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Segunda, 04 Setembro 2017 19:28

Tomás de Torquemada: o homem por trás da lenda

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Inquisição Espanhola é praticamente sinônimo de Tomás de Torquemada. É interessante que um frei que exerceu a função de inquisidor-mor por apenas 13 anos (de 1483 a 1496) tenha marcado tão fortemente a história de uma instituição que existiu por quase 400 anos.

Quem era o frei dominicano Torquemada? Um monstro? Um sádico? Um perverso amante da tortura? Na, verdade, as evidências históricas apontam para um perfil bem distante disso: “Poucos homens na história foram mais cruelmente caricaturizados pela ignorância e malícia do que esse modesto homem de oração”, diz William Thomas Walsh. Ao que parece, era um homem gentil, com sincera disposição de em tudo imitar Jesus Cristo.

Suas numerosas cartas nos permitem ver a personalidade de um homem firme, mas sereno e justo. Ele tinha 63 anos quando assumiu o cargo de inquisidor-mor. Antes disso, por vinte anos, foi um exemplar diretor do monastério de Valladolid. Era mais rigoroso consigo próprio do que com seus irmãos subordinados: nunca comia carne e dormia sobre uma tábua.

Os reis católicos doaram a Torquemada grandes somas de dinheiro, mas ele era completamente desapegado. Gastou tudo em obras de caridade, além de construção e reforma de mosteiros. Além de ser incorruptível, procurava garantir que os inquisidores fossem todos íntegros: “Ele proibiu os Inquisidores e outras pessoas ligadas ao Santo Ofício de receber presentes, sob pena de excomunhão, demissão, restituição e multa em dobro”.

As boas condições das prisões da Inquisição na Espanha eram, em grande parte, graça à sua influência. Torquemada insistia para que as prisões fossem limpas e bem ventiladas, e fazia todos garantir os direitos legais dos acusados.

Quando uma pessoa era queimada como herege, todos os seus bens eram confiscados, não restando absolutamente nada de herança para seus filhos. Essa medida de extrema dureza foi amenizada por ninguém mais ninguém menos do que o “terrível” Tomás de Torquemada. Ele estabeleceu que, caso os filhos do falecido fossem menores de idade, uma parte de sua propriedade seria destinada a eles, e deveria haver um cuidado especial para que sua educação fosse assumida por boas pessoas.

Mas não adianta: a Tia Teteca da escolinha tem um poder de influência imenso, e uma capacidade incansável de ensinar clichês. Torquemada continuará, pleos séculos adiante, sendo lembrado com um homem cruel. Acho que até que basta dizer o nome dele para acender uma fogueira... como mágica!

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A referência bibliográfica para a redação deste artigo é o livro "Isabella of Spain", de William Thomas Walsh.

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Neste domingo, dia 10/09, estaremos autografando o nosso livro "As Grandes Mentiras sobre a Igreja Católica" na Bienal do Livro do Rio, no stand da editora Planeta!

4068 Terça, 05 Setembro 2017 13:29

Comentários   

0 # Rafael 12-09-2017 17:22
Obrigado, Catequistas, por mais um post urgente para conhecermos a verdade sobre nossa Santa Madre Igreja! Vida longa ao apostolado de vocês! Salve Maria!
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0 # Airton 06-09-2017 15:39
Alguém sabe se o papa Francisco respondeu aos questionamentos apresentados pelos cardeais sobre a Amoris Laetitia?
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+9 # Alex Hoffmann 05-09-2017 03:26
Quando as tias tetecas falam de tudo que no passado os inimigos da Igreja erraram, sempre vem a frase: "transpor para a época, não julgar com nossos critérios". Quando o assunto é a Igreja Católica o tal do critério é jogado no lixo, então, mesmo com todos os argumentos e provas históricas a galera torce o bico e sai gritando: é católico, mata, esfola. Lembrando que o critério usado para com a Igreja Católica pela tia teteca é outro: luta de classes; e a Igreja é a opressora sempre; Marx tá dando alô pra nóis. Então na cabeça lesada (padrão MEC) das pessoas (adultos, jovens, crianças) quando escutam: iluminismo = paizi e amore; Escolástica = capetalismo servage; revolução francesa = liberdade, igualdade e fraternidade, Igreja Católica = mata bilhões de gente na guilhotina.
Mas é aquele velho ditado: para concertar o que um idiota diz precisa de 10 sábios. Como nossos tempos estão como nunca estiveram antes, propícios aos idiotas...
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