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Sexta, 29 Novembro 2013 02:35

A Igreja ensina a diferença entre capitalismo e capetalismo

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Muitos de vocês devem ter ouvido falar que o Papa Francisco publicou há poucos dias a sua primeira exortação apostólica, que está dando o que falar. A Evangelii Gaudium defende a reforma das estruturas católicas, de forma que se tornem “mais missionárias”, e que a igreja seja “mais comunicativa e aberta”.

Amanhã, na Liga dos Blogueiros Católicos, falaremos de todos os temas abordados nesse documento (acompanhe-nos em nosso canal do Youtube, ao vivo); hoje, nos deteremos em somente um: os abusos do capitalismo.

consumismo

O Papa Francisco levanta a voz contra “uma economia da exclusão e da desigualdade social”, uma economia que mata. Ele cita o grave pecado da usura, pelo qual as nações mais ricas exploram as mais pobres por meio da imposição de juros abusivos, e alerta a cada um de nós sobre a escravidão e a loucura do consumismo. Também nos exorta a não sermos indiferentes ao sofrimento dos pobres.

“A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma.” (EG, 54)

“Quer dizer então que a Igreja condena o capitalismo?”. Não, amigos. Ela sempre denunciou, isso sim, os abusos desse sistema, gerados especialmente pela “autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira” (EG, 56).

friboi_carneBastou o Papitcho dizer essas coisas lindas, que já veio um bando de estrupício espalhar na web que ele é simpático ao comunismo. O problema é que o povo aprendeu com a Tia Cocota a sempre raciocinar em termos de capitalismo X socialismo. Aí, quando ouve alguém criticando os desvios do capitalismo, logo pensa que o sujeito é de esquerda e está apontando o socialismo como alternativa. Não viajem!

Gente, vão ler ao menos a encíclica Rerum Novarum e o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, antes sair por aí opinando na base da fanfarronice. Francisco trouxe à tona e deu novo frescor a vários pontos desses documentos, com os quais a sua exortação apostólica está em perfeito acordo.

Na Evangelii Gaudium, o Papa Francisco recomenda vivamente a leitura do Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Pra quem não sabe, esse expõe de modo sintético, mas completo, o ensinamento social da Igreja. Explica questões como a opção preferencial da Igreja pelos pobres e o chamado para transformar a realidade social com a força do Evangelho.

Sobre o CAPITALISMO, nós católicos devemos saber, basicamente, que:

  • a Igreja considera o capitalismo algo positivo, “Se por ‘capitalismo’ se indica um sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da conseqüente responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana no sector da economia” (CDSI, §347);
  • a Igreja é a favor do livre mercado, e entende que este deve promover “Um verdadeiro mercado concorrencial”, que modere “os excessos de lucros das empresas singulares” e permita que os consumidores confrontem e adquiram os produtos “em um contexto de saudável concorrência” (CDSI, §335);
  • a Igreja considera o capitalismo algo negativo, “se por ‘capitalismo’ se entende um sistema onde a liberdade no setor da economia não está enquadrada num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão desta liberdade, cujo centro seja ético e religioso” (CDSI, §335);
  • ainda que seja a favor do livre mercado, a Igreja adverte que este “não pode encontrar em si mesmo o princípio da própria legitimação”. Afinal, se o livre mercado perde de vista a utilidade social, visando unicamente o benefício individual do operador econômico, então pode se “degenerar em uma instituição desumana e alienante, com repercussões incontroláveis” (CDSI, §348).
Então, notem que a Igreja não tem problema algum com o capitalismo, desde que, dentro deste sistema, procure-se garantir a dignidade e a liberdade de todos os cidadãos, seja no acesso à informação quanto aos bens básicos.

A Doutrina Social da Igreja, de forma alguma, diz que não pode haver pessoas mais ricas do que as outras; afinal, há diversidade de talentos e de iniciativas pessoais. A Igreja condena, sim, os grandes extremos de desigualdade, as situações em que muitos não têm o básico para viver bem, e poucos têm bens em excesso.

Quanto ao socialismo, este foi duramente condenado por dez papas, sendo oficialmente rejeitado pela Igreja como solução para a pobreza. E, bem diferente do que muitos imaginam, o socialismo NÃO é um elemento oposto ao capitalismo. Conforme o amigo Paulo Ricardo Costa explica, essa oposição é impossível, pois tratam-se de elementos com finalidades diversas. Tão diversas quanto as finalidades de um peixe e de uma torradeira.

britney

Achou estranho a gente dizer que capitalismo e socialismo não são opostos? Pois é isso mesmo. “O capitalismo é um sistema econômico, uma forma de produção de riquezas. O socialismo, por outro lado, é uma filosofia que nasceu do cientificismo, grande praga que assolou e assola a humanidade desde o iluminismo mas que tornou-se muito poderosa no século XIX. É uma filosofia e, a partir dela, formou-se toda uma cultura” (Paulo Ricardo).

Tanto isso é verdade que a China, dominada por um governo comunista, conquistou grandes resultados por meio do sistema capitalista. E também na Suécia, país que possui uma das economias mais competitivas do mundo, a sociedade é dominada por um governo social democrata, e já absorveu quase que completamente os ideais ateus e anticristãos do socialismo (pra entender melhor, estudem sobre Gramsci e a  Revolução Cultural, aquela terrível, mas que não se faz com armas).

Por fim, fica um alerta pros ingênuos que acham que o socialismo traz em si qualquer coisa que se assemelhe aos valores do Evangelho... Escolasca, Papa Leão XIII!

leao_XIII_socialistas

1148 Segunda, 01 Agosto 2016 14:28

Comentários   

0 # Carlos Costa 24-09-2016 19:33
62 pessoas sozinhas possuem a riqueza de metade da população mundial. Isso clama aos céus. Nenhum cristão católico pode ser conivente com isso.c
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0 # Carlos Costa 24-09-2016 19:31
"Nesta semana, a organização não governamental britânica Oxfam, que atua na busca de soluções para a redução da pobreza e da desigualdade, divulgou os resultados de um estudo no qual afirma que o 1% mais rico do mundo já detém tanta riqueza quanto o resto dos habitantes do planeta." http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/quem-sao-as-62-pessoas-cuja-riqueza-equivale-a-de-metade-do-mundo.html Um sistema econômico que permite que apenas 62 pessoas possuam a mesma riqueza equivalente à metade da população mundial não pode ser apoiado por cristãos comprometidos com a história da igreja católica e sua doutrina social. O fato da igreja condenar o socialismo não significa apoio e conivência com o liberalismo. Como diz o Papa Francisco, o dinheiro é o esterco do diabo.
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0 # Viviane 18-09-2014 14:27
Estou acompanhando esse blog a pouco tempo e sendo catequisada e muito bem....mas confesso que lendo os comentários, fico muito confusa.....rsrsrs....são palavras muito dificeis para os menos instruidos...
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0 # A Catequista 18-09-2014 14:43
Oi, Viviane! Obrigada pelo chamado de atenção. Nosso objetivo, afinal, é divulgar a doutrina da Igreja - e a sua história - da maneira mais simples e didática possível. Certamente, alguns desses comentários virarão posts, mas ficaremos atentos para colocar tudo em um texto mais claro e acessível.
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0 # jaspion 08-09-2014 12:18
o primeiro fato que as pessoas precisam entender é que AS PESSOAS SÃO O MERCADO! por exemplo, imagine que eu estou interessado em abrir um negócio, mas não sei exatamente o que ainda. Então, a primeira coisa a fazer é observar qual BEM (produto ou serviço) eu posso oferecer ás pessoas que elas tem interesse. Eu olho ao meu redor e vejo muitas pessoas passeando com cachorros. Me ocorre que eu poderia abrir um petshop. Se minhas previsões estiverem certas, a minha loja pode ter chances de prosperar neste ramo. Tudo vai depender do INTERESSE DAS PESSOAS EM QUERER OS BENS QUE EU TENHO A OFERECER NA MINHA LOJA. Deu pra entender que as pessoas são o mercado? quando um economista diz: "as lojas de pet vão mal por causa do mercado", ele está sendo vago e causando confusão. O correto deveria ser ele dizer: "as lojas de pet vão mal porque as pessoas perderam o interesse por bens associados a este ramo". É por não perceber essa concepção que pessoas um tanto desinformadas são alvo de críticas por parte de economistas liberais.
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0 # jaspion 08-09-2014 11:59
O que é capitalismo?" "O Capitalismo ou a economia de livre mercado é um sistema econômico no qual os indivíduos realizam trocas voluntárias entre si no intuito de satisfazerem seus desejos ou necessidades, alcançando assim o bem-estar." http://liberalismoeconomicoja.blogspot.com.br/2014/02/o-que-e-o-capitalismo-e-porque-ele-nao_25.html . http://liberalismoeconomicoja.blogspot.com.br/2014/01/o-que-e-o-livre-mercado.html . "Mentiras que contam sobre o capitalismo" http://liberalismoeconomicoja.blogspot.com.br/2014/02/mentiras-que-contam-sobre-o-capitalismo.html . "explicando rapidamente o fracasso do distributismo" http://liberalismoeconomicoja.blogspot.com.br/2013/11/como-ensinar-ao-seu-filho-o-fracasso-da_25.html . "videos sobre o capitalismo" http://liberalismoeconomicoja.blogspot.com.br/2013/11/videos-sobre-o-capitalismo.html
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0 # Carlos Roberto Pereira 11-02-2014 09:57
Só achei incorreta a informação que a Suécia é dominada por um governo social democrata. A Suécia é um regime monárquico.
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0 # Maria Juliana 05-12-2013 22:50
Muito bom! Estava mesmo querendo saber mais sobre isso. Mais uma vez: obrigada!
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0 # Rodrigo 01-12-2013 01:11
Dica: o blog poderia aproveitar e falar sobre o distributismo
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0 # Amanda 30-11-2013 20:49
Bem, li aqui os comentários anteriores (e como esse assunto rendeu!) e pensei em registrar meu ponto de vista. A Igreja é "a favor do capitalismo" dessa forma que é colocado aí, mas essa forma é muito projetada, teórica, praticamente nao se aplica na realidade, logo eu acho que a Igreja não apoia "esse" capitalismo real de hoje, ele não é tão bonzinho como se diz no texto.
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0 # Bruno Miranda 04-12-2013 18:50
“esse” capitalismo real de hoje, ele não é tão bonzinho como se diz no texto". Não notei isso no texto. Para evitar falhas na interpretação de algum texto é importante ler um texto mais de uma vez rsrsrsrs...
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0 # Francisco 30-11-2013 00:58
CAPETAlismo......kkk, essa foi boa.
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0 # Nilvânia 29-11-2013 22:57
Não imaginei que meu comentário daria tanto pano pra manga ... hahahahah... e como é bom saber disso. Irei responder comentário por comentário, na medida do possível porque tem comentários bem grandes o que faz necessário sistematizar um pouco as coisas. Abraços.
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0 # Paulo Ricardo Costa 29-11-2013 22:27
Amanhã na liga a gente responde essa.
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0 # João 29-11-2013 21:18
Pessoal do Blog @OCatequista E o que falar do artigo escrito pelo blog "Meu professor de História mentiu pra mim" dizendo que o Papa é uma verdadeira decepção quando afirmou que: "Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe, de forma unilateral e implacável, as suas leis e as suas regras." O blog conclui que o Papa se aventurou por um assunto que ele não conhece (economia), afirmando que os dois maiores males do mundo são o liberalismo (o qual ele chama de "ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados") e a especulação financeira. O que dizer sobre isso? Segue o artigo completo: http://meuprofessordehistoriamentiupramim.blogspot.com.br/2013/11/bergoglio-uma-decepcao.html
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0 # jaspion 08-09-2014 12:16
o primeiro fato que as pessoas precisam entender é que AS PESSOAS SÃO O MERCADO! por exemplo, imagine que eu estou interessado em abrir um negócio, mas não sei exatamente o que ainda. Então, a primeira coisa a fazer é observar qual BEM (produto ou serviço) eu posso oferecer ás pessoas que elas tem interesse. Eu olho ao meu redor e vejo muitas pessoas passeando com cachorros. Me ocorre que eu poderia abrir um petshop. Se minhas previsões estiverem certas, a minha loja pode ter chances de prosperar neste ramo. Tudo vai depender do INTERESSE DAS PESSOAS EM QUERER OS BEMS QUE EU TENHO A OFERECER NA MINHA LOJA. Deu pra entender que as pessoas são o mercado? quando um economista diz: "as lojas de pet vão mal por causa do mercado", ele está sendo vago e causando confusão. O correto deveria ser ele dizer: "as lojas de pet vão mal porque as pessoas perderam o interesse por bens associados a este ramo". É por não perceber essa concepção que pessoas um tanto desinformadas são alvo de críticas por parte de economistas liberais. "os lucros de uns crescem exponencialmente" só quem consegue lucros são as pessoas que atuam de forma responsável e correta no mercado. No caso do petshop, o dono da loja poderia ter lucros exponenciais e isso não tem relação nenhuma com a "autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira", mas sim com a ótima atuação do dono da loja mediante atender os interesses dos seus clientes. quando o Estado passa a controlar os setores da economia, isso não é mais capitalismo, mas sim socialismo.
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0 # Filipe 29-11-2013 20:12
Erro de citação: “A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma.” (EG, 54). “autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira” (EG, 56).
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0 # A Catequista 29-11-2013 20:57
Tem razão! Vou ajustar agora, obrigada!
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0 # carlos 29-11-2013 14:46
Perfeito post meus irmãos! A Doutrina Social da Igreja,tão ridicularizada por Leonardo Bode, Frei Beeé e outros pseudointelectuais da mesma laia, sempre desceu o porrete igualmente no comunismo e também no capitalismo quando o mesmo saindo da esfera técnica que faz dele um mero modo de organizar a economia, extrapola essa esfera e se transforma em ideologia justificadora da injustiça, da covardia e exploração do mais fraco e da crueldade desumana que poe a ambição antes da solidariedade humana. Nada disso precisa necessariamente fazer parte do capitalismo, como modo de organizar a economia livre ele não implica necessariamente em explorar, defraudar o justo salário. Ele será o que eu fizer dele. Eu posso ser dono privado de uma empresa (uma das características próprias da economia capitalista) e tratar meus funcionários como quase escravos, impedindo que tenham vida familiar, lazer, e até lhes roubar o tempo do louvor de Deus, fazendo-os trabalhar além do normal para que eu tenha lucro rápido, fácil e gigantesco às custas, muitas vezes, da saúde deles, do progresso deles na vida escolar, etc. E de fato historicamente, muitos capitalistas fizeram tais atrocidades e até muito mais. Mas nada disso é, tecnicamente falando, característica obrigatória do sistema capitalista, isso é sacanagem humana de quem ambiciona mundos e fundos mesmo que ao preço de arrebentar com a vida do outro. Pois de fato, historicamente falando, também houveram grandes empresários que foram verdadeiros lideres sociais, capitalistas, (como o Sr.Olivetti, por exemplo, um leigo italiano campeão da Doutrina Social da Igreja) que sempre foram super empenhados com o bem estar dos funcionários, fazendo da empresa um ambiente humano, acolhedor, onde cada um pudesse crescer como pessoa, ter um ganho que permitisse cuidar bem da saúde e da educação, e até participar de algum modo no lucro e na gestão empresarial. É óbvio que propostas assim irritam quem faz do capitalismo um meio de subir a qualquer custo, pisando no pescoço do pobre, e nesses casos com certeza podemos falar de uma pobreza produzida pela ação humana. Mas não foi o sistema capitalista, por suas características técnicas, administrativas, que necessariamente produziu tal desgraça e sim o uso que as pessoas fizeram dele. Nesse sentido até Olavo de Carvalho, denuncia com lucidez, os grandes monopólios e suas atitudes gananciosas que dominam uma área rentável ("aqui é meu e ninguém entra!") e usam dos meios os mais escusos, para garantir seu perpétuo monopólio. Então a igreja veio e disse: "propriedade privada sim...as para todos! Iniciativa empresarial privada sim...mas como possibilidade aberta a todos que possam e tenham talento e liderança e não como domínio acessível a pouquíssimos monopolistas. E apesar de criticada como retórica,pouco prática e viável, o fato histórico concreto é que a Doutrina Social da Igreja, mudou sim e muito, vários aspectos da face desumana e covarde da realidade trabalhista e social que muitos capitalistas (e não o capitalismo!) criaram no final do século 19 e início do 20. Numerosas leis e constituições em todo mundo, incorporaram de modo prático e direto, contribuições do ensino social dos papas. Se hoje temos Décimo Terceiro, Férias remuneradas, jornada diária menos massacrante e etc., isso também se deve em boa parte, ao grito profético dos papas desde Leão XIII que pôs em movimento uma legião de cristãos empenhados em mudanças estruturais/estruturantes (sem matar ninguém!) junto com outras pessoas de boa vontade e as coisas foram mudando, sem necessariamente por em cheque o sistema como tal. Quando o papa Francisco, diz na exortação, que nesse sistema há algo errado na raiz, creio totalmente (até pelo endosso que ele faz do compêndio da DSI) que ele não se refere ao sistema capitalista como modo técnico de operar a economia (liberdade de mercado, iniciativa privada, etc) mas ao evidente descaso atual (presente em boa tarde das tendencias dominantes do mundo capitalista contemporâneo) para com os mais pobres da terra e à sua cínica justificação ideológica (o capitalismo extrapolado da sua esfera técnica para se tornar ideologia). A minha lojinha será o que eu fizer dela, a minha empresa será o que eu fizer dela: um lugar de crescimento das pessoas ou um lugar de sugar o sangue delas, para ter lucro rápido e fácil. O problema do socialismo é dizer: abaixo a lojinha! Abaixo a empresa! Gestão coletiva na empresa já (que de coletiva nada tem, pois burocratas do estado é que a dominam infantilizando todos os funcionários) mesmo que seja para afunda-la! Agora nos países ex-comunistas há um problema enorme: cidadãos incapazes de iniciativa e liderança, foram tão domesticados por um paternalismo tirano que não sabem mais cuidar de si. E hoje mais que nunca, como em tantas outras questões (dignidade da família, do matrimônio, da vida humana desde o útero)os governos, as lideranças e as sociedades não querem ouvir a voz materna e experiente da igreja nas questões sociais, dentro dessa cultura laicista. A igreja não é especialista em economia, mas ela diz: "qualquer que seja o argumento técnico, não defraudem o pobre, não façam injustiça a ele, pois isso clama aos céus! Priorizem a dignidade da pessoa humana, sobretudo da mais vulnerável economicamente. E aponta o que, eticamente falando, compõe essa vida digna, para que quaisquer que sejam os caminhos técnicos escolhidos, isso seja levado em conta como imperativo". Mas numa época tão laicista em que se quer tapar a boca da igreja em questões de moral pessoal (que também tem implicação social) como o casamento homossexual e cia, não é de se estranhar que também queiram calar a sua boca nas questões das implicações ético-morais da vida econômica e politica. Como também não faltarão os oportunistas à "esquerda" querendo sequestrar a fala papal: "tá vendo ele é socialista, gente!" Mas a fala do santo padre é profecia e apelo à conversão de ambos os lados: daqueles que querem canalizar as benesses do capitalismo só para o seu quintal, e daqueles que aproveitando-se dessa desonestidade querem achar brechas para implantar uma desonestidade ainda maior e mais cruel, travestida de justiça, como se a história já não tivesse desmascarado tal disfarce...Hoje como ontem, é preciso que as leis, as estruturas se abram ao influxo ético da Doutrina Social da Igreja. Ela já mostrou no passado, que tem potencial de corrigir injustiças, e pode mostrar de novo, se for mais acolhida. Mas quem escuta a igreja hoje em dia, nesse tempo em que querem expulsa-la na marra da esfera pública?
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0 # Nilvânia 29-11-2013 13:40
Só eu que achei contraditório? Pois, sabe-se que o capitalismo desde os seus primórdios é fundamentado na busca do lucro a qualquer custo. Acho que a Igreja deveria rever este conceito de quem alguns pontos ele é benéfico, já que a natureza do capitalismo é ser algo autodestrutivo, ou seja, para o mesmo se manter cria as suas próprias crises. Pois ser contra todas as mazelas do capitalismo é ser contra ele, já que é da sua essência as mazelas que produz, sem essas contradições enooormes não é capitalismo. Não estou dizendo que a Igreja é socialista ou comunista, até porque acho que estamos longe disso (e também creio que isso não irá acontecer).
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0 # Paulo Ricardo Costa 29-11-2013 15:19
Não, isso que você chama de capitalismo não o é de fato, é uma simplificação marxista que teu professor enfiou-lhe no cérebro. É a cultura da inveja da competência alheia. Não é o capitalismo que se destrói, é seu filho bastardo, o metacapitalismo que quer destruí-lo a todo custo. Você está se comunicando através de clichês. Eu não recomendo como muitos fazem pejorativamente, que você leia mais, é sabido quer ler mais não é a questão, mas sim ler as coisas certas e saber como ler, descartando o mau e retendo o bom. Seu texto deixa claro que você está sofrendo de problemas cognitivos bem comuns em adolescentes doutrinados em escolas brasileiras. E isso é muito sério.
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0 # Nilvânia 30-11-2013 00:02
Olá Paulo, primeiro não sou marxista, não me considero como tal e nem o próprio Marx se considerava. Existem sim, vários docentes que propagam muito a ideologia da crítica marxista, principalmente a questão do seu método para tentar desvendar a realidade social. Sinceramente não sou a favor de mostrar somente um lado da moeda, gosto de ler outros pontos de vista, e continuarei lendo, até porque as realidade muda e se transforma rapidamente. E por fim, não sou adolescente, confesso que ri com essa parte ...rsrs. Concordo quando você que a questão de seguir somente uma doutrina é problema muito sério, muitas vezes pecamos em aceitar somente o que está de acordo com nossos preceitos.
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0 # Harun Salman 29-11-2013 15:54
É verdade, Paulo Ricardo! Eu esqueço, frequentemente, que, na internet, eu posso estar falando com adolescentes brasileiros, de formação e ambiente muito diferentes daqueles aos quais eu estou acostumado. Espero que Nilvânia seja beneficiada pelo contato com o site. A situação desses jovens é algo que muito me preocupa. Obrigado pela observação.
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0 # carlos 29-11-2013 15:11
Querida irmã, as mazelas dos CAPITALISTAS, não são parte tecnicamente obrigatória do CAPITALISMO. Ele é meramente um modo técnico de gerir e organizar a economia. Agora eu CAPITALISTA posso querer canalizar seus frutos só para o meu quintal e posso também querer que as vantagens técnicas do capitalismo sirvam ao maior número possível de pessoas e isso não é SOCIALISMO. Isso é honestidade, ética, busca do BEM COMUM. O problema é que o próprio socialismo por insidiosa dominação cultural nos tornou imbecis a ponto de sufocar os mil caminhos da criatividade humana, achando que só existem dois caminhos: CAPITALISMO OU SOCIALISMO, com se ambos fossem dois modos opostos de organizar a economia. Tanto não é verdade que os países comunistas todos colocaram em prática um rígido e sofisticado capitalismo de estado, monopolista e sufocador da criatividade do cidadão. Veja a antiga URRS! Veja a China agora! Ambas hipercapitalistas, mas assim como alguns grandes monopolistas no mundo capitalista ocidental, usando ideologicamente (por perversão ideológica e sede de dominar!) de algo técnico (o capitalismo) para fins outros: no caso do oriente comunista/capitalista, para imbecilizar as pessoas e torna-las objetos nas mãos do estado controlador (Em Cuba, delatores dos seus vizinhos são recompensados com banana!!!!) e no caso dos grandes exploradores e e monopolistas do capitalismo ocidental para canalizar as benesses do sistema só para eles.
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0 # carlos 29-11-2013 15:07
Querida irmã, as mazelas dos CAPITALISTAS, não são parte tecnicamente obrigatória do CAPITALISMO. Ele é meramente um modo técnico de gerir e organizar a economia. Agora eu CAPITALISTA posso querer canalizar seus frutos só para o meu quintal e posso também querer que as vantagens técnicas do capitalismo sirvam ao maior número possível de pessoas e isso não é SOCIALISMO. Isso é honestidade, ética, busca do BEM COMUM. O problema é que o próprio socialismo por insidiosa dominação cultural nos tornou imbecis a ponto de sufocar os mil caminhos da criatividade humana, achando que só existem dois caminhos: CAPITALISMO OU SOCIALISMO, com se ambos fossem dois modos opostos de organizar a economia. Tanto não é verdade que os países comunistas todos colocaram em prática um rígido e sofisticado capitalismo de estado, monopolista e sufocador da criatividade do cidadão. Veja a antiga URRS! Veja a China agora! Ambas hipercapitalistas, mas assim como alguns grandes monopolistas no mundo capitalista ocidental, usando ideologicamente (por perversão ideológica e sede de dominar!) de algo técnico (o capitalismo) para fins outros: no caso do oriente comunista/capitalista, para imbecilizar as pessoas e torna-las objetos nas mãos do estado controlador (Em Cuba, delatores dos seus vizinhos são recompensados com banana!!!!) e no caso dos grandes exploradores e e monopolistas do capitalismo ocidental para canalizar as benesses do sistema só para eles. A Doutrina Social da Igreja,tão ridicularizada por Leonardo Bode, Frei Beeé e outros pseudointelectuais da mesma laia, sempre desceu o porrete igualmente no comunismo e também no capitalismo quando o mesmo saindo da esfera técnica que faz dele um mero modo de organizar a economia, extrapola essa esfera e se transforma em ideologia justificadora da injustiça, da covardia e exploração do mais fraco e da crueldade desumana que poe a ambição antes da solidariedade humana. Nada disso precisa necessariamente fazer parte do capitalismo, como modo de organizar a economia livre ele não implica necessariamente em explorar, defraudar o justo salário. Ele será o que eu fizer dele. Eu posso ser dono privado de uma empresa (uma das características próprias da economia capitalista) e tratar meus funcionários como quase escravos, impedindo que tenham vida familiar, lazer, e até lhes roubar o tempo do louvor de Deus, fazendo-os trabalhar além do normal para que eu tenha lucro rápido, fácil e gigantesco às custas, muitas vezes, da saúde deles, do progresso deles na vida escolar, etc. E de fato historicamente, muitos capitalistas fizeram tais atrocidades e até muito mais. Mas nada disso é, tecnicamente falando, característica obrigatória do sistema capitalista, isso é sacanagem humana de quem ambiciona mundos e fundos mesmo que ao preço de arrebentar com a vida do outro. Pois de fato, historicamente falando, também houveram grandes empresários que foram verdadeiros lideres sociais, capitalistas, (como o Sr.Olivetti, por exemplo, um leigo italiano campeão da Doutrina Social da Igreja) que sempre foram super empenhados com o bem estar dos funcionários, fazendo da empresa um ambiente humano, acolhedor, onde cada um pudesse crescer como pessoa, ter um ganho que permitisse cuidar bem da saúde e da educação, e até participar de algum modo no lucro e na gestão empresarial. É óbvio que propostas assim irritam quem faz do capitalismo um meio de subir a qualquer custo, pisando no pescoço do pobre, e nesses casos com certeza podemos falar de uma pobreza produzida pela ação humana. Mas não foi o sistema capitalista, por suas características técnicas, administrativas, que necessariamente produziu tal desgraça e sim o uso que as pessoas fizeram dele. Nesse sentido até Olavo de Carvalho, denuncia com lucidez, os grandes monopólios e suas atitudes gananciosas que dominam uma área rentável (“aqui é meu e ninguém entra!”) e usam dos meios os mais escusos, para garantir seu perpétuo monopólio. Então a igreja veio e disse: “propriedade privada sim…as para todos! Iniciativa empresarial privada sim…mas como possibilidade aberta a todos que possam e tenham talento e liderança e não como domínio acessível a pouquíssimos monopolistas. E apesar de criticada como retórica,pouco prática e viável, o fato histórico concreto é que a Doutrina Social da Igreja, mudou sim e muito, vários aspectos da face desumana e covarde da realidade trabalhista e social que muitos capitalistas (e não o capitalismo!) criaram no final do século 19 e início do 20. Numerosas leis e constituições em todo mundo, incorporaram de modo prático e direto, contribuições do ensino social dos papas. Se hoje temos Décimo Terceiro, Férias remuneradas, jornada diária menos massacrante e etc., isso também se deve em boa parte, ao grito profético dos papas desde Leão XIII que pôs em movimento uma legião de cristãos empenhados em mudanças estruturais/estruturantes (sem matar ninguém!) junto com outras pessoas de boa vontade e as coisas foram mudando, sem necessariamente por em cheque o sistema como tal. Quando o papa Francisco, diz na exortação, que nesse sistema há algo errado na raiz, creio totalmente (até pelo endosso que ele faz do compêndio da DSI) que ele não se refere ao sistema capitalista como modo técnico de operar a economia (liberdade de mercado, iniciativa privada, etc) mas ao evidente descaso atual (presente em boa tarde das tendencias dominantes do mundo capitalista contemporâneo) para com os mais pobres da terra e à sua cínica justificação ideológica (o capitalismo extrapolado da sua esfera técnica para se tornar ideologia). A minha lojinha será o que eu fizer dela, a minha empresa será o que eu fizer dela: um lugar de crescimento das pessoas ou um lugar de sugar o sangue delas, para ter lucro rápido e fácil. O problema do socialismo é dizer: abaixo a lojinha! Abaixo a empresa! Gestão coletiva na empresa já (que de coletiva nada tem, pois burocratas do estado é que a dominam infantilizando todos os funcionários) mesmo que seja para afunda-la! Agora nos países ex-comunistas há um problema enorme: cidadãos incapazes de iniciativa e liderança, foram tão domesticados por um paternalismo tirano que não sabem mais cuidar de si. E hoje mais que nunca, como em tantas outras questões (dignidade da família, do matrimônio, da vida humana desde o útero)os governos, as lideranças e as sociedades não querem ouvir a voz materna e experiente da igreja nas questões sociais, dentro dessa cultura laicista. A igreja não é especialista em economia, mas ela diz: “qualquer que seja o argumento técnico, não defraudem o pobre, não façam injustiça a ele, pois isso clama aos céus! Priorizem a dignidade da pessoa humana, sobretudo da mais vulnerável economicamente. E aponta o que, eticamente falando, compõe essa vida digna, para que quaisquer que sejam os caminhos técnicos escolhidos, isso seja levado em conta como imperativo”. Mas numa época tão laicista em que se quer tapar a boca da igreja em questões de moral pessoal (que também tem implicação social) como o casamento homossexual e cia, não é de se estranhar que também queiram calar a sua boca nas questões das implicações ético-morais da vida econômica e politica. Como também não faltarão os oportunistas à “esquerda” querendo sequestrar a fala papal: “tá vendo ele é socialista, gente!” Mas a fala do santo padre é profecia e apelo à conversão de ambos os lados: daqueles que querem canalizar as benesses do capitalismo só para o seu quintal, e daqueles que aproveitando-se dessa desonestidade querem achar brechas para implantar uma desonestidade ainda maior e mais cruel, travestida de justiça, como se a história já não tivesse desmascarado tal disfarce…Hoje como ontem, é preciso que as leis, as estruturas se abram ao influxo ético da Doutrina Social da Igreja. Ela já mostrou no passado, que tem potencial de corrigir injustiças, e pode mostrar de novo, se for mais acolhida. Mas quem escuta a igreja hoje em dia, nesse tempo em que querem expulsa-la na marra da esfera pública? - See more at: http://ocatequista.com.br/archives/11475/comment-page-1#comment-106536
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0 # Nilvânia 29-11-2013 23:52
Olá Carlos, devo confessar que tomei um susto com o tamanho do seu comentário ...rsrs... mas vamos lá! Primeiro ponto, em nenhum momento disse nada a respeito do socialismo e nem o defendi! Vejo que divergimos em alguns pontos, já que na minha singela opinião e o que pude ver até hoje é que quando a economia necessitou expandir e com ela a ideologia capitalista, todos foram afetados e continuam sendo. Lógico que a expansão dos mercados trouxe alguns benefícios para a sociedade, até porque não estaríamos neste debate senão fosse a inovação tecnológica. Só que não podemos e nem devemos fechar os olhos para questões bem pertinentes, como a que preço conseguimos alcançar e conquistar tudo isso? Em seu texto percebi(posso estar errada)que você separa o capitalista do capitalismo, há sim uma diferença entre os dois, mas não muita. O capitalista irá defender seus interesses a qualquer custo, porque ele está sujeito a algo que é maior que ele o capitalismo. Quando disse que ele é autodestrutivo e gera suas crises isso é fato, o sistema necessita de crises para começar um novo ciclo. Na forma como está o capitalismo os monopólios estão cada vez maiores, o que nos faz pensar e quando não tiver mais como expandir? As empresas menores estão perdendo a sua vez para grandes empresas, pois não tem como competir, já que as condições de capital são distintas, para conseguir se manter ou fecham suas portas ou se aliam as grandes empresas, por vezes vendendo seu pequeno capital, ou se aliando se tornando franquiados ou até mesmo representantes. O capitalismo também tem a sua influência ideológica, que interfere muito em nossas vidas, seja na esfera estatal, seja na esfera privada. Muitas vezes somos influenciados sem perceber, isso é bem visível nas novas gerações, os valores de hoje são bem distintos aos de umas décadas atrás. O nosso Estado brasileiro não foge das influências capitalistas, é bem visível que está presente no Estado formas de gerência administrativa, que em alguns pontos é bem benéfica, se de fato funcionassem (porque eficácia e eficiência estão longes de ser alcançadas pelas ações do Estado), o que quero dizer é que por mais que se tenha evoluído, ainda sim essas formas de gerência dão margem para a corrupção. No que tange a Igreja, eu pensava que a conhecia, hoje vejo que Igreja é algo muito maior que eu pensava. O que me incomodou a ponto de escrever meu primeiro comentário, foi perceber que a Igreja se mostrou contraditória, a impressão que deu é que ela ficou em cima do muro. Eu particularmente prefiro não aprofundar neste ponto, já que meu conhecimento acerca da Igreja é pequeno - e ao contrário do que muita gente pensa, não me importo em dizer isso - prefiro estudar mais para debater sobre a questão Igreja e economia. O que me vem na cabeça é a pergunta. "O que Jesus diria ou faria?" Abraços!
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0 # Harun Salman 29-11-2013 15:04
Nilvânia, por favor, releia o texto. Você parece não ter entendido o que é capitalismo. Suspenda, por um momento, suas opiniões, e releia o texto. E, claro, a Igreja não é, nem nunca será, nem socialista, nem comunista. Mas isso é tautológico para qualquer um que saiba o que é a Igreja. Você sabe, não é? Abraço!
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0 # Nilvânia 29-11-2013 23:14
Harun Salman, acho que você não me compreendeu, eu não me referi ao texto todo, me referi a parte onde a Igreja "apóia" o capitalismo em determinadas partes, foi por isso que eu achei contraditório. Abraços!
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0 # Jotacê 29-11-2013 15:02
Então, entre capitalismo e socialismo, qual é a opção mais aceitável, Nilvânia?
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0 # Nilvânia 29-11-2013 23:09
Eu fico com um novo sistema onde as pessoas possam ser olhadas com humanidade, isso alguns dizem que está no socialismo, outros dizem que está no capitalismo. Penso que pra esse "novo" sistema surgir a mudança deverá acontecer nas pessoas e depois nas demais áreas.
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0 # Daniel 29-11-2013 12:43
Fica aí minha sugestão pro blog: Ano de eleição chegando, várias lutas "esquerda x direita" sendo suscitadas em discussões. Abordar alguns temas da Doutrina Social da Igreja (que o povo estuda MUITO POUCO e muitos nem sequer ouviram falar...) seria muito bom para dar uma luz para a galera. Excelente post. Espero que o Papa Francisco incentive mais o conhecimento e a aplicação da DSI no seu pontificado.
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0 # Jecilene 29-11-2013 11:50
Muito bom, tô sendo catequizada, rsrs. Obrigada a todos que fazem esse blog!
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0 # Harun Salman 29-11-2013 10:47
Catequista, que bom que você citou o "Compêndio"! Ninguém lembra dele! Eu já fui até acusado de o estar inventando!
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0 # Juliano A.R.P 29-11-2013 09:59
Gostaria de fazer as minhas considerações à luz da Ciência Econômica!!Realmente o colega Paulo Ricardo descreveu algo muito concreto, o Capitalismo é um sistema econômico e o socialismo uma ideologia. Na verdade o socialismo surgiu também como forma de oposição aos ideias da chamada escola clássica que teve como principais percursores Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill, estes levantaram-se contra a ideologia mercantilista dominante na época cujas as bases eram o acumulo de metais e a intervenção total do estado à fim de garanti-lo. Os clássicos por sua vez tinham a visão de que o sistema econômico funcionava naturalmente, ou seja, cada um dos seus componentes fazendo a sua parte de maneira eficiente conduziria o sistema ao equilíbrio, portanto, não seria necessária a intervenção estatal, salvo como fomentador da concorrência. Foi nesse plano ideológico que a revolução industrial avançou, e com o advento desta surgem os ideais socialistas contrapondo-se principalmente ao princípio de que o sistema não tinha nada de natural dado que (segundo a visão marxista) seria uma forma de legitimar ideologicamente a exploração do trabalhador. A meu ver, a teoria marxista falhou ao deixar de reconhecer principalmente os frutos obtidos pela revolução industrial, principalmente o avanço da tecnologia que permitiu o aumento da oferta de bens, redução de custos (muitos produtos antes da revolução industrial tinham custo elevado por conta do transporte e da falha divisão social do trabalho) e preços de muitos bens, todo esse avanço não pode ser esquecido uma vez que os méritos se devem ao próprio sistema capitalista e o ideal clássico.
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0 # Christiane 29-11-2013 09:48
Sem mais delongas... excelente! vou compartilhar no meu face já!
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0 # Cadu Sindona 29-11-2013 09:00
Se esse povo estúpido fosse estudar as Encíclicas de Leão XIII, Pio XI, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, não ficariam tão estupefatos. Na "Quadragessimo Anno", Pio XI faz a mais severa crítica ao liberalismo, e parece que ninguém se lembra disso. Porém, algo me intriga... Talvez o Paulo Ricardo me ajude nessa. Lendo o livro do Prof. Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", me deparei com um artigo dele denominado "Capitalismo X Crustianismo", onde ele faz um severíssima crítica aos Papas e à DSI, acusando eles de terem sido cúmplices do genocídio comunista pela formulação da DSI. Eu sinceramente achei aquilo muito errado. Li o argumento que ele expôs baseado em Böhm-Bawerk e em Misses, mas achei fraquíssimo. A DSI não é uma doutrina econômica, é uma saída religiosa para a exclusão contínua que a sociedade faz de Deus. A Rerum Novarum de Leão XIII é provavelmente, o documento mais equilibrado e digno do trabalho humano que jamais houve.
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0 # Paulo Ricardo Costa 29-11-2013 13:36
Lamento ser a voz discordante, mas concordo com a argumentação do professor Olavo de Carvalho. Você está falando em sua colocação da Doutrina Social da Igreja como um todo. O artigo trata de uma questão muito específica dentro da Doutrina, específica, mas que acaba refletindo no todo, pois é a essa especificidade que se agarram TL´s e pejoteiros, por exemplo. Como um todo, você tem razão Cadu quando afirma: "A DSI não é uma doutrina econômica, é uma saída religiosa para a exclusão contínua que a sociedade faz de Deus. Mas a Doutrina Social da Igreja está, realmente, em postulados tomistas. Bom, sou um defensor - a la Todorov - da alteridade. Alteridade é se colocar no lugar do outro, pra quem não sabe. São Tomás, na minha humilde conclusão, foi o homem mais inteligente a caminhar sobre a terra, depois de Jesus Cristo, claro. No artigo que você citou o sistema econômico medieval é posto em evidência e a condenação papal do liberalismo - acolhido calorosamente pelos protestantes até os dias de hoje (vide Weber) - dentro daquele contexto era salutar. Mas o mundo mudou, o capitalismo gerou mais riqueza do que qualquer outro modo de produção de riquezas anteriormente pode fazer. Historicamente, enquanto os liberais floresciam, a França joia da Igreja desde muito tempo, caiu nas mãos dos dementes jacobinos que não tiveram o menor pudor de roubar, barbarizar e destruir tudo que estivesse na sua frente e lembrasse a Igreja que os salvou várias vezes. Até fundando uma maldita igreja da "deusa razão". E os malvados liberais? Estavam salvando franceses refugiados dessa monstruosidade. O mesmo ocorreu no século passado, quando os perversos americanos deram abrigos a mexicanos fugindo da famigerada "cristiada" Podemos continuar debatendo aqui, se você quiser, mas a princípio, minha posição é: O papa é infalível em matéria da moral e doutrina, mas não em termos de economia. Quer saber? Glória a Deus pai por isso!!!! Só pra constar, antes que alguém venha querendo me rotular. Não sou liberal! O liberalismo gerou um ´troço´ chamado metacapitalismo, esse sim, o monstro, o inimigo contra quem o papa fala em seu texto. Esse é a verdadeira resposta do diabo ao capitalismo.
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0 # Cadu Sindona 29-11-2013 19:21
Permita-me replicar caro Paulo. Devido a minha curiosidade e atividade acadêmica (sim, sic), acabei fazendo uma pesquisa dos efeitos que a Questão Social repercutiu na área do Direito e da economia, desde Leão XIII. Fiz questão de ler as magnas encíclicas Rerum Novarum, Quadragessimo Anno, Pacem in Terris, Populorum Progressio, Centessimus Annus e Caritas in Veritate, justamente porque não queria fazer uma atividade mal feita. Depois de ler a argumentação dos Papas, me tornei radical defensor da DSI e crítico tanto do liberalismo quanto do comunismo (sendo é claro este último, muito mais grave que o primeiro, ou como disse LXIII: "oferecendo remédios muito piores que a doença combatida"). Fiquei estupefato ao ler aquele artigo, pois Prof. Olavo desconsiderou totalmente o viés religioso-sagrado que é BASE da DSI. As leis trabalhistas (frutos diretos da Rerum Novarum), a relativização da propriedade e do mercado (frutos da Quadregessimo Anno e da Populorum Progressio), a sempre crescente necessidade de se dar ao trabalhador e ao patrão, as possibilidades para o cumprimento de seus deveres para com Deus, a necessidade de combater o comunismo e frear o acúmulo insano de dinheiro através da ética e do amor ao próximo, tudo isso é FRUTO da DSI. Naquele artigo, o viés puramente econômico desconsidera tudo isso. Mais: dizer serem os Papas cúmplices do comunismo é forçar a barra demais. A DSI não é puramente tomista (mesmo tendo sido idealizada no começo por tomistas), ela passa também por outros "homens de douto saber", como diz Pio XI. O desejo de concórdia entre as classes é tão extraordinário que me faz queimar o coração! Não achei justa a posição de Olavo, bem como seu argumento que desconsidera uma das bases da DSI. Por fim Paulo, o argumento que ele usa no final do artigo para a falibilidade em matéria econômica da Igreja, é totalmente furado, ao passo que como já dito a DSI não é um projeto econômico, ou uma teoria meramente opinativa dos Vigários de Cristo: ela entrou no conteúdo sagrado da fé. Ela está no nosso Catecismo com seus ensinamentos obrigatórios.
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0 # Paulo Ricardo Costa 29-11-2013 22:26
Amanhã na liga a gente responde essa.
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0 # Cadu Sindona 29-11-2013 19:30
CORREÇÃO: no 7º parágrafo, o certo é "bem como seu argumento..." ao invés de "bem correto..."
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0 # A Catequista 29-11-2013 11:25
"Na 'Quadragessimo Anno', Pio XI faz a mais severa crítica ao liberalismo, e parece que ninguém se lembra disso." Tem razão, Cadu. Não só ninguém lembra, como nunca leram esse documento, e saem por aí tagarelando...
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0 # Cadu Sindona 29-11-2013 13:30
Já teve a graça de lê-lo Vivi? É muito elucidativo. Pio XI fora duríssimo com o liberalismo naquele documento.
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0 # Juliano 29-11-2013 08:19
Pior foi ver a turma da Teologia da Libertação distorcer a Doutrina Social da Igreja, eu passei a minha adolescência achando que a nossa Igreja era comunista, e, do outro lado, eu não entendia porquê o Papa João Paulo II havia lutado tanto contra o comunismo soviético. É possível notar, hoje em dia, que se de um lado enfrentamos a turma da dupla Boff e Beto, do outro vemos as pessoas sendo enganadas pela "Teologia da Prosperidade", cuspida pelos pastores, que dizem serem os pobres pessoas amaldiçoadas, por exemplo. Resumindo, de um lado vemos pessoas querendo dividir ao máximo a pobreza, do outro, vemos outros que querem ter torneiras de ouro dentro de casa em detrimento a outras que sequer tem um punhado de arroz para se alimentar.
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