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A Catequista

A Catequista

“Penitência, penitência, penitência!”, pedia o anjo com voz forte, segurando uma espada de fogo na mão esquerda, com chamas que ameaçavam incendiar o mundo. Essa foi a visão dos Três Pastorinhos, o Terceiro Segredo de Fátima. E o Nosso Mestre mesmo alertou: "Se não fizerdes penitência, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13,5).

Está claro que não se trata de uma questão secundária, mas sim de um ponto decisivo para a nossa salvação. Não podemos ser relaxados com isso!

Temos que fazer penitência, especialmente (mas não somente) durante a Quaresma. Mas o que é penitência? Qual a melhor penitência que posso fazer?

Penitência é uma PENA, uma punição que cumprimos para expiar nossos pecados, ou para ajudar a expiar os pecados de nossos irmãos. Quando Jesus disse que para segui-lo, era necessário que cada um tome a sua cruz, ele estava justamente falando sobre penitência.

Há outra palavra que é praticamente sinônimo de penitência: MORTIFICAÇÃO. Quanto nos mortificamos, fazemos morrer as nossas pequenas vontades, como uma espécie de “treinamento do espírito”. Assim, quando no futuro o Senhor nos pedir uma grande renúncia (pode esperar, porque ELE VAI PEDIR), seremos mais capazes de ouvi-Lo e de cumprir a Sua vontade, já que nos acostumamos a morrer um pouquinho todos os dias.

Fazer penitência é morrer um pouquinho a cada dia, por amor. E assim, a cada pequena morte diária, mais damos espaço em nosso coração para que o Espírito Santo viva em nós, pois “é morrendo que se vive para a vida eterna”!

Deus, em sua infinita misericórdia, nos oferece muitas oportunidades de penitência. Mas nós, que temos a tentação de buscar o Paraíso aqui neste mundo, tantas e tantas vezes desperdiçamos essas bênçãos em forma de cruz.

Olhando para a minha experiência: quantas vezes eu poderia ter comido em silêncio o que estava no meu prato, mas preferi reclamar, pois não gostei do sabor?

Quantas vezes poderia ter levantado da cama na hora certa, mas preferi ficar enrolando na cama por mais dez minutos?

Quantas vezes poderia ter respondido com paciência a alguém que estava me irritando, mas explodi? Quantas vezes poderia ter desligado a TV e rezado um terço? E me neguei! Preferi fazer o que mais me agradava imediatamente.

Ninguém está dizendo que devemos renunciar a tudo, e toda a hora fazer penitência. Podemos, sim, desfrutar de muitos prazeres, como se divertir ou saborear uma boa comida. Jesus, por exemplo, foi até mesmo chamado de "comilão e beberrão" (Lc 7,34) pelos fariseus. E o grande Padre Pio se divertia muito jogando bocha com seus confrades (segundo o testemunho de Luigi Peroni, em se livro "Padre Pio - o São Francisco de nosso tempo").

Porém, se ficamos frouxos demais a ponto de nunca ou raramente fazermos pequenas renúncias em nosso dia a dia ... Aí a coisa tá feia.

Se você está nessa situação de malandragem espiritual, não se acomode, nem se desespere: recomece hoje!

Compartilho com vocês um texto de São Josemaría Escrivá, que tem me ajudado muito a retomar a atenção com os pequenos atos de penitência. Confira a seguir!

 *****

São Josemaría Escrivá, “Amigos de Deus”, 138-140

 (o livro completo pode ser lido aqui)

 

"Penitência é o cumprimento exato do horário que marcaste, ainda que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se em sonhos quiméricos. Penitência é levantar-se na hora. E também não deixar para mais tarde, sem um motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou trabalhosa.

"A penitência está em saberes compaginar todas as tuas obrigações - com Deus, com os outros e contigo próprio -, sendo exigente contigo de modo que consigas encontrar o tempo de que cada coisa necessita. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares esgotado, sem vontade ou frio.

"Penitência é tratar sempre com a máxima caridade os outros, começando pelos da tua própria casa. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes, os que padecem. É responder com paciência aos maçantes e inoportunos. É interromper ou modificar os programas pessoais, quando as circunstâncias - sobretudo os interesses bons e justos dos outros - assim o requerem.

"A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades da jornada; em não abandonares a tua ocupação, ainda que de momento te tenha passado o gosto com que a começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem importunar ninguém com caprichos. (...)

"Poderia continuar a apontar-te uma multidão de detalhes - citei-te apenas os que me vinham à cabeça - que podes aproveitar ao longo do dia para te aproximares mais e mais de Deus, mais e mais do teu próximo. Se te mencionei esses exemplos, insisto, não é porque eu despreze as grandes penitências (...). Mas já te aviso que as grandes penitências são compatíveis com as quedas aparatosas, provocadas pela soberba.

"Em contrapartida, se alimentamos um desejo contínuo de agradar a Deus nas pequenas batalhas pessoais - como sorrir quando não se tem vontade; eu vos garanto, além disso, que em certas ocasiões custa mais um sorriso do que uma hora de cilício -, é difícil dar pasto ao orgulho, à ridícula ingenuidade de nos considerarmos heróis notáveis; ver-nos-emos como um menino que mal consegue oferecer a seu pai ninharias - ninharias que, no entanto, são recebidas com imenso júbilo.

"Portanto, um cristão tem que ser sempre mortificado? Sim, mas por amor. Porque este tesouro da nossa vocação nós o trazemos em vasos de barro, para que se reconheça que a grandeza do poder é de Deus e não nossa. (...) Trazemos sempre no nosso corpo por toda a parte a mortificação de Jesus, a fim de que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos.

"Como é que nos atrevemos a clamar sem hipocrisia: 'Senhor, doem-me as ofensas que ferem o teu Coração amabilíssimo', se não nos decidimos a privar-nos de uma insignificância ou a oferecer um sacrifício minúsculo em louvor do seu Amor? A penitência - verdadeiro desagravo - lança-nos pelo caminho da entrega de nós mesmos, da caridade. Entrega para reparar, e caridade para ajudar os outros, como Cristo nos ajudou."

 

É cada vez mais difícil a gente se manter bem informado. A grande mídia, frequentemente, mostra que tem mais interesse em defender determinada ideologia e moldar a sociedade à sua imagem, do que apurar seriamente e fazer uma análise precisa os fatos. Quando o assunto é catolicismo então... é uma bola fora trás da outra!

Em uma homilia na Casa Santa Marta (23/02/2017), o Papa Francisco falou sobre os católicos que dizem uma coisa, mas fazem outra:

“Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu’.” (Fonte: Rádio Vaticana)

O Papa, portanto, se referiu ao que as pessoas dizem por aí quando veem católicos vivendo de forma contrária à fé que professam. Da mesma forma, se eu viro pra um amigo meu e digo: “Fulano, estão dizendo lá no bairro que você não presta!”, é óbvio eu não estou falando mal dele, apenas estou citando o que outros andam dizendo.

Então, se você foi um daqueles que saiu falando mal do Papa após ler no jornal que ele teria dito que “é melhor ser ateu do que católico hipócrita”, trate de procurar um padre para se confessar. Você caluniou o Sucessor de Pedro com base em fake news

Pele milésima vez, alertamos: não se deve confiar cegamente nas sínteses de discursos papais feitas pela mídia secular. Sempre procure as fontes oficiais do Vaticano, como a Rádio Vaticana, o News.Va e o site do Vaticano. 

Quando vejo aquele meu amigo católico que sempre critica o Papa com base nas matérias que ele lê na mídia secular...

 

BENTO XVI DISSE A MESMA COISA!

E se o Papa Francisco tivesse dito isso, estaria errado? Não, não estaria! Obviamente, quem tem a imensa graça de ser alimentado pela Palavra de Deus e pelos sacramentos, e ainda assim vive como pagãos, será muito mais cobrado do que um pagão que não recebeu essas bênçãos.

Um ateu que, por livre vontade e consciência, se recusou a buscar Deus, vai pro Inferno? Muito provavelmente! E um católico que, mesmo frequentando os ritos da Igreja, viveu como ateu, vai pro inferno? Muito provavelmente! Mas quem vai descer mais fundo será justamente o católico, porque “a quem muito se deu, muito se exigirá” (Lc 12,48).

O mais engraçado é que o povinho que está criticando o Papa Francisco por essa homilia não chiou quando Bento XVI disse a mesmíssima coisa! Confiram esse trecho de seu discurso na audiência geral de 14/11/2012:

“...de fato, existe uma forma de ateísmo que definimos ‘prático’, no qual não se negam as verdades da fé ou os ritos religiosos, mas simplesmente se consideram irrelevantes para a existência quotidiana, destacadas da vida, inúteis. Então, com frequência, cremos em Deus de modo superficial, e vivemos ‘como se Deus não existisse’ (...). Mas, no final este modo de viver resulta ainda mais destrutivo, porque leva à indiferença à fé e à questão de Deus.”

Em poucas palavras: Bento XVI disse que ser católico, mas não viver de acordo com o catolicismo (ateísmo prático), é pior do que ser ateu.

E não é só isso! Em outro documento – a carta apostólica Porta Fidei –, Bento XVI falou daqueles que não abraçaram a verdadeira fé, mas “vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva”. Essas pessoas, se permanecerem assim, mais cedo ou mais tarde encontrarão a Resposta.

"...há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus."

Portanto, ser ateu é ruim, mas um ateu que vive uma busca sincera (atenção, busca sincera!) sobre o sentido da vida está em posição bem mais vantajosa do que um católico cínico e malandro, que não busca colocar em prática os ensinamentos do Senhor.

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Elas estavam lá, na entrada do convento, apertadas para fazer xixi. Inicialmente, eram dez mulheres... Mas logo se formou uma fila com centenas delas! E muitas traziam estampadas em suas camisetas e cartazes frases de ataque ao cristianismo e de apoio ao aborto.

Era 21 de janeiro, dia em que milhares de mulheres marcharam em Washington D.C., em protesto contra o recém-empossado presidente Trump. Não havia banheiros químicos suficientes para as manifestantes, e o resultado é que uma multidão ficou no maior aperto.

O convento dominicano (Dominican House of Studies) fica ao sul do parque National Mall, onde ocorreu a marcha. Vendo a agonia das mulheres, alguns freis deixaram que uma dúzia delas usasse o banheiro do convento. O que eles não esperavam é que a fila aumentaria exponencialmente!

O Frei Martin Davis, um dos que estavam presentes, conta que ficou um tanto constrangido e aflito naquele momento, pois muitas daquelas mulheres estavam exibindo mensagens vulgares e anticristãs em suas camisetas, bonés e cartazes, algumas até mesmo pornográficas.

Mas a ansiedade do frei logo foi embora, quando viu que as mulheres que portavam esse tipo de mensagens tinham o cuidado de cobri-las, assim que entravam no convento. Então, a partir de um gesto de misericórdia tão pequeno por parte dos freis, o grupo de mulheres que parecia tão hostil à Igreja mostrou ser capaz de gentileza e respeito.

Os freis poderiam ter escolhido, em nome da prudência, ver naquele grupo somente uma massa de mulheres vulgares e agressivas. Mas a misericórdia falou mais alto, e eles puderam enxergar o coração das pessoas de carne e osso por trás da feiúra de toda aquela capa anticristã.

A fila para o uso do banheiro durou cerca de duas horas. Durante esse tempo, os freis honraram o nome de sua comunidade – a Ordem dos Pregadores –, e se puderam a pregar. Debateram sobre o que a Igreja ensina a respeito da dignidade da mulher, dos operários e dos pobres, assim como sobre a importância do meio ambiente.

Mas pregar não é só saber falar, como muitos pensam: é fundamental ouvir o outro com coração aberto e sincero. Conversando com as mulheres, notaram que a maioria defendia ideias do feminismo radical; mas algumas delas tinham reflexões interessantes e queriam simplesmente lutar para que suas filhas não crescessem em um mundo onde seriam tratadas como objetos.

Vejam como Deus é bom: muitas mulheres tinham em suas camisetas o slogan “Tire seus rosários de meus ovários”, agora estavam justamente ao lado de homens que traziam o rosário em seus cintos! E elas se mostraram curiosas e fascinadas com a rotina de uma vida dedicada a Jesus Cristo.

Mais uma grande maravilha dos planos de Deus foi o fato de aquele dia ser, incrivelmente, o dia de Santa Inês, martirizada aos 12 anos por se recusar a se casar (ela dizia estar comprometida espiritualmente com Jesus). O Frei Martin Davis contou a história da santa a muitas mulheres, e algumas delas se mostraram comovidas.

Os freis ficaram surpresos quando viram que as mulheres começaram a recolher dinheiro para o convento. Em nenhum momento os freis pediram nada, mas elas, espontaneamente, quiseram mostrar gratidão pela acolhida que receberam, e doaram centenas de dólares.

“Essa experiência, embora tenha sido muito estranha e, em alguns momentos, embaraçosa, me deixou com a impressão de que, apesar das diferenças, muitas pessoas têm um senso de cortesia e de generosidade que vai além do que as notícias mostram. Além disso, podemos encontrar um terreno comum em muitas questões, se dedicamos tempos a dialogar com os outros”, diz Frei Martin (Fonte: Aleteia).

Os freis correram risco? Sim! Tudo poderia ter terminado muito mal, com o convento vandalizado? Sim! Mas milagres acontecem, quando saímos de nossas trincheiras e damos espaço para Deus agir.

Muitos estão surdos para as palavras do Papa Francisco, que declarou:

“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, do que uma Igreja enferma pela oclusão e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (Evangelii Gaudium).

Quem não está disposto a correr riscos, não pode ser missionário. Viva São Domingos de Gusmão!

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Muitos de vocês já devem ter visto o filme “Casamento Grego”, em que há uma cena muito bonita do casamento em uma igreja ortodoxa, com atos rituais que não costumamos ver nos casamentos católicos. O que muitos não sabem é que esse mesmo ritual é realizado na Igreja Católica, nas igrejas orientais.

As igrejas católicas orientais sui iuris são igrejas particulares com certo grau de autonomia em relação a Roma. Elas possuem organização hierárquica, ritos e leis disciplinares diferentes das conhecidas pela grande maioria dos católicos, que praticam o Rito Latino. Mas estão em plena comunhão com o Papa!

Quanto mais conhecemos a nossa Igreja, mais cresce o nosso amor por ela. Por isso, mostramos hoje para vocês um pouco da tradição litúrgica católica oriental. Reparem que há vários elementos em comum com o rito do matrimônio do Rito Latino, mas há outros elementos bem diversos.

Essa é a descrição do ritual de um casamento realizado em uma igreja católica ucraniana de rito bizantino (St. Joseph’s Ukranian Catholic Church, em Oakville, no Canadá. Fotos de Oleksandr Photography).

Alianças - As alianças são abençoados pelo sacerdote que, fazendo o sinal da cruz sobre as cabeças dos noivos, diz: "O servo de Deus (nome do noivo) está comprometido com a serva de Deus (nome da noiva). Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

Toalhas bordadas - A toalha bordada, entrelaçada com fios de várias cores, representa todos os aspectos da vida humana: família, amor, tradição, dificuldades e fé em Deus. O casal conserva consigo uma das toalhas para indicar a nova vida que agora começam. Outra toalha é usada para amarrar as mãos do casal durante a caminhada cerimonial, para mostrar que, a partir de agora, eles seguirão sua jornada em unidade.

Velas - Os noivos recebem velas, que seguram durante o rito. As velas são como as lâmpadas das cinco virgens sábias da Bíblia, que por terem óleo suficiente com elas, foram capazes de receber o Noivo, Cristo, quando Ele veio nas trevas da noite. As velas simbolizam a disposição espiritual do casal para receber a Cristo, que os abençoará através deste Mistério.

Coroas - As coroas são colocadas sobre as cabeças dos noivos, para indicar que eles estão iniciando o governo de um “novo reino", lado a lado. Elas também recordam aos noivos que seu casamento é uma parceria em Cristo, para uma vida de honra e de amor.

A Taça Comum - O rito de coroação é seguido pela leitura da Epístola e do Evangelho. A leitura do Evangelho descreve as Bodas de Caná, onde Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo realizou Seu primeiro milagre. Ele transformou a água em vinho da melhor qualidade, e deu aos recém-casados. Em memória desta bênção, o vinho é dado ao casal.

Esta é a "taça comum" de uma vida de harmonia, em que o casal partilhará alegrias e tristezas. Ao beber o vinho no copo comum o casal deve gravar em sua mente que, a partir daquele momento, eles irão compartilhar tudo na vida, e que eles devem "suportar os fardos uns dos outros". Suas alegrias serão dobradas e suas tristezas reduzidas à metade, porque serão compartilhadas.

Passeio Cerimonial - O sacerdote conduz a noiva e o noivo em uma volta ao redor da mesa onde estão colocados o Evangelho e a Cruz. O marido e a mulher dão os seus primeiros passos como um casal, e a Igreja, na pessoa do sacerdote, os conduz no caminho da Salvação, pelo qual devem seguir.

Durante esta caminhada ao redor da mesa, um hino é cantado aos Santos Mártires (pense num momento de arrepiar!), lembrando aos recém-casados ​​o amor sacrificial que devem ter um pelo outro – um amor que não busca o seu próprio interesse, mas está disposto a se sacrificar pelo outro.

As Bênçãos - O casal volta para seus lugares e o sacerdote, abençoando o noivo, diz: "Sê magnificado, ó noivo, como Abraão, e abençoado como Isaque, e engrandecido como Jacó, andando em paz e cumprindo com retidão os mandamentos de Deus." E à noiva, ele diz: "E tu, ó noiva, sê magnífica como Sara e alegre como Rebeca, e cresces como a Raquel, regozijando-te no teu marido, cumprindo as condições da lei; isso é agradável a Deus ".

No final da cerimônia, o padre leva a noiva para junto do ícone da Santíssima Virgem Maria. Enquanto o padre oferece orações em seu favor, a noiva se ajoelha na frente do ícone e oferece à Mãe de Deus um buquê de flores.

Não é demais a tradição litúrgica dos nossos irmãos católicos orientais? Tem alguém aí com um pingo de inveja, ou sou só eu? Alexandre Varela, cadê a nossa Toalha Bordada e a nossa Taça Comum!?

Enquanto isso, no Ocidente, nego bota música pop ou MPB pra tocar na cerimônia de casamento, deixando a cerimônia mais melosa e menos sacra.

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Tem gerado muito bafafá nas redes sociais os vídeos de padres mergulhando bebês inteiramente na água no momento do batismo. O mais curioso é que, pelo visto, a “moda” está pegando aqui no Brasil. Mas pode isso?

Sim, pode! A Igreja Católica admite o batismo de crianças e adultos dessa forma, por imersão. Porém, historicamente, esse rito é muito mais usado pelas igrejas católicas orientais sui iuris.

O Código de Direito Canônico diz:

“Cân. 854 – O batismo seja conferido por imersão ou por infusão, observando-se as prescrições da Conferência dos Bispos”.

Por sua vez, a CNBB diz que, no Brasil, o costume é batizar por infusão (jogando água sobre a cabeça); essa é a praxe. Porém, “permite-se o batismo por imersão, onde houver condições adequadas, a critério do Bispo Diocesano”.

Muita gente não sabe, mas nos primórdios da Igreja, o batismo era feito preferencialmente por imersão. Porém, como nem sempre havia um lugar apropriado para realizar o rito dessa forma, era também admitido o batismo por infusão. Com o tempo, nas igrejas do Ocidente, por uma questão de maior praticidade, o batismo por infusão acabou se tornando o mais comum, enquanto no Oriente permaneceu a prática do rito por imersão.

Então, já sabemos que pode. Mas será que se deve batizar bebês, aqui no Brasil dessa maneira? É mesmo uma boa ideia? Bem, cada diocese tem sua própria realidade. Daí a importância do zelo e bom senso de cada bispo.

Mas, já que muitos de nossos leitores pediram a nossa opinião, eu – eu – acho que o batismo de adultos por imersão, por seu simbolismo forte e rico, pode muito bem ser aplicado para os adultos em nossas paróquias. Mas quanto aos bebês, a coisa não é tão simples assim. 

Por não estarem acostumadas com o rito do batismo por imersão, as famílias costumam ficar muito apreensivas ao ver seus bebês sendo mergulhados na água. É possível que alguns pais nem mesmo queiram que seus filhos sejam batizados assim. Sinceramente, é necessário expor os fiéis a esse tipo de tensão?

Outro problema é que, por não ser parte da nossa cultura, nem todo o padre tem a "manha" de afundar o bebê de forma causar a ele o mínimo desconforto possível. No vídeo abaixo, podemos ver o batismo de uma criança ortodoxa. O sacerdote faz tudo com tanta delicadeza que ninguém se mostra preocupado, e o bebê quase nem chora.

Nessa outra igreja ortodoxa, os padres se mostram muito habilidosos em um batismo coletivo, em que 500 bebês foram batizados:

Porém, um erro pode ser fatal. Apesar de raros, acidentes em batismos de bebês por imersão acontecem. Em 2010, um bebê morreu após ser submerso três vezes durante batismo, em uma igreja ortodoxa na Moldávia. Uma desgraça! 

Portanto, não dá para um padre do Rito Latino um dia acordar e , do nada, resolver fazer batismo de bebês por imersão. Ele precisa refletir se, do ponto de vista pastoral, essa novidade será realmente frutífera, e também precisa estar bem seguro do que está fazendo, para não haver acidentes nem pimpolhos traumatizados.

Quando eu era criança, um tio meu me levou para participar de um culto em sua comunidade evangélica. Logo após a exibição de um filme medonho sobre o Apocalipse (tinha mais sangue do que no “Casamento Vermelho” de Game of Thrones), o pastô (que merecia mesmo era pastar) ameaçou o pessoal:

– Vocês viram o que aconteceu com os infiéis no Apocalipse? Vocês querem escapar desse fim horrível?

De olhos esbugalhados, todos acenavam que sim com a cabeça, ou gritavam angustiados. O pastô continuou:

– Então, prove sua fé e oferte agora aqui no altar o valor X em dinheiro (eu não lembro qual era a moeda na época, se era Cruzeiro, Cruzado... Mas era um valor alto, algo equivalente a uns R$ 50,00). Quem vai fazer a oferta, fique de pé! Quem não vai fazer, fique sentado!

E assim o pastô dava um jeito de constranger e humilhar publicamente os coitados que não tinham tanto dinheiro para dar. Além desta, outra técnica ainda mais eficaz para arrancar gordas doações dos fiéis é pregar que Deus vai lhe dar muita prosperidade e bênçãos materiais, em troca de sua generosidade no dízimo. Esse é o modo de agir de muitas das seitas que pregam a demoníaca Teologia da Prosperidade. As pessoas mesquinhas, gananciosas ou simplesmente desesperados por causa de suas dívidas caem nessa história como patinhos!

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Na Igreja Católica, não é assim. Porém, justamente por ser um chamado à liberdade de cada fiel, muitos católicos não estão nem aí para o dízimo. Em quase todas as paróquias, a proporção de dizimistas em relação ao número de fiéis que frequentam a paróquia é ridiculamente baixa.

A maioria das pessoas gosta mesmo é que lhe ponham um cabresto, gostam de uma religião que lhes faça passar vergonha diante dos outros “irmãos”, caso não ande na linha, em troca da promessa de evitar a cruz e viver o Céu aqui na Terra. É por isso que ouvimos tanto protestante dizer: “Eu era católico, mas naquele tempo eu bebia, eu vivia na farra, eu traía, eu fazia tudo errado”. E desde quando a Igreja Católica aprova tais pecados, criatura joselita? O fato é que no meio evangélico é comum que um fique tomando conta da vida do outro, então todos se esforçam para ter uma aparência externa de santidade.

Mas o cristianismo é a religião que reina no mais profundo da consciência, no coração. Cristo mostrou que muitos daqueles que tinham aparência de santidade – os fariseus – eram podres por dentro. Então, mais do que simplesmente falar em fidelidade ao dízimo, vamos falar das intenções do coração.

É bem verdade que, na Bíblia, Deus promete prover as necessidades materiais de quem paga o dízimo. Isso se chama fé na Providência divina. Mesmo que esteja meio dura, a pessoa faz um sacrifício para ajudar os pobres e sustentar a Igreja (lembram da oferta da viúva?). A pessoa é fiel ao dízimo, confiando que o Senhor lhe ajudará.

"Pagai integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência – diz o Senhor dos exércitos – e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha bênção sobre vós muito além do necessário.” (Mal 3,8-9)

"Já por duas vezes mandastes para Tessalônica o que me era necessário. (...) Estou bem provido, depois que recebi de Epafrodito a vossa oferta: foi um suave perfume, um sacrifício que Deus aceita com agrado. Em recompensa, o meu Deus há de prover magnificamente a todas as vossas necessidades, segundo a sua glória, em Jesus Cristo." (Fil 4,16-19)

Bem diferente da fé na Providência é o investimento no FIJ – Fundo de Investimentos de Jesus. A pessoa paga o dízimo com a intenção de que o senhor multiplique o seu patrimônio. Como se Jesus vindo ao mundo, tomado bofetão no rosto e sido crucificado para nego poder ficar rico!

Então, devemos ser fiéis ao dízimo por uma consciência prática e por amor, não porque estamos caçando bênçãos.

A consciência prática nos fazer perceber que o padre, exclusivamente dedicado aos fiéis (foi para isso que ele deixou de casar, não é mesmo?), não vive de vento, e precisa de seu salário. Da mesma forma, é preciso cobrir as despesas com luz, água, funcionários, obras de manutenção do templo e ações evangelizadoras da paróquia, entre outras despesas.

O amor nos leva a ter verdadeiro prazer em DEVOLVER parte do dinheiro que Deus nos deu para o próprio Deus.

E qual porcentagem dos meus ganhos mensais devo doar ao templo? Você é quem decide. Não há obrigação de pagar 10%. Até nisso a Igreja nos deixa livres! Mas lembre-se: Deus sabe se estamos sendo generosos em nossa oferta ou não.

MENORES DE IDADE DEVEM PAGAR O DÍZIMO?

O dízimo é uma contribuição de quem tem renda própria, fruto de seu trabalho. Se um menor de idade trabalha (alguns, com 14 anos, já trabalham e têm renda mensal), então é justo que pague o dízimo, ainda que seus pais paguem também.

Mas se não trabalha, não precisa pagar o dízimo. Pode fazer uma contribuição livre na cestinha ou nos cofres do templo de sua paróquia, se puder. 

 

No início de 1965, o Pe. Maurice Ouellet, da Congregação Edmundite de Saint Elizabeth, em Selma (Alabama), ouviu uma batida à sua porta. Ao abri-la, viu diante dele ninguém menos do que... Martin Luther King! O pastor lhe disse: "Os negros me disseram que há um homem branco em Selma que é negro, e eu quero conhecê-lo". King estava em meio à histórica campanha para que os negros tivessem direito ao voto. O padre Ouellet foi o primeiro cidadão branco de Selma a apoiar abertamente a campanha. Por conta disso, recebeu vários telefonemas ameaçadores, inclusive de ameaças contra sua vida.

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Em 7 de março de 1965, a polícia atacou de forma brutal os manifestantes pacíficos, impedindo que eles marchassem de Selma à capital do estado, Montgomery. Dezessete negros foram hospitalizados, e uma mulher foi espancada quase até a morte. O episódio ficou conhecido como “Domingo Sangrento” (Bloody Sunday).

Pe. Ouellet correu para o Hospital Bom Samaritano e ajudou médicos e enfermeiros a atender as vítimas. Em resposta ao ataque, Luther King ligou para diversos líderes religiosos dos EUA, pedindo para que se unissem a ele na próxima marcha de Selma a Montgomery. Em Chicago, Mathew Ahmann, leigo católico e diretor da Conferência Católica Nacional para a Justiça Interracial, entrou em ação para formar o “bonde” dos católicos. É nóis, mano! Aos sacerdotes, Ahmann dizia: “Coloque seu traje clerical. Se você não o usa mais, procure debaixo de sua cama”.

Naquele tempo, muitos padres já haviam abandonado o uso da batina ou camisa clerical. Mas, para que a presença católica fosse distinta e representativa no protesto, era indispensável a força desse símbolo. Veja só que coisa doida: de forma indireta, um pastor batista foi o responsável por fazer padres católicos se vestirem como padres! E o nome do tal pastor, em versão aportuguesada, era "Rei Martinho Lutero". Ah, nada como a História e suas ironias...

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Mais de 900 padres, freiras e leigos católicos atenderam ao chamado – formando quase um terço do total de manifestantes! Delegações vieram de todas as regiões do país. Só da cidade de Nova York, 32 sacerdotes e sete leigos marcaram presença, com mais dez sacerdotes das quebradas do Brooklyn. Os protestos se seguiram por dez dias, aguardando a autorização do governo para marchar até a capital. As freiras estavam entre as mais animadas! O jornalista de Atlanta, Ralph McGill, ficou emocionado ao vê-las na dianteira do protesto, e relatou: "A presença dos católicos romanos... inspirou o comitê e envergonhou os tímidos”.

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A galera estava toda apinhada em frente às TVs, quando o presidente Lyndon Johnson declarou que enviaria ao Congresso o projeto de lei de direitos de voto. Gritos, lágrimas, palmas, cantos e louvores explodiram entre os manifestantes! Em 17 de março de 1965, um juiz federal autorizou a marcha para Montgomery. Cerca de 3 mil manifestantes partiram de Selma, e um deles merece uma citação especial: Jim Letherer, ativista do Conselho Interracial Católico de Michigan. Ele andou cerca de 86 quilômetros de muletas, com uma perna só! Não é lindo de chorar?

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Infelizmente, o Arcebispo de Mobile, Thomas Toolen, era contra o envolvimento dos católicos com as manifestações de Selma, e mandou o padre Ouellet embora da cidade. Os paroquianos de Saint Elizabeth apelaram ao bispo, mas ele manteve a decisão. Em 27 de junho de 1965, Pe. Maurice Ouellet se despediu do povo de Selma. Humilde e sábio, aconselhou sua congregação a permanecer fiel ao bispo e a evitar a raiva: "Tudo o que fazemos, devemos fazer com o amor. Como pessoa e indivíduo, eu importo muito pouco. No entanto, a Igreja importa, e importa estarmos em acordo”. Falou tudo, Pe. Maurice Ouellet!

E por falar em acordo... Toda essa história mostra que católicos e protestantes podem se unir em torno de causas comuns. Atividades pró-vida, luta contra a ideologia de gênero nas escolas, ações de socorro aos pobres etc. É o que o Papa Francisco chama de "cultura do encontro".

Fontes: National Catholic Reporter e Irish Central

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É apressado e, talvez, muito injusto julgar o Arcebispo Toolen como um vilão. Ele sempre foi um homem dedicado à causa da igualdade racial e, nesse sentido, ajudou a comunidade negra a obter muitos avanços. Toolen abriu várias igrejas, orfanatos, hospitais e outras instituições destinadas exclusivamente aos negros, a ponto de os racistas o chamarem de "o bispo negro". Em 1950, supervisionou a construção do Hospital São Martinho de Porres, que foi o primeiro hospital no Alabama onde médicos negros e brancos podiam trabalhar lado a lado. Ele também convenceu um hospital a se tornar o primeiro no Alabama a atender gestantes negras. Em 1964, Toolen deu fim à segregação racial em escolas católicas na diocese.

Então, o que o levou a se opor à participação de católicos nas manifestações pelos Direitos Civis? Bem, pelas suas cartas, podemos ver que ele temia que os padres da Congregação Edmundite fossem assassinados. Também deve-se considerar a sua idade: como um homem mais velho, ele era profundamente apegado a ideia de obediência às autoridades - e os protestos de Selma não eram permitidos pela lei.

“Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”: esse é um dos cinco mandamentos da Igreja Católica. Para você ficar ligado nos dias de preceito e não dar uma de "Travolta confuso" em 2017, publicamos aqui um calendário especial!

travolta_confuso_calendario

Conforme a autorização que recebeu da Santa Sé, a CNBB transferiu algumas festas de guarda que caem em dias úteis para o domingo anterior ou seguinte (que sempre é um dia de guarda). Nesses casos, o preceito é cumprido no domingo. Indicamos essas situações no calendário abaixo, com uma seta SETA VERDE.

A CNBB também aboliu o preceito na solenidade de São José (19 de março); portanto, não a indicamos no calendário. Porém, no dia 1º de maio, Feriado do dia do Trabalho, honramos a São José Operário; essa festa foi instituída pelo Papa Pio XII, em 1955. Muitos católicos pensam que o dia de Finados, a Quarta-feira de Cinzas, a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa, o Sábado de Aleluia e a Festa de Nossa Senhora Imaculada Aparecida são dias de preceito; não, não são. Certamente, um bom católico buscará participar das celebrações em sua paróquia nessas datas - afinal, é para isso que o feriado religioso existe - ainda que não tenha essa obrigação.

JANEIRO  

1º - Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus (Feriado)

6 - Epifania - Festa dos Reis Magos (passou para o domingo seguinte)

MAIO  

25 - Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo (passou para o domingo seguinte)

JUNHO  

15 - Corpus Christi (Feriado)

29 - Santos Apóstolos Pedro e Paulo (passou para o domingo seguinte)  

AGOSTO  

15 - Assunção de Nossa Senhora (passou para o domingo seguinte)

NOVEMBRO  

1º - Todos os Santos (passou para o domingo seguinte)

DEZEMBRO  

8 - Imaculada Conceição de Nossa Senhora

25 - Natal (Feriado)

 

Segunda, 02 Janeiro 2017 22:10

Santa Teresinha “adotou” um bandido

É bom ver que cada vez mais cristãos estão alertas a respeito dos males das ideologias nefastas propagadas pela esquerda. Por outro lado, tem muita criatura iludida, que mal acaba de sair das garras de Marx, começa a idolatrar ícones da direita, engolindo o discurso deles como verdade absoluta, sem filtro nenhum. Os erros ideológicos da direita podem te conduzir ao Inferno tanto quanto as ideologias marxistas.

É compreensível que nós, por justa conveniência, apoiemos representantes da chamada direita – afinal, com todos os seus grandes defeitos e problemas, são eles que causam menor dano aos valores cristãos. Mas cuidado pra não fazer dessa gente um novo Messias, e nem fazer da direita a sua nova religião!

É triste ver cristãos de direita que acham que estão abafando ao defender ideias completamente avessas à moral católica e à Doutrina Social da Igreja, como a esterilização de mulheres pobres, o aborto em caso de estupro e a rejeição de qualquer projeto governamental de assistência social. Mas hoje, quero falar especialmente da ideia de que os presos não devem ter acesso direitos humanos.

Sim, os militantes inescrupulosos de esquerda usam a pasta de Direitos Humanos para tratar criminoso como “vítima da sociedade” e favorecer a impunidade. Mas isso não anula a o fato de que o criminoso é também criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Não é bicho nem coisa – portanto, tem direitos humanos.

SÃO VICENTE DE PAULO E IRMÃ DULCE vicente_paula_prisioneiros No século XVII, São Vicente de Paulo tocava com a sua caridade a todos os pobres que podia, inclusive aos criminosos condenados às galés. Além de pregar o Evangelho a esses homens, o santo aliviou um pouco as condições bárbaras em que eles viviam, conseguindo, por exemplo, que tivessem atendimento médico.

Não duvido nada de que, se fosse hoje, haveria um coro de gente estúpida vociferando: “Tanto cidadão honesto passando necessidade, e esse padre fica passando a mão na cabeça de bandido. Atendimento médico pra que? Deixa esses lixos morrerem! Tá com pena, padre Vicente? Adota um bandido desses e leva pra casa!”.

Aliás, foi essa mentalidade que levou à proibição das visitas da Beata Irmã Dulce ao presídio da Coréia, em Salvador-BA. Ela frequentemente levava conforto espiritual, alimentos e remédios aos presidiários. Quão distante do exemplo dos santos está que acha ótimo ver presos apinhados em celas superlotadas; quem se compraz ao saber que um preso foi torturado ou estuprado na cadeia; quem deseja que os detentos tenham a vida mais miserável possível. Tais sentimentos não provêm de Cristo, mas sim do maligno.

Quer uma dica? Foca no Evangelho e na vida dos santos! foca_vicente

O PRIMEIRO FILHO DA SANTA DE LISIEUX

Por falar em adotar um bandido, é interessante saber que o primeiro filho espiritual de Santa Teresinha do Menino Jesus foi um bandido da pior qualidade: Henry Pranzini.

Antes de entrar para o convento, quando tinha apenas 14 anos, Santa Teresinha sentiu arder dentro de si o desejo de arrancar esse terrível assassino das chamas do Inferno. A execução de Pranzini era iminente. Ele não demonstrava um pingo de remorso, mesmo após ser condenado à morte pelo brutal assassinato de duas mulheres e uma criança de 12 anos, em Paris.

Por quase dois meses, Santa Teresinha rezou para que ele se arrependesse de seu crime e, assim, escapasse da condenação eterna. Mandou até mesmo celebrar uma missa nessa intenção. Foi com lágrimas nos olhos e o coração vibrante de alegria que Teresinha leu a boa notícia no jornal La Croix de 1º de setembro de 1887: antes da cabeça de Pranzini ser arrancada pela guilhotina, ele tomou das mãos de um padre um crucifixo, e beijou três vezes as chagas da imagem de Jesus. A santa teve a certeza de que esse era um sinal de que a sua oração havia sido atendida. E chamou ao infeliz criminoso de “meu primeiro filho”.

A santa de Lisieux não pleiteava por uma pena mais branda, nem pregava que Pranzini era “vítima da sociedade”. Ela tinha somente a clara noção de que era urgente lutar pela salvação das almas – de todas elas. Mas depois de tudo o que fez, Pranzini terá sido premiado com o Paraíso? É possível; mas não sem antes penar no Purgatório, onde as almas são purificadas pelo sofrimento. Todos pagam pelo mal que praticaram e por todo o bem que deixaram de fazer; uns no fogo santo do Purgatório, outros no fogo eterno.

O nosso dever, como cristãos, é orar e trabalhar pela nossa própria santificação, e levar a Boa Nova a todos. A TODOS! Isso inclui assassinos, traficantes e até ladrões, como São Dimas. É... Jesus também “adotou” um bandido. Tanta gente boa pra prestigiar, e Ele foi logo dar moral pra um meliante? Isso só pode indicar uma coisa: tem algo muito errado com essa gente que vai à missa todo o domingo, mas não reconhece os criminosos como filhos de Deus, e quer mais que todos eles vão queimar no Inferno.

 

Sabe aquele seu professor que diz que a Igreja Católica, na época da escravidão no Brasil, pregava que os negros não tinham alma? Aposto que ele vai ficar boladão se você perguntar a ele sobre os padres e bispos negros, que foram ordenados entre os séculos XVI e XIX. indiana_jones_confuso O PRÍNCIPE BISPO

Mvemba Nzinga (Afonso I do Congo) era um rei católico. Ele marcou a história do Congo com o primeiro governante a denunciar o tráfico de escravos negros, que era feito com a autorização da Coroa Portuguesa. Além disso, foi responsável pela implementação de um sistema educativo moderno (voltado para meninos e meninas), além de ter trazido diversos avanços para o país. mvemba_nzinga

Quando o príncipe Henrique tinha 14 ou 15 anos, Mvemba Nzinga o enviou a Lisboa, onde estudaria para ser padre. O Rei de Portugal gostava tanto de Henrique que o enviou à frente de uma delegação para prestar homenagem ao Papa Leão X. Cinco anos depois do encontro com o bispo de Roma, o padre negro foi eleito bispo, tendo apenas 26 anos.

A partir de 1518, ele se tornou o representante máximo da Igreja Católica em todo o território do Congo. O apostolado rendeu bons frutos para o Reino. Ele faleceu em 1531, e, doze anos depois de sua morte, metade da população do Congo já havia sido batizada.

(Para saber mais sobre o príncipe-bispo Henrique, leia A Igreja da Renascença e da Reforma, de Daniel-Rops, e A History of de Church in Africa, de Bengt Sandkler e Chistopher Steed)

NOS ESTADOS UNIDOS

Era uma vez era um branco americano que se apaixonou por sua escrava e se casou com ela. Tiveram muitos filhos, entre eles, James Augustine Healy, que viria a ser o primeiro sacerdote católico afrodescendente dos EUA.

James A. Healy foi ordenado em 1854. Ele fundou muitos institutos de caridade para socorrer os imigrantes pobres. Sua competência e bondade chamaram a atenção do Papa Pio IX, que o elegeu bispo de Portland.

Anos depois, após o fim da escravidão no país, dois de seus irmãos também se ordenaram padres: Patrick Francis Healy (que foi eleito presidente da Universidade de Georgetown) e Alexander S. Healy. Sua irmã, Eliza Healy, se tornou em 1903 a primeira madre superior afro-americana de um convento e de uma escola católicos, em St. Albans, Vermont. padres_negros

Em 1880, o ex-escravo americano Augustine Tolton foi admitido em um seminário em Roma. Depois de ordenado, Pe. Tolton retornou para os EUA, sendo sempre um pastor exemplar. Em 1897, morreu com fama de santidade.

NO BRASIL padre_victor

No Brasil, destaca-se a história do beato Padre Victor, ex-escravo. Ele teve a sorte de nascer em uma casa em que a senhora – sua madrinha – tratava os escravos com bondade, e recebeu uma educação sofisticada. Ao saber do sonho que seu afilhado tinha de ser padre, a madrinha o incentivou.

Bem impressionado com o jovem negro, o bispo local autorizou o seu ingresso no seminário. Padre Victor foi ordenado em 1851, sendo enviado para a diocese de Três Pontas (Minas Gerais). O povo simples o aceitou bem, mas os fazendeiros o rejeitaram. Foram muitas as ofensas, mas tão grande era a sua santidade que, com o tempo, o beato conquistou até mesmo aqueles que antes o perseguiam.

PORQUE TÃO POUCOS CLÉRIGOS NEGROS?

Os padres negros na época da escravidão negra eram numerosos? Não. E isso se deve a diversos fatores principais, alheios à vontade da Igreja:

  • as limitações impostas pelo sistema escravista, já que um proprietário dificilmente liberaria  um escravo para que entrasse no seminário (como foi o caso do Pe. Victor);
  • na África, na Era das Grandes Navegações, o catolicismo estava apenas começando a sua missão evangelizadora. A fé católica no Continente ainda não havia amadurecido e se organizado o suficiente para gerar membros numerosos para o clero.

Até o século V, antes da invasão ariana, a Igreja Católica na África era forte e vibrante. Foi na África que nasceu e viveu Santo Agostinho de Hipona, um dos teólogos mais importantes do catolicismo!

Porém, tudo começou a melar quando comunidade católica africana foi duramente ferida pela invasão dos bárbaros vândalos. E a chama da fé morreu de vez no século VII, esmagada pelo Islã (restaram, então, apenas alguns pequenos agrupamentos, como os coptas).

Graças a Deus, nas últimas décadas esse quadro mudou. A África é o continente em que o catolicismo mais cresce no mundo! Somente nos últimos dez anos, houve um salto de mais de 40% no número de católicos africanos. Deus abençoe e fortifique os nossos missionários! Viva Nossa Senhora de Kibeho!

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