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Segunda, 03 Outubro 2016 17:01

A história dos convidados chatos do Concílio de Trento

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“Os homens é que devem ser transformados pela religião, e não a religião pelos homens”.

- Egidio de Viterbo, introdutória ao Concilio do Latrão V (1512).

Estamos nos aproximando do fim da série sobre Martinho Lutero. Antes de chegarmos ao capítulo final, precisamos falar um pouco do Concílio de Trento, em que bispos e padres do mundo inteiro se reuniram para discutir as medidas necessárias para promover a retidão moral do clero, revitalizar a Igreja Católica e reaproximar católicos e protestantes.

Ao contrário daquilo que muitos imaginam, a Igreja não instituiu o Concílio de Trento por "vingança" contra a Deforma Protestante ou por "medo de perder terras e fiéis", mas motivada pelo melhor espírito de autocrítica e desejo de conciliação.

A brecha por onde Satanás inseriu o protestantismo - fenda incorrigível e resiliente no muro cristão - surgiu durante a era dos ditos "papas insensatos" da Renascença, mas também não devemos esquecer que Jesus nos deu alguns dos maiores de seus santos (S. Felipe Néri, Sta. Teresa de Jesus, S. João da Cruz, S. Inácio de Loyola, S. Pedro de Alcântara, S. Francisco de Sales) nesses mesmos tempos. Viva o Espírito Santo!

O Concílio de Trento é cercado de preconceitos e é muito mal explicado. Por isso, pouca gente sabe que ele foi o mais ecumênico de todos. Até mesmo os protestantes foram convidados a fazer parte!

O Imperador Carlos V queria que o Concílio fosse no território do Sacro Império, para que os príncipes reformistas (protestantes) participassem e não usassem a distância como desculpa para a sua ausência. Era desejo do Imperador a unificação da Igreja.

O primeiro impasse foi o desejo do Papa de que o Concílio fosse em uma cidade italiana. Todos tinham algo a dizer, mas as divergências criaram muitos e embaraçosos impasses. O Concílio, primeiramente, deveria ser em Mântua ou Vicenza, e o Papa fez a convocação para ambas as cidades, só que ninguém foi. No final, venceu o Imperador, já que Trento era uma cidade alemã (vemos aqui, mais uma vez o quanto a Igreja é "malvada" e "ditatorial". É nos detalhes que se esconde a verdade).

Na segunda parte do Concílio, os protestantes deram o ar da graça, porém, para variar, já chegaram aprontando. Foram, basicamente, seis meses de desaforo, desde outubro de 1551 até março de 1552. Apesar de tudo, os católicos permaneceram no espírito da boa vontade.

Só que não dava muito para negociar; a posição dos reformistas era irredutível, exigindo a ab-rogação dos decretos até então promulgados sobre o protestantismo e a realização de novos estudos sobre esses assuntos. E ainda queriam a renovação dos decretos dos Concílios de Constança e Basileia sobre o Conciliarismo; por fim, pleiteavam que os membros do Concílio fossem desligados do juramento de obediência ao Papa. Como, cáspite, obter unidade, se o símbolo e garantia desta unidade é justamente a figura do Sucessor do Pescador?

A cena abaixo resume a postura dos protestantes no Concílio de Trento...

lalala

Esse pequeno introito sobre o Concílio de Trento é para ilustrar que o espírito divisionista protestante não é fenômeno da modernidade, mas é, isso sim, uma real deforma de caráter presente desde a gênese. Sinceramente, se você quer REFORMAR ALGO, você tenta primeiro ver o que deve ser aproveitado e ouvir seus pares. Em vez disso, os protestantes chegaram na sala, botaram os pés na mesa e disseram: "vai ser assim, assim e assado!". Isso não é reformar, isso é querer destruir para colocar outra coisa no lugar e uma coisa conforme o seu gosto. Protestantismo: pai orgulhoso da geração mi-mi-mi!

Óbvio que a verdade da Santa Igreja permaneceu incólume e, sinceramente, os protestantes sabiam que mesmo com a presença deles lá, isso não mudaria. O embuste mesmo nasce do entendimento luterano de que o pecado original, como definido por Santo Agostinho, é a corrupção total da natureza humana. O relativismo tosco que vemos em nossa sociedade (lembremos que Kant, o pai do relativismo, era protestante e nunca faltava a um culto) vem daí.

Falando propriamente do nosso querido monge maluco, em resposta às medidas do Concílio, ele escreveu um livreco muito mimoso chamado Contra o papado romano, estabelecido pelo diabo (veja abaixo a ilustração da capa da edição original, com o Papa saindo da boca de uma besta, cercado de demônios). Quando um protestante vier dizendo para vocês que o Papa está "reconhecendo que os protestantes têm razão", lembre a ele que o Sr. Lutero chamou o Papa de "infernalíssimo".

Até hoje só vejo católico procurando chamar os protestantes de volta à unidade. Protestante eu nunca vi pedir desculpas nem por uma coisa, nem por outra. Para piorar, o tal libreto trazia as ilustrações de uma certo Cranach, em que a mais suave ilustrava dois demônios enfiando baldes de lixo na cabeça do Papa (sobre essas ilustrações abjetas, saiba mais aqui). Bom, "siga la pelota".

Fiquem com Deus.

contra_papado

FONTES:

Jorge, Fernando. Lutero e a Igreja do Pecado. Ed. Mercuryo.

Aquino, Felipe. História da Igreja: O Concílio de Trento. Disponível em http://cleofas.com.br/historia-da-igreja-o-concilio-de-trento/

Denifle, Heinrich. Luther and Lutherdom. Torch Press, (EUA).

1070 Domingo, 23 Abril 2017 22:58

Comentários   

0 # Bruno 16-10-2016 15:30
Olá, Eu li no livro de Dom Bosco "História Eclesiástica" que os protestantes não foram ao Concílio de Trento: " Convidaram também para assisti-lo aos protestantes, e foilhes dado plena liberdade para discutir e garantias plenas de que não seriam molestados, porém nenhum deles se apresentou, porque as trevas fogem da luz, e quem está interessado em sustentar o que e falso, teme ser convencido da verdade." Isso é verdade?
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0 # @Lipee_Martiins 07-10-2016 15:06
Post esclarecedor! Gratidão por esse blog. É muito bom poder conhecer a história da nossa Santa Madre Igreja! Realmente, o que seria do mundo se não existisse o relativismo hein? Certeza de que seria um lugar bem melhor e com a inexistência de muitos dilemas! Paz e Bem
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0 # João 04-10-2016 23:24
Olá tenho uma dúvida Descates poderia ser considerado ortodoxo ? Eu sei que muitos vão se espantar com a pergunta pois ele é considerado o pai do racionalismo e da filosofia pos moderna. Mas li que ele permaneceu católico durante toda a sua vida e que sua obra apologética "meditações metafísicas" foi escrita a pedido de um cardeal além do mais li que sua famosa frase "penso logo existo" ja fora dita por Santo Agostinho mas de um jeito diferente.
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0 # Paulo Ricardo Costa 05-10-2016 11:31
Meu caro João, Descartes não foi ortodoxo, foi, sim, um mau católico. Respondendo suas perguntas: não sei se "meditações metafísicas" foi escrito a pedido de um bispo, só sei que essa titica nada mais é que o "Discurso do Método" aplicado à metafísica. Sim, uma das bases filosóficas de Descartes é Santo Agostinho. Mas Descartes, nosso papai desta sociedade moderna de idiotas filosóficos, não tinha o preparo de um escolástico, bem como poucos hoje o tem, para entender Santo Agostinho. Deu no que deu. Para entender o mal que representa Descartes e todos os estragos que ele fez, procure ler os livros: - Visões de Descartes: Entre o Gênio Mau e o Espírito da Verdade. Carvalho, Olavo de. Vide Editorial, 2013. - Dez livros que Estragaram o Mundo e Outros Cinco que Não Ajudaram em Nada. Wiker, Benjamin. Vide Editorial, 2015.("Discurso do Método é o livro nº 2 entre essas desgraças que nos trasformaram em monstros).
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0 # Emanuel 04-10-2016 20:08
Muito bom e esclarecedor o post.Estava mesmo com saudade dos posts de História. Você sumiu. ” No final, venceu o Imperador, já que Trento era uma cidade alemã (vemos aqui, mais uma vez o quanto a Igreja é “malvada” e “ditatorial”. É nos detalhes que se esconde a verdade).” Bem,queria aproveitar esse gancho para perguntar algumas duvidas que estão comigo faz tempo : 1-Quem começou o tão infame revisionismo histórico ?Os iluministas , os protestantes , ou os marxistas ? Pergunto isso pois recebi recebi respostas diversas em vários lugares.Mas sei que , independente de quem inventou , os três aprendera a usar direitinho.Mas quem foi o ''mastermind'' do esquema de falsificação histórica? 2-Estou pensando seriamente em cursar História . Mas eu sei que tipo de coisa vâo tentar me enfiar lá. Como devo agir ? Devo simplesmente fazer o que mandam , e pesquisar por conta própria depois ?Decidi perguntar aquí pois voçe já cursou História , e deve saber melhor como funciona nas faculdades.Eu sempre fui apaixonado por História . É uma das poucas materias que eu me aprofundei fora da escola.Mas eu sei o quão agressivo é o processo de doutrinaçao lá dentro.Então , se eu realmente decidir me meter de cabeça nisso ,como agir ?
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0 # Paulo Ricardo 05-10-2016 11:55
Não se aprende história na faculdade aqui no Brasil. Pelo menos eu não aprendi P&%$#$@%örra nenhuma. Tudo que sei de história aprendi antes de entrar lá e depois, para desintoxicar. Só pude obeservar naquele ambiente inveja, orgulho, luxúria e todos os demais pecados capitais com uma pitada de homossexualismo militante. Mais nada.
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0 # Emanuel 05-10-2016 18:55
1-Vale pelo esclarecimento. Vou pesquisar sobre Wycliffe depois . 2-Bom, Filosofia tambem serve para mim , eu gosto de Filosofia. Embora tenha aprendido mais fora da escola do que dentro .Não que o professor fosse ruim , é que ele tinha menos aulas do que todos os outros. Mas eu gosto dele, é imparcial e nunca meteu a opinião dele no meio dos assuntos . *cof,cof,professores de História,cof,cof*. Brincadeiras a parte , já imaginava o naipe das faculdades de História , pois professor de História que eu já tive = esquerda.Ok,não todos , mas a maioria. Vou pensar seriamente na sua dica.Valeu mesmo !
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0 # Paulo Ricardo Costa 04-10-2016 22:10
Nenhum dos três, o movimento revolucionário começou na Inglaterra com Wycliffe. Quando digo movimento revolucionário quero englobar toda e qualquer forma de pensar revolucionário. Os iluministas apenas aproveitaram-se da mentalidade anti-escolástica e a desenvolveram aos píncaros, culminado com o marxismo cultural. Sobre cursar história. Não curse, tente filosofia, é mais aberto, ou teologia, muito mais útil. Estude história como matéria paralela ao desenvolvimento das outras. Em quatro anos na faculdade de história vi virarem história 48 meses da minha vida.
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0 # Denize 04-10-2016 18:20
Nossa! Esse site é muito bom!! E divertido também! Gostaria de deixar meus parabéns! Gostaria de conhecer ( ou saber os nomes) dos autores. Obrigada
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0 # A Catequista 04-10-2016 18:25
Denize, agradecemos os elogios! Apresentamos nossa equipe aqui: http://ocatequista.com.br/archives/2503
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0 # Alex Hoffmann 04-10-2016 15:33
Então lá vai uma que escutei ao falar para uma pessoa sobre Lutero et caterva, falei das fontes mais algumas coisas das quais no momento me lembrava sobre os "lindos" deformadores, afinal não tinha ido conversar sobre este assunto, portanto, a minha cabeça estava ligada em outras coisas, contudo eis o que saiu: "muita fofoca e acusação dos católicos ocorreram contra os protestantes, não podemos acreditar em tudo, além do mais eles tinham a razão"; insisti afirmando na veracidade da fonte, além de dizer que eles tinham as razões do demônio, novamente: "mas você tem que lembrar que os padres da época e o papa não valiam muita coisa não"; então repliquei, sim, não valiam o feijão que comiam, contudo a caca que fizeram foi pior do que aquelas que estavam acontecendo, ademais as fontes das quais relatam estas coisas não vem de católicos, são escritas a punho dos próprios protestantes. No fim, fiquei quieto pra não ter que brigar com a pessoa. Apenas que tal cidadão é católico, não é nenhum jujuba, iludido com as produções do CEBI.
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0 # Alex Hoffmann 04-10-2016 15:35
Está iludido com as produções do CEBI.
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0 # Paulo Ricardo Costa 04-10-2016 14:06
Caro Sidney, Como eu disse esse é o entendimento protestante, legado por Lutero. Ficou pior com Calvino, pai da famigerada teoria da prosperidade Weber trata disso no muito clássico A Ética Protestante é o Espírito do Capitalismo.
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0 # Sidnei 04-10-2016 15:19
Obrigado Paulo. Com sempre, os protestantes distorcendo tudo, até mesmo, os ensinos de Santo Agostinho, neste caso, sobre o pecado original e as consequências para todo o ser humano.
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0 # Sidnei 04-10-2016 09:16
" No final, venceu o Imperador, já que Trento era uma cidade alemã (vemos aqui, mais uma vez o quanto a Igreja é “malvada” e “ditatorial”. É nos detalhes que se esconde a verdade)." Pois é, e depois tem gente que diz que o Papa é o homem mais poderoso da terra, um deus, que pode mandar em tudo, pode fazer tudo, que todos estarão sujeitos a ele, sem questiona-lo ou afronta-lo. Ledo engano, mesmo na Idade Média, que todos dizem que o Papa mandava e desmandava, teve Papa que fugiu para morrer no exílio (Papa Gregório VII), teve papa que levou bofetada na cara (Papa Bonifácio VIII), fora os papas da revolução francesa, que comeram o pão que o diabo maçou nas mãos de Napoleão (Papas Pio VI e Pio VII). E nos dias de hoje não é diferente, quem acredita que o Papa tem um grande poder nas mãos se enganam redondamente, ele só tem o poder da Palavra e nada mais, haja vista que se alguém quiser pulverizar o Vaticano em questões de segundo, vai fazer sem problemas algum, portanto, quem crer nestas bobagens de dizer que o Papa é o homem mais poderoso da terra, deve estar viajando na maionese. Seu poder é espiritual, dado por CRISTO por primeiro a Pedro e depois a seus sucessores, não é um poder temporal, se dependesse de poderes temporais o papado já teria tido seu fim a muito tempo.
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0 # Sidnei 04-10-2016 09:03
" O embuste mesmo nasce do entendimento luterano de que o pecado original, como definido por Santo Agostinho, é a corrupção total da natureza humana." Desculpem eu não entendi, foi Santo Agostinho quem ensinou que o pecado original corrompeu totalmente o ser humano, ou, forma os protestantes, através de Lutero, que entenderam que Santo Agostinho ensinou isto, quando não ensinou.
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0 # JB 04-10-2016 18:06
Esse é um mau entendimento da doutrina agostiniana. O pecado original, ensina Agostinho, criou uma fratura na alma humana que nos separa de Deus e por isso necessitamos da Graça. Mas daí até a "corrupção/depravação total", que é uma expressão protestante, vai uma grande distância. Mesmo tendo a natureza cindida pelo pecado original, nós ainda temos a lei moral inscrita em nossas almas e nosso livre-arbítrio continua funcionando para distinguir o certo do errado.
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