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Segunda, 02 Janeiro 2017 22:10

Santa Teresinha “adotou” um bandido

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É bom ver que cada vez mais cristãos estão alertas a respeito dos males das ideologias nefastas propagadas pela esquerda. Por outro lado, tem muita criatura iludida, que mal acaba de sair das garras de Marx, começa a idolatrar ícones da direita, engolindo o discurso deles como verdade absoluta, sem filtro nenhum. Os erros ideológicos da direita podem te conduzir ao Inferno tanto quanto as ideologias marxistas. É compreensível que nós, por justa conveniência, apoiemos representantes da chamada direita – afinal, com todos os seus grandes defeitos e problemas, são eles que causam menor dano aos valores cristãos. Mas cuidado pra não fazer dessa gente um novo Messias, e nem fazer da direita a sua nova religião! É triste ver cristãos de direita que acham que estão abafando ao defender ideias completamente avessas à moral católica e à Doutrina Social da Igreja, como a esterilização de mulheres pobres, o aborto em caso de estupro e a rejeição de qualquer projeto governamental de assistência social. Mas hoje, quero falar especialmente da ideia de que os presos não devem ter acesso direitos humanos. Sim, os militantes inescrupulosos de esquerda usam a pasta de Direitos Humanos para tratar criminoso como “vítima da sociedade” e favorecer a impunidade. Mas isso não anula a o fato de que o criminoso é também criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Não é bicho nem coisa – portanto, tem direitos humanos. SÃO VICENTE DE PAULO E IRMÃ DULCE vicente_paula_prisioneiros No século XVII, São Vicente de Paulo tocava com a sua caridade a todos os pobres que podia, inclusive aos criminosos condenados às galés. Além de pregar o Evangelho a esses homens, o santo aliviou um pouco as condições bárbaras em que eles viviam, conseguindo, por exemplo, que tivessem atendimento médico. Não duvido nada de que, se fosse hoje, haveria um coro de gente estúpida vociferando: “Tanto cidadão honesto passando necessidade, e esse padre fica passando a mão na cabeça de bandido. Atendimento médico pra que? Deixa esses lixos morrerem! Tá com pena, padre Vicente? Adota um bandido desses e leva pra casa!”. Ailás, foi essa mentalidade que levou à proibição das visitas da Beata Irmã Dulce ao presídio da Coréia, em Salvador-BA. Ela frequentemente levava conforto espiritual, alimentos e remédios aos presidiários. Quão distante do exemplo dos santos está que acha ótimo ver presos apinhados em celas superlotadas; quem se compraz ao saber que um preso foi torturado ou estuprado na cadeia; quem deseja que os detentos tenham a vida mais miserável possível. Tais sentimentos não provêm de Cristo, mas sim do maligno. Quer uma dica? Foca no Evangelho e na vida dos santos! foca_vicente O PRIMEIRO FILHO DA SANTA DE LISIEUX Por falar em adotar um bandido, é interessante saber que o primeiro filho espiritual de Santa Teresinha do Menino Jesus foi um bandido da pior qualidade: Henry Pranzini. Antes de entrar para o convento, quando tinha apenas 14 anos, Santa Teresinha sentiu arder dentro de si o desejo de arrancar esse terrível assassino das chamas do Inferno. A execução de Pranzini era iminente. Ele não demonstrava um pingo de remorso, mesmo após ser condenado à morte pelo brutal assassinato de duas mulheres e uma criança de 12 anos, em Paris. Por quase dois meses, Santa Teresinha rezou para que ele se arrependesse de seu crime e, assim, escapasse da condenação eterna. Mandou até mesmo celebrar uma missa nessa intenção. Foi com lágrimas nos olhos e o coração vibrante de alegria que Teresinha leu a boa notícia no jornal La Croix de 1º de setembro de 1887: antes da cabeça de Pranzini ser arrancada pela guilhotina, ele tomou das mãos de um padre um crucifixo, e beijou três vezes as chagas da imagem de Jesus. A santa teve a certeza de que esse era um sinal de que a sua oração havia sido atendida. E chamou ao infeliz criminoso de “meu primeiro filho”. A santa de Lisieux não pleiteava por uma pena mais branda, nem pregava que Pranzini era “vítima da sociedade”. Ela tinha somente a clara noção de que era urgente lutar pela salvação das almas – de todas elas. Mas depois de tudo o que fez, Pranzini terá sido premiado com o Paraíso? É possível; mas não sem antes penar no Purgatório, onde as almas são purificadas pelo sofrimento. Todos pagam pelo mal que praticaram e por todo o bem que deixaram de fazer; uns no fogo santo do Purgatório, outros no fogo eterno. O nosso dever, como cristãos, é orar e trabalhar pela nossa própria santificação, e levar a Boa Nova a todos. A TODOS! Isso inclui assassinos, traficantes e até ladrões, como São Dimas. É... Jesus também “adotou” um bandido. Tanta gente boa pra prestigiar, e Ele foi logo dar moral pra um meliante? Isso só pode indicar uma coisa: tem algo muito errado com essa gente que vai à missa todo o domingo, mas não reconhece os criminosos como filhos de Deus, e quer mais que todos eles vão queimar no Inferno.

*****

Pode existir uma prisão sem carcereiros? Sim! A APAC é um exemplo de que, com Cristo, os detentos podem mudar. Quer conhecer essa obra de evangelização? Venha conferir a exposição "Do amor ninguém foge", que acontecerá entre os dias 27 a 29/01, no Rio de Janeiro (Colégio Zaccaria, Rua do Catete, 113). No dia 28/01, haverá também uma mesa-redonda com personalidades importantes, entre elas o ex-secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. A exposição é parte das atividades do Rio Encontros. apac

495 Terça, 07 Fevereiro 2017 16:50

Comentários   

0 # Bruno Leal 02-03-2017 01:31
JB
Muito obrigado por esclarecer um pouco este tema em relação a direita que foi tão criticada. E penso também que o catequista deveria no minimo o agradecer por compartilhar este conteúdo conosco e sua humildade.
Paz e bem!
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0 # Carlos 18-01-2017 15:12
O problema que ninguém quer admitir é que a ideologia antiesquerda se tornou tão radical e doentia quanto o próprio esquerdismo. O radicalismo doente aliado ao oportunismo, egoísmo e individualismo de alguns fez a volta e se igualou ao que critica! O que o papa fala é algo que seria tranquilo se não fosse isso. A esquerda faz denúncias e faz discursos belos contra injustiças e a favor dos necessitados e excluidos. Entretanto, contudo, porém, tira conclusões e traz soluções hediondas, falaciosas e tão erradas e mesquinhas quanto o que denuncia. Simples assim. Tudo fundamentado e focado no humano, já começa e termina ainda mais errado....
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0 # Carla 05-01-2017 22:34
Paz e bem, infelizmente e por nossas misérias temos pensamentos errados. Precisamos ser chacoalhados. Obrigado Quando puder gostaria que falassem sobre Santa Brígida.
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0 # Edson Pereira 05-01-2017 09:12
Chamar o Trump de "esquerdista moderado" é pura ignorância. Ou seria má-fé? Esse é o tipo de gente que lê o blog?
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0 # JB 05-01-2017 15:15
Você deveria saber que argumentos ad hominem são sempre os mais fracos em qualquer discussão. Trump é protestante, divorciado e defende o aborto em alguns casos. Também não acho que ele seja a favor da censura à pornografia, sem falar em outras questões caras à autêntica direita como a relação Estado-Igreja e o casamento entre um homem e uma mulher. Isso é suficiente para exclui-lo de qualquer definição aceitável de direita. Mas rezo para estar equivocado e que Trump seja na verdade um discípulo de Maistre, Rivarol e Donoso Cortes. Caso você tenha de fato alguns argumentos válidos, além de insultos, ficarei feliz em ouvi-los.
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0 # Leniéverson 12-01-2017 22:22
JB, meu caro, nos Estados Unidos, quem é esquerda é o Partido Democratas, que na gestão Obama foi o que mais perseguiu o cristianismo. Quanto ao Trump, temos aqui uma mera repetição de bobagens, ou melhor, pataquadas que sai sobre ele na imprensa. Aliás, eu tenho dito no meu facebook, e a Viviane está de prova, que a cobertura das eleições americanas pela imprensa foi a coisa mais grotesca do mundo. Uma baixaria, assassinato de reputação, dossiês falsos, dentre outras tosqueiras.
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0 # Leniéverson 12-01-2017 22:24
Aliás, os Democratas foram escravagistas, inclusive fundaram o KKK, aquele grupo racista. E quem aboliu a escravatura nos Estados Unidos, em 1863, foi o Republicano Abraham Lincoln.
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0 # Andramelek 05-01-2017 08:37
Ajudar os outros é um grande risco. Já vi vários casos no Brasil Urgente ou Cidade Alerta sobre pessoas que ajudam outras e que foram traídas. Pessoas que não prestam não merecem ser ajudadas, como muitos presos. Concordo com um dos posts anteriores.
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0 # Julio Cesar Dias Chaves 04-01-2017 11:18
Muito bom esse post, Catequistas. Muito obrigado por abordarem uma questão tão importante e atual - e que tem levado muita gente ao erro - de maneira tão clara e direta.
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0 # paula 03-01-2017 20:34
Me assustei com as citações sobre direita e esquerda! Quem tem políticas públicas para os pobres é a esquerda, quem luta por justiça social é a esquerda...Se vc pesquisar verá quem a direita favorece e te asseguro que não são os pobres, muito pelo contrário. Acredito que a Igreja tem que preocupar- se em evangelizar e orientar seus filhos, para que sua conduta seja de acordo com a lei de Deus e no que acreditamos. Nossos princípios não devem prevalecer os dos demais brasileiros...acredito que não somos melhores que ninguém para impor nossas crenças. Quem tem que seguí-las somos nós católicos. Em relação à Santa Teresinha, ela nos mostra mais uma vez a face de um Deus misericordioso que de repente pode dar ao céu a uma pessoa de "esquerda" em vez de o dar a um católico hipócrita, o que tem de monte em nossa Igreja.
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0 # Leniéverson 12-01-2017 22:35
"Me assustei com as citações sobre direita e esquerda! Quem tem políticas públicas para os pobres é a esquerda, quem luta por justiça social é a esquerda…Se vc pesquisar verá quem a direita favorece e te asseguro que não são os pobres, muito pelo contrário". Eu confesso que fico muito preocupado com esse tipo de argumento, que inclusive ao meu ver é extremamente perigoso. A Paula, assim como outros, tem uma visão odiosa da direita e foi doutrinada que a esquerda detém o monopólio da defesa dos pobres. Esse discurso ajuda na manutenção de ditaduras cruentas e censoriais de esquerda. Vai desde Stálin, passando por Fidel Castro, rumando para a Coreia do Norte e culminando no Chavismo. E aí, eu perguntaria: E quem disse, que a direita não se preocupa com o social? Já viu uma coisa chamada geração de empregos? Quem cria isso é o capitalismo, não o socalismo. Quem gera riquezas, é o capitalismo, não o socialismo. Onde há socialismo, leia-se, esquerdismo, há fome, miséria e demagogia.
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0 # JB 04-01-2017 15:02
Paula, Observe que aquilo que você chama de "direita" é na verdade uma parte da esquerda. Não há no Brasil nenhum partido político que seja verdadeiramente de direita. Pode até haver um ou outro raro político de direita. Mas todos os partidos, inclusive o PSDB e DEM, partem de pressupostos esquerdistas. Nenhum aceita que a moral cristã deva nortear as políticas públicas. Todos são a favor do divórcio. Todos são a favor do aborto. Todos são contra a família tradicional. É por isso que acho que sempre que se fala em direita e esquerda é necessário precisar bem os conceitos. Já quanto às políticas públicas para os pobres, embora possamos eventualmente concordar pontualmente, é preciso entender que elas fazem parte de um projeto de poder que visa a transformação do Brasil numa sociedade igualitária e socialista onde Deus está ausente. Eu não me atrevo a dizer como Deus julgará uns e outros. Mas de que vale ganhar o mundo, isto é, viver materialmente bem, se perdemos nossas almas?
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0 # Everton Caiçara PB 03-01-2017 18:20
Boa tarde, pessoal! Eu trabalho como agente penitenciário e falo da minha pequena experiência na cadeia em que presto serviço... Não é nada fácil, contudo o que mais me revolta é ver certos integrantes da pastoral carcerária acharem que os presos são pobres coitados que não merecem as penas estabelecidas pela justiça. Não vou mentir, já houve momentos de vir um sentimento de regozijo pela morte de um criminoso... Sei que não é certo, mas peço a Deus para não cair nessa armadilha do diabo.
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0 # Juliano A.R.P 04-01-2017 08:35
Verdade Everton, ainda existe certo esquerdismo em alguns movimentos da Pastoral Carcerária, mas graças a Deus, aqueles que tem boa Coordenação na Arquidiocese conseguem fazer um trabalho diferente. Aqui na minha Diocese, os Coordenadores são da RCC (graças a Deus), e por isso temos uma visão diferente. Não ficamos "metendo" em muitas coisas, temos muita amizade com os agentes e os tratamos muito bem pois sabemos da importância do vosso trabalho, inclusive, rezamos sempre por vocês e até já houve um tempo em que se faziam orações com os agentes. Levamos para dentro da cadeia uma palavra de esperança e de verdade, pois aqueles que estão presos precisam se arrepender. A misericórdia, exige a miséria, assim como aquele bom ladrão ao lado de Jesus, que reconheceu seu pecado e clamou misericórdia, por este motivo, não nos envolvemos em ações políticas de "desencarceramento" ou de legalização das drogas como pretendem algumas pessoas da Pastoral, pois é sabido que estas mudanças não vão diminuir a criminalidade. Deus o abençoe pelo seu trabalho e Maria santíssima te proteja meu irmão. Você também estará em minhas orações a partir de agora!!!
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0 # Everton Caiçara PB 04-01-2017 13:44
Muitíssimo obrigado pelas orações, caríssimo irmão, Juliano A.R.P! Só queria complementar com algumas coisas: 1- A Pastoral da minha cidade (Caiçara) aqui na Paraíba bebe em grandes goles do esquerdismo; 2- Não há uma abordagem com os presos sobre os Novíssimos, só há a abordagem "social" com eles, como se fossem somente vítimas (eles também são autores deliberados de suas próprias histórias!); 3- Como agente penitenciário, acredito que a maioria dos crimes no final de tudo é uma escolha prazerosa de muitos bandidos, é o que observo até nos pequenos casos de onde trabalho; 4- Acredito piamente na pena de morte para quem faz do crime profissão e prazer quase sexual, vamos dizer assim; 5- Por fim, um questionamento: Os textos bíblicos referentes aos encarcerados, apontam somente para os que foram presos por causa da Fé em Nosso Senhor? Ou incluem os malfeitores contumazes? Irmãos do blog, rezem sempre por nós, agentes penitenciários, por que nessa área só o Espírito Santo para nos iluminar e conduzir!
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0 # Juliano A.R.P 04-01-2017 16:30
Verdade Everton. Nós temos falado muito sobre os novíssimos ultimamente a eles, e principalmente temos catequizado os mesmos a partir dos dogmas da Igreja (falamos sim sobre céu, purgatório e inferno). Temos feito muitas orações de Cura e Libertação e até o terço. Fazemos de tudo para que os mesmos se arrependam de coração e entendam que o fato de estar preso, é uma forma de purgar o erro cometido contra os próprios irmãos, ao mesmo tempo, fazemos eles cantarem e sorrirem para ter alguma esperança. Muitos pensam até em vingança, temos trabalhado duro nessa área. Deus o acompanhe nesta batalha irmão!
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0 # A Catequista 04-01-2017 15:03
Everton, em toda a história de caridade católica, os papas e santos mostraram, com suas ações, que interpretam o mandamento "visitar os presos" sem distinção de pessoas. Visitam bons e maus.
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0 # A Catequista 03-01-2017 18:26
Oi, Everton! Muitas pessoas da Igreja são idiotas úteis da esquerda, infelizmente. Então, acabam aderindo a essa mentalidade de que os presos são sempre coitadinhos, vítimas da sociedade. Isso não só não ajuda os presos, como os incentiva a prosseguir no caminho do crime.
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0 # Mauro 03-01-2017 17:15
Antes de tudo, gostaria de parabenizá-los pelo ótimo trabalho de evangelização que fazem. Sei que não tem a ver com o assunto em questão, mas gostaria que explicassem o que foram o beneplácito e o padroado. Um grande abraço e Deus abençoe!
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0 # Julio Bacelar 03-01-2017 12:07
Muito belo e pertinente o post. Me tocou muito. Ainda mais em tempos de crise social e moral como os nossos, em que representantes políticos surgem aos montes envolvidos em escândalos, praticamente implorando para que nasça da sociedade um sentimento de revolta e de "o pior aconteça para eles". Mas como ficou claro no ano passado para nós católicos, Deus nos chama a uma constante CONDUTA de misericórdia. Porém, ainda acredito que essa caridade pastoral concreta seja um chamado, um ministério. Assim como a Viviane falou, nem todo mundo sabe lidar com esse tipo de serviço. Não que isso deva ser usado como uma desculpa para não praticar nunca na vida, mas na Igreja existe diversos movimentos e pastorais. Nem todos são chamados a ser Vicentinos ou membros da Pastoral Carcerária.
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0 # Juliano A.R.P 03-01-2017 11:51
Belíssimo artigo pessoal. Vocês como sempre, surpreendendo cada vez mais!! Sou missionário da Pastoral Carcerária Arquidiocesana de Curitiba (CATÓLICA) e amo este trabalho. Por ora, estamos atendendo apenas os menores de 18 anos semanalmente, mas também algumas vezes participo das visitas na Colônia Penal Agrícola. Estes rapazes são filhos de Deus e merecem a chance de ter o encontro com a Palavra e se arrependerem. Tive um primo meu que foi detento por 4 anos devido ao tráfico e foi evangelizado na cadeia por missionários batistas. A única coisa que me deixa triste, é ver os protestantes tão engajados neste trabalho e a pouca participação dos Católicos. Sempre levamos uma palavra de evangelização aos mesmos e também de esperança aos jovens. Muitos demonstram sua emoção e sempre fomos tratados muito bem nas visitas. Com respeito ao último comentário, gostaria de parabenizar a Vivi, tendo em vista que muitos pensam ser fácil fazer a visita. Aqui na Arquidiocese, todos passam por uma entrevista e formação com a Coordenadora para depois irem à campo. Deve-se tomar muito cuidado mesmo com a coação. Muitas vezes temos de deixar escapulários e terços na entrada para poder ingressar nas alas, quando evangelizamos, pois sabe-se que há coação mesmo!Deus os abençoe
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0 # A Catequista 03-01-2017 12:17
Obrigada pelo seu testemunho!
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0 # A Catequista 03-01-2017 11:18
ATENÇÃO, UM ALERTA IMPORTANTE: Jamais inicie um trabalho pastoral junto aos detentos de forma ingênua e despreparada. Visitar presos é muito diferente de visitar um asilo de idosos. Não seja tolo! Mesmo estando atrás das grades, o detento continua tendo poder de te coagir, especialmente por meio de chantagem e ameaças à sua família (afinal, ele pode ter companheiros de crime que estão soltos). Então, se não sabe lidar com isso, nem comece! Recebemos esse testemunho em nossa fanpage: "No papel é muito bonito ir lá, falar de Deus. 'adotar um bandido', que aliás, nós temos aqui muitos vários bandidos adotados, todas semanas levamos, comida, produtos de higiene, roupas, sandálias... mas, quando falhamos um por uma vez, já somos ameaçados e coagidos."
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0 # Alex Hoffmann 03-01-2017 13:52
Cada um com seus dons e Deus os dispensa ao seu povo em sua total necessidade. Uns sabem cozinhar, outros catequese, outros o sacerdócio, outros limpar igreja, outros a oratória, outros trabalhar com preso. Um santo na cozinha: desastre total. Um ou uma cozinheira na frente de 50 pessoas: morre de vergonha. Um ótimo catequista limpando uma igreja: desastre. Mas todos podem sim em sua pequenez rezar uns pelos outros e por aqueles que mais precisam.
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0 # JB 03-01-2017 15:17
Na cozinha? São Benedito!
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0 # Alex Hoffmann 04-01-2017 20:08
Ora pro nobis.
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0 # WEsley 03-01-2017 10:30
Quão distante do exemplo dos santos está que acha ótimo ver presos apinhados em elas (CELAS, TÁ FALTANDO O C) superlotadas; quem se compraz ao saber que um preso foi torturado ou estuprado na cela; quem deseja que os detentos tenham a vida mais miserável possível. Tais sentimentos não provêm de Cristo, mas sim do maligno.
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0 # A Catequista 03-01-2017 10:38
Obrigada, já corrigi.
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0 # Gabriel Godoi 03-01-2017 09:41
Muito bem explicado! Falta compaixão às pessoas! É claro que criminosos devem pagar por seus crimes, mas daí a pensar neles como um subtipo de humano, algo que deve ser jogado numa cela e deixado lá como se fosse um animal como vocês muito bem disseram contraria a fé católica. Parabéns por jogar luz na cabeça desse povo mais uma vez!
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0 # JB 03-01-2017 09:10
Vocês deveriam primeiro tentar definir o que é "direita" antes de fazer conjecturas que levam os incautos a achar que ser católico é ser de centro, o que é um grave erro. Alguém que é avesso à moral católica não pode ser considerado de direita pois a própria definição de direita, em seu sentido original, inclui a obediência à doutrina católica. A coisa hoje está tão para a esquerda que até um esquerdista moderado, como o Trump, passa a ser chamado de direitista.
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0 # geraldo 05-01-2017 14:58
Olá JB. É um fato que a definição de "Direita" no Brasil realmente se baseia muito mais em caricaturas risíveis do que numa caracterização técnica que parta das ideias e propostas por ela defendidas. Nisso concordo com você. E com certeza, seria uma prudente precaução do site (o catequista)tentar estabelecer - o quanto seja possível nesse caos que se tornou a arena política - antes de tudo, o significado de termos como direita, esquerda, progressismo, liberalismo, conservadorismo...Como aliás já o fez - com muita pertinência, em relação aos termos capitalismo e socialismo. Agora, quando você diz que "a própria definição de direita, em seu sentido original, inclui a obediência à doutrina católica", isso precisa ser provado. A não ser que eu esteja equivocado, não vejo o menor fundamento nessa afirmação: 1) E a enorme quantidade de protestantes que se auto definem ou são definidos como de direita. Como vão eles "obedecer à doutrina católica"? 2) E os ateus e agnósticos e membros de outras religiões, que pertencem à direita? Irão eles também obedecer à nossa doutrina? A doutrina católica , especialmente a nossa doutrina social, desde Leão XIII até o Papa Francisco, faz veementes condenações ao socialismo, mesmo moderado. Mas ela também rejeita peremptoriamente várias teses abraçadas pela Direita Política, pelo Liberalismo Econômico e aponta todas as contradições e crimes do capitalismo como sistema. Jamais preconiza a destruição do capitalismo, pois isso seria o mesmo que pretender destruir a economia como tal. O próprio comunismo jamais fez isso em seus próprios domínios (apesar de pregar isso), muito pelo contrário: favoreceu um capitalismo monopolista e elitista, compadre do estado (o que também foi feito no Brasil, nos últimos 13 anos). Mas a igreja também não cai na conversa de um capitalismo moralmente asséptico, que não tenha contas a prestar eticamente falando, assim como não cai na conversa de uma ciência neutra. Não é apenas o erro pessoal daquele que rouba, ilude e explora dentro do capitalismo, que a igreja condena. Como faz com o socialismo, a igreja também vai ao âmago do sistema capitalista identificando seus pecados estruturais e culturais, pois sendo criação humana, evidentemente ele vai refletir os pecados humanos, o pecado mancomunado, a conveniência dos homens em se proteger mutuamente no pecado, em justifica-lo e até defendê-lo. Este comentário ficaria ainda mais longo se eu fosse citar todas as passagens da nossa doutrina que sustentam o que acabei de dizer. Apenas remeto a um papa pré-conciliar (para que ninguém diga que isso foi inovação do pós-concílio): o Papa Pio XI. Em sua Quadragésimo Anno (abaixo) é impossível não encontrar uma quantidade significativa de condenações e críticas à teses e raciocínios abraçados pelo liberalismo e por vários pensadores de direita. http://w2.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html Para resumir e facilitar a conversa, deixo aqui um excelente comentário do Padre Paulo Ricardo, que sintetiza com precisão a posição da igreja que não se identifica nem com a esquerda, nem com a direita e muito menos com qualquer isentismo centrista ou moderado. https://www.youtube.com/watch?v=xQFyp6rOHp8 "Meu reino não é deste mundo", disse o Senhor. Jesus é muito diferente e supera as nossas querelas domésticas, convidando os seres humanos a se encontrarem num novo terreno que nada tem a ver com seus gostos até então cultivados. Embora não jogue fora nada daquilo que de verdadeiro e bom possa ter havido no caminho humano, antes da sua chegada, só que tudo é purificado, elevado e ganha um novo sentido e uma nova finalidade: "TUDO É VOSSO! E VÓS SOIS DE CRISTO!" Imagine se apenas essa frase paulina se tornasse critério (até suas últimas consequências) da ação política de socialistas e capitalistas... Padre Paulo Ricardo deixa muito claro (no link acima indicado) a natureza da novidade de Cristo, radicalmente diferente de qualquer sistema humano, de qualquer ismo por nós inventado. OBS: sugiro uma pesquisa básica (na internet mesmo) acerca dos membros de partidos de direitas pelo mundo afora, para ver quais deles apoiam o aborto, a redefinição vertical do conceito de família,o genderismo, etc. Embora a esquerda abrace isso com mais voracidade, não será difícil encontrar partidários de direita que também apoiam tais coisas. Cito apenas o famoso Theodore Dalrymple, que, nesta fala abaixo, apesar de fazer críticas ao aborto, essencialmente não o condena totalmente como faz a igreja: https://www.youtube.com/watch?v=QnSGB6dcz4I E ninguém nega que Dalrymple é uma referência gigante para muitos que se afirmam de direita no mundo e no Brasil. ____________________________ Mas isso acabou me desviando do assunto do POST e é sobre ele que queria comentar, elogiando e parabenizando muito o site. Lembro ainda do exemplo de São João Bosco e seu trabalho humanizador dentro das prisões. Isso começou com a igreja, começou com Jesus : "ESTIVE PRESO E FOSTES ME VISITAR" (Mateus 25, 36). Portanto, nas bases da civilização ocidental (que muitos da direita afirmam defender) está uma nova forma de se relacionar com os criminosos. Até porque os primeiros cristãos eram tidos como fora da lei e como graves criminosos sendo punidos com todo o rigor legal da época, incluindo a pena de morte. O exemplo citado no post (da APAC) deixa muito claro a novidade de Jesus que veio para os doentes já que os sãos (ou os que se acham sãos) não precisam de médico, como ele mesmo disse. É fato que o esquerdismo avançou com sede em cima do banditismo (a teoria do lumpen proletariado) como potencial força revolucionária e isso pede nosso alerta e vigilância crítica em relação à muitas propostas de reforma penal, que não visam (embora aleguem que sim) a recuperação do preso, mas o acirramento da conflitividade social, para que depois tenham pretexto para dizer que os sistemas ideológicos por ele defendidos, são a solução (para um problema que ele mesmo criou ou pelo menos acirrou). Mas antes que o esquerdismo colocasse suas garras em cima desse campo (com más intenções) , nós cristãos já tínhamos antiquíssima tradição de proximidade junto aos presos, para minimizar a dureza de suas condições (sem reivindicar quaisquer mordomias que olvidem o fato de que estão sendo justamente punidos) e sobretudo para leva-los a Cristo. Basta nos lembrarmos da atitude da mãe de Santa Maria Goretti, que visitava e evangelizava na prisão, o estuprador da sua própria filha. A história da igreja está repleta de testemunhos desse tipo. Não se trata de passar a mão na cabeça e negar a efetiva existência do crime com a necessidade de sua punição na forma da lei. Mas trata-se de não deixar cair no vazio um fato real: Cristo existe e liberta a pessoa humana. Ele é o salvador e age! Sua misericórdia é um fato concreto que transforma vidas. E ele faz isso através de nós, o seu corpo. Não é receita mágica, não está garantido que todos irão corresponder ao nosso empenho. E para um trabalho pastoral e humanitário mais de perto junto aos presos, nem todos são qualificados. Exige-se um extraordinário equilíbrio humano entre o necessário e justo rigor e a confiança na liberdade humana de aderir ao bem, a capacidade de se comunicar com o melhor do coração humano e nem todos temos essa qualidade que é um carisma educativo por excelência. Mas se a igreja não se aproximar desse público, estará traindo um mandato explícito do Senhor. O testemunho do jovem assassino, ladrão e presidiário Jacques Fesch, nos mostra claramente quem é Jesus e para que Ele veio e está entre nós, aqui e agora: http://noticias.cancaonova.com/mundo/jovem-assassino-frances-convertido-caminha-rumo-a-beatificacao/ Não é receita mágica, não está garantido que todos irão corresponder ao nosso empenho. http://noticias.cancaonova.com/mundo/jovem-assassino-frances-convertido-caminha-rumo-a-beatificacao/
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0 # JB 05-01-2017 19:08
Agradeço sua postagem pois me dá oportunidade de esclarecer um assunto que infelizmente é muito confuso entre quase todos. Você, assim como a maioria, usa inadvertidamente um conceito de direita que acaba por condenar ao silêncio a autêntica direita. É um discurso que já faz dos católicos os perdedores. Repare que em minha postagem fiz que questão de incluir "direita em seu sentido original". Ora, qual é o sentido original da direita? Para isso, é preciso relembrar a Revolução Francesa. Os defensores da Igreja e da Coroa sentavam-se à direita na assembleia nacional. Jacobinos, maçons e burgueses sentavam-se à esquerda. Se lermos os grandes doutrinadores da direita no séc. XIX (Maistre, Donoso Cortes, Bonald), veremos a profunda identidade que há, por necessidade, entre a direita política e o Catolicismo. Isso não é apenas relíquia do passado pois tal identidade permanece viva no pensamento de autores contemporâneos como Corção, Plínio Corrêa de Oliveira e DeMattei. Não é por acaso que quem tem uma formação católica tradicional vê com desconfiança tanto o socialismo quanto o liberalismo. Aquilo que hoje convencionalmente se chama de direita, um Trump por exemplo, é, na melhor das hipóteses, a direita da esquerda. Um ateu, um protestante, por mais que se considerem de direita, nunca o serão genuinamente porque a verdadeira distinção entre direita-esquerda não está no papel do Estado na sociedade. A verdadeira distinção direita-esquerda está no papel da Igreja na sociedade. Para condenar a direita, a direita verdadeira, a católica, ao ostracismo, para bani-la do debate de ideais, arranjou-se um substituto para ela e inventou-se, no século XX, que o liberalismo é de direita. Pior ainda, passou-se a dizer que o nazi-fascismo era de extrema-direita, camuflando assim as raízes jacobinas e revolucionárias desse movimento, como se houvesse alguma coisa em comum entre Rivarol e Hitler. Concordo com todas as críticas que a Igreja faz ao capitalismo. O capitalismo liberal do século XIX foi claramente revolucionário e de esquerda. Para que o capitalismo liberal triunfasse foi preciso destruir as sociedades tradicionais e seus valores. Entendo quando o Pe. Paulo Ricardo e você dizem que a Igreja não é direita nem de esquerda. Vocês, muito compreensivelmente, querem evitar vincular o Catolicismo aos Trumps da política. É prudente. Eu também não quero. Mas isso é cometer um erro estratégico gravíssimo que acaba tornando dificílima a atuação dos leigos católicos na política ao negar-lhes um espaço no espectro político. Não somos de direita, nem de esquerda e nem de centro. Logo, não temos voz própria na política. Andamos sempre a reboque dos outros. Muito mais efetivo é reclamar em alto e bom som nosso lugar no debate político assumindo o papel da verdadeira direita, herdeiros de Cathelineau e dos mártires da Vendéia. Os outros são a esquerda em seus mil tons de vermelho sangue.
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0 # Geraldo 05-01-2017 23:53
Bom, meu caro irmão. Se partirmos da definição que você acabou de dar da direita política, é forçoso admitir que uma quantidade enorme de pessoas, que se declaram ou são apontadas como sendo partidárias da direita, fica automaticamente fora dessa pertença. Mas o seu raciocínio que – pelo menos segundo o que consegui perceber - situa a autêntica posição católica antes da revolução francesa e, portanto, como uma posição a um só tempo antiliberal e antissocialista, é perfeito e corresponde exatamente à doutrina social da igreja. Não podemos negar, contudo, que a maior parte das forças políticas que atualmente se apresentam como sendo de direita, assume efetivamente o conteúdo do discurso liberal como sendo algo próprio. Isso está até nos termos que algumas delas usam: ”liberal conservative”. Em face desse fato bruto, concreto, quase onipresente no cenário político, reivindicar um sentido original, histórico, da palavra direita – como você faz – pode até ser algo teoricamente defensável e resistente às exigências do rigor conceitual. Só não me parece ser algo produtivo e criador de maior luz em meio à confusão reinante. Se houve originalmente, historicamente, pessoas e grupos cuja posição política (por eles ou por outrem denominada de direita) coincidia com a posição da igreja, o mesmo não se pode dizer da posição da igreja em relação a eles. Portanto, não somos o Pe.Paulo Ricardo e eu, que afirmamos que a igreja não é direita, nem de esquerda e nem de centro (e tampouco ela é isenta e em cima do muro) . É a própria igreja que assim se posiciona. Em todo o nosso catecismo (seja o tridentino, o de São Pio X ou o atual), em todas as encíclicas e documentos da nossa Doutrina Social, não veremos uma linha sequer onde a igreja assuma uma posição partidária no espectro político, como sendo a sua posição própria. Já a posição de total independência como instância crítica e profética diante de todas as posições partidárias (que o Pe.Paulo tão bem elucidou) transborda de todos os documentos sociais da igreja e do catecismo. Salta aos olhos. Seu comentário tem, contudo, o grande mérito de propor que nós católicos assumamos e defendamos o direito de ter a nossa voz própria no debate e na ação política. Só que essa voz, não se identifica com nenhum termo político-partidário (direita, esquerda ou centro) ainda que, eventualmente, um católico com vocação política possa assumir essa mediação limitada e estreita que é um partido político. Até porque legalmente não dá para escapar disso. Repito: que bons católicos, como o grande Gustavo Corção, tenham, numa posição partidária definida como de direita, coincidido com a posição católica, não significa que a recíproca seja verdadeira. Não significa que a igreja tenha, oficialmente, doutrinalmente, assumido essa posição de direita como sendo a sua cor partidária. E é do polo igreja, que devemos partir. Todo o sentido da Doutrina Social Católica aponta muito mais para uma posição suprapartidária que partidária, embora ela reconheça que há que se assumir o limite e a contingência de uma, muitas vezes inevitável, mediação partidária. Com a qual, contudo, ela jamais se identificará. Ainda que bispos e outros membros da alta hierarquia (como o Cardeal Jaime Câmara) tenham apoiado a atuação política de católicos assim, sobretudo nos tempos da ação católica, isso jamais chegou ao ponto de ser assumido como orientação e posição oficial da igreja. Em nenhuma encíclica social, em nenhuma parte do catecismo, vemos algo desse tipo. Ao contrário, a plena independência crítica da igreja frente a todas as cores partidárias , essa sim é vista, saltando aos olhos, em todos os nossos textos oficiais. E é possível sim ter voz própria na política e no debate público, como a teve Chesterton (que foi efetivamente uma voz católica, coincidente em tudo, com a posição católica) sem se rotular como sendo de direita, centro ou esquerda. Ao contrário, essa não identificação com os partidarismos inventados pelos homens, é exatamente a garantia da nossa independência e, portanto, da nossa maior incidência social e política. A presença, por exemplo, de vários elementos da Doutrina Social da Igreja em diversas leis trabalhistas pelo mundo afora, só foi possível, justamente por causa da independência dessa doutrina, da fidelidade dela à sua identidade profunda, da sua pertença ao “reino que não é deste mundo”. Seu comentário deixa muito claro, como a posição católica tem sido crítica às sucessivas ondas políticas, sociais e culturais, desde a Revolução Francesa até o socialismo (e antes da Revolução Francesa, podemos citar certas vertentes da Renascença e até mesmo remontar ao nominalismo de Ockham , bem como podemos citar atualmente a Tirania do Politicamente Correto). Efetivamente, esses movimentos todos tem estreita relação, digamos - genealógica - entre eles. Há um denominador comum e um fio condutor que atravessa mais de cinco séculos (pelo menos) de postura anticristã, de inimizade à fé católica, de empenho por banir o nome e a obra de Jesus Cristo do nosso mundo. E para mim, suas palavras, tem o mérito de mostrar isso, de situar num quadro histórico mais amplo, a luta que temos travado para que Jesus não seja visto como um mero exemplo moral, mas que reine nos corações de todas as pessoas e a partir daí, também na ordem temporal. É todo o sentido da festa de Cristo Rei: recapitular todas as coisas em Cristo. Por mais que isso choque os ouvidos laicistas, a atuação política dos cristãos não pode omitir essa sua finalidade precípua (e isso me parece ter sido evidenciado no seu comentário) que é lutar por conformar as realidades temporais ao Cristo. Mas mesmo um ateu ou agnóstico, pode reivindicar isso como um direito, o direito à herança cultural e civilizacional que explica muito daquilo que somos hoje em dia, ainda que nem tenhamos fé confessional. E não é raro encontrar um ateu ou um agnóstico que não abra mão do tesouro civilizacional, da cultura gerada pela fé cristã, ainda que não tenha fé pessoal. E você traz claramente isso, esse horizonte – o reinado social de Cristo, como diziam os papas pré-conciliares - que não tem como não ser o horizonte político de um cristão, sobretudo daquele que milita na politica convencional, nos organismos representativos do povo. De modo que temos uma concordância básica – penso eu – quanto ao conteúdo, à finalidade da atuação política do cristão. Só não concordo que se chame a isso de direita (ainda que seja plausível, conceitualmente, a explanação que você faz acerca do sentido que a palavra teve em determinados períodos da história). A gente pode ir tomando posições claras e inequívocas (inclusive politicamente) diante de cada questão (abortismo, elegebetismo, genderismo, direitos do trabalhador, proteção ambiental, etc.) sem precisar se filiar a qualquer rótulo. Na verdade, um posicionamento político como o que você defende (e aqui falo do conteúdo e não do nome, do qual discordo pelas razões já expostas) não encontra guarida em qualquer partido existente no Brasil (quiçá no mundo todo, como lembra o Pe.Paulo em seu vídeo). Esse posicionamento pede efetivamente a criação de um partido. E nem assim a igreja se identificará – como nunca o fez – com essa denominação partidária. No máximo dará um NIHIL OBSTAT, ao católico que dela queira fazer parte (e poderá até proporcionar a formação adequada como critério do seu agir político) ; pois a igreja jamais aponta qualquer partido como sendo aquele que incorpora a sua mensagem e orientação para a vida social, política e econômica. Vetar ela veta (como veta os partidos comunistas e socialistas), mas indicar partidos de sua preferência é algo que o magistério da igreja nunca fez e nem nunca fará: o reino de Deus, embora muito possa incidir neste mundo, não é deste mundo.
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0 # JB 06-01-2017 12:42
Caro Geraldo: Fico feliz por termos chegado a um certo consenso. Como se vê, precisar os conceitos facilita muito o entendimento. Evidentemente, não me parece que a Igreja deva assumir-se como de direita. É o efêmero que deve espelhar-se no eterno e não o contrário. Há pouquíssimos, se houver algum, partidos políticos no mundo que possam ser chamados de direita. E essa é justamente uma das causas da crise da democracia. Da Europa aos EUA, passando pela América Latina, grande parcela da população não se vê representada em nenhum partido. À esquerda não faltam opções. Possivelmente, se mais e mais leigos católicos deixassem o bom-mocismo politicamente correto de lado e afirmassem claramente uma identidade política (o rótulo em si realmente não é importante), talvez, um dia, quem sabe, não conseguissem uma forma de ser representados nas assembleias e parlamentos. Além disso, ganha-se um poder explicatório enorme ao manter-se os conceitos direita-esquerda em seu sentido próximo ao original. Como você decerto sabe, grandes banqueiros e grandes empresários tipicamente são de esquerda. Como entender isso? Como entender que a extrema-esquerda comunista e a extrema-direita nazi-fascista frequentemente andam de mãos dadas? Retomem-se os conceitos originais de direita e esquerda e entender-se-á facilmente porque. Discordo da sua opinião relativa a Corção e Plínio Corrêa de Oliveira. Evidentemente, eles nem sempre terão usado as palavras "direita-esquerda" no seu sentido original. Mas fica claro no excerto abaixo como o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira entedia o conceito de direita: "Essa realidade revela, de modo claro e definido, que hoje em dia muito mais se encontra por detrás das palavras “centro, direita, esquerda”. Não deveriam ser elas substituídas por outras expressões mais de acordo com o nosso tempo? Muitos pensam assim. Porém essa é uma conclusão apressada e simplificante. (...) Devemos empregá-los, mas com prudência e cuidado. Isso nos ajuda – pelo menos em determinado sentido – e nos oferece também a necessária clareza no exprimir. (...) Assim conservam as palavras “centro, esquerda, direita” um sentido profundo, lógico, se bem que sutil. Se se tomar dois pólos espirituais, num se encontra a direita e no oposto a esquerda." http://www.pliniocorreadeoliveira.info/Pre_1970_RCRemalemao.htm Vale também conferir a resposta, dada a uma pergunta do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, que o Pe. Garrigou-Lagrange, outro gigante intelectual do século XX, deu: "Pessoalmente, sou um homem de direita, e não vejo porque o haveria de esconder. Creio que muitos daqueles que se servem da fórmula citada, fazem uso dela porque abandonam a direita para se inclinar à esquerda, e querendo evitar um excesso, caem no excesso contrário como aconteceu em França nos últimos anos. Creio, também, que é preciso não confundir a verdadeira direita com as falsas direitas, que defendem uma ordem falsa e não a verdadeira. Mas a direita verdadeira, que defende a ordem fundada sobre a justiça, parece ser um reflexo do que a Escritura chama a direita de Deus, quando diz que Cristo está sentado à direita do seu Pai e que os eleitos estarão à direita do Altíssimo." http://www.pliniocorreadeoliveira.info/Cruzado0305.htm Quanto a Gustavo Corção, você o entendeu mal. O artigo que você cita é uma interessantíssima crítica aos conceitos USUAIS de direita-esquerda que, além de serem historicamente equivocados, possuem poder explicativo muito baixo. O que ele diz é exatamente o que eu havia dito (O Século do Nada é um dos melhores livros que já li). Para não me alongar, dois exemplos: "Mas é depois de 1930 que o jogo — falseado em suas regras — ganha um vigor que bem traduz o enfraquecimento da inteligência do século." Quer Corção dizer que é depois de 1930 que os conceitos direita-esquerda tornaram-se falsos, mais ou menos quando liberal-capitalismo tornou-se sinônimo de direita e nazi-fascismo sinônimo de extrema-direita. "Por isso, será ´de direita´ aquele que a esquerda designa ou denuncia arbitrariamente como tal (!): o inverso não é verdade, não existe. A arbitrariedade do processo se explica, ou se impõe, já que o jogo esquerda-direita, que mais exatamente devia chamar-se ´esquerda-con­tra-direita´ (!!!!) é inventado, conduzido e julgado sempre pela esquerda, jamais pela direita." Ou seja a conceituação USUAL de direita-esquerda, é um produto da esquerda contra a direita verdadeira. É uma arma para evitar que pessoas como você e eu criem uma identidade, uma bandeira política. Corção está criticando é a sua opinião, Geraldo, e não a minha. Veja o seu caso e os destes blogueiros aqui. Vocês, como eu, claramente são de direita, da direita católica, verdadeira. Mas vocês, por um motivo qualquer, recusam-se a assumirem-se como tais. Quando um direitista tem vergonha de se assumir como tal, essa é a maior vitória que a esquerda pode almejar. Não por acaso o campo político já é deles.
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0 # Geraldo 06-01-2017 07:58
Aliás, seria muito interessante indagarmos o que pensam os próprios autores que você definiu como sendo "de direita", acerca dessa suposta necessidade de assumirmos uma posição de direita, como condição para termos a nossa voz própria no debate e na ação política. Pelo menos dois deles - Corção e Plinio Correa - me parecem rejeitar totalmente esse esquema artificial das rotulações partidárias. Corção chama o binômio esquerda-direita, de ESQUEMA, de JOGO, de impostura e trapaça intelectual tributária das filosofias da inimizade. E mais: ele claramente afirma que essa artificiosa classificação (direita-esquerda) é uma armadilha, uma invenção da esquerda, sendo ela que decide quem é de esquerda e quem é de direita. E eu acrescentaria, decide e classifica também ao seu bel prazer a área cinzenta entre os dois extremos (centro, centro-direita, etc.) segundo a mesma lógica artificial e fabricada. E Corção ainda afirma que o fracasso da Revolução Russa também contribuiu para a exacerbação (para encobrir esse fracasso) desse falso esquema direita x esquerda. Falso não porque não existam pessoas e grupos que vão assumindo obedientemente seu lugarzinho conformista dentro desse esquema pobre e artificial inventado pela esquerda. Efetivamente, existem pessoas e grupos que se rotulam ou são rotulados de esquerda, centro ou direita. Mas servem a um esquema dualista falso inventado, artificial, sem substância ontológica. "Não são coisas subsistentes, é um esquema falso e falseador", afirma Corção. E ele ainda diz o seguinte (citando e corroborando Madiran): " a distinção entre a esquerda e a direita é sempre uma iniciativa da esquerda, feita pela esquerda e em proveito da esquerda!' Quanto ao Plinio Correa, são muito sugestivas essas suas seguintes palavras (que reforçam o alerta do presente Post de O CATEQUISTA): "Até entre católicos não é raro encontrar quem ache que, se a Igreja não se apoiar sobre as direitas, estará irremediavelmente perdida. Os partidos da direita tem contribuído para reforçar esta impressão. Eles se apresentam como os únicos paladinos da civilização e incitam os católicos a apoiá-los, sob pena de perecerem irremissivelmente. Ou a Igreja se protege à sombra das direitas, ou o mundo desabará. Em mais de um setor da direita, o católico que não enverga CAMISA DE COR PARTIDÁRIA é tido como relapso, judaizante, como maçonete." Vê-se claramente aqui neste texto de Plínio Correa, que ele não está nem um pouco empenhado em resgatar um sentido original da palavra direita, para nela enfiar então o católico. Mas está seriamente comprometido - em consonância com a Doutrina Social do Magistério Católico - em defender a independência crítica dos cristãos frente a todas as cores partidárias. O mesmo se nota no posicionamento de Gustavo Corção. Ambos os posicionamentos (de Plínio e de Corção) dos quais tirei os excertos acima citados, podem ser vistos na íntegra aqui: http://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG%20361101_OPapaperanteaesquerdaeadireita.htm http://permanencia.org.br/drupal/node/582
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0 # A Catequista 06-01-2017 10:11
Obrigada por esses esclarecimentos, Geraldo!
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0 # O Catequista 03-01-2017 10:30
Primeiro, o que está exposto aí é antes de tudo, o comportamento de quem se estabelece como direita no Brasil. Segundo, não estamos de fato preocupados com o "time político" para o qual as pessoas vão torcer. Porque, no fundo, é isso que se coloca atualmente. Torcidas políticas. Com base nelas, valida-se da destruição da família à ataques contra o Papa. Definitivamente não estamos interessados nisso. Até porque, absolutamente nenhuma dessas posições é comprometida com a Doutrina Social da Igreja ou lhe é fiel. E isso é bem normal. São coisas do mundo e nós não somos desse mundo. A verdadeira posição do católico na política deve ser a de plasmar a sociedade, usando o que estiver a sua disposição. Porque, novamente, não somos desse mundo e não devemos fidelidade ou pertença a nada à não ser a Cristo e sua Igreja. Então, este post deve ser entendido como um chamado à uma nova atitude cristã (que, não por acaso, é uma das obras de misericórdia) e não como um chamariz para adesão a esta ou aquela torcida política.
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0 # JB 03-01-2017 12:24
Não concordo que esse seja o "comportamento de quem se estabelece como direita no Brasil". Conheço muita gente que tem orgulho de ser de direita e nenhum deles defende a tortura de presos ou o aborto em caso de estupro. Como há muita gente no Brasil que se considera de direita e segue a doutrina católica fielmente, o mínimo que você poderia fazer é dar nomes aos tais "ícones da direita" que são idolatrados. Não assisto televisão e queria muito saber quem são esses direitistas icônicos que defendem a esterilização de mulheres pobres. Bolsonaro? Júlio Severo?
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