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A Catequista

A Catequista

“Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”: esse é um dos cinco mandamentos da Igreja Católica. Para você ficar ligado nos dias de preceito e não dar uma de "Travolta confuso" em 2017, publicamos aqui um calendário especial!

travolta_confuso_calendario

Conforme a autorização que recebeu da Santa Sé, a CNBB transferiu algumas festas de guarda que caem em dias úteis para o domingo anterior ou seguinte (que sempre é um dia de guarda). Nesses casos, o preceito é cumprido no domingo. Indicamos essas situações no calendário abaixo, com uma seta SETA VERDE.

A CNBB também aboliu o preceito na solenidade de São José (19 de março); portanto, não a indicamos no calendário. Porém, no dia 1º de maio, Feriado do dia do Trabalho, honramos a São José Operário; essa festa foi instituída pelo Papa Pio XII, em 1955. Muitos católicos pensam que o dia de Finados, a Quarta-feira de Cinzas, a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira Santa, o Sábado de Aleluia e a Festa de Nossa Senhora Imaculada Aparecida são dias de preceito; não, não são. Certamente, um bom católico buscará participar das celebrações em sua paróquia nessas datas - afinal, é para isso que o feriado religioso existe - ainda que não tenha essa obrigação.

JANEIRO  

1º - Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus (Feriado)

6 - Epifania - Festa dos Reis Magos (passou para o domingo seguinte)

MAIO  

25 - Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo (passou para o domingo seguinte)

JUNHO  

15 - Corpus Christi (Feriado)

29 - Santos Apóstolos Pedro e Paulo (passou para o domingo seguinte)  

AGOSTO  

15 - Assunção de Nossa Senhora (passou para o domingo seguinte)

NOVEMBRO  

1º - Todos os Santos (passou para o domingo seguinte)

DEZEMBRO  

8 - Imaculada Conceição de Nossa Senhora

25 - Natal (Feriado)

 

Segunda, 02 Janeiro 2017 22:10

Santa Teresinha “adotou” um bandido

É bom ver que cada vez mais cristãos estão alertas a respeito dos males das ideologias nefastas propagadas pela esquerda. Por outro lado, tem muita criatura iludida, que mal acaba de sair das garras de Marx, começa a idolatrar ícones da direita, engolindo o discurso deles como verdade absoluta, sem filtro nenhum. Os erros ideológicos da direita podem te conduzir ao Inferno tanto quanto as ideologias marxistas.

É compreensível que nós, por justa conveniência, apoiemos representantes da chamada direita – afinal, com todos os seus grandes defeitos e problemas, são eles que causam menor dano aos valores cristãos. Mas cuidado pra não fazer dessa gente um novo Messias, e nem fazer da direita a sua nova religião!

É triste ver cristãos de direita que acham que estão abafando ao defender ideias completamente avessas à moral católica e à Doutrina Social da Igreja, como a esterilização de mulheres pobres, o aborto em caso de estupro e a rejeição de qualquer projeto governamental de assistência social. Mas hoje, quero falar especialmente da ideia de que os presos não devem ter acesso direitos humanos.

Sim, os militantes inescrupulosos de esquerda usam a pasta de Direitos Humanos para tratar criminoso como “vítima da sociedade” e favorecer a impunidade. Mas isso não anula a o fato de que o criminoso é também criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Não é bicho nem coisa – portanto, tem direitos humanos.

SÃO VICENTE DE PAULO E IRMÃ DULCE vicente_paula_prisioneiros No século XVII, São Vicente de Paulo tocava com a sua caridade a todos os pobres que podia, inclusive aos criminosos condenados às galés. Além de pregar o Evangelho a esses homens, o santo aliviou um pouco as condições bárbaras em que eles viviam, conseguindo, por exemplo, que tivessem atendimento médico.

Não duvido nada de que, se fosse hoje, haveria um coro de gente estúpida vociferando: “Tanto cidadão honesto passando necessidade, e esse padre fica passando a mão na cabeça de bandido. Atendimento médico pra que? Deixa esses lixos morrerem! Tá com pena, padre Vicente? Adota um bandido desses e leva pra casa!”.

Aliás, foi essa mentalidade que levou à proibição das visitas da Beata Irmã Dulce ao presídio da Coréia, em Salvador-BA. Ela frequentemente levava conforto espiritual, alimentos e remédios aos presidiários. Quão distante do exemplo dos santos está que acha ótimo ver presos apinhados em celas superlotadas; quem se compraz ao saber que um preso foi torturado ou estuprado na cadeia; quem deseja que os detentos tenham a vida mais miserável possível. Tais sentimentos não provêm de Cristo, mas sim do maligno.

Quer uma dica? Foca no Evangelho e na vida dos santos! foca_vicente

O PRIMEIRO FILHO DA SANTA DE LISIEUX

Por falar em adotar um bandido, é interessante saber que o primeiro filho espiritual de Santa Teresinha do Menino Jesus foi um bandido da pior qualidade: Henry Pranzini.

Antes de entrar para o convento, quando tinha apenas 14 anos, Santa Teresinha sentiu arder dentro de si o desejo de arrancar esse terrível assassino das chamas do Inferno. A execução de Pranzini era iminente. Ele não demonstrava um pingo de remorso, mesmo após ser condenado à morte pelo brutal assassinato de duas mulheres e uma criança de 12 anos, em Paris.

Por quase dois meses, Santa Teresinha rezou para que ele se arrependesse de seu crime e, assim, escapasse da condenação eterna. Mandou até mesmo celebrar uma missa nessa intenção. Foi com lágrimas nos olhos e o coração vibrante de alegria que Teresinha leu a boa notícia no jornal La Croix de 1º de setembro de 1887: antes da cabeça de Pranzini ser arrancada pela guilhotina, ele tomou das mãos de um padre um crucifixo, e beijou três vezes as chagas da imagem de Jesus. A santa teve a certeza de que esse era um sinal de que a sua oração havia sido atendida. E chamou ao infeliz criminoso de “meu primeiro filho”.

A santa de Lisieux não pleiteava por uma pena mais branda, nem pregava que Pranzini era “vítima da sociedade”. Ela tinha somente a clara noção de que era urgente lutar pela salvação das almas – de todas elas. Mas depois de tudo o que fez, Pranzini terá sido premiado com o Paraíso? É possível; mas não sem antes penar no Purgatório, onde as almas são purificadas pelo sofrimento. Todos pagam pelo mal que praticaram e por todo o bem que deixaram de fazer; uns no fogo santo do Purgatório, outros no fogo eterno.

O nosso dever, como cristãos, é orar e trabalhar pela nossa própria santificação, e levar a Boa Nova a todos. A TODOS! Isso inclui assassinos, traficantes e até ladrões, como São Dimas. É... Jesus também “adotou” um bandido. Tanta gente boa pra prestigiar, e Ele foi logo dar moral pra um meliante? Isso só pode indicar uma coisa: tem algo muito errado com essa gente que vai à missa todo o domingo, mas não reconhece os criminosos como filhos de Deus, e quer mais que todos eles vão queimar no Inferno.

 

Sabe aquele seu professor que diz que a Igreja Católica, na época da escravidão no Brasil, pregava que os negros não tinham alma? Aposto que ele vai ficar boladão se você perguntar a ele sobre os padres e bispos negros, que foram ordenados entre os séculos XVI e XIX. indiana_jones_confuso O PRÍNCIPE BISPO

Mvemba Nzinga (Afonso I do Congo) era um rei católico. Ele marcou a história do Congo com o primeiro governante a denunciar o tráfico de escravos negros, que era feito com a autorização da Coroa Portuguesa. Além disso, foi responsável pela implementação de um sistema educativo moderno (voltado para meninos e meninas), além de ter trazido diversos avanços para o país. mvemba_nzinga

Quando o príncipe Henrique tinha 14 ou 15 anos, Mvemba Nzinga o enviou a Lisboa, onde estudaria para ser padre. O Rei de Portugal gostava tanto de Henrique que o enviou à frente de uma delegação para prestar homenagem ao Papa Leão X. Cinco anos depois do encontro com o bispo de Roma, o padre negro foi eleito bispo, tendo apenas 26 anos.

A partir de 1518, ele se tornou o representante máximo da Igreja Católica em todo o território do Congo. O apostolado rendeu bons frutos para o Reino. Ele faleceu em 1531, e, doze anos depois de sua morte, metade da população do Congo já havia sido batizada.

(Para saber mais sobre o príncipe-bispo Henrique, leia A Igreja da Renascença e da Reforma, de Daniel-Rops, e A History of de Church in Africa, de Bengt Sandkler e Chistopher Steed)

NOS ESTADOS UNIDOS

Era uma vez era um branco americano que se apaixonou por sua escrava e se casou com ela. Tiveram muitos filhos, entre eles, James Augustine Healy, que viria a ser o primeiro sacerdote católico afrodescendente dos EUA.

James A. Healy foi ordenado em 1854. Ele fundou muitos institutos de caridade para socorrer os imigrantes pobres. Sua competência e bondade chamaram a atenção do Papa Pio IX, que o elegeu bispo de Portland.

Anos depois, após o fim da escravidão no país, dois de seus irmãos também se ordenaram padres: Patrick Francis Healy (que foi eleito presidente da Universidade de Georgetown) e Alexander S. Healy. Sua irmã, Eliza Healy, se tornou em 1903 a primeira madre superior afro-americana de um convento e de uma escola católicos, em St. Albans, Vermont. padres_negros

Em 1880, o ex-escravo americano Augustine Tolton foi admitido em um seminário em Roma. Depois de ordenado, Pe. Tolton retornou para os EUA, sendo sempre um pastor exemplar. Em 1897, morreu com fama de santidade.

NO BRASIL padre_victor

No Brasil, destaca-se a história do beato Padre Victor, ex-escravo. Ele teve a sorte de nascer em uma casa em que a senhora – sua madrinha – tratava os escravos com bondade, e recebeu uma educação sofisticada. Ao saber do sonho que seu afilhado tinha de ser padre, a madrinha o incentivou.

Bem impressionado com o jovem negro, o bispo local autorizou o seu ingresso no seminário. Padre Victor foi ordenado em 1851, sendo enviado para a diocese de Três Pontas (Minas Gerais). O povo simples o aceitou bem, mas os fazendeiros o rejeitaram. Foram muitas as ofensas, mas tão grande era a sua santidade que, com o tempo, o beato conquistou até mesmo aqueles que antes o perseguiam.

PORQUE TÃO POUCOS CLÉRIGOS NEGROS?

Os padres negros na época da escravidão negra eram numerosos? Não. E isso se deve a diversos fatores principais, alheios à vontade da Igreja:

  • as limitações impostas pelo sistema escravista, já que um proprietário dificilmente liberaria  um escravo para que entrasse no seminário (como foi o caso do Pe. Victor);
  • na África, na Era das Grandes Navegações, o catolicismo estava apenas começando a sua missão evangelizadora. A fé católica no Continente ainda não havia amadurecido e se organizado o suficiente para gerar membros numerosos para o clero.

Até o século V, antes da invasão ariana, a Igreja Católica na África era forte e vibrante. Foi na África que nasceu e viveu Santo Agostinho de Hipona, um dos teólogos mais importantes do catolicismo!

Porém, tudo começou a melar quando comunidade católica africana foi duramente ferida pela invasão dos bárbaros vândalos. E a chama da fé morreu de vez no século VII, esmagada pelo Islã (restaram, então, apenas alguns pequenos agrupamentos, como os coptas).

Graças a Deus, nas últimas décadas esse quadro mudou. A África é o continente em que o catolicismo mais cresce no mundo! Somente nos últimos dez anos, houve um salto de mais de 40% no número de católicos africanos. Deus abençoe e fortifique os nossos missionários! Viva Nossa Senhora de Kibeho!

Certamente você já ouviu alguém dizendo que “religião não salva”, quem salva é Jesus. Essa afirmação é tão boçal quanto dizer que hospital não salva a vida dos doentes, quem salva é o médico.

Claro que quem salva os pecadores é Jesus. E quem salva o doente é o médico – em casos extremos, ele faz isso até no meio da rua. Mas qual é o lugar ideal para o médico atuar? Qual o ambiente mais adequado e com os melhores recursos para atender os doentes e feridos? O hospital, é obvio!

Portanto, quem deseja a salvação da sua alma deve buscar Jesus na Igreja, assim como os doentes e feridos buscam o médico no hospital. Pois é por meio da Igreja Católica que Jesus Cristo nos dá acesso aos meios de salvação, em sua plenitude – Palavra e Sacramentos.

Jesus fundou a Sua Igreja sobre a Rocha (Pedro) e sobre colunas firmes (os Apóstolos). Em vez disso, se a Bíblia fosse suficiente por si mesma, Jesus teria garantido que os Evangelhos fossem escritos antes mesmo de Sua Ascensão, e teria ordenado que os cristãos distribuíssem Bíblias mundo afora, sem precisar explicar nada a ninguém. Porém, Cristo sabia que era preciso garantir que as Escrituras tivessem sua correta chave de leitura - e as Chaves dos Céus nós sabemos quem foi o único que recebeu de Suas mãos...

A Igreja é o "lugar" onde Cristo pode ser encontrado pelas pessoas de todas as gerações e lugares. Colocamos “lugar” entre aspas, porque o termo significa muito mais do que o templo em que os cristãos se reúnem: essencialmente, a Igreja é a comunhão sobrenatural dos que creem no Cristo.

Não basta crer sozinho, com a Bíblia embaixo do sovaco. É preciso estar em comunhão com os outros que creem, pois “Onde dois ou três estiverem reunidos, eu estarei no meio deles”. Eis uma definição mais ampla de Igreja: são os membros do Corpo de Cristo, em comunhão uns com os outros e com o Magistério exercido pelos chefes da Igreja. Cristo disse expressamente que:

  • fundaria uma Igreja;
  • tal Igreja teria líderes autorizados a ensinar em Seu nome (“Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10, 16));
  • tal Igreja teria atos cerimoniais (como os ritos dos sete sacramentos, a começar pelo batismo);
  • os líderes dessa Igreja teriam o poder de julgar e excomungar os membros irremediavelmente rebelados (Mt 18,15-17).

Em suma, Cristo estabeleceu uma Igreja hierárquica, com um conjunto ritos de crenças bem definido (Escrituras e Tradição oral), atos cerimoniais e previsão de penas disciplinares para os vacilões incorrigíveis. São Paulo disse que a Igreja é "coluna e sustentáculo da verdade" (I Tim 3). Não sei como alguém ainda diz Jesus nunca quis uma religião, ou que "Igreja não salva"… igreja_salva Jesus jamais desprezou os atos cerimoniais autênticos de sua religião. Sendo judeu, foi apresentado no templo e foi circuncidado no oitavo dia de vida; aos 12 anos, foi à peregrinação anual com sua família a Jerusalém, e lá participou dos ritos da Páscoa; pediu para ser batizado por João; participava dos ritos na sinagoga, até mesmo fez no templo uma leitura que profetizava a Sua vinda (Lc 4); celebrou a Páscoa na última Ceia; distribuiu aos Apóstolos o Pão e o Vinho e ordenou que eles sempre fizessem isso em Sua memória...

O que Jesus dava pouca importância era para os ritos de purificação exterior da Antiga Aliança, que tiveram seu papel um dia, mas já não tinham mais razão de existir. Porém, os rituais da Nova Aliança continuaram de pé na comunidade primitiva! Tanto isso é verdade que a Bíblia que os cristãos se reuniam “no primeiro dia da semana” para a fração do pão (Atos 20,7).

SER CATÓLICO NÃO GARANTE A SALVAÇÃO

Bem diferente de outras denominações cristãs, que ensinam que basta crer para ser salvo, a Igreja Católica não ensina que basta uma criatura ser católica para ser salva. É preciso ser fiel em espírito e verdade, não adianta ser fiel somente na prática de ritos religiosos externos.

Porém, nem mesmo dentro dessa perspectiva seria válido dizer que “religião não salva”. Porque a religião que Jesus instituiu, essa salva sim! Desde que os seus adeptos não sejam seguidores hipócritas ou negligentes. Como um doente que é atendido no melhor hospital da cidade, mas se recusa a tomar corretamente a medicação prescrita, e não segue a dieta indicada pelo médico.

TEM RELIGIÃO, MAS JURA DE PÉS JUNTOS QUE NÃO TEM!

É hilário notar que boa parte dos que dizem que “religião não salva” não são os chamados “desigrejados”: são pessoas apegadas a determinado sistema religioso! Afinal, se eles precisam de "pastores" para lhes guiar na interpretação da Bíblia, está mais do que evidente que a Bíblia não é suficiente por si mesma. Note isso, depois olhe bem na minha cara, e me diga se isso não é religião:

  • o sujeito congrega com sua comunidade semanalmente, em determinado local (o templo);
  • lá, participa do culto, em que há determinado ritual (pregações, cantos, ceia, danças, sessão de descarrego ou desencapetamento, corrente da prosperidade, momento reteté etc.);
  • respeita uma hierarquia em sua comunidade – algumas só têm pastor, outras têm obreiro, bispo, profeta, e até apóstolo (?!?);
  • fica horas ouvindo o pastor pregar, ou a irmã profetizar.

Não segue religião, não segue "tradições de homens"? Ah, irmãozinho... conta outra! Agora da lissenssa, que eu já tô atrazada pro meu culto. Hoji tem ceçaum de cura pelo cuspi. Naum poço perdê di geito neium!

A ermã Craudileni me mandou um zápi avizano que a bispa vai realizá o Mergulho de Naamã. Rê comendo a todos! Vejão o momento abenssuado em que minha subrinha Tábata Rayane monta na bispa e faz gloob gloob di Jizuiz:

Gloob gloob di Jizuiz ungido pra vosseis também!

 

São Paulo ensina que "O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas" (At 17,24). Diante dessa passagem, muitas pessoas viajam na maionese e concluem que os cristãos não precisam construir nem frequentar templos de igrejas. Errado!

Se bem que em certos templos por aí, Deus não habita mesmo! Especialmente naqueles templos de seitas afundadas em puritanismo, em que os pastores vomitam heresias e fazem de tudo para arrancar dinheiro do povo, com encenações bizarras e técnicas de hipnose para simular possessões e induzir desmaios.

possessao

E TOME SURRA DE TERNO, MIZERÁVI!

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Mas voltando ao citado trecho da Bíblia... São Paulo estava explicando aos pagãos de Atenas a diferença entre o paganismo e o cristianismo. O primeiro é uma religião inventada pelos homens, construída pela mente humana, com ídolos que nada mais são do que imagens de deuses inexistentes, enquanto o segundo é uma religião revelada pelo próprio Deus vivo.

Com a Ressurreição de Cristo, inaugurou-se a era da adoração "em espírito e verdade", um culto que não se restringe a rituais e templos (inclui os rituais e templos, mas vai além disso). Cada cristão é chamado a ser morada de Deus, a ser templo do Espírito Santo. Deus quer habitar em nós!

O Senhor do Universo não precisa que homens lhe construam uma habitação. Mas os cristãos precisam de um espaço físico público e comum para se reunirem - e esse local é o templo. E ali Deus também se faz presente, porque seu povo (a Igreja) ali está reunido, e Jesus prometeu que estaria presente onde dois ou três se reunissem em seu nome.

Nos tempos de Paulo, de fato, não havia templos cristãos. Afinal, o cristianismo era perseguido duramente tanto por judeus quanto por pagãos. Por isso, os fiéis se reuniam aos domingos na casa uns dos outros, para fazer a leitura das Escrituras e para comungar o Corpo e o Sangue de Cristo (Atos 20,7). Mais tarde, os cristãos viram a necessidade de construir templos para que pudessem se reunir. Com o crescimento do número de fiéis, ficaria impossível utilizar somente espaços residenciais. Era preciso um templo para acolher a Igreja, ou seja, o povo de Deus.

HAVIA TEMPLOS CRISTÃOS NA IGREJA PRIMITIVA?

Os documentos da Igreja primitiva comprovam que os cristãos frequentavam semanalmente o templo, chamado de “igreja”. No cânon 52 do Concílio de Elvira, realizado entre os anos 303 e 324, está dito:

“Qualquer um que escreve frases escandalosas em uma igreja deve ser condenado”.

Mais interessante ainda é um dos textos de Pedro I de Alexandria, Arcebispo que faleceu em 311 d.C. (ou seja, ainda no tempo da perseguição, antes da proteção concedida por Constantino). Ele conta a história de as relíquias sagradas de certo mártir foram colocadas em uma igreja dedicada à Virgem Maria:

“...e de repente apoderaram-se das relíquias sagradas (...) eles vieram para a igreja da Santíssima mãe de Deus e sempre Virgem Maria, que, como se começou a dizer, ele tinha construído no quartel oeste, em um subúrbio, para um cemitério dos mártires.” 

- Atos de Pedro de Alexandria (texto completo em inglês no site New Advent)

Fica evidente, então, que o ensinamento de que “Deus não habita em templos feitos pelos homens” deve ser compreendido dentro dos limites estritos da situação a que Paulo se referia. De modo algum pode ser usado por preguiçosos ou “desigrejados” para justificar a sua decisão de não frequentar templos.

Muitos desses que se dizem desigrejados estão, com bastante razão, desiludidos com as experiências infelizes que tiveram certas comunidades protestantes. A esses, dizemos: se vocês amam as Escrituras, não fechem os olhos para as passagens que indicam a reunião semanal dos cristãos. Está na Bíblia: não existe cristão sem Igreja, pois Cristo mesmo disse que fundaria a Sua Igreja sobre Pedro. Venham se congregar na única Igreja que possui sucessão apostólica, que guarda a integralidade do depósito da fé e dos sacramentos, e cujo chefe possui as chaves do Céu que Cristo entregou a Pedro.

Irmãos, sejam bem-vindos à Igreja Católica!

 

Ele foi ungido pelo Altíssimo, tinha grana, poder e muitas mulheres. Mas nem assim aquietou o facho. Cutucou a mulher alheia e ainda providenciou a morte do marido traído (II Sm 11). Trata-se de um crápula, um homem cujo destino só pode ser queimar no máaaaarrrmore do inferno, certo? Errado! Apesar dessa sucessão de graves pecados, o rei Davi viveu e morreu no amor de Deus.

Ele pagou bem caro, é verdade, pelos seus erros. Em sua família, nunca houve paz: três de seus filhos morreram, e um deles sequestrou e dormiu com todas as suas concubinas. De incesto a assassinato entre irmãos, diversas tragédias abalaram a casa de Davi. Era uma família nada unida e muito ouriçada...

Porém, na vida de Davi, a graça foi muito maior do que o pecado. Se o rei muito pecou, também é verdade que muito amou. Dedicou quase toda a vida a fazer cumprir o plano de Deus para Israel, arrependia-se sinceramente de seus pecados, fazia penitência com rigor e aceitava sem reclamar os castigos recebidos; ouvia o conselho dos profetas, tinha reverência pelas coisas santas e procurava ser justo. Acima de tudo, não era hipócrita: Davi amava ao Senhor de todo o coração.

“Ah, fala sério... Amava Deus onde? Davi cometeu assassinato, adultério, onde o amor se encaixa aí?”. Sim, é desconcertante. Mas o amor de Davi por Deus era verdadeiro - tanto que o homi recebeu de Deus a promessa de que o Messias nasceria da sua descendência.

Da mesma forma, era verdadeiro o amor de Pedro que, mesmo triste envergonhado por ter negado o Mestre três vezes, disse: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo” (Jo 21,17). Mas não é só Davi que tem a ficha suja. 

Pisada de bola na Bíblia é o que não falta – e não estou falando dos “bandidos”, mas sim dos “mocinhos” - os profetas e santos. Confira a seguir.

VACILOS DOS ELEITOS NO ANTIGO TESTAMENTO

  • Moisés - Teve medo da missão e tentou de todo o jeito se descomprometer de seu chamado (Ex 3 e Ex  4,1-16).
  • Pecou por falta de fé no episódio das águas de Meribá (Nm 20,1-13), e por isso morreu antes de entrar na Terra Prometida.
  • Elias – Sentiu desânimo (1 Rs 19,1-4).
  • Jeremias – Sentiu desânimo e queria abandonar a missão profética (Jr 20,7-17).
  • Jonas – teve medo da missão e buscou fugir (Jn 1,3). Por falta de misericórdia (Jn 4), se irritou quando Deus, ao ver que o povo de Nínive estava mudando de conduta, resolveu não mais aniquilar a cidade.

VACILOS DOS ELEITOS NO NOVO TESTAMENTO

"Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho? Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos."

- Mc 9,33-35

Nos evangelhos, vemos que os Apóstolos viviam tomando pito de Jesus: um pela falta de fé, outro pela inteligência débil, outro pela vaidade... Entretanto, mais do que manchas na biografia dos santos, esses relatos pouco louváveis nos encorajam em nossa própria caminhada, pois evidenciam que nenhum limite humano pode ser maior do que o poder do Espírito de transformar os corações.

  • Zacarias – pecou por falta de fé (Lc 1,1-25), por isso foi castigado por uma mudez temporária.
  • São Tomé – pecou por a falta de fé, ao não acreditar no testemunho da Ressurreição ( Jo 20,24-31).
  • São Pedro - apresentou uma fé vacilante e afundou nas águas (Mt 14,22-31). Tinha excesso de auto-confiança em sua capacidade de ser fiel ao Senhor (Mt 26,31-35), mas o negou três vezes (Mt 26,69-75). Se apegou às práticas judaizantes, demostrando hipocrisia (At 10,1-28; Gálatas 2).
  • São Tiago e São João – Demonstraram vaidade (Mt 20,20-27 e Mc 10,35-45).

Somos um povo a caminho: avançamos, tropeçamos em algumas pedras, caímos vez por outra... Mas não devemos parar jamais de caminhar. De fato, todo aquele que grita através das trevas de sua alma será iluminado: "Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar" (Sl 50,19).

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A misericórdia de Deus é um desafio ao nosso moralismo. Muitas vezes, concebemos o cristianismo como um conjunto de regras, que nos esforçamos para seguir, somadas a uma lista de "coisas feias" que devemos evitar. Grande engano! O cristianismo possui uma moral a seguida, mas ele É MUITO MAIS DO QUE UM CÓDIGO MORAL.

Antes de tudo, ser cristão é reconhecer que Jesus está presente, que Ele vive, que Ele nos conduz pela mão em cada momento de nossa vida. E esse reconhecimento nos leva a amar Jesus Cristo, e nos faz viver as coisas com uma alegria antes impossível, com uma nova consciência – o trabalho, os estudos, o namoro, as amizades. Com o tempo, isso nos liberta cada vez mais do nosso nada, das nossas fraquezas.

É bom frisar: ao moralismo, não é razoável contrapor a heresia luterana de que basta ter fé em Cristo para sermos salvos, ainda que não sigamos os Seus ensinamentos (Sola Fide). Como bem disse São Tiago, a fé sem obras é morta, pois até os demônios têm esse tipo de fé (Tgo 2,19). E, antes dele, Jesus já ensinava: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama" (Jo 14,21).

Como vimos, nem todo eleito de Deus passou a vida inteira sem cometer pecado mortal - alguns santos têm a ficha suja. Mas, por meio da oração, da caridade e da penitência, Jesus vence em nós.

Acho que todo o mundo entende a diferença entre uma conversa informal e uma declaração formal, estudada, pensada, revisada. Mas, estranhamente, esse entendimento quando se esvai quando se trata das palavras papa. O povo acha que tudo o que ele diz, em qualquer entrevista, tem o peso de uma encíclica.

Quando falamos espontaneamente, é óbvio que ninguém espera que sejamos 100% precisos ao apresentar nossas ideias. A gente sai falando, e espera que quem nos ouve interprete nossas palavras nesse contexto de informalidade. Eu sei... Eu sei que nunca antes tivemos um papa que desse tantas entrevistas e declarações informais. Mas acostumem-se: nosso Papa fala de religião com a leveza de quem troca uma ideias com o chapa na esquina. E nessas ocasiões, os termos usados muitas vezes não são precisos, nem cuidadosamente escolhidos.

Bem... é o jeito dele. Talvez esse "estilo" possa dar corda para alguns mal-entendidos. Mas estamos aqui para explicar! Papa Francisco e suas entrevistas... São tantas emoções! psicose E como interpretar o o Papa Francisco diz, quando ele fala de improviso? A regra de ouro é IGNORAR SOLENEMENTE A MÍDIA SECULAR. Se muitos católicos que vão à missa todos os domingos não têm conhecimento suficiente da doutrina, quanto mais um jornalista não-católico, que não entende tanto de catolicismo quanto o Anderson do Molejo entende de física nuclear.

De resto, deixo vocês com as orientações que o próprio Vaticano divulgou a esse respeito, por meio da sua Sala de Imprensa (por meio do então porta-voz, Pe. Federico Lombardi. Fonte: Instituto Unisinos). Anotem:

  • o Papa Francisco inaugurou um "gênero totalmente novo de discurso papal – informal, espontâneo";
  • um novo gênero precisa de uma nova forma de interpretar, em que não se deve dar tanto valor às palavras individuais, mas sim ao sentido geral;
  • ao falar de improviso, e sem contar com a revisão prévia de suas palavras por uma equipe de conselheiros e teólogos, o Papa pode, eventualmente, não ser preciso no que pretende dizer;
  • portanto, não viaje na maionese, achando que as palavras que o Papa diz em entrevistas têm o mesmo peso que os documentos magisteriais (ensinamento doutrinal oficial) da Igreja.

O PAPA FRANCISCO E O MARXISMO

Agora falemos sobre o último bafafá: a entrevista do Papa a Scalfari, em que ele disse que "são os comunistas que pensam como os cristãos". O Papa Francisco já havia dito algo semelhante antes - "Eu só posso dizer que os comunistas têm roubado a nossa bandeira. A bandeira dos pobres é cristã." - e foi a mesma confusão na mídia. A respeito disso, já demos o devido esclarecimento (confira aqui). Sobre a nova declaração, que tem o mesmo sentido da anterior, o Papa simplesmente repetiu o que a Igreja já afirmou antes, em documentos magisteriais. 

O nosso amigo André Brandalise, blogueiro católico, mandou muito bem ao destacar esse texto do Magistério:

“Dir-se-ia que o socialismo, aterrado com as consequências que o comunismo deduziu de seus próprios princípios, tende para as verdades que a tradição cristã sempre solenemente ensinou, e delas em certa maneira se aproxima; por quanto é inegável que as suas reivindicações concordam às vezes muitíssimo com as reclamações dos católicos que trabalham na reforma social."

- Pio XI, Encíclica Quadragesimo Anno, 113

Socialismo e cristianismo concordam em alguns pontos, diz a Igreja. Aí vem o Joselito "sabe-de-nada-inocente" e diz: "TÁ VENDO! Eu sou católico e socialista, e a Igreja aprova isso!". Menos, Joselito. Para de preguiça, senta aí e lê o documento todo! ler_livro Nessa mesma encíclica, Pio XI explica que, mesmo que haja pontos de acordo entre o chamado "socialismo moderado" e o cristianismo, MUITO MAIORES E GRAVES são as divergências. Por isso mesmo, um católico não deve, de modo algum, apoiar o socialismo.

"O socialismo quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como 'ação', se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar-se com a doutrina católica; pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã." (...)

"Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista."

Viu, Joselito vermelho? E aí? Vai continuar ignorando o ensinamento da Igreja? livro_jogar Em outras ocasiões, o Papa Francisco também condenou a ideologia marxista. Encerramos este post refrescando a memória (memória seletiva e nem sempre honesta) dos estranhos e teimosos "católicos socialistas":

“Nunca compartilhei a ideologia marxista, porque ela é falsa".

- Papa Francisco, entrevista ao jornal Corriere della Sera. 05 de março de 2014

Fulaninha tem 17 anos acaba de receber o diagnóstico de sífilis, uma doença sexualmente transmissível, que pode levar à loucura e à morte. A menina agora faz parte das estatísticas da epidemia de sífilis no Brasil, que foi anunciada recentemente pelo governo federal.

“Impossível, doutor, eu sempre uso camisinha!” – protesta ela.

“Sempre... mas não na hora de fazer sexo oral, né Fulaninha?” – responde o médico.

Isso muita gente não sabe: “Mesmo quando a pessoa pensa estar fazendo sexo seguro, ela pode estar em risco se tirar a camisinha na hora do oral”, diz a infectologista Eliana Bicudo, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Na real: a maioria dos jovens é relaxada com o uso da camisinha, e quase ninguém a usa para fazer sexo oral, pois reduz a sensibilidade. Uma geração que está convencida que obter prazer sexual é um “direito” ilimitado, que está acima de tudo, não poderia mesmo ser capaz de renunciar a uma parcela desse prazer.

Pudera! São mensagens conflitantes. Primeiro, o poder global ensina que todo tabu sexual deve ser derrubado, e que não há mal nenhum em fazer sexo casual. Depois, o mesmo poder pede façam isso com “responsabilidade”. Como vemos, o povo está absorvendo somente mensagem do bundalelê!

A pornografia está sendo aclamada e já virou até cult. A sociedade orgulhosamente “racional”, “científica” e laica fez pó de toda a moralidade e decência que o cristianismo levou séculos para consolidar. Eis aí o resultado catastrófico…

caneca_rightOs governos e as ONGs gastam zilhões em campanhas fracassadas, tagarelando o mesmo papo pró-camisinha de sempre. Por que os jovens não estão escutando vocês, agentes de saúde? Porque a mentalidade favorável ao sexo livre é essencialmente egoísta e amante da inconsequência.

A castidade, ao contrário, é o amor que se sacrifica, que sabe esperar, pelo bem de si mesmo e do outro. Aceitem que dói menos: a Igreja Católica está certa, mais uma vez.

A QUESTÃO DA SÍFILIS

A sífilis é causada por uma bactéria, que pode ser transmitida tanto por meio da relação sexual quanto da mãe para o filho durante a gestação. A longo prazo, pode provocar lesões ósseas, neurológicas e cardíacas, levando à cegueira, paraplegia, demência e morte.

A sífilis pode ser tratada com penicilina. O problema é que esse remédio fornece um lucro muito baixo aos fabricantes, por isso é pouco produzido, o que causa um quadro de desabastecimento no mundo inteiro. Ou seja... Deu ruim!

O mais triste é saber que os mais inocentes e indefesos é que pagam o pato: muitas gestantes estão transmitindo a doença a seus bebês (somente em 2015, foram quase 20 mil bebês infectados). Os recém-nascidos contaminados podem ter danos semelhantes aos do Zika: má-formação, surdez e deficiência mental.

Segundo Ricardo Vasconcelos, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, essa epidemia acontece no mundo todo, não só no Brasil: “A humanidade está passando por um aumento na transmissão de sífilis”, diz ele (Fonte: MotherBoard). É claro! Em toda a parte, a cultura do sexo livre domina. E não há camisinha que dê jeito nessa miséria.

QUAL O CAMINHO?

Substituir o atual modelo de campanha bundalelê por uma política de estímulo à abstinência e fidelidade é um primeiro passo. Essa experiência deu muito certo na Uganda e na Nigéria (saiba mais no post Epidemia de AIDS: tem culpa eu?).

Mas só isso não basta. É preciso reconstruir uma das bases da civilização: a FAMÍLIA. De nada valerá ficar doutrinando os jovens pra manter os bilaus e periquitas dentro das calças, se a família está destroçada e se os pais não são presentes em suas vidas. Mas aí o buraco é beeeeem mais embaixo…

Que São João Paulo II, que tanto enfatizou a importância da família, possa ajudar cada um de nós a construir uma família que seja sal da terra e luz para o mundo. Dá uma força pra nóis aí, JP!

 

Quarta, 02 Novembro 2016 12:35

O Céu não é lugar de vadiagem

Diante da morte de alguém, é comum a gente ouvir aquela frase batida: “Bem, ao menos agora ele(a) descansou!”. Certo, é uma tentativa gentil de ver o lado bom das coisas. Porém, o que a Tradição da Igreja nos ensina sobre a morte não tem nada a ver com este conceito de feriado eterno.

Sabe aquela imagem do pessoal lá no Céu fiscalizando a natureza, pulando de nuvenzinha em nuvenzinha, tocando harpa... Esquece! O bicho tá pegando aqui embaixo, imagina se o povo lá ia ficar de braços cruzados?!

No Antigo Testamento, podemos ver que Deus ainda não havia revelado aos hebreus que as pessoas permanecem conscientes após a morte. Então, eles imaginavam que os defuntos estavam como que adormecidos.

"Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida. Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria." (Ecle 9,5;10)

"Os mortos já não louvam a Javé, nem os que descem ao lugar do silêncio." (Sl 115,17)

Também no Novo Testamento o termo “dormir” é associado em diversas passagens à morte, até mesmo por Jesus: “Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo” (Jo 11,11). Porém, olhando o Evangelho como um todo, fica evidente que a nossa alma fica bem espertinha lá do outro lado:

  • Na Parábola do Rico e o Lázaro, Jesus mostra a alma desses personagens – um no Inferno e outro no Céu – conversando normalmente (Lc 16,22-24);
  • Na cruz, o bom ladrão recebe a promessa de que, ainda naquele dia, estaria com o Senhor no Paraíso (Lc 23,43);
  • São Paulo diz que deseja morrer para “estar com Cristo” (Fil 1,23);
  • Em sua visão do Apocalipse, São João viu as almas dos santos mártires, que “clamavam em alta voz” por justiça (Apo 6,9-10).

mj3E aí, depois de morrer, já sabe: é seguir rumo ao Céu, ao Inferno ou ao Purgatório. Quanto às almas do Inferno, destas não vamos tratar agora, pois não fazem parte do tema que queremos abordar: a Comunhão dos Santos.

O termo “santos” não se refere aqui aos que alcançaram a santidade, mas sim a todos os membros do Corpo Místico de Cristo, isto é, da Igreja. Fazem parte deste Corpo:

  • a Igreja Militante, que são todos os membros vivos;
  • a Igreja Padecente, isto é, as almas que se purificam no Purgatório;
  • e a Igreja Triunfante, que são os santos propriamente ditos, canonizados ou não.

A rede de amor e solidariedade entre os membros destas três “igrejas” é a chamada de Comunhão dos Santos.

De modo geral, todos aqueles que creem no Cristo estão, de alguma forma, ligados a Jesus e aos membros da Sua Igreja. É claro que essa união nem sempre é perfeita, e o grau de comunhão de cada um varia conforme a sua vivência da Fé Católica. Uma pessoa que esteja em pecado mortal, por exemplo, participa de modo muito precário desta comunhão. Não vamos nos deter sobre os casos excepcionais (ah, e aqueles que não têm fé no Cristo e na Igreja, como ficam?), veremos isso em outro post.

Os sacramentos são o principal meio pelo qual se estabelece o vínculo sobrenatural entre os vivos e os mortos, como ensina o Catecismo da Igreja Católica:

"§950 A comunhão dos santos é a comunhão operada pelos sacramentos... O nome comunhão pode ser aplicado a cada sacramento, pois todos eles nos unem a Deus... Contudo, mais do que a qualquer outro, este nome convém à Eucaristia, porque é principalmente ela que consuma esta comunhão."

Nós os vivos devemos viver a caridade: socorrer-nos mutuamente, compartilhando as alegrias e os dons, ofertando os sofrimentos, aceitando as nossas cruzes sem revolta. Além disso, com nossas boas obras, orações e sacrifícios, podemos ajudar o pessoal que está penando no Purgatório a sair de lá mais rapidamente. Assim, você pode fazer o bem e aliviar o sofrimento de uma pessoa que nem conhece e que mora lá na China, ou até mesmo consolar a alma de um falecido.

Por sua vez, os santos e beatos que habitam o Céu podem dar uma mãozinha pra nós aqui na Terra, pois méritos eles têm de sobra! Por isso, um santo que morreu há 1500 anos pode te ajudar hoje a sair da maior roubada, como se fosse o teu camarada mais próximo.

A galera que conquistou a glória está longe de viver uma vida de sombra e água fresca. Tudo indica que Eles trabalham duro junto ao Pai pela salvação de todos, dando continuidade no Céu à missão que exerciam na Terra. Santa Teresinha do Menino Jesus era bem clara sobre os seus planos para a vida depois da morte: “Vou passar o meu céu fazendo o bem na terra!".

O dia de Finados nos lembra esse mistério maravilhoso: a nossa irmandade em Cristo é tão forte que nem a morte ou a distância podem nos separar.

*****

Para a elaboração deste post (publicado originalmente em 02/11/2011), exploramos a boa-vontade do nosso amigo Cadu Sindona, que nos enviou o resultado de suas pesquisas sobre o tema. Valeu, Cadu!

O que mais tem por aí são cristãos que já se consideram salvos e se sentem superiores aos católicos – a quem chamam de idólatras – pelo fato de não prestarem culto a imagens de santos. Mas o que Jesus Cristo disse sobre as imagens?

Como já observamos em outro post, em NENHUM dos quatro Evangelhos Jesus cita de forma negativa as imagens religiosas. Isso é especialmente interessante, se considerarmos que certos cristãos praticamente só falam disso, e colocam tanto foco nessa questão!…

Mesmo quando enumerou os Mandamentos (como em Mt 22,36-38, Mc 12,28-30 e Mt 19,17-19), Jesus não citou a questão das imagens. Será que isso não leva ninguém a desconfiar que a proibição ao uso de imagens não é parte essencial e inalienável dos Dez Mandamentos?

“Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 19,17-19)

E a única vez – A ÚNICA! – em que a Bíblia relata o Cristo se referindo alguma imagem religiosa, Ele não faz uma condenação, mas sim LIGA A SUA PESSOA AO SIMBOLISMO DESSA IMAGEM:

“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,14-15).

Trata-se da serpente de bronze que Deus mandou Moisés fabricar e fixar sobre um poste. Quando os israelitas, picados por serpentes venenosas, olhavam para a serpente de bronze, se salvavam da morte. Cristo se compara a essa serpente, porque ao adorarem o Deus Crucificado, os homens envenenados pelo pecado se livram da morte eterna da alma.

Jesus se comparou a uma imagem feita por mãos humanas! Tenho certeza de que muitos irmãos não-católicos, mesmo já tendo lido essa passagem mil vezes, jamais tinham parado para ver a realidade sob este ângulo. Prevejo angústia em certos coraçõezinhos...

angustia

Essa Palavra saída da boca de Cristo basta para indicar que o bom uso das imagens religiosas é possivel. Se as imagens fossem más, vocês acham que Jesus teria dito - como disse - que foi bem representado por uma delas, gente?

A PROIBIÇÃO DO USO DE IMAGENS FOI CIRCUNSTANCIAL

“Ain, mas Deus mandou destruir a serpente de bronze, porque os israelitas começaram a idolatrá-la”. Essa objeção é fácil de detonar. Deus conhece o futuro, certo? Obviamente, Ele sabia que, anos depois, o sentido da imagem da serpente seria pervertido e ela seria idolatrada. Ainda assim, ordenou a confecção da imagem e a utilizou como canal para distribuir graças ao povo de Israel.

Tal decisão da parte de Deus só se justifica por uma lógica: a de que o posterior efeito colateral da confusão idólatra era inferior ao bem que a imagem da serpente de bronze faria ao povo (não só com a cura, mas também com sua força simbólica, prefigurando o Messias levantado na cruz).

Isso evidencia que Deus proibiu as imagens de forma CIRCUNSTANCIAL (já explicamos aqui no blog que algumas leis da Antiga Aliança se confirmam na Nova Aliança, são eternas; enquanto outras se tornam obsoletas - pois eram circunstanciais, ou seja, tinham validade somente em dada circunstância). Naquele momento específico da história do povo de Deus, portanto, não convinha a existência de imagens, pois o povo confundia entre a fé no verdadeiro Deus e a fé em deuses criados pela imaginação humana. Era uma realidade cultural desfavorável ao uso de imagens.

Mas se Deus, para determinado momento da História da Salvação, considerou que a imagem religiosa era boa e conveniente para o povo, Ele não poderia, em outro momento da História da Salvação, novamente considerar que tal instrumento deveria ser novamente usado para o bem das almas?

logica

A resposta é: SIM! Pois foi isso que aconteceu, gradualmente, na vida da Igreja primitiva.

AS IMAGENS DE SANTOS NA IGREJA PRIMITIVA

As numerosas imagens de personagens bíblicos nas catacumbas mostram que a comunidade cristã já não levava ao pé da letra a proibição exposta no Êxodo, de não fazer imagens. Esses afrescos (muitos deles datados dos séculos II e III) eram cultuados como os católicos fazem hoje? Não sabemos. Mas a sua existência sinaliza que a interpretação sobre a questão da confecção de imagens estava mudando no coração da Igreja.

No Novo Testamento, permanece a condenação eterna à idolatria. E o que isso significa? Que o cristão não pode participar do culto de outras religiões, nem deve confundir o Deus Todo-Poderoso com o sol, as montanhas, os animais, e adorar essas coisas como se fossem Deus. Por isso, São Paulo diz:

“Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. (...) Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!” (Rom 1,23-25)

chaves_pedroAté o século IV, o cristianismo era proibido pelo Império Romano. Não havia templos em que se pudesse desenvolver a arte religiosa, e seria muito arriscado ter imagens religiosas em casa.

Esse cenário muda radicalmente a partir do momento em que o Imperador Constantino, no ano 313, deu liberdade de culto aos cristãos. Eles puderam, então, erguer os seus primeiros templos, onde começou a se desenvolver a arte religiosa, inclusive por meio de esculturas.

O Papa, com o poder das chaves que Jesus entregou a Pedro, ligou as imagens de santos aos Céus, afirmando a sua utilidade para a edificação das almas. Ao fazer isso, ele não contrariou a verdade que a Bíblia revela (ele não pode fazer isso!), mas sim deu a essa questão a correta interpretação.

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