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A Catequista

A Catequista

Segunda, 16 Abril 2018 14:05

Os condenados anônimos do Inferno

Muitos leitores nos perguntam: "Fulano fez tal coisa... ele está condenado?", ou "Se eu fizer aquilo outro, vou para o inferno?".

Antes de tudo, precisamos entender qual o limite de julgamento da Igreja. Como Mãe e Mestra, a Igreja recebeu de Cristo (especialmente, por meio de Pedro) o poder de julgar qual é a interpretação correta das Escrituras e quais são os atos moralmente bons, maus ou neutros - ou seja, quais atitudes levam à salvação, e quais levam às perdição.. 

O Catecismo (ponto §1861) explica que a Igreja não tem como dizer quem certamente irá/foi para o inferno ou não. A IGREJA JULGA SOMENTE OS ATOS. O julgamento sobre o destino final de cada um de nós cabe somente a Deus:

"Cristo é Senhor da Vida Eterna. O pleno direito de julgar definitivamente as obras e os corações dos homens pertence a Ele enquanto Redentor do mundo" (Catecismo, §679).

Por exemplo... Você não sabe nadar. Aí você vira para mim e diz que vai entrar no mar, em um dia de ressaca. Eu não vou hesitar nenhum segundo e te direi: "Se você fizer isso, você vai morrer!". É 100% certo que você morrerá? Não, mas a probabilidade é enorme. Pode ser que você seja resgatado por um salva-vidas, que uma boia apareça do nada e você se agarre a ela... Enfim, você pode dar uma tremenda sorte e sair vivo. Mas não é prudente contar com tamanha sorte, não é mesmo?

Da mesma forma, podemos dizer de modo geral: quem trair sua esposa/marido vai para o inferno; quem for corrupto vai para o inferno; quem for homicida, vai para o inferno. Mas não podemos dizer que determinado adúltero, corrupto ou homicida vai para o inferno (tipo... o Hitler). Se alguém opta de forma consciente pelo caminho da perdição, é muito provável que se condene, mas o seu destino final, só Deus sabe. 

Só Jesus pode proferir a sentença de condenação eterna de um pecador, porque somente Ele sonda os corações. Só Ele é onisciente e conhece todos os atenuantes e agravantes de cada culpa, e só Ele sabe se houve algum tipo de arrependimento final, ainda que tenha sido nos últimos instantes antes do suspiro final.

Por isso, em março de 2015, o Papa Francisco disse a um grupo de fiéis italianos: “vai ao inferno somente aquele que diz a Deus: ‘Não preciso de você, eu me arranjo sozinho’, assim como fez o diabo que é o único que temos certeza que está no inferno”. Além do demônio, não temos como saber quem são os demais habitantes de inferno. São todos anônimos!

É bem verdade que, segundo uma visão da beata Irmã Maria Serafina Micheli, o herege Martinho Lutero está no Inferno. Porém isso se trata de uma revelação pessoal (que eu creio ser verdadeira), e não de doutrina da Igreja. 

Se o nome dos condenados é completamente desconhecido para a Igreja, por outro lado, ela nos revela o nome de alguns entre os salvos. A grande maioria dos santos falecidos são anônimos, mas há também os santos canonizados, que certamente estão na graça e podem interceder por nós. 

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Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno e levai as almas todas para o Céu!

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Em 2 de março de 1983, o mundo ficou boquiaberto com uma cena insólita: um papa metendo o dedo cara de um sacerdote, e lhe dando uma bronca... diante das câmeras de TV!

Esse passa-sabão épico e histórico aconteceu na Nicarágua, na ocasião da chegada do Papa João Paulo II ao país. Logo ao chegar no aeroporto, assim que avistou o padre Ernesto Cardenal, o santo lhe meteu o dedo na cara, e lhe deu mandou abandonar o cargo de Ministro da Cultura, que o padre ocupava há cera de quatro anos.

Por que São João Paulo II fez aquilo? Porque quem estava no poder na Nicarágua na época eram os sandinistas, membros de um movimento político que professa o socialismo – ideologia formalmente condenada pela Igreja por dez papas (inclusive pelo Papa Francisco).

Se presenciassem aquela atitude do santo polonês, muitos católicos que teimam em defender o socialismo certamente diriam: “Ain, quanto ódio! Mais amor, por favor!”. Da minha parte, eu simplesmente digo: SÃO JP II OPRIMIU FOI POUCO!

Vamos ver as "ibágens", comandate Amílton! Eu quero ibágens! Olha aí:

Como todo herege impenitente, Cardenal desobedeceu ao Papa, e continuou por mais quatro anos como funcionário do governo sandinista. A Santa Sé, então, suspendeu o padre Cardenal “ad divinis” em 1985, pois seu cargo político era incompatível com a missão sacerdotal. Desde então, ele foi proibido de atuar como sacerdote.

O COMBATE DE SÃO JP II AO SOCIALISMO NA IGREJA DO BRASIL

O empenho de São João Paulo II para passar o rodo na ala marxista e herética da Teologia da Libertação não se restringiu à Nicarágua, mas se estendeu a toda a América Latina, e se fez valer também no Brasil. Pois a coisa aqui estava feia!

Em 1980, os padres e bispos da Teologia da Libertação deram amplo suporte e apoio para a criação do PT – Partido dos Trabalhadores. Além de transformar as missas em comícios, esses padres faziam de tudo para infiltrar militantes do PT em cargos de grande influência cultural – assim poderiam doutrinar crianças e jovens e preparar o terreno para o atual monopólio da esquerda na grande mídia, nas escolas e universidades.

O falecido cardeal Dom Paulo Evaristo Arns assumiu, em uma entrevista, que colaborou para que a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo fosse dominada por professores membros do PT (confira aqui). Felizmente, o cardeal se mostrava arrependido dessa desgraça (que Deus o tenha).

São João Paulo II cortou as asas de Dom Paulo Evaristo Arns com um só golpe, diminuindo drasticamente o seu poder de influência. Em 1989, a Santa Sé ordenou a divisão da Arquidiocese de São Paulo, criando quatro novas dioceses. Com apenas uma exceção, os bispos que assumiram as novas dioceses não seguiam a linha de Dom Arns.

Outra paulada na TL brasileira foi a condenação dos escritos do frei Leonardo Boff. Naquela época, a Congregação pela Doutrina da Fé era liderada pelo cardeal Joseph Ratzinger, nosso amado pai Bento XVI.

Leonardo Boff acabou largando a batina e continua a propagar orgulhosamente suas heresias. A despeito disso, segue sendo adulado por padres e leigos de numerosas dioceses pelo Brasil afora. Os católicos ingênuos e desavisados – e também os sem-vergonhas – continuam lotando suas palestras e comprando seus livros.

Além de condenar o socialismo, a Doutrina Social da Igreja condena também o capitalismo radicalmente liberal (totalmente independente da regulação estatal). Sobre isso, já falamos aqui.

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Salve meu povo!

E hoje voltamos ao exame da história da Deforma Protestante calvinista.

Primeiro, vamos lembrar que Calvino era 26 anos mais novo que Lutero e, na sua época de atuação, a Reforma já tinha virado o balaio de gatos que todos nós conhecemos. Isso porque já havia se espalhado por toda a Europa o livre exame, proposto pelo reformador original.

Quem entrava na vibe protestante se transfigurava em um catecismo ambulante e ia para a praça gritar: “A bibra diz...”. Mas Calvino não era fã desse tipo de abordagem. Muito pelo contrário, era um advogado, e como tal prezava a ordem social.

Parece bom, mas não é. Em sua ânsia por ordem, ele deu um bico e abriu um pouco mais as portas do Inferno sobre nós. Vamos ver como.

Seu primeiro trabalho de grande influência foi As institutas da Religião Cristã, escrito em 1536. Tratava principalmente de como colocar ordem no galinheiro protestante. Cheio de “boas intenções”, no ano seguinte, ele foi para Genebra, cidade que havia pouco abraçado a Reforma. O que se seguiu a sua chegada foi uma beleza...

Ele exigiu do Conselho da Cidade a abolição da Missa, a expulsão dos padres e lealdade somente à Bíblia. Obrigou ainda que todo cidadão genebrino recitasse uma confissão de fé escrita por ele, do alto de toda a sua autoridade de “pastor preocupadão” com a salvação das almas suíças.

Fica claro aqui que, mais do que uma preocupação pastoral, Calvino demonstrava uma preocupação com a ordem pública. Esse homem simplesmente acabou com a liberdade dos cidadãos. Abusos da fé sempre houveram, e o cristianismo católico, apesar da fama que a maioria dos historiadores a partir do século XVI quis imputar-lhe, nunca obrigou por obrigar todo e qualquer cidadão a fazer proclamações públicas, conforme uma fórmula, da sua fé.

A meu ver, o mais triste legado do calvinismo foi a criação da militância como nós a conhecemos hoje. Vocês não acharam que Marx, Gramsci, Lukács e o resto da malta tirou todas as ideias brilhantes de suas cabecinhas iluminadas, achou? A ideia central da militância política, a doutrinação para fins políticos e sociais, fortalecendo o poder dominante do Estado por meio da massificação e verificação da pureza ideológico-revolucionária foi um “presente” de Calvino para humanidade.

Ele criou uma entidade chamada Consistório, responsável pela fiscalização e julgamento da pureza teológica e comportamental dos cidadãos de Genebra. Todas as militâncias políticas surgidas no mundo, a partir daí, não passam de filhotes do Consistório calvinista. A polícia política de Cuba e a KGB agradecem.

Vemos aqui o surgimento das modernas ideologias, que nada mais são que boas ideias (que nada tem a ver com a realidade) enfiadas à força no seio da sociedade porque uns caras que acham os que não as seguem são bobos, feios e com cara de melão.

O Catequista acaba de lançar um livro sobre a Inquisição – lá vocês podem ver o número das condenações do Consistório calvinista. Pois bem, vamos a um comparativo: em 10 anos (isso mesmo, meros 10 anos) o Consistório fez com que um em cada quinze cidadãos de Genebra comparecessem em frente a ele e desses um em cada 25 foi excomungado.

A pergunta que fica é: como se excomunga alguém que professa uma fé que se baseia em LIVRE EXAME DAS ESCRITURAS? Como estabelecer qual crente interpreta as Escrituras certo e qual interpreta de modo errado? Isso, simplesmente, não faz sentido. Ou não deveria fazer. O calvinismo original é um projeto de poder, mais do que uma forma de cristianismo.

É bem simples: Calvino não era um defensor da liberdade de interpretação das escrituras (Sola Scriptura). Ele defendia esse princípio só da boca para fora. Seu ponto de vista era: sai a Igreja Católica e entra... eu mesmo (!). Desafiar os prelados de Calvino era perigoso. Seus sicários cometeram as maiores barbaridades. Por exemplo, um certo monge chamado Jerome Bolsec se converteu ao protestantismo encantado com a Sola Scriptura, ousou discordar do sabidão quando esse expôs a teologia da predestinação em uma aula. Resultado: foi em cana.

Fica ainda pior. O Conselho da Cidade deu a Calvino o direito de excomungar e excomungar passou a ser o esporte preferido do francesinho. Fico imaginando um pobre coitado que tenha servido uma croissant vencida para esse cara na padaria. EXCOMUNGADO!!!!!!

Calvino tinha uma consciência plena de que Sola Scriptura é receita para o desastre. Falaremos disso no próximo post desta série.

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Antes de começar este artigo, eu preciso dizer: EU AMO O PAPA FRANCISCO! Pronto. Agora que manifestei meus mais ternos sentimentos, vamos à notícia.

No último dia 19, o Papa Francisco teve um encontro pré-sinodal em Roma, com cerca de 300 jovens de diversos continentes. Alguns tiveram a oportunidade de fazer perguntas, entre eles, o seminarista Yulian Vendzilovych, da igreja greco-católica ucraniana. Ele perguntou ao papa:

Na sua opinião, como um jovem que está se preparando para o sacerdócio e quer estar aberto à juventude e à cultura de hoje deve se preparar para entender o que valor na cultura e o que é falso? Por exemplo, a tatuagem, para um grupo de pessoas, expressa a verdadeira beleza, mas para outro é um exemplo de cultura que é difícil de aceitar e entender. Como um jovem pastor deve reagir às complexas circunstâncias da cultura de hoje?

A resposta do Papa Francisco foi conforme o que sempre defendemos aqui no site. O PROBLEMA É A FALTA DE TEMPERANÇA, O EXAGERO, e não a tatuagem em si:

Não se espantem com as tatuagens: (...). Sim, existem exageros, hoje eu vejo que alguns ... (...) Não, quando você exagera ... mas é um problema de exagero, mas não de tatuagem. A tatuagem indica pertencer. Você, jovem, tatuou ou tatuou assim, o que está procurando? Qual pertence você expressa? E comece a falar com isso, e de lá você chega à cultura dos jovens. É importante. Mas não se espante: com os jovens você nunca deve ter medo, nunca! Porque sempre, mesmo atrás de coisas não tão boas, há algo que nos fará chegar a alguma verdade. 

- Papa Francisco, 19/03/2018. Fonte: Site do Vaticano

Pessoalmente, penso que uma aparência discreta, livre de tatuagem, é mais apropriada para qualquer cristão. Mas o problema que temos hoje, como catequistas, líderes de grupos jovens ou sacerdotes, é outro: como acolher uma pessoa que não era católica e que já chega à Igreja tatuada da cabeça aos pés? Vamo queimá ela, Jeová?!

Infelizmente, influenciados por pregadores católicos com uma visão mais rígorista (e que não reflete a doutrina da Igreja, nem a sua História), muitos andam demonizando e discriminando os irmãos tatuados. 

Certa vez, conversando com uma amiga catequista, descobri que ela orientava todos os seus crismandos tatuados a vestirem roupas que cobrissem totalmente suas tatuagens. Se o sujeito tivesse o braço todo tatuado, deveria sempre usar blusa de manga comprida, para tampar aqueles símbolos vergonhosos da "cultura de revolta e sadomasoquismo".

Bem, eu e minha amiga tivemos uma longa conversa sobre os inúmeros cruzados tatuados com a cruz, sobre o costume da tatuagem cristã em muitas comunidades católicas orientais, sobre a tatuagem no peito do Beato Henry Suso...

É verdade que muitas tatuagens podem até representar "coisas não tão boas", como bem pontuou o Papa Francisco. Mas não precisa se escandalizar e demonizar. Aquele desenho na pele pode ser um ponto de diálogo sobre o que a pessoa deseja para si, para a sua vida; o que o seu coração anseia de verdade. E assim se pode partir de algo não tão bom para se chegar a algo que realmente merece ser valorizado.

Para conferir o nosso artigo sobre tatuagens, clique aqui.

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Nas nossas paróquias, pastorais e comunidades de fé, muita gente manifesta o dom das línguas... das línguas cheias de maledicência, de intriga e de difamação.

É comum a gente imaginar o ato da fofoca como um pecadinho de pouca importância, e assim não nos esforçamos para corrigir este vício odioso. É preciso que nos ajudemos a amadurecer a consciência de que, na maior parte das vezes, falar mal dos outros produz grandes estragos e mancha gravemente a alma do linguarudo.

Quem já não perdeu bons amigos por causa de uma calúnia? Quem já não foi prejudicado no colégio, na universidade, na família ou no trabalho? Quem já não confiou um segredo a alguém e acabou “na boca de Matilde”? Quem já não foi tentado a deixar a Igreja em razão de fofocas? E, afinal... quem nunca fez ou deu ouvidos a uma fofoca?

"A chicotada produz um ferimento, porém uma língua má quebra os ossos. Muitos homens morreram pelo fio da espada, mas não tantos quanto os que pereceram por sua própria língua." (Eclo 28,21-22)

"...faze uma balança para (pesar) as tuas palavras, e para a tua boca, um freio bem ajustado. Tem cuidado para não pecar pela língua, para não caíres na presença dos inimigos que te espreitam, e para que não venha o teu pecado a ser incurável e mortal." (Eclo 28,29-30)

No Antigo Testamento há diversas passagens advertindo sobre o problema das "línguas de fogo" que queimam a reputação e a paz alheias. A extensão deste mal é tão nefasta que, segundo São Tiago, se uma pessoa se diz fiel a Deus e não controla a sua língua, a sua religião é vã (Tgo 1,26). Por outro lado, quem procura ser sensato em tudo o que diz está no caminho da perfeição:

"Se alguém não cair por palavra, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo. Quando pomos o freio na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, governamos também todo o seu corpo. (...)
Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida.

Todas as espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar se domam e têm sido domadas pela espécie humana. A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero.

Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim." (Tiago 3,2-9)

“Mas eu só estou dizendo a verdade!” - é assim que os fofoqueiros se justificam. Entretanto, pecar com a língua não se restringe somente a divulgar mentiras ou informações temerárias, mas também revelar a outros os defeitos ou pecados do próximo, ainda que isso seja verídico.

Falar mal de alguém só é justificável quando se procura evitar algum mal com isso. Exemplo: uma amiga sua está interessada em um carinha, que se aproximou dela omitindo o fato de estar noivo. Sabendo disso, você a adverte.

Mas, cá pra nós, esses casos “filantrópicos” são minoria: quase sempre, quando comentamos os podres de alguém, é pelo puro prazer de destilar veneno.

E não é só o falador que peca: quem dá trela a pessoas maledicentes também colabora com o mal. Por isso, se alguém vier com esses papos pro seu lado, trate logo de se esquivar. A Bíblia diz que não devemos nos juntar com pessoas faladoras (Prov 20,19) e, se ainda assim chegar aos nossos ouvidos uma fofoca, a dica é: abafa o caso!

"Ouviste uma palavra contra o teu próximo? Abafa-a dentro de ti; fica seguro de que ela não te fará morrer." (Eclo 19,10)
"Protege teus ouvidos com uma sebe de espinhos; não dês ouvidos à língua maldosa, e põe em tua boca uma porta com ferrolhos." (Eclo 28,28)

Bem, se mesmo depois de muita oração e boa-vontade você ainda não conseguir se livrar da mardita mania de falar mal dos outros, considere a possibilidade de passar cola Super Bonder nas beiças. É melhor entrar no Paraíso com o bico lacrado do que ser lançado no fogo do inferno com a língua solta!

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É treta pontifícia, Povo Católico!

Uma grande novidade foi apresentada nesta semana pelo Vaticano: a Livraria Editora Vaticana lançou uma coleção que reúne a Teologia do Papa Francisco. São onze livros, cada um escrito por um teólogo diferente.

Bento XVI fez uma carta, comentando esse material, e aproveitou para reclamar dos que desdenham da capacidade teológica de Francisco. Também afirmou ver uma continuidade entre os dois pontificados. Que bacana! Tinha tudo pra sair perfeito mas... terminou em treta.

E tudo começou com essa imagem de divulgação aqui:

Você já deve ter notado que há um grupo de católicos muito estranho, que aproveita o máximo de ocasiões para espalhar mentiras contra o Papa e semear a dúvida na alma dos fiéis mais desprevenidos. Esse povo parece não ter se conformado com os elogios de Bento XVI a Francisco (e também com o esporro de quem fica de mimimi com o atual pontífice), e resolveu arrumar confusão com o último parágrafo da foto. Note que ele está "borrado e ilegível". Pronto. Bastou isso para afirmarem que o Vaticano havia adulterado a carta. 

O bafafá todo começou quando perceberam que a carta não havia sido divulgada na íntegra. A Santa Sé divulgou apenas uma foto publicitária em que a carta aparece, mas com o último parágrafo "borrado". Imediatamente, alguns católicos começaram a espalhar que Bento XVI tinha falado mal da teologia do papa argentino, e que o Vaticano havia adulterado a foto para esconder isso.

Essa fofoca foi lançada por católicos na Itália, e alguns sites aqui no Brasil começaram agora a reproduzi-la também.

Neste sábado (17/03), o Vaticano resolveu caçar a treta e lançou um comunicado oficial afirmando que o conteúdo da carta não era totalmente público e que eliminou o último parágrafo apenas por uma questão de discrição e privacidade. Além disso, para que não restassem dúvidas, revelou a íntegra da carta, que contém o tal parágrafo da discórdia.

Resumindo em tópicos, eis a verdade:

  • a carta de Bento XVI, num primeiro momento, não foi divulgada na íntegra;
  • para responder à especulação de que estava escondendo algo podre, a Comunicação do Vaticano divulgou HOJE a carta na íntegra;
  • não, Bento XVI não falou mal da Teologia nem do pontificado de Francisco em momento nenhum;
  • BENTO XVI ELOGIOU A TEOLOGIA DE FRANCISCO e apontou uma continuidade essencial entre o seu pontificado e o dele;

Perfeito! Mas...

Na segunda página da carta (que era inédita), apareceu uma nova candidata a treta e a gente já explica pra você antes que alguém resolva fazer sensacionalismo mimizento por aí: Bento XVI questionou duramente o fato de que, entre os autores de um dos livros da coleção, está Peter Hünermann, sujeito que já atacou a autoridade magisterial do papa em seus escritos.

A surpresa e a crítica de Bento XVI sobre o tal Hünermann são justíssimas, mas não atingem em nada os escritos de teologia do Papa Francisco. São direcionadas apenas à decisão de selecionar um teólogo de postura anti-papal para ser analista da Teologia de Francisco e autor de um dos livros da coleção.

A seleção dos autores da coleção, muito provavelmente, foi feita pela editora, e não pelo Papa Francisco.

No final das contas, o que precisa sobressair mesmo de toda essa confusão é a fala de Bento XVI sobre sobre a Teologia de Francisco:

“Aplaudo esta iniciativa que se opõe e reage ao preconceito tolo segundo o qual o Papa Francisco seria apenas um homem prático desprovido de uma particular formação teológica ou filosófica, enquanto eu seria unicamente um teórico da teologia que teria pouco entendido a vida concreta de um cristão hoje. Os pequenos volumes mostram com razão que o Papa Francisco é um homem de profunda formação filosófica e teológica e ajudam a ver a continuidade interior entre os dois pontificados, não obstante todas as diferenças de estilo e temperamento.”

- Tradução: Vatican News

Essas palavras estão claras como água límpida: Bento XVI aprova a teologia de Francisco e dá aval ao seu pontificado, afirmando existir uma continuidade entre os dois. Portanto não confiem nos fofoqueiros sensacionalistas que saíram por aí espalhando o contrário!

O que Bento XVI disse sobre a Teologia de Francisco foi com base em seu conhecimento prévio sobre isso, e não na leitura dos livros da coleção. Na carta, ele deixou claro que não leu os livros ainda, pois tem outros projetos na sua fila de tarefas.

Você pode acessar aqui os documentos na forma original: página 1 da carta, página 2 da carta.

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Como os católicos de hoje avaliam o fenômeno das Cruzadas? Em geral, há dois grupos extremados: o dos que renegam e condenam o seu espírito e os que louvam as Cruzadas fervorosamente, sem enxergar nenhuma mácula nesse passado.

As Cruzadas foram acontecimentos complexos, muito difíceis de julgar com a mentalidade que temos hoje. Se por um lado os fãs do espírito cruzado muitas vezes romantizam demais as Cruzadas, por outro lado, aqueles que as desprezam se distanciam da opinião de alguns dos maiores santos da Igreja.

Olha só o nível da lista de alguns dos santos e beatos apoiadores das Cruzadas:

  • Santa Joana D'Arc ameaçou os hereges hussitas de promover uma Cruzada contra eles;
  • Santa Catarina de Sena vivia clamando pela convocação de uma Cruzada pela libertação de Jerusalém (isso foi citado até mesmo por São João Paulo II, na Carta Apostólica Amantíssima Providentia, de 29/04/1980);
  • o Beato Urbano II convocou a Primeira Cruzada;
  • São Bernardo de Claraval foi um fervoroso pregador da Segunda Cruzada;
  • São Luís IX foi um Rei Cruzado que liderou a Sétima e a Oitava Cruzada;
  • Santa Teresinha de Lisieux vivia dizendo eu adoraria ter combatido os hereges com a espada.

Sim, ela mesma! Aquela santa fofinha, que em suas imagens é sempre retratada carregando flores delicadas, tão delicadas quanto os traços de seu belo rosto. Santa Teresinha dizia:

Sinto em mim a vocação de guerreiro, de sacerdote, de apóstolo, de Doutor, de mártir, em suma, eu sinto a necessidade, o desejo de realizar por Vós, Jesus, todas as obras as mais heróicas. Eu sinto em minha alma a coragem de um cruzado, de um zuavo pontifício: eu quereria morrer num campo de batalha para defender a Igreja...

No dia 4 de agosto de 1897, no leito de morte, ela murmurou para a Superiora:

Oh, não, eu não teria medo de ir à guerra. Por exemplo, na época das Cruzadas, com quanta alegria eu teria partido para combater os hereges.”

- História de uma Alma

Não podemos, entretanto, de fazer essa observação: se Santa Teresinha e os católicos que veneram a ação dos cruzados soubessem o que eles precisaram fazer em meio à guerra, se tivessem noção do que realmente aconteceu nas batalhas e cercos, talvez muitos não mais se identificariam com a imagem de cruzado.

As ações militares nas cruzadas não se limitavam simplesmente de pegar a espada e combater infiéis. Muitas vezes, havia cercos que levavam populações inteiras, inclusive crianças de colo, a morrerem de fome. Esse foi o caso do cerco à cidade de Damieta, no Egito.

Inclusive um dos companheiros de São Francisco de Assis tentou cuidar de algumas dessas crianças, que foram encontradas famélicas junto aos cadáveres de seus pais, quando Damieta finalmente invadida, depois de muitos meses de cerco. Mas morreram quase todas. Não era uma crueldade especial dos cruzados. Quase toda guerra nos tempos antigos tinha cerco.

A gente imagina a guerra como um monte de macho se enfrentando em campo de batalha, com as crianças e mulheres devidamente protegidas atrás dos muros. Mas a guerra em campo aberto é apenas uma parcela do que acontece. No fim das contas, quase todos têm que responder diante de Deus por um monte de mulheres estupradas e por crianças mortas.

A despeito disso, as Cruzadas tiveram grandes momentos de testemunho de santidade, e por meio delas muitos deixaram para trás a vida de pecados, tomaram para si o caminho da penitência e, certamente, encontraram o Céu.

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No primeiro domingo do  Advento, período de quatro semanas antes do Natal, a Igreja nos recorda a segunda vinda de Cristo, para julgar os vivos e os mortos no fim dos tempos. Agora seja sincero: se você ficasse sabendo que o Senhor voltaria hoje à noite, qual seria a sua reação? O que pensaria?

a)    “Está chovendo ou fui eu que fiz xixi nas calças?”

b)    “Vou viajar agora pro Acre. Acho que Jesus não vai lá.”

c)     “Alguém joga água na minha cara! Tô catatônico que nem o Chaves”.

d)     “Por que raios eu não comprei a capa da invisibilidade do Harry Potter?”.

O povo vive se perguntando por que Deus permite que tanta maldade aconteça no mundo, mas quando ouve a palavra APOCALIPSE, quase todo o mundo treme na base. Em parte, esse temor é compreensível, pois desde crianças somos condicionados a pensar no fim dos tempos como uma coisa tenebrosa. Porém, quando voltar em sua glória, o Senhor livrará a Terra de todo o mal, definitivamente:

Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. (...) O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. (Apo 21,4-7)

Quer coisa melhor do que isso? Nada mais de doenças, mortes, injustiças... Como não desejar que isso se torne realidade o mais breve possível?

O livro do Apocalipse foi escrito pelo Apóstolo João, que ali descreve as visões que lhe foram reveladas por Deus, estando ele em êxtase. São João deixa claro que só “vencedores” poderão desfrutar da felicidade eterna. Os demais terão um destino bem diferente:

Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte. (Apo 21,8)

É claro que nenhum cristão pode ter a certeza da sua salvação, mas quem ama a Cristo e, apesar de seus limites humanos, busca sinceramente fazer a Sua vontade, vive na esperança, e não no temor. Santo Agostinho define a consciência que devemos ter diante da promessa da volta de Cristo:

Quem está livre de toda a preocupação espera com segurança a vinda do seu Senhor. Será que se ama o Senhor quando se receia a sua vinda? Meus irmãos, não nos envergonhamos disso? Amamo-lo e receamos a sua vinda? Amamo-lo verdadeiramente ou amamos mais os nossos pecados? Odiemos então os nossos pecados e amemos Aquele que há de vir... 
- Discurso sobre o Salmo 95

Portanto, a única coisa que um cristão deve temer é viver sem arrependimento, é fazer do pecado o seu projeto de vida.

QUANDO JESUS VOLTARÁ?

Vez por outra aparece um lunático ou charlatão divulgando uma possível data para o retorno do Messias. Porém, estas previsões estão em total desacordo com o Evangelho. Jesus deixou bem claro que ninguém sabe e nem saberá qual será o dia da Sua segunda vinda:

Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai. (...) Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem. (Mt 24,36-39)

Jesus disse que devemos estar sempre vigilantes, porque Ele pode voltar a qualquer momento. Ele virá “como um ladrão”, que pega os moradores de surpresa, pois não avisa o dia nem a hora em que invadirá uma casa:

Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes. (Mt 24,43-44)

Não devemos ter medinho do dia em que Jesus vai voltar. Devemos sim, vigiar e esperá-Lo ansiosamente, todos os dias! Vem, Senhor Jesus, pois Tu me fazes falta! Nos meus relacionamentos, no meu trabalho, nas minhas conquistas e derrotas, Tu me fazes falta! Chega de maldade, de mentiras, de ódio e de tristeza! Vem enxugar as nossas lágrimas, vem nos inundar de vez com a Tua beleza!

Aqueles que te amam te esperam. "Vem, Senhor Jesus!" (Apo 22,20).

Você é católico que acha que menor infrator tem que ser tratado como animal na casa de detenção? Fica feliz quando vê um menor ser linchado quase até a morte após um pequeno furto? Acha que ações de ressocialização de menores infratores são bobagem? Você está precisando de um pouco da história Dom Bosco na veia!

O SONHO DO PEQUENO JOÃO BOSCO

Em sua cama, ainda criança, João Bosco dormia. Em seu sonho, vê adolescentes brincando alegres, até que alguns que se desentendem e começam a brigar e falar palavrões e. blasfêmias. João vai até eles e pedem que parem, mas ninguém liga para ele.

Como não consegue nada com palavras, João resolve partir para a cacetada. Começa a distribuir socos e voadoras! Em meio à pancadaria geral, um homem se aproxima de João e lhe diz: “Não será com pancadas que transformarás esses jovens em amigos. Trata-os com bondade! Mostra-lhes quão bela é a virtude e quão desprezível é o vício”.

Ele diz que João transformaria lobos em ovelhas. O menino responde que não se sentia capaz de realizar tarefa tão difícil, mas o homem garante que ele poderá contar com o auxílio de poderosa Virgem Maria.

UM SACERDOTE DISPOSTO A SOFRER

Giovanni (João) Melchior Bosco nasceu no dia 16 de agosto de 1815, no povoado Morialdo, localidade dos Becchi, município de Castelnuovo d’Asti, diocese de Turim. Era filho de Francisco Luis e de Margarida Occhiena.

Em 1841, aos 26 anos, João Bosco foi ordenado padre. Tomou algumas resoluções para a sua vida sacerdotal, entre elas:

  • fazer passeios só “por graves necessidades” (para atividades missionárias com os jovens, por exemplo, mas jamais para o seu próprio divertimento);
  • ocupar rigorosamente o tempo;
  • sofrer tudo para salvar almas;
  • ter temperança na comida e na bebida;
  • ter muito trabalho e pouco repouso noturno, e não repousar nunca durante o dia;
  • ser guiado em tudo pela caridade e a doçura de São Francisco de Sales;
  • ter uma profunda vida de oração;
  • ter discrição no trato com as mulheres.

Na noite de sua ordenação Mamma Margarida falou a seu filho: “João, agora você é padre. Está mais perto de Jesus. Eu não li livros, mas lembre-se que começar a dizer Missa é começar a sofrer”.

Começar a sofrer... João Bosco encarnaria aquelas palavras com grande amor e intensidade. Em breve ele iria “adotar” a juventude que ele definia como “pobre e abandonada”, “em perigo e perigosa”. Com sua simpatia, suas habilidades de malabarismo e truques de mágica, ele sempre divertia os meninos, mas jamais buscava prazeres e diversões para si mesmo.

O TRABALHO COM OS JOVENS POBRES

A convite de outro padre, o jovem Dom Bosco foi visitar as prisões. Lá, o que mais lhe chocou foi ver “um grande número de jovens, dos 12 aos 18 anos, todos sãos, robustos, de espírito vivaz, mas sem nada para fazer, picados de insetos, à míngua de pão espiritual e temporal”.

Sobre esse dia, escreveu ainda Dom Bosco:

O que mais me impressionava, escreveu Dom Bosco, era que muitos ao sair de lá estavam decididos a levar uma vida melhor, diferente. Talvez só por medo da prisão. Mas, depois de pouco tempo, acabavam voltando.

Esses rapazes precisariam ter lá fora um amigo que cuide deles, os assista, instrua, leve à igreja nos dias santos. Então não voltariam a prisão.

- Dom Bosco, em “Memórias do Oratório”

Logo, o santo sacerdote acolheria diversos adolescentes pobres e órfãos em um galpão. O trabalho não era nada fácil: de noite, alguns fugiam, levando os cobertores. Mas Dom Bosco perseverou.

Mamma Margarida veio morar no galpão, e fazia o serviço doméstico. Um daqueles jovens acolhidos seria o sucessor de Dom Bosco à frente da futura Sociedade Salesiana (o Padre Miguel Rúa), e outro seria um santo: São Domingos Sávio, que morreu aos 15 anos, vitimado pela tuberculose. Foi canonizado em 1954.

E tantos outros jovens seriam formados como bons cristãos, capazes de se sustentar com o próprio trabalho.

VOLUNTÁRIOS EM TEMPOS DE CÓLERA

Em julho de 1854 a cidade de Turim foi atingida por uma terrível epidemia de cólera. Muitas pessoas fogem da cidade com medo de serem contaminadas, inclusive agentes de saúde. E assim os doentes ficaram desassistidos. Ao ver essa situação caótica, Dom Bosco mobiliza os seus jovens:

Se vocês se puserem na graça de Deus e não cometerem nenhum pecado mortal, eu lhes garanto que ninguém será atingido pela cólera. Sabem que o Prefeito lançou um apelo. Há necessidade de enfermeiros e assistentes para cuidar dos coléricos. Mas se alguns dos maiorzinhos tiverem coragem de me acompanhar nos hospitais e às casas particulares, faremos juntos uma obra boa e agradável a Deus.

Muitos garotos disseram sim a esse chamado. O trabalho foi duro; no fim da epidemia, nenhum deles fora contagiado pela doença. Uma mulher doente precisava de um lençol. Como não tinham mais nada, Mamma Margarida tirou a toalha do altar e cobriu a doente, dizendo: “Jesus não vai reclamar”.

EDUCAÇÃO SALESIANA: PREVENIR, EM VEZ DE REPRIMIR

Dom Bosco tinha por volta de 40 anos. Com as bênçãos do papa, em 1859, ele funda uma Congregação religiosa. Dezessete “salesianos” se unem a ele para cuidar da juventude abandonada. De acordo com os ideais do Sistema Educativo Preventivo, o santo diz: “Inspirai confiança aos jovens. Fazei-vos amar, fazei-vos um deles. Procurai prevenir o mal e não puni-lo”.

Dom Bosco declarava que “no jovem, mesmo o mais transviado, há sempre um ponto acessível ao bem”. Assim ele definiu o seu sistema educativo:

O Sistema Preventivo [...] consiste em tornar conhecidas as prescrições e as regras de uma instituição, e depois vigiar de modo que os alunos estejam sempre sob os olhares atentos do Diretor ou dos assistentes. Estes, como pais carinhosos, falem, sirvam de guia em todas as circunstâncias, deem conselhos e corrijam com bondade. Consiste, pois, em colocar os alunos na impossibilidade de cometerem faltas. O sistema apoia-se todo inteiro na razão, na religião e na bondade. Por isso, exclui todo o castigo violento e procura evitar até as punições leves.

- Dom Bosco. O Sistema Preventivo na educação da juventude, 1877

O método, muito à frente de seu tempo, se mostraria incrivelmente eficaz. Certa vez, Dom Bosco conseguiu a façanha de levar para passear cerca de 300 adolescentes que cumpriam pena na detenção. Sem guardas! À noite, todos voltaram à casa de correção em ordem, sem faltar nenhum.

Em de 1872, Dom Bosco ergue o ramo feminino da sua espiritualidade: o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora.

São João Bosco morreu em 1888 e foi canonizado no dia 1 de Abril de 1934. No Centenário de sua morte, São João Paulo II declarou-o “Pai e Mestre da Juventude”.

FONTES:

A Igreja das Revoluções. Tomo VIII da Coleção de História da Igreja de Daniel Rops (Editora Quadrante)

Site da Missão Salesiana de Mato Grosso

Site da Inspetoria Salesiana São Pio X

Site da Paróquia São Cristóvão (Curitiba)

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