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Terça, 14 Fevereiro 2017 17:18

Papa Pio IV, um vovôzão paz e amor

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E aqui vamos nós de novo!

Depois dos anos de “porrada, tiro e bomba”, com a rigidez de Paulo IV, temos agora um papa mais paz e amor. Pio IV era muito amável, um vovôzão bacana que foi posto à cabeça da Igreja de Cristo nos tempos da Contra-Deforma.

Seu nome de batismo era Gian Angelo de Médici – mas não era membro da famosa família florentina (ainda bem, depois de dois desastres ambulantes como Leão X e Clemente VII, ninguém aguentava mais Médicis na Cátedra de Pedro). Foi governador de Parma, arcebispo de Ragusa e cardeal-sacerdote de Santa Pudenziana e Santa Prisca. Seguiu ainda uma brilhante carreira sob o Papa Júlio III, mas não se dava bem com aquele que seria seu antecessor, Paulo IV.

Pra variar, sua eleição foi outra confusão, com a ala francesa do conclave discutindo sem parar com os espanhóis. Carlo Carafa, o sobrinho do falecido Paulo IV, resolveu a celeuma, fechando com o cardeal de Médici (Pio IV). Habemus Papam! Era a véspera de Natal de 1559.

Curiosidade (sua vida dá um haikai):

  • Nasceu na Páscoa;
  • Eleito no Natal;
  • Coroado na Epifania.

Essas foram suas primeiras medidas de maior destaque: relaxou a prisão de Giovanne Moronne, cardeal acusado de heresia pelo papa anterior; liberou os monges andarilhos, deixando eles fazerem o que faziam melhor... andar; estabeleceu uma profunda reformulação no Index de Paulo IV, que era muito exagerado em seu rigor; nomeou um certo Carlos Borromeo – São Carlos, cuja história já contamos aqui – como cardeal-arcebispo de Milão. Nepotismo quase sempre é ruim, mas dessa vez foi bola dentro!

No campo político, aproximou-se de Felipe II e acabou com as disputadas com os espanhóis. Os frutos desta aproximação seriam colhidos em breve, e de forma crucial para toda a civilização ocidental (já adiantamos um post sobre o assunto aqui, a famosa Batalha Naval de Lepanto).

Aquém de tudo isto, a iniciativa mais importante de Pio IV foi cumprir a sua principal promessa: encerrar o já arrastado Concílio de Trento – marco da Contra-Deforma. Convém salientar que este era um mundo convulsionado. Os calvinistas huguenotes pululavam pela França. Era necessário, o quanto antes, dar um desfecho ao Concílio.

O único obstáculo eram os ânimos acirrados entre Felipe II e o imperador Fernando I do Sacro Império Romano-Germânico. Felipe queria chutar o balde de vez com os protestantes, enquanto Fernando tinha esperança de uma reconciliação - afinal, era ele quem teria que aturar os filhotes de Lutero a maior parte do tempo.

Mas vamos às datas. Mantendo o controle da situação com maestria, Pio IV – com o auxílio luxuoso do cardeal Morone – conseguiu encerrar o concílio em 4 de dezembro de 1563, em sua 25ª sessão. Em 26 de janeiro do ano seguinte, o papa confirmou as atas e decretos e, por fim em 30 de junho de 1564, foi promulgada a bula Benedictus Deus.

Para dar prosseguimento à difícil missão de pôr a máquina para funcionar, Pio IV criou uma congregação de cardeais que deveriam orientar os trabalhos de implementação das decisões conciliares. Seguindo o exemplo de Paulo IV, determinou que os bispos retornassem as suas dioceses e lá residissem (naquela época era comum que os bispos quase nunca dessem as caras em suas dioceses).

Em 13 de novembro de 1564, ordenou que todo mundo aderisse à “profissão de fé tridentina” (um dos quatro credos oficiais da Igreja Católica, que serve como uma “vacina” contra a heresias protestantes), dando início à compilação de um novo catecismo e à reforma do Missal Romano e do Ofício Divino.

De coração bondoso e temeroso de afastar ainda mais as ovelhas que tinha como missão apascentar, absteve-se de excomungar a Rainha Elisabeth I (que não tinha um coração tão bom assim). Sua grande frustração foi não ter conseguido deter o avanço protestante na França, na Alemanha e na Inglaterra.

Seu antecessor, Paulo IV, havia deixado os cofres da Santa Sé numa penúria de dar dó, por conta de suas celeumas com a Espanha. Isso obrigou Pio IV a tributar pesadamente as terras pontificais, o que gerou um grande movimento de insatisfação popular. Talvez isso tenha motivado o atentado contra a sua vida, do qual ele escapou por pouco, em 1565.

Para alegria dos micareteiros da arte do século XVI, Pio IV reavivou a tradição de gastar rios de dinheiro com artistas, renovou a universidade romana e instalou uma prensa para imprimir cópias da bíblia e de outros textos cristãos (ué, num era us católico ki num querião ki ninguein lesse a bibra?). Com a ajuda de Michelângelo, construiu novos edifícios e igrejas, como a Porta Pia e a Igreja de Santa Maria degli Angeli que, ironicamente, fica dentro do complexo de casas de banhos públicos de Diocleciano (um dos piores perseguidores do povo de Cristo, lembram dele?).

Esse foi um grande papa, um homem empreendedor, gentil, determinado e justo. Um papa necessário para tempos muito, muito difíceis na História da Igreja. E ele fez isso tudo que aqui narramos sofrendo de dores terríveis, por conta de crises de gota crônicas. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1565. Foi sepultado na Basílica de São Pedro, mas, em janeiro de 1583, seu corpo foi exumando e sepultado novamente na igreja de Santa Maria degli Angeli, onde um dia existiram as Termas de Diocleciano.

Isso sim que é fina ironia. Que Deus o guarde.

Fontes:

McBRien, Richard C.. Os Papas: Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II. Ed. Loyola, 2004.

Bellitto, Christopher M. 21 Concílios da Igreja: de Nicéia ao Vaticano II. Ed. Loyola, 2010.

5278 Quarta, 15 Fevereiro 2017 15:16

Comentários   

0 # Pedro Luna 25-06-2017 03:34
Quando vão continuar os postos sobre os papas?
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0 # Sidnei 18-02-2017 13:43
Eis para mim a prova irrefutável de que a Igreja Católica e a Coluna e sustentáculo da Verdade (1º Tim. 3,15), mas quem não que tais provas, quem não aceita, não faz mau, como já havia comentado se nem JESUS que foi a maior prova irrefutável que já pisou na face da terra, os seus não aceitaram, a Igreja que é seu corpo e sua esposa amada, também iria acontecer a mesma coisa.

Paciência.
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0 # Sidnei 18-02-2017 13:42
"Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou." (Lucas 10,16); "18.Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
19.Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.20.Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo."; "Peço-vos que, quando eu estiver presente, não me veja obrigado a usar de minha autoridade de que pretendo realmente usar com certas pessoas que imaginam que nós procedemos com intenções humanas." (II Coríntios 10, 2).

Tais autoridade que no início da Igreja foram designados para guardar as Verdades reveladas por JESUS CRISTO e pelo ESPÍRITO SANTO, e se manterem todos na Unidade, foram os Santos Apóstolos, hoje é o Papa e os Bispos, e nas igrejas protestantes, há estas autoridades?, há esta unidade?, todos se conservam unidos?.
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0 # Sidnei 18-02-2017 13:23
"15.Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão.16.Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.17.Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.
18.Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu." (Mat. 18, 15-18);

Continua
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0 # Sidnei 18-02-2017 13:16
Tudo isto sob as autoridades que CRISTO constituiu para governar usa Igreja na Terra: "13) Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos discípulos: “Quem dizem as pessoas ser o Filho do Homem?” (14) Eles responderam: “Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas”. (15) “E vós”, retomou Jesus, “quem dizeis que eu sou?” (16) Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. (17) Jesus então declarou: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. (18) Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la. (19) Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mateus 6, 13-19);

Continua
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0 # Sidnei 18-02-2017 13:10
E a Igreja Católica conserva tudo que CRISTO e os Apóstolos ensinaram, por sucessão ininterrupta dos Papas, do ensino que se conservou na unidade, ensinada por CRISTO e pelos Apóstolos: "Irmãos, eu vos exorto, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, a que estejais todos de acordo no que falais e não haja divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos no sentir e no pensar." (1º Cor. 1,10); "completai a minha alegria, deixando- vos guiar pelos mesmos propósitos e pelo mesmo amor, em harmonia buscando a unidade" (Fil. 2,2); "(2) com toda humildade e mansidão, e com paciência, suportai-vos uns aos outros no amor, (3) solícitos em guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. (4) Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. (5) Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, (6) um só Deus e Pai de todos, acima de todos, no meio de todos e em todos. " (Ef. 4, 2-6),

Continua
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+1 # Alex 16-02-2017 12:27
Deus sempre prove sua Igreja, eis a promessa sempre cumprida: e as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela.
E mesmo os piores papas por mais escândalo que causassem nunca alteraram uma só vírgula da Sa doutrina.
Nada, ninguém conseguiria empreitar uma façanha destas por 2000 anos por conta própria. Nenhum empreendimento sustentaria-se por tanto tempo com tantos problemas que já surgiram dentro da Igreja.
Basta ver no mundo protestante, no menor sinal de contendas ocorre a separação, no mundo muçulmano a unidade aparente é mantida à força por meio da morte, no mundo comum dos homens desmorona e cai no abismo do esquecimento abandonando-se o empreendimento.
O mundo e as heresias passam, mas a Igreja permanece.
E para variar, Deus sempre manda um papa santo e mais, sempre tem o papa certo para fazer acontecer.
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+1 # Joao Marcos 16-02-2017 16:12
O mundo muçulmano só é unido numa coisa: submeter o resto do planeta ao Islã.

Agora, qual Islã? O dos xiitas? Dos sunitas? Dos drusos? Dos wahabitas? Dos místicos?

Ninguém sabe. Tanto que os islâmicos vivem se matando. A falta de uma autoridade suprema também causou divisões entre eles. A diferença para o mundo protestante é que os islâmicos são muito mais violentos (não que os protestantes sempre fossem pacíficos...luteranos mataram anabatistas, anglicanos perseguiram metodistas e puritanos, calvinistas perseguiram todos os outros, etc).
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0 # Ana Salete 16-02-2017 02:03
Falando em heresia... achei o paragrafo abaixo no site do Padre Paulo Ricardo:



O herege, por definição, é o cristão que rejeita a autêntica fé católica, isto é, aquela revelada por Deus e que foi atestada pelo Magistério em alguma declaração solene ou no ensinamento perene e tradicional dos santos padres. A negação de que os anjos sejam “puro espírito” - como diz o Catecismo da Igreja Católica -, defendendo a existência de um “corpo sutil” para esses seres, não incorre no pecado de heresia, uma vez que a doutrina de que os anjos sejam “puro espírito” se trata apenas de um ensinamento comum, não de uma verdade de fé católica. Quem nega essa afirmação não é ipso facto um herege.



Ele distingue ensinamentos comuns vs. verdade de fé. Como faço para discernir se algo, na prática, é verdade de fé? Seriam apenas os dogmas? O credo?
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0 # roberta fernanda 15-02-2017 15:46
amo essa serie Os Papas.... Aprendo muito...
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0 # Pequetita 15-02-2017 12:56
"Um papa necessário para tempos muito, muito difíceis na História da Igreja".
Concedei-nos, Senhor, por Tua Divina Misericórdia, um novo São Pio X!!
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0 # Mariele 15-02-2017 12:43
Bom dia Pessoal!
Quero tirar uma dúvida e não tem nada haver com a postagem. Se o pessoal do blog puder me esclarecer, pois estou muito confusa.
Ontem assisti uma reportagem falando sobre um livro que explica o capitulo 8, da Encíclica Amoris Laetitia. E na reportagem estava dizendo, que algumas pessoas de segunda união poderiam comungar, e não podemos julgar quem pode e quem não pode, pois não sabemos qual é a história por trás. Isso é verdade? Alguém poderia me dizer.
Pois tenho uma Amiga que o marido dela era agressivo e ameaçava ela e filha, ela sofreu muito até que não aguentou mais, ela se separou, está em segunda união, ela vai a igreja e não comunga, pois sabe que está em pecado. Mas então, agora, ela pode comungar? E outra dúvida, se liberou para as pessoas comungarem em segunda união, significa que essa pessoa então pode casar na Igreja também?
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0 # Joao Marcos 16-02-2017 16:23
Não. Ninguém tem autoridade para mudar elementos da FÉ da Igreja. O matrimônio é sacramento instituído por Cristo, logo, não pode ser "modificado". Leia essa entrevista do Cardeal responsável por proteger a doutrina católica: https://goo.gl/3ISkQ1

Enfim, nada mudou.

Se o 1º casamento foi feito na Igreja E não foi declarado nulo pela mesma Igreja, então, aos olhos de Cristo, sua amiga ainda está casada com esse primeiro homem.

Nessa situação, conviver com outro homem é adultério. Como todo pecado mortal, só pode ser perdoado caso haja intenção de abandonar o pecado e Confissão.

Se o 1° casamento não foi na Igreja OU foi declarado nulo, então ela não está casada com o primeiro homem. Basta regularizar a 2ª união casando-se na Igreja.

Lembro que em caso de agressão/ameaça à vida, o cônjuge pode viver separado (morar em outro local), mas ainda continua casado. Está no parágrafo 1649 do Catecismo.
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0 # Mariele 17-02-2017 14:47
João Marcos, muito obrigado por ter me respondido! Mas o que Você disse, eu sabia e minha Amiga também. Só que como eu disse no comentário anterior, é que alguns Padres estão dizendo que casais de segunda união podem comungar, pois ninguém pode jugá-los. E muitas pessoas estão confusas, com o capítulo 8 da Encíclica Amoris Laetitia. E como o Papa não explicou ainda. E teve uma carta de um Bispo que escreveu um artigo com o titulo "Casais de segunda união, Comunguem já", um muitos Padres estão compartilho este artigo. Eu não sei... Muitas pessoas me perguntam e não sei o que dizer...
A Paz de Cristo!
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0 # Joao 18-02-2017 12:31
Mariele,

Na minha 1ª resposta há entrevista do Cardeal Muller, da Congregação da Doutrina.

Vejamos:

********
“O magistério do Papa somente pode ser interpretado por ele mesmo ou através da Congregação para a Doutrina da Fé. O Papa interpreta os bispos, os bispos não devem interpretá-lo, isto seria a destruição da estrutura da Igreja Católica”, assinalou.

Durante a entrevista, perguntaram ao Cardeal alemão se pode haver “uma contradição entre a doutrina e a consciência pessoal”. Ele indicou que isto “é impossível”, pois, por exemplo, “uma pessoa não pode dizer que existem circunstâncias nas quais o adultério não é um pecado mortal”.

“Para a doutrina católica é impossível a coexistência entre pecado mortal e graça justificante. Para superar esta contradição absurda, Cristo instituiu para os fiéis o sacramento da penitência e da reconciliação com Deus e com a Igreja “.

***************
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0 # Rinaldo alves bolina 15-02-2017 02:40
Não parem, não parem, NUNCA PAREM!
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