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Segunda, 04 Abril 2016 02:14

Os Papas pecadores e a santidade da Igreja

Postado por

Em nossa série sobre os papas, o historiador Paulo Ricardo Costa já publicou diversos posts sobre os papas vacilões. Sofremos aqui com o relato das trajetórias dos maus papas...

...do período da Pornocracia (confira aqui);

...do "Papa Bórgia" (parte 1, parte 2 e parte 3);

...dos demais papas insensatos da Renascença (Sisto IVInocêncio VIII, Júlio II - parte 1 e parte 2, Leão X - parte 1, parte 2 e parte 3 e parte 4 - e Clemente VII;

...e de Júlio III.

O fato de a Igreja ter atravessado os séculos e permanecido com a doutrina sã e intacta, a despeito dos pecados pessoais dos papas, é prova de que ela é governada pelo Espírito Santo. É bem verdade que a grande maioria dos Papas merece o nosso louvor e veneração, mas mesmo os homens mais santos - como São Pedro - não seriam capazes de guardar com perfeição o depósito da fé, se não tivessem recebido esse dom especial do Alto.

A seguir, apresentamos a vocês uma tradução nossa de um trecho de um discurso do Venerável bispo americano Fulton Sheen (um dos evangelizadores mais brilhantes de todos os tempos). Ele esclarece de modo brilhante a questão do dogma da infalibilidade papal: "Infalibilidade é a incapacidade de ensinar o que é errado; impecabilidade é a incapacidade de fazer o mal. Nosso Senhor fez a Rocha infalível, mas não impecável" (do livro The Rock Plunged Into Eternity).

*****

fulton_sheenArcebispo Fulton Sheen

Discurso feito em 27 de janeiro de 1935

O mundo nos questiona o tempo todo com questões como essas:

  • “Como você ousa dizer que o sucessor de Pedro é o vigário de Cristo? A vida pecaminosa dos homens que se sentaram na cadeira de Pedro não prova que eles não são infalíveis?”
  • “Como alguém pode ser infalível, se é um pecador?”
  • “Você ousa quer dizer que um homem mau como Alexandre VI, que era um pecador, poderia ser o vigário infalível de Jesus Cristo?” (...)

A raiz do erro sobre este assunto está no fato de que os inimigos do Papado não conseguem fazer a distinção entre a infalibilidade e impecabilidade. Infalibilidade significa ser livre de erro, e impecabilidade significa ser livre de pecado.

Daí surge esta pergunta: quando Nosso Senhor conferiu a primazia sobre Pedro e seus sucessores ele os fez infalíveis ou impecáveis? Os próprios Evangelhos fazem a distinção. Pedro fez a confissão da Divindade de Nosso Senhor, que então o colocou como a Rocha da Sua Igreja, com a garantia de que as portas do erro nunca prevalecerão contra ela.

Imediatamente após essa promessa de liberdade do erro e garantia da fé, o Senhor diz aos Apóstolos que Ele deve "ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, os escribas e príncipes dos sacerdotes, e ser condenado à morte".

O pobre, fraco e humano Pedro – que estava, evidentemente, inchado de orgulho, pois havia sido feita a Rocha da Igreja – ainda teria que aprender as limitações do seu dom. Como um menino que recebeu autoridade e está ansioso para exercê-la, Pedro agora chama o Senhor, na linguagem do Evangelho "a repreendê-lo", dizendo: "Senhor, tenha compaixão de ti, isso de modo algum te acontecerá".

Diante disso, Nosso Senhor, que estava de costas para Pedro, virou-se e disse: "Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!".

pedro_satanas

Um momento antes Pedro foi chamado de Rocha; agora ele é chamado de Satanás. Bem, não acho que a Mente Divina tenha mudado tão rapidamente. O Senhor não pegou de volta o dom da primazia, porque Ele o confirmaria depois de Sua Ressurreição. Ele estava apenas apresentando a Pedro a distinção entre o ofício e o homem, entre infalibilidade e impecabilidade, entre ser livre de erro e a libertação do pecado.

Em outras palavras, o Senhor estava dizendo: "Como Pedro, a rocha sobre a qual eu edificarei a Minha Igreja, você será preservado do erro; mas como Simão, filho de João, como um homem, você é tão fraco, tão humano, tão apto a ser pecador, que pode tornar-se ainda como a Satanás. Em seu ofício você é infalível; mas como um homem você é capaz de pecar".

A maioria de nós, também, ao examinarmos nossas relações com nossos semelhantes, está consciente dessa distinção que o Senhor fez em Cesareia de Filipe. Se um oficial da lei levanta a mão e ordena que você pare no trânsito, você o fará. E por quê? Porque ele é o representante da lei e da ordem. E você faria isso mesmo que você soubesse que, como um cidadão privado, o guarda de trânsito era conhecido por bater em sua esposa. Em outras palavras, você faz a distinção entre o ofício e o homem.

(...)

Admitindo, então, a fraqueza do homem (que continua a ser a mesma pessoa) e o poder do ofício (porque este é de Cristo), como justificar a ênfase que os inimigos da Igreja têm colocado sobre a imperfeição de Pedro? Ao ler algumas histórias poderíamos pensar que o papado não era nada além do que um rio escarlate de sangue.

pedro_aguas

Escândalos têm a qualidade infeliz de absorver atenção. Um assassino recebe mais espaço em nossos jornais do que uma mãe que se sacrifica. (...) Em geral, podemos dizer que aqueles que sabem tudo sobre os dois ou três maus sucessores de Pedro nada sabem sobre os outros 250 bons. Como é verdade que "o mau que o homem faz sobrevive a ele; mas o bem é muitas vezes enterrado com seus ossos"! A maldade de um homem em posição de autoridade permite obscurecer um milhão de santos.

Mas por que não colocar as coisas na devida proporção? (...) Por que muitos daqueles que exploram o mau de dois ou três nunca admitem que, dos primeiros 33 sucessores de Pedro, 30 foram mártires e os outros três foram exilados por sua fé? Quantos dos que se debruçam sobre o mau exemplo de dois ou três vão saber ou admitir que, dos 253 sucessores de São Pedro, 83 foram canonizados por sua virtude heroica, e que mais de 50 foram eleitos sob protesto, alegando eles mesmos serem indignos de assumir um ofício tão nobre?

Qualquer um que ataque uma linha tão grande de mártires, santos e doutores deve estar fortemente convicto de sua própria impecabilidade, para poder apontar o dedo a dois ou três que se revelaram indignos de seu ofício. Se esses que atacam são santos, puros e sem mácula – e eu me pergunto quantos são – deixe-os pegar suas pedras. Pois atirar a primeira pedra é privilégio daqueles sem pecado. Mas se eles não estão acima de qualquer suspeita, então vamos deixar o seu julgamento para Deus.

4428 Quinta, 29 Junho 2017 13:13

Comentários   

0 # Daniela 21-06-2017 22:02
Muito obrigada !!! Utilidade pública de almas
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0 # Fabiano Queiroz 27-11-2016 08:16
Entre os 'mais Papas' sempre vão colocar Pio XII...
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0 # A Catequista 27-11-2016 13:28
Creio que, aos poucos, a memória dele vem sendo positivamente resgatada.
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0 # José Egberto 26-11-2016 13:27
Esse artigo, como todos os outros, é didático e rico em informações. Parabéns ao blog!
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0 # Leandro Mendes 07-04-2016 23:35
A infalibilidade papal é algo que Jesus concedeu a Pedro quando disse "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão". Então aos protestantes me digam como podem " acreditar na bíblia " mas recusar a Santa Igreja que à formou ? Como vocês sabem que ela não foi adulterada pelo que vocês chamam de "Prostituta da Babilônia" ?
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+1 # Leandro Mendes 07-04-2016 23:57
Vão retrucar "mas os judeus eram os guardiões do AT e a Igreja ortodoxa tinha o novo testamento" o cânon judaico foi fechado no final do século I prova disso é que alguns deuterocanônicos como Siraque e Tobias eram lidos como escritura nas singogas antes desse fechamento. Quantos aos ortodoxos e outras Igrejas que "também tinham o NT" saiba querido protestante que a decisão de fixar um cânon partiu do cristianismo ocidental que tinha como líder a Sé Romana.
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+1 # Irlei Geraldo da Silva 07-04-2016 14:29
kkkkkkk gente vocês são demaaaiss, parabéns! A Paz de Cristo e Salve Maria, Mãe de Deus e nossa.
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0 # Messias Mendes da Silva 05-04-2016 10:39
Eu gostei muito do texto, bastante esclarecedor! Mesmo assim, continuei com uma antiga dúvida, vou exemplificar: digamos que o Papa Francisco defenda o marxismo e se declare socialista (tá, eu sei que o exemplo foi tosco e que isso jamais aconteceria, mas foi só para problematizar), eu devo concordar com ele? Melhor dizendo, devo concordar com todos os posicionamentos do Papa, mesmo que eu saiba que não são de toda a verdade, ou até mesmo uma mentira?
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+1 # Joao 05-04-2016 12:44
Messias (perdoe-me, mas me lembrei do "Bessias"), Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja (sempre que vc tiver alguma dúvida da fé, pesquise no Catecismo): 891: "Desta infalibilidade goza o pontífice romano, chefe do colégio episcopal, por força do seu ofício, quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis, e encarregado de confirmar na fé os seus irmãos, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes Esta infalibilidade abarca tudo quanto abarca o depósito da Revelação divina" Ou seja, o Papa só é infalível quando proclama de FORMA DEFINITIVA um ponto da doutrina que tem a ver com a FÉ ou COSTUMES. A esse tipo de proclamação chamamos EX CATHEDRA. Assim, tudo que um Papa fala EX CATHEDRA é infalível, e devemos aceitar. Acontece que esse tipo de anúncio é bem raro. Pra você ter uma ideia, a maioria dos Papas não faz esse tipo de pronunciamento. Fora dessas condições restritas, o que o Papa diz na mídia, em entrevistas, textos, homilias, encíclicas, tudo isso pode ser importante, mas não é, por definição, infalível. Então, se um Papa dizer que a grama é azul, você não é obrigado a aceitar. E nós, católicos, confiamos que quando um Papa fala EX CATHEDRA, ele fala com a assistência do Espírito Santo, por isso que ele é INCAPAZ de errar nesse tipo de pronunciamento. Assim, um Papa nunca ensinaria que o marxismo é correto se falasse ex cathedra. Entendeu? Quando fala ex cathedra, o Papa É INCAPAZ de errar.
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0 # Messias Mendes da Silva 06-04-2016 00:30
Perfeito João, agora entendi! Eu já tinha ouvido falar nessa declaração EX CATHEDRA, mas não sabia o significado. P.S.: Não sou nenhum mensageiro de golpe Petista, me chamar de "Bessias" foi uma ofensa inigualável, em outros tempos eu te chamaria para um doelo! (Zueira kkk)
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+1 # Robson 05-04-2016 10:10
Excelente este Post, é irrefutável creio que só não entende quem tiver má vontade. Parabéns o Catequista, Deus o abençoe
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+1 # Paulo 04-04-2016 22:02
As eventuais fragilidades de ocupantes da Santa Sé, os papas, jamais deveriam pertencerem ás dúvidas da qualidade da S Igreja quanto a eventuais fragilidades pessoais dos mesmos! A Igreja, antes de mais nada, é a extensão do Corpo de Jesus Cristo para a qual disse, no presente: Eis que estou convosco até o fim dos tempos", quer dizer, sua assistencia será enquanto existir e pessoal; Ele é a cabeça da Igreja e essa o seu Corpo! "Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia". Col 1,18. "Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja. Col 1,24 etc. e similares. O ESPÍRITO SANTO GARANTE A IGREJA CONTRA TUDO E TODOS, E E JÁ NOTARAM QUE TODAS AS RELIGIÕES SE CONGREGAM JUNTAS APENAS CONTRA ELA - maometanos de todas as correntes, comunistas, maçons, protestantes, hinduístas, espíritas ateus, etc., uma das provas de sua pertença ao Senhor Deus! Abaixo a prova de conluio dos satanistas, adversarios de Jesus-Igreja: "Por que os gentios se amotinam e os povos intrigam em vão? Os reis da terra preparam seus ardis e, unidos, os governantes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Cristo, proclamando: “Façamos em pedaços os seus laços, sacudamos para longe de nós seus vínculos!”…
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0 # João Pedro Strabelli 04-04-2016 21:35
Como eu me identifico com isso!
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0 # Carlos Gomes 04-04-2016 17:29
Muito bom texto. Mas Catequista, sabemos que o Papa é muito das vezes referido como "Santo Padre", inclusive os papas "vacilões". Os irmãos não católicos podem nos questionar esse título. Como nós, católicos, devemos contra-argumentar com relação a essa possível questão?
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0 # A Catequista 04-04-2016 18:10
O título Santo pertence a Pedro, não a Simão. Distingue-se o homem (pecador) do ofício (o ofício mais sagrado, mais santo de todos). Como diz Fulton Sheen, Pedro recebeu a infalibilidade para ensinar com a assistência do Céu, livre de erro. Mas ele NÃO se tornou um homem mais santo ao receber esse dom. A infalibilidade veio de Deus, mas a santidade teria que vir de si mesmo. Por isso, todo Papa é apropriadamente chamado de Santo Padre, mas nem todos são reconhecidos efetivamente como santos (nem todos são canonizados) após sua morte.
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0 # Priscila 05-04-2016 11:37
Parece ser óbvio, mas não é, essa sua explicação sobre o título de Santo e a santidade própria somente agora fizeram sentido para mim. Foi uma boa pergunta feita pelo Carlos Gomes. Obrigada pela resposta Catequista. Queria aproveitar e tirar uma dúvida não relacionada a postagem: tenho estado distante da Igreja e queria reparar esse erro iniciando pela confissão, porém tenho um distúrbio alimentar, sendo assim estou em pecado por descuidar da minha saúde fazendo mal a mim mesma. A questão é, se eu for confessar sei que não serei capaz de me manter longe desse pecado após a confissão. Nesse caso o correto é que eu permaneça sem confessar até que eu termine um tratamento psicológico e possa possivelmente me alimentar corretamente e assim ter forças para evitar esse pecado?
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0 # Stephanie 06-04-2016 14:39
Oi, Priscila. Vá confessar sim, como bem disse a catequista, ao se abrir com o confessor ele vai poder decidir. Confesse todo dia se for necessário, peça uma orientação e acompanhamento do sacerdote. Tenho certeza q este passo vai ser de grande auxílio até mesmo para a superação deste distúrbio. A paz do Senhor e q São Rafael esteja consigo.
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0 # A Catequista 05-04-2016 12:22
Priscila, para caracterizar pecado mortal (que priva o homem da amizade com Deus, coloca a alma em risco sério de ir para o Inferno e impede que o fiel comungue) é preciso PLENO CONSENTIMENTO - além de ser matéria grave e envolver pleno conhecimento. Eu não sei até que ponto o seu problema psicológico lhe impede de exercer de forma consciente o seu livre-arbítrio. Se for algo que lhe impede de ser livre em suas decisões alimentares, me parece que se trata de pecado venial, não mortal. Eu aconselho você a se confessar, sim, expondo ao confessor que, apesar de ter o propósito de não mais tornar a pecar (você tem esse desejo, certo?), você não sabe se será capaz de ser fiel a esse propósito, devido a questões psicológicas. Então, um bom confessor saberá se é justo lhe dar a absolvição ou não (acredito que será concedida, mas só o confessor pode saber isso).
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0 # Victor 06-04-2016 21:10
A Catequista, Priscila, Também aconselho a procurar a Confissão, pois além de poder obter a absolvição, examinado seu caso, seu confessor pode ajudar no processo de cura! Um abraço! A Paz de NSJC!
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0 # paulo henrique 04-04-2016 21:07
catequista é errado ir em benzedeiras? isso tem me gerado muita duvida sei que nâo tem nada a ver mas por favor faça um post respondendo a essa duvida sobre as famosas "benzeções".
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+2 # A Catequista 04-04-2016 22:55
Depende. As benzedeiras, se não se aliam a crenças pagãs e superstições, são uma expressão autêntica e positiva da devoção popular cristã. Vou lhe dar um exemplo de uma experiência pessoal que tive, aos 13 ou 14 anos. Tive uma torção muscular no pé. Estava numa cidade pequena, no interior de Minas Gerais. Uma benzedeira, senhora católica, pegou um pequeno pedaço de tecido, foi costurando sobre o meu pé e rezando Pais-Nossos e Ave-Marias. Em poucas horas, meu pé ficou perfeito. Creio que aquela senhora, mãe de família de vida piedosa, tinha o autêntico dom da cura. No caso do pano em que se costura (espero não estar enganada), não se trata de um elemento pagão, mas apenas de um apoio material, sensível, para a oração. Com aquele gesto de costura, é como se pedisse para Jesus consertar o que está doente. O problema é quando essas benzedeiras começam a recomendar amuletos e a mesclar as rezas com elementos pagãos, como banho de ervas. A força delas deve estar simplesmente na oração católica.
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0 # MANOEL DEUSDEDIT 04-04-2016 16:16
Muito bom e esclarecedor. Shalom!
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0 # Liomar 04-04-2016 12:55
Muito Bom!!
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+1 # Eduardo M.A 04-04-2016 12:45
Rafael, olha, ja navego e leio muitas informações no meio católico a um tempo razoável (+-6-7 anos). Posso lhe dizer uma ou outra coisa. O pessoal que acha o CVII "demoníaco" e um erro do inicio ao fim normalmente são os chamados Tradicionalistas, alguns deles defendem que todos os papas eleitos após o concílio (se não me engano) não seriam papas, que a Igreja esta em Sede Vacante deste então, outros acreditam que os papas são válidos, mas o CVII foi um erro. Não é a posição oficial da Igreja, ja vi artigos muito bons refutando essa idéia e não acredito que os últimos papas, que foram declarados santos, concorreriam em um erro desses. Sobre o papa francisco herege, bom, para mim, a raiz do problema vem do conflito entre os católicos mais conservadores (não confundir com os Tradicionalistas) e os progressistas. A mídia em geral praticamente mostra o Papa como sendo profundamente de esquerda e revolucionário, sendo "forçado" pela cúria conservadora malvadona a não seguir com suas reformas. Sites progressistas procuram confirmar essa imagem do papa e sites conservadores, por repudiarem as idéias progressitas, muitas vezes criticam o papa por esses motivos. Na verdade, se for olhar a história do papa na argentina, e o real teor dos seus discursos (com partes frequentemente cortadas ou mudadas de contexto pela mídia...) se percebe que ele nada tem de herege, defende a família homem e mulher e o conteudo das reformas tem pouco ou nada a ver com revolução progressita... Não se deixe envenenar sobre o Papa Francisco... existiram papas ruins, mas esse não é um deles. No mais, sobre o terceiro item, considero a sua atitude como certa, não se pode confundir o pecador com o pecado. Claro, alguns podem falar coisas como "deixar o lobo viver se sacrifica as ovelhas, etc...". Não se seria bem essa a questão, pois existem católicos que são "paz e amor" e os que são "galo de briga". Existem prós e contras dos 2 lados (um por tolerar quase que de maneira cúmplice coisas incompativeis com a fé e do outro lado, chamando papa de herege, vivendo brigando com outros católicos que não necessariamente estão errados, etc...) Bom, resumindo, não acredite em qualquer coisa que você le, não deixe ser envenenado por idéias irreais sobre o papa francisco e se acostume pois o que mais tem, infelizmente, são católicos agindo como qualquer outra coisa, menos católicos...Espero que possa ter ajudado e estou aberto a correções se alguem as tiver!
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0 # Rafael 04-04-2016 11:59
Então, não sei se está no assunto do post, mas vocês puderem tirar essas minhas dúvidas. Inclusive, tem uns que chama o Papa Francisco de herege, blasfemo, apóstata. Uns cham o CVII de demoníaco, inclusive, isso dito por pessoas declaradas católicas. E eu fico assustado com tais declarações. Agora uma outra situação que foge um pouco desse post, e se vocês puderem me responder e me tirar essas dúvidas: Por exemplo, Eu sempre falo que devemos amar o pecador, e separar o pecado, ou seja, amar a pessoa humana, e ao mesmo tempo rejeitar as práticas ruins da pessoa. E claro, uma forma de amar o próximo é evangelizar, sem interferir no livre arbítrio, claro. E se a pessoa não aceitar a palavra, devemos continuar orando pela pessoa e rezar por sua conversão. Porém sempre separando o pecado do pecador, e evitar atitudes que se voltam contra o pecador, como ofensas, violência, enfim, atitudes que voltam contra a pessoa humana, e fogem do amor ao próximo, etc. O problema que tenho sofrido represálias, ou melhor, críticas de alguns, até católicos, por esse meu pensamento, pois é antibíblico. Vi, inclusive, em vários sites, que esse pensamento como o meu era antibíblico. E sempre falo isso e me baseio nisso, então esse meu pensamento vai contra o que a Igreja ensina ? Que eu tenho medo de estar espalhando baboseiras,ou não. Então, dentro da doutrina da Igreja eu estou agindo errado ? Obrigado Rafael
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0 # adriano 05-04-2016 14:59
Olá Rafael, Sobre essa conversa de que o Concílio Vaticano II não está de acordo com a Tradição da Igreja, etc. O que aconteceu é que foram feitas muitas más interpretações do CV II por alguns teólogos, isso é fato. Mas também sabemos que, interpretando o Concílio Vaticano II à luz da Tradição da Igreja, não tem nada de errado nele, pelo contrário, ele apresenta as verdades da Fé de forma muito interessante e refinada. Essa interpretação da acordo com a Tradição a que me referi, é a chamada "hermenêutica da continuidade" que Bento XVI estimulou que se fizesse, e que foi feita por todos os Papas pós-conciliares, como São João Paulo II. Se tem gente que interpreta de forma distorcida até as Sagradas Escrituras, não é de se espantar que façam o mesmo com os Concílios. Resumindo: temos de interpretar o Concílio Vaticano II (assim como todos os concílios) à luz da Tradição da Igreja, e não lendo ele isoladamente dos outros textos do Magistério. Assim não fazemos besteira. Se tiver interesse em aprofundar-se no tema, recomendo que leia essa orientação pastoral da Administração Apostólica sobre o assunto. http://www.adapostolica.org/artigos/orientacao-pastoral-sobre-o-magisterio-vivo-da-igreja/ Ainda em tempo: não se preocupe com os que escrevem besteira por aí, hoje em dia qualquer revoltadinho com acesso à internet destila seu veneno virtual nas redes, muitas vezes sem saber nem o que fala, e com total falta de caridade e de respeito pelos Ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se ainda tiver alguma dúvida, pergunte. Um abraço!
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0 # Allan Marquezin 04-04-2016 22:07
Rafael, boa noite. Aqui vou te mostrar diversos exemplos sobre amar o pecador e repudiar o pecado. Um exemplo é quando Jesus chamou São Pedro de "satanás" (mostrado no post...): ele nunca deixou de amar São Pedro, mas repudiou todo o seu pecado. Outro exemplo, retiro dessa passagem da Carta de São Judas Tadeu: "Para com uns exercei a vossa misericórdia, repreendendo-os, e salvai-os, arrebatando-os do fogo. Dos demais tende compaixão, repassada de temor, detestando até a túnica manchada pela carne" Jd 1,22-23 . Isso significa que para alguns que estão começando no erro (nessa carta, esse erro está relacionado principalmente a seguidores de heresias) devemos exercer a misericórdia, os repreendendo e os salvando do fogo, já para aqueles que já estão "afundados", temos que ter compaixão dos mesmos, mas com temor, detestando qualquer coisa nele manchada de pecado. Deus Abençoe Salve Maria
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+1 # Alex Hoffmann 04-04-2016 16:20
Uma outra coisa, também temos que levar em conta que Francisco é sucessor imediato de um dos maiores doutores da Igreja na atualidade, senão o maior das últimas décadas (Bento XVI) e de um santo (São João Paulo II), é mole ou quer mais? Além do que, estes dois, São João Paulo II e Bento XVI formaram uma dupla imbatível, enfrentaram e mostraram a cara do lobo mais feroz que já surgiu no seio da Igreja: a teologia da libertação, condenando-a, bem como excomungando os principais promotores dela, é mole ou quer mais. Se teve casos de algum padre pedófilo, teve, mas o maior mau, aquele que arrasou e teria arrasado muitíssimo mais, e levaria muito mais gente para o inferno se não fosse estes dois homens de Deus, foi a famigerada teologia da libertação, marxismo puro revestido com a pele do evangelho. O feito dos dois é tanto que, a teologia da libertação como produção literária já foi pro beleléu, temos as consequências, mas o povo de Deus, graças a estes dois bons homens, não se desviou, inclusive aumentou a fé. Basta olhar este site, bem como tantos outros sites católicos, a RCC e tantos outros grupos que surgiram, com suas particularidades mas firmes e fortes na fé. Basta olhar para os Arautos do Evangelho, eu admiro muito estes caras, eles batem de frente com o mundo mesmo e não mandam recado, e assim é com os demais.
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0 # Matheus Lopes 04-04-2016 11:13
Obrigado catequistas. Muito esclarecedor ;)
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