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Quarta, 23 Novembro 2011 08:20

Ultimate Fighting no Séc. XI: Papa x Patriarcas

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OS PAPADOS PRIMITIVOS E A PRIMAZIA PAPAL

Ao que parece, um dos assuntos que mais fascina e ao mesmo tempo confunde a cabeça dos interessados na história dos primórdios da Igreja é a a questão dos patriarcados primitivos. Principalmente porque essa questão acaba remontando à questão da primazia papal, ou seja, sobre a definição de quem é o patriarca que possui, de fato, a suprema autoridade sobre as diversas Igrejas que compõem a Igreja Católica.

Na nossa série de posts sobre os papas, buscamos a princípio montar uma pequena biografia de cada um desses homens que, em algum momento, estiveram à frente da Igreja Romana. Na cabeça de 99,9% dos católicos, há a ideia de que o bispo de Roma sempre exerceu a sua autoridade máxima sobre a Igreja universal da mesma forma que exerce hoje. Não era bem assim. Em um mundo onde uma carta poderia demorar mais de um ano para chegar ao seu destino, a influência do sucessor de Pedro sobre as igrejas particulares mais distantes de Roma era muito restrita.

Entre os século IV e V, apesar de Pedro ser reconhecido reconhecido como o chefe universal da Igreja, na prática, a Igreja Católica era governada por cinco bispos, chamados de patriarcas. Então, diferente de hoje, em que o governo da Igreja é uma monarquia, naquela época havia uma pentarquia (do grego: penta – cinco, e arquia – governo ou governante). Eram cinco os patriarcados:

  • Roma;
  • Alexandria;
  • Constantinopla;
  • Antióquia e
  • Jerusalém.

Os patriarcados de Roma e Antióquia têm como fundador São Pedro; o de Alexandria, São Marcos; o de Jerusalém, São Tiago; o de Constantinopla, Santo André.

Agora, imagine que você faz parte de um contexto em que a maioria das pessoas o veem como uma aberração, pois era assim que os cristãos eram vistos pelos cidadãos comuns naquela época. Você precisa lutar para manter suas crenças vivas em meio ao caos geral de deuses malucos. Imagine o patriarca de Alexandria tendo que lidar com os seguidores de Set, Ptá, Ísis (que havia sido absorvida até pelo panteão romano) e Amon. O de Antióquia tendo que aturar os seguidores de Marduk e Zoroastro e outra loucura que o valha. Os ocidentais tendo que se virar contra o panteão e o mitraísmo que dividia a aprovação do povão com o cristianismo.

Pois é, nossa vida hoje é uma moleza! Além disso, os cânones ainda estavam sendo discutidos. Ninguém tava nem aí pra saber quem era o King on the top (ou seja, de quem era a primazia papal), estavam todos mais interessados em salvar o próprio pescoço e o das suas ovelhas, que eram as ovelhas de Cristo.

Nesse ínterim, em virtude da distância, da precariedade dos meios de comunicação e das diferenças culturais, os patriarcas viviam quase que isoladamente. Somente Roma tinha capacidade para intervir em outras comunidades, e mesmo assim não muito.

O GRANDE CISMA DO ORIENTE

Óbvio que a questão dos patriarcados e da pentarquia acabou por gerar no final a Grande Cisma que isolou Roma (católicos) dos patriarcas orientais (ortodoxos). Tudo ocorreu porque o poder subiu à cabeça dos patriarcas. Não vou nem livrar a cara do Papa de Roma disso. E faltou entendimento. Questões de fé, levadas ao campo político, terminam dessa forma.

A lista oficial do Vaticano que usamos para elaborar nossos post sobre a vida dos papas possui dois aspectos que não podem fugir ao nosso olhar: leva em conta a Tradição e é construída com base em fontes históricas. Mas, naqueles tempos, o mundo não levava muito em conta as opiniões do Santo Padre (o patriarca de Roma), não muito além da sua área de influência. A isso nós chamamos contexto; e nesse contexto a coisa andava muito feia.

É preciso salientar que o grande problema que pode nos impedir de enxergar claramente o significado do passado é tentarmos observá-lo pela nossa ótica moderna. Quando fazemos isso, tudo acaba enrolando. A questão do patriarcado é muito complexa e gera problemas e acaloradas discussões até os dias de hoje que envolvem toda a cristandade séria (católicos e ortodoxos).

Apesar dessa divisão ocorrida no século XI, os Patriarcas das Igrejas Católicas Ortodoxas reconhecem o Bispo de Roma como um legítimo Patriarca (ou seja, um sucessor dos Apóstolos), mas ainda não reconhecem a sua primazia, ou seja a sua autoridade suprema sobre a Igreja Universal. Por sua vez, o Papa reconhece a autoridade dos Patriarcas do Oriente, e se empenha-se continuamente para restabelecer a unidade com essas "Igrejas Irmãs", por meio do diálogo ecumênico.

patriarca_bento_xvi 

Espero ter ajudado a esclarecer e a despertar a curiosidade de vocês sobre esse assunto e, com um pouco mais de pretensão, fazê-los sair de sua zona de conforto quanto ao entendimento de nossa Igreja. É um tema muito bom de pesquisar. Nos comentários, se alguém se interessar, vou procurar esclarecer um pouco mais. A história dos patriarcados é muito rica e fascinante para o entendimento da religiosidade.

Fiquem em paz.

9400 Terça, 06 Junho 2017 20:00

Comentários   

0 # Vicente Pereira 15-03-2017 16:05
Eu tenho uma dúvida sobre o Cânon Bíblico. Pelo que sei os ortodoxos possuem mais livros no Antigo Testamento. Pq existe essa diferença se o Cânon Bíblico foi estabelecido por concílios realizados antes do Grande Cisma? Eles argumentam que esses livros também estavam na Septuaginta. Isso é verdade?
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0 # Daniel 15-03-2017 15:29
Existe outras divergências na doutrina. Apesar dos Ortodoxos aceitarem Maria como Santa e também sua virgindade perpétua, eles não consideram ela Imaculada( Concebida sem a mancha do pecado original). O Purgatório também não é uma verdade doutrinal para os Ortodoxos.
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0 # marina 10-04-2016 18:11
Tudo isso em nome do poder. Mal sabem eles que estão todos nas mãos do Senhor (O Eterno).
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+2 # julimar santos de jesus 16-07-2015 22:59
oi sou diacono ortodoxo casado e serei sacerdote muito em breve foi muito bom esse post muito esclarecedor vcs estao de parabens
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+1 # Jeislane 11-02-2015 17:30
Excelente!! Como vocês sabem de tudo isso?! Quando eu crescer vou ser igual a vocês :) \o/ O problema de sair da Zona de conforto é ter um caminho certo pra seguir, já que até mesmos pessoas católicas, muuuuuitas vezes, não são assim, fontes recomendadas para se informar à respeito da Igreja. Conheço uma galera aí que são confiáveis: Paulo Leitão, Daniel Silveira, Pe. Paulo Ricardo e OCatequista (que também tem um Paulo no meio rs). Mas mesmo que eu veja essa turma em ação, eu poderia varias vezes respostar, mas nunca dissertar. Se vocês mostrassem as plaquinhas (as fontes corretas de estudo) assim seria seguro sair do canto. Um xero. \o/
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+3 # A Catequista 11-02-2015 17:37
Oi, Jeislane! Sobre o tema específico deste post, recomendamos demais os dois primeiros tomos da coleção de história da Igreja do Daniel-Rops. Editora Quadrante. Um xero! :-)
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0 # Marta 27-10-2014 15:49
Por que os patriarcas usam vestes tão extravagantes (dourado com preto etc)?
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0 # A Catequista 27-10-2014 17:45
Marta, a cultura e a estética dos orientais é bastante diversa dos ocidentais. Tanto no modo de pensar quanto na arquitetura, nas vestes, na decoração dos templos, eles são mais... complexos, digamos assim. Os ocidentais, em geral, têm um jeito mais clean de ser.
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+1 # Tato Diego 19-08-2013 17:35
Prezado Paulo. Após os conflitos que estão ocorrendo no oriente principalmente na síria e Egito, resolvi estudar sobre esse cisma e as diferenças entre nós e os Ortodoxos. Me indicaram o Livro do Daniel Rops. O que você acha de historiador? Confiável? A paz contigo!
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+2 # Paulo Ricardo 19-08-2013 22:01
Muito, Henri, Daniel-Rops é, provavelmente, o melhor historiador cristão do século XX. Seus livros são caros e difíceis de achar, mas são fundamentais. Foi a principal influência de Thomas Woods Jr. Adquira o quanto antes.
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0 # Marcos Lima 15-03-2017 15:15
Bom dia.
De fato, Daniel Rops dá um cenário magnífico de como a Igreja de Cristo lutou durante os séculos para manter o cristianismo de pé. O primeiro livro " A Igreja dos Mártires e dos Apóstolos" é de uma leitura apaixonante. Está tudo lá desde do começo: eucarística, a devoção a Maria e etc. Os momentos mais difíceis da Igreja, sempre há um santo para voltar a verdadeira fé.
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+2 # Henrique Saint-Clair Alves de Oliveira 31-12-2012 12:25
Cadu, a Paz e Salve Maria Foi o que eu disse. A "Pentarquia" como forma de administração é totalmente lógica pelas dificuldades de comunicação e transporte. Um Bispo da Irlanda, na idade média por exemplo, poderia passar a vida inteira com apenas duas ou três notícias de Roma. Porém ele teria certeza que essas duas ou três eram "causa findada". Mas a "Pentarquia", no sentido de uma instituição hierárquica na Igreja nunca existiu! Agora, o que acontece é que o clero bizantino, reivindicou a sua primazia simplesmente por pertencerem à capital do império (Constantinopla - nova Roma) e usam como argumento que o primado do papa derivava do fato de Roma ser a capital do império. Só até hoje ainda não vi nenhuma fonte de algum papa reivindicando sua primazia em função da Cidade, mas sempre reivindicavam a primazia pelo fato de serem sucessores de S. Pedro na Sé Apostólica (Roma). A questão é que os "ortodoxos" sempre misturam teologia e política. Basta ver nos afrescos bizantinos as imagens de Cristo, da Virgem, S. Miguel arcanjo, e outros ao lado dos imperadores e imperatrizes... Acredito que o cesaropapismo em Constantinopla muito influenciou os patriarcas de lá a encherem-se de orgulho e passarem por cima da hierarquia instituída por Cristo em sua Igreja. Paz e Bem!
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+1 # Henrique Saint-Clair Alves de Oliveira 26-12-2012 19:18
Não conhecia esse site antes, e o conteúdo é excelente. Sobre a pentarquia, acredito que ela nunca existiu, no sentido de "hierarquia estabelecida". Dizer que questões mais práticas tomavam muito o tempo é uma coisa, mas sempre foi entendido que o Bispo de Roma tinha a última autoridade nas questões de fé. Prova disso foram, por exemplo, as intervenções de Clemente na Igreja de Corintos, A carta do Papa Cornélio aos Bispos Cipriano de Cartago e Fábio de Antioquia, os escritos de Irineu de Lião e Cipriano de Cartago....etc. Aliás, as próprias reivindicações de Constantinopla para obter a mesma primazia de Roma é prova de que o papa detinha maior autoridade. Os próprios santos (S. João Crisóstomo, p ex) e patriarcas orientais atestam. Vejam por exemplo: "Saiba vossa beatitude que eu não tenho nenhuma culpa no que foi decretado ultimamente no sínodo ecumênico de Calcedônia, em favor da sé de Constantinopla... mas foi o reverendíssimo clero da Igreja de Constantinopla que se empenhou nisso...; embora toda a força e confirmação desse ato seja reservada a vossa beatitude".(Patriarca Anatólio de Constantinopla ao Papa Leão, Ep 132) (sobre o assunto do cânon 28 de Calcedônia). Bom, pra mim nunca existiu, repito, hierarquicamente instituído, essa tal "pentarquia". O primado do Bispo de Roma deriva da sucessão apostólica de S. Pedro e não de outro motivo.
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+1 # Cadu Sindona 26-12-2012 22:26
Henrique, a paz! Bom irmão, devemos ter ciência primeiro do que é o primado pretino. O Primado é, como você bem colocou, a superioridade do Bispo de Roma sobre todo o Orbe da Igreja com poder direto, imediato e total, isto meu caro irmão é sem dúvida um fato histórico e não apenas um Dogma da nossa Fé. A pentarquia foi na verdade um """período de transição""" (muitas aspas nesse termo) para a o sistema tal qual hoje vivemos. Nenhum dos outros 4 patriarcas tinha dúvida da presidência de Roma à caridade, o próprio Santo Inácio de Antioquia já no início do século 2• já mostrava isso com toda a clareza, e ele era Patriarca de Antioquia já na época. O dilema meu caro eram os problemas para levar a Sã Doutrina a outros lugares além das dioceses dos Bispos. Pensemos assim: como seria possível naquela época de perseguição tamanha, uma ordem do Papa sair de Roma, caminhar até Jerusalém sem passar pela autoridade do grande Bispo (o Patriarca) daquele lugar? Não é atoa que as dioceses de todo o Orbe naquela época se ajuntaram aos Patriarcas próximos para saber quais eram as Verdades de Fé e como suportar a perseguição que o Império Romano estava fazendo. Agora, lembro que JAMAIS NENHUM PATRIARCA QUIS SE COLOCAR ACIMA DO DE ROMA ATÉ JOÃO IV DE CONSTANTINOPLA. Por exemplo: quando os arianos tentaram depor Santo Atanásio, o Patriarca de Alexandria pediu ao Papa Júlio que lhe fosse restituída a sua Sé, e o Papa fez como deveria. A pentarquia foi uma questão prática, não tinha a ver com primazia e logicamente nenhum deles se colocava acima da autoridade do Sucessor de Pedro pois eles mesmos sabiam que a palavra suprema, a palavra da cabeça visível da Igreja era e sempre foi e será a Santa Sé de São Pedro e São Paulo. Pax et ignis.
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+1 # claudinei ribeiro 04-06-2012 21:08
muito boom, sou catequista e essa página é uma bela fonte.
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0 # Samuel 20-02-2012 18:59
Paulo, primeiramente parabéns pelo site espetacular (além de toda a equipe). Segundo, gostaria de saber qual livro (ou site) você recomenda para entender esse assunto. Valeu.
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0 # Paulo Ricardo "O Historiador" 21-02-2012 10:04
Um bom site com vários temas inclusive esse é "O Presbítero" feito para sacerdotes. Os textos lá são muito interessantes, mas extremamente longos. Um livro interessante também para entender a formação da sociedade bizantina é "A Civilização Bizantina" de Ruciman, clássico, mas de fácil leitura. Em breve teremos um espaço bem interessante para debater sobre livros, não só de história mas de tudo que há de bom.
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0 # Paulo Ricardo "O Historiador" 24-11-2011 18:39
Ficou faltando um elemento: o povo da primeira aliança. Eu creio que antes do juízo haverá uma conversão em massa dos judeus, afinal, povo de Deus é povo de Deus. Nosso patriarca-mor Abrão não vai querer a rapaziada do Goulash de fora do banquete.
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0 # Cadu Sindona 24-11-2011 10:05
Na Sagrada Escritura Paulão, Jesus deixa claro q antes Dele voltar, suas ovelhas estarão reunidas, e só existirá um pastor. :) Eu creio q todas as denominações cristãs vão voltar sim a Igreja antes da vinda do Senhor. É preciso só um pouco de conversa e tempo. Logo logo os ortodoxos caem na real, e com eles os anglicanos tbm, logo virão os não-calcedônios e depois os luteranos e calvinistas. O problema real são as seitas pseudo-cristãs (mórmons, testemunhas, universalistas) esse povo aí nem ovelha é, portanto sobre eles não sei...
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0 # Paulo Ricardo "O Historiador" 24-11-2011 09:45
Algumas considerações: Quando colocados frente a frente aos nossos irmãos ortodoxos, ficamos fascinados. É como reencontrar um parente próximo do qual nos apartamos e o dito foi morar no Cambodja ou no Laos. Ficou distante e pouco sabemos dele, embora seja a nossa cara. São mais de 300 milhões de cristãos ortodoxos e o número sobe pra quase 400 milhões se contarmos os não-calcedônios. Os quatro patriarcados originais hoje são nove e são todos autocéfalos. O sonho dos constantinopolitanos se realizou às avessas, o patriarca de Constantinopla ainda hoje é considerado o principal líder espiritual, mas é um título apenas simbólico já que na prática as Igrejas ortodoxas são completamente independentes. Para Deus tudo é possível e talvez um dia para sua glória estejamos unidos novamente. Vai que até os protestantes caiam na real... Os ritos autônomos não são ortodoxos, embora sejam bem parecidos dizem mais respeito a questões culturais do que teológicas, estando de acordo com o catecismo católico. Nominalmente são bem parecidos. Tenho curiosidade de conhecê-los pessoalmente (sou conservador e tradicionalista, sou a favor da Missa Tridentina). A sucessão apostólica dos patriarcados primitivos segue a mesma lógica que a tradicional sucessão de Pedro no Ocidente. Ainda são considerados e respeitados no Oriente em virtude de sua histórica importância. É isso aí gente, vamos continuar estudando o assunto.
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0 # Dominus Vobiscum 23-11-2011 19:36
Parabéns pelo texto! Convido-os a lerem também: Os dois pulmões da Igreja http://domvob.wordpress.com/2010/12/24/os-dois-pulmoes-da-igreja-de-cristo/ Só para atualizá-los. Ano passado as Igrejas Ortodoxas que já reconheciam o Papa como o Patriarca de Roma, anunciaram que reconheciam a primado do Papa. Para eles a Igreja de Roma é a mais importante dentre todos os Patriarcados. (veja isso aqui http://catecumenato.wordpress.com/2007/11/28/igrejas-ortodoxas-reconhecem-primado-do-papa/) O que eles não reconhecem é a primazia do Papa como líder absoluto da Igreja. Explico: Para os ortodoxos, de todos os patriarcas, o Patriarca Romano teria o mesmo papel de Pedro entre os Apóstolos (Pedro era o líder). Mas isso não quer dizer que (na opinião deles) que Pedro poderia tomar todas as decisões sozinho. Mas só o fato de reconhecerem o primado já é um passo e tanto. Eu sou um dos que todos os dias reza pela reaproximação entre Apostólicos Romanos e Ortodoxos. Todas as notícias sobre esse assunto me interessam muito, pois tive boas experiências com os Ortodoxos da Romênia, quando estive em missão ecumênica por lá! Parabéns pelo Site! Pax Domini
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0 # Cadu Sindona 23-11-2011 18:32
Fico cada vez mais fascinado com a história da Igreja a partir de cada post Paulao! Acho q mais um Ultimate Figther foi entre o tal do Miguel e do enviado papal. Outra coisa q eu queria perguntar foi sobre os outros Patriarcados. Cada um deles hj tem uma denominaçao específica, e um credo específico não? Já os Católicos de Rito Oriental (lembro q a Igreja é formada por 23 Igrejas Sui Juris, a maior e mais comum é a de Rito Latino, q a gente frequenta no cotidiano, mas tdas as outras 22 estao em total comunhao com Roma e por isso são Igrejas Católicas de Rito Oriental) estes tbm tem seus patriarcas proprios mas tdos eles se submetem a autoridade de Pedro, na figura do Papa Bento XVI. Paulo os patriarcas católicos sao para nós os verdadeiros sucessores dos Apostolos fundadores, Sao Pedro, Sao Tiago, Santo André e São Marcos? Ou a Igreja o reconhece como verdadeiros sucessores os patriarcas das outras igrejas? Taí algo q eu acho bom dar uma pesquisada... ;)
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0 # Paulo Ricardo "O Historiador" 23-11-2011 18:17
Isso é correto, mas não se prenda a datas, a cisma começou com a fundação do patriarcado de Constantinopla. Outra coisa, procure entender, a teologia por sua própria natureza tem primazia hierárquica natural sobre os construtos intelectuais necessários para o entendimento da questão. Mas historicamente o processo por ela desencadeado é que precisa ser entendido. Não é uma mera questão hierárquica, mas de entendimento filosófico-científico. Os dados "secos" escondem um mundo fascinante que nos convida ao mergulho intelectual, a história de 1054 é apenas um desenlace lançado apenas como marco em livros didáticos bocós.
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0 # Cadu Sindona 23-11-2011 16:36
Certo Paulao!! Entendo, claro, afinal essa é a sua profissão. Eu citei talvez o maior de todos os problemas doutrinais entre a Igreja e os ortodoxos. Algo puramente teológico é verdade, mas fundamental para entender o Cisma não? Se não me engano, ele ocorreu de fato em 1054, no pontificado de São Leão IX, em q o Patriarca de Constantinopla Miguel I, excomungou o enviado do Papa para resolver um assunto, pois esse tal enviado excomungou ele (o que é um absurdo pq o unico q aplica a excomunhao de fato é o Papa). Esse enviado meteu a mao na cara do tal do Miguel, q tinha feito ñ me lembro oq, e o patriarca ficou p da vida e usou isso como pretexto para nao acatar mais Roma. É isso Paulao ou eu to errado hein? Me lembro de ter estudado isso. Me corrija por favor se estou falando baboseira.
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0 # Paulo Ricardo "O Historiador" 23-11-2011 13:32
Cadu, A questão aqui é HISTÓRICA, a teologia é apenas um aspecto. Meu cérebro não pensa em termo teológicos, está além de minhas capacidades, só cientificamente. Mas não se reduz filosoficamente um fato histórico de matizes tão delicadas à questão teológica, a teologia se sobrepõe no campo das idéias mas a filosofia que constrói o conceito ao qual ligamos a Cisma do Oriente tem como viga de sustentação uma série de outros fatores, muito legais de serem estudados.
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0 # Paulo Ricardo "O Historiador" 23-11-2011 13:22
Alguns motivos para o cisma (para posteriores estudos) - Cultural: modificações constantes do Mundo Latino, enquanto o Oriente aferroava-se com unhas e dentes à tradição greco-romana. Política: O Oriente SEMPRE FOI, E AINDA É, cesaropapista. Tudo que aqui falamos tem um porquê. Em posts anteriores, como eu disse, os patriarcas bizantinos NÃO SABIAM VIVER SEM UM SACO PARA PUXAR. Se tiver um ortodoxo lendo esse post, me desculpe, mas vossa Igreja, analisando seu deslocamento histórico, sempre foi assim. O que leva a um conflito temporal-espiritual relacionado à primazia: ao reconhecer alguém que até o momento é visto como igual, como superior, surge um vácuo mental para o ortodoxismo - babaremos o ovo de quem? Pra quem não acredita em mim vejam como o clero russo baba Putin e sua turma, chega a dar vergonha alheia. Teológico - a principal causa teológica do cisma diz respeito à natureza do Espírito Santo. Os Ortodoxos acreditam que o Espírito Santo vem do pai para o filho. Questões teológicas eu não tenho cacife para discutir, sou historiador, mas posso ainda assim indicar o caminho das pedras, mas mais com base em filosofia do que em teologia propriamente. Mariologia - Para os ortodoxos, Maria é "Theotokos", a que porta Deus em si, não é "Mater Dei" conforme diz o rito latino. Linguística - O ocidente falava latim e os vernáculos originavam-se do latim. O oriente falava grego. Vide item anterior sobre mariologia. Iconoclastia é a proibição de utilizar imagens em serviços religiosos. Isso é uma definição mais semântica e não estabelece um quadro real daquilo que realmente significa. As bases filosóficas da iconoclastia encontram-se em duas velhas heresias primitivas, o nestorianismo e o monofisismo. O termo permaneceu e hoje designa qualquer coisa que venha a quebrar a tradição estabelecida. O meio artístico adora o termo, mas sabe como é... artista não prima pela inteligência. Um dos projetos no campo da história de "O Catequista" vai tratar sobre heresias, ali vamos aprofundar um pouco mais o assunto. Além desse, adianto ainda que temos projetos envolvendo Vikings e um tal de Lutero. Vem coisa boa por aí. Mas voltando, existe sim, somente católicos acatam o princípio da primazia. Essa é a natureza da Igreja, uai, caso as outras reconhecessem a primazia, deixariam de existir de imediato.
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0 # Joálisson 24-12-2011 13:17
A história desse tal de Lutero eu quero ver! Vou lá pegar a pipoca. XD E sério, parabéns, post muito interessante. :)
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0 # Cadu Sindona 23-11-2011 12:04
Existem Henrique. Por exemplo, a cláusula filioque, que os ortodoxos não aceitam. A cláusula filioque (cláusula do Filho), é o fato de q o Espírito Santo procede tanto do Pai quanto do do Filho. No I Concílio de Niceia, não foi acertado isso, só depois no I de Constantinopla é q ele foi acertado. É amigo, segundo eles, uma passagem da Sagrada Escritura apontaria q o Espírito Santo só procede do Pai, mas a Igreja diz q não, que a interpretação é diferente da q eles apontam. Um caso classico de exegenese (interpretação) biblica q depois os protestantes regaçaram. No credo niceno-constantinopolitano (entendeu o nome ;), quem ambas as Igrejas aceitam) está escrito: "Creio no Espírito Santo,Senhor e fonte de vida,que procede do Pai e do Filho;" Para os ortodoxos esse "do Filho" (a clausula propriamente dita) está incorreto. Eles ao professarem o credo, não falam "do Filho". Para eles o Espírito Santo procede apenas do Pai pelo Filho, mas a Igreja entende q o Filho envia o Santo Espírito por só Ele, bem como o Pai, portanto pedir o Espírito Santo ao Pai ou ao Filho, é o mesmo. Não é preciso o Senhor pedir ao Pai q envie, entendeu? Mtooo complexo sem dúvida! Abraço!
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0 # Henrique Santos 23-11-2011 10:38
Caros catequistas, parabéns pelo site. Sobre este cisma, existem alguma divergência além da questão da primazia? O que seriam os iconoclastas? Abraços, Henrique Santos
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0 # Cadu Sindona 23-11-2011 10:11
Eu adoro essa questao dos patriarcados! Simplismente fascinante! Hoje é dia de São Clemente I, Papa, que foi um dos primeiros expoentes da unidade e da primazia de Roma (lembrar q Clemente foi o 4º Papa, 3º sucessor de São Pedro!) É muito legal Paulão esse toque que vc deu sobre os patriarcados... Pessoal vamos combinar cristandade nascendo, os Apóstolos viajando como loucos para Evangelizar, repressão, medo, tortura, é óbvio q só eles seriam incapazes de levar a Palavra de Deus a todas as naçoes, por isso eles (e as vezes até o proprio povo) elegeram os bispos, e confiaram a eles a autoridade apostólica. A Pentarquia queridos, existia pq ñ dava pra q um lugar ministrasse e cuidasse de tudo, porem desde São Pedro, q ficou e foi martirizado em Roma, havia sim uma autoridade maior vinda de Roma. Lembro aqui as palavras de Santo Irineu de Lyon, Bispo de Lyon do século III: "Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo." E também: "Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como Bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado." Por isso é q bueno ser catolico!!! Temos sempre esse carinho pelo Santo Padre desde sempre!! O diálogo ecumênico da Igreja com os nossos irmãos ortodoxos vai muuuiitto bem. Roma e Constantinopla, tem hj uma uniao de estudiosos, q estao conversando e aos poucos vamos dando mais e mais pasos para uma comunhao maior. Eu vi no twitter a uns 15 dias uma reportagem q falava q os ortodoxos ja reconheceram q Roma tinha a "Preponderância sobre todos os outros patriarcas" !!! =))) Mas aos animados vamo com calma, eles ainda nao vem a primazia com os msmos olhos q nós, e ainda nao veem ate onde essa preponderancia vai.
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0 # Marcio 23-11-2011 09:42
Vale resaltar também que em matéria de perseguição nossos irmãos ortodoxos estão muito mais expostos. Pois em sua maioria estão em países intolerantes e islâmicos. Como exemplo claro estão os coptas do Egito do Patriarcado de Alexandria. Por isso devemos rezar constantemente por esses irmãos que sofrem a ponto de derramar seu sangue por causa do nome de Cristo.
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