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Terça, 18 Julho 2017 20:47

Voltaire: um hipócrita que financiava a escravidão negra

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Voltaire, o mais famoso intelectual iluminista, se tornou célebre por defender ardentemente os direitos humanos em seus escritos. Ele foi um dos críticos mais ferrenhos das Inquisições, e um dos principais responsáveis pela difusão a lenda negra da Inquisição, que foi criada pelos protestantes.

Ao final de todas as suas cartas, ele escrevia: "Esmagai a infame". A referida "infame", no caso, era a Igreja Católica. 

Em seu Tratado sobre a tolerância, Voltaire diz: “Vejamos agora se Jesus Cristo estabeleceu leis sanguinárias, se ordenou a intolerância, se mandou construir os calabouços da Inquisição e se nomeou os carrascos dos autos-de-fé” . Argumentos como esse parecem ter muita lógica e convencem facilmente. O problema está na distorção dos fatos, induzindo o leitor a uma conclusão distorcida da realidade histórica.

Voltaire era um loroteiro tão talentoso que conseguiu a proeza de contar cinco mentiras em uma só frase!

  1. Não foi a Inquisição que exigiu que os hereges fossem punidos com a pena de morte: foram os governantes seculares.
  2. Não foi a Inquisição, nem tampouco a Igreja, que gerou o contexto de intolerância à diversidade religiosa: foi o contexto político e econômico.
  3. Quanto aos “calabouços da Inquisição”, muitas vezes ofereciam condições mais humanas do que os cárceres seculares.
  4. Não era a Inquisição que nomeava os carrascos que torturavam e queimavam os hereges.
  5. Os autos-de-fé não tinham carrascos, pois não eram cerimônias voltadas para a queima de hereges.

 

Especificamente sobre a escravidão, ele escreveu o texto de uma peça chamada Alzira, em que um escravo peruano clama o povo a lutar por sua libertação. Tudo muito lindo, mas era tudo da boca para fora: algum sábio zoeiro deveria ter colado um papel em suas costas, com a frase: “FAÇA O QUE DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO”.

Voltaire financiava e lucrava com o tráfico de escravos. Comprou uma ação de 5 mil francos de um navio negreiro que sairia de Nantes para capturar negros da África. Como se não bastasse a falta de escrúpulos em enriquecer com o comércio seres humanos, o “Doutor Tolerância” ainda tinha a cara-de-pau de dizer que estava fazendo uma grande caridade! É que ele sinaliza em uma carta ao traficante Michoud:

"Congratulo-me convosco pelo feliz êxito do navio – o Congo – chegado oportunamente à Costa d’África para livrar da morte tantos negros infelizes. Sei que vão embarcados em vossos navios e são tratados com muita doçura e humanidade, e por isto me felicito de ter feito um bom negócio praticando, ao mesmo tempo, uma bela ação."

- Couto Moura. Dicionário da escravidão negra no Brasil

Ele adorava condenar a escravidão nas Américas, mas sobre a escravidão promovida em seu próprio país, ele ficava caladinho... Certamente, não desejava contrariar a elite francesa, que o incensava e o ajudava a ser um homem rico (Alain Gresh. Escravidão à francesa. Site Le Monde Diplomatique Brasil. 1 de abril de 2008).

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Comentários   

+1 # Renato Losa 23-07-2017 01:35
Hora de Voltaire(voltar,kkk) às coisas da Igreja,é melhor que ficar ouvindo os iluministas
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0 # Pe.Orlando Henriques 19-07-2017 22:04
Só com este artigo, de uma só vez, vocês dão aqui um verdadeiro xeque-mate a muitas das tretas que circulam por aí. Muito bem!
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0 # Everton Caiçara PB 19-07-2017 11:58
É verídica a conversão de Voltaire à Santa Religião Católica?
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+1 # Ivis Lorran 29-07-2017 16:17
Olá Everton Caiçara! Achei um artigo sobre a conversão de Voltaire pelo Pe. Gaultier em seu leito de morte! O artigo contém fontes!
http://www.fecomvirtudes.com.br/conversoes-voltaire-converteu-se-na-hora-da-morte/
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+2 # ricchard renner 19-07-2017 17:41
Não,ele teve uma doença grave,achando que ia morrer procurou um padre,se confessou e de publicar uma carta onde pedia desculpas a Igreja. Mas ficando bom desmentiu tudo, mandou cancelar a referida carta e voltou ao seu normal, morreu impenitente.
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+3 # A Catequista 19-07-2017 17:37
Isso é algo muito incerto. Lá depois dos 80 anos, ele realmente achou que fosse morrer, quando caiu de cama uma vez. Aí chamou o padre, que o atendeu mas não pôde dar a sua absolvição. Voltaire melhorou de saúde - não morreu daquela vez - e voltou à mesma vida de impenitência.

Vou colar aqui um resumo de um ótimo artigo:

1) Voltaire não se retratou suficientemente nem no dia 2 de março, nem em data posterior. A retratação encontrada re­centemente em Paris foi, sim, assinada por ele e por duas tes­temunhas; contudo os seus dizeres são tão pouco precisos que não pôde no seu tempo (nem pode hoje) ser tida como genuína desdita dos erros e das blasfêmias anteriormente proferidos pelo «Príncipe dos incrédulos». Tal documento, portanto, não basta para se dizer que Voltaire morreu como católico.

2) O filósofo não se confessou nem no dia 2 de março nem no momento de sua morte.

3) Pode-se alimentar a esperança, expressa pelo Pe. Gaultier, de que o moribundo haja ao menos concebido o desejo sin­cero de se converter à fé e de reparar o mal cometido. Somente Deus sabe até que ponto esta esperança corresponde à realidade. Quanto a nós, tendo em vista apenas o desenrolar sensível dos acontecimentos, não possuímos base (seja lícito repetir) para asseverar que Voltaire haja morrido no grêmio da Santa Igreja.

O artigo completo:
http://www.fecomvirtudes.com.br/conversoes-voltaire-converteu-se-na-hora-da-morte/
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