia tudo errado”. E desde quando a Igreja Católica aprova tais pecados, criatura joselita? O fato é que no meio evangélico é comum que um fique tomando conta da vida do outro, então todos se esforçam para ter uma aparência externa de santidade.

Mas o cristianismo é a religião que reina no mais profundo da consciência, no coração. Cristo mostrou que muitos daqueles que tinham aparência de santidade – os fariseus – eram podres por dentro. Então, mais do que simplesmente falar em fidelidade ao dízimo, vamos falar das intenções do coração.

É bem verdade que, na Bíblia, Deus promete prover as necessidades materiais de quem paga o dízimo. Isso se chama fé na Providência divina. Mesmo que esteja meio dura, a pessoa faz um sacrifício para ajudar os pobres e sustentar a Igreja (lembram da oferta da viúva?). A pessoa é fiel ao dízimo, confiando que o Senhor lhe ajudará.

"Pagai integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência – diz o Senhor dos exércitos – e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha bênção sobre vós muito além do necessário.” (Mal 3,8-9)

"Já por duas vezes mandastes para Tessalônica o que me era necessário. (...) Estou bem provido, depois que recebi de Epafrodito a vossa oferta: foi um suave perfume, um sacrifício que Deus aceita com agrado. Em recompensa, o meu Deus há de prover magnificamente a todas as vossas necessidades, segundo a sua glória, em Jesus Cristo." (Fil 4,16-19)

Bem diferente da fé na Providência é o investimento no FIJ – Fundo de Investimentos de Jesus. A pessoa paga o dízimo com a intenção de que o senhor multiplique o seu patrimônio. Como se Jesus vindo ao mundo, tomado bofetão no rosto e sido crucificado para nego poder ficar rico!

Então, devemos ser fiéis ao dízimo por uma consciência prática e por amor, não porque estamos caçando bênçãos.

A consciência prática nos fazer perceber que o padre, exclusivamente dedicado aos fiéis (foi para isso que ele deixou de casar, não é mesmo?), não vive de vento, e precisa de seu salário. Da mesma forma, é preciso cobrir as despesas com luz, água, funcionários, obras de manutenção do templo e ações evangelizadoras da paróquia, entre outras despesas.

O amor nos leva a ter verdadeiro prazer em DEVOLVER parte do dinheiro que Deus nos deu para o próprio Deus.

E qual porcentagem dos meus ganhos mensais devo doar ao templo? Você é quem decide. Não há obrigação de pagar 10%. Até nisso a Igreja nos deixa livres! Mas lembre-se: Deus sabe se estamos sendo generosos em nossa oferta ou não.

MENORES DE IDADE DEVEM PAGAR O DÍZIMO?

O dízimo é uma contribuição de quem tem renda própria, fruto de seu trabalho. Se um menor de idade trabalha (alguns, com 14 anos, já trabalham e têm renda mensal), então é justo que pague o dízimo, ainda que seus pais paguem também.

Mas se não trabalha, não precisa pagar o dízimo. Pode fazer uma contribuição livre na cestinha ou nos cofres do templo de sua paróquia, se puder. 

 

No início de 1965, o Pe. Maurice Ouellet, da Congregação Edmundite de Saint Elizabeth, em Selma (Alabama), ouviu uma batida à sua porta. Ao abri-la, viu diante dele ninguém menos do que... Martin Luther King! O pastor lhe disse: "Os negros me disseram que há um homem branco em Selma que é negro, e eu quero conhecê-lo". King estava em meio à histórica campanha para que os negros tivessem direito ao voto. O padre Ouellet foi o primeiro cidadão branco de Selma a apoiar abertamente a campanha. Por conta disso, recebeu vários telefonemas ameaçadores, inclusive de ameaças contra sua vida.

maurice_ouellet

Em 7 de março de 1965, a polícia atacou de forma brutal os manifestantes pacíficos, impedindo que eles marchassem de Selma à capital do estado, Montgomery. Dezessete negros foram hospitalizados, e uma mulher foi espancada quase até a morte. O episódio ficou conhecido como “Domingo Sangrento” (Bloody Sunday).

Pe. Ouellet correu para o Hospital Bom Samaritano e ajudou médicos e enfermeiros a atender as vítimas. Em resposta ao ataque, Luther King ligou para diversos líderes religiosos dos EUA, pedindo para que se unissem a ele na próxima marcha de Selma a Montgomery. Em Chicago, Mathew Ahmann, leigo católico e diretor da Conferência Católica Nacional para a Justiça Interracial, entrou em ação para formar o “bonde” dos católicos. É nóis, mano! Aos sacerdotes, Ahmann dizia: “Coloque seu traje clerical. Se você não o usa mais, procure debaixo de sua cama”.

Naquele tempo, muitos padres já haviam abandonado o uso da batina ou camisa clerical. Mas, para que a presença católica fosse distinta e representativa no protesto, era indispensável a força desse símbolo. Veja só que coisa doida: de forma indireta, um pastor batista foi o responsável por fazer padres católicos se vestirem como padres! E o nome do tal pastor, em versão aportuguesada, era "Rei Martinho Lutero". Ah, nada como a História e suas ironias...

protesto_selma

Mais de 900 padres, freiras e leigos católicos atenderam ao chamado – formando quase um terço do total de manifestantes! Delegações vieram de todas as regiões do país. Só da cidade de Nova York, 32 sacerdotes e sete leigos marcaram presença, com mais dez sacerdotes das quebradas do Brooklyn. Os protestos se seguiram por dez dias, aguardando a autorização do governo para marchar até a capital. As freiras estavam entre as mais animadas! O jornalista de Atlanta, Ralph McGill, ficou emocionado ao vê-las na dianteira do protesto, e relatou: "A presença dos católicos romanos... inspirou o comitê e envergonhou os tímidos”.

catolicos_selma

A galera estava toda apinhada em frente às TVs, quando o presidente Lyndon Johnson declarou que enviaria ao Congresso o projeto de lei de direitos de voto. Gritos, lágrimas, palmas, cantos e louvores explodiram entre os manifestantes! Em 17 de março de 1965, um juiz federal autorizou a marcha para Montgomery. Cerca de 3 mil manifestantes partiram de Selma, e um deles merece uma citação especial: Jim Letherer, ativista do Conselho Interracial Católico de Michigan. Ele andou cerca de 86 quilômetros de muletas, com uma perna só! Não é lindo de chorar?

jim_letherer

Infelizmente, o Arcebispo de Mobile, Thomas Toolen, era contra o envolvimento dos católicos com as manifestações de Selma, e mandou o padre Ouellet embora da cidade. Os paroquianos de Saint Elizabeth apelaram ao bispo, mas ele manteve a decisão. Em 27 de junho de 1965, Pe. Maurice Ouellet se despediu do povo de Selma. Humilde e sábio, aconselhou sua congregação a permanecer fiel ao bispo e a evitar a raiva: "Tudo o que fazemos, devemos fazer com o amor. Como pessoa e indivíduo, eu importo muito pouco. No entanto, a Igreja importa, e importa estarmos em acordo”. Falou tudo, Pe. Maurice Ouellet!

E por falar em acordo... Toda essa história mostra que católicos e protestantes podem se unir em torno de causas comuns. Atividades pró-vida, luta contra a ideologia de gênero nas escolas, ações de socorro aos pobres etc. É o que o Papa Francisco chama de "cultura do encontro".

Fontes: National Catholic Reporter e Irish Central

*****

É apressado e, talvez, muito injusto julgar o Arcebispo Toolen como um vilão. Ele sempre foi um homem dedicado à causa da igualdade racial e, nesse sentido, ajudou a comunidade negra a obter muitos avanços. Toolen abriu várias igrejas, orfanatos, hospitais e outras instituições destinadas exclusivamente aos negros, a ponto de os racistas o chamarem de "o bispo negro". Em 1950, supervisionou a construção do Hospital São Martinho de Porres, que foi o primeiro hospital no Alabama onde médicos negros e brancos podiam trabalhar lado a lado. Ele também convenceu um hospital a se tornar o primeiro no Alabama a atender gestantes negras. Em 1964, Toolen deu fim à segregação racial em escolas católicas na diocese.

Então, o que o levou a se opor à participação de católicos nas manifestações pelos Direitos Civis? Bem, pelas suas cartas, podemos ver que ele temia que os padres da Congregação Edmundite fossem assassinados. Também deve-se considerar a sua idade: como um homem mais velho, ele era profundamente apegado a ideia de obediência às autoridades - e os protestos de Selma não eram permitidos pela lei.

Publicidade
Publicidade