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A Catequista

A Catequista

Maledicência: assim se chama o pecado de falar mal dos outros, de revelar os defeitos e erros alheios, sem que para isso haja qualquer motivação justa. E, como dissemos em um post recente, a mais nova onda é atacar a reputação de pessoas anônimas nas redes sociais (confira aqui).

Na semana passada, quem se tornou alvo dos patrulheiros da internet foi a americana Molly Lensing. Sua foto, sentada em uma cadeira, tendo diante de si a filha de 2 meses deitada sobre um pano no chão de um aeroporto, viralizou no mundo todo. Ela foi taxada por milhões de pessoas como uma mãe relapsa, insensível, louca... uma mãe horrível!

Há poucos dias, a verdade veio à tona: a companhia aérea Delta Airlines explicou o caso, assumindo toda a responsabilidade. Molly tinha um voo marcado para uma segunda-feira, mas este foi cancelado. A companhia disse que não havia mais vouchers para custear a noite em um hotel próximo, então, ela não teve outra opção, senão dormir no chão com seu bebê (Fonte: Revista Crescer).

mollyA foto em questão foi tirada dois dias depois (!!!), na quarta-feira, quando, cansada de esperar pelo reagendamento do voo, ela estava ligando para seus pais virem buscá-la no aeroporto. Molly estava no chão, ao lado do seu bebê. Acordou, sentou na cadeira e pegou o celular para fazer o telefonema. Aí veio algum espírito de porco, fotografou e divulgou a sua imagem nas redes sociais, como uma mãe desnaturada.

Mas o tal espírito de porco não teria tido sucesso em sua cagada internética se não fosse uma multidão de gente sem louça para lavar, que ajudou a compartilhar a imagem de Molly e a expô-la negativamente, sem antes refletir: “É, isso me parece muito ruim... Mas será que foi isso mesmo? Será que não há alguma história por trás disso tudo que justifique a atitude dessa mãe?”.

Muitas pessoas simplesmente não sabem discernir entre o mal que deve ser denunciado (crimes e outros males que dizem respeito à comunidade) e o mal que deve ser calado (erros - ou supostos erros - das outras pessoas que são de âmbito puramente pessoal).

Para cada um de nós, é importante sempre lembrar a advertência do Apóstolo Tiago: a língua, mesmo sendo um órgão muito pequeno, pode lançar o corpo inteiro no Inferno!

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Vamos meditar sobre essas passagens da Bíblia:

“A chicotada produz um ferimento, porém uma língua má quebra os ossos. Muitos homens morreram pelo fio da espada, mas não tantos quanto os que pereceram por sua própria língua.” (Eclo 28,21-22)

“…faze uma balança para (pesar) as tuas palavras, e para a tua boca, um freio bem ajustado. Tem cuidado para não pecar pela língua, para não caíres na presença dos inimigos que te espreitam, e para que não venha o teu pecado a ser incurável e mortal.” (Eclo 28,29-30)

“Ouviste uma palavra contra o teu próximo? Abafa-a dentro de ti; fica seguro de que ela não te fará morrer.” (Eclo 19,10)

“Protege teus ouvidos com uma sebe de espinhos; não dês ouvidos à língua maldosa, e põe em tua boca uma porta com ferrolhos.” (Eclo 28,28)

"Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida. Todas as espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar se domam e têm sido domadas pela espécie humana. A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim.” (Tgo 3,3-9)

Em 1430, um grupo de católicos liderados pelo padre John Huss estava tocando o rebú na Boêmia (atual República Tcheca). Os chamados hussitas pregavam a rebelião contra a hierarquia da Igreja, atacavam mosteiros, destruíam igrejas e estátuas de santos – sim, os protestantes se inspirariam nessa cambada, no século seguinte.

Santa Joana D’Arc ficou sabendo da arruaça, e ditou a um escriba (pois era analfabeta) uma cartinha aos hereges, buscando fazê-los voltar ao caminho reto. Note que, diferente do muitos católicos-jujuba de hoje, os santos sempre trataram heresia como coisa séria e perigosíssima! E qual era o conteúdo e o tom da tal carta?

Pense numa mulé braba...

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A santa não usou palavras gentis e conciliatórias, evitando ofender os hussitas. Ela simplesmente os xingou de cegos, os acusou de crime e sacrilégio e ameaçou passar o rodo neles com uma ação militar, caso não se emendassem. Sim, era um ultimato, não uma tentativa de diálogo!

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As testemunhas oculares afirmam que Santa Joana tinha uma natureza doce. O tom violento da carta aos hussitas se distancia desse perfil, mas o motivo era grave: eles haviam acabado de devastar aldeias na Silesia, Lusatia, Meissen e Saxônia, causando grande sofrimento a civis inocentes.

Dois meses após o envio da carta aos hussitas, a Virgem de Orléans foi capturada pelos ingleses e Borguinhões. Isso a impediu de cumprir sua ameaça contra os hereges. Mas suas palavras não foram em vão, certamente. Que possam nos inspirar a ter a mesma indignação frente à heresia, bem como a disposição firme de combatê-la (o que pode ser feito no campo intelectual).

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CARTA DE SANTA JOANA D'ARC AOS HEREGES DA BOHEMIA

Sully, 23 de março de 1430

Jesus, Maria Há muito o rumor e a voz do povo tem informado a mim, Joana A Virgem, que de verdadeiros cristãos vocês se transformaram em hereges, e semelhante aos Sarracenos vocês destruíram a verdadeira Fé e culto, e abraçaram uma superstição deplorável e ilegítima; e o desejo de sustentá-la e difundi-la aí não seriam um ato desgraçado nem uma crença tola a que vocês se atreveriam.

Vocês estão corrompendo os sacramentos da Igreja, extirpando as bases da Fé, destruindo as igrejas, quebrando e queimando as estátuas que foram levantadas como memoriais, vocês estão massacrando os cristãos porque eles preservam a verdadeira Fé.

Que fúria é essa? Ou que raiva ou loucura consomem vocês?

Essa Fé que o Deus Todo-Poderoso, o Filho e o Espírito Santo revelaram, estabeleceram, elevaram ao poder e glorificaram de mil maneiras através de milagres – vocês perseguem essa Fé, vocês desejam derrubá-la e destruí-la.

Vocês estão cegos, mas não porque lhes faltam olhos ou compreensão. Vocês acreditam que ficarão sem punição por isto? Ou vocês não estão conscientes de que Deus se opõe aos seus esforços ilegais e não permitirá que permaneçam na escuridão e no erro? De forma que, quanto mais vocês se afundarem em crimes e sacrilégios, tanto mais Ele preparará grandes punições e angústias para vocês.

Até onde me toca, para ser franca, se eu não estivesse ocupada com as guerras inglesas, eu já teria vindo vê-los há muito tempo atrás; mas, se eu souber que vocês não se consertaram, eu posso deixar de lado [a luta com] os ingleses e ir contra vocês, de forma que pela espada, se eu não puder fazê-lo de nenhuma outra forma, eu vou eliminar a sua louca e obscena superstição e remover a sua heresia ou a sua vida.

Mas, se vocês preferirem retornar à Fé católica e à Luz original, então enviem os seus embaixadores a mim e eu os direi o que vocês precisam fazer.

Se vocês não quiserem e resistirem obstinadamente ao estímulo, lembrem-se dos danos e das ofensas que vocês têm cometido e me aguardem, aquela que irá infligir similarmente sobre vocês com forças humanas e divinas.

joana_arc_hereges

 

Alguns cristãos se considerem espiritualmente muito superiores àquela turba citada no Evangelho, sedenta pelo linchamento da mulher adúltera. Porém, quantos de nós que vivemos a dizer “não julgueis” não pensamos duas vezes antes de entrar na última onda de linchamento moral de algum “pecador” nas redes sociais?

Não me refiro àqueles casos em que temos o dever moral de denunciar e rechaçar com força algum comportamento seriamente danoso – como crimes sexuais, corrupção, fraude, abuso de poder etc. Ou das graves ofensas à religião, como blasfêmias, sacrilégios e heresias. Não! Falo dos “anônimos” que são massacrados por terem cometido atos idiotas de pouca relevância, como publicar uma piada de mau gosto nas redes sociais.

Acontece sempre assim: uma pessoa comum, cuja opinião tem pouco alcance (não é uma figura pública, um artista, um líder religioso ou político, nem mesmo uma celebridade qualquer) posta alguma piada ou foto imbecil. Ela merece ser criticada por isso? Talvez, mas somente pelas pessoas com quem normalmente interage, ou seja, seus poucos seguidores. Essa é a limitadíssima rede de influência de um anônimo. Mas aí vem um espírito de porco – um paladino da moral opinativa, um justiceiro da web – e joga o cocô virtual no ventilador. E dezenas de milhares de pessoas em fúria se juntam para destroçar a figura do infeliz Zé Ninguém, que de ilustre desconhecido passa, repentinamente, a figura odiada pela massa, alvo das piores pragas e xingamentos.

E o que a criatura fez para merecer ser esculhambada por uma multidão de internautas? Matou? Roubou? Estuprou? Maltratou crianças, idosos ou animais? Deu spoiler de Game of Thrones?

spoiler

Explodiu a fábrica da Nutella?

nutella

Não... postou uma piada imbecil, que a princípio só a mãe dele, duas tias, seis amigos e um primo iriam visualizar. Um caso emblemático, de alcance internacional, aconteceu em 2013, com o linchamento moral da executiva americana Justine Sacco (sobre isso, veja aqui a entrevista de Jon Ronson, autor do livro “Humilhado”). Pouco antes de embarcar para a África do Sul, ela postou essa desgraça de tweet: “Estou indo para a África. Espero não pegar AIDS. Brincadeirinha! Sou branca”.

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A repercussão no Twitter foi tão intensa que, em apenas algumas horas, a vida de Justine virou de cabeça para baixo. Quando ela pisou os pés no aeroporto da Cidade do Cabo, já havia perdido o emprego. Um trem desgovernado chamado “patrulha do politicamente correto” havia passado por cima de sua reputação. Justine pediu desculpas pouco tempo depois, mas ainda assim continuou a ser hostilizada. Passou a ter frequentes ataques de pânico.

Jesus Cristo, o Deus Encarnado, disse que todos os pecados serão perdoados (menos o pecado contra o Espírito Santo), mas os patrulheiros da Internet decretaram que postar chacotas cretinas é um crime sem perdão! Piadistas boçais, tremei! Vocês serão odiados no mesmo nível dos piores bandidos.

ira

Aqui no Brasil, a mais recente onda de linchamento virtual envolveu um jovem médico de Serra Negra-SP. Ele postou uma foto sua debochando de um paciente que falou “peleumonia” (pneumonia) e “raôxis” (raio-x). Atitude babaca? Com certeza! Além da falta de noção ao expor dessa forma a marca da instituição onde presta serviço.

peleumonia

Quanto ao post que gerou tantas reações acaloradas, o fato é que o médico NÃO CITOU NOMES nem identificou ninguém. Ainda assim, como o paciente veio a público se dizer ofendido, o médico foi pessoalmente à casa dele e pediu desculpas. O paciente o perdoou, e disse: "Ele é uma pessoa boa, que teve um momento errado". Porém, muita gente ainda continua bombardeando Guilherme com comentários hostis.

Avalie: o mal causado pelo post desse médico foi proporcional à ira que ele está atraindo? Sua postagem estúpida nos permite dizer que ele é um “lixo humano” (esse foi um dos comentários que vi sobre ele)? Ter a reputação arrasada é uma punição justa nesse caso? Se damos ao erro alheio uma dimensão maior do que ele realmente tem, nossos pecados serão avaliados com o mesmo peso e rigor, no Dia do Juízo. Porque "com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também" (Lc 6,38).

Amar o próximo como a ti mesmo. Nós, cristãos, precisamos nos ajudar a viver esse mandamento. Gente... Não faz sentido desembainhar a espada para ferir mosquitos! Misericórdia, perdão, temperança! Imitemos o doce Cristo, sem frouxidão, sem jujubice, sem deixar de fazer - quando nos cabe - a devida correção fraterna.

A conduta de pessoal de um Papa pode é sempre perfeita? Não, já que o Papa, por mais santo que seja, é um homem mortal e sujeito a erros pessoais (saiba mais aqui). Ele é infalível somente quando ensina ex-cathedra. Esse fato dá aos católicos o direito de criticar o Papa publicamente, como se ele fosse um fulano qualquer? Não, realmente não!

O bispo de Roma é o pai do povo católico... você exporia as lacunas de seu pai ou de sua mãe de forma pública? Não acha que isso daria munição para seus inimigos rirem de você e de sua família? "Mas e se eu julgo que o Papa deu uma declaração confusa ou imprecisa, em uma entrevista? Não posso descer a lenha nele nas redes sociais?". Não, não pode!

nao

Convenhamos, essa passagem não está na Bíblia só de enfeite: "Não toqueis nos meus ungidos" (Sl 104,15). Podemos até usar de uma fraqueza respeitosa, pontuando que talvez fosse melhor ele falar isso ou aquilo, que teria sido mais frutífero agir assim ou assado... Mas esculhambar o Papa é pecado!

A não ser que você seja, assim... um sujeito com a moral de um São Paulo. No livro dos Atos dos Apóstolos, afinal, vemos Paulo de Tarso jogando no ventilador a hipocrisia de São Pedro. Mas se não está ainda nesse nível de santidade paulina, é melhor morder a língua mil vezes antes de usá-la para atacar o bispo de Roma.

Todo católico tem a obrigação sagrada de amar o Papa. E como age um cristão que ama o Papa? Assim, ó:

  • obedece o Papa e todas as coisas, não somente nas questões dogmáticas;
  • não fica discutindo de forma desrespeitosa as vontades do Papa;
  • não fica contrapondo a opinião do Papa à opinião de outras pessoas;
  • não se atreve a limitar o campo onde o Papa pode e deve exercer sua autoridade.

Tem muito católico aí que bate no peito se dizendo "tradicional", mas sua postura ácida contra o Papa o deixa muito mais próximo de um filho de Lutero! Assim, contribuem para o "escândalo dos bons e para a ruína das almas". Esse é o ensinamento de São Pio X. Seu discurso é voltado para os padres, mas certamente serve para os leigos também.

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Papa São Pio X

 Discurso aos Sacerdotes da União Apostólica

18 de novembro de 1912

O Papa é o guardião do dogma e da moral; é o depositário dos princípios que formam honestas as famílias, grandes as nações, santas as almas; é o conselheiro dos príncipes e dos povos; é a cabeça sob a qual ninguém deve sentir-se tiranizado, pois representa o próprio Deus; ele é o pai por excelência, que em si reúne tudo o que pode haver de amável, de terno, de divino.

Parece inacreditável, e é contudo doloroso, que haja padres aos quais se deve fazer esta recomendação, mas nos nossos dias nós estamos infelizmente nesta dura e triste condição de dever dizer a padres: Amai o Papa!

E como se deve amar o Papa? Não por palavras somente, mas por atos e com sinceridade. (...) E se Nosso Senhor Jesus Cristo dizia de si mesmo: “Se alguém me ama, guardará minha palavra”, assim, para mostrar nosso amor ao Papa, é necessário obedecer.

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É por isso que, quando se ama o Papa, não se fica a discutir sobre o que ele manda ou exige, a procurar até onde vai o dever rigoroso da obediência, e a marcar o limite dessa obrigação. Quando se ama o Papa, não se objeta que ele não falou muito claramente, como se ele fosse obrigado a repetir diretamente no ouvido de cada um sua vontade e de exprimi-la não somente de viva voz, mas cada vez por cartas e outros documentos públicos.

Não se põem em dúvida suas ordens, sob fácil pretexto, para quem não quer obedecer, de que elas não vieram diretamente dele, mas dos que o rodeiam! Não se limita o campo onde ele pode e deve exercer sua autoridade; não se opõe à autoridade do Papa a de outras pessoas, por muito doutas que elas sejam, que diferem da opinião com o Papa. Por outra parte, seja qual for sua ciência, falta-lhes santidade, pois não poderia haver santidade onde há dissentimento com o Papa.

É o desabafo de um coração dolorido… para deplorar a conduta de tantos padres que, não somente se permitem discutir e criticar as vontades do Papa, mas que não têm a receio de chegar a atos de desobediência imprudente e atrevida, para grande escândalo dos bons e para a ruína das almas.

 Uma leitora nos enviou essa pergunta:

"Olá, gostaria de saber se um casal de noivos que decidem morar juntos antes do casamento, mas se propõem a viver a castidade ate o dia do casamento, eles podem comungar normalmente? Já que o que importa é a pessoa está em estado de graça para ser digna da comunhão."

Em princípio, sim, podem comungar. Mas é preciso também dizer que essa é uma SITUAÇÃO RUIM, que precisa ser evitada a todo o custo. Morando junto, é bem difícil que um casal jovem segure a onda de não pecar contra a castidade (lembrando que a castidade no namoro exige não só que não haja penetração, mas outros tipos de carícias mais íntimas também). E fugir das ocasiões favoráveis ao pecado é um dever cristão.

Além disso, noivos nessa situação pecam por causar escândalo aos outros. Ainda que não transem, passam ao mundo a impressão de que não estão nem aí para a moral católica. Darão motivo para os não-católicos zombarem da Igreja e serão uma pedra de tropeço para os iniciantes na fé, que podem ter suas crenças abaladas pelo contra-testemunho.

escandalo

"Ah, mas é errado julgar os outros". Sim, de fato. São Paulo diz que é errado julgar uns aos outros, mas também adverte que ninguém deve ser causa de escândalo para os irmãos (Rom 14,13). Por isso, é importante não só fugir do pecado, mas também evitar toda aparência de pecado.

Há uma situação, me parece, em que um casal de noivos poderia morar sob o mesmo teto, sem causar escândalo ou se colocar em ocasião de pecado: se moram na casa dos pais de um deles, e se esses pais são muito rígidos em manter a moralidade dentro da casa. Assim, zelarão para que os noivos não tenham muitas ocasiões de ficar sozinhos e para que durmam em quartos separados.

 Jesus “molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele” (Jo 13,26-27). No dia da instituição da Eucaristia, já apareceu o primeiro vacilão que ousou comungar em pecado grave e, em vez de receber graça, caiu em maldição. Nunca nos esqueçamos das palavras de São Paulo:

“Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.” (I Cor 11, 27-30)

Quem cometeu pecados veniais, apesar de ter ofendido ao Senhor, pode comungar. Já quem cometeu um pecado mortal, se comunga sem se arrepender e se confessar ao sacerdote, comete SACRILÉGIO. Já ouvi muita gente dizer: “eu estava em pecado grave, mas comunguei mesmo assim, porque eu senti grande necessidade de me aproximar do Senhor”.

Essas pessoas não entendem que o vazio e a sede espiritual que sentem não serão preenchidos uma má comunhão – muito pelo contrário! –, mas somente com um verdadeiro arrependimento dos pecados e com a devida Confissão. centuriao_romano

O PADRE DISSE: "COMUNGUE; CONFESSE DEPOIS”. TÁ CERTO ISSO?

Há alguns padres por aí dando bola fora. Nas nossas igrejas, essa cena se repete: o padre está atendendo o povo em confissão, mas precisa parar o atendimento para começar a se preparar para celebrar a missa. Então se dirige para os fiéis que ainda estão na fila do confessionário, e diz:

– Não tenho mais tempo para atender as confissões. Podem ir agora para a missa e comungar. Depois da missa vocês confessam.

Esse é um péssimo conselho! 

Nenhum sacerdote tem poder de passar por cima da lei da Igreja e autorizar alguém a comungar em pecado mortal, ainda que a pessoa pretenda se confessar logo após a missa. A Igreja admite uma exceção somente quando houver um MOTIVO GRAVE e a pessoa não tiver tempo ou oportunidade de se confessar. Os únicos casos que cabem nesse critério, são:

  • se o cristão está prestes a bater as botas;
  • se for o dia da celebração da Páscoa e o fiel, por mais que tenha desejado e buscado, não conseguiu se confessar (afinal, todo católico tem obrigação de se confessar no mínimo uma vez por ano, por ocasião da festa da Ressurreição do Senhor). Neste caso, pode comungar, mas deve se confessar o mais breve possível.

Fora dessas duas situações, NÃO há licença ou desculpa que justifique uma comunhão em pecado mortal.

A VISÃO DE SÃO MACÁRIO

São Macário (século IV) teve a seguinte visão: quando o sacerdote estava distribuindo a Santa Comunhão, se aproximavam demônios horríveis. Quando uma pessoa bem preparada vinha receber a Eucaristia, os demônios fugiam depressa. Mas quando um cristão em pecado grave vinha receber Jesus Eucarístico, os demônios lhe entregavam um pedaço de carvão em brasa, e no mesmo instante a Santa Hóstia voltava para o altar.

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Também devemos ter cuidado com o excesso de escrúpulos. É quando a pessoa entra numa onda de, por qualquer coisinha boba, achar que ofendeu gravemente a Deus, e deixar de comungar. Não pira, galera! Falaremos mais sobre isso em outra oportunidade.

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Por: Pe. José Eduardo de Oliveira

Sobre a polêmica de Card. Sarah e o "ad orientem", não quis falar nada antes porque já imaginava que seria este o desfecho [confira aqui os esclarecimentos da Sala de Imprensa da Santa Sé]. Porém, cabe uma precisação importante, sobretudo depois da chuva de estupidezes que se disseram esses dias. AS DUAS POSIÇÕES DO ALTAR SÃO VÁLIDAS Uma coisa é a "posição do altar" e outra a "posição interior do celebrante". Esta última sempre é "versus Dei", como esclareceu uma resposta autêntica da Congregação para o Culto Divino do ano 2000 (Cf. prot. 2036/00/L), pois o padre reza a Deus, não ao povo, mas pelo povo e com o povo. Quanto à "posição do altar", a Igreja SEMPRE teve as duas posições coexistindo em harmonia: "coram Deo" (de frente para Deus) ou "coram populo" (de frente para o povo). Nas igrejas de estilo basilical, por exemplo, construía-se sempre o altar voltado para o povo, mas sempre "ad orientem"… Pois o ponto de referência sempre foi Deus, e NUNCA houve um conflito entre os dois estilos. Contudo, nas últimas décadas, o problema se tornou praticamente ideológico, e criou-se uma dialética artificial entre as duas posições, sendo que ambas, como esclarece a mesma resposta da Congregação para o Culto Divino, permanecem plenamente válidas, e isso para as duas formas do rito romano. Na referida resposta autêntica, a Igreja já esclareceu que a norma litúrgica se refere a que se "possa" celebrar facilmente "coram populo", mas não que isso se "deva" em todos os casos. Cabe aqui o discernimento pastoral na comunhão da Igreja. A HIPOCRISIA DE ALGUNS Todavia, sejamos francos. Como a hipocrisia é grande em nossos dias!!! Há tempos se mandou alterar a fórmula da consagração para "pro multis" [as palavras da consagração do cálice devem ser, conforme o Evangelho, "por muitos", em vez de "por todos], e ninguém fez nada, embora houvesse um prazo de dois anos, já esgotado há tempos. O próprio papa Francisco mandou que se moderasse mais o "abraço da paz", e praticamente ninguém viu nada se fazendo a respeito. Agora, o Card. Sarah fez uma intervenção, sem praticamente novidade alguma em termos legislativos, e cria-se uma celeuma dos diabos. Se as sugestões fossem para dançar o maculelê na liturgia, mesmo que isso não fosse oficial, haveria não apenas acatamento imediato, mas se obrigariam todos os que não quisessem a fazê-lo sob pena de qualquer coisa… danca_freira A liturgia, no final das contas, se tornou um festival de gostos, e o problema que o Card. Sarah aponta continua candente: não se trata da posição do altar, mas da nossa posição interior. A quem estamos buscando?, a nós mesmos, nossa popularidade?, ou a Deus? "AD ORIENTEM" NÃO É DAR AS COSTAS PARA O POVO Nem falemos dos grotescos que voltaram àquela vergonhosa expressão de "celebrar de costas para o povo", digna de não-catequizados. Além de ser um desrespeito a todos os demais 22 ritos da Igreja Católica, que continuam celebrando assim como há milênios, é uma flagrante idiotice, à qual menciono apenas para registrar que ainda existem tamanhos mentecaptos. Enfim, independente da posição do altar, o que se pode sanar pela presença da Cruz ao centro, como faz Papa Francisco (que também celebra "versus Dei" todos os anos, pelo menos na Capela Sistina, na festa do Batismo do Senhor, quando batiza os bebês), o que mais importa é a posição do nosso coração: celebramos para Deus. Ele é nosso alvo, nosso centro, nosso horizonte… E isso não apenas enobrece a ação litúrgica, mas santifica o povo que dela participa, pois este não veio à Santa Missa para conferir a performance do padre, mas para passar pelo novo e vivo caminho aberto pelo Sangue do Cordeiro, entrar pelo véu rasgado e contemplar o Trono da Graça, para encontrar salvação e auxílio oportuno.

O Pe. José Eduardo de Oliveira é sacerdote da Diocese de Osasco e Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma).

cardeal_sarah

Não é uma lei, não é uma imposição, é um convite informal do chefe da liturgia no Vaticano: que os padres rezem a missa como ela sempre foi rezada, ou seja, voltados para o Oriente ou para a abside (Ad Orientem ou versus abside). Não se trata da missa Tridentina, mas sim da nova missa, mesmo! O cardeal Robert Sarah propõe que a mudança seja implantada a partir do primeiro domingo do Advento deste ano.

“Assim, queridos sacerdotes, peço-lhes para que implementem essa prática sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança pastoral de que isso é algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo”, disse o cardeal (Fonte: ACI).

“Ué, mas isso não contraria o Concílio Vaticano II?” – muitos devem questionar. Não, isso é mito! A pedido do Papa Francisco, o cardeal Sarah iniciou um estudo para enriquecer as mudanças litúrgicas do CVII. Ele explicou que o CVII abriu a possibilidade de que se celebrasse a missa de frente para o povo, mas jamais definiu isso como obrigação. O próprio Papa rezou uma missa Ad Orientem em 2014, na Capela Sistina (vídeo abaixo).

Durante a Liturgia da Palavra, faz todo o sentido que leitores e assembleia fiquem de frente um para o outro. Mas a partir do momento em que começa o ofertório – oferta do sacrifício de Jesus Cristo a Deus Pai, pela remissão dos nossos pecados – todos devem estar “voltados na mesma direção: para o Senhor que vem”.

E de onde vem o Senhor? O Senhor foi crucificado e ressuscitou em Jerusalém, portanto, é de lá que Ele vem: do Oriente, do leste – que é também onde o sol nasce. Se, no momento da oração, sacerdote e fiéis estão voltados para o Oriente, essa é uma ação simbólica muito forte, que indica que estão à espera da Segunda Vinda de Cristo.

No momento da consagração, com os olhos fixados no rosto do padre, os fiéis facilmente se distraem e são tentados a julgar a expressão do celebrante: se está elevando os olhos aos Céus de forma devota, se parece frio ou distante, se está bonito ou feio... E Aquele que realmente importa – o Cordeiro de Deus, imolado por nós no altar – fica obscurecido por essas impressões mundanas. Assim, a adoração fica prejudicada.

bode_missa

Como os sacerdotes cristãos primitivos rezavam a missa, a partir do momento do ofertório? Voltados para o Oriente! Como os cristãos continuaram a rezar a missa, nos 20 séculos seguintes? Voltados para o Oriente!

“Do oriente nos vem a propiciação. É de lá que vem aquele homem cujo nome é Oriente e que foi constituído mediador entre Deus e os homens. Por esse motivo és convidado a olhar sempre para o oriente, de onde nasce para ti o Sol da justiça...”

Orígenes, ano 230

Infelizmente, nem toda igreja possui o altar-mor orientado para o leste. Nesse caso, não tem como rezar a missa voltados para o Oriente, mas ao menos é possível que todos se voltem para a abside.

Como esse pedido do Prefeito da Congregação para o Culto Divino será acolhido em nossas paróquias? Teremos algumas adesões humildes e entusiasmadas, certamente! Mas, de modo geral, prevejo que a orientação vai entrar num ouvido e sair pelo outro... Ok, mas vale lembrar: Deus tá vendo quem faz ouvido de mercador para as orientações de Roma!

mestre_magos

*****

Será que, no embalo do enriquecimento litúrgico e da detonação dos mitos criados em torno do CVII, o Cardeal Sarah chegará um dia a aconselhar o uso do véu litúrgico para as mulheres? Seria ma-ra-vi-lin-do! Afinal, o Concílio nunca disse que o uso do véu era desnecessário. Confira essa treta no vídeo abaixo!

peixe_afeminado

Os cientistas atestam: os resíduos de anticoncepcionais nas águas dos rios estão fazendo com que peixes macho adquiram características femininas. O tratamento do esgoto não remove o hormônio sintético feminino eliminado na urina das mulheres que tomam pílulas contraceptivas, e o resultado é esse.

O problema foi descoberto na década de 90. Mais recentemente, um estudo liderado pela canadense Karen Kidd indicou que os peixes macho afetados apresentaram menor quantidade de esperma fértil, e alguns deles chegaram a produzir óvulos em seus testículos. Que babado!

O United States Geological Survey (USGS) publicou uma nota dizendo que se essa tendência continuar, pode-se esperar nas futuras gerações um potencial de decréscimo nos números globais da população de peixes.

Se a poluição hormonal está gerando redução da fertilidade e inversão sexual em populações inteiras de peixes... será que os seres humanos também não estão sendo atingidos de modo similar? Afinal, consumimos peixes de água doce, e a água que bebemos também vem dos rios. A resposta é: provavelmente SIM!

cuspe

Cientistas da Universidade de Brunel e da Universidade de Exeter vincularam a presença de hormônios femininos sintéticos na água potável ao aumento de problemas na fertilidade masculina. Sendo assim, podemos também desconfiar que que, além de menos férteis, alguns homens podem se tornar também afeminados, especialmente as crianças (e isso explicaria, em parte, o aumento do número de casos de meninos que alegam ser "meninas presas em um corpo de menino"). Os cientistas não afirmaram nada a esse respeito, mas convenhamos: tem lógica, não tem?

PAULO VI TINHA RAZÃO

Quanto mais o tempo passa, mais fica evidente que o Papa Paulo VI sempre esteve certo. Esse homem foi contestado, esculachado e tomou pedrada de todos os lados – até mesmo de grande parte do clero – quando, em 1968, publicou a encíclica Humanae Vitae, condenando uso de meios artificiais para evitar a vinda de filhos, inclusive o uso da pílula anticoncepcional.

É triste reconhecer que o povo católico, em sua maioria, se rebelou contra o ensinamento do sucessor de Pedro e aderiu à mentalidade de que fazer sexo sem ter filhos é um direito. Hoje, quase cinco décadas depois da publicação daquela profética encíclica, o número de cristãos no Ocidente é cada vez menor, não só pela secularização crescente, mas também pelo baixo número de nascimentos.

Sim, as mulheres que usam pílulas anticoncepcionais e seus parceiros – que cobram delas sexo sem risco de gravidez – são culpados por essa situação. Um mundo com homens afetados em sua masculinidade, um mundo com cada vez menos bebês: eis que o capeta contempla sua obra e sorri.

Vale lembrar que o uso terapêutico da pílula anticoncepcional é permitido pela Igreja. Nesse caso, a mulher toma pílula não porque deseja evitar filhos, mas para tratar uma doença – então não é pecado, pois sua intenção é pura. Entretanto, mesmo nesses casos, vale pesquisar se não há um tratamento alternativo (mesmo se a mulher for solteira e não tenha vida sexual ativa). Síndrome de Ovários Policísticos, por exemplo, muitas vezes se resolve com dieta e exercícios específicos.

Fontes em português: BBC, G1 e Notifan

Fontes em inglês: Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), Universidade de Brunel e USGS Columbia Environmental Research Center.

evangelho_falso

A historiadora Karen King, que em 2012 anunciou a existência de um manuscrito que diz que Jesus foi casado com Maria Madalena, confessou há poucas semanas que o documento é mais falso do que tênis Nike comprado no Paraguai. O tal fragmento de manuscrito tem oito linhas, em que se pode ler partes de frases atribuídas a Jesus, como "Jesus lhes disse: 'minha esposa...'" e "ela será capaz de ser minha discípula...".

No mesmo ano em que o manuscrito foi divulgado, o jornal da Universidade de Cambridge publicou um artigo com o parecer de vários estudiosos questionando a autenticidade do documento e indicando algumas evidências de fraude, como se pode conferir aqui. Karen King, na época, não deu ouvidos a eles.

Mas como uma estudiosa da Universidade da Harvard (EUA) se deixou enganar pelo homem que lhe entregou o manuscrito? A resposta é que ela estava cega pelo desejo de desacreditar o celibato dos padres católicos. Quis atacar a Igreja, acabou ficando com cara de tacho.

Tadinha da dotôra King... Não foi dessa vez, fofa!

desapontada

A seguir, apresentamos o texto que Júlio Cesar Chaves, especialista em cristianismo primitivo, publicou em seu blog sobre a confissão de Karen King.

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Por: Júlio Cesar Chaves

Há algumas semanas, a professora de Harvard, Karen King – responsável pela divulgação do Evangelho da Esposa de Jesus em 2012 – deu uma entrevista na qual declara que o fragmento é provavelmente uma falsificação. A entrevista foi dada à Associated Press, e partes dela foram reproduzidas por outros sites, tais quais o America Magazine.

King declarou ainda que foi enganada por Walter Fritz, um homem de negócios da Flórida que seria o responsável por fazer chegar a ela o fragmento em questão. Não restavam dúvidas de que o fragmento era uma falsificação moderna desde sua divulgação. Houve consenso entre os estudiosos no tocante a isso. E o golpe de misericórdia foi dado por Christian Askeland, em abril de 2014.

Meu blog acompanhou de perto o desenrolar da questão; desde a divulgação, passando pelo aparecimento gradual das evidências de falsificação, até o golpe final dado por Askeland. Quem quiser recapitular a questão, pode clicar aqui.

A entrevista de King não muda nada em relação à autenticidade (ou falta de) do fragmento. Não restavam mais dúvidas quanto a isso. Ela, provavelmente, estava apenas esperando a poeira baixar para finalmente poder admitir que foi enganada e que se tratava de uma falsificação.

A notícia da entrevista de King já repercutiu aqui no Brasil e uma matéria saiu na Folha de São Paulo. Mas claro, o espaço dado pela mídia dessa vez foi muito menor do que na época da divulgação, em 2012. Há sempre mais gente preocupada em colocar fogo do que em apagar o incêndio.

Algo me diz que esse ainda não é o último capítulo dessa novela. Talvez ainda descubramos as reais motivações do falsificador, e como ele fez para falsificar.

Aguardemos.

julio_chavesJulio Cesar Chaves é historiador especializado em cristianismo antigo e doutorando em Ciências das Religiões pela Université de Laval. É autor do livro "A Gnose em Questão - Ensaios sobre a Gnose". Para visualizar seu Currículo Lattes, clique aqui.
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