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Quarta, 03 Outubro 2012 09:00

CATECINE - O Homem que Não Vendeu Sua Alma

Postado por

sao_thomas_more_henrique_viii

O filme indicado de hoje é um dos maiores da história do cinema. Figura, sem perder seu brilho, ao lado de "O Bom Pastor", "Os Sinos de Santa Maria" e "A Canção de Bernadette" - todos já comentados aqui - como clássico absoluto do cinema.

Um dos maiores intelectos da Idade Média, homem admirado até pelos detratores da Santa Igreja, São Thomas More é o exemplo maior de retidão moral e amor à verdade intelectual do seu tempo. Estranhamente, o que é um caso raro e feliz, o título do filme em português que narra os acontecimentos mais importantes da sua vida diz mais e melhor sobre a obra do que o título original em inglês.  "O Homem que Não Vendeu Sua Alma" é um título mais direto e contundente do que "A Man For All Seasons".

Grandioso em todos os sentidos, temos aqui um vislumbre do maior embuste religioso de todos os tempos. Não gente, não são os protestantes do chatonildo Lutero ou do protonazista Calvino, mas os anglicanos de Henrique VIII. O anglicanismo nada mais é do que uma religião criada porque um rei mau-caráter, que não conseguia deixar seu bigolim dentro das calças.

Se a história dos Tudors em geral é nojenta, a de Henrique VIII é o compêndio de Sodoma e Gomorra.  Bom, mas antes que eu divague mais, só quis colocar aqui em vocês o germe do "bicho pesquisador", para entender melhor a Igreja Anglicana. Esta não deve ser colocada no mesmo balaio que as cinco outras mil denominações do que acostumamos chamar de protestantismo. Voltemos a nosso filme.

o_homem_que_nao_vendeu_a_sua_alma_thomas_more"O Homem que Não Vendeu Sua Alma" mostra justamente o momento em que o Rei trama contra a Igreja para poder chutar a Rainha de fato - Catarina da Espanha, ou de Aragão, como preferirem - para colocar em seu lugar a famigerada Ana Bolena, uma pessoinha que, mais tarde, perderia a cabeça por causa do Rei... literalmente. A desculpa principal é que Catarina não lhe dera herdeiros machos, dos quais o Rei dizia precisar (só havia uma princesinha). Na verdade, eles tiveram cinco filhos, mas somente um chegou à idade adulta.

Mimado e arrogante, ninguém dizia não a Henrique VIII. Tudo gira em torno de intrigas palacianas, na pequenez dos homens e no puxa-saquismo dos políticos. Pairando magnífico acima de tudo isso, havia um gigante. São Thomas, Chanceler do Reino, foi o único a colocar o gordo no seu devido lugar - muito abaixo de Deus - e tudo isso simplesmente guardando silêncio.

Para finalizar a história: a princesinha cresceu e tornou-se uma das mulheres mais cultas e inteligentes de seu tempo. Como era católica, teve sua reputação defenestrada por "honestíssimos" historiadores protestantes.  Henrique tinha como herdeiro Eduardo VI, um moleque enfermiço e boçal que nada mais foi que um joguete na mão dos protestantes, tanto que deserdou sem poder suas irmãs (Maria e Isabel). Só que a princezinha não era mais uma tola, e tornou-se rainha da Inglaterra (Maria I, ou, como chamam os "imparciais" ingleses, Blood Mary - o nome daquele drink mesmo). Após Maria I, última filha viva da Rainha Catarina, sobe ao trono a filha de Ana Bolena, Isabel I. O resto é história, e em outra oportunidade voltaremos a ela.

A atuação de Paul Scofield rendeu-lhe o Oscar. O filme ganhou mais cinco estatuetas. Aluguem, comprem, peguem emprestado do seu amigo cinéfilo (nunca de mim pois não empresto filmes... política da casa :-)) e deslumbrem-se com esse grande filme, que é  também uma grande lição de história e de comportamento moral.

365 Quinta, 25 Maio 2017 00:32

Comentários   

0 # Larissa 09-03-2016 13:13
https://www.gloria.tv/?media=188718 Link do filme :) Demorei séculos até achar rs
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0 # Fernanda Lemos 11-11-2015 21:39
É verdade que Thomas More disse que Henrique VIII veio tirar o povo da escuridão, da escravidão? Quando ele casou com catarina? li isso no site dos Tudor do Brasil.
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0 # Fernanda Lemos 11-11-2015 21:34
Tem um site que se chama:Tudor do Brasil tem tudo que vc quiser saber sobre eles.Inclusive tem um livro que se chama o diário secreto de Ana Bolena claro,baseado em ficção que afirma que ela era feminista,moderna,diferente da beata, submissa,chifruda Catarina de aragão.A fama dos Tudor no Brasil e Ana Bolena tá bombando.Enquanto vcs católicos dorm em no ponto e não ensinam nada aos católicos sobre sua origem.
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0 # Fernanda Lemos 09-11-2015 20:35
O filme Elizabeth de 1998 que mostra os católicos como monstros e a rainha e os protestantes como vítimas,dizem que foi o maior sucesso! depois fizeram Elizabeth a era de ouro devido ao sucesso! o que vcs acham?
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0 # Sidnei 09-11-2015 22:22
Eu acho uma tremenda sem vergonhice, por parte de hollywood, fazer filmes que difama a Igreja Católica o tempo inteiro. Elizabeth não foi o único a trazer a nós católicos como monstros, outros filmes, como o famigerado Código Davince traz o mesmo enredo, que a Igreja Católica é uma mau que deve ser extirpado a qualquer custo da face da terra. Neste file Elizabeth, só mostraram o lado cândido de Elizabeth que foi perseguida pela sanguinária Igreja Católica, ela e os pobres protestantes na Inglaterra, mas não mostra, a perseguição que seu paizinho (Henrique VIII) fez contra os católicos, não mostra como os protestantes se revoltaram e quiseram até depor a meia irmã de Elizabeth Maria Tudor, que sucedeu a seu outro meio irmão Eduardo VI, de forma legítima, mas os protestantes por ódio queriam vê-la morta mas não como rainha da Inglaterra, e após tantas revoltas, quando esgotaram a paciência de Maria Tudor, ela enfrentou os revoltosos, de tal maneira que hoje ela é conhecida como Maria a Sanguinária. Se Maria I foi sanguinária, sua meia irmã Elizabeth, também foi, mas isto o filme não conta, não mostra, foi feito sob encomenda, talvez, por maçons, protestantes, ateus, ou quem sabe, todos eles reunidos em um complô, tudo para desmoralizar a Igreja Católica.
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0 # Harun Salman 12-11-2013 09:03
Desculpe ressuscitar um post antigo, mas alguém leu o livro de Lady Antonia Fraser sobre as esposas de Henrique VIII? O relato que ela faz da vida de Catarina de Aragão é lindo! E comovente! Catarina era tão culta e virtuosa que nem seus maiores inimigos puderam macular sua memória! Só isso já é uma grande lição!
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0 # Tiago 05-10-2012 09:21
Muito bom o filme! São Thomas More, cabra macho e muito do sabido!
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0 # César Guerra 03-10-2012 16:56
Li certa vez uma crítica a S. Thomas More dizendo que ele era um político comum, pessoa católica, correta, mas pessoa comum. Seu livro, Utopia, seria ruim e fruto de uma mentalidade já contaminada pelas ideologias sem Deus (não li o livro) que culminam no socialimo e comunismo do século XIX. Seu grande mérito foi ter sido corajoso e ter morrido mártir. Sua santidade portanto reside no seu martírio e não na sua vida como um todo. S. Tomas More, rogai por nós.
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0 # Heitor 19-03-2015 19:32
Sobre o Livro: http://www.pr.gonet.biz/index-read.php?num=3136
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0 # Eduardo Araújo 04-10-2012 16:02
Caro César, não vou falar do conteúdo do livro (Utopia) por que não o li (ainda, pois pretendo). Mas posso dizer que essa palavra - e muito certamente a mensagem do livro - teve seu sentido mudado, e comumente é usada com significado de um sonho impossível ou - embora muito desejado - difícil de ser realizado. É nesta segunda acepção que se costuma ligá-la aos reclames marxistas. Lembra do tal "outro mundo possível", clichezão da esquerdalha?
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0 # Cadu Sindona 03-10-2012 17:55
César não creio que "Utopia" seja uma obra de um pensamento sem Deus, ela é na verdade uma crítica a sociedade da época e é contra o absolutismo que Maquiavel escrevera em "O Príncipe", esse sim bem mais longe de Deus. "Utopia" fala de moral e "O Príncipe" por outro lado fala exatamente de um direito de ser imoral pela ordem.
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0 # Jani 03-10-2012 11:15
Parabéns! Grande São Thomas More! já ouvi falar que ele é o intercessor, da política.Hahá, rogai por nós!
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0 # Cadu Sindona 03-10-2012 11:02
Grande Paulão! Gostaria de ouvir a verdade não contada da Rainha Maria I porque na escola ela é um monstro. Pelo que estudei, não os livros da escola, ela era uma moça muito bonita que sempre fora extremamente educada, sua mãe Catarina foi talvez a alma mais bondosa que a Inglaterra jamais teve, e Maria não era uma princesinha tola, porém tudo que já li fala da extrema perseguição, "tortura" e "morte" dos protestantes em seu reinado, isso é verdade Paulo?
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0 # Eduardo Araújo 04-10-2012 15:56
Adicionando ao esclarecimento do Paulo, lembro que a cambada iluminista da história tende a ocultar o tratamento que Elisabeth I dispensou à sua prima (imaginem se não fosse) Mary Stuart, confinando-a em quartos escuros de castelos (análogos às solitárias das prisões hodiernas) por quase 20 anos (!), antes de submetê-la a uma execução horrorosa, com direito a "errinho" do carrasco. A desumanidade extrema de todo o processo revela bastante a verdadeira face da "rainha virgem" (na orelhinha, talvez?). Quanto à Mary Tudor, ainda hoje algumas publicações sobre história - a exemplo dessas revistas de banca - perpetuam o ignominioso apelido de "Blood Mary", uma injustiça que transfere à rainha católica a índole cruel que tinha, de fato, a meio-irmã, protestante. A religião professada é um dado muitíssimo importante no entendimento dessa questão (Mary Stuart também era católica). É relevante sublinar como o anticatolicismo arraigado de Gibbon foi muito bem recebido pelos "iluminados" que o elegeram - modestamente (hahaha) - pai da história moderna (num paralelo no mínimo absurdo com Heródoto).
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0 # Ana Cláudia Marques 18-05-2014 15:59
Oi, Eduardo! Tudo que você acabou de mencionar está certo, sendo que Mary Stuart tinha mesmo pretensões ao trono inglês. Sua vida se tornara o maior perrengue: problemas na Escócia por causa do time protestante (lê-se John Knox e sua patota), de um meio-irmão asqueroso, Moray, que tudo fez para tirá-la do caminho, de ser acusada de tramar a morte do marido (seu primo Henrique, Lord Darnley) e de ter sido forçada em abdicar em favor do filho pequeno. Fugindo do cativeiro na Escócia (fôra presa por nobres revoltados), cometeu a maior besteira de sua vida: aceitou o convite da prima para "dar uma passadinha" na Inglaterra e ela caiu na cilada. Bem que Elizabeth pensou em pegar leve com Maria, porém sabia que na Inglaterra havia muitos ingleses simpatizantes do catolicismo que inclusive consideravam a rainha da Escócia mais apropriada ao trono inglês; e ela receava uma espécie de complô, de modo que após um rolotê de intrigas de muita gente (ele-disse/ela-disse), assinou a sentença de morte contra ela e o resto, já sabemos. Assim, a vitória foi da mais esperta... até certo ponto: como a "boa Bess" ao morrer não deixou descendentes, quem foi o felizardo que subiu ao trono vago, quem? Quem? Não, não foi Raimundo Nonato; mas sim Jaime VI, rei da Escócia, filho de Maria Stuart! Com o nome de Jaime I da Inglaterra, deu origem a uma nova dinastia. Sai Tudor, entra em campo Stuart. Assim, pode-se dizer que Maria riu por último, mesmo estando na terra da verdade. Tempos depois viriam os Windsor (origem Saxe, germânica), porém isso já é outro departamento na história do Reino Unido (RISO)...
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0 # Paulo Ricardo 03-10-2012 13:17
Sempre desconfie e pesquise QUALQUER COISA referente a história da Inglaterra e do Reino Unido, meu amigo. Tenha em mente que, entre todas as nações, incluindo aí a Alemanha de Lutero, a Inglaterra SEMPRE FOI A MAIOR INIMIGA DA IGREJA CATÓLICA, isso é a herança maldita de John Wycliffe perpetuada através do pai de Maria I, Henrique VIII. Falaremos disso futuramente depois da aguardada série do luteranismo - um proto-projeto que eu chamo atualmente de "consequências" - mas é importante desde já ter em mente o seguinte: qualquer coisa que partiu da acedemia inglesa de meados do século XVI até os dias atuais é eivado de ideologia revolucionário e maquiavelismo protestante. Esse caras de pau, cujo maior exemplo é Edward Gibbon, SEMPRE DISTORCEM AS COISA PARA O LADO DOS GOVERNANTES PROTESTANTES DA INGLATERRA, sua maldade e a puerilidade dos argumentos quando fazemos a análise das fontes nos leva a qualificá-los daquilo que são: psicopatas. Se eu sempre alerto que devemos procurar o nosso historiador interior e pesquisarmos por conta própria, de forma nenhuma acreditando em nada - a priori - que qualquer especialista em história nos diz (eu incluso), esse alerta deve ser triplicado quando se tratar de historiadores ingleses em especial em ingleses da era moderna. A Rainha Maria I não foi sangrenta, nem maluca e, por sinal, até a destruição da "invencível armada" pela sua irmã Elisabeth I, a "rainha virgem" que dava pra todo mundo, Maria I sempre foi uma sombra a pairar sobre sua irmã, que era, literalmente, uma filha-da-p..., pelo menos aos olhos da Santa Igreja, já que sempre foi considerada filha bastarda da vagabunda do Rei.
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0 # Natália.O 07-10-2012 15:59
Jovens católicos que ainda estão no colégio ou faculdade usem essa frase que a minha vó disse pra mim : "não deixe a escola(colégio,faculdade, etc) atrapalhar sua educação,esse mundo está cheio de mentiras e de mentirosos.Olho vivo!"
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