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Sexta, 26 Junho 2015 12:59

Papa Francisco diz que a separação é inevitável em alguns casos. E a Igreja diz o mesmo há uns 100 anos!

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separacao_papa

“Foi mais um sinal de abertura para as famílias modernas”, comentou William Bonner, no Jornal Nacional. Não, não foi. O Papa Francisco não está introduzindo nenhuma doutrina nova na Igreja. Se o Jornal Nacional tivesse feito uma simples consulta a qualquer estudioso da doutrina católica, saberia que tal orientação existe há pelo menos 100 anos!

Mas a grande mídia, ao menos quando o assunto é catolicismo, parece muitas vezes optar por fazer o papel de Chacrinha: está aí pra confundir, não pra explicar.

Na Audiência Geral do dia 24 de junho, o Papa Francisco disse que “há casos em que a separação é inevitável; às vezes, pode-se tornar até moralmente necessária”. Ele nada mais fez do que relembrar o que o atual Código de Direito Canônico já prevê, desde 1983:

Cân. 1153 — § 1. Se um dos cônjuges provocar grave perigo da alma ou do corpo para o outro ou para os filhos, ou de algum modo tornar a vida comum demasiado dura, proporciona ao outro causa legítima de separação...”

E o Código de Direito Canônico anterior a esse, de 1917 (!!!), promulgado pelo Papa Bento XV, já decretava que é legítima a necessidade de SEPARAÇÃO DE CORPOS em casos específicos, em que a convivência com o marido ou a mulher chegou a um ponto inaceitável de humilhação ou violência. Isso está registrado no capítulo VII, artigo II (se alguém conhecer alguma orientação da Igreja anterior a esta de 1917, por favor, nos informe).

Notem também que, tanto em 1917 quando no Código atual, os casais separados permanecem unidos pelo vínculo indissolúvel do matrimônio. Ou seja, conforme Jesus ensinou, se se unirem a outra pessoa, cometem adultério. Então, que fique claro: quando a Igreja fala em “separação”, ela não se refere de modo algum a "nulidade" ou ao fim dos laços matrimoniais, que só se desfazem com a morte do marido ou da mulher.

Façamos a caridade de espalhar a verdade aos nossos irmãos, que acabam dando crédito às notícias que pintam o nosso Papa como um sujeito que veio negar a Tradição da Igreja e introduzir uma nova doutrina. Infelizmente, a versão da TV e dos jornais é a que prevalece, mas temos a obrigação de fazer a nossa parte.

O mundo precisa saber que a Igreja jamais aprovará o divórcio, pois não pode voltar as costas para o que o próprio Cristo ensinou. Para saber mais sobre esse assunto, acesse e leia:

Militantes da comunhão aos recasados: bons samaritanos ou fariseus?

495 Terça, 27 Dezembro 2016 18:57

Comentários   

0 # Fran 03-03-2017 21:23
Mas, enfim, qual é a posição da Igreja sobre a existência é do divórcio civil? Já li no Catecismo que pode ocorrer por motivos justos sem constituir falta moral. Mas no Brasil um divorciado pode casar-se civilmente de novo. Isso deveria necessariamente ser proibido, mesmo sendo largamente aceito (acredito eu) pela população?
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0 # Ana 03-03-2017 21:16
Esse "jura" que está escrito aí não é errado? Sei que vcs não estao jurando propriamente no post, mas queria entender se usar essa palavra sem séria necessidade não é pecado...
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0 # cristiano 27-01-2016 00:04
Muito boa e propícia todas estas opiniões. Fundamentadas, eruditas, enfim, coerentes com aquilo que a igreja ensina. Sou um eterno aluno desta igreja. E com este site, com toda esta gente preparada, eu me pergunto: o que é que esta faltando pra que o crescimento das seitas, das demais denominações religiosas ou as pseudocristãs diminuam? Talvez, tavez o motivo esteja na própria razão da pergunta. Agimos de menos e estudamos demais.
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0 # Grasiele 26-01-2016 14:52
Vai parecer um pouco ou de ignorância ou de provocação, mas é que ninguém nunca me respondeu isso na minha comunidade: se uma pessoa casa a 1ª vez somente no civil, divorcia-se, e depois pretende se casar uma 2ª vez, agora na Igreja, com pessoa que não tivesse recebido o sacramento do Matrimônio anteriormente, é possível essa união? Mais: se uma pessoa se casa em 1ª união em uma outra religião, mas não na Igreja Católica (tendo discernimento e consciência do seu ato), divorcia-se, e depois em 2ª união com outra pessoa no rito católico, é possível celebrar esse 2º matrimônio? Pergunto isso pois, afinal, se trata de uma 2ª união, mesmo que anteriormente não tenha sido realizada a celebração na Igreja Católica... E vejo muitas situações (inclusive no meu trabalho) em que sou questionada, principalmente quando o casamento é celebrado em igrejas neo-pentecostais com católicos (que se submetem a essas uniões, que são mais para "mostrar pros outros" do que um compromisso mesmo), e estes nunca receberam o sacramento do Matrimônio.
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0 # André Luiz 26-01-2016 15:59
Grasiele, pelo que entendo da doutrina da Igreja, há impedimento de casamento da 2ª união, se o primeiro casamento for válido e feito na Igreja Católica. Fora isso, basta usar o bom senso.
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0 # José Abdinel 29-06-2015 15:09
Olá povo, Estou com uma pessoa há 4 anos e ela foi casada na Igreja. Ela já havia entrado com o processo de averiguação no Tribunal Eclesiástico há 3 anos, pois há indícios de que o casamento dela foi nulo (foi obrigada a casar por causa da mãe, uma vez que essa era candidata à coordenadora numa comunidade e o fato dela não ser casada poderia comprometer o resultado da eleição) semana passada foi convocada para redigir o libelo. Ocorre que desde algum tempo atrás resolvemos viver a castidade mas por exemplo, continuo beijando-a e quando saímos andamos de mãos dadas e etc, mas não temos relação sexual. Gostaria de saber se nestas circunstâncias eu posso comungar.
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0 # Felipe Martins 29-06-2015 10:57
Salve Maria! Ao ler este post uma dúvida surgiu: Pessoas viúvas podem receber o Sacramento do Matrimônio outra vez? Já que este dura até a morte. Paz e Bem
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0 # Francisco Silva de Castro 28-06-2015 20:07
Catequista o Santo padre fez questão de dizer com todas as letras neste discurso que os casais separados devem guardar continência sexual e não contrair Novas núpcias? Porque se houvesse dito tenho certeza que as mídias teriam sido bem agressiva a respeito das palavras dele e não teria tocado o trombone dizendo e insinuando que o papa aceita a separação.
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0 # José Ferreira 26-06-2015 20:42
Queria dar uma opinião sobre um post. Na verdade, vocês fazerem uma denúncia sobre o escândalo que está acontecendo na diocese de São Miguel Paulista, mais especificamente na paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera. Lá, o padre Sérgio Bezerra imprimiu um folheto da missa em que as orações dos fiéis faziam uma clara apologia à causa gay. Uma das orações pedia, só para se ter uma idéia, que "a ofensiva homofóbica e histérica do congresso nacional seja enfrentada com ousadia e serenidade pelo ascenso das causas libertárias". Isso é gravíssimo. O bispo, até o momento, não tomou providência alguma. Peço isso tendo em vista a grande quantidade de leitores que O Catequista tem. É importante que o maior número de católicos saibam o que está acontecendo na Igreja do Brasil, bem como tal fato chegue até a nunciatura apostólica ou, até mesmo, a Roma. Deus os abençoe.
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0 # Edna Silva 26-06-2015 18:48
Parabéns ao site por trazer essa questão de críticas ao Papa, à tona. Vale ressaltar que dentro das nossas próprias paróquias,encontramos pessoas que julgam saber tudo e vivem criticando o Santo Padre. Um desrespeito ao nosso pastor. Parabéns a Janes por seus comentários.
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0 # Sandro 26-06-2015 18:12
O que mais irrita nesse sensacionalismo da mídia em geral é que, no que concerne ao Sínodo, as notícias focam apenas em dois temas como se fossem os únicos abordados nele: essa questão da separação de corpos e o homossexualismo, e ficam papagaiando que essas duas questões seriam uma grande revolução de pensamento na Igreja, coisa de outro mundo. Quarta-feira passada mesmo, no que concerne ao sínodo, o Jornal Nacional chegou a afirmar, na maior cara de pau, que a questão envolvendo os homossexuais representaria um recuo da Igreja diante deles (em outras palavras, eles quiseram dizer que a Igreja teria dobrado os joelhos, teria "pedido penico cor-de-rosa" diante dos homossexuais), mas o tal recuo que o Jornal Nacional tanto destacou como uma coisa bombástica, não passou de um posicionamento que a Igreja sempre teve: o respeito ao próximo, posicionamento este que esteve presente desde o início da Igreja, inspirado nos ensinamentos de Jesus Cristo, que corroborou o fato de todos os humanos serem iguais, serem filhos de Deus, e, portanto, possuírem dignidade (dignidade da pessoa humana), pensamento que inspirou o surgimento da ideia de direitos naturais e direitos humanos, essenciais para a construção da civilização ocidental contemporânea. Para quem está por fora e se deixou manipular por esse tipo de notícia de baixo nível, ficou a impressão de que a Igreja, até então, teria incentivado seus seguidores a desrespeitar, odiar e perseguir os homossexuais, quando a realidade dos fatos é totalmente diversa daquilo que essas notícias capciosas alegam.
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0 # Sandro 20-07-2015 02:15
Sobre essa questão do homossexualismo, o Jornal Nacional deveria ter consultado o Catecismo da Igreja Católica antes de falar asneiras em rede nacional, especialmente o seguinte trecho: "2358. Um número considerável de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. DEVEM SER ACOLHIDOS COM RESPEITO, COMPAIXÃO E DELICADEZA. EVITAR-SE-Á, EM RELAÇÃO A ELES, QUALQUER SINAL DE DISCRIMINAÇÃO INJUSTA. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição."
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0 # valeria 26-06-2015 16:20
Olha a igreja não obriga ninguém casar, agora as pessoas casam pq querem por livre e espontânea vontade. Prometem e fazem um juramento diante do altar e de um representante de Deus que seria fiel na alegria e na tristeza até a morte o separe, em quando chega a tristeza não suporta a cruz as provas do casamento que sao fatores para um bom processo de santidade, já dá um pé na cruz e vai procurar a felicidade ao seu modo. Acaba esquecendo que os sacramentos é um meio que temos para a caminhada processo da santificação!! Todos os sacramentos são um laço de união com Deus, e no caso do matrimônio e a união de duas pessoas e Deus. Agora se uma das parte abandona o problema é dela com Deus mas quem é realmente de Deus mantém firme essa união do Deus até que se cumpra o prometido, com certeza Deus vai te horar no final por ter escolhido por estar com Ele, pois está vida passa mas a de Deus é eterna. Ignorar o julgamento final é fogo, pensa nisso colega. Agora tem gente que deve estar pesando ela não sabe o que está falando.. .engano eu sei sim vivo essa realidade a 5 anos vivo com Deus mantenho fiel o prometido e rezo todos os dias para a conversão do meu marido e peço que Deus tenha misericórdia dele e cada sofrimento e angústia que passo coloco em desagravo ao meu Jesus que sofre em ver que as pessoas entrar nas igreja sem o devido comprometimento com esse sacramento e pelas pessoas que fica brigando com a igreja por um ato impensável que teve agora quer que a igreja mude por um caso que a própria pessoa acusou.Sou muito feliz pela minha vida pois a cada dia eu sinto Deus mais próximo de mim e agradeço todos os dias a minha cruz e com ele vou morrer grudada. ATÉ
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0 # Manoel Leonardo Soares 26-06-2015 16:18
A mídia de um modo geral, adora jogar no ventilador a coisas que o papa diz, essa explicação do face o catequista, foi muito oportuna veio em boa hora, deixando claro que não há nada de novo, o problema é que as pessoas não procuram estudar, principalmente a mídia só quer difamar a Igreja e o papa.
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0 # Alexandre Fernandes 26-06-2015 15:29
Sem espírito de contenda, apenas de reflexão. São Francisco de Sales: “o Pastor NÃO pode conduzir a erro seus filhos, portanto, os sucessores de São Pedro tem todos seus mesmos privilégios, que não são anexos à pessoa, mas à dignidade e ao cargo público.” (Controvérsias, p. II, cap. VI, art. XIV) “Tampouco jamais faz um mandamento geral a toda Igreja em coisas necessárias se não pela assistência do Espírito Santo, que se não falta nem às espécies de animais em coisas necessárias, porque Ele as estabeleceu, menos faltará ao cristianismo no que é necessário para a vida espiritual. E como seria a Igreja una e santa; tal como as Escrituras e símbolos a descrevem? Porque se ela tivesse um Pastor e o pastor errasse, como seria santa? E se não lhe seguisse, como seria una? E que desordem não se veria no cristianismo, se alguns achassem e encontrassem uma lei má e os outros boa, e se as ovelhas em lugar de pastar e engordar nos pastos da Escritura e Santa Palavra se distraíssem em fiscalizar os juízos do superior? (Controvérsias, p. II, cap. VI, art. XV) Então, a pergunta que se faz é: se Francisco ensina algo diverso do que foi ensinado SEMPRE pela Igreja, pode ser ele papa? Lembrando-se de que a pergunta não se reduz apenas e tão somente a questões morais, mas precipuamente a questões teológicas/dogmáticas. Forte abraço.
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0 # Sidnei 26-06-2015 14:15
Quando escutei esta notícia na TV, log fui correndo no catecismo da Igreja Católica no §2383 aonde diz: "A separação dos esposos com a manutenção do vínculo matrimonial pode ser legítima em certos casos previstos pelo Direito canônico (cf. CIC, cânone. 1151-1155). Se o divórcio civil for a única maneira possível de garantir certos direitos legítimos, o cuidado dos filhos ou a defesa do patrimônio, pode ser tolerado sem constituir uma falta moral." Pontando achei uma bobagem os jornais e meios de comunicação dizerem que o Papa deu abertura pois disse que em certos casos a separação de corpos de alguns casais deve ser necessário, o Papa só ensinou algo que esta no Código de Direito Canônico e esta até no Catecismo da Igreja Católica. Se todos os católicos que conhecem a doutrina da Igreja mais profundamente iriam saber que aquilo que o Papa Francisco falou já era para ser de conhecimento de todos, mas aí vem a mídia que não conhece bolhufas nenhuma da doutrina da Igreja e vem falar besteira, e os católicos que conhecem pouco da doutrina da Igreja vão começar a também dizer besteira, como aqueles que dizem que o Papa Francisco é um papa bem melhor que forma os papas anteriores: Papa Bento XVI e João Paulo II, que eram conservadores, atrasados, obscurantista, etc, etc, etc, quando estes babacas não se dão ao luxo de nem mesmo ir ao CIC e ver que não somente o CIC mas até mesmo o CDC de 1917 já comtemplava aquilo que o Papa Francisco Falou. Daqui a pouco o Papa Francisco dirá que um cristão pode ter seu corpo ou de um ente querido cremado, e todos vão dizer que será mais uma lufada de modernidade na Igreja Católica porque o Papa agora permitiu a cremação dos corpos, quando os outros não permitiram, mas só para deixar aqui avisado, antes que surjam os sabichões que não conhecem nada da Igreja e vão falar asneiras, um lembrete de que a Igreja Católica já aceita a cremação dos corpos: "§2301 A autópsia de cadáveres pode ser moralmente admitida por motivos de investigação legal ou de pesquisa científica. A doação gratuita de órgãos após a morte é legítima e pode ser meritória. A Igreja permite a cremação, se esta não manifestar uma posição contrária à fé na ressurreição dos corpos."
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0 # Celso Zamarchi Cenci 26-06-2015 13:59
Mas tem uma parte da Bíblia em que Cristo diz que não se deve repudiar a esposa (termo que os judeus usavam para se referir ao divórcio) exceto em caso de adultério.
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0 # Padre Orlando Henriques 26-06-2015 19:23
Indo ao original grego, o que está em casa é a maneira de traduzir a palavra “porneia”, que em grego, significa “prostituição”. A tradução da Difusora Bíblia (aquela a que nós em Portugal chamamos “Bíblia dos Capuchinhos”) traduz “porneia” por “união ilegal”: «Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério.» (Mt 19, 9) É interessante confrontar isto com 1Cor 6, 15-18, onde São Paulo diz que juntar-se a uma prostituta é tornar-se com ela «uma só carne». Portanto, unir-se a uma prostituta é tornar-se «uma só carne», TAL COMO no casamento, MAS NÃO É um casamento! O adultério, seja permanente ou seja ocasional, não constitui um verdadeiro matrimónio, mesmo que tenha em comum com o matrimónio o “tornar-se uma só carne”.
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0 # Isac 28-06-2015 19:39
Gostei, Pe Orlando! Ou seja, o vínculo do casamento, apesar das eventuais "escapadinhas" fora o desvirtua, mas não o anula! Interessante também que em sexo-novelas e idem vídeos, filmes, teatros, Real Shows que são a "transposição do bordel para dentro do lar", apesar de virtual, pode incidir no mesmo caso, já que a pessoa acessa pornografia! Também, de propósito, cultiva os maus pensamentos que advêm nessas horas que são um diálogo com o diabo, que inspira os maus pensamentos acerca do que a pessoa vê e compartilha com ele, por meio de seus perversores atores e poderia se converter até num grave pecado!
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0 # Padre Orlando Henriques 26-06-2015 19:03
O contexto é este: Dt 24 permite o divórcio, mas, no tempo de Jesus os rabinos discutiam muito sobre quais eram as razões suficientes para o marido repudiar a mulher. Alguns, mais “manga larga” (escola de Hillel), achavam que qualquer ninharia (até, por exemplo, a mulher não saber cozinhar muito bem) era suficiente para o divórcio; outros, mais “rigorosos” (a escola de Shamaï) achavam que só algo muito grave, como o adultério, é que justificava o divórcio. POR ISSO é que foram perguntar a Jesus: «É permitido a um homem divorciar-se da sua mulher POR QUALQUER MOTIVO?» Queriam saber de que lado é que ele estava, se era dos “liberais” (Hillel) ou dos “conservadores” (Shamaï). Ora, Jesus REJEITA AMBAS as opções: «mas no princípio não era assim», não há razão nenhuma para o repúdio, nem mais grave nem menos grave, «não separe o homem o que Deus uniu». Ora, depois de uma tomada de posição tão radical da parte de Jesus, rejeitando ambas as posições (e colocando-se acima delas!) faria sentido ir admitir uma excepção que o colocaria do lado da escola de Shamaï?
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0 # Padre Orlando Henriques 26-06-2015 18:50
Eu fiz um trabalho sobre a sacramentalidade do matrimónio e, por aquilo que estudei, concluí que essa ressalva de Mt 19, 9 se refere ao estado de CONCUBINATO, e não ao adultério entendido como traição do cônjuge. Ou seja: o que Jesus quer dizer é que viver amancebado não é um vínculo indissolúvel; o adultério (embora sendo um pecado gravíssimo) não invalida o matrimónio (ofende-o, não o invalida).
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0 # Sidnei 26-06-2015 14:46
Celso, a passagem é Mateus 19, 1-9, aonde no vers. 9 JESUS diz: "Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério." Isto daria uma matéria aqui no Catequista, porém, no ver. 9 desta passagem de Mateus, aonde está escrito: "exceto no caso de matrimônio falso", muitos, principalmente protestantes e ortodoxos traduziram por: "adultério", então há ai uma certa confusão e dúvida que paira em cima desta passagem, pois muitos dizem que diante de diversas passagens em que há um restrição severa por parte de JESUS ao divórcio então como aqui ELE dá a entender que em casos de adultério pode-se haver o divorcio?. Então é por isto que a Igreja Católica acredita que aqui JESUS não esta falando do divórcio em casos de adultério, mas sim, da separação em casos em que o não houve um casamento de fato, um falso casamento, e portanto, o homem e a mulher que estão nesta condição, estão livres para se deixarem e se unirem a um casamento de fato, como acontece nos dias de hoje em que a Igreja julga se certa união foi ou não de fato, e se não foi, declara-se a nulidade da primeira união e deixa assim o homem e a mulher livres para contrair uma união valida perante a Igreja. Alguns acreditam aqui que de fato, JESUS permite a separação porém sem poder contrair novo matrimonio, tal como ensina São Paulo em I Cor. 7, 10-11: "Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido. E, se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher.". Há uma matéria no site do veritatis: http://ocatequista.com.br/archives/15650/comment-page-1#comment-440034, que também elucida sobre esta matéria. Enfim esta assunto é bem polemico, mas acredito que a Igreja assistida pelo ESPIRITO SANTO, não ira errar em uma matéria desta, creio que a doutrina sobre a indisubilidade do matrimônio é valida, foi revelada por JESUS CRISTO, e confiada a sua Igreja para ensinar o verdadeiro sentido do Matrimônio, e aqui não há lugar para ambiguidades, e um Matrimônio consentido, ratificado e valido só a morte pode desfazer.
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0 # bia 26-06-2015 13:38
Mas nesses casos específicos, a pessoa deixa de poder comungar também?
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0 # A Catequista 26-06-2015 14:29
Se a pessoa, estando inocente, é obrigada a se separar, ela pode continuar comungando, desde que viva a castidade. Se se envolver com outra pessoa, comete adultério, e não pode comungar.
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0 # Janes 26-06-2015 15:06
E falando claramente, a pessoa continua plenamente CASADA com aquela de quem se viu obrigada a separar-se fisicamente, às vezes até para salvar os filhos, como ocorre tantas vezes. O casamento não foi dissolvido, o vínculo sacramental indissolúvel permanece como tal e a parte que precisou cair fora, se realmente católica, guarda claramente consigo a consciência de um casamento efetivamente existente, independentemente da inexistência de coabitação física. Pode inclusive continuar usando sua aliança como sinal dessa consciência clara (tenho amigas e amigos que assim o fazem e por nem um segundo sequer se declaram separados) pois sabem que estão casados para sempre com aquela pessoa, deixando assim fora de cogitação qualquer hipótese de se unir à outra pessoa. E por isso comungam sim tranquilamente. E é um testemunho belíssimo! Ao agirem assim essas pessoas estão dizendo e mostrando ao mundo, uma realidade cheia de esperança e promessa: Deus é sempre fiel, apesar da infidelidade do ser humano! E com seu gesto de respeito àquele vínculo que Cristo criou, estão sendo humildes mas eficazes sinais da fidelidade divina ao seu povo, da fidelidade de Cristo que oferece salvação e misericórdia sempre apesar da teimosia humana. Esta sim é a real MISERICÓRDIA de CRISTO da qual cada cristão deve ser sinal no mundo, é esta MISERICÓRDIA RADICAL que o Cardeal Kasper desconhece , ao vender uma caricatura ideológica de "misericórdia" que não passa de arranjo e gambiarra artificial, infantil e infantilizadora , mera adaptação fácil à mentalidade deste mundo com a qual São Paulo pede que não nos conformemos.
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0 # Carlos Eduardo 26-06-2015 13:36
Tudo bem, mas convenhamos... nunca um papa precisou de tantos gandulas.
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0 # Janes 26-06-2015 14:48
Isso nada tem a ver com "gandulas" se você com essa palavra quer dizer pessoas preparadas para defender o santo padre quando ele diz bobagem, como o gandula está ali pronto para apanhar as bolas "fora". De forma alguma, tanto os que pintam o Papa Bento 16 como inimigo da modernidade como os que pintam Francisco como amigo da modernidade, sofrem do mesmo mal: arraigada ignorância acerca do ensinamento católico. Um papa não existe para agradar ouvidos "conservadores", "progressistas" ou "moderados", mas para anunciar a verdade e denunciar a falsidade, doa a quem doer. O próprio Papa Bento 16 já estava preocupado com o crescimento de grupos dentro da igreja, que se aproveitando da sua fidelidade à ortodoxia e à tradição , quiseram fazer uso ideológico disso. Por isso ao autorizar, por exemplo, a missa no rito antigo em latim (nada fazendo a mais do que aquilo que o próprio Concilio Vaticano II também estimulou) deixou bem claro: "desde que não se faça uso ideológico disso" (ou seja desde que não se afirme contra outros modos aprovados de celebrar, que só " a nossa é a missa real"). Tanto é assim que ao perceber exatamente esse uso ideológico de cunho cismático da missa antiga, o papa Francisco proibiu certo grupo de frades em Roma de celebra-la sem licença episcopal. Não adianta. Esse esforço (de setores da igreja, à "direita" e à "esquerda" e ao "centro") de querer fazer uma oposição radical e uma ruptura total entre Bento 16 e Francisco, não resiste à prova dos fatos. E existe um teste simples para isso: Basta listar em uma tabela quais são as agendas mais queridas da ditadura do politicamente correto (ideologia de gênero, famílias alternativas, aborto, ambientalismo que ignora a Ecologia Humana, estatismo sufocador dos organismos sociais intermediários a não ser que esses sejam braços do poder, etc.) e traçar uma coluna para cada uma dessas agendas e abaixo de cada uma delas, agrupar as claras falas e denúncias do Papa Francisco acerca delas. O saldo final dessa coleta colocaria o papa diante da mídia e dos poderes a que ela serve , como um sujeito radicalmente "conservador" e "retrógado". Agora, o lado sedizente "conservador' ou "liberal-conservador" não tem nadinha de nada, que mereça puxões de orelha do vigário de Cristo, é imune à obrigação e à graça de conversão que precisa comprometer todo cristão??? O que as pessoas querem? Um papa que subscreva prontamente as agendas de um grupo contra o outro? O papa Francisco denunciou várias vezes, os grupos (de todas as vertentes e tendencias ideológicas) eclesiais que "ALUGAM" - foi a expressão que ele usou - a casa de Deus em função de suas agendas prévias. São aqueles que ficam vigiando com lupa e binoculo cada gesto e palavra do papa , a ver se contrariam ou reforçam suas agendas, sua interpretação do que é ser católico. Mas essa atitude em si nem é católica, o papa não existe para isso, para reforçar nosso modo de ver as coisas, mas existe para ser uma provocação de conversão mais profunda, para nos alertar contra a tentação de transformar nossa pertença a Cristo e sua igreja, num esquema e numa ideologia. E a atitude católica é : "O que o Espirito de Deus tem a me dizer através desse papa?"
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0 # Elton 28-06-2015 19:20
Janes: v é de Júpiter, Saturno ou de que planeta veio e, chegando aqui se juntou ao PT? Aqui é a terra, sabia?! Só gostaria de lembrar a v que no tempo do saudoso mas odiado pelos modernistas de todas as raças e classes, nosso Bento XVI, cardeais de comportamentos "progressistas", para não os chamar de esquerdistas, tipo Kasper, Bruno Forte, Küng etc. eram mantidos à distancia; a Igreja ameaçada de não sei quantas ações judiciarias disso e daquilo, agora cessaram; apoio a assombrações, melhor, pestes vermelhas como sentenciou Bento XVI em Erfurt, tipo Stédile-PT, L Boff-TL-PT, Gutiérrez, D Hélder, servo do sENHOR dEUS do santuario esquerdista... E outros similares que nem passavam perto do Vaticano; hoje são recebidos como se fossem heróis, gente e de valor e defendem lá dentro suas ideologias marxistas "de opção preferencial pelos pobres", tipo PT, partner das "pobres" empreiteiras enfiadas no Petrolão! Também defendem uma certa igreja só de "perdão, acolhimento, tolerância etc." com os erros, sem exigência alguma de seria conversão! Dilma, Lula e outros da sucia comunista inclui-se nesse tenebroso pacotão! Caia na real, Janes! Ou está nos relatando seus sonhos?
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0 # Carlos Eduardo Pauluk 02-07-2015 00:17
Janes, gostaria de trocar mais ideias contigo. Se puder entrar em contato comigo: edw.chuck @ gmail com Obrigado
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0 # Carlos Eduardo 26-06-2015 18:53
Com certeza, você tem razão em muito do que escreveu. Mas, mesmo assim, não dá pra negar que ultimamente temos visto uma multidão de católicos realmente fieis a Igreja (quando não a Sala de Imprensa do Vaticano mesma) tendo que escrever notas e posts pra "reinterpretar" o que o Papa Francisco falou. A questão aqui gira em torno da clareza com a qual as coisas são ditas. Quando vemos um Leonardo Boff se vangloriando por ter sido "citado" na última encíclica conseguimos enxergar que alguma coisa de errado existe na comunicação do Papa com os fieis. Não se trata agradar um grupo ou outro, uma corrente ou outra, mas sim em se manter as vírgulas em seus devidos lugares, conforme a Igreja sempre se preocupou em fazer. Nos tempos em que vivemos não dá pra dar margem para aqueles que estão há décadas escolados na arte da hermenêutica das releituras, mestres em novilíngua. Defender, o tempo todo, tudo o que o Papa faz e fala, da forma como ele faz e fala, pode não ser tão útil e benéfico quanto parece. Até mesmo Sua Santidade pode fazer por merecer críticas e censuras. As pessoas esquecem que o Papa possuir a assistência do Espírito Santo não significa que ele vá ouvir e agir o tempo todo conforme a assistência que recebe. Com certeza está havendo exageros por parte de ultra-conservadores, enquanto que os progressistas estão também (ao meu ver e pelo voto de confiança que tenho neste Papa) muito enganados nas suas vanglórias. Mas deixo bem claro que tenho estas ressalvas em relação a comunicação do Papa. Sem dúvida ele poderia melhorar, e muito, neste quesito.
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0 # Janes 26-06-2015 20:50
Isso sempre foi assim, rapaz, com todos os papas sem exceção. As interpretações das falas de Bento 16, vendidas pela mídia e pelos "progressistas" como retrógradas e inimigas da modernidade (naquilo que ela tem de válido, pois ideologicamente somos mesmos críticos competentes da modernidade) foram todas distorcidas e mal interpretadas e nós vínhamos em defesa dele do mesmo jeito que fazemos agora. Por exemplo, a gritaria geral de que ele queria, anacronicamente, voltar com o uso do latim era uma mentira deslavada, pois ele simplesmente colocou em prática do Vaticano II, que a par de recomendar o uso do vernáculo , jamais aboliu o latim e até o estimulou. Não tem como escapar da manipulação da mídia, Pio XII que era exatíssimo, teve sua fala (e tem! Ainda agora) manipuladíssima, São João 23, Paulo VI, João Paulo I, São João Paulo II, Bento 16, Francisco, para um lado ou para o outro a mídia sempre vai deturpar e nós sempre teremos o dever de clarificar as coisas. Quer uma deturpação mais absurda e idiota da fala papal, do que o Sr.Dráuzio Varella afirmar que Bento 16 é cúmplice de todas as mortes por aids no mundo e que deveria ser condenado por crime contra a humanidade, como se o papa mandasse as pessoas terem aquelas relações sexuais de risco e também (para nós) imorais??? Como se viver a sexualidade na perspectiva da novidade de Jesus (castidade e fidelidade de ambos os parceiros) expusesse alguém à Aids, em vez de ser uma proteção muitíssimo mais eficaz contra ela, como é. E quer manipulação ainda maior do que aquela ocorrida quando Bento 16 ao falar das situações onde uma das pessoas está infectada (exemplificando com um caso do campo da prostituição) ela tem responsabilidade de proteger a outra. Toda a mídia, anunciou a coisa como sendo um "progresso" e "novidade" em relação ao "atraso" da posição anterior, quando se tratava na verdade de um discernimento aplicado à uma situação bem diversa daquela suposta na posição anterior (mútua castidade ou fidelidade) que nunca mudou. Muitos também supuseram que o papa foi infeliz na escolha das palavras. Sem falar no famosíssimo discurso de Ratisbona, onde o Bento 16 foi pintado como inimigo do profeta Maomé. A fala de Bento 16 foi manipulada o tempo todo e a de Francisco tem sido manipulada como infantil desforra contra Bento 16, como se estivéssemos num joguinho boboca de ganha e perde. É claro que Leonardo Bofe se vangloria de uma suposta contribuição à encíclica Laudato Si, mas qualquer que tenha sido a ideia de Bofe presente na encíclica, não é absolutamente nada que não possa ser encontrado numa postura de defesa ambiental perfeitamente ortodoxa. E muito pelo contrário, o pessimismo antropológico de Bofe, seu biocentrismo, sua "espiritualidade" New Age, sua contradição entre querer salvar a terra e apoiar a morte de inocentes no ventre da mãe (como faz em publicação das "católicas" pelo direito de decidir...matar ) mostrando assim grande subserviência aos grandes poderes econômicos e políticos que usam a sua ideologia abortista para chantagear com a fome dos povos mais pobres da terra, foram coisas duramente denunciadas na Laudato Si. Um teólogo condenado ou advertido pela igreja, assim o é por coisas muito precisas e não na totalidade do que faz e diz. Por isso quando Bento 16 dizia que Bofe é um teólogo piedoso que ele gostaria de ver de volta à comunhão eclesial, não tenho por que me escandalizar. Quando Bento 16 recebe fraternal e amistosamente um teólogo muito mais condenado que Bofe (Hans Kung) não tenho que ficar chocado. Um dias desses, um ateu fanático, estava pintando Deus com cores monstruosas, como se ele fosse um tirano cruel (baseando seu ateísmo nessa caricatura boçal) e Bofe deu uma resposta embaixo da qual eu assinaria tranquilamente: "Desse "deus" que você descreve eu sou mil vezes mais ateu". Tertuliano não é alguém que para a igreja tenha um pensamento perfeitamente ortodoxo, no entanto santos e papas citaram e citam aquilo que ele possa ter falado de válido. A teologia de Teilhard de Chardin, não é assumida totalmente pela igreja até hoje, e no entanto João Paulo II os insigths Teilhardianos válidos. Se Bofe disse algo de sensato - em meio a mil sandices - sobre a questão ambiental, que problema existe em aproveitar o que ele disse de válido. Um protestante, é , tecnicamente, um herege, e no entanto quantas coisas nós aproveitamos (até católicos sedizentes "conservadores" o fazem) da obra e da reflexão de C.S.Lewis? Eu mesmo, que sou um crítico radical das ideias de Bofe (de todas as que igreja com precisão cirúrgica apontou e ainda de outras que eu vejo), aproveito muita coisa da reflexão rica que ele fez sobre a teoria da construção social do gênero, mesmo sem concordar com a totalidade. Veja nesse texto dele se não há coisas lúcidas e válidas: http://www.leonardoboff.com/site/vista/outros/a-construcao.htm Aproveitar o que há de bom nesse texto não tira em nada a minha ortodoxia, pois sei claramente quais os pontos em que Bofe nega a fé cristã e o papa também sabe.
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0 # Janes 28-06-2015 17:12
Olha só, existe algo importantíssimo para a nossa fé: a igreja de Deus nada tem a ver com “progressismo” ou “conservadorismo”, nem mesmo com a posição “moderada”. É como se alguém perguntasse isso é azul, bege ou vermelho? E a resposta fosse: Isso é Água Corrente! Ou seja, um fenômeno total e radicalmente de outra ordem que não se encaixa nas categorias costumeiras. A proposta da igreja não é reforçar este ou aquele grupo ou linha de pensamento. Ela se move em outra esfera de significado! Ela tem a ver com a salvação e sempre em vista da salvação, ela tem a ver com o belo, o bem e a verdade, onde isso estiver. Se alguém que é rotulado ou se rotule de progressista, disser algo válido, verdadeiro e bom, a igreja abraça aquele aspecto ou pedaço de verdade que esse alguém disser. Idem se for alguém do campo “conservador”. Em muitos aspectos Monsenhor Lefebvre (chamado de ultratradicionalista) recusou obediência aos papas desde São João 23. Mas como negar seu riquíssimo ensinamento (que é o mesmo da igreja e dos papas) acerca do sacrifício eucarístico e da presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento? Como deixar de ver que, nesse aspecto, ele exerceu grande profecia na igreja de Deus? Justamente quando grandes parcelas da igreja faziam (e ainda fazem) pouco caso da missa como sacrifício do cordeiro? Assim como Jesus, a igreja não entra no jogo dos grupos, partidos e torcidas. “O bom escriba e doutor da lei, tira do seu tesouro coisas novas e velhas” nos diz o Senhor no Evangelho. E São Paulo nos aconselha a “examinar tudo e ficar com o que é bom”, sempre tendo como critério de escolha, a salvação. E não são todos os “progressistas” que estão satisfeitos com o papa. As sedizentes “Católicas” pelo Direito de Decidir (matar a vida humana no ventre materno) estão em franca oposição a ele desde o primeiro dia do seu pontificado e deram pleno apoio à performance macabra de péssimo gosto que a Marcha das Vadias fez durante a visita do papa ao Rio na JMJ. A ONU , através de seu comitê de “defesa” da criança, fez o pior e mais afrontador documento contra a igreja de todos os tempos, justamente na gestão do Papa Francisco. E uma boa parte dos “progressistas” (incluindo Leonardo Bofe) que se diz contente com o papa , está claramente jogando com as posturas e palavras do papa, pois sabem perfeitamente que ele é um homem da grande tradição e da ortodoxia ( o que não significa necessariamente “conservadorismo”). Mas politicamente, ainda é vantajoso puxar para a própria brasa, uma liderança internacional expressiva (talvez a maior no mundo atual) como o papa e toda a estratégica movimentação de Bofe, indica claramente esse modus operandi. Um pensador e militante de matriz marxista, sempre opera e fala estrategicamente, pois é um dogma para essa gente que a verdade seja sempre relativa...à construção da utopia socialista , e portanto é imperativo que se sirva à verdade absoluta dessa utopia que engloba tudo. Em outras palavras: nunca é possível ter certeza acerca da sinceridade e da honestidade intelectual de uma pessoa assim. Agora, não cair na rede dos “progressistas” não quer dizer estar automaticamente na rede dos “conservadores” e sequer na dos “moderados”. A rede de Jesus é outra! De todo modo, concordo totalmente com a importância e necessidade de um papa escolher minuciosamente cada palavra, ponto e vírgula que disser. E certamente o teólogo e professor Joseph Ratzinger ( Bento 16) desenvolveu essa capacidade bem mais que o Cardeal Bergoglio, que por natureza e temperamento, tem maior espontaneidade na fala e pode sim dar margem a um ou outro mal entendido. Mas quando a gente faz um cuidadoso check out, passando o pente fino (e devemos fazê-lo como piedoso exercício de escuta do Espírito Santo) em toda a fala dele, não só verificamos plena ortodoxia como muito mais que isso: percebemos uma verdadeira direção do Espírito. E aqui acontece algo bonito e edificante para a nossa fé, pois a assistência que o Espírito Santo dá ao papa, não é algo mecânico, automático e mágico, que dispense o crescimento espiritual dele como crente e como pastor. Ele também cresce e evolui na atenção às moções do Espirito Santo, com todas as alegrias e dores, que fazem parte do processo de discernimento espiritual. Tomemos como exemplo dessa dinâmica uma das polêmicas mais fortes que sugiram em consequência da primeira entrevista, digamos, mais “bombástica” que o papa deu. Aquela concedida ao Padre Antonio Spadaro da revista Civilização Católica. “Não ficarmos obcecados com o tema do aborto”, foi a frase “fatídica” de Francisco que a mídia ecoou “ad nauseam”, com evidente satisfação. As reações mais apressadas (como as do grande Olavo de Carvalho) focaram no seguinte (e justíssimo) ponto: “Como falar menos, se é preciso falar mais – contra o aborto - dado à escalada fulminante da engenharia social que vem impondo goela abaixo, sua agenda ideológica e seu pensamento único, oprimindo e criminalizando toda divergência?” Aqueles que se debruçaram sobre as palavras do papa, como todo católico deve fazer, com a paciência do discernimento, o critério da tradição e a luz do Espírito Santo, não demoraram muito a topar com a chave de leitura daquela entrevista, que não facilita, mas torna muito mais exigente a nossa missão no mundo de hoje. Eu testemunhei muita gente que, a partir daquela entrevista, passou a ser mais autenticamente missionário. Pois compreenderam aquilo que gosto de colocar em um exemplo bem simples: Um professor tem como meta de ensino, o procedimento X. Sabe que todos os alunos devem chegar a X. Se esse professor é de fato um autêntico educador, se tem talento pedagógico genuíno, seu maior empenho não é ficar falando obcecadamente e o tempo todo, que todos os alunos têm que chegar a X. Prático e proativo, ele põe mãos à obra e trabalha para capacitar cada (a palavra “CADA” aqui é crucial para entender a fala do papa!) aluno a chegar à meta X. E ao fazê-lo conhece bem a situação e o contexto, o ritmo, as deficiências de cada aluno. Ele não põe em dúvida, nem por um segundo, a verdade e a bondade da meta a que todos devem chegar. Ele ama a meta, e tanto ama que se esforça para que cada um, no seu ritmo, chegue até a meta. E por isso sua prioridade não é verbalmente martelar a meta, mas CAPACITAR cada aluno, sobretudo os mais frágeis, para que cada um dê conta de chegar à meta. Um grupo de fariseus conhecia uma meta da lei divina: FIDELIDADE CONJUGAL, que faz rejeitar o adultério. E Jesus também conhecia e amava a mesma meta. Mas amava ainda mais que eles e com uma profundidade insuspeitada para eles. Eles estavam obcecados com a meta (não adulterar, viver a fidelidade conjugal), mas de um modo meramente doutrinal: a eles interessava (e bastava) explicitar o mais clara e repetidamente possível a regra moral, que tem que ser cumprida custe o que custar. _“Sim, mas a mulher está ferida e doente, estraçalhada por dentro...” _“Isso não nos interessa nada! Problema dela! Interessa-nos se a lei foi cumprida ou não!” E é óbvio, que adotando essa perspectiva legalista, não só a mulher fica condenada, mas todos eles, sem exceção: “quem não tiver pecado, atire a primeira pedra!”. O senhor pôs esse fato a nu: se é pelo critério da retidão moral, do dever fazer isso e aquilo, vocês estão no mesmo patamar (quiçá em um pior) desta mulher! Com poucos gestos e palavras, Jesus revela (e faz acontecer!) em instantes, toda a novidade que Ele veio trazer: CAPACITAR para a meta, de um modo que a pessoa possa ir até muito além da mínima meta. E o que capacita? UMA PRESENÇA QUE ACOLHE! UMA AMIZADE que ARRASTA irresistivelmente. Em outras palavras: o fato cristão é um acontecimento de FÉ e GRAÇA. A fé que se abre à graça, e a graça (presença!) que capacita para todas as boas obras, para muito além do mínimo exigido pela norma (Virtudes Heroicas: é o primeiro degrau que a igreja analisa na vida de um candidato à canonização. Até que ponto a amizade do Senhor levou essa pessoa?) O que é mais vinculante na vida? Aquilo que a gente faz obrigado por um contrato assinado (norma, lei, regra) ou a profunda gratidão, a profunda lealdade a um amigo verdadeiro? Para um amigo dou não só o mínimo que a norma moral exige, dou-me a mim mesmo inteiramente. Por isso, ainda que o Evangelho não registre seu nome, piedosa e antiga tradição cristã identifica na mulher adúltera salva por Jesus do apedrejamento, a figura de Santa Maria Madalena, de quem o Senhor havia expulsado sete demônios (7 = totalidade, tudo quanto é porcaria e imundície moral. E claro, essa interpretação espiritual não nega o fato concreto do exorcismo efetivamente ocorrido). E ao fazê-lo essa tradição se põe dentro da ótica do Evangelho e da novidade de Cristo: No que se tornou a mulher adúltera? Naquela que foi “e não pecou mais” como lhe ordenara o Senhor? Naquela que foi capaz de chegar à meta (fidelidade conjugal, castidade) à regra moral da meta? Sim, mas isso e mil vezes mais que isso: transformou-se em seguidora! Em amiga do Senhor! Ora, isso não é algo menor do que não cometer adultério, não é algo menor do que não praticar aborto, é algo muito maior: é se por no caminho da santidade! É ir além do mínimo que a regra e a lei exigem! E como ela se tornou capaz disso e de muito mais? O SENHOR A CAPACITOU! O senhor que ama a meta e ama profundamente a pessoa que ele quer tornar capaz de chegar até à meta e mais além, a ACOLHEU, PERDOOU, NÃO FICOU INSISTINDO OBCECADAMENTE (para aludir à expressão do papa Francisco) NO ERRO DELA. Ora isso é o âmago, o núcleo, a essência mesma do acontecimento cristão que é fé e graça e só por isso é também caridade e obra. O cristão, portanto, não fica repetindo e martelando a norma e a regra na cabeça dos outros. Sua maior prioridade é a mesma de Jesus: o pleno cumprimento da lei. E qual é o pleno cumprimento da lei? É A GRAÇA, o acontecer aqui e agora da SALVAÇÃO. É uma PRESENÇA que se dá, que cura, que capacita o aleijado a se levantar e caminhar. Por isso foi perfeita a imagem que o papa usou: a igreja é um corpo médico num campo de feridos na guerra do mundo. É preciso ir além da reação imediata às palavras do papa, é preciso não ter a atitude de meramente checar no “gabarito” de provas da sã doutrina, pois isso seria ficar na casca superficial da doutrina, nas cinzas da tradição e não na sua brasa viva e ardente. O que é a sã doutrina? É a síntese verbal de algo mil vezes maior que ela: o acontecimento de Cristo, Deus feito homem entre nós, agindo e salvando com toda a potência da sua misericórdia infinita. A ação de Jesus que salva: essa é a chave de leitura das palavras do papa! Não podemos ser apenas meros repetidores da síntese verbal (da doutrina), mas operadores da SALVAÇÃO no mundo! E melhor dizendo: instrumentos dAquele que continua a salvar as pessoas aqui e agora, por meio do ministério de sua igreja. Os ditos “progressistas” ficaram assanhadinhos com a frase solta que cortaram da fala do papa, mas se eles não fossem tão superficiais e interesseiros no reforço de suas próprias agendas (em função das quais querem alugar a igreja de Deus) tremeriam diante da profundidade daquilo que o papa propõe, sentir-se -iam interiormente desmascarados , podendo escolher entre dizer: “É o Senhor que nos fala de novo” ou “vamos dar um jeito de eliminar este homem, cuja fala nos levaria de volta à uma civilização cuja destruição tem sido nosso maior empenho!” Pois foi uma pequena multidão de convertidos, de amigos de Jesus, de gente que se sentia obrigada não pela norma (não adulterar, não abortar, etc), mas pela gratidão de uma amizade que lhes mudou a vida, que construiu uma nova convivência civil, que dizia “não faças morrer a criança no ventre da mãe!”. O papa está repropondo que se reviva o acontecimento fundante que tornou isso possível. Pois sem isso, todas as regras morais não passam – diz o papa – de um castelo de cartas. Foi o superficial castelo de cartas dos fariseus com pedras nas mãos que ruiu quando O senhor disse a eles: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra!” A civilização que surgiu do acontecimento de Cristo, fez surgir algo inédito ate então : a gratuidade! Doentes, antes disso, eram meramente descartados, porque não eram úteis, crianças recém-nascidas igualmente, bastava que tivessem qualquer defeito físico. Amar a pessoa por ela mesma, é uma novidade da fé cristã que fez da Europa o primeiro continente livre da escravidão (e depois favoreceu a luta abolicionista contra a vergonhosa escravidão nas Américas) ; uma mudança estrutural desse porte, nenhum regime socialista (que tanto fala na prioridade da mudança estrutural) foi capaz de fazer!! Portanto, quando o papa relembra que no alicerce mesmo do catolicismo, se acha um acontecimento de GRAÇA (que deve continuar a agir no mundo, por meio de nossa ação pastoral e missionária) ele dá um tiro certeiro no coração da cultura abortista. E os católicos que se puseram à escuta do Espírito Santo que falou através do papa naquela entrevista, souberam agir mais em consonância com essa graça, não só pregando a doutrina, mas empenhando-se em fazer acontecer o fato que gerou a doutrina: o encontro com Cristo, que gera a fé, traz a graça e então a obra, a obra para além do mínimo moral (não adulterar, não abortar, etc.) a obra e a santidade que brota de um coração tocado e transformado pela amizade mais autentica e real que existe: aquela, do Deus feito homem, vivo e presente entre nós! Este é o caminho de discernimento e crescimento na autenticidade da nossa fé, que nos foi aberto por aquela fala do papa. ______________________________________- E por outro lado , também ele , o papa Francisco cresceu na atenção ao Espírito Santo que fala no Sensus Fidei do povo de Deus. Ele lê e conhece as repercussões de suas falas no meio do povo. Ele certamente ficou sabendo da possibilidade de uma orientação tão rica (acerca da atenção, PASTORAL ,à pessoa que abortou ) ser interpretada como sendo uma conivência covarde com os GRANDES PODERES ECONÔMICOS E POLITICO-IDEOLÓGICOS que por meio de muitas chantagens e assédios morais, ENFIAM A IDEOLOGIA ABORTISTA GOELA ABAIXO DO POVO (sobretudo dos povos mais pobres da terra, numa verdadeira “COLONIZAÇÂO IDEOLÓGICA”, termo corajosamente usado pelo papa). E o papa depois daquela manipulação da mídia (que não faz nenhuma pastoral nem missão, portanto, não podia mesmo se sintonizar com a fala do papa) passou a ser cada vez mais claro acerca do crime do aborto (em todas as suas encíclicas ele o denuncia fortemente) e principalmente acerca das ideologias que o favorecem e promovem, e do desonesto e autoritário modus operandi utilizado para sua imposição ( e nesse aspecto ele foi muito mais longe e incisivo que Bento 16) . É claro que ele já pensava tudo isso sobre o aborto, antes de ser papa (e não pensava isso porque Bento 16 o obrigava – ao coibir o “debate” – como cinicamente afirmou Leonardo Bofe no Programa Roda Viva) , mas as reações do povo de Deus, o ajudaram a se colocar ainda mais em atitude de discernimento e escuta do Espírito Santo. Agora, um papa pode sim, perfeitamente, não ouvir o Espirito Santo, não se abrir ao carisma da infalibilidade, por meio do qual o Espirito quer falar à igreja. E já aconteceu ao longo da história. Do mesmo jeito que eu sendo um batizado, posso não me abrir à graça do batismo, que eu sendo crismado, posso eventualmente não ouvir o Espírito Santo que foi derramado sobre mim desde aquele dia. O dom do Espirito, para o batizado, para o crismado, para o ministério sacerdotal, episcopal e papal, não é algo mecânico, automático e mágico, e pode acontecer o nosso fechamento e a nossa traição. Por isso mesmo o papa não é um ditador absoluto acima do povo de Deus e a nossa história de fé não recomeça do zero a cada papa eleito! Nós e ele temos algo maior a obedecer: a doutrina imutável de Cristo, a Revelação Divina presente nas Escrituras e na Tradição da Igreja e sobretudo, o fato real de Cristo – Deus Conosco, centro de toda a revelação e fonte de toda a doutrina. Se um papa contrariar isso tudo, vai ficar muito claro a fraude, a mentira, a traição. O papa pode falar muitas coisas e nós somos livres para discordar de tudo aquilo que não seja fé , moral e disciplina. Ele pode se equivocar pastoralmente. Minha defesa da postura do papa Francisco, não parte do pressuposto de que exatamente tudo o que ele disser virá da assistência do Espirito Santo. Exatamente por causa de minha atenção à grande tradição da fé , é que percebo (posso estar equivocado) perfeita coerência do papa Francisco com essa tradição. Mas não concordo com tudo. Mesmo um papa como São João Paulo II, cometeu equívocos (que, contudo, não ferem a moral, a fé e a disciplina canônica). Por exemplo, na oração mundial pela paz, com líderes religiosos do mundo todo, houve sacrifícios ao diabo (assim compreendidos pelos seus oficiantes do Vodu lá presentes) na Igreja de Assis, em um evento ecumênico promovido pelo papa. De alguma forma ele poderia ter se resguardado disso. Mas em nenhum momento ele ensinou que o catolicismo está no mesmo nível que o vodu, como o acontecimento poderia dar a entender. Muito pelo contrário, aborrecendo meio mundo, aprovou o belíssimo documento redigido por Cardeal Ratzinger (Dominus Iesum) que afirma claramente: Só Jesus salva e normalmente o faz por meio da Igreja Católica. O papa Francisco recebeu em audiência o Movimento dos Sem Terra e seu líder Joao Pedro Stédile. Claro , como Jesus, o apostolo não se recusa a falar com ninguém. O importante é aquilo que o papa falou na audiência: e em nenhum momento ele validou a perspectiva marxista do MST, mas reafirmou o tempo todo, as grandes linhas da Doutrina Social da Igreja colocando a opção pelos pobres nesse contexto. Mas porque discordei do gesto. Simplesmente pelo seguinte. Pelo possível resultado que poderia ser o seguinte: “Francisco gosta dos pobres e se preocupa com a injustiça sofrida por eles, portanto recebe o MST e João Pedro Stédile, ou seja: fala com quem representa os pobres e injustiçados.” Ora , claro está que a medida que serve a um projeto de poder de matriz marxista, o MST e J.Pedro Stédile não representam o pobre e o injustiçado de forma alguma. Muito pelo contrário insultam e usam o pobre como massa de manobra e cobaia de engenharia social e ideológica, são inimigos do pobre! E alternativas de quem trabalha a questão do direito à terra numa perspectiva totalmente oposta a essa, não faltam. Existem experiências católicas, plenamente ortodoxas e não marxistas, de trabalho com famílias sem terra e sem casa , aqui mesmo no Brasil. Como essa por exemplo: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_arquivos/8/TDE-2013-08-01T08:24:56Z-13921/Publico/Rafael%20Mahfoud%20Marcoccia.pdf Se o a papa quer expressar seu zelo pastoral com os pobres que sofrem sem terra e sem casa, creio que seja importante ele convidar para o diálogo, quem faz isso de modo honesto e limpo, sem manipular e usar a dor do pobre , para fins de dominação ideológica. Para mim foi um equivoco, não o fato de receber e falar com o MST, pois você pode dialogar com toda a gente. Mas o cuidado que não houve com a mensagem que foi passada: “o papa falou com quem representa legitimamente o pobre.” Não falou, falou com inimigos dos pobres, tão ou mais inimigos que os grandes poderes monopolistas do meta-capitalismo. Mas ainda há tempo de se corrigir isso. Fica aí a sugestão para o Núcleo Cultura e Fé da PUC-SP que assessora o trabalho dessas famílias sem terra, em consonância com a Tradição Cristã. Que promovam um encontro com o santo padre. Assim o papa terá a oportunidade de falar com pobres sem terra (alguns já assentados e com terra) e com sua organização de luta social , uma luta que não os usa e manipula, com fins ideológicos desonestos. E assim acontece o diálogo da igreja com o Espirito de Deus, o Espirito Santo que fala na voz do papa e também no senso de fé do Povo de Deus, a quem o papa também escuta. OBS: Eu creio que o Prof.Olavo de Carvalho está disposto a ouvir e seguir o papa, em tudo aquilo que diz respeito à fé, à moral e à disciplina da igreja de sempre. Quando ele diz que não quer mais ouvi-lo em momento algum se refere à obrigação habitual de obediência ao papa, naquilo que é a alçada do papa: fé , moral e disciplina. Ora o papa não mexeu nisso e se Olavo permanece fiel à igreja nesses três campos, ele ouve sim o papa. É nas áreas em que ele julga que o papa se afasta daquilo que sempre foi a posição católica, que ele se diz desanimado em acompanhar uma fala que segundo ele já se afastou da tradição. Eu discordo e se pudesse, sugeriria ao Olavo um maior esforço de discernimento espiritual, sob pena de ficar na casca da doutrina (ele que tanto critica isso) em vez de descer ao seu sentido mais profundo. Minha única ressalva é quanto à essa questão do MST que parece ter ficado mesmo na ambiguidade.
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0 # Jéssica R. R. 27-06-2015 21:00
Janes, muitíssimo obrigada. Encontrava-me na mesma situação do Carlos, receosa ou pelo menos perdida, mas fico feliz em finalmente haver lucidez tranquilizadora.
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0 # Luiz Ricardo Pauluk 27-06-2015 14:03
Também quero te cumprimentar, Jane, pela sua capacidade de escrever de forma simples e ao mesmo tempo muito profunda. O Carlos, que é meu irmão, me mandou a discussão de vcs e não pude deixar de comentar algo. A questão do Papa sempre vem sendo motivo de debate entre nós. Uma coisa que eu gosto sempre de lembrar, com certa inocência, que o Papa será sempre assistido pelo Espírito Santo enquanto estiver assumindo sua posição de Chefe da Igreja. Entendo que isso significa que sempre essa pessoa, não por seus méritos, mas pela Graça, estará a serviço do Plano de Deus. Em síntese, assumiu essa posição pela Divina Providência. Uma coisa que nosso pai fala é que "só é possível um Papa Francismo, porque um São João Paulo e um Bento XVI vieram antes dele". É algo bonito a se pensar, porém também é meio óbvio. A Igreja vive a Comunhão dos Santos. Estamos unidos a todos os católicos, de todos os lugares e de todos os tempos. Ininterruptamente seguem a missão confiada a São Pedro por Nosso Senhor Jesus. Bem, nem o próprio Cristo foi bem interpretado, sendo Ele próprio o mais eloquente dos oradores (essa última frase é uma suposição minha). Podemos ver a série de heresias que se seguiram nos primeiros séculos da história da Igreja (gnosticismo, arianismo, pelajianismo, etc...). Acredito que as distorções que fazem com as palavras do Papa, concordando mais com Janes, se dá muito pela má fé das pessoas. Como católicos, temos sim que defender o Papa e agir como seus "gandulas", pra usar a expressão do Carlos. O Papa é o Chefe da Igreja, mas nós também somos sal da terra e luz do mundo. Um Papa expressivo e constantemente mal interpretado é um prato cheio para darmos testemunho em favor da verdadeira Igreja de Cristo. Seria terrível, por exemplo, se seguíssemos a orientação do prof. Olavo de Carvalho, que nos convida a simplesmente ignorar o Santo Padre. Essa, na minha opinião, seria a maior de todas as bolas fora.
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0 # Carlos Eduardo Pauluk 27-06-2015 00:44
Meu caro, em primeiro lugar te digo com sinceridade que teu empenho em escrever respostas tão longas serviu em muito para me tranquilizar. A verdade é que o avanço das agendas progressistas está deixando muita gente com um pé atrás. Tenho visto muitos católicos receosos, com preocupações como as minhas, e não estou falando dos radtrads, mas sim de pessoas que confiam no Papa mas que se vêem diariamente sendo desafiados por opiniões de progressistas que ficam puxando o Papa para o seu lado. Seria bem interessante se O Catequista fizesse um post relembrando todas as últimas grandes polêmicas que surgiram em cima de distorções e releituras dos discursos papais. Um abraço e obrigado!
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0 # João Marcos 26-06-2015 13:33
A mídia joga com o senso comum do povo, que.confunde separação como sinônimo de div rcio. A separação de corpos na Igreja tem natureza cautelar, para preservar a integridade física ds vítima e filhos. Enquanto metiam pedra em Bento XVI, em.Francisco extraem interpretações cada vez mais obtusas. Agora, é esperar muiti que os padres esclareçam o povão nas homilias. É triste...
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