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Domingo, 01 Outubro 2017 16:54

O almoço do Papa com os pobres na igreja: para acabar com o falatório

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Ontem, o arcebispo de Bolonha convidou muitos pobres e deficientes para almoçar com o Papa Francisco. Um grande refeitório foi montado dentro da Basílica de São Petrônio, diante do altar. Foi o suficiente para alguns católicos acusarem o pontífice de profanar um lugar santo.

O Catecismo diz (item 2120) que o sacrilégio consiste em tratar as coisas santas de forma indigna. A refeição dos pobres na basílica de Bolonha afrontou a sacralidade do lugar? Se estudarmos os costumes dos grandes papas e santos dos primeiros séculos da História da Igreja, veremos que não.

Em primeiro lugar, se tratou de um evento excepcional. Ninguém tem a intenção de usar o templo rotineiramente como refeitório para os pobres.

Em segundo lugar, na Igreja primitiva era comum que, ao fim da missa, as pessoas reorganizassem o local, de modo a permitir que todos os fiéis se sentassem à mesa e se alimentassem. É o que narra São João Crisóstomo:

"Nas igrejas havia um costume admirável: (...) Ao final da reunião, em vez de voltarem imediatamente para casa, os ricos, que haviam se preocupado em levar provisões abundantes, convidavam os pobres e todos se sentavam à mesma mesa, preparada na igreja, e todos sem distinção comiam e bebiam as mesmas coisas."

Com o grande aumento do número de fiéis, esse costume se tornou inviável, e acabou deixando de existir. Em ocasiões excepcionais, porém, continuou a ser praticado.

Um dos mais admiráveis papas de todos os tempos, São Gregório Magno, abriu as portas da igreja para que doze pobres pudessem comer lá dentro, em um momento de calamidade em Roma (ao final do século IV). O refeitório, com uma grande mesa de mármore, foi preparado no oratório de Santa Bárbara, ao lado de sua residência.

Antes do atual prédio da Basílica de São Pedro, no Vaticano, havia um templo anterior, construído pelo Imperador Constantino. Nesse local, diante do altar, numerosos almoços foram servidos aos desamparados. São Paulino de Nola testemunhou um desses almoços, que foi oferecido pelo senador romano Pamaquio.

O senador ofereceu o almoço em honra à memória de sua amada esposa, que havia falecido.  São Paulino elogiou aquela atitude:

“Tu reuniste na basílica do Apóstolo uma multidão de pobres, patrões de nossas almas, que por toda cidade de Roma pedem esmola para viver...  Vi todas a multidões de gente miserável chegar como enxames em grandes filas, até o fundo da imensa basílica do glorioso Pedro... Que alegre espetáculo era tudo aquilo!”

Será que os católicos de língua venenosa que hoje acusam o Papa Francisco de profanação têm a mesma ousadia de levantar a voz para acusar São Gregório Magno? E quanto a São Paulino de Nola e São João Crisóstomo... Seriam eles insensatos, que apoiavam a realização de um ato indigno na casa de Deus?

Fonte das histórias e citações dos santos: Vatican Insider.

*****

FICA A DICA: quem falou mal do Papa por esse motivo, busque o quanto antes a Confissão, pois é pecado grave caluniar alguém, e se a calúnia for contra o vigário de Cristo, pior ainda.

17038 Domingo, 19 Novembro 2017 15:58

Comentários   

+2 # Luis 10-10-2017 15:12
Tudo bem que nao seja sacrilegio, argumentos convicentes. Mas em minha opinião é inadequado para tempos de sinais confusos e de uma protestantizacao das teologias catolicas. Com a crescente circulação da Eucaristia como "banquete", acho problemático. Ainda mais que em casos citados na antiguidade, é preciso considerar que possivelmente os cristãos nao contavam com espaços grandes para ambas as funções. Provavelmente este nao é o caso da diocese em questao. Resta crer que a escolha das mesas dentro da Catedral tenha elementos ideologicos e simbólicos. Na minha opiniao, o custo beneficio nao compensa.
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0 # Alex Hoffmann 10-10-2017 01:25
E falando da Catalunha e por conseguinte do movimento Sul é o Meu País, neste final de semana tivemos um referendo sendo realizado em praticamente todos os municípios do sul do país: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Paulo Ricardo, Alexandre e Viviane por ventura vocês tem um quartinho sobrando aí, aqui em casa somos em 4 pessoas, se esse negócio do Sul é o Meu País ganhar raiz, crescer e encorpar e na pior das hipóteses o sul separar-se do resto do país, estarei fazendo mudança, irei morar no Brasil.
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-2 # Juliana 08-10-2017 12:20
Há pessoas que não conseguem enxergar bondade e beleza em nada. Olha, se tem coisa que ajuda muito a ser feliz na vida é não reclamar, não falar mal, não acusar, não sair por aí julgando, se achando a quarta pessoa da Trindade. Ficar calado e meditar caritativamente nunca fez mal a ninguém e não configura covardia, pelo contrário, tem que ter coragem para nadar contra a corrente nestes tempos tirânicos e narcisistas em que todo mundo se acha na razão, no direito e no dever de ter uma opinião acabada sobre tudo o tempo todo. E Viva o Papa!
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0 # João Pedro Strabelli 07-10-2017 17:05
Se tivesse excomungado alguém não teria um terço dessa reclamação. Ou seja: alguém ir para o inferno parece não incomodar tanto quanto fazer a caridade.

Na verdade, a questão é uma só: o cara não gosta do papa e tudo, absolutamente tudo o que ele fizer vai ser motivo para críticas.
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-2 # Dora Neto 06-10-2017 23:05
Na minha maneira de ver é um exemplo para todos nós. Infelizmente é o que menos vejo neste mundo.
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0 # Natalia Farias 02-10-2017 23:56
Oi catequista!!! Gostaria de saber mais sobre a época de São João crisóstomo: as missas ainda eram celebradas nas casas do fiéis?
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+1 # A Catequista 03-10-2017 17:43
S. J. Crisóstomo é do século V. Nessa época as missas já eram regularmente celebradas nos templos, não na casa dos fiéis. Não havia mais perseguição do Império Romano.
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+1 # Sidnei 02-10-2017 11:13
Vivie e Alexandre, e também o Paulo Ricardo que anda meio sumido, vocês poderia fazer uma postagem, ou um pequeno comentário do que está acontecendo na Espanha com a Catalunha querendo a independência do resto do país.

O que mais me surpreendeu, foram padres catalães apoiando tal independência, sendo que um dos fatores para isto, é que a Catalunha contribui muito com a distribuição da riqueza por ela produzida com o resto da Espanha, sem ter quase nada em troca.

Porém o que mais me assusta, é estes padres, o qual a Igreja sempre ensinou em repartirmos o que temos com os pobres, mas este religiosos vão justamente contra a mão do que a Igreja ensina, colocando seus sentimentos de nacionalismo acima de sua fé cristã, pois que vejo um grande ego dos catalães que se haja superiores aos resto da população espanhola, sendo que até professam em sua maioria a mesma fé católica.

Gostaria de algum opinião de vocês e dos demais que aqui vierem comentar.
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0 # Augusto Paiva 04-10-2017 04:20
Neste site católico de Espanha há artigos sobre esta questão:

http://infocatolica.com
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0 # Alex Hoffmann 03-10-2017 00:48
Olha Sídnei o movimento O Sul é o Meu País tem as mesmas características, pior, são um bando de tapados que não enxergam que os problemas não são de ordem econômica nem social mas de ordem moral religiosa.
As pessoas que defendem isto pensam que ao separarem-se não terá mais PT (e os petistas de PR, SC e RS vão pra onde?), não terá mais roubalheira, o recurso financeiro fica por aqui e ninguém mais rouba porque um país mais pequeno será mais fácil de controlar (Cuba que o diga), contudo grande parte desta gente é filiada em PSDB (pode isso?). Um tiro no pé!!!!??...depois na própria nuca.
Vejo o nosso movimento sul livre parecido com este da Catalunha, posso estar errado, mas não soluciona nada, apenas aumenta o problema, pro pescoço dos católicos aliás (dividir para conquistar).
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+1 # Sidnei 04-10-2017 11:09
Alex, falasse tudo, e olha que até somos suspeito em falar já que somos aqui na região sul e do mesmo estado, Santa Catarina.

As vezes me pergunto, este pessoal todo que apoia a separação da região sul do resto do Brasil, e tem devoção a Nossa Senhora Aparecida, ainda vão continuar sendo devotos dela, já que ela é a padroeira do Brasil?. Parecerá ilógico o povo católico do sul do Brasil aí ser devoto de Nossa Senhora Aparecida, após a uma suposta independência da região sul do resto do Brasil, mas como a coerência nos dias de hoje parece ter sido jogada em uma privada e dada a descarga para ir para o esgoto, tudo é possível.

E como colocasse, ledo engano se hajam que não vão existir partidos de esquerda como o PT neste novo e hipotético país, é bem capaz de surgir partidos de esquerda bem piores, aí, estaremos todos fritos.
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0 # Alex Hoffmann 04-10-2017 20:15
verdade, será que continuariam a ver Nossa Senhora Aparecida como padroeira? Creio que não, seria muito mais fácil elegerem alguns destes como padroeiros:

- Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
- Montesquieu (1689-1755)
- Adam Smith (1723-1790)
- Immanuel Kant (1724-1804)
- Benjamin Constant (1767–1830)
- Bento de Espinosa (1632–1672)
- John Locke (1632 - 1704)
- Benjamin Franklin (1706-1790)
- Sebastião José de Carvalho e Melo, (1699 - 1782)

Por isto vejo estes movimentos separatistas tanto aqui como lá em Espanha como um cavalo de tróia, por fora parece bonito, mas por dentro tem tanta coisa ruim só esperando ser libertada.
Nada de fé, nada de Religião, nada de Deus, tudo o dinheiro, tudo a soberba de dizer que é um lugar rico, tudo o materialismo, se estes tês estados se tornarem um país (improvável), vou morar no Paraguay.
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+10 # Carlos 02-10-2017 01:46
Catequistas, quando você irão falar sobre a Correção Filial feita ao Papa Francisco?
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+2 # Ulisses 02-10-2017 15:33
Falem também sobre o motu proprio e o REAL impacto disso no futuro da liturgia, sem o oba-oba dos progressistas ou o catastrofismo dos tradicionalistas. Acho que essa questão está passando despercebida.
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0 # Geraldo 02-10-2017 00:16
E por falar em amor aos mais pobres e indefesos, vamos defender nossas crianças do fanatismo e fundamentalismo ideológico do gênero, minha gente. Este é - como sempre lembra o Papa Francisco - o totalitarismo do Século XXI que pretende anular a inteligência humana e censurar todo acesso ao real. Mas está em nossas mãos detê-lo. Divulguemos a campanha abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=NsD_Vfif_9Q
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-2 # Anderson 01-10-2017 23:27
Casa de Deus, é para isso mesmo.
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+2 # Geraldo 01-10-2017 22:11
Eu não sei não...Mas desconfio de que este almoço com os pobres dentro de uma igreja teve uma intenção implícita - do papa - de chamar a atenção para uma coisa: não é um escândalo que entre aqueles que, na casa de Deus, partilham do mesmo corpo do Senhor, haja gente passando fome e gravíssimas necessidades? Não é esse gesto, mais um ensinamento e profecia do magistério social do Papa Francisco?

Não somos socialistas e utopistas que querem o céu na terra a qualquer custo e sabemos das dezenas de milhões de vidas assassinadas e das injustiças e opressões ainda maiores que essas utopias custaram à humanidade.

Mas desde São Tiago, passando pelos maiores pais da igreja, temos sido sempre alertados pelo Espírito Santo: "O DINHEIRO QUE VOCÊ ESCONDE É O DINHEIRO DO POBRE!" São Basílio Magno.
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0 # Osvaldo José Gomes 01-10-2017 20:48
Muito bom o artigo, bem esclarecedor! Estão de parabéns. Entretanto é triste notar que poucas horas depois deste almoço, já existam interpretações equivocadas correndo pela rede e pessoas apressadas em replicarem sem pensar no conteúdo. As pessoas precisam meditar por mais tempo e de certa forma, deixarem de ser birrentas feito crianças sem o brinquedo. #ficaadica
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+1 # João Pedro Strabelli 01-10-2017 19:59
O fariseus e os saduceus nunca deixaram de existir na Igreja. Uns criam regras e normas para tudo, impedindo as pessoas de alçarem o céu, os outros desacreditam os dogmas, também impedindo as pessoas de irem para o céu. Esta crítica foi só mais um exemplo.
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+2 # Fábio Rodrigues Ribe 01-10-2017 19:28
Pergunto, a missa seria o que? Um banquete.. O que realmente era a Santa ceia?
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+5 # Alex Hoffmann 01-10-2017 23:51
Calma, não vamos confundir as coisas também. A Santa Missa não é um banquete como tenta-se apregoar, nem tampouco um banquete dos banquetes, a Santa Missa é sim o mesmo e único sacrifício de Cristo, naquele dia cruento, hoje incruento. A comunhão não é uma refeição sagrada mas sim nós que recebemos Jesus de corpo, alma e divindade, não é pão é Jesus.
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