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Segunda, 24 Março 2014 01:35

As últimas vilezas de Alexandre VI, o Papa Bórgia

Postado por

borgias_hbo

Chegamos hoje ao terceiro e último post sobre Alexandre VI, um dos papas mais vergonhosos da história (veja o primeiro post aqui e o segundo aqui).

Alguns leitores têm questionado as razões pelas quais expomos esse triste episódio do papado. Não sejam ingênuos, amigos: a história do Papa Bórgia é lançada na nossa cara por ateus e protestantes, e tem até série na HBO; muito melhor que entendamos essa história sob o ponto de vista católico, não acham? Ademais, para quem não sabe, aqui no blog temos uma série que apresenta todos os papas, desde São Pedro até a atualidade, e não faria sentido que simplesmente fingíssemos que Alexandre VI não existiu.

Bem, vamos ao que interessa. O monge Savaranola, preso e enforcado em 1498, acendeu o fogo da revolta contra o papado. Pregadores pululavam como pulgas, alguns verdadeiros intelectuais, outros radicais imbecis ou completos dementes. Mas se fosse para falar mal da Igreja e do papa Alexandre VI, qualquer um conseguia uma plateia. As peripécias dos Bórgias eram o centro das atrações. Eles eram como artistas "grobais" da época e o povo estava sempre à cata do mais novo escândalo envolvendo a família do papa.

[caption id="attachment_12479" align="alignleft" width="194"]lucrecia_borgia Lucrecia Borgia. Detalhe de pintura de Pinturicchio, 1495[/caption]

Um dos escândalos que chamou mais a atenção foi a anulação do casamento da filha do Papa, Lucrécia Bórgia, com Giovanni Sforza. Alexandre VI tinha o intuito de casar a "donzela" com o herdeiro da coroa napolitana, Alfonso, e então jogou todo o peso de seu prestígio e toda sua grana para coagir Sforza a aceitar. E conseguiu. Conseguiu, inclusive, que Sforza devolvesse a grana do dote.

Ao mesmo tempo em que Lucrécia se casava pela segunda vez, uma tragédia se abatia sobre os Bórgia. O filho mais velho de Alexandre VI, Juan Bórgia, Duque de Gândia, apareceu boiando no Tibre com nove perfurações de punhal pelo corpo. A autoria do crime é creditada ao seu irmão, o famigerado César, mas nada foi provado; esse caso é um dos grandes mistérios para os detetives da história. Não há consenso, mas, de um forma geral, se considera a inocência de César.

Esse acontecimento deixou Rodrigo introspectivo, tomado por remorso. Não se sabe se por pesar pela morte de Juan, ou por medo de ser a próxima vítima. Chegou a declarar que o ocorrido a Juan fora uma punição divina pelos seus crimes; disse que estava disposto a se reformar e, paralelamente, reformar a Igreja... Vai sonhando.

Como fruto desse surto de remorso do Papa, um grande programa foi elaborado. Porém, entre as as provisões a serem tomadas, constava uma em que era necessária, antes da publicação da bula: que se despedisse de todas as suas concubinas com uma antecedência de 10 dias. Alexandre perdeu completamente o interesse. Safadinho!

[caption id="attachment_12477" align="alignright" width="213"]joana_franca Santa Joana da França[/caption]

No panorama político, a França agora tinha um novo rei e uma nova dinastia: saiam de cena os Valois e entravam os Orléans. Seu novo rei, Luis XII, passou a pleitear o trono de Milão. Afetado com o recente passado, Alexandre VI passou a agir de maneira cínica. Luis XII desejava o divórcio de seu indesejado casamento com a irmã de seu primo e antecessor, Carlos VIII. Nada de mais, se a donzela e Rainha de França em questão não fosse nada mais, nada menos do que Santa Joana da França - fundadora da Ordem da Anunciação. Santa Joana ainda vai ter o seu post aqui no blog; por hora, voltemos à história.

As intenções nada românticas do rei Luis tinham como objetivo o ducado da Bretanha. Para obtê-lo, o garoto bom de lábia pretendia casar-se com a viúva de seu falecido primo Carlos, Ana da Bretanha. Luis odiava Santa Joana e impunha a ela pesadas humilhações públicas. Sem contar que nunca consumou o casamento.

O papel de Alexandre VI nessa pantomima foi vil, conforme sua natureza. Anulou o casamento do Rei, que pôde se casar com Ana da Bretanha. Tudo pela módica quantia de 30 mil ducados - na época, uma grana pretíssima.

A amizade do papa com a coroa francesa era vista como uma grande ameaça por seus inimigos, ou seja, todo o resto do mundo. Para fortalecê-la, Luis XII buscou casar César Bórgia com a irmã do rei de Navarra, o que levou Alexandre VI a endossar alegremente a reivindicação de Luis XII pela coroa de Milão. O exército francês cruzou novamente os Alpes, derrotou as forças milanesas e toda a Europa chiou horrores, sendo que o Papa fez ouvidos de mercador.

Em meio a essa barafunda, Cabral, do outro lado do mundo, chegava aqui em Pindorama. Em Roma, comemorava-se  o ano do jubileu de 1500 e uma enorme multidão de peregrinos dirigiu-se à Cidade Eterna. Não encontraram segurança em parte alguma, muito pelo contrário, encontraram uma cidade tomada pelo caos. Imperava a "lei do cão": roubos, desordem pública e homicídios. Estava mais para o típico verão carioca de hoje em dia.

[caption id="attachment_12480" align="alignright" width="206"]cesar_borgia César Bórgia, filho de Alexandre VI[/caption]

Com o apoio do papai, César Bórgia dava vazão à sua natureza violenta: agora, livre do hábito eclesiástico, empenhava-se em ser um senhor da guerra. Lutou para trazer com mão de ferro as províncias dos Estados Pontifícios que buscavam maior autonomia. Era um senhor feudal por excelência, do tipo comparável a ditador norte-coreano. Sagaz e amoral, não titubeava a fazer uso de espiões e informantes. Falar mal de César Bórgia fazia mal à saúde... Para falar a verdade, que falasse mal dele ou de seu pai corria sério risco de comer capim pela raiz. César metia medo em todo mundo.

A história mais emblemática sobre a violência do garotão diz respeito ao segundo marido de sua irmã Lucrécia, Alfonso Biscegli. Certa ocasião, Alfonso foi brutalmente espancado por cinco sicários. Estava se recuperando quando, um dia, viu César em visita à sua esposa, passeando pelo jardim. Passando a mão num arco e flecha, Alfonso tentou matá-lo. Errou. A guarda pessoal de César subiu até seu quarto e o espancou até à morte.  Alexandre VI nada fez contra seu filhinho querido.

Dois meses depois dessa infâmia, César deu uma festança. Mas não foi uma festança qualquer, foi a festa de triste lembrança, que entrou para a história como "O Balé das Castanhas". O que ocorreu foi relatado por Burchard e deu-se no Vaticano, no palácio apostólico. É barra muito, muito pesada. Mas vamos lá.

Cinquenta prostitutas dançaram diante dos convivas de César e do Papa após o jantar. A princípio vestidos, convidados e prostitutas, depois... todo mundo nu. As castanhas em questão estavam espalhadas em candelabros pelo chão e as prostitutas buscavam meios de colhê-las. A regra era: as prostitutas, nuas, arrastavam-se pelo chão com as mãos e joelhos... use a imaginação amigo leitor.

Depois disso, seguiu-se o "acasalamento", com prêmios para aqueles que conseguissem o maior número de cópulas.  Foram muitas as festas bizarras. Convém salientar que, no "Balé das Castanhas", nem César, nem Lucrécia, nem Alexandre VI participaram. Eles apenas observavam as bacanais que promoviam. Antes que alguém questione a fonte, vale lembrar que Burchard era bispo e mestre de cerimônias de Alexandre VI.

[caption id="attachment_12481" align="aligncenter" width="454"]banquete_borgias Cena da série "The Borgias", da HBO: o Banquete das Castanhas.[/caption]

Em 31 de dezembro de 1500, Lucrécia Bórgia casa-se pela terceira vez, com Alfonso, herdeiro dos D'Este de Ferrara, numa festança milionária que durou uma semana e foi mais cara que uma copa do mundo. Dinheiro não cresce em árvores e, para financiar essa gastança, Alexandre VI criou 80 novos cargos na cúria, a serem vendidos por 780 ducados cada um; designou nove novos cardeais à base da canetada - ou melhor, na base da penada (na época, é claro, não tinha caneta bic). E, para completar o botim, faleceu o rico cardeal Giovani Michele, após dois dias de cólicas violentíssimas - cortesia, segundo alguns, do nobre e gentil César Bórgia.

Cercado de inimigos por todos os lados, Alexandre chegara, assim, ao seu último ano de vida, 1503. Por conta da imoralidade, religiosos de prestígio exigiam um novo concílio. Depois que tomaram consciência de com quem estavam lidando, até cardeais nomeados pelo Papa pediam a sua saída. Até a torcida do Torino pedia a saída do Papa, ninguém aguentava mais o cara e, principalmente, ninguém aguentava mais César e sua tirania.

Mas, como historiador, é dever nosso desvendar os fatos. Uma das teorias da conspiração mais aceitas com relação à morte de Alexandre VI era de que este teria sido envenenado. Muitas vezes, a autoria de tal proeza é creditada ao próprio César. Mas a verdade é que, aos 73 anos, Alexandre era um velho frágil, a vítima perfeita para as doenças que, desde sempre, devastavam Roma no verão.

Mas o  povo estava feliz. Morrera o monstro espanhol e, com ele, o poder dos Bórgia na Itália foi enfraquecendo. César, sem o apoio de Roma, não conseguiu manter-se e foi chutado da Bota. Morreu aos 31 anos como sempre gostou de viver: em meio à guerra, no campo de batalha.

A impressão que temos do papado de Alexandre VI é a de um tempo de contínua e desatada violência, homicídios em igrejas, cadáveres desovados em rios, luta de facções (Rio de Janeiro #fellings), incêndios, saques, prisões, torturas. Some-se a isso escândalos sexuais, frivolidades, cerimônias pomposas e diversões hedonistas em geral. Já houve historiadores que pretenderam reabilitar o sujeito... não dá, esse aqui não tem jeito mesmo.

Nossa série continuará em breve, com a graça de Deus. A seguir: Papa Júlio II.

580 Segunda, 01 Agosto 2016 14:28

Comentários   

0 # joao 04-07-2016 13:20
Eu imagino o que os radtrastes de hoje (eu os chamo de "protestantes de batina", porque eles fazem Livre Exame dos documentos da Igreja) diriam se vivessem nos tempos do Alexandre VI. :)
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0 # Bruno Cruz 01-09-2014 22:18
Tava zapeando pela TV hoje e vi este vídeo. Embora com alguns meses de atraso, acho que resume mais ou menos bem o que foi o governo da família Bórgia (e ainda por cima é divertido de assistir xP) https://www.youtube.com/watch?v=lDDCQc3m_1U
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0 # Caio César 06-07-2014 01:38
Bem, de certa forma Alexandre e César fizeram bem a Igreja, fortalecendo seu poder na Itália com a conquista da Romania, além de levar a fé cristã ao Novo mundo. Na questão espiritual, Alexandre realmente foi um péssimo Papa, mas como estadista ele fortaleceu a Igreja. Sobre Lucrécia Bórgia ela é bastante injustiçada já que a mesma foi obrigada a participar das tramas do pai e do irmão, o possível adultério pode ter sido origem das histórias contadas pelos Sfoz as como vingança pela humilhação de Giovanni Sforza. César Bórgia foi um ser humano muito capaz e inteligente no que deu um excelente príncipe, bem Deus nos da os atributos mas nós escolhemos como usa los, e César era amado na região do Estados Papais.
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0 # Jefferson Teixeira 29-03-2014 22:29
Antes que me esqueça, pretendo aprender o Inglês e acho que o Frances também...
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0 # Jefferson Teixeira 29-03-2014 22:27
Paulo Ricardo, Obrigado pelas dicas, hoje ainda tava falando com um amigo e partilhei a minha intenção e conversamos sobre a filosofia, com certeza vou por este caminho. Já com relação aos historiadores, vou seguir sua dica... e pensar que a França verdadeiro berço da cristandade virou berço do ateísmo, apesar de que nas cidades menores ainda vemos um pensamento conservador vivo, pelo que tenho lido. Tenho muita curiosidade em conhecer melhor o período de Carlos Magno, qualquer dia desses podes fazer um post, pelo que li foi o Imperador mais cristão que existiu, na melhor época da frança... Um abração!! Mais uma vez obrigado!
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0 # Jefferson Teixeira 28-03-2014 22:33
Paulo Ricardo, boa noite! Sempre adorei história, lia os livros no começo do ano letivo e sempre ia muito bem... claro que acabei esquerdista, depois entendi o processo, depois conheci JESUS e sua IGREJA daí fui me esclarecendo... Agora tenho a chance de fazer uma graduação em história, na faculdade Claretiana, é a distância. Quero melhorar o conhecimento próprio, sem falar que penso que posso contribuir na guerra cultural que vivemos... Você acha válido?? Um abraço e parabéns pelo trabalho. Obs.: Tenho um emprego estável. Falei que tenho emprego estável para dizer que dar aula não é meu foco, mas algo que pode até acontecer se eu sentir que é pra mim…entendeu.
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0 # Paulo Ricardo Costa 29-03-2014 01:56
Caro Jefferson, Sim, é muito válido. Precisamos de historiadores dispostos, mais do que de professores de história. Historiadores fazem professores, não ao contrário. Uma dica que lhe dou: se você ainda não conhece, aprenda pelo menos duas línguas. Outra, muito cuidado com historiadores franceses ou com historiadores ingleses que babam ovo de franceses, tipo Peter Burke, Thompson e que tais. E não deixe de casar a história com a filosofia. História sem filosofia é uma coisa idiota, facilmente aparelhável pela esquerdalha.
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0 # Alyne 28-03-2014 16:10
Ouvi o Nerdcast publicado hoje (407 - A aurora do Renascimento) procurando por erros históricos associados à Igreja que achei que viriam . Felizmente, quanto à parte dos Borgia, não encontrei nada justamente por eu ter seu post como base. Já quanto ao resto do episódio, talvez tenha algo inconsistente mas não tenho tanto conhecimento histórico para avaliar. De qualquer forma, as mentiras de sempre (Igreja e Santa Inquisição, Idade das Trevas por que a Igreja escondia o conhecimento, etc) não foram repetidas - pelo menos não enquanto eu prestava atenção. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
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0 # Paulo Ricardo Costa 29-03-2014 02:24
Obrigado Alyne, fico feliz em ser útil, Vou até aproveitar para contar para você e todos um pouco da minha relação com o nerdcast. Eu gosto dos caras, não posso ser considerado um completo nerd, não sou muito fã de RPG e acho ciências exatas um negócio chatíssimo, física só aristotélica pra mim e matemática é outra coisa que abomino. Era um aluno razoável de química, Mas era mais porque incendiava a imaginação a ideia de explodir coisas. Bom, chega de falar de mim. O caso é que, ultimamente, tenho desaconselhado leitores a dar atenção ou importância ao nerdcast. Minha decepção com eles veio do fato deles colocarem para a equipe de debatedores figurinhas do naipe de Izzy Nobre e, principalmente, fiquei chocado ao ver que, quando o assunto é biologia, eles utilizam o famigerado Pirulla. Além disso, a prepotência do bluehand ao falar de história estava me enchendo. Parece os meus piores professores comunas. O Eduardo Spohr é um pouco melhor e mais intelectualmente honesto, mas não melhora muito a situação. Os nerdcast de ciências são muitos chatos, os de história parecem tirados de livros de história escritos por um Emir Sader "descoladão", quem ainda salva a pátria é o Senhor K. Uma coisa, ainda é uma lição de comunicabilidade, uma influência no mundo da internet brasileira, mas, particularmente, considero que perdeu a graça,
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0 # Paulo Ricardo 28-03-2014 11:54
Caro Geovanni, Permita-me responder suas colocações: "Bom, mas o que dizer ou acrescentar diante de tantos comentários feitos por pessoas brilhantes, professores…" Partindo do princípio que você não se utilizou de ironia ao escrever esse comentário, tenho a dizer que desconheço os dotes intelectuais e dotes acadêmicos dos nossos amigos que, assim como você, escrevem em nosso blog comentários. Posso, unicamente, de forma breve, falar dos meus. Em outras circunstâncias isso não significaria nada, mas como sou o autor da postagem, talvez possa ajudar. Pesquiso e estudo História medieval. Veja, em momento algum disse que eu sou professor, nunca o disse porque, aos olhos da justiça brasileira, isso seria fraude. Sou bacharel (é o que está escrito no meu diploma), não licenciado. Nunca foi meu interesse dar aulas, Graças a Deus não preciso e sou um dos poucos que não associa a História a um barbudinho que reclama da vida, escrevendo num quadro negro textos para alunos pouco interessados. Pesquiso Idade Média desde meus 15 anos. Hoje tenho 41, creio que aprendi algo nesse meio tempo, independente em que terceiros possam crer ou não. "Meu ponto de vista pessoal está mais alinhado com o daqueles que conseguiram notar certos exageros na historia desse Papa da Santa Igreja Católica e Apostólica. Não é difícil notar que certas lendas fabricadas pela literatura da época facilmente ganharam status de verdade até mesmo aqui em “o catequista” (?)." Ao que parece, seu "ponto de vista pessoal" tem poder de verdade transcendente absoluta. Uma verdade tão absoluta que tem o poder de vencer a realidade concreta. Relativismo kantiano é um mal da modernidade tal qual um câncer no cérebro. Vou reproduzir aqui, mais uma vez, o que respondi para o amigo Paulo Eduardo: "[...]Você, ao que parece, não percebeu que o mote de todos os posts que falam dos Bórgia é o caminho da insensatez. prefere focar sua crítica numa justificativa humanista. Concordo contigo em parte, muito do que se fala dos famigerados é propagandístico, mas não esqueça que, se houve propaganda, é por que houve abertura.[...]" Acho que essa explicação foi bastante clara, ou tem alguma coisa que você não entendeu? "O filme (série) “The Borgias” notadamente fictício e exagerado ganhou aqui ares de documentário, uma pena. Será mesmo que ses pode afirmar que Rodrigo Borgia foi totalmente um mau Papa?" Para seu governo, meu caro, eu não assisti a série mencionada. Não me tome por imbecil ou um furibundo cretino que procura demonstrar erudição de almanaque, com sustentáculos tão pueris que qualquer ginasiano mais esperto consegue demolir sem muito esforço. E sim, eu posso, afirmo, reafirmo e comprovo que Alexandre VI foi um PÉSSIMO PAPA. Não falo isso como detrator gratuito, nem sou daqueles que assume ar blasè , como mente superior neutra, falo com a autoridade de leituras e com o conhecimento das fontes. Que se dane os feitos materialistas de Alexandre VI, seu espiritualismo de fachada. Aprendi que tudo naquele ser do mal era pensado como parte de seu jogo de imagem. Somente tolos revisionistas, hoje, como experimento de reengenharia, buscam "melhorar" a imagem desse demônio. Como o mundo moderno é calcado na paranoia louca de Hobbes e Spinoza, não é de se admirar que há aqueles que preferem olhar para a parede da caverna, onde titereiros malandros podem projetar as sombras que mais lhes convém. "Como todo chéfe (sic) da Igreja ele possuiu também seu sentido de autoridade. E, se foi seu maior erro ter esquecido que essa autoridade deve ter como centro a espiritualidade, pelo menos no plano temporal à fez respeitar." "Esquecido"? Meu caro, sua afirmação é contraditória. Algo que tem como "centro" uma característica determinada, quando se elimina essa característica, simplesmente esboroa. Jogando o que tu disseste para o campo da astrofísica: o sistema solar ia funcionar "bem legal" sem o Sol. Voltando para o campo das ciências humanas: não, ele não fez valer autoridade alguma. Jogou descaradamente com as tensões, como qualquer príncipe secular mais habilidoso poderia fazer. O Que Alexandre VI fez foi jogar o "Jogo dos Tronos", nada mais nada menos. "Foi ele, por exemplo, que reorganizou as finanças do Vaticano, que lutou contra os tiranos, grandes e pequenos, que se comportavam como bem entendiam. Os interesses materiais do Papado também foram defendidos muito bem por ele. Também não lhe faltou por inteiro o sentido da Igreja." Rodrigo VINCULOU seus interesses financeiros com os da Igreja, delapidou fortunas inteiras. Quanto aos tiranos, não podemos esquecer que ele mesmo deve ser incluído nesse balaio. E, sem perder de vista o senso de proporcionalidade, ele mesmo era um dos piores, senão o pior. "Também não lhe faltou por inteiro o sentido da Igreja. Em matéria puramente religiosa, não deu nenhum passo, não publicou nenhum documento que mereça censura." Isso é fato, eu vejo aqui a pura intervenção do Espírito Santo e a reafirmação da promessa Divina de que "As porta do inferno" jamais vão prevalecer contra a Santa Igreja. Não o fez porque é claro que Alexandre VI, ao que parece, tinha uma consciência pessoal da própria torpeza, muito embora isso seja uma mera conjectura, tudo aponta para isso. "A contrapartida de um amor tão inconveniente pelo luxo e pelo fausto foi, sem dúvida, o interesse que manifestou pelas coisas da arte e do espírito. Grande macenas, embelezou Roma, transformou a Cittá Leonina e fez do Castelo de Sant’Ângelo a fortaleza que ainda é hoje. Todos os trabalhos iniciados por seus predecessores foram continuados… É preciso compreender também o caus vivido na europa de então. Luxúrias exageradas não foram nem de longe exclusividade da família Bórgia. A europa vivia uma crise de identidade e moral. É claro que não se espera atitudes impróprias vinda de um líder religioso tão importante como um Papa, mas é necessário separar as estórias da história." Outro fato, as fontes estão lá para serem vistas, até tocadas. O que, mais uma vez corrobora minha teoria (que não é só minha) de que Rodrigo Bórgia estava preso ao espírito do seu tempo, sem a menor preocupação transcendente, vivendo na pura imanência. Um orgulho para ateus a la Dawkins. Por outro lado, você considera que, já que estou no inferno, devo "abraçar o capeta"? Não! Não é compreensível, não é justificável, não é cognoscível sequer. Ao fazer isso incorremos em relativismo e darwinismo moral. Se havia crise, era mnemônica, pois a Bíblia, a Patrística e a Doutrina Moral sempre estiveram lá. Por último, lembro-te que tudo faz parte da história, tudo é necessário para reconstruir os cenários que não podem mais ser visualizados pelos sentidos, mas a história sem filosofia é um construto vazio, um zumbi sem alma. Obrigado pela oportunidade de poder esclarecer mais alguns pontos da visão dessa postagem. A Paz de Cristo esteja sempre convosco. Paulo Ricardo.
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0 # expedito 28-03-2014 09:10
bom, ao menos uma coisa boa ele(alexandreVI)fez : aprovar a ordem da anunciação.
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0 # Geovanni Laurindo 27-03-2014 22:49
Olá amigos, a paz do Senhor Jesus! Bom, mas o que dizer ou acrescentar diante de tantos comentários feitos por pessoas brilhantes, professores... Meu ponto de vista pessoal está mais alinhado com o daqueles que conseguiram notar certos exageros na historia desse Papa da Santa Igreja Católica e Apostólica. Não é difícil notar que certas lendas fabricadas pela literatura da época facilmente ganharam status de verdade até mesmo aqui em "o catequista" (?). O filme (série) "The Borgias" notadamente fictício e exagerado ganhou aqui ares de documentário, uma pena. Será mesmo que ses pode afirmar que Rodrigo Borgia foi totalmente um mau Papa? Como todo chéfe da Igreja ele possuiu também seu sentido de autoridade. E, se foi seu maior erro ter equecido que essa autoridade deve ter como centro a espiritualidade, pelo menos no plano temporal à fez respeitar. Foi ele, por exemplo, que reorganizou as finanças do Vaticano, que lutou contra os tiranos, grandes e pequenos, que se comportavam como bem entendiam. Os interesses materiais do Papado também foram defendidos muito bem por ele. Também não lhe faltou por inteiro o sentido da Igreja. Em matéria puramente religiosa, não deu nenhum passo, não publicou nenhum documento que mereça censura. A contrapartida de um amor tão inconveniente pelo luxo e pelo fausto foi, sem dúvida, o interesse que manifestou pelas coisas da arte e do espírito. Grande macenas, embelezou Roma, transformou a Cittá Leonina e fez do Castelo de Sant'Ângelo a fortaleza que ainda é hoje. Todos os trabalhos iniciados por seus predecessores foram continuados... É preciso compreender também o caus vivido na europa de então. Luxúrias exageradas não foram nem de longe exclusividade da família Bórgia. A europa vivia uma crise de identidade e moral. É claro que não se espera atitudes impróprias vinda de um líder religioso tão importante como um Papa, mas é necessário separar as estórias da história. Em Jesus, Geovanni.
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0 # Harun Salman 28-03-2014 11:08
Olá, Geovanni! O Paulo Ricardo parece saber desses detalhes. Acho que ele chegou a mencioná-los em outro post sobre Alexandre VI. Mas ele optou - muito acertadamente - por se concentrar nos fatos escabrosos. Afinal - não adianta fingir que não! - quando pensamos em Alexandre VI, o que vêm à mente não são a transformação de Cittá Leonina e Castel Gandolf! Então, é melhor falar logo do que passa pela cabeça de todos, até para não dar a impressão de que estamos escondendo algo! Um abraço!
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0 # Lucas Farias 26-03-2014 10:36
O que mais dói é saber que os Bórgia ainda tem filhos seus dentro da Igreja... Apenas para deixar claro, caso alguém não entenda, quando digo filhos não me refiro a filhos de sangue, mas nas atitudes. Mas nos consola a promessa do Senhor " as portas do inferno não prevalecerão "
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0 # carlos 26-03-2014 16:17
E as portas do inferno não prevalecem apesar dos papas infiéis. Pois há quem fique confuso com o fato da infalibilidade, pensando nesses papas corruptos. O teólogo da libertação mais heterodoxa, Marcelo Barros, numa preocupação moralista típica dessa corrente questionava um dia desses: "dizem que o papa é eleito por obra do Espírito Santo, mas e no caso de um papa corrupto? Será ele um escolhido de Deus?" Para mim, uma pergunta totalmente sem sentido, pois uma coisa é ser escolhido por Deus e outra coisa é ser ou não fiel à escolha divina. Não resta a menor dúvida de que Judas foi escolhido por vontade divina. O que ele fez dessa escolha depois é outra história. Não resta dúvida de que todo batizado e crismado, o é por escolha divina, o que fará do dom de Deus depois é outra história. Assim também, todo homem e mulher (a não ser nos casos de nulidade) casados, o são por chamado divino, como respondem no dia-a-dia à graça do chamado é outra coisa...Se assim é, nas coisas mais básicas, muito mais o é em se tratando de ministérios tão decisivos para a caminhada do Povo de Deus, como o episcopado e a sucessão petrina!O infalível Espírito de Deus com certeza disse a Pedro: "Não traia o Senhor a caminho da cruz! Quem quiser ser discípulo dEle, tome a cruz e o siga!". Mas a palavra que saiu dos seus lábios foi: "não conheço este homem!" Essa (e muitas outras palavras de Pedro) não foi de modo algum infalível. Mas quando ele, em Pentecostes, ouvindo o Espírito, disse: "Este Jesus que vocês crucificaram, Deus o ressuscitou dos mortos!", com certeza pronunciou ex-cátedra uma palavra do alto, infalibilíssima! Um papa pode não se abrir ao Espírito, pode não se abrir às palavras infalíveis que o Espirito lhe dá em função do crescimento do povo de Deus, assim como um cristão, covardemente pode receber de Deus uma santa inspiração e não ouvi-la e segui-la. Esperar coerência moral automática do papa (embora muitos a tenham tido em sumo grau) é crer mais no humano que no divino, mais na carne que no Espírito. Crer que o Senhor nos fala (confirmando a revelação) na voz do sucessor de Pedro é crer que, cumprindo a promessa, o Senhor mesmo guia a sua igreja, apesar de, e para além de nossas incoerências humanas, inclusive as eventuais incoerências dos papas.
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0 # A Catequista 26-03-2014 16:24
Exatamente, Carlos. Na Bíblia, vemos que não há a menor dúvida de que Saul foi eleito por Deus para ser o primeiro rei de Israel. Ele foi ungido e capacitado espiritualmente para isso. Mas, sendo imprudente e vaidoso, mergulhou na loucura, tendo sido um péssimo rei. A despeito disso, Davi, mesmo tendo a oportunidade de matá-lo não o fez, pois sabia que Saul era eleito do Senhor, "ungido do Senhor". Da mesma forma, conforme já explicamos no primeiro post dessa série, os maus papas só sentaram no trono de Pedro porque Deus o permitiu. E, a despeito de seus pecados pessoais, não mancharam o dogma da infalibilidade papal.
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0 # Cadu Sindona 26-03-2014 10:18
Esse bacanal das castanhas foi talvez o fato mais demoníaco que aconteceu dentro do Palácio Apostólico. Só de imaginar fico revoltado e enojado. Depois de tamanha imundice, "quase dá pra entender" (muita aspas por favor) que no século XVI tanta tribulações aconteceram na Cristandade. O Concílio querido, o Concílio da glória, o Concílio da reforma e o Concílio da reconstrução da Cfistandade veio naquele século miserável, para traçar os corretos e sagrados caminhos da reconstrução da Cristandade... Todas as vezes que lembro deste período, agradeço a Deus pelo Sacrossantíssimo Concílio de Trento, luz da verdade em meio a escuridão e a perseguição da Igreja.
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0 # JR 25-03-2014 23:49
Repito o que Sidnei pergunta, e que não quer calar: Onde este ¨papa¨ está AGORA!?
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0 # A Catequista 25-03-2014 23:57
Impossível a nós responder. Só Deus sabe.
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0 # Harun Salman 26-03-2014 10:27
Graças a Deus que só Deus sabe!
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0 # Juliano 25-03-2014 09:15
Infelizmente, para a Igreja, Papas como Alexandre VI viram até seriado de TV; então, se fizerem de João XII, vai sair um filme pornográfico dos mais ordinários. Agora, perguntem para a alguém protestante ou para um católico de araque, eles jogarão todos os 266 Papas na latrina; vão dizer que Pedro não era Papa, que João Paulo II foi um conservador insensível, Pio XII o Papa de Hitler e Bento XVI um homem fora de seu tempo, que não percebia nada ao seu redor, que não dava bolas para as pessoas, preocupado apenas com suas leituras e escritas.
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0 # Francisco 25-03-2014 01:31
Um Papa pode ser deposto? Se eventualmente aparecer um Papa "doido", como era Alexandre VI, existe previsão canônica para sua deposição? Se não, o que Igreja faz diante de uma situação como essa, apenas ficar de braços cruzados vendo o cara fazer estragos?
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0 # Cadu Sindona 26-03-2014 10:22
Francisco, não existe previsão canônica para isto. Um outro caso hipotético preocupante, seria se o Papa perdesse as faculdades mentais por motivo de doença, pois não há na lei Canônica uma forma dos cardeais retirarem do Papa o seu poder. A única forma válida de um Papa se retirar de sua posição seria por renúncia válida, como a de Bento XVI.
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0 # Francisco 29-03-2014 18:28
Obrigado, Cadu.
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0 # Paulo Eduardo 24-03-2014 14:36
Aprecio muito os posts do "o Catequista" que nos permitem conhecer melhor as doutrinas e a história da Santa Igreja. Contudo, neste post específico sobre o papa Alexandre VI, creio que se perpetuou certo "folclore" sobre os Bórgias e informações veiculadas pelas poderosas Famílias romanas, Colonna e Orsini, por exemplo, que sempre fizeram cerrada oposição aos papas, não se excetuando Alexandre VI, bem como teses panfletárias disseminadas pelos protestantes, a ponto de desvirtuar totalmente a real dimensão deste que considero "um homem providencial". Alexandre VI foi o que tinha que ser assim como Júlio II, bem mais violento e cruel. A Igreja, premida por todos os lados, cercada de poderosos "podestás" que se apossaram dos territórios pontificais, eram uma contínua ameaça; tinham que ser derrotados, de um modo ou de outro. Alexandre VI e seu filho, César Bórgia, planearam então a reconquista dos territórios esbulhados pelos podestás, guerreando-os e retomando tais territórios. Se, no séc. XVII até o XIX a Igreja teve relativa paz e estabilidade, deve-se sem dúvida as lutas "inglórias" de Alexandre VI e de seu filho, que a ferro e fogo ampliaram os territórios da Igreja, garantindo, como já disse, maior estabilidade. Longe de mim querer defender algumas ignomínias deste tão controverso papa; entretanto, é mais fácil perdoar alguns pecados da carne que algumas asperezas da alma: relatos contemporâneos isentos testemunham que Alexandre VI era uma pessoa "bonachona", boa e justa, enquanto nenhum interesse pessoal vital estivesse envolvido. Era um pai afetuoso e bom, culto e que priorizava um único interesse: o fortalecimento da Igreja em suas bases materiais, garantia de sua liberdade. Lucrécia Bórgia, a propósito, morreu em odor de santidade em Ferrara, membro da Ordem Terceira de São Francisco, extremamente penitente e caridosa, deixando à sua morte, com apenas 39 anos, saudosa e benfazeja memória. Infelizmente, toda a história desse período da Igreja é eivada de partidarismos e de "maniqueísmos"; dando uma de "advogado do Diabo" posso dizer, baseado em relatos históricos, que Alexandre VI não foi nem pior nem melhor que os demais "papas da Renascença": particularmente, tenho mais simpatia por ele que por Júlio II, um homem irascível e violento por natureza, ou por Leão X, sibarita que procurou "gozar o papado" ou mesmo por Clemente VII que, devido a sua incapacidade, deu azo à conquista de Roma pelos luteranos de Carlos V em 1527, ocasião em que foram assassinadas centenas de pessoas em Roma e o próprio Vaticano, invadido e profanado. Recomendo a leitura do livro "A Renascença", de Will Durant, no qual o autor faz um juízo bem mais humano dos "famigerados" e tão controversos "papas da Renascença".
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0 # Sidnei 25-03-2014 09:01
O Papa Alexandre VI e seus filhos lutaram e lançaram a mão de toda sorte para ampliar e preservar os territórios da Igreja na Itália, por outro lado, vários anos depois, veremos um Papa que não querendo maior derramamento de sangue, foi na via contrária, ou seja, preferiu perder todo o território da Igreja na península itálica, durante a unificação italiana, a ter que se envolver em guerras e corrupção, e se tornou prisioneiro do Vaticano, ele e seus sucessores até o Papa Pio XII com o tratado de Latrão. Este Papa foi o grande Beato Pio IX que ao comparar com Alexandre VI seria como comparar uma virgem pura a uma prostituta desvairada e sem pudor algum.
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0 # Paulo Ricardo Costa 24-03-2014 15:14
Caro "mezzo" xará, Paulo Eduardo, Eu conheço a obra de Durant, em contraponto, sugiro que você leia Tuchmann. Eu sou historiador, mas também sou um ser pensante. É bem mais do que posso dizer de 85% dos meus companheiros de cátedras, meros repetidores das ideologias podres dos seus professores. Disse isso para poder elucidar parte das suas colocações. "(...)creio que se perpetuou certo “folclore” sobre os Bórgias e informações veiculadas pelas poderosas Famílias romanas, Colonna e Orsini, por exemplo, que sempre fizeram cerrada oposição aos papas, não se excetuando Alexandre VI, bem como teses panfletárias disseminadas pelos protestantes, a ponto de desvirtuar totalmente a real dimensão deste que considero “um homem providencial." Você, ao que parece, não percebeu que o mote de todos os posts que falam dos Bórgia é o caminho da insensatez. prefere focar sua crítica numa justificativa humanista. Concordo contigo em parte, muito do que se fala dos famigerados é propagandístico, mas não esqueça que, se houve propaganda, é por que houve abertura. Quanto a chamar de providencial um homem que era tão mais criterioso com seu materialismo do que com as coisas da Esposa de Cristo, desculpe-me, mas considero o mesmo que dizer que a Igreja precisava de um cafetão. Ele cumpriu sua parte e, afinal, somente provou a Glória da Santa Madre Igreja, que sobreviveu a homens como ele. "...relatos contemporâneos isentos testemunham que Alexandre VI era uma pessoa “bonachona”, boa e justa, enquanto nenhum interesse pessoal vital estivesse envolvido. Era um pai afetuoso e bom, culto e que priorizava um único interesse: o fortalecimento da Igreja em suas bases materiais, garantia de sua liberdade." Mas, carambolas, eu citei isso aqui! O que tem a ver a apresentação de um homem? Seu modo tratar? A maioria dos psicopatas e elegante e bem educado. Era um pai afetuoso e bom? Muito legal isso! Então porque ele não foi ser um pai afetuoso e bom ao invés de ser Papa? Só uma coisinha que parece que está te fugindo: para Alexandre VI as bases materiais da Igreja só eram fortalecidas no que convinha aos interesses de enriquecimento de sua família. "Lucrécia Bórgia, a propósito, morreu em odor de santidade em Ferrara, membro da Ordem Terceira de São Francisco, extremamente penitente e caridosa, deixando à sua morte, com apenas 39 anos, saudosa e benfazeja memória." Sim, esse é um fato verificável, mas, de qualquer forma, fica a pergunta: e daí? Ter ido encontrar o criador, estar entre os justos, acredito que até o famigerado César pode estar, ou, pelo menos, pagando suas penitências no purgatório, desde que tenha se arrependido de todo coração. As artimanhas e articulações de que Lucrécia e César fizeram parte, para o bem da família, segundo, como você diz, o espírito dos tempos, ficaram registradas, e devem ser lembradas, inclusive para exaltar o processo que a levou a uma morte serena. Repito aqui o meu posicionamento: não há como fazer revisionismo com a história dos Bórgia, a realidade concreta e os preceitos morais cristãos imorredouros não podem sem violentados dessa forma. Caso contrário, abracemos de vez o relativismo. Fique em paz e que Nosso Senhor Jesus Cristo o ilumine sempre.
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0 # Paulo Eduardo 18-06-2014 14:18
Paulo Ricardo, cordiais saudações ao colega. Infelizmente, por motivos outros, estou um tanto sem tempo para comentar as interessantes considerações que teceu a respeito do tema em pauta. Mas um aspecto quero ressaltar: a tal "Festa das Castanhas" a bem da verdade não é expressa em nenhum contemporâneo, apenas em Burchard, cujo relato, repleto de enxertos, não me parece muito confiável já que o mesmo tinha certos ressentimentos contra os Bórgias por não ter conseguido uma promoção, certo "benefício", salvo engano. Não me parece crível que um papa que planeava um casamento importante, politicamente, entre sua filha e o filho do duque de Ferrara, pudesse permitir que a mesma assistisse tal infâmia. Em Ferrara, não houve protesto algum, o que seria de esperar em uma situação dessas e em cartas, o embaixador de Ferrara na Corte Pontifícia dá somente boas informações a respeito de Lucrécia Bórgia. Quanto a minha opinião de que o papa Alexandre VI foi um "Homem providencial" eu o considero no âmbito do que ele tinha que ser na época em que foi. Um colega abaixo comentou sobre o papa Pio IX que nas palavras dele "(...) preferiu perder todo o território da Igreja na península itálica (...) a ter que se envolver em guerras e corrupção (...)" O problema, neste caso, é que ele "(...) não preferiu perder (...)" mas foi obrigado a reconhecer o "fait accompli" já que não dispunha mais das forças francesas de Napoleão III para defender as possessões da Igreja. longe de mim ser um "advogado do Diabo", rs, mas é certo que se formou grande mitificação a respeito dos "papas da Renascença" tanto por parte dos inimigos contemporâneos quanto por parte das polêmicas protestantes. Pio V, por exemplo, também foi "amigo das Guerras" e, dizem os relatos históricos, era mais dado a uma boa batalha do que à "pregação apostólica"... No entanto, foi canonizado. Também ele foi ao meu ver um "Homem providencial". Enfim, em momento oportuno, trarei considerações mais abalizadas em referências. E que as bençãos Divinas estejam com todos!
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0 # Harun Salman 24-03-2014 15:51
Boa resposta, Paulo! Personalismo é uma chaga contemporânea: como se virtudes íntimas absolvessem de pecados públicos! E daí se Stálin, Fidel ou Mao tinham algumas virtudes? Isso não anula o mal que fizeram e que deve ser conhecido para não ser repetido. (Sonho, eu sei!) Fazendo uma analogia em tom de farsa: por que a "simpatia e carisma" de um Lula, de um José Genoíno, de uma Dilma deveriam isentá-los de críticas merecidas? Amor à verdade acima de tudo é a base da tão esquecida "correção fraterna". By the way, o post é um dos seus melhores! Conciso e bem escrito! Grande abraço!
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0 # carlos 25-03-2014 10:56
Desculpe discordar caro Harun, mas Stálin, Fidel, Mao e cia, foram tão canalhas (ou até mais) na vida pessoal quanto na vida pública. Em geral, a opinião comum é a de que fizeram o bem do ponto de vista social e político e por isso são superiores a Franco, Pinochet. Contudo o Professor Olavo de Carvalho, documenta muito bem que apesar de reprováveis em muitas coisas (públicas e privadas) os ditadores da América Latina, chegam a ser anjos de bondade perto da monstruosidade nojenta dos ditadores comunistas, que deixaram rastros de morte e muitos crimes contra os Direitos Humanos, tanto no âmbito público quanto pessoal. Mao Tsé Tung por exemplo estuprava menores (meninos e meninas) que ele mandava apanhar sem misericórdia nos campos chineses. Portanto, não há virtudes íntimas a serem alegadas a favor dessa corja toda. É exatamente a incoerência entre vida pessoal e discurso e obra públicos, o que mais marcou essa gente. Marx por exemplo, falava tanto da consciência e igualdade de classe e tendo engravidado uma "companheira de luta" (do partidão) não quis reconhecer o filho e morria de "vergonha e pudor" burgueses recusando-se a sentar à mesma mesa que a companheira de partido (só porque ela era pobre). Portanto é incoerência de ponta à ponta, na vida pessoal e na vida pública. Todos nós somos incoerentes e precisamos buscar maior fidelidade entre o que somos, vivemos e pregamos. Mas a ideologia socialista é um imbróglio que começa mal desde o inicio: neuroses,esquizofrenias e mau caratismo no nível pessoal, ampliados no âmbito coletivo por força da manipulação ideológica. É tudo podre do começo ao fim, das sementes aos frutos. E quanto mais cara de "bondade" a coisa tiver, mais podre e insidiosa é. É claro que muita gente de boa intenção (nos países onde o comunismo ainda não se instalou) se liga ao ideal comunista pensando que ele busca maior justiça e equidade. Mas à medida que o resto do iceberg vai se revelando à análise crítica (trazendo toda a podridão à tona) é dever moral da pessoa se afastar.
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0 # Harun Salman 26-03-2014 10:17
Olá, Carlos! Sim, eu sei dessa imensa diferença entre os ditadores de esquerda e de direita. Citei esses três - Stálin, Fidel e Mao - de propósito, antecipando uma possível objeção de um de seus simpatizantes que conseguisse encontrar nas suas biografias um exemplo de virtude. Não encontrarão. Mas a aparência de virtude facilmente substitui a coisa verdadeira na cabeça dessa gente. E talvez uma de suas maldades tenha sido suficientemente mal feita para dar a impressão de um ato de bondade. Um abraço!
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0 # carlos 24-03-2014 10:52
Peço licença do blog para um plantão (importante) de última hora. Embora não tenha nada a ver com o assunto, creio que é do interesse de todos os leitores. Para entenderem do que se trata, partilho (abaixo) um e-mail que acabei de receber: Olá, Carlos! Há pouco mais de uma semana lhe enviei um e-mail (que copio abaixo) sobre a tentativa de inserção da Ideologia de Gênero no Plano Nacional de Educação. A votação estava prevista para a última quarta-feira (dia 19), mas em razão da enorme pressão feita por aqueles que entendem a gravidade do problema, os deputados do PT resolveram adiar a votação, que ocorrerá na próxima quarta-feira, dia 26/03. Deputados da comissão especial responsável pela votação do PNE receberam muitos e-mails e ligações. Porém, não podemos deixar de continuar com o envio das mensagens. O relator do projeto alterou o texto para fazê-lo parece conciliatório (ele fez uma combinação do texto aprovado pelo Senado, no final do ano passado, com o texto da Câmara), mas mesmo com a aparente mudança a introdução da Ideologia de Gênero permanece. Portanto, peço-lhe que compartilhe esta petição com os seus amigos e familiares (caso já tenha assinado). Se ainda não tiver assinado, por favor não deixe de fazê-lo. Basta clicar na caixa ao lado ou no link abaixo: http://www.citizengo.org/pt-pt/5312-ideologia-genero-na-educacao-nao-obrigado Se tiver alguma dúvida sobre a Ideologia de Gênero, basta consultar o e-mail anterior (ou, para uma leitura mais profunda, o texto que pode ser copiado no link abaixo). Carlos, não se trata de um assunto de menor importância. Ao contrário, os defensores da Ideologia de Gênero querem perverter completamente a estrutura familiar. Trata-se de uma verdadeira ofensa ao projeto de Deus e à ordem natural criada por Ele. Ademais, querem sexualizar as crianças desde a mais tenra idade sob a desculpa de "luta contra o preconceito". Não se deixe enganar por esse falso argumento. Mais uma vez peço que leia o texto abaixo para entender a gravidade do problema. Muito obrigado pelo apoio. Atenciosamente, Guilherme Ferreira e toda a equipe de CitizenGO
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0 # carlos 24-03-2014 11:25
Ao divulgarmos esse tipo de coisa, é importante sermos muito transparentes com as pessoas, sobre as consequências não futuras, mas já presentes, para todos nós. Quando os legisladores votam a favor de supostos "direitos" de grupos ideológicos regiamente financiados pelo megacapitalismo estadunidense (que tem interesse nisso), o povo tende a pensar que essas leis apenas dizem respeitos a grupos (gays, feministas) não afetando os direitos do povo em nada. Mas é um grande equívoco: direitos humanos básicos e muito mais importantes já estão sendo violados em nome dos pseudodireitos que grupos ideológicos que sequer são quantitativamente representativos (militantes que falam em nome deles mesmos sem ter sequer o apoio da massa dos gays, feministas que pretendem representar as mulheres, quando a maioria deles repudia suas teses podres, etc.) mas que recebem muito dinheiro para chantagear e fazer terrorismo ideológico (como fez a Marcha das Vadias na JMJ) em cima do povo, do governo e dos legisladores. Um fotógrafo por exemplo, nos EUA, foi processado por um casal gay porque se recusou a tirar fotos do "casamento" deles. Como artista que é, a obra de um fotógrafo não é apenas propriedade de quem a encomenda, mas é a sua mensagem que circula por aí, diz do que ele crê. É como se eu obrigasse um Van Gogh a pintar uma cena que contradiz os valores dele. E assim, podemos citar milhares de exemplos ( como esse blog aliás já fez) de como o nosso cotidiano,como estudantes, pais de família, profissionais,etc. tem sido (e será mais ainda) afetado à medida que grupos ideológicos fanáticos e cheios de ambição e gana por ditar os rumos da vida do povo (e não apenas por assegurar direitos às minorias, embora digam isso), por decidir o que pode ser acreditado ou não, quais valores podem pautar ou não a vida das pessoas. Isso vai ser (e já tem sido) uma mordaça tão ditatorial em cima das pessoas, que ninguém mais vai poder partilhar suas opiniões em público, com medo de ser denunciado, cientistas e profissionais da pesquisa médico-psiquiátrica, não poderão ousar abrir frentes de pesquisa que apontem na direção oposta às ideologias desposadas (por exemplo: pesquisas sérias de terapia reparativa x terapias de afirmação gay) pelo governo. Tudo ficará paralisado, amordaçado, ninguém poderá pensar diferente do pensamento único imposto como verdade absoluta. Não poderá haver senso crítico, pensamento divergente, todos rezarão por uma cartilha única e quem não se enquadrar será punido. Um pai ou mãe, que discorde de algum conteúdo escolar, se for protestar contra esse crime à objeção de consciência, correrá o risco de ser processado, numa inversão irracional das coisas. Será a ditadura total da ideologia, sobre a liberdade de pensamento e expressão. Por isso é grave dever nosso como cidadãos I(laicos, agnósticos, ateus, cristãos) nos opor à essa tendência autoritária e agressiva à cidadania, à democracia e aos Direitos Humanos mais elementares.
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0 # Christiane 24-03-2014 09:53
Caramba... dá engulhos só de ler. Fico imaginando o povo católico que vivia nessa época, o quanto sofreu com a vergonha de ter um papa e um alto clero tão infernal. Mas o Espírito Santo não abandona a Igreja e ela continua seguindo militante, até que o Senhor venha!
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0 # João 24-03-2014 09:31
Sou católico, e outro dia conversando sobre essas questões com um amigo protestante ele me fez um questionamento que eu, infelizmente, não soube responder. Se o Papa é escolhido pelos cardeais, através da inspiração de divina, e se Deus iria garantir bons pastores para a sua Igreja, como isso pode acontecer. Agradecido, aguardo resposta.
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0 # A Catequista 24-03-2014 11:05
João, A promessa de Cristo, feita diante dos Apóstolos, não foi a de que garantiria bons pastores para a Sua Igreja. Alias, no Evangelho, Ele cita ate mesmo os maus pastores, que perdem ovelhas. O que Cristo prometeu foi que as portas do inferno jamais prevaleceriam sobre a Sua Igreja, e também disse aos Apóstolos: quem vos escuta, a mim escuta, quem vos rejeita a Mim rejeita. E confiou a Pedro a condução das ovelhas. Ora, tal condução só poderia ser infalível, pois pertence ao próprio Deus. Então, mesmo quando o Papa foi um sujeito terrível, seus ensinamentos sobre fé e moral foram sempre perfeitos. Explicamos isso no primeiro post desta serie sobre Alexandre VI: http://ocatequista.com.br/archives/11997
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0 # Sidnei 24-03-2014 09:13
Eu me pergunto, será que esta gente está no céu? Lendo Lucas 12, 36-46 acredito que não.
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