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O Catequista

O Catequista

Namastreta, Povo Católico!!!!

Mais uma edição do seu programa favorito! Mais uma vez respondendo a tretas dos nossos tretespectadores.

Neste programa você vai descobrir se os RPGs são um risco para a fé, se um católico pode ter blogs sobre temas alheios à questões de fé, vai entender qual a estratégia ideal para boicotar o lixo que anda sendo veiculado na TV e vamos conversar um pouco sobre Ensino Religioso.

Vem com a gente! Vamos desenjujubar o mundo!

 

 

Oi Povo Católico!

Você sabia que a imagem original de Nossa Senhora Aparecida já foi partida em mais de 200 pedaços? Pois é... neste ano comemoramos os 300 anos do encontro da imagem no Rio Paraíba. Em 2018 celebraremos os 40 anos da reconstrução da imagem!

Aproximadamente 11 milhões de pessoas visitam o Santuário Nacional todos os anos e se emocionam diante da pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, encontrada no Rio Paraíba do Sul em 1717. Já vi muitos se perguntando porque ela fica tão “trancada” naquele nicho. A resposta está no ano de 1978.

Até aquele ano a imagem de Aparecida ficava no altar, dentro de uma caixa de ouro com frente de vidro. Na verdade, chamavam isso de cofre, mas cofre com parede de vidro não é cofre né? Enfim... vamos adiante. No dia 16 de maio, durante uma missa, um jovem completamente transtornado (quem sabe não estava possuído?) correu e avançou sobre o nicho de Nossa Senhora Aparecida. Não conseguiu de primeira, mas segundo relatos, insistiu até alcançar o tal “cofre” que estava a uma altura de dois metros, estilhaçar os vidros e pegar a imagem. Tudo isso enquanto escapava de todos os que acorreram para proteger a imagem.

Parece impossível, mas mesmo com toda a segurança, ele conseguiu correr até a rua em uma fuga realmente espetacular e ao ser agarrado por um guarda, lançou a imagem de Aparecida ao chão.

Pronto. Nossa padroeira estava em pedaços. Mais de 200 pedaços, para ser um pouco mais preciso.

Nem precisa falar da comoção imensa que tomou conta do país. A imagem foi levada para o MASP (naquela época os museus eram locais um pouco mais descentes) e a restauração ficou a cargo da Artista plástica Maria Helena Chartuni.

“Ela estava toda quebrada em uma caixinha. O que eu senti na hora não foi nada agradável, foi uma espécie de pânico. Pensei: o que eu vou fazer agora? Aí, falei à ela: a senhora me colocou em um problemão e precisa me ajudar a sair dele”.

Fico mesmo tentando imaginar a sensação. A missão era restaurar uma imagem de terracota (nome bonito para barro cozido) totalmente despedaçada e, como se não bastasse, era só a imagem milagrosa da padroeira do Brasil venerada por milhões de fiéis devotos.

Tá tranquilo, tá favorável...

Mas felizmente, com as graças da Mãe Aparecida, tudo terminou bem e depois de 33 dias de trabalho intenso a imagem foi entregue e, como correr riscos faz parte da vida, viajou em um carro aberto do Corpo de Bombeiros, sendo acompanhada por milhares em plena Via Dutra! A imagem foi recepcionada em Aparecida por mais de 100 mil fiéis cantando “Romaria” e todos viveram felizes para sempre.

Não... pera...  o capiroto falou que é brasileiro e não desiste nunca...

O reitor do Santuário, Padre Izildo Santos, resolveu implicar com a imagem e, após se demitir da sua função, “sequestrou” a santa por 4 dias para fazer uns “retoques”. Olha que ideia boa... alterou os traços dos olhos e CLAREOU a santa com tinta para carros! Depois disso, largou a imagem em qualquer lugar deu no pé porque sabia que tinha plantado uma treta gigante.

E lá foi Maria Helena Chartuni dar jeito na imagem, outra vez...

Fim da aventura... a imagem de Aparecida retornou e hoje é protegida por um cofre (agora sim) de meia tonelada, sendo que metade desse peso pertence ao vidro blindado que nos concede o privilégio de olhar para a imagem original da nossa padroeira.

Nossa Senhora Aparecida é a prova de que nossa mãe conhece bem a treta que é ser brasileiro. Que ela nos abençoe e cuide do nosso país!

Um caminhão de sensacionalismo, duzentas pitadas de inverdade, quatro xícaras de purpurina... Bata tudo junto, e o que dá? Uma notícia em um site LGBT do Uol com a manchete: "Papa Francisco chama de família e parabeniza casal gay que batizou filhos na Igreja Católica".

A matéria, publicada hoje, diz: 

Em carta ao casal Toni Reis e David Harrad, que vive junto há três décadas, o sumo pontífice reconheceu como família a união entre o ativista brasileiro e o inglês ao parabenizá-los pelo batizado dos três filhos adotivos, de 11, 14 e 16 anos. A mensagem em nome do papa tem data de 10 de julho e foi assinada pelo secretário de Assuntos Gerais do Vaticano, o monsenhor Paolo Borgia. (...)

O texto é uma resposta à carta enviada por Toni e David ao religioso, no fim de maio, em que eles relataram a alegria de um casal de pessoas do mesmo sexo em ter conseguido batizar os filhos na Igreja Católica. No envelope também foram anexadas fotos do batizado, realizado em Curitiba em abril.

Vamos ser bem diretos: 

  • o texto da carta recebida pela dupla gay é PADRÃO, ou seja, milhares de pessoas recebem essa mesma carta pelo mundo. Inclusive eu já recebi uma, com um texto muio similar (confira abaixo a imagem). Para essas respostas-padrão, o Vaticano dispõe de um certo número de textos que variam levemente, e que vai alternando para enviar às pessoas que escrevem ao Papa;
  • não foi feita qualquer análise sobre a pessoa (ou as pessoas) que enviaram a carta ao Papa, portanto, não houve qualquer reconhecimento do Papa ou do Vaticano da dupla gay como família;
  • é muito provável que o Papa não tenha lido a carta enviada pela dupla gay. O texto-padrão diz que ele "viu com apreço" a carta, e em seguida faz um comentário bem genérico sobre o seu conteúdo - o que indica que esse "viu" não necessariamente quer dizer que ele realmente leu.

Agora comparem. Essa foi a carta recebida pela dupla gay brasileira, como resposta do Vaticano:

 

Essa foi a carta que eu recebi, como resposta do Vaticano:

Seria fantástico que o Papa realmente lesse todas as cartas remetidas a ele, mas isso é humanamente impossível. Só uma pequena minoria realmente é lida por ele. E para não deixar o restante do povo no vácuo, o Vaticano envia essas cartas com texto padrão. 

Então vamos aquietar o facho. O Papa Francisco não reconheceu dupla gay nenhuma como família. Há pouco tempo (em janeiro do ano passado), ele mandou na lata “Não pode haver confusão entre a família, querida por Deus, e qualquer outro tipo de união” (audiência do dia 22/01). Leram bem? Sobre isso, saiba mais clicando aqui.

Oi Povo Católico!

Já tinha gente (pra variar) cobrando o Papa de uma posição em relação à Venezuela. Pronto! Taí... saiu hoje um comunicado da Secretaria de Estado do Vaticano sobre toda a situação da Venezuela.

E não foi um carta muito política não... Nela, o Papa pede claramente para que as forças de segurança cessem a violência e as prisões. Também pede que o processo de constituinte seja INTERROMPIDO! Essa talvez tenha sido a menagem mais direta e contundente de um chefe de estado sobre a questão da Venezuela. 

Abaixo, a íntegra do comunicado (tradução nossa).

 

Comunicado da Secretaria de Estado do Vaticano sobre a Venezuela

A Santa Sé manifesta novamente sua profunda preocupação pela radicalização e agravamento da crise na República Bolivariana da Venuzuela, pelo aumento do número de mortos, feridos e detidos. O Santo Padre, diretamente e pela sua Secretaria de Estado, acompanha de perto esta situação e suas implicações humanitárias, sociais, políticas, econômicas e espirituais. Por isso, o Papa garante suas constantes orações pelo país e por todos os venezuelanos, enquanto convida todos os fiéis do mundo a rezar intensamente por esta mesma intenção.

Ao mesmo tempo, a Santa Sé pede a todos os atores políticos, e em particular ao Governo, que se assegure o pleno respeito dos direitos humanos, das liberdades fundamentais e da Constituição vigente; que se evitem ou suspendam as iniciativas em curso como a nova Constituinte que, em vez de favorecerem a reconciliação e paz, fomentam um clima de tensão e enfrentamento, comprometendo o futuro; que se criem as condições para uma solução negociada de acordo com as indicações expressadas na carta da Secretaria de Estado do dia 1 de dezembro de 2016, tendo em conta o grave sofrimento do povo e das dificuldades para se obter alimentos e medicamentos, além da falta de segurança.

A Santa Sé dirige, por fim, um premente chamado a toda a sociedade para que seja evitada toda a forma de violencia, convidando, em particular, as Forças de Segurança a abster-se do uso excessivo e desproporcionado da força.

 

 
E ainda tem gente que "tá com Maduro"...

Seja santo, Povo Católico!!!!

Agora tem mais um jeito de ser santo. Hoje o Papa Francisco publicou uma carta apostólica criando uma nova via de santidade, chamada “Oferta da Vida”. Não ficou exatamente mais fácil… mas é um novo caminho. Vamos entendê-lo.

A nova via, chamada de “Oferta da Vida”, é descrita no documento como:

“Oferta livre e voluntária da vida e heróica aceitação, pela caridade, de uma morte certa em um breve período de tempo.”

Em outras palavras, é uma via que fica entre as Prática Heroica das Virtudes e o Martírio. É quando uma pessoa, por um ato de caridade, aceita o risco de morte iminente.

Calma, vamos explicar! Imagine alguém que se dispusesse a cuidar de um paciente com uma doença altamente contagiosa, e, no processo, acabasse por contrair a mesma doença, vindo a falecer em consequência disso. Se a escolha foi voluntária e por amor ao outro, entra na definição da “Oferta da Vida”.

Até hoje, muitos santos entregaram a vida desta forma, mas acabaram tendo que ser forçosamente classificados como “martírio” ou “prática de heroica de virtudes”. Um dos exemplos mais famosos e belos e o de São Damião de Molokai, que passou boa parte de sua vida exercendo seu ministério sacerdotal junto aos leprosos de uma ilha no Havaí. Após alguns anos, ele contraiu a doença e faleceu.

Essa nova classificação irá certamente facilitar o entendimento e acelerar os processos. Se esta classificação já existisse no tempo de Santa Gianna, talvez ela pudesse ter sido classificada desta forma.

É bom lembrar que a “fama de santidade” e os milagres continuam sendo necessários. Nada foi alterado nesse sentido.

QUAIS SÃO AS OUTRAS CLASSIFICAÇÕES DO PROCESSO DE CANONIZAÇÃO?

Até hoje, a Congregação para a Causa dos Santos reconhecia a santidade de alguém por três vias diferentes: pelo Martírio, pela Prática Heroica das Virtudes e por decreto, que é chamado de “equipolência”. Abaixo estão as características necessárias para cada um:

MARTÍRIO - Aceitação voluntária de uma morte violenta por amor a Cristo por parte da vítima; a morte precisa ter sido motivada por perseguição por ódio a fé; a vítima deve morrer em paz e perdoando seu executor.

PRÁTICA HEROICA DAS VIRTUDES - As virtudes precisam ser vividas voluntariamente, de forma agradável, dentro de um contexto comum de agir, por uma finalidade sobrenatural e por um longo período de tempo. Ou seja, é um modo de viver habitualmente conforme o Evangelho.

As virtudes praticadas devem ser as Teologais (fé, esperança e caridade), Cardeais (prudência, justiça, fortaleza e esperança) e também a pobreza, obediência, castidade e humildade.

EQUIPOLÊNCIA - Essa é menos glamurosa… é por decreto mesmo. Mas também tem seus critérios. Pode ser concedida aos que tenham uma vida de santidade evidente mas que tenham veneração muito antiga e, por isso, não haja mais como fazer as comprovações segundo o processo atual. Um exemplo recente é a da canonização do nosso amado São José de Anchieta.

 QUAL O SENTIDO DO NOME DA CARTA APOSTÓLICA?

O nome do documento é Maiorem hac dilectionem, em português, "Amor Maior". Foi retirado desse trecho do Evangelho (e não da música do JQuest):

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”. (Jo 15,13)

Por enquanto, o Vaticano só disponibilizou a carta apostólica em italiano e latim. Se quiser ler o documento original, clique aqui.

Papa Francisco que já havia se manifestado timidamente no Twitter, agora deixou clara a sua posição no caso do bebê Charlie Gard, pedindo para que se respeite a decisão dos pais.

Hoje a tarde, o diretor da Sala de Imprensa Greg Burke afirmou que o Santo Padre acompanha preocupado o desenrolar do caso:

"O Santo Padre acompanha com afeto e comoção o caso do pequeno Charlie Gard e expressa sua proximidade aos pais. Ele reza por eles, desejando que não se negligencie o seu desejo de acompanhar e tratar o próprio bebê até o fim".

O pequeno Charlie ainda sobrevive, graças a decisão do hospital de adiar o desligamento dos aparelhos para que os pais pudessem se despedir.

Continuemos rezando.

Oi Povo Católico,

Um bebê doente luta por sua vida em uma UTI, e seus pais fazem todo o possível para manter suas esperanças. Mas, infelizmente, esta é uma batalha perdida. E não foi para a doença do menino. Mas para a ideologia assassina que toma conta da Europa. A Corte Europeia de Direitos Humanos autorizou o hospital a matar Charlie Gard, de apenas 10 meses, contra a vontade de seus pais!

Este mesmo tribunal, que condenou a Rússia por não permitir a união de pessoas do mesmo sexo, ameaçou sancionar a Polônia por seus "excessos conservadores" e luta para permitir a "liberdade" para mães matarem seus filhos no ventre. No entanto, parece não entender como direito humano a luta dos pais pela vida de seu filho. 

É óbvio que estamos diante de mais um desmando de gente que acha que o ser humano não tem sentido se não estiver servindo ao “Estado”. Mas não adianta encarar somente como um problema político. O problema principal é que a Europa virou as costas para Cristo. É um continente de mortos-vivos.

Como pode um povo não reagir diante de um tribunal de direitos humanos que tira um bebê de seus pais e autoriza um hospital a matá-lo? Que hospital é esse? Que justiça é essa? Que povo é esse?

Se a Europa ainda ouvisse a Igreja, talvez isso não acontecesse. A eutanásia é inaceitável! Mesmo que seja feita com a intenção de abreviar o sofrimento do paciente. O número 2277 do Catecismo é bem claro:

Quaisquer que sejam os motivos e os meios, a eutanásia direta consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inaceitável. Assim, uma ação ou uma omissão que, de per si ou na intenção, cause a morte com o fim de suprimir o sofrimento, constitui um assassínio gravemente contrário à dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus vivo, seu Criador. O erro de juízo, em que se pode ter caído de boa fé, não muda a natureza do ato homicida, o qual deve sempre ser condenado e posto de parte (58).

Mas e se não houver mais chance alguma? 

Nesse caso, é necessário avaliar os efeitos da continuidade do tratamento.

A cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do «encarniçamento terapêutico». Não que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o facto de a não poder impedir. As decisões devem ser tomadas pelo paciente se para isso tiver competência e capacidade; de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a vontade razoável e os interesses legítimos do paciente. (CIC 2278)

O que definitivamente não é o caso de Charlie! Primeiro porque os pais não estão de acordo. A decisão está sendo tomada pela justiça e pelo hospital. Em segundo lugar porque CHARLIE AINDA TINHA UMA CHANCE!

Sim! Essa história é mais absurda ainda. Há um tratamento experimental nos EUA para a doença do menino e o dinheiro para isso já havia sido levantado. Só que o hospital precisaria manter o bebê vivo por mais algum tempo. Mas eles não querem esperar... Talvez seja exigir demais que todas essas pessoas, afundadas na cultura de morte, entendam o que significa esperança.

Enfim, para nós, que cremos no Deus do impossível, ainda é tempo: reze por Charlie e por sua família.

 

Oi Povo Católico!!!!

Hoje a Hora da Treta é especialíssima! Entrevistamos Sua Alteza Imperial e Real Dom Bertrand! Sim! Teve príncipe na Rádio Catedral! 

Neste programa Dom Bertrand conversa sobre a real possibilidade de se restaurar a monarquia brasileira e tira dúvidas dos ouvintes. ATENÇÃO para a declaração SOBRE A MAÇONARIA E SOBRE DOM VITAL! 

"A posição da Família Imperial é a posição de todo católico: a Igreja Católica proíbe, sob pena de excomunhão, a pessoas que participassem dessas seitas secretas. E no caso de Dom Vital foi um erro histórico que jamais deve se repetir!"

S.A.I.R. Dom Bertrand no programa Hora da Treta

Dê play no áudio abaixo e divirta-se!

É TRETA, Povo Católicoooooooo!!!!

Hoje, em O Catequista, é dia do podcast mais treteiro do universo: HORA DA TRETA!

A Hora da Treta é um programa semanal da Rádio Catedral FM que tem como objetivo passar a semana em revista, mostrando a verdade por trás dos fatos e um olhar cristão para tudo o que acontece. É apresentado por Alexandre Varela (EU!), Pe. Augusto Bezerra e Pe. Nivaldo Junior e vai ao ar AO VIVO todas as sextas-feira (dia de treta), às 18h10 na Rádio Catedral FM do Rio de Janeiro (106,7). Quem não conseguir acompanhar o programa ao vivo pode ficar tranquilo porque NENHUMA TRETA FICARÁ SEM REGISTRO!

NESTE PROGRAMA: Alexandre Varela (O Catequista) e Pe. Augusto Bezerra falam sobre a insistência de Gilmar Mendes em anular delação da JBS e rever prisão em segunda instância, detonam o quebra-quebra em Brasília, apoiam a convocação do Exército para contar e a baderna, protestam pela FLIP ter sido levada para dentro de uma igreja e desmentem o Fake News sobre o encontro de Dom Orani com FHC.

APERTA O PLAY QUE É TRETA!

Oi Povo Católico,

Dom Luigi Negri, Arcebispo da arquidiocese italiana de Ferrara-Comacchio fez uma belíssima reflexão sobre a sociedade europeia (e serve para a nossa também) a partir do terrível atentado de Manchester, que deixou mais de 20 mortos na última semana.

Veja abaixo o texto completo. Vale a pena ler e refletir. Para onde estamos indo e como podemos fazer para reverter esse quadro?

 

“Pobres filhos de uma sociedade que não reconhece o Mal”

por Dom Luigi Negri, Arcebispo de Ferrara-Comacchio

Texto publicado no jornal italiano La Nuova Bussola Quotidiana, no dia 23 de maio de 2017, a respeito do ato terrorista ocorrido na véspera, em Manchester.

 

Caríssimos filhos,

Sinto que posso chamá-los assim, ainda que não os conheça. Mas, nas longas horas de insônia que sucederam o anúncio deste atentado terrível, no qual muitos de vocês perderam a vida e muitos ficaram feridos, senti-me ligado a vocês de maneira especial.

Vocês vieram ao mundo, muitas vezes sem ser desejados, e ninguém lhes deu “razões adequadas para viver”, como pedia o grande Bernanos à geração de seus adultos. Puseram vocês na sociedade com dois grandes princípios: que podiam fazer o que quisessem, porque todo e qualquer desejo é um direito; e a importância de ter o maior número de bens de consumo.

Vocês cresceram assim, considerando óbvio que tinham tudo. E quando tinham algum problema existencial – antigamente se dizia assim – e o comunicavam aos seus pais, aos seus adultos, já estava pronta a sessão de psicanálise para resolver esse problema. Esqueceram-se apenas de lhes dizer que há o Mal. E o Mal é uma pessoa, não é uma série de forças ou de energias. É uma pessoa. Essa pessoa estava lá à espreita, durante o espetáculo. E a terrível asa da morte, que ela trazia consigo, os capturou.

Meus filhos, vocês morreram assim, quase sem razões, da mesma forma como tinham vivido. Não se preocupem, não os ajudaram a viver, mas lhes farão um “ótimo” funeral, no qual se expressará essa bolsa retórica laicista com todas as autoridades presentes – infelizmente também as religiosas – em pé, silenciosas. Naturalmente o funeral será feito ao ar livre, também para os que creem, porque a esta altura o único templo é a natureza.

Robespierre riria, porque nem ele chegou a tal fantasia. De resto, nas igrejas já não se fazem funerais, pois – como diz sabiamente o Cardeal Sarah – nas igrejas católicas já se celebra o funeral de Deus. Não se esquecerão de colocar nas calçadas os seus bichos de pelúcia, as lembranças da sua infância, da sua primeira juventude. E depois tudo será arquivado na retórica de quem não tem nada a dizer perante as tragédias, porque não tem nada a dizer perante a vida.

Eu espero que ao menos algum desses gurus – culturais, políticos e religiosos – nesta situação contenha as próprias palavras e não dispare os discursos de sempre para dizer que “não é uma guerra de religião”, que “a religião, por sua própria natureza, é aberta ao diálogo e à compreensão”. Pois bem, desejo que haja um momento de respeito silencioso. Primeiramente pelas suas vidas ceifadas pelo ódio do demônio, mas também pela verdade. Porque os adultos deveriam, antes de tudo, ter respeito pela verdade. Podem não servi-la, mas devem ter respeito por ela.

De todo modo, eu, que sou um velho bispo que ainda acredita em Deus, em Cristo e na Igreja, vou celebrar a missa por todos vocês no dia do seu enterro, para que do outro lado – qualquer que tenham sido as suas práticas religiosas – encontrem o rosto tão querido de Nossa Senhora, que, envolvendo-os em seu abraço, os consolará desta vida desperdiçada, não por culpa de vocês, mas por culpa dos seus adultos.

 

TRADUÇÃO: Claudio Cruz

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