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A Catequista

A Catequista

A história da atriz Claudia Jimenez com os homens foi, por muitos anos, muito conturbada. Ela abusada sexualmente por um vizinho quando tinha apenas 7 anos. Na juventude, ela não gostava de sua aparência e se sentia rejeitada pelos homens. Além disso, nutria "uma relação não muito satisfatória" com o pai. A “saída” encontrada por Claudia para lidar com essas questões foi buscar afeto nas mulheres.

"Não tinha sensualidade, era muito mais gorda do que sou hoje. Não tinha forma nem vaidade. Achava que não tinha cacife para seduzir um homem. Como tinha de ser amada, me joguei nas mulheres".

- Claudia Jimenez (Fonte: Site da Folha)

Certamente, o problema não era ela ser obesa (tem muita gordinha aí muito bem resolvida com seu corpo), mas sim ter auto-estima baixa, coisa que afeta até as meninas mais saradas. Claudia fala com muito afeto da sua última parceira, com que conviveu por dez anos. Mas também descreve com entusiasmo a primeira relação que teve com um homem, aos 49 anos. E, desde então, pelo visto, só quer saber do sexo oposto!

A orientação sexual de Claudia mudou. Bem diferente do que diz a letra da música da Lady Gaga (I was born this way), Claudia não nasceu lésbica. E assim como ela, existem milhares de pessoas que não estão satisfeitas com sua condição de homossexuais. Elas não têm doença mental, mas sofrem um conflito, e desejam ajuda profissional para resolver isso. O que a sociedade tem a dizer a essas pessoas? As únicas duas opções que existiam até há poucos dias eram:

Venha pra minha igreja que Jesus vai te curar.

- É ótimo ser gay, você é obrigado a ser feliz assim, você já nasceu assim e tem que viver e morrer assim.

É isso... Pra lidar com esse conflito de sexualidade, só restava à pessoa correr atrás de um milagre ou entubar seu drama. Quer ajuda profissional? Impossível. Muitas dessas pessoas buscavam socorro na psicologia, mas em vão. No Brasil, a Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) proíbe os psicólogos de oferecerem terapia de reorientação sexual.

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Mas tudo mudou no último dia 15 de setembro, quando um juiz do Distrito Federal, por meio de uma liminar, derrubou a tal proibição do CFP. Quem quiser ler a liminar na íntegra, clique aqui. Vamos resumir o que diz a liminar:

  1. HOMOSSEXUALIDADE NÃO É DOENÇA (a cantora Anitta e o filósofo Leandro Karnal parece que não leram essa parte do texto);
  2. O CFP não deve proibir os psicólogos de oferecerem auxílio a todos aqueles que livremente os procurarem ajuda para deixarem de ser homossexuais.

Como era de se esperar, boa parte da mídia desqualificou a liminar e distorceu o seu conteúdo. Do jeito que estão falando, parece até que vão caçar todos os gays do Brasil, enfiar num camburão (prateado e purpurinado que nem o “Priscilla") e obrigar todo mundo a se submeter à “cura gay”.

Para provocar a hostilidade imediata das massas, tacharam as terapias de reorientação sexual de “cura gay”. Mas psicólogo não é médico e não receita remédio. O psicólogo simplesmente analisa a história de vida da pessoa e a ajuda a ver as coisas mais claramente, dando-lhe suporte para superar seus conflitos emocionais. Aceitem: os homossexuais devem ser LIVRES para se sentirem ou não satisfeitos com sua condição. A questão é essa aqui:

  • Tá feliz sendo gay? Então joga o picumã pra esse bafafá e segue em paz com a tua vida. A oferta de terapias de reorientação sexual não te afeta em nada. Faz a egípcia, que o papo não é contigo!
  • Tá infeliz com sua condição de gay? Quer ajuda profissional pra mudar? Então tome posse dos seus direitos. Se você quer, você pode receber terapia.

Você é contra as terapias de reorientação sexual? Tudo bem... então NÃO FAÇA essas terapias!!! (não é assim que dizem para nós, cristãos? “É contra o casamento gay? Então não case com um gay!”).

Mas essas terapias de reorientação sexual são eficazes? Não há evidências científicas nem contra nem a favor. Penso que na maioria dos casos (opinião minha) a terapia tem alcance limitado e não fará um homossexual se tornar hétero, mas será de grande ajuda para a compreensão das origens de sua homossexualidade, possibilitando que a pessoa se conheça melhor e alcance a paz de espírito.

Mas, como bem disse o psiquiatra Daniel Martins, o juiz entende que "cada um é livre para fazer o que bem entender, e se a pessoa quer mudar sua orientação sexual, deixemos seu psicólogo tentar". 

E a Igreja Católica, o que diz sobre essas terapias? As diretrizes da “Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais“ não cita a necessidade de procura de nenhuma terapia de reorientação sexual. De fato, a Igreja se distancia amplamente de grande parte das seitas protestantes, que pregam que para o homossexual viver integralmente a fé cristã ele, necessariamente, deve se tornar heterossexual. Isso não tem nada a ver com catolicismo!

A cura a se buscar é do pecado. Ficar eternamente pensando em "curas", esperando que Deus dê solução de todos os nossos problemas terrenos, para vivermos como Adão e Eva antes do pecado original é, resumindo, fuga da cruz. 

Os hereges modernistas insistem em difundir a ideia de que o diabo não existe de verdade, que é apenas um mito, um símbolo do mal. Isso é ótimo para Satanás, que pode então pode usar a tática de agir de pegar as pessoas desprevenidas – pois quem não acredita na existência do ladrão não se preocupa em proteger sua casa contra ele.

As seguintes palavras do beato Paulo VI traduzem de forma claríssima a doutrina bimilenar da Igreja acerca do demônio: ele é uma criatura real!

“Uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa contra este mal chamado Satanás. O diabo é uma força atuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade misteriosa e amedrontadora.” (Alocução “Livrai-nos do Mal”- L’Osservatore Romano, 24/11/1972).

Quem diz o contrário cai em heresia – ou seja, comete o pecado gravíssimo de negar uma verdade revelada da fé católica, um dogma. Isso também foi ensinado por Paulo VI:

“Sai do âmbito do ensinamento bíblico e eclesiástico quem se recusa a reconhecer a existência desta realidade... ou a explica como uma pseudo-realidade, como uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas de nossas desgraças” (SEDOC, 5 Março 1973, 1037)

O Papa Francisco já advertiu em numerosas ocasiões que Satanás não é fantasia:

“Mas a esta geração – e a tantas outras – fizeram acreditar que o diabo fosse um mito, uma figura, uma ideia, a ideia do mal. Mas o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. Di-lo Paulo, não o digo eu! A Palavra de Deus di-lo. Mas nós não estamos tão convencidos.” (Homilia na Casa de Santa Marta. 30/10/2014)

Em outra homilia, o Papa foi ainda mais enfático sobre isso:

“A presença do demônio no mundo é real e não uma fábula. É o Evangelho que o diz e os cristãos devem sempre estar alertas contra o maligno”.

“Alguns padres, quando leem esta passagem, ou outras, dizem que Jesus curou aquela pessoa de uma doença mental. É verdade que antigamente se podia confundir epilepsia com estar possuído pelo demônio – disse o Papa – mas é igualmente verdade que o demônio existe! A presença do demônio está na primeira página da Bíblia e também no final, com a vitória de Deus sobre ele”.

“É a Palavra do Senhor. Peçamos a Ele a graça de levar a sério estas coisas. Ele veio lutar por nossa salvação e venceu o demônio! Não façamos negócios com o demônio; ele tenta voltar para casa, se apoderar de nós. Não devemos relativizar, mas vigiar, sempre e com Jesus”.  (Homilia na Casa de Santa Marta. 11/10/2013)

NÃO DEVEMOS RELATIVIZAR essa questão da existência real do demônio, ok? Tá mais claro que Michael Jackson depois de tomar remédio para ficar branco, mas ainda assim, está desenhado no topo desse post...

Para quem quiser estudar mais esse assunto, recomendamos o livro de J. E. Martins Terra, S.J. (sim, um sábio jesuíta!): "Existe o Diabo? Respondem os Teólogos".

Terça, 12 Setembro 2017 12:31

O sonho de Santa Teresinha com os diabinhos

Em que medida devemos temer a ação do Maligno em nossas vidas? Depende...

Se estamos em PECADO MORTAL, devemos temer muitíssimo, pois estamos sem defesas espirituais contra os ataques do demônio. Uma pessoa que está em pecado mortal e não se arrepende e nem busca a Confissão é como um soldado em campo de batalha, sem armas, sem escudo e sem armadura.

Mas se estamos em ESTADO DE GRAÇA, ou seja, com a alma livre de todo pecado mortal, não temos nada a temer, pois “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom 8,28). O demônio ronda e tenta constantemente as almas que estão em estado de graça, mas seu poder de ação sobre elas é limitadíssimo, pois elas estão cheias do Espírito Santo. Entretanto essas almas devem permanecer atentas e zelosas, pois "quem pensa estar de pé veja que não caia" (I Cor 10,12).

Há um episódio na vida de Santa Teresinha do Menino Jesus que ilustra muito bem essa realidade. Ela conta, em sua "História de uma Alma", sobre um sonho que teve quando era criança:

"Sonhei uma noite que saía a passear sozinha pelo jardim. Chegando ao pé dos degraus que precisava subir para ali chegar, me detive tomada de pavor. Diante de mim, rente ao caramanchão, havia uma barrica de cal e sobre a barrica dançavam, com espantosa agilidade, dois medonhos diabinhos, não obstante os ferros de engomar que tinham nos pés. De chofre lançaram sobre mim seus olhares chamejantes, mas ao mesmo instante, parecendo muito mais assustados do que eu, precipitaram-se da barrica abaixo e foram esconder-se na rouparia que ficava defronte. [...] Lá estavam os míseros diabinhos a correr por sobre as mesas, não sabendo o que fazer para se esquivarem do meu olhar. De vez em quando chegavam até a janela, e olhavam com um ar inquieto, se eu ainda estava lá e como sempre me avistassem, começavam a correr de novo como desatinados.

"Sem dúvida, este sonho nada tem de extraordinário, acredito, no entanto, que o Bom Deus permitiu que guarde sua lembrança, a fim de me provar que uma alma em estado de graça nada deve temer dos demônios, que são uns medrosos, capazes de fugir diante do olhar de uma criança...”.

Viram? Quem tem consciência da doce e poderosa Presença de Jesus em sua vida não precisa andar obcecado pela figura do demônio. A ação do mal é devastadora no mundo e nos corações, mas isso porque muitos se abrem a essa ação, por não estarem nem ai para a vida de oração, para a caridade e por não rejeitarem seus pecados.

É um tanto frustrante ver bons cristãos focados em excesso na figura do demônio e em suas possíveis artimanhas. Esse povo anda se impressionando demais com livros e videos de padres exorcistas! Não é que não se deva dar ouvidos aos exorcistas, mas é preciso ter equilíbrio para não se deixar afeitar por suas palavras a ponto de viver atormentado e angustiado com a ação do demo em toda parte. 

É a liberdade e a paz da amizade com Cristo que deve ser o centro de nossa vida espiritual, e não o medo permanente e doentio do capeta. 

Parem de ficar remoendo histórias tenebrosas de possessão, contaminação espiritual etc., e foquem mais na oração, no jejum, na penitência e nas obras de misericórdia, para libertar a alma dos vícios e pecados. Isso sim é eficaz contra o mal!

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No último domingo, na Bienal do Rio, o Cardeal Orani Tempesta acompanhou a sessão de autógrafos do nosso livro "As Grandes Mentiras sobre a Igreja Católica", no estande na Editora Planeta. Muito obrigado a todos que foram lá nos dar um abraço!

Influenciada pela Tia Teteca da escolinha e pela TV, eu cresci achando que o fato de nos países mais ricos a taxa de nascimentos ser baixa era uma das principais causas de sua prosperidade. Ou seja, muitos bebês seriam não uma bênção, como a Bíblia ensina, mas sim sinônimo de atraso e pobreza para as famílias e para a nação.

Ler bons livros e artigos, em vez de me conformar com a papinha emburrecedora das escolas e da mídia de massas, me ajudou a entender que uma coisa (baixa natalidade) não levava à outra (riqueza do país).

Os países de “primeiro mundo” foram os primeiros a estimular amplamente o consumo de anticoncepcionais e permitir o amplo acesso ao aborto. Creio que até as pessoas mais alienadas já perceberam que, hoje, esses países estão promovendo uma política inversa: os governos estão gastando somas estratosféricas para oferecer benefícios e vantagens para as mulheres e casais que se dispõem a ter mais filhos. Afinal, se as coisas continuarem desse jeito, o colapso na economia será inevitável.

O governo da Coreia do Sul gastou cerca de 70 BILHÕES DE DÓLARES na última década na tentativa de aumentar a taxa de natalidade do país. O investimento envolve ajuda financeira por cada criança nascida, aumento da licença paternidade/maternidade e pagamento de tratamentos de infertilidade (inclusive fertilização in vitro). (Fonte: BBC)

Em 2015, o governo da Dinamarca apelou: lançou um vídeo na TV estimulando as senhoras idosas a incentivarem seus filhos adultos a viajarem para lugares mais quentes, que são mais favoráveis para despertar o interesse sexual. No vídeo da campanha, as velhinhas tristes e solitárias estão praticamente implorando que seus filhos façam sexo e lhe deem netos (Fonte: Independent).

A Alemanha está recebendo milhões de imigrantes muçulmanos – com uma cultura incompatível com a sua – de braços abertos. É o desespero de um país que sabe que seu povo não vai dar conta de procriar o mínimo suficiente nos próximos anos para manter a economia de pé.

Em 1920, durante o regime ateu comunista, a Rússia foi o primeiro do mundo a permitir o aborto até a 12ª semana de gravidez, por qualquer motivo. Hoje, o país vive uma crise populacional, e tem o maior número de abortos por mulher em idade fértil no mundo.

Mas em nenhum lugar a crise demográfica parece ser tão crítica quanto no Japão, terceira maior economia do mundo. No país em que boa parte das pessoas cumpre uma jornada de 11 a 16 horas de trabalho por dia, as pessoas vivem exaustas e não encontram tempo nem disposição para se dedicar ao namoro, ao matrimônio e aos filhos. E as vendas de fraldas para adultos já superam as vendas de fraldas para bebês.

Mary Brinton, socióloga de Harvard, explica a situação no Japão: "Um envelhecimento da população significará maiores custos para o governo, a escassez de fundos de previdência e previdência social, a escassez de pessoas para cuidar dos idosos, o lento crescimento econômico e a escassez de jovens trabalhadores".

Os países mais ricos estão dando marcha a ré em sua política antinatalista. E quanto aos casais católicos? Vão se abrir para a Palavra de Deus e para a voz da Igreja, que pede uma família numerosa, ou vão continuar fechados na conveniência mundana do filho único ou de dois filhos, no máximo?

Leia também:

O filho único faz parte da cultura destrutiva do bem-estar, diz o Papa Francisco

Inquisição Espanhola é praticamente sinônimo de Tomás de Torquemada. É interessante que um frei que exerceu a função de inquisidor-mor por apenas 13 anos (de 1483 a 1496) tenha marcado tão fortemente a história de uma instituição que existiu por quase 400 anos.

Quem era o frei dominicano Torquemada? Um monstro? Um sádico? Um perverso amante da tortura? Na, verdade, as evidências históricas apontam para um perfil bem distante disso: “Poucos homens na história foram mais cruelmente caricaturizados pela ignorância e malícia do que esse modesto homem de oração”, diz William Thomas Walsh. Ao que parece, era um homem gentil, com sincera disposição de em tudo imitar Jesus Cristo.

Suas numerosas cartas nos permitem ver a personalidade de um homem firme, mas sereno e justo. Ele tinha 63 anos quando assumiu o cargo de inquisidor-mor. Antes disso, por vinte anos, foi um exemplar diretor do monastério de Valladolid. Era mais rigoroso consigo próprio do que com seus irmãos subordinados: nunca comia carne e dormia sobre uma tábua.

Os reis católicos doaram a Torquemada grandes somas de dinheiro, mas ele era completamente desapegado. Gastou tudo em obras de caridade, além de construção e reforma de mosteiros. Além de ser incorruptível, procurava garantir que os inquisidores fossem todos íntegros: “Ele proibiu os Inquisidores e outras pessoas ligadas ao Santo Ofício de receber presentes, sob pena de excomunhão, demissão, restituição e multa em dobro”.

As boas condições das prisões da Inquisição na Espanha eram, em grande parte, graça à sua influência. Torquemada insistia para que as prisões fossem limpas e bem ventiladas, e fazia todos garantir os direitos legais dos acusados.

Quando uma pessoa era queimada como herege, todos os seus bens eram confiscados, não restando absolutamente nada de herança para seus filhos. Essa medida de extrema dureza foi amenizada por ninguém mais ninguém menos do que o “terrível” Tomás de Torquemada. Ele estabeleceu que, caso os filhos do falecido fossem menores de idade, uma parte de sua propriedade seria destinada a eles, e deveria haver um cuidado especial para que sua educação fosse assumida por boas pessoas.

Mas não adianta: a Tia Teteca da escolinha tem um poder de influência imenso, e uma capacidade incansável de ensinar clichês. Torquemada continuará, pleos séculos adiante, sendo lembrado com um homem cruel. Acho que até que basta dizer o nome dele para acender uma fogueira... como mágica!

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A referência bibliográfica para a redação deste artigo é o livro "Isabella of Spain", de William Thomas Walsh.

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Neste domingo, dia 10/09, estaremos autografando o nosso livro "As Grandes Mentiras sobre a Igreja Católica" na Bienal do Livro do Rio, no stand da editora Planeta!

Recentemente, publicamos na nossa fanpage a foto da máscara de silicone que cobre os restos mortais de Padre Pio (foto acima). Informamos na legenda que ela cobre o rosto do santo, que está parcialmente decomposto. Essa simples informação desencadeou decepção, comentários duvidando da qualidade de nossas fontes e um monte de gente ofendida.

Vejam que fato curioso: JAMAIS nenhuma autoridade da Igreja declarou que o corpo de Padre Pio está milagrosamente incorrupto. No entanto, diversos sites católicos divulgam essa “informação” e levam milhões de pessoas a crerem piamente nisso.

Portanto, em respeito a todos que acompanham nosso trabalho, apresentamos agora o parecer dos PERITOS DO VATICANO sobre o corpo do nosso venerado Padre Pio.

Nossa fonte é uma entrevista realizada por Stefano Campanella, jornalista, escritor e diretor da Tele radio Padre Pio e da Padre Pio TV. Os entrevistados são os membros de comissão de peritos designados pelo Tribunal Eclesiástico para esse assunto.

EM QUE CONDIÇÕES O CORPO FOI ENCONTRADO APÓS A EXUMAÇÃO?

Quem responde a essa dúvida é Nazzareno Gabrielli, perito do Vicariato de Roma pela conservação dos santos e bioquímico a serviço da Santa Sé. Vejam o nível da autoridade: além do corpo de Padre Pio, Gabrielli cuidou dos restos mortais de Santa Clara de Assis, São João XXIII, Pio IX e Pio X. Tá bom pra vocês?

Gabrielli explicou que, ao abrir o caixão de Padre Pio, foi verificado que:

  • a pele do rosto ainda existia;
  • ainda havia orelhas e lábios;
  • havia barba e bigode;
  • não havia mais olhos nem nariz;
  • a cabeça, o tronco e a bacia estavam em boas condições;
  • os membros inferiores estavam muito deteriorados.

O que mais surpreendeu todos os membros da comissão durante o exame do corpo foi a ausência absoluta de maus odores.

Segundo o bispo diocesano Mons. Domenico D’Ambrosio, que acompanhou a exumação, a parte superior do crânio estava parcialmente esquelética, o queixo estava perfeito e o resto do corpo estava bem preservado (Fonte: Il Tempo). Na foto abaixo, é possível ver que as mãos do corpo de Padre Pio estão bastante deterioradas.

O CORPO RECEBEU ALGUM TRATAMENTO APÓS A EXUMAÇÃO?

Sim, o corpo do Padre Pio recebeu tratamento químico para permanecer preservado após a exumação. Gabrielli revelou que foi aplicada “uma solução de elevada concentração de formalina em álcool”. O procedimento foi completado com creosoto, ácido benzóico e essência de turpentina.

O corpo foi envolvido com faixas embebidas em uma solução química embalsamadora, com exceção da cabeça. Depois foi colocado sobre um colchão cheio de gel sílica, para absorver a umidade.

Por fim, foi colocado dentro de uma urna com tecnologia especial: o ar dentro dela foi substituído por nitrogênio, o que evita qualquer processo oxidativo e inibe o desenvolvimento de microflora bacteriana e fungos aeróbicos.

FOI VERIFICADO ALGO DE SOBRENATURAL SOBRE AS CONDIÇÕES DO CORPO?

Quem responde a essa pergunta central é Orazio Pennelli, médico legista. De 1977 a 2005 ele foi diretor sanitário da Casa Sollievo della Sofferenza (Casa de Alívio do Sofrimento), hospital fundado por Padre Pio:

Espero não escandalizar ninguém ao afirmar que a esperança humana ficou decepcionada, mas penso que intimamente cada um de nós nutre a ideia de que seu corpo está incorruptível ou pelo menos que foi descoberto algum sinal sobrenatural. Infelizmente, as transformações naturais, apesar de terem mantido o seu semblante humano, aniquilaram todos os vestígios dos "selos sagrados" que o Senhor imprimiu no "corpo" que durante meio século envolveu a "verdadeira essência da Cruz" e que era o "crucifixo de imensos dons espirituais".

Em outras palavras: intimamente, ele alimenta a esperança de que há algum fator sobrenatural em relação aos restos mortais de Padre Pio. Mas como cientista ele não possui nenhum indício para afirmar isso.

É isso, irmãos! Padre Pio foi um homem de santidade estupenda, com a vida cercada de intensos sofrimentos e humilhações. Também manifestou diversos dons extraordinários e fez muitos milagres. Por isso alimentar ilusões sobre seus restos mortais é algo absolutamente desnecessário, e não ajuda ninguém a ser um cristão melhor.

Não sejamos como certos tipos de protestantes, ávidos por crer no primeiro evento sobrenatural que lhes anunciam. A fé católica é acima de tudo o chamado a ser santos na banalidade do cotidiano. Há numerosos e belíssimos eventos sobrenaturais que cercam o catolicismo - o Santo Sudário, por exemplo, é uma relíquia impossível de ser explicada pela Ciência. Mas sejamos sempre equilibrados e prudentes em relação a milagres que a Igreja não confirma. 

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Para ler na íntegra, em italiano, a entrevista de Stefano Campanella, clique aqui.

“Não é justo comer a carne dos pobres animais, quando podemos nos alimentar muito bem só de vegetais!”, dizia-me o taxista. Apesar de discordar, resolvi não contrariar o homem. Afinal, não há mal nenhum – moralmente falando – em ser vegetariano. Entrei no modo “é, tens razão” e suportei pacientemente o sermão até o fim da corrida.

Porém, quando esse discurso começa a reverberar entre os membros da Igreja travestido de virtude cristã, não é mais possível que fiquemos calados. Vejamos, portanto, o que a Igreja afirma sobre isso.

O QUE DIZEM O MAGISTÉRIO E A BÍBLIA?

O Catecismo da Igreja Católica (2415 a 2418) nos ensina que os animais são dons de Deus. São criaturas benditas, mas que não possuem alma imortal - somente uma alma sensitiva Assim, podemos nos servir deles para diversos fins, inclusive para a nossa alimentação.

Temos a obrigação de tratá-los com respeito, dentro do possível, já que eles têm sentimentos e sentem dor. É pecado “fazer os animais sofrerem inutilmente e desperdiçar suas vidas”.

No Antigo Testamento (Lev 11), estão descritos quais são os alimentos permitidos ao povo hebreu: era lícito comer diversos tipos de carne de animais, exceto daqueles consideradas "impuros", como porco, morcego, camarão, aves de rapina e répteis, entre outros (para não perdermos o foco, não vamos nos alongar discutindo aqui a razão destas restrições).

Segundo as Leis da Torá que os israelitas seguem até os dias de hoje, Moisés determinou que o abate dos animais deve ser feito de maneira especial, de modo que o animal morra instantaneamente, sem sofrimento. Atualmente, o processo é realizado por uma pessoa treinada, o shochet, sob a rígida supervisão de um rabino. Somente os animais corretamente abatidos – considerados kosher – são aprovados para o consumo dos judeus (na foto abaixo: shochet abatendo uma ave de acordo com as Leis da Torá).

Os primeiros cristãos, especialmente aqueles de origem judaica, seguiam rigorosamente esses preceitos alimentares. Tudo mudou no dia em que São Pedro teve uma visão sobrenatural: Deus lhe mostrou que os fiéis podiam agora comer qualquer bicho que lhes desse na telha:

"...Viu o céu aberto e descer uma coisa parecida com uma grande toalha que baixava do céu à terra (...). Nela havia de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu. Uma voz lhe falou: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Disse Pedro: De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura. Esta voz lhe falou pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro." (Atos 11,11-15)

Agora, irmãos, afiem seus caninos... Aí vai uma dos versículos mais carnívoros da Bíblia. Fala, São Paulo!

"Comei de tudo o que se vende no açougue, sem indagar de coisa alguma por motivo de consciência." (I Cor 10,25)

MOTIVOS JUSTOS PARA SER VEGETARIANO

Não vamos discutir aqui se ser vegetariano é saudável ou não; abordamos a questão dos pontos de vista moral e religioso, e deixamos o resto para os médicos e nutricionistas.

Então, atenção: nem a Bíblia, nem a Tradição da Igreja e nem a vida dos santos oferecem qualquer base para que católicos creiam que matar animais para comer é maldade. Quem pensa assim, geralmente, se deixou influenciar pelo hinduísmo, pelo espiritismo ou por filosofias toscas da Nova Era.

Por outro lado, é perfeitamente legítimo que um católico se abstenha definitivamente da ingestão de carne porque:

  • não gosta do sabor;
  • acha que isso é melhor para a sua saúde;
  • deseja praticar o ascetismo, ou seja, desenvolver suas virtudes cristãs por meio do sacrifício (como é o caso de São João Crisóstomo).

CARNÍVOROS SÃO ASSASSINOS?

A argumentação mais comum que os vegetarianos ativistas usam é a de que, do ponto de vista dos animais, as pessoas carnívoras são assassinas

O mais bizarro é que boa parte desses ativistas animólatras não considera o aborto de bebê humanos como assassinato. Dá vontade de perguntar: “Abriu mão da picanha pra comer cocô, meu filho?”.

Mais radicais do que os vegetarianos são os vegans. Eles condenam a “exploração dos animais” não só como alimento, mas também como matéria-prima para diversos produtos, como couro, lã, seda e cosméticos. Santa, ingenuidade, Batman!

Amigo vegan, como membro de uma sociedade industrializada, saiba que praticamente tudo o que você usa foi produzido por meio da morte de animais, ainda que de forma indireta. Nem mesmo o estofado daquele seu sofá xexelento de “couro ecológico” escapa dessa realidade.

A não ser que você seja o Tarzan ou a Jane, quase tudo à sua volta contém metal ou foi produzido por máquinas de metal. E esse metal provém das mineradoras, que precisam desmatar e revirar grandes extensões de solo com escavadeiras para extrair o minério. Nesse processo, por mais cuidado que se tome, é impossível que muitos animais não morram.

Então, caros vegans, as suas roupas, a sua casa, a sua bicicleta, o seu chiclete, a embalagem do seu leitinho de soja, o papel higiênico que limpa as suas bundas... Tudo isso está manchado com sangue animal.

JESUS E SÃO FRANCISCO ERAM VEGETARIANOS?

Você já deve ter ouvido alguém falar que Jesus era vegetariano. Quem crê nesta teoria delirante se esquece de um simples fato: este tipo de frescura era INADMISSÍVEL para um judeu naquela época.

A ingestão de carne era parte integrante e indispensável de alguns ritos centrais para o povo de Israel, como a Páscoa. E, pra ficar bem claro: quem estabeleceu esses rituais foi o próprio Deus, por meio de Moisés.

Tem que ser muito iludido para crer que Jesus e seus Apóstolos não consumiam carne de animais. Afinal, o Evangelho está repleto de passagens que tornam esta hipótese indefensável:

  • O Senhor enche as redes dos pescadores de peixes (Lc 5,4-7);
  • Cristo multiplica milagrosamente pães e peixes para que sejam distribuídos à multidão (Mt 15,36);
  • Já ressuscitado, Ele assa e serve peixe aos Apóstolos na praia: “Vinde, comei” (João 21,12);
  • Jesus come um peixe assado pelos Apóstolos (Lc 24,41-43).

Aos "católicos hinduístas", não resta nem ao menos o consolo de afirmar que Jesus aprovava somente o consumo de carne de peixe. Ele era a favor de comermos carne vermelha também! É o que fica claro na parábola do filho pródigo: quando o caçula volta para casa, seu pai manda botar um bezerrão no espeto (Lc 15,22-23). Esse devia ser gaúcho dos bão, tchê!

Se Jesus fosse mesmo vegetariano, a parábola seria um tanto diferente...

São Francisco de Assis, que tanto amou os animais, comia carne. Comia pouco, é bem verdade, pois era um homem de vida austera, e não porque acreditasse que se alimentar da carne dessas criaturas era errado.

Até mesmo o líder budista Dalai Lama, que um dia havia afirmado – por pura fanfarronice – que não via motivo para matar e comer animais porque “o homem pode viver sem carne”, agora diz que come carne de vez em quando, por motivos de saúde e de conveniência.

Então, se você é vegetariano, beleza. E se for uma opção motivada pelo desejo de praticar o ascetismo, melhor ainda. O que não tem nada a ver é usar o nome de Jesus ou dos santos em vão para criticar e importunar os comedores de carne. E, por fim, o mais importante: quando alguém rejeitar um naco do seu delicioso hambúrguer de tofu, por favor, não insista!

“Acredito muito na possibilidade de, no futuro, quem sabe, a Igreja ordenar homens casados... por que não? Tanta gente e bem que poderia fazer um trabalho bonito dentro da Igreja, como um pai de família.” – opinou o cantor Padre Fábio de Melo, em recente aparição no programa de TV Altas Horas (abaixo, a partir de 1:40).

O Fábio de Melo estava respondendo a uma pergunta do apresentador Serginho Groisman, se ele teria algum posicionamento sobre o casamento de padres. De fato, a possibilidade de mudança na disciplina da Igreja sobre a ordenação sacerdotal de homens casados será sempre uma possibilidade em aberto – ainda que seja altamente improvável, pois é uma disciplina de origem apostólica, ou seja, é uma Tradição ensinada pelos Apóstolos.

O celibato clerical católico tem origem nos primórdios da Igreja - já explicamos isso antes. Uma série de fatores levaram a Igreja a tolerar que as igrejas católicas de Rito Oriental ordenassem homens casados, e também permite que os sacerdotes convertidos do anglicanismo continuem casados (veja aqui).

Portanto, além do conselho bíblico de São Paulo (de que seria melhor que todos permanecessem solteiros como ele, pois assim é possível se dedicar de forma mais intensa ao Senhor), a Igreja tem amplo campo experimental para avaliar a questão do celibato clerical. E é óbvio – como o próprio Padre Fábio observou no programa Altas Horas – que o celibato confere ao homem a liberdade ideal para se dedicar às coisas de Deus.

Apesar de discordarmos de sua opinião acerca da mudança da disciplina da Igreja sobre o celibato clerical, devemos dizer que a resposta do Padre Fábio nada teve de incorreto. Mas ele perdeu uma ótima oportunidade de falar do diaconato permanente.

Esse não é só um problema do Padre Fábio. Sempre que perguntam a um padre sobre a ordenação de homens casados, raríssimos são aqueles que esclarecem as pessoas sobre o importante papel do diácono, que é um homem casado e ordenado.

O sacramento da ordem possui três graus:

  • a ordem episcopal (bispos);
  • o presbiterado (padres);
  • o diaconato (diáconos).

O diácono casado é membro do clero – não é um leigo! Por isso mesmo ele usa traje clerical, enquanto está servindo na Igreja. Ele pode pregar, batizar, presidir cerimônias de casamento, dar aconselhamentos, dar bênçãos, presidir funerais etc. Ele só não pode celebrar a missa, dar a unção dos enfermos e absolver pecados dos penitentes, pois não participa ministerialmente do sacerdócio de Cristo.

O candidato a diácono só pode ser ordenado se a sua esposa concordar formalmente com isso. Afinal, certamente a família terá que fazer importantes renúncias, já que a maior parte do serviço prestado pelos diáconos costuma ser realizada nos fins-de-semana – justamente quando os maridos, em geral, se dedicam às tarefas de casa e ao lazer com a família.

Especialmente nas paróquias em que só há um padre, a presença de um bom diácono é valiosa, impedindo que o pároco fique sobrecarregado em suas tarefas pastorais e ministeriais.

O diácono permanente deve ter uma profissão, pois, diferente do padre, ele não recebe salário da Igreja. Caso a esposa do diácono venha a falecer, o diácono não poderá se casar novamente. Se completar os estudos e receber autorização especial do bispo, poderá ser ordenado padre.

Se você é um bom marido e bom cristão, e tem ao menos 35 anos, pode apresentar o seu pároco ou bispo o desejo de ingressar na escola diaconal de sua diocese. Já pensou nessa possibilidade?

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Está bem interessante essa matéria da revista Veja: Número de diáconos, os operários da Igreja católica, cresce mais do que o de padres no Brasil.

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O arrependimento sincero e a confissão dos pecados – especialmente os graves – a um sacerdote é fundamental para que a porta do Paraíso se abra para cada um de nós. Em muitas paróquias, o clero mostra grande zelo com isso, oferecendo horários para Confissão em dias e horários que atendam satisfatoriamente à necessidade dos fiéis. Mas em muitas outras, é mais fácil achar um E.T. fazendo abdução do que um padre disponível para ouvir e absolver os pecadores!

Ah, mas não sejamos tão injustos! Na paróquia do padre fulano, sempre tem confissão... Às terças e quintas de 14 às 17h. Para os idosos aposentados e desempregados, tá ótchemo! E quem trabalha ou estuda, fica como?

Esse o drama vivido por um de nossos leitores, que desabafou:

Porque hoje em dia é tao difícil conseguir fazer uma confissão? Padres tem horários mais exclusivos do que um gabinete politico. Como confessar, deve ser tão importante quanto receber a Eucaristia se nem os padres não se dispõem a isso?

Essa pergunta só pode ser respondida pelos próprios sacerdotes. Mas vou dar um chute: ouvir confissão exige sacrifício! Imagino que não seja uma tarefa agradável, ficar horas sentado ouvindo coisas negativas. E tem muita gente que não sabe confessar: em vez de acusar os pecados objetivamente, fica tagarelando, se justificando ou contando histórias longas e cheias de detalhes inúteis - mas isso não e só culpa do povo, é uma deficiência da catequese, não é mesmo?

Por isso muitos padres preferem dar prioridade a outras atividades pastorais ou administrativas que estão mais de acordo com seu gosto. Mas pense, senhor padre, pensem no tempo em que eram crianças. O que seria de vocês se seus pais tivessem se dedicado somente a fazer o que lhes agradava mais? Trocar sua fralda suja? “Só uma vez por dia! Se se sujasse mais vezes, azar o dele!”. Cuidar do filho doente no meio da madrugada? “Isso é muito sacrificante, não podemos perder nosso sono! Vamos dormir, só cuidamos de febres durante o dia”.

Senhor padre, não deixem seus filhos vagando por aí, sujos e doentes. Não negligenciem seu povo. Podemos ser remelentos e catarrentos, mas talvez, no Dia do Juízo, alguns de nós seremos seus advogados: “Pai, eu testemunho a favor dele! Imploro que perdoe os seus pecados, pois ele me livrou do fogo do Inferno naquele dia em que, pacientemente, ouviu minha confissão!”.

O senhor acha que confessar por muitas horas seguidas é uma cruz? Talvez seja mesmo! Que bom! Bem-vindo a cristianismo. Não desça da cruz, senhor, padre: tome-a e siga Jesus.

Talvez um dos grupos mais fascinantes da Idade Média sejam os Cavaleiros Templários. Essa ordem religiosa e militar foi fundada em 1120, após a conquista de Jerusalém pela Primeira Cruzada. Os Templários faziam voto de pobreza, castidade e obediência, além do voto especial de proteger os peregrinos que se dirigissem a Jerusalém – pois ataques de muçulmanos nas estradas eram muito comuns.

Diferente dos membros de outras ordens religiosas, os Templários não recebiam a ordenação sacerdotal. Pois aqueles que representam Jesus Cristo e administram os sacramentos não podem derramar sangue humano: isso sempre foi proibido pela lei da Igreja.

A Ordem tinha seus próprios capelães: “tratava-se, porém, de padres que entravam para fazer parte do Templo quando já houvessem recebido a consagração sacerdotal, sendo absolutamente proibidos de empenhar-se nos combates” (Barbara Frale. Os Templários e o Pergaminho de Chinon).

Para nós pode parecer incompreensível a existência de uma ordem de frades habilitados para a guerra. Mas também naquele tempo vestir o hábito religioso e participar de uma guerra era visto como algo inconciliável; a aprovação da Igreja à nova ordem não deixou de gerar perplexidade. Afinal, tanto pecadores arrependidos e penitentes quanto grandes santos renunciaram às armas para seguir na via cristã de forma mais perfeita (como Santo Inácio de Loyola, que deixou suas armas e sua armadura de cavaleiro aos pés da imagem da Nossa Senhora de Montserrat). Sobre esse assunto, indicamos o livro de Barbara Frale, Os Templários e o Pergaminho de Chinon, que explica muito claramente o cenário em que essa realidade se formou.

Jerusalém estava sob o domínio dos imperadores cristãos bizantinos até o século VII, quando os muçulmanos invadiram e tomaram o território. Por 200 anos, as peregrinações de cristãos à Terra Santa ocorreram tranquilamente, graças ao tratado diplomático firmado entre Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano, e o califa Harun al Rashid.

Essa paz foi por água abaixo quando o califado egípcio assumiu o poder na região: “no ano de 1009, as autoridades islâmicas da Síria decretaram o saque de Jerusalém e a destruição do Sepulcro, com a terrível recrudescência do fanatismo, que se abateu com grande violência sobre os locais de culto cristão” (Barbara Frale).

A profanação dos locais sagrados em que Jesus sofreu sua Paixão e Morte mexeu profundamente com os cristãos. Em vez de diminuir, o fluxo de peregrinos aumentou. Tanto pobres quanto pessoas ricas e cheias de privilégios deixavam tudo para trás na Europa para seguir naquela perigosa viagem. Daí a importância da missão original assumida pelos Templários.

Os muçulmanos acabaram por tomar de vez a Terra Santa, e a esperança de retomar Jerusalém ficava cada vez mais distante - ainda que esse sonho jamais tenha sido abandonado pelos Templários. As guerras contra os infiéis já não eram tão frequentes. Diante dessa nova realidade, os Templários se adaptaram e assumiram uma nova função, dedicando-se especialmente à atividade mercantil-financeira. Mas isso é papo para outro post...

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