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Domingo, 01 Abril 2018 16:05

Calvino e sua máquina implacável de excomunhões

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Salve meu povo!

E hoje voltamos ao exame da história da Deforma Protestante calvinista.

Primeiro, vamos lembrar que Calvino era 26 anos mais novo que Lutero e, na sua época de atuação, a Reforma já tinha virado o balaio de gatos que todos nós conhecemos. Isso porque já havia se espalhado por toda a Europa o livre exame, proposto pelo reformador original.

Quem entrava na vibe protestante se transfigurava em um catecismo ambulante e ia para a praça gritar: “A bibra diz...”. Mas Calvino não era fã desse tipo de abordagem. Muito pelo contrário, era um advogado, e como tal prezava a ordem social.

Parece bom, mas não é. Em sua ânsia por ordem, ele deu um bico e abriu um pouco mais as portas do Inferno sobre nós. Vamos ver como.

Seu primeiro trabalho de grande influência foi As institutas da Religião Cristã, escrito em 1536. Tratava principalmente de como colocar ordem no galinheiro protestante. Cheio de “boas intenções”, no ano seguinte, ele foi para Genebra, cidade que havia pouco abraçado a Reforma. O que se seguiu a sua chegada foi uma beleza...

Ele exigiu do Conselho da Cidade a abolição da Missa, a expulsão dos padres e lealdade somente à Bíblia. Obrigou ainda que todo cidadão genebrino recitasse uma confissão de fé escrita por ele, do alto de toda a sua autoridade de “pastor preocupadão” com a salvação das almas suíças.

Fica claro aqui que, mais do que uma preocupação pastoral, Calvino demonstrava uma preocupação com a ordem pública. Esse homem simplesmente acabou com a liberdade dos cidadãos. Abusos da fé sempre houveram, e o cristianismo católico, apesar da fama que a maioria dos historiadores a partir do século XVI quis imputar-lhe, nunca obrigou por obrigar todo e qualquer cidadão a fazer proclamações públicas, conforme uma fórmula, da sua fé.

A meu ver, o mais triste legado do calvinismo foi a criação da militância como nós a conhecemos hoje. Vocês não acharam que Marx, Gramsci, Lukács e o resto da malta tirou todas as ideias brilhantes de suas cabecinhas iluminadas, achou? A ideia central da militância política, a doutrinação para fins políticos e sociais, fortalecendo o poder dominante do Estado por meio da massificação e verificação da pureza ideológico-revolucionária foi um “presente” de Calvino para humanidade.

Ele criou uma entidade chamada Consistório, responsável pela fiscalização e julgamento da pureza teológica e comportamental dos cidadãos de Genebra. Todas as militâncias políticas surgidas no mundo, a partir daí, não passam de filhotes do Consistório calvinista. A polícia política de Cuba e a KGB agradecem.

Vemos aqui o surgimento das modernas ideologias, que nada mais são que boas ideias (que nada tem a ver com a realidade) enfiadas à força no seio da sociedade porque uns caras que acham os que não as seguem são bobos, feios e com cara de melão.

O Catequista acaba de lançar um livro sobre a Inquisição – lá vocês podem ver o número das condenações do Consistório calvinista. Pois bem, vamos a um comparativo: em 10 anos (isso mesmo, meros 10 anos) o Consistório fez com que um em cada quinze cidadãos de Genebra comparecessem em frente a ele e desses um em cada 25 foi excomungado.

A pergunta que fica é: como se excomunga alguém que professa uma fé que se baseia em LIVRE EXAME DAS ESCRITURAS? Como estabelecer qual crente interpreta as Escrituras certo e qual interpreta de modo errado? Isso, simplesmente, não faz sentido. Ou não deveria fazer. O calvinismo original é um projeto de poder, mais do que uma forma de cristianismo.

É bem simples: Calvino não era um defensor da liberdade de interpretação das escrituras (Sola Scriptura). Ele defendia esse princípio só da boca para fora. Seu ponto de vista era: sai a Igreja Católica e entra... eu mesmo (!). Desafiar os prelados de Calvino era perigoso. Seus sicários cometeram as maiores barbaridades. Por exemplo, um certo monge chamado Jerome Bolsec se converteu ao protestantismo encantado com a Sola Scriptura, ousou discordar do sabidão quando esse expôs a teologia da predestinação em uma aula. Resultado: foi em cana.

Fica ainda pior. O Conselho da Cidade deu a Calvino o direito de excomungar e excomungar passou a ser o esporte preferido do francesinho. Fico imaginando um pobre coitado que tenha servido uma croissant vencida para esse cara na padaria. EXCOMUNGADO!!!!!!

Calvino tinha uma consciência plena de que Sola Scriptura é receita para o desastre. Falaremos disso no próximo post desta série.

*****

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1532 Sábado, 07 Abril 2018 15:46

Comentários   

+1 # Everton Caiçara PB 03-04-2018 09:28
Pessoal, muito interessante a parte do texto em que Calvino só pregava da boca pra fora a sola scriptura. O David A. Anders, ex-calvinista, em um texto dele afirma que Calvino nunca acreditou em uma religião como o protestantismo atual concebe, até ousaria em dizer que Calvino nessa parte não era relativista como os protestantes atuais. Um exemplo disso é a condenação explícita que ele faz ao luteranismo, contudo, se observarmos hoje em qualquer denominação protestante, veremos aquela famigerada máxima: "Religião não salva." Fica até complicado para os "crentes" essa afirmação, logo porque seus pais deformadores nunca pensaram dessa forma, ao contrário, tinham a convicção de que a interpretação que cada um tinha da Bíblia era a única correta!
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# Everton Caiçara PB 02-04-2018 10:19
Adorei o texto! Falando assim, com certeza seria excomungado pelo bruxo de Genebra. :)
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+1 # Paulo Ricardo Costa 03-04-2018 00:26
Você acaba de ganhar uma excomunhão.

Ass.: João Calvino.
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