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Quinta, 03 Agosto 2017 13:15

Porque os Templários não podiam ser padres?

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Talvez um dos grupos mais fascinantes da Idade Média sejam os Cavaleiros Templários. Essa ordem religiosa e militar foi fundada em 1120, após a conquista de Jerusalém pela Primeira Cruzada. Os Templários faziam voto de pobreza, castidade e obediência, além do voto especial de proteger os peregrinos que se dirigissem a Jerusalém – pois ataques de muçulmanos nas estradas eram muito comuns.

Diferente dos membros de outras ordens religiosas, os Templários não recebiam a ordenação sacerdotal. Pois aqueles que representam Jesus Cristo e administram os sacramentos não podem derramar sangue humano: isso sempre foi proibido pela lei da Igreja.

A Ordem tinha seus próprios capelães: “tratava-se, porém, de padres que entravam para fazer parte do Templo quando já houvessem recebido a consagração sacerdotal, sendo absolutamente proibidos de empenhar-se nos combates” (Barbara Frale. Os Templários e o Pergaminho de Chinon).

Para nós pode parecer incompreensível a existência de uma ordem de frades habilitados para a guerra. Mas também naquele tempo vestir o hábito religioso e participar de uma guerra era visto como algo inconciliável; a aprovação da Igreja à nova ordem não deixou de gerar perplexidade. Afinal, tanto pecadores arrependidos e penitentes quanto grandes santos renunciaram às armas para seguir na via cristã de forma mais perfeita (como Santo Inácio de Loyola, que deixou suas armas e sua armadura de cavaleiro aos pés da imagem da Nossa Senhora de Montserrat). Sobre esse assunto, indicamos o livro de Barbara Frale, Os Templários e o Pergaminho de Chinon, que explica muito claramente o cenário em que essa realidade se formou.

Jerusalém estava sob o domínio dos imperadores cristãos bizantinos até o século VII, quando os muçulmanos invadiram e tomaram o território. Por 200 anos, as peregrinações de cristãos à Terra Santa ocorreram tranquilamente, graças ao tratado diplomático firmado entre Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano, e o califa Harun al Rashid.

Essa paz foi por água abaixo quando o califado egípcio assumiu o poder na região: “no ano de 1009, as autoridades islâmicas da Síria decretaram o saque de Jerusalém e a destruição do Sepulcro, com a terrível recrudescência do fanatismo, que se abateu com grande violência sobre os locais de culto cristão” (Barbara Frale).

A profanação dos locais sagrados em que Jesus sofreu sua Paixão e Morte mexeu profundamente com os cristãos. Em vez de diminuir, o fluxo de peregrinos aumentou. Tanto pobres quanto pessoas ricas e cheias de privilégios deixavam tudo para trás na Europa para seguir naquela perigosa viagem. Daí a importância da missão original assumida pelos Templários.

Os muçulmanos acabaram por tomar de vez a Terra Santa, e a esperança de retomar Jerusalém ficava cada vez mais distante - ainda que esse sonho jamais tenha sido abandonado pelos Templários. As guerras contra os infiéis já não eram tão frequentes. Diante dessa nova realidade, os Templários se adaptaram e assumiram uma nova função, dedicando-se especialmente à atividade mercantil-financeira. Mas isso é papo para outro post...

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5292 Quinta, 03 Agosto 2017 15:32

Comentários   

0 # Sidney Sdny 04-08-2017 20:47
Boa noite caros catequistas. antes de mais devo dizer que sou um seguidor do vosso blog. Sobre o post eu queria saber os templário são as chamadas Cruzadas. Segundo, essa semana, numa formação sobre o radicalismo religioso houve um padre que disse que as cruzadas foram grupos radicais da nossa igreja. Por favor, poderia fazer um post esclarecedor sobre isso. Grande abraço
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+5 # Fabricio 03-08-2017 21:00
Muito interessante o post.

Me veio uma curiosidade quando li a parte: ''aqueles que representam Jesus Cristo e administram os sacramentos não podem derramar sangue humano: isso sempre foi proibido pela lei da Igreja.''

Aí lembrei da Cristiada, segundo o filme, os padres pegaram em armas. Como fica a situação de um sacerdote neste caso? Eles são excomungados?
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