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Segunda, 10 Novembro 2014 00:20

Militantes da comunhão aos recasados: bons samaritanos ou fariseus?

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Em geral, o termo “fariseu” é associado àquele tipo de religioso que não vive a essência da fé cristã, se apaga às leis de forma moralista e inflexível. Essa aplicação é muito apropriada; porém, além de inflar a lei com rigorismos, o farisaísmo também se manifesta na tentativa de criar estratagemas para afrouxar a obrigação de cumprir determinada lei de Deus, mantendo, no entanto, um respeito aparente a essa lei.

Tá complicado? Calma, vai ficar claro. Vejam esse exemplo perfeito do Evangelho de Mateus:

Jesus respondeu-lhes: "E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição? Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; (...) Mas vós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já ofereci a Deus, esse já não é obrigado a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus.”

- Mt 15, 3-6

Os fariseus queriam se livrar da obrigação de sustentar de seus pais idosos, e queriam dar a mesma licença imoral aos seus seguidores. Mas eles não eram loucos de contestar o mandamento “Honrar pai e mãe”, pois não queriam ser acusados de heresia. Sendo espertos, inventaram um subterfúgio (a oferta dos bens a Deus), e assim era possível ignorar o Mandamento na prática, mas continuar a defendê-lo na teoria.

segunda_uniao

Tá... E onde eu quero chegar com isso? É simples: ao contrário do que muita gente pensa, os membros do clero que defendem o acesso dos recasados à Eucaristia não são bons samaritanos, mas sim fariseus! Reparem no discurso desse pessoal:

– Mudar a doutrina da indissolubilidade do Matrimônio? Jamais! O que estamos sugerindo é que, em certos casos muito particulares, a Igreja permita que os recasados voltem a comungar, desde que recebam a autorização do bispo local e passem antes por uma prática penitencial...

Prática penitencial? Que coisa mais distorcida! Na história da Igreja, esse tipo de penitência sempre foi aplicada a pecadores públicos ARREPENDIDOS - em especial, apóstatas - que renunciaram à condição de pecado, e não a pecadores que têm a intenção de permanecer no pecado.

Acho que já vi esse filme antes... Fizemos abaixo uma adaptação da citada passagem do Evangelho de Mateus. Vejam se não se encaixa direitinho!

Mateus 15, 3-6, VERSÃO SÉCULO XXI

Jesus respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição? Deus disse: Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério. Mas vós dizeis: Aquele que disser ao bispo: estou em segunda união, mas estou disposto a realizar uma prática penitencial, esse já pode comungar.

“Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus. Agora me dirijo aos irmãos que, por motivos que só Deus conhece e pode julgar, estão em situação de segunda união. Amigos, afinal, não é verdade que...

...Jesus ensinou que o casamento é indissolúvel, e condenou o divórcio?

...Jesus ensinou que quem se envolve em uma segunda união, comete adultério?

...se uma pessoa está em situação de adultério, não deveria comungar?

...se os recasados puderem comungar, isso pode levar muitas pessoas a pensar que a Igreja permite o divórcio?

...a postura dos clérigos que apoiam a causa da comunhão aos recasados se assemelha muito à dos fariseus, conforme expomos?

Felizes aqueles que colocam a verdade acima de suas conveniências! Quanto aos fariseus... “Toda a planta que não foi plantada por meu Pai celeste será arrancada. Não vos preocupeis com eles. São cegos guiando cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois cairão num buraco” (Mt 15,13-14)

cegos_guiando

E O SÍNODO DA FAMÍLIA?

Como explicamos em um post anterior (leia aqui) ainda não há consenso; os bispos sinoidais estão divididos sobre a questão da comunhão aos recasados. Em 2015, mais uma vez o Sínodo se reunirá, e então Roma dará o seu parecer final. Enquanto isso, já tem padre e leigo pirando na batatinha, dizendo que o Papa Francisco liberou geral!

Entretanto, a Igreja está apenas ESTUDANDO a questão, então vamos parar de presepada, ok?! Não contem com o ovo no fiofó da galinha. O parecer de São João Paulo II sobre o tema está em pleno vigor:

“A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio.”

- Familiaris Consortio, item 84

Esse ensinamento foi anunciado justamente após um Sínodo. Portanto, todos aqueles que, vivendo em segunda união (ou terceira, ou quarta...), ousam desobedecer a Igreja e se arrogam o direto de comungar, COMETEM SACRILÉGIO e colocam sua alma em perigo de ir ao inferno. Ao pecado de uma união adúltera se soma ainda mais essa gravíssima ofensa a Deus.

Abrindo caminho para a perdição dos fiéis e para a sua própria, muitos sacerdotes traidores criam verdadeiros guetos de infidelidade, e, tais como se fossem eles mesmos “papas”, concedem a Sagrada Comunhão a pessoas em situação matrimonial irregular. Talvez por isso mesmo tenha sido necessário, infelizmente, rediscutir nesse novo Sínodo uma questão já amplamente analisada e muito bem definida por um Papa santo, em 1981.

É bem verdade que a culpabilidade de uma situação pecaminosa - como uma segunda união - pode ser diminuída ou até mesmo anulada, dependendo das circunstâncias atenuantes (Catecismo da Igreja Católica, 1735); mas também é verdade que tais situações são tão complexas que SÓ DEUS PODE JULGAR. E assim, se a pessoa for digna, o Senhor lhe concederá a "comunhão espiritual", ainda que ela não possa ter acesso à Comunhão Eucarística.

Para saber mais, acesse e leia:

Divorciados e casais em 2ª união: e agora, José?

Recomendamos também dois artigos do Padre Anderson Alves, que é professor da Universidade Católica de Petrópolis:

Levar a comunhão aos divorciados ou os divorciados à comunhão? (I Parte)

Levar a comunhão aos divorciados ou os divorciados à comunhão? (II Parte)

divorciados_comunhao

916 Domingo, 21 Janeiro 2018 21:34

Comentários   

0 # Roberto Marques 05-03-2016 20:50
Prezados do O Catequista, como a Igreja lida com o casos de separação aonde pelo menos um dos cônjuges deseja a restauração do casamento? Pergunto porque vivo esta situação e sinceramente não encontrei quase apoio dentro da nossa amada Igreja... do clero a quem me reportei sobe o caso, alguns foram evasivos, com respostas que pareciam uma análise psicológica tão somente, e de um ouvi até que deveria seguir em frente já que o caso era sem solução. Apoio ou pelo menos direcionamento obtive em meios protestantes (evangélicos), onde eles pedem para que acima de tudo eu busque primeiramente a Deus e me santifique pois Deus esta do lado da família. Quero informar que o meu caso de separação não tem características digamos absurdas, tipo traição ou violência física. Apenas a outra parte disse que não dei o amor e atenção devida e por isso o amor dela foi se acabando. Creio firmemente que temos a possibilidade de continuarmos juntos sim porque a amo e amo a minha família. Gostaria muito de ser melhor orientado por pessoas da nossa Igreja.
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0 # A Catequista 07-03-2016 17:21
Roberto, você pode comungar normalmente, desde que não se envolva com outra mulher. Afinal, o vínculo com sua esposa, a despeito do divórcio, permanece até que a morte os separe. Se envolver com outra mulher seria adultério, pelos olhos de Deus. Se você deseja voltar para a sua esposa, recomendo que coloque muito o joelho no chão. Reze o terço todos os dias, e peça a intercessão de São José, o guardião da Sagrada Família. E se sua esposa alega que você não lhe deu o amor e a atenção devida, caso ela tenha razão, aí compete a você buscar convencê-la de que as coisa podem ser diferentes. Compete a você mudar - se for o caso - buscar reconquistá-la, sempre contando com a graça de Deus. Não desista de procurar um bom padre que lhe oriente - ou um leigo maduro na fé, que seja bem casado. Peça isso a Jesus. A quem bate, a porta se abre. Você participa de alguma comunidade da Igreja? De alguma espiritualidade? A amizade com pessoas católicas nos ajuda muito nesses casos. Por fim, ainda que você não consiga reconquistar sua esposa, deve ser ajudado a caminhar fielmente junto a Deus, unindo sua cruz à cruz de Cristo.
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0 # Roberto Marques 07-03-2016 22:08
Olá prezado irmão! Eu tenho total consciência de que meu vínculo com a minha esposa deve permanecer e busco a fidelidade ainda que separado. Tenho buscado na oração a força para permanecer fiel ao que eu prometi a Deus a 16 anos atrás quando nos casamos. Sabe é muito duro viver esta situação. Tenho uma bela família. Da nossa união nasceram duas belas meninas, uma com quase quatorze anos e outra de oito anos. Hoje vivo só com a minha mãe já que morávamos todos num mesmo terreno. É triste para mim ter que negociar com a minha esposa os dias que as minhas filhas podem vir aqui. A minha vida ficou descaracterizada. Mas creio que embora não seja da vontade de Deus, Ele permitiu que eu passasse por isso para talvez me aproximar mais Dele. E é claro que desejo a volta da minha esposa e das meninas. Tenho orado muito por isso. Busco me santificar mesmo em meio as dores e a pressão que este mundo põe sobre aqueles que vivem uma situação como a minha. Reconheço os meus erros na nossa união e tenho tentado ser melhor pessoa, contando sempre com a graça de Deus. Tenho pedido que o Espirito Santo toque o coração dela e a faça rever esta decisão tão drástica. Quanto ao que falei sobre a ajuda de alguém da Igreja, sim tenho tido alguma ajuda mas são poucas as pessoas que realmente incentivam a lutar pelo meu casamento. Pertenço sim a uma comunidade de aliança e lá também os irmãos (confesso que nem todos) me ajudam neste sentido com palavras e orações. Entendo que deveria haver um despertar dentro da Igreja para situações como esta de casais separados. Deveria haver um empenho maior para buscar a restauração de casamentos. É incrível a quantidade de casais cristãos/católicos que estão se separando. Para mim fica evidente que o inimigo de Deus atua fortemente nas famílias fazendo delas o seu alvo de destruição. Deus nos abençoe!
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0 # Eudes 18-02-2016 12:19
Com muita alegria, em meados do ano de 2015, me casei. Com muita tristeza, pouquíssimos meses depois, a amarga surpresa da separação caiu como uma bomba em minha vida. Nem por isso me arrogo o direito de dizer q, se eu buscar uma 2ª união - o q busco evitar com mto empenho - mereço receber a Eucaristia; ou pior, dizer q a Igreja é anacrônica e dura comigo. De forma alguma! Que seja feita a vontade de Cristo, mesmo sobre as nossas presepadas e agonias humanas. Céus e terras passarão, mas sua Palavra não passará.
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0 # Vini 03-04-2015 18:58
Oi, eu sei que foge ao assunto, mas eu queria saber uma coisa: estou em estado de graça e fui.à Liturgia da Paixão. Eu achei que não podia se celebrar a Eucaristia, então eu não fui comungar. Porém, eu pesquisei e vi a sagrada Comunhão é ministrada, mas a ORAÇÃO Eucarística não é feita. Eu pequei por ter me recusado a comungar mesmo em estado de graça?
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0 # A Catequista 04-04-2015 12:46
Vini, a sua ignorância o livrou de pecado. Não, você não pecou.
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0 # Paulo Izidoro 18-01-2015 20:59
Catequista, a senhora fala em venda das indulgências como se leão X tivesse decretado tal infâmia.Eu sempre acreditei em abusos nesse assunto mas nunca na venda propriamente dita, por parte do papa. Mas afinal, o Leão X decretou mesmo a venda?
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0 # A Catequista 19-01-2015 00:45
Paulo, eu gostaria de defender com unhas e dentes que a venda abusiva de indulgências foi um ato isolado do Frei Tetzem que não contava de forma alguma com a anuência de Leão X. Eu já acreditei nessa tese um dia, mas hoje não mais... O Papa nunca decretou nada oficialmente que fosse inoportuno ou imoral sobre a venda de indulgências; como Sucessor de Pedro, ele tecnicamente foi leal a seu papel. Mas moralmente ele foi uma desgraça, e suas ações o denunciam. Já publicamos dois posts sobre isso: Papa Júlio II e o seus delírios de Tutankamon http://ocatequista.com.br/archives/13044 Papa Leão X e Frei Tetzel, o camelô de Indulgências http://ocatequista.com.br/archives/13622
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0 # Christiane 17-11-2014 15:57
Sem falar nos casais que poderiam obter a declaração de nulidade de seus matrimônios, mas optam por não correr atrás; preferem ficar fazendo mimimi pra ver se ganham no grito a igualdade de direitos como se não estivessem em adultério, parece até discurso feminista! Sou divorciada e optei por viver a castidade e receber Jesus Eucarístico. Já fiz muitas escolhas erradas por aqui, então optei pela obediência, pois prefiro ser feliz eternamente no Céu do que ter uma felicidade talvez intensa, mas passageira aqui na Terra. Não é fácil, é preciso uma renúncia muito grande, mas vou seguindo, tropeçando às vezes, mas levantando e orando. Pra mim é isso, uma opção que você faz pela Graça ou pelo pecado.
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0 # Christiane 18-11-2014 08:50
É verdade, Sidney! Tenho exemplo disso na minha própria família. Eu e meu irmão somos divorciados. Ele já se casou de novo diversas vezes, fala horrores do obscurantismo da Igreja, mas quer por que quer converter a atual mulher que é espírita... mas pergunta aí se ele foi correr atrás da declaração de nulidade que, até no meu leigo observar, ele tem todas as condições de obter? Nããããão, prefere ficar falando mal do clero, ficar de mimimi e ter sua própria igreja particular em casa. E o mais incrível, só vai à Missa porque a mulher cobra(!) Aí não tem combate...
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0 # Sidnei 18-11-2014 08:14
Christiane, que DEUS abençoe pro sua escolha, eu também tenho meus problemas de ordem sexual e optei em não casar, e ser casto, embora, minha castidade anda trôpega ultimamente. Porém o que mais chama atenção nesta história toda, é como você colocou aqui, tem gente que ao invés correr atrás para ver se poderá obter a declaração de nulidade de seu casamento, que o qual, não houve casamento algum caso seja considerado nulo, ficam com mimimis, e aí entra a seguinte questão: quem são estas pessoas, estes casais divorciados e recasados em segunda união que querem a comunhão?, se for para verificar são aquele que se o Papa liberar a comunhão a estas pessoas, garanto de um para mil, que eles não vão colocar os pés na Igreja é nunca, estão aí só para torrar a paciência dos padres, bispos, do Papa e de todo mundo. Aqueles casais que se divorciaram e se casaram em segunda união e querem ter alguma vida religiosa junto a Igreja, sabendo de sua situação, garanto que estes não incomodam nem um pouquinho, pois sabem que a Igreja não pode legitimar nada que vai contra a tudo o que esta escrito, que foi transmitido e ensinado pela Igreja até os dias de hoje, mas tem alguns que não querem nem saber e como você colocou Christiane, agem com feministas que lutam por seus direitos, mas no fundo no fundo mesmo estão apenas provocando confusão e discórdia no seio da Igrejas. Estas pessoas merecem nossas orações para que o ESPIRITO SANTO as iluminem para que parem com estes movimento que não levam a nada a não ser a confusão e a discórdia entre os irmãos na Igreja.
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0 # Renan 17-11-2014 10:06
Dar a S Comunhão os recados equivale no mínimo a extinguir o pecado de adultério - seria uma nova seita dentre da Igreja - na qual, como no relativismo protestante, v, cada um é o deus da bíblia e faz dela o que quiser, daí as separações constantes, como RRSoares e Valdomiro que são ex da seita de pai Caifás. Idem, receber os homôs em atividade: ser-lhes-ia cacelado o pecado da sodomia e avalização de seus gravíssimos pecados em nome de uma maquinada misericórdia e complacencia com o erro, se implantadas, terão as bênção de Satã e não podermos concordar com elas, jamais, pois ferem os princípios anteriores da doutrina da Igreja de 2000, coisas da TL e doutros relativistas!
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0 # A Catequista 12-11-2014 12:11
Convertida ao catolicismo, divorciada em segunda união pede que a Igreja NÃO mude sua doutrina: http://www.religionenlibertad.com/yo-conversa-al-catolicismo-divorciada-vuelta-a-casar-pido-que-la-38615.htm
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0 # William G. 11-11-2014 13:48
Pessoal, eu sei que isso não tem nada a ver com esse post, mas como eu devo proceder com um protestante soberbo com esse tipo de comentário (sobre sola Fide e sola Gratia)? ... "Não precisamos nos esforçar em nada para sermos dignos de Deus. Por mais que nos esforcemos, jamais conseguiremos isso. Somos dignos somente porque Jesus passou por esse sofrimento, morrendo a nossa morte. E essa dignidade vem da graça de Deus e não do mérito do homem. Não coloque um jugo pesado sobre os seus ombros para se esforçar a ser digna do Senhor. Ele já fez isso. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie." 2 (Ef 2,8-9). Se sou salvo pelas minhas obras (fazendo algo para ser digno de Deus), então este texto, e todo o NT estão equivocados. Jesus veio para que, afinal? Não quero entrar no mérito de religiões, cada um com a sua, ok? Pergunte ao seu padre sobre esse texto. Além disso, as obras são consequências da fé, que é graça concedida por Deus, conforme escrevi acima."
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0 # Carlos 20-11-2014 23:34
Caro Sidnei, se formos analisar apenas as palavras desse protestante que você cita acima, não temos motivo algum para considera-lo arrogante, não por causa dessas palavras. Ele está basicamente repetindo o que a Igreja (que é católica) diz. E mais: está se fundamentando num documento católico que é a Bíblia Sagrada! Nenhum mérito nosso seria possível se não fosse a graça de Jesus! É a graça dEle, e só ela, que nos capacita para as boas obras. Como diz Jesus no Evangelho, depois de muito trabalhar pelo Reino, ainda devemos dizer: "Somos inúteis e preguiçosos, nada fizemos". O único ponto em que discordo do "seu protestante" é a suposição de que "nos esforçamos por ser dignos de Deus". Não é este o motivo do esforço, da penitencia e das boas obras! Nós nos esforçamos por abrir o coração à sua salvação e à sua graça que nos capacita para as boas obras, é radicalmente diferente! Pois se eu digo: " meu esforço e penitencia de nada valem ante a salvação gratuita do Senhor", é a mesma coisa que dizer a quem me dá um bote ou a mão em uma enchente (como se conta na famosa piada): " Não quero seu bote ou sua mão, vou ficar aqui de braços cruzados me recusando a pegar seu bote ou sua mão, porque a minha salvação dessa enchente não pode ter participação minha, tem que ser algo gratuito!" Que diabo de atitude seria uma porcaria dessa??? Não é assim que Jesus nos salva, contra a nossa vontade. É preciso estar aberto à salvação, ativamente aberto! E cada boa obra que eu me disponho a fazer (com a graça dEle!!!) é expressão dessa abertura ativa! Se eu saio daqui e vou me sentar com a pobrezinha debaixo da ponte, levando uma palavra amiga, um violão e uma cantiga alegre, um arroz de forno gostoso, uma palavra evangelizadora, eu devo rezar/orar antes: "Senhor que tua graça realize em mim essa obra, esse fruto da tua salvação em mim, de modo que seja tu mesmo a ser presença junto aquela pessoa através da minha pobre e limitada pessoa!" Ora pois, isso é a salvação gratuita do Senhor agindo em mim e isso é ao mesmo tempo OBRA! BOA OBRA! Caritativa, evangelizadora! Sou eu aceitando a mão que me salva da enchente! É minha abertura ativa à graça salvadora de Jesus! E isso é mérito sim Senhor! Mérito permitido pela ação da graça! "CONCEDE-ME O QUE ME PEDES QUE EU FAÇA , SENHOR!" dizia Santo Agostinho! O mérito em sentido cristão, bíblico, católico portanto, é exatamente a AÇÃO DA GRAÇA SALVADORA de Jesus em nós, com nossa ativa abertura à essa graça!
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0 # Sidnei 21-11-2014 08:07
Nenhum mérito nosso seria possível se não fosse a graça de Jesus! É a graça dEle, e só ela, que nos capacita para as boas obras. Como diz Jesus no Evangelho, depois de muito trabalhar pelo Reino, ainda devemos dizer: “Somos inúteis e preguiçosos, nada fizemos”. Carlo, muito boa sua colocação, venho complementar aquilo que expus, pois por nós mesmos, com nossas boas ações, com nossas boas obras, sozinhos, não se salvaremos é nunca, somente pela graça de DEUS e nós abertos a ela, realizando as boas obras que DEUS de antemão colocou para a praticarmos, é que chegaremos a salvação eterna, embora, a premissa sempre vem da graça de DEUS, e nunca por mérito nosso, e por vontade DELE, que ele nos coloca as boas obras para participarmos também da nossa Salvação. Porém temos que salientar que por vontade divina, que participamos de nossa salvação, através da realização das boas obras que DEUS de antemão colocou para a praticarmos, se não a praticarmos, estremos correndo um sério risco de perde-la, pois se as obras sem a fé de nada valem, a fé sem as obras também não, pois como esta escrito na carta de São Tiago, a fé se as obras são mortas.
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0 # Carlos 22-11-2014 18:51
Inclusive o crente (protestante ou católico) que se recusa a praticar as boas obras (movido pela graça) numa falsa compreensão do poder salvador da graça e da fé (sem as obras que são seus frutos) valoriza muito pouco ou nada a própria fé a a própria graça, de fato pisa na graça salvadora de Cristo.Na verdade seu lema nem deveria ser "SOLA GRATIA" ou "SOLA FIDE", e sim NULA GRATIA e NULA FIDE (não sei se este latim está correto), FÉ NENHUMA E GRAÇA NENHUMA ! A "fé" e a "graça" que não operam pela caridade, sequer podem ter esses nomes. E Lutero percebeu claramente essa contradição. E como ele quis resolve-la? Tentando simplesmente eliminar a carta de São Tiago da Bíblia Sagrada. E como não conseguiu, desqualificou essa importante parte da Bíblia chamando-a de "epístola de palha", um trem à toa. Pode-se falar da Sagrada Escritura com tamanha falta de respeito??? Portanto, para essa mentalidade tão.. digamos, ideológica, não existe nem mesmo um "SOLA SCRIPTURA", Seria grande hipocrisia falar de sola scriptura, depois de tratar a Palavra (escrita) do Senhor, de modo tão indigno!!!
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0 # Sidnei 11-11-2014 14:23
Willian, só para completar o que a Vivi colocou aqui, releia a passagem de Ef. , 2, 8 até o vers. 10 e não o 9 o qual consta o seguinte: "8. Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. 9. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. 10. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos." Visse Willian, DEUS nos colocou as boas obras que a praticássemos, e se não praticamos as boas obras que DEUS antemão nos colocou para que a praticássemos, será que vamos para o céu?, será que receberemos a salvação?. Como a Vivi já respondeu, e isto é um ensinamento católico, e se você haja que a Igreja Católica ensina a salvação somente pelas obras, estas redondamente enganado, a Igreja ensina que a Salvação vem sim pela graça de DEUS, pela profissão de fé feita por nós e pelas obras o qual são demonstrados, o qual são traduzidos em gestos concretos a nossa fé, pois se as obras sem a fé de nada valem como estra escrito no profeta Isais o qual perante a DEUS nossas obras não passam de um pano imundo, porém, sem as obras como escreveu São Tiago, é morta por si mesma. As obras antes da fé de nada valem, porém após a fé, elas não só terão seu valor, como serão necessárias.
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0 # A Catequista 11-11-2014 13:53
William, temos um post sobre essa questão da Sola Fide: http://ocatequista.com.br/archives/7260 Não somos salvos pelas obras, de fato, mas isso é uma meia verdade. Porque quem não tiver obras para apresentar diante de Deus é porque nunca foi cristão de verdade, portanto, irá para o Inferno. As obras não geram a salvação, mas são frutos naturais da fé. Jesus mesmo disse que a árvore que não der frutos será cortada e lançada ao fogo. Só essa passagem do Evangelho acaba com a Sola Fide e com a Sola Gratia numa tacada só. Os protestantes ensinam Sola Mierda!
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0 # Cristina M 11-11-2014 13:18
Sou noiva de um divorciado. Faço a comunhão espiritual há dois anos. Não acho que a igreja deve mudar seu posicionamento só porque estou entre estas pessoas que não podem comungar ou confessar. Mas quem nos julga não sabe o quão sofrido é isso. Concordo com o que o Carlos comentou. E acho que os católicos deveriam ser menos ácidos nas palavras quando vão referir a casais divorciados. Devemos preocupar mais com a acolhida dessas pessoas. Não tive nenhuma acolhida até hoje, mas sou católica devido apenas a força da minha fé, infelizmente.
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0 # Carlos 20-11-2014 23:02
Eu fui paroquiano de um padre absolutamente fiel à doutrina da igreja, ortodoxo, claro e inequívoco. E eu era divorciado e amasiado com outra divorciada. O meu pároco, amicíssimo dos mais pobres e pecadores, jamais me enganou, dizia-me exatamente o que a igreja diz e o que eu disse mais acima. Mas eu e minha mulher, nunca sentimos (apesar de não poder comungar e respeitar isso) uma só palavra de desprezo ou discriminação desse padre em relação a nós. Ao contrário, ele almoçava conosco às vezes, brincava com a gente, já nos ajudou em ocasiões de aperto material, não ficava jogando nosso erro na nossa cara, o tempo todo. Quando tocava no assunto o fazia com carinhosa franqueza. E aos poucos nos ajudou a ver que a graça e o poder do Senhor são mais fortes que nossos limites. Minha esposa e eu tivemos a graça de sermos preenchidos pelo Amor de Deus de modo tão real e forte, que consideramos nossa atração sexual e afeto mútuo um nada diante da pérola que é seu Reino, e por isso nos separamos para viver só para ELE, o afeto continua e cresceu, ficou maior quando nos vimos como irmãos em Cristo vivendo para anuncia-LO ao povo. O sexo (embora venha da natureza criada por Deus) se tornou um nada diante da nova alegria que o Senhor nos deu. Cada um de nos está muito mais pleno agora. E não nos perguntamos se tínhamos vocação para essa consagração à missão. Essa tornou-se a única alternativa à situação de pecado que vivíamos e à impossibilidade de reatar nossos primeiros (e únicos) matrimônios já que nossos cônjuges não nos queriam. "Mas Senhor quem poderá se salvar se teu Evangelho é tão claro e inequívoco assim???" Nós também perguntávamos ao Cristo, como os apóstolos, mas ficamos firmes na resposta que ele deu a eles e a nós: PARA DEUS NADA É IMPOSSÍVEL!
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0 # Dáltoni 21-11-2014 14:20
Parabéns pela coragem Carlos! Demos graças a Deus pela vida do sacerdote que vos acompanhou... Deus abençoe a ti e à sua amada... Paz e bem!
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0 # Alex Hoffmann 11-11-2014 00:28
Percebo uma coisa, é a minha percepção, podem contestar, refutar, mas, o negócio é que aconteceu com Bento XVI em sua eleição, ahhh, porque ele não é como São João Paulo II, e a imprensa caiu de pau em cima só porque o homem era tido como mais conservador, taxaram até de linha dura e retrógrado como se fosse o próprio Hitler, mas na verdade, colaram nele a imagem de suas consciências pesadas, por conta disso, muito católico jujuba tinha, e até hoje tem, urticária quando lembra de Bento XVI, a imagem dele parece denunciar meus pecados a minha consciência. O diacho é que a cambada não conseguia debater e derrubar o que Josefh Ratzinguer dizia, o homem é o maior teólogo da atualidade, ou você vai pra aprender com ele ou pra tomar uma surra filosófica, não tem outro fim, eheheh. O engraçado é que inventam até profecia de fim de mundo com seu ato de abdicar do trono de São Pedro. Agora a mesma coisa acontece novamente, com Francisco, ele não é Bento XVI. Eis que, novamente a imprensa e não só ela, mas muitas pessoas, colaram nele a imagem de suas consciências, só que agora coniventes com o pecado, simplesmente por ele usar uma cruz de ferro e o Anel do Pescador de prata. Mas acabam ficando de queixo caído, criticam, e choramingam: ta vendo? Eu sabia que o desgraçado tava só disfarçando, quando o Papa Francisco usa de todo o Poder que Jesus Cristo conferiu, de ligar e desligar. O problema é a mardita da comparação, querer comparar um com o outro. Um é Bento XVI, o outro é Francisco, cada um a sua maneira. E o alvoroço que causou Bento XVI ao falar dos muçulmanos, não teve ele que voltar a se explicar porque a imprensa postulou palavras que ele não tinha dito? Já tinha dito antes, justamente por causa desta maldita "fama", que criaram em torno de reformador, de modernizador da Igreja, que todo e qualquer papagaio de pirata usa para justificar suas maldades. Ai, vem um Sínodo dos Bispos, claro, ali houve muita discussão acalorada e séria entre os Bispos presentes, teve um relatório inicial bem abestalhado, mas a turminha do oba oba, já achava que era o começo da legalização dos botões alegres. O relatório final não ficou aquela coisa toda, mas no próximo ano vai mexer. Se mexer será para reforçar mais ainda a Doutrina sobre o casamento e a família constituída como Deus quer, sem ambiguidades em palavra alguma.
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0 # luiz alberto 10-11-2014 22:54
Mudar a doutrina da igreja é como mudar a palavra de Cristo, é como fazer ele ouvir em vez de falar, é como dizer a Jesus Cristo, nos somos a maioria, queremos que faça como nos queira, assim fica melhor para todos. Não espere que o papa vai mudar uma só virgula, daquilo que a igreja diz, devemos sempre esta com a igreja, e não com povo que quer mudar a igreja.
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0 # Flávio 10-11-2014 17:41
Não esqueça dos casos de casamentos falsos ou seja que casamento que não houve sacramento legitimo. Por que um dos lados mentiu, esconde algo grave. Para isso existe os tribunais eclesiásticos para analisar esses casos. Hoje existe muitos casamentos que nunca deveria ter existido, pois muitos casam mais por formalidade, para ter uma festa.E da satisfação a sociedade, infelizmente alguns Padres assistem a tais casamentos. Mais quem for casal de segunda união reveja como foi seu casamento, se teve liberdade para tal.
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0 # Renan 10-11-2014 16:40
Não existe real misericórdia: Para quem não se reconhece pecador, Não confessa seus erros ao padre, Não promete mudar de vida. Essa tal "misericórdia" dos Kaspers & Associados não passariam de complacencia com erro, extinguindo os graves pecados das práticas da sodomia e das re-uniões, enganando as pessoas, induzindo-as ao erro, pervertendo-lhes as mentes e as relativizando, endurecendo-lhes o coração, além de desvirtuarem o matrimonio segundo a Ordem Natural, conforme Deus deixou e não jamais acatarem as "verdades" das ideologias SATANISTAS que tanto proliferam por aí, fazendo-as pecar mais ainda e profanando a S Comunhão. LEMBREM-SE QUE A ATIVIDADE DE SATÃ ESTÁ EXACERBADA COMO NUNCA ESTEVE NESSE MUNDO!
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0 # Eliette Mendes 10-11-2014 15:55
Sem falsa moral, sem excepções (bem sei que quando o assunto nos toca ficamos sensíveis), sem mornismos e fofuchismos. Existe na Bíblia algo a que chamamos Ipsissima verba Iesu = Nas próprias palavras de Jesus (que diferem de quando os apóstolos falam inspirados pelo Espírito) e Jesus responde a Fariseus e Saduceus relativamente ao problema aqui exposto: "Todo o que abandonar sua mulher e casar com outra, comete adultério; e quem se casar com a mulher rejeitada, comete adultério também" Lc 16,18 / "Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? 6. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. 7. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la? 8. Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. 9. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério. 10. Seus discípulos disseram-lhe: Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar! 11. Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado." Mt 19, 5-11. Ainda que queiramos contestar os apóstolos, não podemos contestar o Cristo. se pusermos em causa a infalibilidade, actualidade e veracidade da Bíblia questionamos a nossa Fe e, nesse caso bem podemos abandona-la pois cremos com base em premissas falsas. No entanto se cremos em Cristo, cremos na Escritura, na Tradicao e no Magisterio da Igreja, obedecemo-lO. Entendo a dor de quem tem um matrimonio falhado, sou filha de pais divorciados e vi o sofrimento e solidão da minha mãe, a dor da perda e do fracasso, logo não o digo de animo leve, sou resultado de uma família monoparental, mas no final para que tentar salvar essa vida e perder a outra? Como disse S. Pedro Act 5, 29 - Antes obedecer a Deus que os homens e S. Paulo reforça - De fato, não há dois (evangelhos): há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. 8. Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. 9. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! Gl 1, 7-9. TODOS QUE SEMEIAM CONFUSAO E DETURPAM O EVANGELHO SEJAM ANÁTEMA - ate mesmo eu, se assim proceder! A relação do matrimônio é a relação Cristo-Igreja
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0 # A Catequista 10-11-2014 16:10
Eliette, agradeço muito o seu testemunho!
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0 # Eliette Mendes 10-11-2014 16:30
Testemunhar é a única forma de evangelizar. Dói ver o mundo a infiltrar-se na Igreja, ver nossos pastores confusos, mas Jesus conduz a barca e a tempestade vai passar. Confesso que só recentemente comecei a rezar pela Igreja e pela hierarquia, engraçado como se espera que eles nunca percam o Norte. Graça e Paz
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0 # Padre Orlando Henriques 10-11-2014 15:41
Gostei muito da comparação que fizeram com os fariseus: foi iluminadora! É uma boa resposta que vou ter para dar a quem anda para aí com essa “estória” da “misericórdia” na boca (sendo que, para eles, “misericórdia” significa condescendência com o que está mal). No ano passado, tivemos um encontro de “Padres Novos” com o nosso Bispo e falou-se lá sobre “sermos rostos de misericórdia” e essas coisas às vezes mal entendidas. E o nosso Bispo, D. Virgílio Antunes, deu um testemunho pessoal que foi bem esclarecedor. Disse ele: «Uma mãe e uma filha foram lá à Casa Episcopal porque a filha tinha-se casado pelo Registo Civil e queria que eu lhes benzesse as alianças… E eu tive uma atitude de misericórdia para com elas; disse: “Desculpem, mas não pode ser.”» Já usei este exemplo em algumas homilias, explicando que se o Sr. Bispo tivesse dito “sim” estaria a enganá-las, e não a ser misericordioso. Ser “rosto de misericórdia” não é dizer “sim” a tudo, pelo contrário, passa também por dizer alguns “nãos”. Afinal, quando a Igreja diz aos que estão em situação matrimonial irregular “não pode comungar” ou “não pode ser padrinho” está a fazer uma grande obra de caridade: num mundo pervertido em que toda a gente diz que vale tudo e que nada é mal, haja alguém que acorde estas pessoas para a realidade e lhes diga que estão mal!
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0 # Carlos 20-11-2014 20:42
Olá Padre, Queria contribuir com mais uma reflexão (me corrija por favor se eu falar besteira!) : A igreja (e os sacerdotes) não podem se colocar no lugar de Deus Onisciente. A igreja é a presença viva de Jesus no mundo e na história, mas não é o próprio Deus Onipotente que sonda os corações. Por isso, a razão habitual que a igreja apresenta para não dar a comunhão aos pseudo-casados (foi o próprio Jesus que de algum modo disse à Samaritana que ela era pseudo-casada, não?) e que um rapaz repetiu em um dos podcasts deste blog, é muito justa e humilde também. A igreja não quer correr o risco de errar, o rapaz lembrou. Ou seja, se ela diz "a comunhão é possível aos "recasados", ela se arrisca a fazer uma afirmação que muitas vezes só Deus pode fazer em sua onisciência, a afirmação de que aquela pessoa, embora viva uma situação objetivamente errada, pode estar subjetivamente quites com Deus. Ela não pode afirmar isso e nem o oposto disso em todo e qualquer caso. Então é uma posição humilde, a da igreja, quando ela diz: objetivamente largar o cônjuge é pecado, subjetivamente falando (caso a caso) haverá histórias e histórias, circunstâncias e circunstâncias que não eliminam nunca o erro, mas que tornam difícil, senão impossível, discernir até onde vai a culpa/responsabilidade da pessoa envolvida naquele erro objetivo. Nesse caso, qual é a atitude mais humilde e menos arrogante? Se colocar no lugar do próprio Deus Onisciente dizendo à pessoa: VOCÊ NÃO TEM PECADO ALGUM, COMUNGUE TRANQUILAMENTE! Ou dizer: O SEU CASO É DIFÍCIL DE DISCERNIR E NÃO QUEREMOS NOS COLOCAR NO LUGAR DO PRÓPRIO DEUS ONISCIENTE DIZENDO QUE VOCE ESTÁ LIMPA DIANTE DELE (EMBORA VOCÊ ESTEJA OBJETIVAMENTE EM ERRO!) ISSO SÓ ELE PODE DIZER E NÓS NÃO VAMOS JULGAR PORQUE CORAÇÃO DO OUTRO É TERRA QUE SÓ DEUS CONHECE. CONCLUSÃO: Se apesar das evidências, você estiver sem culpa diante dele, Ele próprio vai lhe dar meios de santificação mesmo que você não possa comungar, não sinta nossa posição como julgamento pessoal sobre você, julgamos o seu ato e ele é objetivamente errado, agora o quanto você é pessoalmente culpada dele, Deus é quem lhe julga. ISSO NAO É MAIS HUMILDE E DESPRETENSIOSO DO QUE SE COLOCAR NO LUGAR DE DEUS DIZENDO: "Está liberada, comungue quando quiser!". Creio que é um trabalho catequético esclarecer isso: a igreja não está julgando pessoas, mas erros objetivos, a igreja não quer correr o risco de errar. Se é a pessoa que está certa, a onipotência divina irá lhe dar os meios de se santificar, do mesmo modo que uma pessoa se salva pelo batismo de desejo, de sangue, e até pelas suas boas obras diante de Deus, quando não teve condições objetivas de aceder à mensagem da salvação ou aos meios objetivos da salvação (sacramentos). Falei besteira padre? Me corrija se falei. Mas é que eu acho uma tremenda sacanagem, alguns cardeais, bispos, padres e teólogos pretensiosos ficarem tachando a posição atual da igreja, rotulando-a de FALTA DE MISERICÓRDIA, DE JULGAMENTO PESSOAL SOBRE OS CRENTES, DE RIGORISMO, quando é óbvio que não é nada disso. Para mim a razão da igreja é clara, não correr o risco de passar uma mensagem contraditória quanto ao matrimônio de Cristo, não correr o risco de colocar no lugar do próprio Deus. Ela poderia correr o risco de maior arrogância e pretensão se dissesse COMUNGA, pois estaria se dizendo igual ao Próprio Deus onisciente, conhecedor do fundo da alma humana. Mas ao dizer ao recasado NÃO SEI SUA SITUAÇÃO INTERIOR PROFUNDA DIANTE DE DEUS, isso é muito mais humilde e misericordioso! Não acha, padre ? Então é tudo o oposto daquilo de que a igreja é acusada. É claro que é no poder do próprio Cristo que a igreja julga ao perdoar os pecados, mas é o penitente que se acusa, o confessor não impõe nada que a própria consciência do penitente não acuse (pode propor posteriores situações de melhor formação na fé, mas respeita aquele estágio de consciência atual). E num segundo caso de juízo de valor, a igreja também age em Persona Christi , nas excomunhões que são relativas sempre a fatos muito precisos e inequívocos. Não é o caso dos divorciados, eles não comungam mas não estão excomungados, a igreja os considera membros e evita (com muita justiça e prudência) um juízo sobre a sua situação subjetiva perante o próprio Deus. Agora se lá no coração da pessoa, por alguma razão que escapa às possibilidades de verificação objetiva da igreja, ela está absolutamente limpa e livre de culpa pessoal, ora minha gente, é óbvio que ela pode crescer na santidade até muito mais que alguém que comunga diariamente, isso não é demérito algum para a igreja, ela age corretamente sendo honesta com aquilo que encontra objetivamente no histórico da pessoa, mas se existe algo que a igreja não consegue verificar objetivamente e sem sombras de dúvida ( se a pessoa está mentindo ou não, por exemplo, às vezes é impossível saber isso, pois não?) algo que inocenta a pessoa diante de Deus, a igreja não tem culpa nenhuma, pois ela não está declarando a pessoa culpada (e muito menos impondo a exclusão eucarística como punição pessoal) ela está pura e simplesmente dizendo que não tem condições de fazer esse julgamento, de se colocar no lugar do próprio DEUS ONISCIENTE E JUIZ. Será que é difícil compreender algo tão óbvio e simples? Agora uma pergunta que não quer calar: a quem interessa apresentar (nessa questão da comunhão) à opinião pública a imagem de uma igreja intolerante que dá a comunhão como premio aos casadinhos e a exclusão dele como castigo aos pecadores divorciados? A quem interessa caluniar a igreja a este ponto? O que interessa de fato é como a comunhão fraterna dos crentes (que a Eucaristia gera) envolve cada pessoa que se envolve com a comunidade, como somos capazes de estar perto de cada pessoa (casada ou não) vivendo suas dores, suas necessidades materiais e afetivas. É aqui neste âmbito que se dá a acolhida real e efetiva e não se colocando no lugar da própria onisciência divina, mudando a disciplina dos sacramentos. O tempo que a gente perde querendo implicar com disciplina eclesiástica a gente podia gastar criando estruturas pastorais de apoio e acompanhamento, e mais ainda zelando pelo testemunho de vida fraterna das nossas comunidades que às vezes mais parecem a clientela de um supermercado religioso do que a família de Deus. É porque não cuidamos dessas coisas essenciais, que ficamos caçando chifre em cabeça de cavalo. Me corrijam se falei besteira. Mas é que estou de saco cheio de ver a igreja do Senhor Jesus acusada de intransigente e julgadora, quando tudo que ela quer é exatamente o oposto : não julgar, deixar o coração do outro como aquela terra que só Deus pode entrar e julgar. Estou errado em meu modo de avaliar ? Catequista, faço a ti as mesmas perguntas que fiz ao padre.
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0 # Padre Orlando Henriques 21-11-2014 20:56
Caríssimo Carlos Achei interessante a sua ideia, e até esclarecedora. Mas, antes de mais, eu diria que, perante uma situação objectiva, não é preciso “usurpar-nos” a omnisciência de Deus para saber se algo é pecado ou não: se a situação é, verdadeiramente, objectiva, então não há margem para dúvidas. Talvez a minha mentalidade que seja demasiado “ocidental” e “quadrada” (do tipo: “isto é isto e aquilo é aquilo”), mas parece-me que é o que faz sentido: as coisas ou são ou não são; se nos é dito que «Se alguém se divorciar da sua mulher - excepto em caso de união ilegal - e casar com outra, comete adultério» (Mt 19, 9), então é porque quem casa com outra está MESMO em adultério (independentemente das circunstâncias atenuantes). Quando falamos de uma situação de pecado que é objectiva, isso de ser “objectiva” quer dizer que a situação é “assim” em si mesma, independentemente das opiniões. Ainda assim, vamos supor que, como você, Carlos, disse, «subjetivamente falando (caso a caso) haverá histórias e histórias, circunstâncias e circunstâncias que não eliminam nunca o erro, mas que tornam difícil, senão impossível, discernir até onde vai a culpa/responsabilidade da pessoa envolvida naquele erro objetivo». É nesse caso que faz todo o sentido o que você diz (embora, apesar de tudo, continuemos a falar de uma situação de pecado objectiva; trata-se de atenuantes, sim, mas, como você mesmo reconhece, as atenuantes «não eliminam nunca o erro»; daí a minha dúvida sobre se é possível colocar ou não esta hipótese, mas coloquemo-la…). De facto, embora seja verdade que só Deus conhece o íntimo de cada um (e, portanto, só Deus pode avaliar até que ponto há pecado), seria uma temeridade arrogarmo-nos em árbitros como se pudéssemos dizer a alguém “você não está em pecado” se a pessoa está numa situação objectiva de pecado. MAS note que há um grande facilidade em usar (erradamente) esse mesmo argumento para dizer exactamente o contrário: “Ah, e tal… só Deus é que conhece o íntimo dos corações, por isso nós não podemos dizer que a pessoa está em pecado, portanto, há que dar-lhe a comunhão em vez de julgar, pois só Deus é que julga e não nós”… Aliás, esse argumento (“quem somos nós para julgar?”) é mesmo o mais usado. E é verdade que nós não somos ninguém para julgar, mas é exactamente isso que nos deve levar a uma atitude de reservada prudência: assim, declarar “sem pecado” alguém que persiste no pecado sem retroceder caminho, é tudo menos deixar o julgamento para Deus. Se não posso julgar, então não tenho nada que estar a dizer que a pessoa está livre de pecado quando a sua vida é, objectivamente, um estado de pecado: isso também é um julgamento, e o mais certo é que seja mal julgado. Uma vez mais, a pior mentira é uma meia-verdade: é verdade que só Deus conhece o íntimo dos corações; mas é exactamente por isso que não devemos arriscar; não se trata de julgar ou não julgar, mas é, somente, não abrir mão de uma coisa em que não nos pertence a nós abrir mão. Por isso, acho que está bem pensado o seu raciocínio: A nossa ignorância sobre o estado de graça de alguém há-de levar-nos, precisamente por não sermos senhores de avaliar a profundidade da pessoa e da sua vida, a não lhe dar o que não temos autoridade para dar a quem está, objectivamente, numa situação de pecado.
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0 # Carlos 22-11-2014 18:34
(Grato padre pela resposta, também creio (e vejo isso o tempo todo!) que “há um grande facilidade em usar (erradamente) esse mesmo argumento para dizer exactamente o contrário: “Ah, e tal… só Deus é que conhece o íntimo dos corações, por isso nós não podemos dizer que a pessoa está em pecado, portanto, há que dar-lhe a comunhão em vez de julgar “ SÓ QUE HÁ AQUI UMA DIFERENÇA CRUCIAL E GRAVE: Ao liberar a comunhão (mesmo em casos de incerteza e concordo consigo que em muitos casos não haverá minimamente dúvidas quanto ao pecado subjetivo também) ao divorciado sob o pretexto de não julga-lo corro o risco real e concreto (em alguns casos, há mais que risco, mas certeza mesmo) de ser cúmplice de uma comunhão falsa que condena a pessoa em vez de curar. Já ao negar (fazendo um julgamento claro da conduta, e o senhor faz bem em lembrar que nem em todos os casos haverá dúvida quanto à clara culpa pessoal. Por exemplo, no caso de um safado mulherengo que abandona esposa e filhos ao Deus dará) a comunhão, esse risco não existe, inclusive nos casos duvidosos. A igreja não estará sendo cúmplice de uma comunhão sacrílega. De modo que quem usa o argumento do não julgar no sentido oposto ao que propus, precisa ter a honestidade de reconhecer que existe essa possibilidade e esse risco real de conduzir a pessoa à condenação e nesse caso com culpa de quem foi cúmplice. Matar um coelho atrás do arbusto na suposição de que talvez não seja um coelho (mas um ladrão, por exemplo) é muito mais grave do que não matar (o ladrão, por prudência) baseando-se na dúvida e impossibilidade de saber efetivamente o que/quem está ali atrás do arbusto. E é claro, novamente concordo consigo (e deveria ter enfatizado isso em minha reflexão) que no caso dos divorciados nem sempre existe essa dúvida quanto a posturas claramente pecaminosas. Creio que o Cardeal Caffarra, conseguiu expressar de modo bem sintético, o que tentei expor: “A razão pela qual a Igreja não admite os divorciados em segunda união à Eucaristia não é porque a Igreja presume que todos aqueles que vivem nessas condições estão em pecado mortal. A condição subjetiva dessas pessoas é conhecida pelo Senhor, que olha na profundidade do coração. São Paulo também diz isso: "Não queiram julgar antes do tempo". Mas sim porque – e está escrito também na Familiaris consortio – "o seu estado e a sua condição de vida contradizem objetivamente (OU SEJA: QUANTO AO ESTADO SUBJETIVO, em certos casos pelo menos, A IGREJA DEIXA ISSO AO JULGAMENTO DO SENHOR, INTERPRETO EU ) aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada pela Eucaristia" (FC 84). A íntegra da bela reflexão-entrevista de Carlos Caffarra, está neste link: http://emiliabriand.blogspot.com.br/2014/03/uma-coisa-e-perdoar-outra-e-desfigurar.html
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0 # Carlos 22-11-2014 22:02
Aliás essa reflexão do Cardeal Caffara se parece muito com o teor deste post. Ele também fala em casuísmo farisaico. O que mostra um DNA comum a ambos os textos: Dom Giussani e sua radical sinceridade e coerência.
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0 # Carlos 22-11-2014 18:38
Desculpe a fragilidade do exemplo do coelho (afinal não sou nenhum "ecochato"). Melhor será trocar por "pessoa inocente" a ser morta no lugar de um ladrão (a ser morto no caso, por legítima defesa) que também, é claro, não deve ser morto.
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0 # Christiane 17-11-2014 16:00
Disse tudo, padre!
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0 # Marjory Pereira 10-11-2014 15:12
Paz e bem! Tenho pena de muitos amigos que vivem nesta situação de divórcio. Alguns desenvolvem trabalhos na comunidade e respeitam a determinação da Santa Igreja: não comungam. Uma coisa que aprendi ao me "converter" de fato ao catolicismo foi confiar na Santa Igreja, ela sempre está certa. A tempo: sempre fui católica, mas anter eu era "jujuba", rs! "Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" Keep calm and não prevalecerão! Rezemos e tenhamos fé!
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0 # A Catequista 10-11-2014 15:16
É isso aí, Marjory! NÃO PREVALECERÃO!
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0 # Isabel Carolina 10-11-2014 13:45
Mudando de assunto vcs viram a matéria do O GLOBO ?? Dizendo que está comprovado(usaram esse termo ) que Jesus teve filhos com Santa Maria Madalena e se casaram , baseando se em evangelhos de 1500 anos atrás , sei q esses evangelhos devem ser apocrifos, gnosticos e foram escritos muitos anos depois q Jesus viveu então n valem nada, mas e as pessoas que lêem e perdem a fé ?? E os ateus q vem nos encher com isso , o q dizer ??
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0 # A Catequista 10-11-2014 13:50
Isabel, de seis em seis meses surge um novo "evangelho" bombástico. Que dizer? As pessoas se recusam a acreditar na santa Bíblia, mas aprumam os ouvidos para dar fé a essas infâmias, que não gozam da menor credibilidade histórica. Que dizer? Pergunte a essa gentalha: porque você não crê nos textos canônicos da Bíblia, e crê nesses apócrifos tardios? Qual a lógica?
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0 # Ronaldo Vargas 10-11-2014 13:45
Fico extremamente dividido enquanto o tema. Sei que Nosso Senhor deseja que o casamento seja indissolúvel e também afirmo que uniões duradouras e saudáveis são ótimos caminhos para a vida. Contudo, penso em todos aqueles casais, que por n fatos não conseguiram viver juntos,e que acabam sofrendo muito com a imposição da Igreja que não as permite de se aproximar de Jesus Eucarístico. Embora o catecismo diga que situações podem atenuar a falta do "recasamento", parece que sempre pairará uma névoa de culpa em todos esses casais. Mas diante disso, eu questiono: será que temos o direito de relegar todos esses casais à uma "segunda classe" de fiéis? Ou ainda impedir-lhes de viver uma segunda relação que pode ser prolífera? Por exemplo:uma jovem que por paixões quase infantis se casa e logo em seguida percebe que aquela não era a pessoa que amava e se separa, sem ter tido filhos; será que podemos desejar que ela viva uma vida sozinha? Gostaria, Catequista, de uma resposta sobre o tema, pois sei que a Doutrina já tem suas diretrizes, mas gostaria de saber como adequá-las aos dramas humanos, que hoje e sempre, ocorrem.
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0 # A Catequista 10-11-2014 14:05
Ronaldo, em primeiro lugar, a igreja não é dona da verdade, ela não é dona da mensagem cristã: ELA É GUARDIÃ. Como guardiã, ela não tem o direito nem o poder de criar "tradições" (como aquelas que os fariseus criavam) para agradar seus fiéis. Sendo assim, a impossibilidade de pessoas em segunda união comungarem não é uma "imposição" da Igreja, como você diz, mas é uma defesa obrigatória, da qual a Igreja não pode fugir (porque o Espírito Santo a chefia) da doutrina de Cristo e dos Apóstolos. Quanto ao sofrimento dos casais divorciados e em segunda união, o Cristo crucificado continua a lançar seu apelo: QUEM QUISER ME SEGUIR, TOME SUA CRUZ E VENHA ATRÁS DE MIM. Cada qual que carregue sua cruz! Não existe cristianismo sem cruz! Mas alguém ouve esse Homem? Alguém está disposto a dar ouvidos ao seu convite? Ou preferimos tapar os ouvidos e ultrajar Jesus silencioso e humilde, apresentado na forma de Pão? "...parece que sempre pairará uma névoa de culpa em todos esses casais." Pode ser. Mas veja... cada um deve ser homem e mulher suficiente para assumir as consequências dos erros que cometeu. O que você sugere? Acha melhor liberar a comunhão para essas pessoas, levando assim uma multidão de fiéis a banalizar o divórcio? Acha melhor escandalizar a comunidade, permitindo que pessoas em situação de pecado grave comunguem? Afinal, Jesus disse ou não disse que quem deixar seu marido/esposa (ou for deixado) e casar com outro comete adultério? Ousaremos relativizar essa palavra? Sério? Eu não relativizo essa palavra... Deus me livre! Não quero somar aos meus muitos pecados o grande pecado de relativizar algo que saiu da boca do próprio Deus feito homem. Tenho medo do inferno! E tenho pena de quem perdeu esse medo. Quando ao exemplo que você deu, da jovem que casou de forma impensada, esse é um caso que pode ser submetido ao tribunal eclesiástico, pois talvez seja passível de ser reconhecida como uma união nula.
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0 # Rosane 10-11-2014 12:47
Boa tarde! Por favor, me esclareçam uma dúvida, uma pessoa que se casou somente no civil, e se divorciou, e assim permanece, pode se casar no religioso? Pode comungar? Obrigada!
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0 # Padre Orlando Henriques 10-11-2014 15:28
É isso mesmo. Mas também é preciso não esquecer o arrependimento e a confissão, pois não podem avançar para um sacramento, como é o casamento, em pecado mortal. Os pecados não se resumem a isso, mas o facto de terem estado a viver casados civilmente e/ou em concubinato é um dos pecados que cometeram e que é mortal, exigindo o arrependimento sincero e a confissão bem feita para ser perdoado e poderem celebrar o sacramento em estado de graça.
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0 # A Catequista 10-11-2014 13:46
Boa tarde, Rosane! Em princípio, se a pessoa nunca casou na Igreja Católica, ela está livre para casar. Então, se casou antes só no civil, mas está divorciado, pode casar na Igreja. A Igreja não vê valor sacramental algum no casamento civil. Porém... Porém, se na relação de casamento civil - ou mesmo de concubinato - a pessoa gerou filhos, aí o negócio é mais embaixo, e o bispo local precisa avaliar o caso, para ver se autoriza ou não o casamento. O Cânon 1071, do Código de Direito Canônico diz: Parágrafo 1º - Fora do caso de necessidade, sem licença do Ordinário do local, ninguém assista: 3º - Ao matrimônio de quem tiver obrigações naturais para com outra pessoa ou para com os filhos nascidos de uma união precedente.
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0 # Nilson de Resende 10-11-2014 10:23
Definitivamente o Espírito Santo está presente nos textos de vocês, pois sempre encontro a "verdade" pura e simples, como deve ser. Que Deus abençoe o apostolado de vocês.
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0 # Sidnei 10-11-2014 09:52
Uma pergunta que não quer calar, e me respondam por favor: se hipoteticamente o sínodo do ano que vem liberar a comunhão aos casais de segunda união, qual deverá ser nossa posição diante disto?.
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0 # Renan Barbosa 09-10-2015 14:48
A obediência é a Deus em primeiro lugar.
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0 # A Catequista 10-11-2014 11:09
O sínodo não libera nada. É como se fosse uma empresa de consultoria. Irão apenas fazer recomendações ao Papa. Em 2016 o Papa deve lançar uma exportação apostólica, fazendo com as decisões dele a esse respeito, que podem seguir ou não as recomendações do sínodo. Quando isso acontecer, estaremos com o Papa seja qual for sua decisão. Temos nosso ponto de vista, mas Pedro é que dará a palavra final. E acho que essa deve ser a posição de todo católico. Veja, no século XVI, a venda de indulgências promovida por Leão X promoveu grande confusão na Igreja e, mais de cinco séculos depois, é usada pelos inimigos da Igreja como arma para atacá-la. E essa história já conhecemos bem: um monge "santo" que se achava acima de toda essa corrupção voltou sua língua ferida contra o Papa e se colocou em graça oposição ao trono de Pedro. O monge vaidoso e louco promoveu a divisão da cristandade, arrastou muitos consigo para o inferno, se afundou em desespero, se suicidou. E a Igreja? Bem... a venda de indulgências ficou pra trás, a Igreja seguiu em frente; e os católicos tiveram depois a graça e alegria de ser guiados por muitos papas santos. Acho que a história nos ensina muito. É preciso ser simples de coração para ver.
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0 # Sidnei 10-11-2014 23:20
"Quando isso acontecer, estaremos com o Papa seja qual for sua decisão. Temos nosso ponto de vista, mas Pedro é que dará a palavra final. " Se for pensar assim, então se um Papa resolver novamente voltar a vender indulgências, devemos todos juntar as mãozinhas e dizer, sim, sim, amém, amém e São Paulo errou feio quando deu um puxão de orelha em São Pedro nosso primeiro Papa, como ele descreve em suas cartas aos Galatas. E esta matéria aqui postada não terá sentido algum, haja vista, o que prevalece é a decisão do Papa, mesmo que esta decisão vai contra os três principais pilares da nossa fé católica: a Bília Sagrada, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério da Igreja, e como foi colocado em uma resposta minha, hoje pela manhã (10/11/2014 o qual não apareceu ainda, não sei se foi varrido para debaixo do tapete) esterei orando mais ainda ao Papa caso ele venha a tomar alguma decisão contrária ao que esta nas Sagradas Escrituras, que nos venho pela Sagrada Tradição e que foi ensinado até hoje pelo Sagrado Magistério da Igreja. Estarei orando mais intensamente ainda pelo nosso Santo Padre, para que DEUS pelo ESPIRITO SANTO o ilumine e volte atrás em qualquer decisão desastrosa, e caso isto não acontecer, esterei orando para que DEUS envie mais papas santos para concertar algum possível erro de decisão (queira DEUS que isto esteja longe de acontecer) tal como os papas que vieram depois de Leão X e outros papas que vieram depois dele e pecaram pelo excesso de zelo em querer concertar o estrago não só causado por Leão X, como os demais papas poucos zelosos que vieram antes dele.
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0 # O Catequista 11-11-2014 10:24
Oi Sidnei. Estamos do mesmo lado. Concordamos com seu ponto de vista sobre a questão da comunhão aos casais de segunda união. A única coisa que estamos dizendo de diferente é: estamos com Pedro até o fim. Podemos até não concordar com ele, mas estaremos com ele. Uma coisa que aprendi como catequista é que não se deve investir muito tempo e esforço em futurologia. Normalmente criamos impasses por conta de situações que não existem e esse me parece o caso aqui. Tenho absoluta certeza de que você, como eu, não irá se voltar contra o vigário de Cristo. Não deixará de ser católico, não se tornará cismático... pode até não concordar, mas estará com Pedro. Tenho certeza disso porque você não é católico por conveniência, mas por fé. Então, deixemos de futurologia, porque seja lá o que Pedro decidir, se for ex-cathedra, será decisão do Espírito Santo. Logo, podemos ter a certeza de que será algo bom. Esse é o único futuro que podemos prever sem nenhuma margem para dúvidas. Se não for ex-cathedra aí o problema se dilui... será só uma questão administrativa e poderemos reclamar o quanto quisermos, mas sem perder a unidade com Pedro. Esse é o ponto fundamental e tenho certeza de que você concorda comigo. Abs!
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0 # Sidnei 11-11-2014 13:02
Alexandre, muito obrigado pela sua resposta, e sim, mesmo não estando 100% de acordo com o Papa caso ele venha decidir algo que venha contra a tudo o que foi ensinado até hoje pela Igreja, como no caso de liberar a comunhão a casais recasados em segunda união, mesmo assim estarei orando por ele, e ontem, dia 10/11 foi o dia do Papa São Leão Magno, e pedi a intercessão dele para que ore em favor de seu sucessor hora reinante, Papa Francisco.
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0 # Isabel Carolina 10-11-2014 13:47
Espero que o Papa Francisco não faça isso ! E caso o faça rezemos para que um proximo Papa o desfaça, assisti uma aula do Padre Paulo Ricardo e ele disse que os proximos Papas que podem julgar a ação dos antigos, como no caso de Hónorio ou Libério.
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0 # Carlos 11-11-2014 00:07
Eu creio que ele não o fará. Creio que há quatro coisas essenciais no caso dos divorciados em "segunda união" : 1) Não admiti-los à comunhão não tem absolutamente nada a ver com falta de misericórdia, como insinua o Cardeal kasper. Muito pelo contrário: pode ser grande sinal de misericórdia, pois é uma lembrança contínua (a eles) de que, qualquer que seja a sua situação, sempre serão convidados pela igreja, a deixar que o poder do Amor de Deus transforme suas vidas fazendo-os capazes de renúncias grandes por Ele. Abandonar um parceiro, ou viver casta e fraternalmente com ele, é café pequeno para quem põe toda a sua esperança em Cristo. Não se pode negar essa experiencia do poder de Deus a ninguém e isso é grande misericórdia, a misericórdia capacita para grandes coisas em vez de nos deixar do mesmo tamanho, sem qualquer transformação profunda. 2) E a posição da igreja é reflexo da posição objetiva e pública do próprio Deus, mas não da situação subjetiva entre Deus e o fiel. Quanto à situação interior do fiel que só Deus conhece, Jesus é capaz de dizer "AS PROSTITUTAS CHEGARÃO PRIMEIRO QUE VOCÊS AO REINO DOS CÉUS" evidentemente não por serem prostitutas, mas na medida em que manifestarem sincera abertura à graça transformadora de Cristo, uma abertura humilde e arrependida que a presunção do fariseu impede que ele tenha, já que se julga tão virtuoso. 3) Assim, a posição objetiva da igreja, não tem nada a ver com dividir os fieis entre os mais cumpridores do dever e os menos, os mais santos e os mais pecadores. Os merecedores ou não da "comunhão eucarística como prêmio" (outra infeliz e infantil expressão de Kasper) Declarar que uma situação é objetivamente pecaminosa, não tem nada a ver com um juízo de valor pessoal e subjetivo e menos ainda com a falta de acolhimento subjetivo e pessoal. Um rapaz, no penúltimo podcast da Liga dos Blogueiros, foi muito feliz ao dizer: PARA NÃO CORRER o RISCO de ERRAR, a igreja nega a comunhão aos "re-casados". Agora como o coração daquela pessoa está diante de Deus, isso já é outra história. E se o coração dela estiver numa postura tal (de humilde abertura) só de Deus conhecida, e não acessível à verificação segura, externa, objetiva e certa da igreja, nem Deus deixará de santificar essa pessoa (por meios que Ele quiser usar) e nem condenará a igreja, que foi honesta e transparente atendo-se ao fatos verificáveis até onde lhe foi possível e sobretudo, que foi cuidadosa para que o Evangelho não fosse deturpado por uma incoerência entre pastoral e doutrina. Quem não deve não teme. Se de fato é impossível à pessoa se desligar do parceiro, ou se o seu casamento é nulo e inexistente (embora a igreja não tenha conseguido reunir provas convincentes disso) essa pessoa não precisa temer nada, receberá de Deus meios para se santificar e nos "preceder" no Reino e nem a igreja precisa temer nada, desde que não tenha negado a comunhão por espírito farisaico de exclusão, de julgamento pessoal, de separação entre os bons e os maus, de se achar melhor que aquela pessoa. 4) Tudo isso fica mais fluido e tranquilo, quando a igreja não é meramente um lugar para se "frequentar" como se fôssemos fregueses de seus serviços. Quando a paróquia, movimento, ou comunidade, é realmente uma família de relações fraternas próximas como Jesus quis, esses constrangimentos se dissolvem, pois num ambiente assim todos se sentem integrados e acolhidos, o casado e o "re-casado" e através de uma catequese sólida, cada um compreende tanto a missão objetiva da igreja de pregar o Evangelho completo sem mutilações e incoerências (o julgamento objetivo do que é pecado e erro) quanto a necessidade de não fazer qualquer julgamento subjetivo interpondo-se entre a pessoa e Deus , o único que conhece com absoluta certeza o seu coração. Não é na disciplina dos sacramentos (afrouxando ou apertando) que a atitude acolhedora se mostra, mas nas relações mesmas da comunidade com cada um dos seus membros, no dia a dia concreto, no olhar limpo e no abraço franco, no cuidado amoroso e eventualmente até mesmo na sinceridade em dizer ao meu irmão o que Cristo disse à samaritana: "tiveste cinco maridos e aquele que tens agora não é de fato teu marido!" Essa franqueza de Jesus, se deu dentro de um clima que era essencialmente de acolhida e diálogo.O Kasper disse que não há pecado que Deus não possa perdoar. É óbvio que há: é aquele do qual eu não quero ser perdoado, porque sequer admito que pequei! Isso não é misericórdia, isso é a negação da misericórdia. Negar que estou em pecado, é impedir a misericórdia de agir sobre mim!A misericórdia se mostra grandiosa não ocultando o pecado, mas tirando o pecado de nós.
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0 # Isabel Carolina 10-11-2014 13:55
Ah e tbm queria pedir ao povo do catequista para apagar alguns comentários"amargos " que fiz em relação ao Papa Francisco, porque assisti uma aula do Padre Paulo Ricardo que iluminou minha mente, ele disse que apenas futuros papas podem julgar ao outro,claro q temos q fazer a nossa parte, mas em relação a Doutrina ele disse que era para deixar isso para o magistério da Igreja.
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0 # Gêneto Eugenio 10-11-2014 15:38
Outro dia conversava com uma amiga a respeito de tudo que vem se falando publicamente sobre o Papa Francisco e o quanto ficávamos tristes pela acidez das palavras a ele dirigida, como se o Papa fosse um qualquer...ABSURDO!!! Infelizmente as pessoas estão perdendo o senso e falam o que lhe veem a cabeça. Muito nobre da sua parte o arrependimento público. Paz e Bem!!!
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