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Sábado, 11 Março 2017 14:37

“Viri probati”: homens que deixavam suas esposas para serem padres

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Em uma entrevista ao jornal alemão Die Zeit, o Papa Francisco disse que o celibato opcional para padres “não é a solução” para a falta de vocações, e considerou que os viri probati, talvez, poderiam ser uma alternativa (Fonte: Religión en Libertad).

Os viri probati eram homens casados, de fé comprovada, que podiam se tornar padres. Era algo muito praticado no primeiro milênio do cristianismo, mas não faz muito sentido no nosso contexto atual.

A ordenação de homens casados era uma coisa normal, nos tempos da Igreja primitiva. Essa verdade está explícita nas Escrituras. Ao lado dessa, há outra verdade bíblica, que está implícita: esses homens renunciavam ao convívio e à vida sexual com suas mulheres.

Pedro, que era casado, disse ao Mestre: "Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?" (Mt 19,29). Jesus respondeu: "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna". Está claro que os Apóstolos tinham renunciado a TUDO – inclusive às suas esposas – para se dedicar inteiramente ao Evangelho.

ATENÇÃO: isso não significa que o viri probati deixava de ser casado! O matrimônio é indissolúvel. Marido (sacerdote) e mulher continuavam casados até o fim da vida, porém, viviam com separação de corpos e nunca mais faziam sexo. Os viri probati poderiam morar apenas com uma irmã ou com uma filha virgem consagrada, conforme vemos na Bíblia:

"Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo de outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e Cefas?" (I Cor 9,5)

Na tradução mentirosa e pervertida da bíblia protestante (King James e João Ferreira de Almeida), a expressão "mulher irmã" foi substituída por "esposa crente". É muita cara-de-pau!

Para que um homem casado fosse ordenado, era preciso que sua esposa estivesse de acordo. Após a ordenação, a Igreja assumia o sustento da sua esposa e filhos. Portanto, a velha piada de que pessoas casadas não fazem sexo era a mais pura verdade para os viri probati

A primeira legislação escrita dessa norma está registrada no cânon 33 do Concílio de Elvira, que aconteceu no início do século IV:

"Estamos de acordo sobre a proibição total que se aplica aos bispos, padres e diáconos, ou seja, para todos os clérigos que estão engajados no serviço do altar, que devem abster-se de suas esposas e não gerar filhos; quem fez isso deve ser excluído do estado clerical."

Porém, muito antes do século IV, desde os primórdios da Igreja, essa lei já vigorava, sendo transmitida pela Tradição oral. Por causa da fraqueza humana, havia, certamente, muitos viri probati vacilões, que continuavam a se relacionar com suas esposas. Mas a Igreja lutava continuamente contra esse abuso.

O EXEMPLO DE SÃO PAULINO DE NOLA

O viri probati mais célebre, talvez, seja São Paulino de Nola, que nasceu no ano 355. Ele e sua esposa Teresa decidiram doar todos os bens aos pobres e viver como irmãos, após a morte de seu bebê. Paulino se tornou monge, e depois foi eleito presbítero e bispo.

O POVO DO ORIENTE QUEBROU A FIRMA

Hoje, como já explicamos em outro post (veja aqui), assim como a Igreja Ortodoxa, as igrejas católicas orientais sui iuris admitem homens casados ao sacerdócio, e eles continuam vivendo normalmente com suas esposas. Os bispos, por sua vez, devem sempre ser celibatários (em geral, são selecionados entre os monges).

Porém, nos primeiros séculos do cristianismo, não era assim. A Igreja Católica no Oriente seguia a mesmíssima disciplina sobre o celibato sacerdotal do Ocidente. A prova disso está nos escritos de diversos Padres orientais, como o bispo Epifânio, que viveu entre os anos 315 e 403.

Na sua principal obra, o Panarion, Epifânio diz que Deus chama ao sacerdócio especialmente os homens que sempre viveram como virgens, a exemplo de Jesus. Essa é, garante ele, a regra estabelecida pelos apóstolos em sabedoria e santidade.

Epifânio ensina também que a Igreja admite como sacerdotes, além dos virgens, viúvos ou homens que renunciaram ao convívio com sua esposa.

Infelizmente, essa disciplina foi pervertida e se perdeu no Oriente. Como já explicamos em outro post (veja aqui), a perseguição à Igreja do Ocidente nos primeiros séculos e a grande dificuldade de comunicação entre o Oriente não permitiam que o Papa tivesse muita possibilidade de influenciar e intervir nas comunidades orientais. Com mais autonomia e menos fiscalização do bispo de Roma, os patriarcas acabaram cedendo e afrouxando a norma.

E por que, quando as coisas ficaram mais tranquilas, o Papa não chutou o pau da barraca e obrigou os católicos orientais a restabelecer a disciplina do celibato, conforme a Tradição? Porque, como não se tratava de uma questão dogmática, por misericórdia, Roma preferiu deixar as coisas como estavam, do que insistir com a norma e, talvez, provocar um cisma. O mal seria muito maior!

Para quem quer virar craque no assunto, é só ler o livro Il celibato ecclesiastico - La sua storia e i suoi fondamenti teologici, do Cardeal A. Stickler. A obra apresenta fontes seguras e irrefutáveis.

*****

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40065 Segunda, 13 Março 2017 17:18

Comentários   

0 # Rafael 20-03-2017 14:34
Citando A Catequista:
Sobre o fato de os padres casados, desde os primórdios da Igreja, se afastarem sexualmente de suas esposas, recomendo esse artigo do cardeal Scalfari, historiador e cardeal alemão:

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350847ffae.html?sp=y&refresh_ce

Desculpem-me pela ignorância.... Mas os padres do oriente podem ser casados, ainda hoje?
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0 # A Catequista 20-03-2017 22:26
Sim, muitos padres católicos das igrejas orientais são casados, mas não todos. Os padres que são monges, por sua vez, são sempre celibatários - e são eles que sempre são selecionados para serem bispos.

Fique sempre à vontade para fazer perguntas aqui!
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0 # A Catequista 19-03-2017 18:14
Sobre o fato de os padres casados, desde os primórdios da Igreja, se afastarem sexualmente de suas esposas, recomendo esse artigo do cardeal Scalfari, historiador e cardeal alemão:

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350847ffae.html?sp=y&refresh_ce
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0 # Felipe Borges 15-03-2017 19:18
"A Igreja Católica no Oriente seguia a mesmíssima disciplina sobre o celibato sacerdotal do Ocidente."

Na verdade, esta afirmação não está correta. No Oriente sempre se admitiu que homens casados se tornassem padres sem que necessariamente largassem as suas esposas. Tanto é assim que o Concílio de Trullo e o Concílio Apostólico proíbe o celibato forçado.

O Cânone 6º do Concílio de Trullo (também chamado de Quintessexto ou Constantinopla IV) diz:

"Since it is declared in the apostolic canons that of those who are advanced to the clergy unmarried, only lectors and cantors are able to marry; we also, maintaining this, determine that henceforth it is in nowise lawful for any subdeacon, deacon or presbyter after his ordination to contract matrimony but if he shall have dared to do so, let him be deposed. And if any of those who enter the clergy, wishes to be joined to a wife in lawful marriage before he is ordained subdeacon, deacon, or presbyter, let it be done."

O texto dá a entender mui claramente que, dentre o clero, há aqueles que eram ordenados casados.

O Cânone 13 do mesmo Concílio deixa isto bem claro, e ainda proíbe a prática Romana de impedir o homem casado de ser padre, além de condenar a prática de abandonar a esposa sob pretexto de piedade:

"Since we know it to be handed down as a rule of the Roman Church that those who are deemed worthy to be advanced to the diaconate or presbyterate should promise no longer to cohabit with their wives, we, preserving the ancient rule and apostolic perfection and order, will that the lawful marriages of men who are in holy orders be from this time forward firm, by no means dissolving their union with their wives nor depriving them of their mutual intercourse at a convenient time... If therefore anyone shall have dared, contrary to the Apostolic Canons, to deprive any of those who are in holy orders, presbyter, or deacon, or subdeacon of cohabitation and intercourse with his lawful wife, let him be deposed."

O Cânone 6º do Concílio Apostólico diz:

"Let not a bishop, a priest, or a deacon cast off his own wife under pretence of piety; but if he does cast her off, let him be suspended. If he go on in it, let him be deprived."

Quanto aos Bispos, a disciplina é tardia. Somente depois de alguns séculos que os Bispos eram exclusivamente celibatários.

Obs: Os cânones foram tirados deste site católico: http://www.newadvent.org/fathers/

O Cânone 13 do Concílio de Trullo é muito grande, de modo que eu tive que colocar só uma parte. Mas podem encontrá-lo aqui: http://www.newadvent.org/fathers/3814.htm
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0 # A Catequista 16-03-2017 17:16
Felipe, nada disso serve como argumento para refutar nosso texto - que se baseia nas informações do livro do cardeal Stickler.

O Concílio Quinissexto (chamado tb de Concílio de Trullo), aconteceu no final do século VII (quase século VIII), portanto, não pode servir como argumento para contrariar o que dissemos aqui. No fim do século VII já não estamos falando dos primórdio da Igreja, e a essa altura a igreja do Oriente já havia se distanciado de Roma em diversos pontos disciplinares e litúrgicos.

Então, esse primeiro argumento está detonado.

Agora vamos para as Constituições Apostólicas. Pelo visto, você não sabe que o mesmo Concílio de Trullo SIMPLESMENTE CONDENOU A MAIOR PARTE DAS CONSTITUIÇÕES APOSTÓLICAS, por identificar diversas interpolações e heresias no texto.

Ou seja, devido às interpolações e heresias (a maior parte de origem ariana), a Igreja jamais aceitou que as Constituições Apostólicas tenham sido originadas pelos santos Apóstolos. Trata-se de um mero APÓCRIFO, do qual a Igreja do Oriente aproveitou somente o último capítulo, o "Cânones dos Apóstolos", que foi aprovado em Trullo - porém, até mesmo esse capítulo foi rejeitado pelo Papa Constantino.

Espero ter esclarecido tudo. Fique com Deus!
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+1 # João Pedro Strabelli 15-03-2017 14:38
Ouvi isso num outro contexto mas serve aqui: se amanhã o papa concluir que a única forma de salvar a Igreja na Europa é a ordenação de homens casados, no que isso vai mudar minha fé?

Não vou discutir nem um minuto que o ideal é alguém que se dedique integralmente à Igreja, e isso só um celibatário pode fazer — e às vezes nem este. Mas se é verdade que situações críticas exigem medidas críticas, é melhor ficar preparado.
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+1 # Fernanda 15-03-2017 13:02
Bom dia, gente!

Muito obrigada, já estava querendo entender essa história, porque, de novo, me chegou a versão distorcida - e o pior, de grupos de dentro da Igreja - de que o Papa estava pensando em abolir o celibato. Estou caçando isso aqui no site desde que saiu a notícia. Muito obrigada mesmo, de coração, mais uma vez!

Deus os abençoe!
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0 # Mariele 15-03-2017 11:17
Bom dia Pessoal!
Quero tirar uma dúvida... Se O Catequista ou A Catequista puderem me ajudar, e esclarecer uma dúvida.

Acabei de escutar agora de manhã, que o Papa Francisco vai na Colômbia ajudar no acordo com a (FARCS)? Isso é verdade? Se for verdade, é uma coisa boa ou ruim?

Pois a ultima vez que a Colômbia tentou o acordo, se eu não me engano os Colombianos não quiseram.
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0 # João Pedro Strabelli 15-03-2017 14:29
Se isso evitar conflitos, só pode ser bom. Obviamente, não existe acordo em que um faz tudo o que o outro quer, mas guerra é sempre a pior saída, que deveria ser usada somente quando não há outra possibilidade. Agora, que vão criticar, vão. Afinal, a gente vive um complexo de Rambo, ou de Carlinhos Massaranduba, e vive querendo dar porrada em tudo e todos. E, se porrada funcionasse, com o tanto de guerras que já teve, nosso mundo seria o paraíso.
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0 # Joao 14-03-2017 18:28
Boa tarde.

Quero deixar minha opinião sobre o novo site de vocês: ficou pior. Além da diagramação ficar mais confusa e quadrada, a fonte dos textos é clara (fina demais, e piora com aquele fundo cinza claro), dificultando a leitura. O texto não fica mais no centro da tela, mas no canto esquerdo, enquanto coisas secundárias como colunas de links relacionados ocupam o centro e a direita. O banner de anúncio do livro de vcs é muito estranho, quadrado e simples, estilo "internet anos 90", HTML simples.

Não vejam esta mensagem com malícia. Como admirador do trabalho de vcs, quero que ele sempre fique melhor, e dá pra melhorar muito o design do site.

Fiquem com Deus.

PS: e falta um meio de CONTATO com os autores. Usar os comentários, que são públicos, nem sempre é legal.
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-1 # Gilberto 14-03-2017 14:14
Venhamos e convenhamos, meus irmãos...
Jesus disse alguma vez que homens casados não poderiam ser padres?
Resposta: Não.
Sexo não é pecado, portanto, homens casados podem ser padres sem estar em pecado.

1° Coríntios 7.1-9
1° Timóteo 3
Hebreus 13.4

Não se trata de ser eu um protestante. Católico usa a Bíblia e a Tradição e q Tradição está em acordo com a Bíblia, não em desacordo. Sou católico.
Amo o Papa Francisco e concordo com ele. Assim como o Diaconato Permanente voltou, creio que padres casados irão voltar no futuro, tudo a seu tempo.
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+2 # Heitor 14-03-2017 15:01
Em MT, 19, 29 é dito: "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna". E também em MT, 19, 12:"...e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda".

Não sei se vc é casado, eu presumo que não seja, porque se fosse compreenderia que é impossível tomar conta de uma família e da Igreja, sem sacrificar um lado.

Certa vez eu estava conversando sobre isso com um parente protestante metodista, que é ministro protestante, e ele me confessou: que realmente é muito difícil que certos membros de sua religião - estava se referindo aos bispos - fossem casados, pois não têm tempo para nada.

Veja, se até mesmo um ministro de uma pequena religião não tem tempo para se dedicar a sua família, como vc acha que seria possível que um padre católico tomasse conta dos inúmeros fiéis?

Quem puder compreender, compreenda...
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+2 # Heitor 14-03-2017 15:09
Em: "- estava se referindo aos bispos - fossem casados". Leia-se: sejam casados.
Obs.: Pois estava aduzindo que não consegue compreender como tais pessoas - bispos dessa religião - conseguem tomar conta da família e de sua religião, entendendo que um lado seria prejudicado.
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0 # Gilberto 14-03-2017 17:39
Leu as passagens bíblicas que eu postei? Caríssimo irmão, sou casado e sei que nem todos os casados podem ser padres, mas, só aqueles que são para isso chamados. Veja:

deve saber governar bem a sua casa, educar os seus filhos na obediência e na castidade.
Pois quem não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da Igreja de Deus?
1 Timóteo 3:4,5

e

Importa, outrossim, que goze de boa consideração por parte dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e caia assim nas ciladas diabólicas.
1 Timóteo 3:7

Leia isso:
Mt 5:32
1 Co 7.3:5
1 Tm 5:8
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0 # Heitor 14-03-2017 18:37
Sim, eu li, é claro, e por isso reclamo a máxima que vc mesmo citou, que não pode haver contradição. Vc cita I Coríntios 7, 1-9, e lá também está dito,"Pois quereria que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele". De modo que aqui o apóstolo estava dizendo que alguns tinha a vocação de serem religiosos e outros seriam casados, ele não quis dizer que os religiosos podem ser casados. Bom, vc citou que: "...deve saber governar bem a sua casa, educar os seus filhos..." Uai, então está havendo uma contradição? Não podemos fechar os olhos para os dizeres de Cristo, que postei acima. Como se resolve isso? Na linha da tradição, e o que a tradição diz sobre? Presumo que já saiba a resposta.
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0 # Gilberto 14-03-2017 17:45
Quero salientar novamente que sou católico e amo a Tradição Bíblica ou Oral e que ambas se completam e nunca entram em contradição. Papa Francisco é um homem fantástico servo do Deus altíssimo e que o amo verdadeiramente.
Uma leitura ótima é o livro História Eclesiástica de Eusébio de Cesaréia, escrito entre 312 e 317. Tem no site da Paulus.
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0 # Heitor 14-03-2017 18:45
Algumas objeções foram brilhantemente aduzida na sacerdotalis caelibatus, e nos convoca pela linha da tradição: "Em todo o caso, a Igreja ocidental nâo pode faltar em sua fidelidade à própria antiga tradição; nem poderá passar pela cabeça de ninguém que ela tenha seguido durante séculos um caminho que, em vez de favorecer a riqueza espiritual dos indivíduos e do Povo de Deus, a tenha de algum modo comprometido, ou levado a oprimir, com arbitrárias intervenções jurídicas, a livre expansão das mais profundas realidades da natureza e da graça". Se no futuro a Igreja permitirá o sacerdócio aos não casados? Só mesmo se ela for infiel à tradição, i.e., é impossível (apesar de não ser dogma).
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0 # Gilberto 14-03-2017 20:44
Bom conversar com pessoas que tem conhecimento e respeito. Você é uma dessas pessoas, embora não o conheça, mas, pelas suas palavras logo se vê que é um cristão genuíno. Bom, não vejo contradição entre o que Cristo falou e o que São Paulo escreveu.
Talvez, quando Ele diz em abandonar esposa tenha mais a ver com segui-Lo mesmo que isso nos faça entrar em conflito doutrinário com a esposa. Não dar ouvidos a ela, mas, a Ele. Está claro que o trecho de 1º Timóteo 3 nos ensina que homens casados que desejam o sacerdócio, tem que ser capazes de conciliar a família e a igreja. Tem que ser homens dignos de honra com um belo testemunho da vida cristã dele e de sua família. Não há ou não haveria infidelidade a Tradição da Igreja a ordenação de homens casados. Até porque, isso era feito no início. Ou estou errado? Em 1º Timóteo 3 não há qualquer menção a abandono de esposas. Ao contrário, diz ser necessário ser marido de uma só mulher e ter filhos fiéis.
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0 # Heitor 14-03-2017 21:31
Tem razão, no início haviam padres casados, achei um artigo do veritatis que diz isso, mas eles dizem que isso foi algo extraordinário que só podia durar temporariamente. Veja: http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/apreciando-as-objecoes-contrarias-ao-celibato-sacerdotal/
Em tempo, não entenda aqui as minha defesa como arrogância, é que mina veia de advogado me faz defender alguns pontos como se eu estivesse numa tribuna rsrs, mas agradeço pelo elogio, também digo o mesmo a vc, fica com Deus e até a próxima discussão - santa discussão, ressalte-se rs.
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0 # Gilberto 15-03-2017 10:50
Amém. Muito obrigado. A paz de Cristo e o amor de Maria.
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0 # Gilberto 14-03-2017 18:33
Só mais uma coisa, esse Gilberto do comentário 14-03-2017 12:08
A respeito de Mateus 19.29, não sou eu.
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0 # Gustavo Fonseca 14-03-2017 12:38
Olá pessoal do Catequista, fiquei surpreso hoje :)

Há umas duas semanas, cheguei durante o Ato Penitencial da Missa pq havia errado o caminho da Igreja e me perguntei se poderia ter comungado (devido a posicionamentos mais rígidos que havia lido). Abro o site, e cá um posicionamento.
Fico pensando, será que peixe não é carne mesmo? Abro o site e novamente.
Última semana estava preparando sobre uma temática de catequese e li o termo "Viri probati" que não conhecia, e cá novamente haha

Obrigado, estão super sincronizados com minhas dúvidas :)
Sempre pesquiso também em outras fontes, mas quando vem a explicação de vocês passa sempre bastante confiança, além de ser sempre acompanhada de uma linguagem com a clareza e bom humor característicos de vocês
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0 # Gilberto 14-03-2017 12:08
Olá

Não entendi o texto bíblico explicativo para a separação de corpos "viro probati"

"Mateus: 19. 29. E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá o cêntuplo, e herdará a vida eterna."

Só "receberá o cêntuplo, e herdará a vida eterna" quem for sacerdotes ou abdicar todas as coisas nesse versículo discriminado? A vida eterna é para quem?
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0 # Larissa 17-03-2017 12:21
Ele fala em relação aos q abandonaram tds as coisas pq este era o assunto q estava sendo tratado nessa conversa, ou seja se alguém me pergunta algo sobre João, eu vou responder em relação à situação de João, se alguém me pergunta algo a respeito de Paulo, eu vou responder em relação a Paulo. Perguntaram o q aconteceria c os q largaram tudo, e Jesus respondeu o q aconteceria c os q largaram td. Não tem relação alguma (nem positiva nem negativa) com aqueles q não se enquadram nesse perfil.

Em relação à vida eterna, conforme a bíblia afirma em vários momentos, esta sempre ao alcance de tds.
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0 # Giselle 13-03-2017 16:53
Boa tarde,
A paz de Cristo!
Esses dias escutei uma pessoa dizendo (não me recordo direito onde foi e de quem se tratava), mas ela dizia que a igreja católica proibia os padres de se casar e ter filhos para que eles não tivessem que deixar herança quando morressem à esposas e filhos e assim não ter que dividir bens da igreja. O que vc me diz Catequista?
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+1 # A Catequista 13-03-2017 22:44
No post que linkei, o Paulo Ricardo Costa cita o problema da redução marxista. A feminista ateia Camile Paglia explica muito bem essa questão:

“O problema das abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via Pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. Ele carece de Metafísica – de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. Ele também carece de Psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais.

O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas. Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político.”

PAGLIA, Camile. Imagens cintilantes. Uma viagem através da arte desde o Egito a Stars Wars. Rio de Janeiro: Apicuri, 2014.
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+1 # A Catequista 13-03-2017 22:40
A Paz de Cristo!
Eu também ouvi esse argumento na faculdade, vindo da boca de uma professora tosca marxista. Já publicamos um post sobre isso:

http://ocatequista.com.br/blog/item/6248-celibato-do-clero-e-heranca-dos-padres-qual-e-a-verdade
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0 # Miguel 13-03-2017 22:40
A pergunta foi para os autores do blog, mas já ouvi tantas e tantas vezes que vou adiantar o assunto: os bens da Igreja são da Igreja, não dos religiosos. Os sacerdotes fazem voto de pobreza. Assim sendo, não faz sentido essa afirmação que fazem por aí. Corrijam-me se houver erro.
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0 # A Catequista 13-03-2017 22:42
Não, Miguel. Nem todos os padres fazem voto de pobreza. Somente os padres vinculados a ordens religiosas.
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+3 # Heitor 13-03-2017 16:08
Os sedevacantes (e alguns que ainda não se assumiram, mas são, de fato) criticam muito quem faz uma espécie malabarismo de interpretação nas entrevistas papais, só que não percebem que são eles quem, costumeiramente, interpretam de modo errôneo os dizeres; ora, se o Santo Padre foi taxativo: "No entanto, o celibato opcional, ou seja, facultativo, não é a solução..." por que é que há certas mídias católicas que ainda insistem em dizer que agora o celibato dos padres estará em risco? A resposta só pode ser uma, e isto deve provir do pensamento de muitos: "não importa o que o papa diga, ele é modernista e tudo o que ele disser sempre será ruim".

Parabéns ao Ocatequista por não ter dificuldade - e nem má vontade- de entender o significado - mais do que óbvio, é claro -, do que significa os dizeres de não haverá celibato facultativo.
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+1 # Carlos Filho 13-03-2017 19:39
Ah, o papa é sempre muito claro, é? Então por que não responde às dúbias?
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+1 # Heitor 14-03-2017 12:49
Devemos levar em consideração a seguinte premissa no campo da fé e da moral: não se supõe nenhuma novidade contrária à tradição se não foi dito expressamente. Em algum momento foi dito: "é lícito que os casais em segunda união comunguem"? Daí os sedevacantes vem dizer: "ele não disse, expressamente, mas quis dizer". Ora, agora os sedevacantes tem o poder de perscrutrar a consciência desde quando?
Uma outra regra básica que devemos usar na hermenêutica é que a interpretação deve seguir a linha anterior do locutor, ora, se o Santo Padre já disse, noutra oportunidade, que não é permitido a comunhão aos divorciados em segunda união por que interpretam sempre do pior jeito, pela comunhão aos divorciados? Por que é que não seguem a linha lógica de que não é possível a comunhão aos divorciados? A resposta é óbvia, na dúvida, os sedevacantes sempre usam a interpretação "in malam traditio"e nunca "in bonam traditio".
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+1 # Carlos Filho 14-03-2017 18:33
Companheiro, não sei em que mundo vc vive. Conferência Episcopal de Malta, Conferência Episcopal de Campânia na Itália, Conferência Episcopal da Alemanha JÁ aprovaram comunhão para quem é divorciado e está em nova união. Se o papa fosse contra já teria se pronunciado, aliás o papa está esperando um efeito dominó. Acorda!
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+1 # Heitor 14-03-2017 12:50
Por fim, quando o papa colocar no catecismo, ou numa encíclica, EXPRESSAMENTE, que é lícita a comunhão aos divorciados, aí podemos conversar, fora isso, tudo não passa de mero achismo.

Obs.: não estou dizendo que os 4 cardeais são sedevacantes, não, admiro-os, ocorre que eles estão propondo uma dúvida que não há necessidade alguma de ser resolvida, já que temos a resolução bimilenar da Santa Igreja sobre. Sedevacantes são aqueles que acham que só pelo fato de o papa não ter respondido, é porque ele consentiu na comunhão aos divorciados, ao contrário dos cardeais, que estão, agora interpretando na linha da continuidade da tradição. Mas, é claro, nada disso é entendido pelos "sedes" já que preferem ler os sites que espalham sempre notícias que um amigo de um amigo de um cardeal que tem acesso ao papa disse isso e aquilo.
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0 # Sidnei 14-03-2017 01:08
Eu vou dar minha opinião sobre este assunto, sabendo que vou levar chutes, socos e caneladas, mas mesmo assim, lá vai: Para mim se o Papa permitisse a ordenação de homens casados, não seria tão grave quanto ao suposto, digo suposto, pois ninguém esclarece ou esclareceu com todos os pingos nos is a liberação da comunhão aos casados em segunda união. A final de conta, liberou ou não liberou?.
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+1 # Heitor 14-03-2017 13:23
O cardeal patriarca, D. Manuel Clemente, defendeu hoje que a exortação apostólica "Amoris Laetitia (A Alegria do Amor) do Papa Francisco "Não tem novidade em relação ao que João Paulo II e Bento XVI nos dizem em relação à situação eclesial dos divorciados". (http://www.dn.pt/sociedade/interior/patriarca-diz-que-papa-nao-validou-comunhao-de-divorciados-5117149.html)
Liberou sim, está lá no cân. 10.000 do código de direito canônico da mente dos sedevacantes, mas se não estiver neste, está lá numa encíclica do papa Francisco, que é secreta, que só os sedevacantes têm acesso.
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0 # João Pedro Strabelli 13-03-2017 22:33
Por dois motivos: casamento inválido é casamento inválido, com ou sem papel; e quando a emenda é pior que o soneto, fica-se com o soneto. É meio exagerada a comparação, mas lembrei das pobres escravas brancas nos haréns dos sultões. Dependendo do que fizessem, seu bebê seria vendido a um mercador de escravos. Fazer o quê? Me parece, e aí é algo meu é ninguém é obrigado a aceitar, que usar uma bula papal para explicar isso seria parecido com usar um canhão para matar uma formiga.
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+1 # Carlos Filho 13-03-2017 23:10
Depois são os críticos quem tem que fazer malabarismo. Foi somente solicitado sim ou não a sua Santidade. Algumas poucas conferências episcopais já acham que é possível administrar comunhão a divorciados em novas uniões outros tantos prelados são contra. Então como fica? Não é o papa quem tem que dizer quem está certo?
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0 # Renato Losa 13-03-2017 22:21
Sejamos gentis e respeitosos quando nos referirmos a Sua Santidade
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+1 # Jarbas Domingos 13-03-2017 15:38
Parabéns, muito bom o texto! É a fé de sempre.
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+2 # Alexandre Medeiros 13-03-2017 13:31
Sem mais O Catequista, excelente texto. Prevejo radtrates e sedevacantes chorarem horrores.
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