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A Catequista

A Catequista

“Se matou!? Como assim se matou?” – quase todo o mundo já passou por esse momento de perplexidade, seja em relação a pessoas próximas ou mais distantes. E até mesmo um bom católico, vítima da depressão, pode vir a sofrer a tentação do suicídio.

A verdade é que nem sempre os padres e padres e leigos católicos sabem lidar da forma mais adequada com esse terrível problema. Como acolher uma pessoa com pensamentos suicidas, e ajudar na devida prevenção? Como dar apoio aos familiares de um suicida? O que a Igreja ensina sobre o destino final dos suicidas?

A resposta a essas perguntas está no livro E foram deixados para trás – Uma reflexão sobre o fenômeno do suicídio, da Editora Loyola. O autor, Padre Lício de Araujo Vale, sofreu na pele a dor dessa tragédia: seu pai se suicidou quando ele tinha apenas 13 anos.

O ABANDONO E O PERDÃO

A raiva atormentou Padre Lício por muitos anos: como seu pai, Elias, tinha sido capaz de abandoná-lo, sendo ele ainda só um menino? Padre Lício foi buscar a resposta a essa pergunta pesquisando melhor a história de sua família. E descobriu que seu pai também sofrera, na infância, o trauma do abandono.

Durante a grande seca de 1932, no nordeste, com sua mãe e seus irmãos, Elias migrava a pé, pela estrada. Um caixeiro viajante parou diante da família faminta, e ofereceu uma boa quantidade de suprimentos em troca de um dos seus seis filhos. 

Aquele caixeiro viajante não podia ter filhos. Então a mãe lhe entregou o caçula, Elias, que foi adotado pelo homem e por sua esposa. Apesar de ter sido criado com carinho, ficou para sempre marcado pela dor daquele instante terrível.

Então, lá estava meu pai, abandonado pela própria mãe em um momento de desespero, na cabine do caminhão de um desconhecido. A última imagem que meu pai guardou de sua família foi da mãe e dos irmãos chorando pela partida dele... (...) Essa tristeza nunca mais o deixou.

Ao ter conhecimento dessa história, Padre Lício finalmente foi capaz de perdoar seu pai, e alcançar a paz interior.

SUPERAÇÃO E ESPERANÇA

Além de contar sobre sua longa trajetória para superar o sofrimento pela sua herança suicida, o autor nos relata sua atuação pastoral diante do mesmo drama vivenciado por alguns de seus paroquianos.

Esse não é um assunto fácil, e merece o nosso estudo. Padre Lício é nosso amigo pessoal, e somos testemunhas do seu grande amor por Jesus, pela Igreja e por todo o povo de Deus.

Seu livro pode enriquecer muito a atuação pastoral de sacerdotes, seminaristas, leigos católicos e demais pessoas interessadas no tema. Está à venda na Loyola, na livraria da Canção Nova e na Cia. dos Livros (links abaixo).

Livraria Loyola

Livraria Cação Nova

Cia. dos Livros

A foice da morte ceifou um terço da população europeia em menos de seis anos (de 1347 a 1353). O continente foi assolado pela peste negra, causada por uma bactéria transmitida pelas picadas das pulgas de ratos.

Como tudo de ruim que acontecia na Idade Média, muitos autores modernos colocaram a culpa... na Inquisição! Segundo eles, os gatos começaram a ser hostilizados e exterminados graças à influência da Igreja, que acusava de bruxaria qualquer um que fosse visto na companhia de um bichano. Sem seus predadores naturais, proliferaram-se os ratos e as doenças.

A lorota não para por aí. Alguns autores tentam se fundamentar numa bula publicada no início da década de 1230 pelo Papa Gregório IX, chamada Vox in Rama, que teria classificado os gatos pretos como encarnações do demônio. Há sólidas evidências que mostram o quanto essa alegação é falsa.

Em primeiro lugar, a bula que o papa teria enviado ao Imperador alemão Frederico II e ao Arcebispo de Meinz pedia simplesmente providências para deter a heresia de adoração ao demônio na Alemanha. A bula não demoniza os gatos em nenhum ponto de seu texto. Seu alvo não eram os pobres gatos, mas sim as pessoas que praticavam um determinado culto satânico que envolvia gatos – mais especificamente, a estátua de um gato preto (ou seja, nem havia a presença do animal em si no citado ritual).

Em segundo lugar, a peste negra devastou não somente a Europa, mas também regiões não-católicas, como a Ásia central e o Oriente Médio. O seja, forçar a barra para relacionar a peste negra com o suposto "fanatismo católico" não cola mais!

É o que atesta o medievalista Tim O’Neill:

Em nenhum momento a bula condena os gatos em geral ou os declara animais satânicos, nem diz que eles devem ser mortos. Não há provas de que esta bula – que foi emitida localmente na área de Mainz e provavelmente era desconhecida em outros lugares – causou algum massacre geral de gatos ou qualquer homicídio de gato. E, portanto, a ideia de que a peste negra, que ocorreu um século mais tarde, foi de alguma forma causada por esse massacre de gatos inexistente não faz sentido. Nós também sabemos que a peste negra devastou a Ásia central e o Oriente Médio, bem como a Europa, então, a razão pela qual as pessoas que ultrapassam o alcance da Igreja Católica também estariam matando gatos é inexplicável. A praga não teve nada a ver com massacres de gatos. (Tim O'Neill. Is the Vox in Rama authentic? What effects did it have? Site Quora)

Alguns autores católicos dizem que há controvérsias sobre a autenticidade do documento. Afinal, a edição mais antiga que se conhece dele foi publicada mais de 500 anos após a suposta publicação do documento original: é a edição de 1748 da coleção Sanctorum conciliorum et decretorum nova, de Philippe Labbé. Porém, segundo Tim O’Neill, estudiosos modernos como Lambert, Brunn, Hergemöller, Tremp e muitos outros não expressa a menor dúvida sobre sua autenticidade.

Sendo verdadeira ou falsa, o fato é que a tal bula não foi responsável por nenhum massacre de gatos. Mito derrubado!

Muitas passagens da Bíblia parecem revelar que Deus muda de ideia: estava decidido a tomar determinada ação, mas diante das orações das pessoas, se comoveu e decidiu agir de outro modo. Mas atenção: essas narrativas bíblicas não devem ser entendidas literalmente. Porque o fato é que Deus não se arrepende nem muda de ideia nunca

Por exemplo, quando o livro de Gênesis diz que Deus se arrependeu de ter criado os seres humanos, devemos entender que esta linguagem era a mais adequada para que o povo hebreu, dentro de suas limitações, pudesse entender a mensagem que o Senhor queria lhes comunicar. É um modo humano de explicar as coisas que estão além do entendimento humano (linguagem antropomórfica).

A Bíblia diz:

Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. (Núm 23,19)

Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa... (I Sam 15,29)

Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. (Tgo 1,17)

Deus não se arrependeu de ter criado os homens, pois só se arrepende quem fez alguma coisa errada. Entretanto tudo o que Deus faz é perfeito! Se Deus mudasse de ideia, isso significaria que o que Ele estava pensando originalmente não era algo muito bom... E só depois Ele teria considerado outra solução seria melhor. Desse modo, Ele não seria onisciente, pois não saberia desde o princípio o que é o melhor a se fazer. E não sendo onisciente não seria... Deus!

Diante dessa verdade, surge uma questão importante: se Deus não muda de ideia, não seria perda de tempo rezar pedindo para que as coisas ocorram de determinado modo? Recebemos essa pergunta de uma leitora:

Se Deus é onisciente, sabe tudo o que vai acontecer, qual a importância da oração? Para que pedir algo, se Ele já sabe o que vai acontecer, e o que é melhor a ser feito? Nossa oração muda a ideia de Deus?

Antes de tudo, devemos considerar que há muitas coisas sobre Deus que não são essenciais para a nossa salvação, por isso não temos a necessidade de entender completamente agora. Uma delas é a relação de Deus com o tempo e o espaço - Deus não está sujeito a essas medidas, como nós estamos. Deus é eterno, e está FORA DO TEMPO. Não vou dedicar muito tempo aqui a explicar esse ponto, mas levem essa informação para remoer no travesseiro. (rs)

Vale lembrar que oração não é só pedido: é antes de tudo relacionamento com Deus. É desfrutar da companhia de Deus. Não falamos com as pessoas que gostamos só quando precisamos pedir coisas a elas, mas principalmente porque temos prazer em estar na sua presença. Quem ama dedica tempo a estar com o outro. Orar é dedicar tempo para estar com o coração em Deus.

Mas falemos agora especificamente das orações de SÚPLICA. O Evangelho deixa muito claro que elas são FUNDAMENTAIS para a nossa salvação. Jesus mesmo rezou para que as tentações de Satanás não levassem à queda de Pedro, e nos deixou o Pai-Nosso como valiosa herança. E Ele nos incentivou a pedir:

Pedi e se vos dará. (...) Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem. (Mt 7,7;11)

Como já dissemos antes, a oração é o relacionamento com ALGUÉM. Esse alguém é onisciente, então não devemos multiplicar inutilmente as palavras:

Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. (Mt 6,7-8)

Mas também não devemos ser secos e preguiçosos, como o sujeito da tirinha abaixo...

O que ocorre é o seguinte: desde sempre Deus sabe em que medida cada um de nós nos dedicaríamos à oração, e em que medida seríamos negligentes com isso. E Ele tomou suas decisões levando esse conhecimento prévio em consideração. Ele já contava com as nossas orações desde sempre! 

Deus sabe desde sempre quem será fiel na oração, e quem não será - e quando, e como. E com base nisso traçou Seu plano eterno para a nossa vida, plano esse que não muda - e nem faria sentido que mudasse. Em outras palavras:

  • as suas orações do passado, do presente e do futuro, antes mesmo que você as fizesse, já tocaram o coração de Deus desde sempre, e já pesaram na decisão eterna dEle sobre a sua vida;
  • as orações que você deveria fazer, mas não fez, já fizeram diferença no plano que Deus traçou para a sua vida, plano eterno e imutável, estabelecido desde sempre. 

Padre Pio de Pietrelcina entendia muito bem que Deus estava além do tempo. É o que mostra esse curioso momento de sua vida:

Padre Pio foi perguntado por que ele rezou pela feliz morte do seu bisavô, já que ele já estava morto há muito tempo. Ele disse: " para o Senhor, o passado não existe; o futuro não existe. Tudo é um presente eterno. Essas orações já tinham sido tidas em conta. Por isso, repito que, mesmo agora, posso rezar pela morte feliz do meu bisavô.

- Padre Pio - Histórias e memórias, de John McCaffery

Agora ajuda aí.... Diz que você entendeu minha explicação, vai!

Eu sei, pode dar um nó em nossa mente. Mas fique tranquilo. A única coisa que precisamos saber mesmo é que devemos orar muito e com fidelidade. E ponto!

*****

Se você não assistiu à nossa participação no programa Sem Censura, com Leda Nagle, confira no vídeo abaixo!

 

Depois de apresentar aqui no blog quem eram os cavaleiros da Ordem do Templo e como foi se deu a sua ruína, finalmente vamos falar da execução do grão-mestre Jacques De Molay.

Muitos católicos alimentam uma aura de devoção em torno desse homem. Mas o fato é que De Molay foi inicialmente egoísta ao abandonar seus irmãos Templários: se negou a abrir a boca em defesa deles, em troca da promessa de um julgamento brando para si (Henry Charles Lea. A History of the Inquisition of the Middle Ages, Volume III).

O Papa Clemente V havia designado uma comissão de bispos para tomar a frente do julgamento dos chefes Templários. A Ordem estava perdida, mas restava agora a missão de salvar a vida desses homens. A intenção foi boa, mas se mostrou inútil...

A comissão de bispos estava prestes a emitir um veredicto - que, pelo ador da carruagem, seria favorável aos chefes Templário. Antes do anúncio da sentença, o rei Felipe, o Belo, mandou raptar De Molay e o chefe dos Templários na Normandia, Geoffroy de Charny. Em seguida, os enviou para a fogueira em 18 de março de 1314, em uma pequena ilha no Rio Sena.

De Molay se redimiu de sua covardia anterior em sua morte: a compostura demostrada em meio a seu intenso tormento nas chamas lhe valeu a reputação de santo mártir entre muitas pessoas, que recolheram e guardaram suas cinzas como relíquias.

A reverência popular a De Molay aumentou ainda mais quando dois fatos muito intrigantes se seguiram à sua execução...

Apenas um mês após a morte do grão-mestre dos Templários, o Papa Clemente V faleceu, depois de muito padecer por causa de uma doença. Oito meses depois, foi a vez do Rei Felipe, o Belo, bater as botas: aos 46 anos, sofreu um acidente fatal, durante uma caçada. Em toda a Europa, o povo dizia que esses fatos foram o castigo imposto pela justiça divina pela culpa na ruína dos Templários.

A Inquisição não teve qualquer envolvimento com o assassinato de De Molay. Quanto aos demais prisioneiros Templários, nas regiões livres na influência do rei da França, eles eram tratados com muito maior respeito e legalidade – como é o caso dos Tribunais da Inquisição no Chipre e na área ibérica. 

De Molay não morreu excomungado, mas sim como cristão absolvido. Barbara Frale resume essa triste história com essas palavras (livro Os Templários e o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano):

Clemente V jamais lançou sentenças de condenação contra os Templários; em vez disso, procurou reverter a excomunhão que havia sido lançada contra eles. Aquela absolvição jamais foi revogada, e a sentença de suspensão das atividades da Ordem, sancionada no Concilio de Viena, permanece ainda hoje inalterada, mesmo após sete séculos, sob a forma de uma decisão não-definitiva.

A LENDA QUE ASSOCIA OS TEMPLÁRIOS COM A MAÇONARIA

Uma história muito popular é a de que a Ordem do Templo, após ser suprimida pela Igreja, teria sido continuada pelos maçons. A associação entre a maçonaria e os Templários se deve especialmente ao mito de que esses monges teriam ritos secretos.

Jace Stuckey desmente essa ideia: os Templários não cultivavam nenhum segredo, a não ser aqueles que envolviam informação militar. A morte dramática de Jacques De Molay tinha tons de romantismo e mistério, além da mensagem contra o fanatismo religioso; e assim, promover a sua conexão com a maçonaria pareceu muito interessante para os maçons. Porém essa associação é historicamente impossível (para saber mais: livro Seven Myths of the Crusades, editado por Alfred J. Andrea e Andrew Holt).

A maçonaria até mesmo patrocina e coordena uma Ordem juvenil chamada DeMolay, que tem o objetivo de "pescar" os jovens para se tornarem maçons. A maçonaria é condenada pela Igreja Católica, portanto, os católicos não devem se associar a ela nem à DeMolay.

Ontem explicamos a origem e a missão dos Templários, e hoje seguimos contando a história de sua ruína. Como dissemos, as doações recebidas e serviços bancários prestados pela Ordem a deixaram rica. E essa viria a ser a causa de sua desgraça...

O rei Filipe, o Belo, gastou somas imensas na guerra contra a Inglaterra, levando a França praticamente à falência. A crise era tão grave que o povo nas ruas queria linchá-lo. Ansioso para descolar uma grana que cobrisse esse rombo, há muito tempo ele tramava um golpe para se apossar do patrimônio dos Templários, que estava concentrados na França, em sua maior parte.

Em 1307, Filipe moveu um processo contra os membros da Ordem, acusando-os de crimes contra a moral e a fé católicas; antes desse ataque, ele difamou dos Templários junto às diversas cortes da Europa. O momento para isso era favorável, pois as Ordens militares tinham virado alvo da decepção dos europeus pelo fracasso militar das Cruzadas.

O rei impôs imensa pressão sobre a Igreja, e acabou tomando a frente de um perverso processo inquisitorial. Cerca de cinco mil Templários foram presos; muitos deles foram torturados sem qualquer piedade, o que os levou a confessaram crimes fictícios, conforme os interesses do que o rei.

Clemente V escreveu uma carta de protesto ao rei, pedindo muito educadamente que ele devolvesse os Templários aos cuidados da Igreja. Vale lembrar que o Papa não estava residindo oficialmente em Roma, mas sim na França, em Avignon – e isso o deixava muito mais vulnerável à força militar de Filipe.

Após meses de luta diplomática, finalmente o rei se viu obrigado a ceder ao Papa o direito de interrogar e de julgar pessoalmente os Templários. Um documento muito precioso revela exatamente como se desenrolou essa história: o Processus Contra Templarius, redigido após a investigação dos interrogatórios. O Pergaminho de Chinon faz parte do Processus.

A verdade é que o Papa jamais condenou os Templários como hereges. Em sua investigação, Clemente V constatou que muitos deles eram culpados por atos de imoralidade e por maus hábitos – na cerimônia de iniciação dos novatos, em especial, havia alguns trotes estranhos e imorais, típicos de grupos militares mundanos. Nesse rito, o preceptor testava a disposição do novato a obedecer qualquer comando de seus superiores, sem hesitar ou contestar; para isso, o expunha a atos humilhantes e indignos.

Eram abusos vergonhosos para uma Ordem nascida de modo tão nobre, mas não havia presença de heresia nem nada que motivasse a Igreja a extingui-la. A ideia do Papa era promover uma reforma espiritual e disciplinar, e unir os Templários com a Ordem Hospitalária de São João.

Em 20 de agosto de 1308, os chefes dos Templários foram absolvidos por Clemente V da acusação de heresia. Foram considerados culpados, porém, de outros pecados graves, pelo que pediram perdão e foram redimidos.

A monarquia francesa reagiu contra a sentença papal, e os homens Conselho real até mesmo discutiam seriamente a hipótese de se criar uma Igreja francesa autônoma e separada de Roma. Essa chantagem surtiu efeito: sofrendo de violentas hemorragias e estando gravemente doente, o Papa não tinha mais forças para levar em frente aquela batalha, e entregou os pontos.

Em agosto de 1309, Clemente V decretou a suspensão (não-definitiva) da Ordem dos Templários, que foi sacrificada para salvar a unidade da Igreja. Os bens dos Templários foram confiscados: uma parte deles foi destinada à Ordem dos Hospitalários e outra parte foi abocanhada pelos príncipes.

A partir aí, foi uma tragédia: ignorando e violando a autoridade papal, as autoridades reais atiraram dezenas de templários inocentes à fogueira. Outros tanto morreram na prisão, em consequência das pesadas torturas. “Na ocasião, os teólogos de Sorbonne haviam se manifestado contra a decisão, declarando-a completamente ilegal, mas este seu parecer jamais foi levado tem conta” (Barbara Frale. Os Templários e o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano).

Portanto, as evidências documentais provam que quem matou os membros da Ordem do Templo foi o rei da França, e não a Igreja!

E assim os Templários foram varridos da face da terra, o que culminou com o dramático sequestro e assassinato do grão-mestre Jacques De Molay na fogueira. Essa história nós vamos contar no próximo post. Fique de olho! 

Talvez um dos grupos mais fascinantes da Idade Média sejam os cavaleiros Templários, membros de uma ordem religiosa e militar fundada em 1120, durante as Cruzadas. Eles faziam voto de pobreza, castidade e obediência, além do voto especial de proteger os peregrinos que se dirigissem a Jerusalém – pois ataques de muçulmanos nas estradas eram muito comuns.

Diferente dos membros de outras ordens religiosas, os cavaleiros Templários não recebiam a ordenação sacerdotal, ou seja, não se tornavam padres. Pois aquele que representa Jesus Cristo e administra os sacramentos não pode derramar sangue humano: isso sempre foi proibido pela lei da Igreja. A Ordem tinha seus próprios capelães: “tratava-se, porém, de padres que entravam para fazer parte do Templo quando já houvessem recebido a consagração sacerdotal, sendo absolutamente proibidos de empenhar-se nos combates” (Barbara Frale. Os Templários e o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano).

Para nós pode parecer estranha a existência de uma ordem de frades habilitados para a guerra. Mas também naquele tempo vestir o hábito religioso e participar de uma guerra era visto como algo inconciliável; a aprovação da Igreja à nova ordem não deixou de gerar perplexidade. Afinal, tanto pecadores arrependidos e penitentes quanto grandes santos renunciaram às armas para seguir na via cristã de forma mais perfeita.

Jerusalém estava sob o domínio dos imperadores cristãos bizantinos até o século VII, quando os muçulmanos invadiram e tomaram o território. Por 200 anos, as peregrinações de cristãos à Terra Santa ocorreram tranquilamente, graças ao tratado diplomático firmado entre Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano, e o califa Harun al Rashid.

Essa paz foi por água abaixo quando o califado egípcio assumiu o poder na região: “no ano de 1009, as autoridades islâmicas da Síria decretaram o saque de Jerusalém e a destruição do Sepulcro, com a terrível recrudescência do fanatismo, que se abateu com grande violência sobre os locais de culto cristão” (Barbara Frale). A profanação dos locais sagrados em que Jesus sofreu sua Paixão e Morte mexeram profundamente com os cristãos, em especial, a demolição da Basílica do Santo sepulcro.

Os Templários foram colaboradores muito ativos das Cruzadas. Mas essas guerras não foram capazes de impedir que os muçulmanos tomassem de vez a Terra Santa. A esperança de retomar Jerusalém ficava cada vez mais distante, e as guerras contra os pagãos já não eram tão frequentes. Diante dessa nova realidade, os Templários se adaptaram e assumiram uma nova função, dedicando-se especialmente à atividade mercantil-financeira.

Esses monges guerreiros eram extremamente amados pelo povo de toda a Europa, de todas as classes sociais. Os ricos eram beneficiados pelos serviços bancários criados pela Ordem – uma novidade total para a época – e pela segurança oferecida nas viagens, o que favorecia o transporte de produtos e o comércio. Os pobres, por sua vez, eram gratos pela isenção de cobrança de taxas para viver e trabalhar nas terras da Ordem; além disso, nas estradas dos Templários não se cobrava pedágio, como era feito nas estradas dos senhores feudais.

As doações recebidas e serviços bancários prestados pela Ordem a deixaram rica (observação importante: seus membros continuavam a viver de maneira pobre). Os Templários tinham propriedades em toda a Europa, mas a maioria delas estava concentrada na França. E essa viria a ser a causa de sua desgraça...

Nos próximos posts, vamos falar sobre a condenação dos Templários e da morte na fogueira do grão-mestre do Templo, Jacques De Molay. Acompanhem!

Ontem, o arcebispo de Bolonha convidou muitos pobres e deficientes para almoçar com o Papa Francisco. Um grande refeitório foi montado dentro da Basílica de São Petrônio, diante do altar. Foi o suficiente para alguns católicos acusarem o pontífice de profanar um lugar santo.

O Catecismo diz (item 2120) que o sacrilégio consiste em tratar as coisas santas de forma indigna. A refeição dos pobres na basílica de Bolonha afrontou a sacralidade do lugar? Se estudarmos os costumes dos grandes papas e santos dos primeiros séculos da História da Igreja, veremos que não.

Em primeiro lugar, se tratou de um evento excepcional. Ninguém tem a intenção de usar o templo rotineiramente como refeitório para os pobres.

Em segundo lugar, na Igreja primitiva era comum que, ao fim da missa, as pessoas reorganizassem o local, de modo a permitir que todos os fiéis se sentassem à mesa e se alimentassem. É o que narra São João Crisóstomo:

"Nas igrejas havia um costume admirável: (...) Ao final da reunião, em vez de voltarem imediatamente para casa, os ricos, que haviam se preocupado em levar provisões abundantes, convidavam os pobres e todos se sentavam à mesma mesa, preparada na igreja, e todos sem distinção comiam e bebiam as mesmas coisas."

Com o grande aumento do número de fiéis, esse costume se tornou inviável, e acabou deixando de existir. Em ocasiões excepcionais, porém, continuou a ser praticado.

Um dos mais admiráveis papas de todos os tempos, São Gregório Magno, abriu as portas da igreja para que doze pobres pudessem comer lá dentro, em um momento de calamidade em Roma (ao final do século IV). O refeitório, com uma grande mesa de mármore, foi preparado no oratório de Santa Bárbara, ao lado de sua residência.

Antes do atual prédio da Basílica de São Pedro, no Vaticano, havia um templo anterior, construído pelo Imperador Constantino. Nesse local, diante do altar, numerosos almoços foram servidos aos desamparados. São Paulino de Nola testemunhou um desses almoços, que foi oferecido pelo senador romano Pamaquio.

O senador ofereceu o almoço em honra à memória de sua amada esposa, que havia falecido.  São Paulino elogiou aquela atitude:

“Tu reuniste na basílica do Apóstolo uma multidão de pobres, patrões de nossas almas, que por toda cidade de Roma pedem esmola para viver...  Vi todas a multidões de gente miserável chegar como enxames em grandes filas, até o fundo da imensa basílica do glorioso Pedro... Que alegre espetáculo era tudo aquilo!”

Será que os católicos de língua venenosa que hoje acusam o Papa Francisco de profanação têm a mesma ousadia de levantar a voz para acusar São Gregório Magno? E quanto a São Paulino de Nola e São João Crisóstomo... Seriam eles insensatos, que apoiavam a realização de um ato indigno na casa de Deus?

Fonte das histórias e citações dos santos: Vatican Insider.

*****

FICA A DICA: quem falou mal do Papa por esse motivo, busque o quanto antes a Confissão, pois é pecado grave caluniar alguém, e se a calúnia for contra o vigário de Cristo, pior ainda.

Um leitor espírita publicou o seguinte comentário no nosso post "Por que nascem pessoas deficientes?":

Vish.... Meio estranho, um nasce filho de Príncipe (Inglaterra) outro ser nasce cego na África, o cara chega e me diz que são pontos de vista diferentes... Todos têm sua cruz... Sou mais a reencarnarção mesmo rs

Esse tipo de comentário é muito didático! Só reforça o que sempre dissemos aqui: o espiritismo é, essencialmente, materialista e anticristão.

No Sermão da Montanha, Jesus diz que são felizes aqueles que choram, pois serão consolados. Jesus diz que há pessoas que sofrem por causa da perseguição injusta (não por causa de nenhum carma). Mas os espíritas entendem as provações e sofrimentos desse mundo apenas como castigos, penas que as pessoas fizeram por merecer.

Espíritas são escravos do materialismo, pois entendem que quem está neste em situação material mais confortável e vantajosa carrega menos culpas. É uma inversão gritante de tudo o que Cristo ensina!

Cristãos são ensinados que o Paraíso será vivido no outro mundo, não neste, que é um "vale de lágrimas". Jesus ensina isso na Parábola do Lázaro e do Rico: o Lázaro era um mendigo faminto e doente, o rico era um sortudo (como o príncipe da Inglaterra). Quem era feliz, no final das contas? O Rico vivia um inferno nesta vida e não percebia, e acabou indo parar no inferno mesmo, enquanto o Lázaro foi para a felicidade eterna.

Da mesma forma, o fato de um menino nascer cego na África não nos diz ABSOLUTAMENTE NADA sobre ele ser um afortunado ou não aos olhos de Deus. A cegueira pode ter sido não um castigo, mas um instrumento do plano de Deus que colabora com a salvação do menino cego e de outras pessoas. Como? Não sei, tudo é mistério. Mas os espíritas não aceitam o mistério da vida e querem dominar tudo, racionalizar tudo. Como bons materialistas!

"Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? 3.Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus."

Se o tal menino cego da África, no fim da vida, for premiado com o Céu eterno, que diferença faz alguns anos de dificuldades e provações?

E outra: algumas das pessoas mais infelizes e desgraçadas do mundo foram reis e rainhas. Vide a história da linda e saudosa princesa Diana de Gales.

Vale a pena você pesquisar também a história do infante Luis XVII, filho de Maria Antonieta e do rei Luis XVI. Nascer lindo, saudável e príncipe não garante que ninguém passará a vida liberto de terríveis sofrimentos.

A história da atriz Claudia Jimenez com os homens foi, por muitos anos, muito conturbada. Ela abusada sexualmente por um vizinho quando tinha apenas 7 anos. Na juventude, ela não gostava de sua aparência e se sentia rejeitada pelos homens. Além disso, nutria "uma relação não muito satisfatória" com o pai. A “saída” encontrada por Claudia para lidar com essas questões foi buscar afeto nas mulheres.

"Não tinha sensualidade, era muito mais gorda do que sou hoje. Não tinha forma nem vaidade. Achava que não tinha cacife para seduzir um homem. Como tinha de ser amada, me joguei nas mulheres".

- Claudia Jimenez (Fonte: Site da Folha)

Certamente, o problema não era ela ser obesa (tem muita gordinha aí muito bem resolvida com seu corpo), mas sim ter auto-estima baixa, coisa que afeta até as meninas mais saradas. Claudia fala com muito afeto da sua última parceira, com que conviveu por dez anos. Mas também descreve com entusiasmo a primeira relação que teve com um homem, aos 49 anos. E, desde então, pelo visto, só quer saber do sexo oposto!

A orientação sexual de Claudia mudou. Bem diferente do que diz a letra da música da Lady Gaga (I was born this way), Claudia não nasceu lésbica. E assim como ela, existem milhares de pessoas que não estão satisfeitas com sua condição de homossexuais. Elas não têm doença mental, mas sofrem um conflito, e desejam ajuda profissional para resolver isso. O que a sociedade tem a dizer a essas pessoas? As únicas duas opções que existiam até há poucos dias eram:

Venha pra minha igreja que Jesus vai te curar.

- É ótimo ser gay, você é obrigado a ser feliz assim, você já nasceu assim e tem que viver e morrer assim.

É isso... Pra lidar com esse conflito de sexualidade, só restava à pessoa correr atrás de um milagre ou entubar seu drama. Quer ajuda profissional? Impossível. Muitas dessas pessoas buscavam socorro na psicologia, mas em vão. No Brasil, a Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) proíbe os psicólogos de oferecerem terapia de reorientação sexual.

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Mas tudo mudou no último dia 15 de setembro, quando um juiz do Distrito Federal, por meio de uma liminar, derrubou a tal proibição do CFP. Quem quiser ler a liminar na íntegra, clique aqui. Vamos resumir o que diz a liminar:

  1. HOMOSSEXUALIDADE NÃO É DOENÇA (a cantora Anitta e o filósofo Leandro Karnal parece que não leram essa parte do texto);
  2. O CFP não deve proibir os psicólogos de oferecerem auxílio a todos aqueles que livremente os procurarem ajuda para deixarem de ser homossexuais.

Como era de se esperar, boa parte da mídia desqualificou a liminar e distorceu o seu conteúdo. Do jeito que estão falando, parece até que vão caçar todos os gays do Brasil, enfiar num camburão (prateado e purpurinado que nem o “Priscilla") e obrigar todo mundo a se submeter à “cura gay”.

Para provocar a hostilidade imediata das massas, tacharam as terapias de reorientação sexual de “cura gay”. Mas psicólogo não é médico e não receita remédio. O psicólogo simplesmente analisa a história de vida da pessoa e a ajuda a ver as coisas mais claramente, dando-lhe suporte para superar seus conflitos emocionais. Aceitem: os homossexuais devem ser LIVRES para se sentirem ou não satisfeitos com sua condição. A questão é essa aqui:

  • Tá feliz sendo gay? Então joga o picumã pra esse bafafá e segue em paz com a tua vida. A oferta de terapias de reorientação sexual não te afeta em nada. Faz a egípcia, que o papo não é contigo!
  • Tá infeliz com sua condição de gay? Quer ajuda profissional pra mudar? Então tome posse dos seus direitos. Se você quer, você pode receber terapia.

Você é contra as terapias de reorientação sexual? Tudo bem... então NÃO FAÇA essas terapias!!! (não é assim que dizem para nós, cristãos? “É contra o casamento gay? Então não case com um gay!”).

Mas essas terapias de reorientação sexual são eficazes? Não há evidências científicas nem contra nem a favor. Penso que na maioria dos casos (opinião minha) a terapia tem alcance limitado e não fará um homossexual se tornar hétero, mas será de grande ajuda para a compreensão das origens de sua homossexualidade, possibilitando que a pessoa se conheça melhor e alcance a paz de espírito.

Mas, como bem disse o psiquiatra Daniel Martins, o juiz entende que "cada um é livre para fazer o que bem entender, e se a pessoa quer mudar sua orientação sexual, deixemos seu psicólogo tentar". 

E a Igreja Católica, o que diz sobre essas terapias? As diretrizes da “Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais“ não cita a necessidade de procura de nenhuma terapia de reorientação sexual. De fato, a Igreja se distancia amplamente de grande parte das seitas protestantes, que pregam que para o homossexual viver integralmente a fé cristã ele, necessariamente, deve se tornar heterossexual. Isso não tem nada a ver com catolicismo!

A cura a se buscar é do pecado. Ficar eternamente pensando em "curas", esperando que Deus dê solução de todos os nossos problemas terrenos, para vivermos como Adão e Eva antes do pecado original é, resumindo, fuga da cruz. 

Os hereges modernistas insistem em difundir a ideia de que o diabo não existe de verdade, que é apenas um mito, um símbolo do mal. Isso é ótimo para Satanás, que pode então pode usar a tática de agir de pegar as pessoas desprevenidas – pois quem não acredita na existência do ladrão não se preocupa em proteger sua casa contra ele.

As seguintes palavras do beato Paulo VI traduzem de forma claríssima a doutrina bimilenar da Igreja acerca do demônio: ele é uma criatura real!

“Uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa contra este mal chamado Satanás. O diabo é uma força atuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade misteriosa e amedrontadora.” (Alocução “Livrai-nos do Mal”- L’Osservatore Romano, 24/11/1972).

Quem diz o contrário cai em heresia – ou seja, comete o pecado gravíssimo de negar uma verdade revelada da fé católica, um dogma. Isso também foi ensinado por Paulo VI:

“Sai do âmbito do ensinamento bíblico e eclesiástico quem se recusa a reconhecer a existência desta realidade... ou a explica como uma pseudo-realidade, como uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas de nossas desgraças” (SEDOC, 5 Março 1973, 1037)

O Papa Francisco já advertiu em numerosas ocasiões que Satanás não é fantasia:

“Mas a esta geração – e a tantas outras – fizeram acreditar que o diabo fosse um mito, uma figura, uma ideia, a ideia do mal. Mas o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. Di-lo Paulo, não o digo eu! A Palavra de Deus di-lo. Mas nós não estamos tão convencidos.” (Homilia na Casa de Santa Marta. 30/10/2014)

Em outra homilia, o Papa foi ainda mais enfático sobre isso:

“A presença do demônio no mundo é real e não uma fábula. É o Evangelho que o diz e os cristãos devem sempre estar alertas contra o maligno”.

“Alguns padres, quando leem esta passagem, ou outras, dizem que Jesus curou aquela pessoa de uma doença mental. É verdade que antigamente se podia confundir epilepsia com estar possuído pelo demônio – disse o Papa – mas é igualmente verdade que o demônio existe! A presença do demônio está na primeira página da Bíblia e também no final, com a vitória de Deus sobre ele”.

“É a Palavra do Senhor. Peçamos a Ele a graça de levar a sério estas coisas. Ele veio lutar por nossa salvação e venceu o demônio! Não façamos negócios com o demônio; ele tenta voltar para casa, se apoderar de nós. Não devemos relativizar, mas vigiar, sempre e com Jesus”.  (Homilia na Casa de Santa Marta. 11/10/2013)

NÃO DEVEMOS RELATIVIZAR essa questão da existência real do demônio, ok? Tá mais claro que Michael Jackson depois de tomar remédio para ficar branco, mas ainda assim, está desenhado no topo desse post...

Para quem quiser estudar mais esse assunto, recomendamos o livro de J. E. Martins Terra, S.J. (sim, um sábio jesuíta!): "Existe o Diabo? Respondem os Teólogos".

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