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Segunda, 18 Novembro 2013 02:00

Teólogo do camarote fala uma coisa pesada e perde "statis"

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A leitora Anna Luiza nos enviou a seguinte mensagem:

Queridos blogueiros, Primeiramente parabéns pelo blog! Leio quase todo dia (: Que Deus continue abençoando vocês!

Segundamente (:P): Certa vez ouvi um teólogo dizendo que Jesus não era filho de Deus. (Oi? Oo) Ele usou como argumento o modo como Cristo se denominava: "o filho do Homem" (pra esse teólogo devia ser: o filho do homem). Segundo esse cara: "a maioria dos teólogos acreditam que Jesus não era Deus".

Eu não quis discutir com ele, porque nunca entendi essa denominação.  Vocês poderiam escrever um post sobre isso?

Esse teólogo... que fuleira, hein? No máximo, merece ser chamado de pentelhólogo.

Sabemos que Jesus referiu-se a si mesmo, numerosas vezes, como "Filho do Homem". E pra que? Pra dizer que era filho biológico de São José? Ora, isso era algo que o povo já achava (não sabiam que Ele era, na verdade, Filho de Deus). Que sentido teria ficar repetindo isso, se não fosse pra indicar algo diferente do que todos pensavam?

Na verdade, ao dizer-se Filho do Homem, Jesus estava comunicando uma novidade: a sua natureza divina e humana, ou seja, Ele é Deus e homem. Afinal, em uma de suas visões, o profeta Daniel descreve Alguém como um filho de homem”, um ser divino e, ao mesmo tempo, humano.

“Em imagens nocturnas, tive esta visão: entre as nuvens do céu vinha Alguém como um filho de homem. Chegou até perto do Ancião e foi levado à sua presença.

Foi-Lhe dado poder, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é um poder eterno, que nunca Lhe será tirado. E o seu reino é tal que jamais será destruído.” (Dn 7,13-14)

 

Atributos divinos – veio do Céu; recebeu do Ancião (Deus Pai) poder eterno, glória e reino; todos os povos o servem (devemos servir, no sentido de adorar, só a Deus).

Atributos humanos – sendo de natureza divina, Ele tem forma e natureza humanas; é como “um filho de homem”.

Sacaram? Toda a vez que Jesus se dizia Filho do Homem, ele remetia os judeus a essa profecia de Daniel. Era como se dissesse: “Cês lembram do cara de quem Daniel falou? Esse cara sou eu!”.

Eu queria saber que malabarismos esse tal pentelhólogo citado pela Anna Luiza faria para sustentar a sua tese, caso alguém o confrontasse com as numerosas evidências bíblicas da divindade de Jesus. Sobre isso, já publicamos um post com roteiro para estudo bíblico:

Jesus: ou Deus ou nada (clique aqui).

Pra quem quer ter "statis" de teólogo de respeito, não basta encher a cara com a bebida que pisca e sair por aí dizendo asneiras. Abaixo segue a dica de leitura para quem quer deixar de ser pentelhólogo e virar teólogo de verdade...

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405 Sexta, 17 Fevereiro 2017 02:33

Comentários   

0 # kleuber 11-12-2013 10:59
Jesus é consubstancial ao pai, ou seja, ele é Deus como o Pai e o Espírito Santo. Dúvidas leiam sobre a as heresias cristológicas e a formação do credo niceno-constantinopolitano.
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0 # Rubens Dantas de Oliveira 27-11-2013 18:08
Por que em João 14:1 Jesus diz: “Exercei fé em Deus, exercei fé TAMBÉM em mim.” Se ele é na verdade o próprio Deus? Ao lermos Hebreus 9:24 Paulo escreveu sob inspiração que Jesus entrou no céu para comparecer “PERANTE a face de Deus” por nós. Como pode Jesus comparecer PERANTE Deus e ao mesmo tempo ser o Deus Todo Poderoso diante de quem comparece?
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0 # Bruno Queiroz 27-07-2015 18:00
A Santíssima Trindade ensina que embora Pai, Filho e Espírito compartilhem da mesma essência divina, são DISTINTOS hipostaticamente. Em termos de hipóstases, o Pai não é o Filho, nem o Filho é o Pai, embora essencialmente o Pai esteja todo no Filho e o Filho todo no Pai. É com base na distinção hipostática que Jesus, na economia da Trindade, pode dizer: “Exercei fé em Deus [PAI], exercei fé TAMBÉM em mim.” e assim pode interceder por nós “PERANTE a face de Deus [PAI]”
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0 # adriano 11-03-2014 20:19
Não bastaria que Cristo dissesse que é Deus; Ele tinha de anunciar também sua humanidade, para que a apresentação do mistério fosse completa. Uma face do mistério é a divindade de Cristo, a outra face é a sua humanidade. Isso quer dizer que se por um lado Cristo é o próprio Deus, por outro Ele (Cristo) se diferencia Dele (Deus-Pai). Assim também se dá com o Espírito Santo, que provém do Pai e do Filho, deles se diferenciando por um lado, mas se identificando por outro; de tudo isso decorre a noção de Trindade, de que Deus é Uno e Trino ao mesmo tempo. É bom notar também que quando falamos que Cristo se diferencia de Deus sob certo aspecto, não estamos falando de uma distinção substancial (como a distinção que se verifica entre Deus e o homem, ou entre um anjo e uma pedra), mas sim de uma distinção fina que alguns teólogos escolásticos chamavam de distinção formal; na verdade estamos falando de uma espécie de relação misteriosa de semelhança-dessemelhança que nós, com nossa imperfeita linguagem humana, denominamos distinção, mas que estamos longe de expressar com clareza. Expor tais coisas em linguagem discursiva é especialmente difícil; é mais fácil mostrá-las, tal como um fenômeno perceptivo que possa suscitar em nós a compreensão dessa relação de semelhança-dessemelhança, ainda que de forma pálida; por exemplo: podemos pensar naqueles quadrinhos que vendem na feira, onde olhando de um lado você vê uma imagem, mas virando o quadro de lado surge reflexamente outra imagem. Podemos pensar também naqueles desenhos que os psicólogos utilizam pra avaliar a capacidade perceptiva das pessoas, que olhando sob certa perspectiva se vê uma figura (por exemplo, um vaso), e olhando de outra se vê uma figura completamente distinta (por exemplo, um rosto feminino). Só falei tudo isso pra dar a entender que certas coisas são mais claras se mostradas do que se expostas discursivamente. E se podemos compreender palidamente tal mistério pelo recurso simples a certas imagens e comparações, quanto maior não será nossa compreensão quando o próprio Deus se dignar apresentá-lo a nós face a face.
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0 # Christiane 11-03-2014 17:36
Ele disse "Credes também em mim", porque ele também é Deus, junto com o Pai. Se ele diz "Eu e o Pai somos Um" (Jo 10,30), ainda há o que discutir? Quanto à segunda passagem... simples. Deus Filho se apresenta a Deus Pai, com o Espírito Santo, após cumprir a Missão que o Pai lhe confiou. É o Mistério da Santíssima Trindade: Três pessoas distintas em um só Deus. Só iremos compreender em sua totalidade quando estivermos com Deus, face a face.
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0 # Elvis Souza 20-11-2013 13:43
E só pra constar, diante de tudo que já dito, o Padre Paulo Ricardo em uma de suas aulas do Curso de Catecismo da Igreja Católica, precisamente, no artigo do Credo que diz "Creio em Jesus Cristo, Filho Único de Deus", ele esclarece que: "[...] a dificuldade da primeira geração cristã que não conheceu Jesus, não era acreditar que Jesus era Deus. A dificuldade deles era acreditar que Jesus era homem." Abs!
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0 # Claudinha 18-11-2013 15:48
Oi meu povo! Viviane, Alexandre, Paulo e todos, parabéns pelo excelente trabalho de vocês. Maravilhoso!
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0 # Cadu Sindona 18-11-2013 14:06
Essa tese estúpida é a mais estapafúrdia que já vi em toda a minha vida, pura DESONESTIDADE INTELECTUAL. Essa asneira esquece que Jesus fora chamado de Filho de Deus várias vezes. Como esquecer da profissão de fé de São Pedro no Evangelho de S. Mateus capítulo 16? Jesus disse que fora revelado pelo Pai a Pedro que Ele era o "FILHO DE DEUS VIVO". Esse cara é um cretino, canalha e sem noção.
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0 # Julio Cesar Chaves 18-11-2013 13:01
Um comentário filológico que pode ajudar na compreensão de um detalhe. No texto grego do Novo Testamento, a palavra grega que traduzimos por "homem" na expressão "Filho do Homem" é "antropos". A palavra em questão significa homem no sentido amplo, ou seja ser humano; sem definição de sexo. Homem no sentido masculino seria, em grego "aner".
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0 # Juliano A.R.P 18-11-2013 11:56
E pra variar, mais um teólogo espalhando asneiras por aí!!! Acho que pra superar ele só aquele Joseph Atwill que andou por aí defendendo uma tese maluca de que Jesus foi um mito criado pelos romanos para acalmar os conflitos na Palestina. É...o povo se supera, cada dia aparece um doido querendo dar uma de Dan Brown!!!
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0 # Carlos 18-11-2013 15:04
Acho que vivemos uma época única na história da igreja. Algumas pessoas comentam chocadas, acerca do grande número de teólogos desabilitados pela igreja nos dois últimos pontificados (cerca de 500!) e o fazem numa perspectiva equivocada de "Direitos Humanos", como se o prestígio pessoal e acadêmico do teólogo estivesse acima do direito do Povo de Deus a ter sua fé defendida pelos pastores. Eles costumam dizer: "Nunca houve tanta "perseguição" a teólogos como no tempo de J.Paulo II e Bento 16!" E eu me pergunto: Não lhes ocorre que a situação pode ser o oposto: "Nunca houve tanto ataque à fé do Povo de Deus como nos últimos anos. E por isso nossos papas tiveram que reagir, defendendo o rebanho de tantas e pesadas investidas. Quando um teólogo é chamado pela CDF, há mil protestos, dele e de seus colegas (gente vinculada à igreja e outros nem tanto), ele nega, diz que foi interpretado injustamente. Mas a gente vai ler o bendito livro censurado e a coisa está lá dita com todas as letras, totalmente contrária à fé que a igreja vem professando desde sempre. E eu fico pensando: que diabo de cinismo tão grande é esse! As coisas estão lá escritas com todas as letras: "Jesus não fundou a igreja" (sendo que nossa fé professa que fundou sim) "A igreja de Jesus não existe plenamente só no catolicismo" (sendo que a nossa fé professa que sim). Os caras negam a fé que temos professado desde sempre, e tais negativas não são apresentadas como hipóteses propostas ao debate (questões disputadas), mas já dogmatizando e pontificando como se eles fossem os donos da verdade, não raro com grande prepotência e esnobismo, sequer tem a humildade de dizer que são meras opiniões pessoais ou hipóteses de pesquisa. O "Leonardo Bode" foi convidado pela PUCRS a dialogar acerca de algumas posições defendidas por ele (já que ia palestrar por lá) e com toda a arrogância do mundo respondeu: "NÃO RETIRO UMA VÍRGULA!" E depois fica por aí, hipocritamente exigindo postura de diálogo e flexibilidade na igreja. Falso e fingido até a medula! O outro Frei"Bééé" fica berrando aos quatro ventos que cristianismo é o mesmo que socialismo e ainda tem o cinismo de dizer que não prega nada contra a doutrina cristã. Pô porque não assumem logo a dissidência e fundam uma seita de acordo com seus desejos? São uma cambada de gente fingida e cínica, remunerada para atacar a igreja. O Leonardo Bode diz que não é católico romano e agora fica cheio de mimimi bajulando o papa Francisco. É cretinice demais. Graças a Deus que essa gente é cada vez mais minoritária na igreja (embora manipulem pesquisas para colocar "católicos" de estatística e sem opinião formada, contra a moral cristã). Não digo isso por não gostar da ampla diversidade (na unidade!) que o Espírito Santo sempre suscitou e suscita na igreja de Deus, que jamais foi uniforme mas una. Digo isso, por causa do povo de Deus, simples e fiel, que se vê confundido e ludibriado (de modo tão desonesto e dúbio) por esta gente falsa, que posa de vítima, mas que são absurdamente autoritários em seus currais. Gritam por democracia, oportunisticamente, para que suas ideologias sejam favorecidas. Mas nos terrenos pastorais-eclesiais que dominam são de um autoritarismo e uma arrogância tremenda. Nunca me esqueço do teólogo (da libertação!Imagine se não fosse) Rubem Alves sendo banido de um Congresso Teológico por outro teólogo (da libertação), chamado Frei Betto, só porque "ele não era marxista", segundo as palavras do próprio! Ora gente, hipocrisia e incoerência no olho do outro é refresco!
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0 # Lucas Farias 18-11-2013 11:37
Esse pentelhólogo contrariou no mínimo dois dogmas da Santa Igreja: JESUS POSSUI DUAS NATUREZAS QUE NÃO SE TRANSFORMAM NEM SE CONFUNDEM e MARIA, MÃE DE DEUS. "É necessário para a eterna salvação crer fielmente na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, que é Deus e homem. É Deus engendrado na substância do Pai antes dos séculos..." (Dz. 40). "Se alguém afirmar que o Emanuel (Cristo) não é verdadeiramente Deus, e que portanto, a Santíssima Virgem não é Mãe de Deus, porque deu à luz segundo a carne ao Verbo de Deus feito carne, seja excomungado." (Dz. 113). E só para avisar no último parágrafo está escrito "repeito".
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0 # suisui vieira 18-11-2013 11:33
Esse que se diz teólogo está brigando de o ser, pois quer polemizar com assuntos que ele mesmo desconhece. Acho melhor que ele vá estudar mais!!! Está todo equivocado! Trazendo à tona uma questão que já foi resolvida pelos concilio ecumênicos devido a tal heresia.
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0 # Rafael Rosa 18-11-2013 11:26
Só pra agregrar mais valor ao post, vale lembrar que Jesus não É meio-homem + meio-Deus, mas sim interamente homem e inteiramente Deus!!!
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0 # Sara 18-11-2013 09:47
Vivi, o post foi muito esclarecedor... mas fiquei com uma coisinha na cabeça nesta parte: "apesar de ser de natureza divina, Ele tem forma humana;" fiquei com a seguinte dúvida: Ele também tem natureza humana, não é? Digo, não é APENAS a sua forma que é humana... como se Ele fosse Deus E homem, "sem mistura e sem separação", pois muitas vezes Ele demonstra claramente esse lado divino e em outras está totalmente submerso à vontade do Pai... estou pensando certo?
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0 # A Catequista 18-11-2013 10:48
Sim, Sara, Jesus é divino e humano ao mesmo tempo. Repare que dissemos no post: "ao dizer-se Filho do Homem, Jesus estava comunicando uma novidade: a sua natureza divina e humana". Sim, ele era homem e Deus. Quanto ao trecho que te deixou com dúvidas, alterei, pra ficar mais claro. Se me lembro bem, foram os monofisistas, no século V, que vieram com essa heresia de que Jesus só tinha a natureza divina.
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0 # Julio Cesar Chaves 18-11-2013 12:57
Para ficar mais precisa a afirmação, o correto seria mesmo dizer que Jesus é Deus e homem. Essa afirmação seria a mais correta do ponto de vista teológico e dogmático. Mesmo porque o adjetivo "divino" pode se referir a coisas relativas a Deus, mas que não são Deus. Pode-se dizer, por exemplo, que a criação é divina. Jesus não é somente divino, ele é Deus. Entende?
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0 # A Catequista 18-11-2013 13:07
Tem razão, Júlio, acrescentei que "Ele é Deus e homem" ao artigo, Obrigada!
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0 # Gêneto eugenio 19-11-2013 14:43
Essa carta escrita a tantos séculos atrás é o melhor que nós temos pra hoje, leiam!!! Da Carta a Flaviano, patriarca de Constantinopla; redigida em 449 por S. Leão, Papa, onde expôs a doutrina cristológica das duas naturezas em Cristo, numa única pessoa divina. Esta bela e importante Carta lida no Concílio de Calcedônia (451), contra a heresia monofisista de Êutiques e Dióscoro, os quais negavam que em Cristo houvesse as duas naturezas, humana e divina; mas apenas a divina. A Carta de Leão Magno foi aclamada pelos Padres concilares com essas palavras: “Pedro falou pela boca de Leão”. E a questão finda. “Leão, bispo, ao dileto irmão Flaviano, bispo de Constantinopla.... Cristo entregou´se totalmente pela redenção do homem que fora seduzido, a fim de vencer a morte e destroçar por sua própria virtude o diabo que possuia o império da morte. Não poderíamos vencer o pecado e o autor da morte a não ser que assumisse a nossa natureza e a fizesse sua, aquele a quem o pecado não pôde contaminar, nem a morte reter. Visto que foi concebido por virtude do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, esta o deu à luz conservando intacta a virgindade, como sem detrimento da virgindade o concebera. O Espírito Santo deu fecundidade à Virgem, no entanto, a constituição do corpo originou´se do corpo (virginal). Salvaguardadas pois, as propriedades de ambas as naturezas e substâncias, unidas numa só Pessoa, foi assumida a humildade pela majestade, pela força a fraqueza, pela eternidade a mortalidade. Para obter o débito de nossa condição, a natureza inviolável uniu´se à passível. Assim, como remédio conveniente à nossa cura, um só e mesmo mediador entre Deus e o homem, o homem Cristo Jesus, de um lado podia morrer, e doutro lado, não o podia. Nasceu o verdadeiro Deus com a íntegra e perfeita natureza de um verdadeiro homem, todo o que é seu, todo inteiro no que é nosso. Por “nosso” entendemos aquilo que o Criador fez em nós no início e que assumiu para ser reparado. Não havia no Salvador vestígio algum daquilo que que o sedudor infligiu e que o homem enganado admitiu. Tenha participado, embora, da fraqueza humana, não foi partícipe dos nossos defeitos. No princípio assumiu a condição de servo, mas não a mancha do pecado; exaltou o humano, sem subtrair coisa alguma do divino. O aniquilamento qual o invisível se fez visível e o Criador e Senhor de todas as coisas quis ser um dos mortais, era compassiva, condescendência não deficiência de poder. Quem na natureza de Deus criou o homem, fez´se homem na condição de servo. Cada uma das duas naturezas conservou sem alteração de suas propriedades. Como a natureza de Deus não eliminou a natureza de servo, assim a natureza de servo não diminuiu a natureza de Deus. Gloriava´se o diabo de ter sido o homem, por sua fraude, seduzido e privado dos dons divinos, despojado do dote da imortalidade e submetido à dura sentença de morte. Encontrava assim o demônio uma espécie de consolo dos próprios males na companhia do homem prevaricador. Também Deus, exigindo justa prestação de contas, trocara a sentença do homem que ele havia criado em estado tão honroso. Foi, então, necessário, caríssimos, na execução de um plano oculto, que o Deus imutável, cuja vontade não pode ser privada de benignidade, completasse a primeira disposição de sua piedade para conosco com um mistério ainda mais escondido e o homem, instigado à culpa pela astúcia da iniquidade diabólica, contra o desígnio de Deus não perecesse. Desce, portanto, do reino celeste às intímas regiões deste mundo Jesus Cristo, Filho de Deus, sem se afastar da glória paterna, gerado em ordem nova, em novo nascimento. Nova ordem, porque invisível no que lhe é próprio, fez´se visível no que é nosso; incompreensível quis ser apreendido; sendo antes do tempo, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assumiu a condição de servo, velando a imensidade de sua majestade. Dignou´se o Deus impassível tornar´se homem passível e o imortal submeter´se à lei da morte. Vem à luz por novo nascimento, porque a virgindade inviolada, que ignorava a concupiscência, ministrou´lhe a matéria corporal. Recebeu o Senhor de sua mãe a natureza, mas isenta de culpa. A natureza humana de nosso Senhor Jesus Cristo, nascido do seio da Virgem, não difere da nossa por ter tido ele admirável natividade. Sendo verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem. Nesta unidade não há mentira, pois mutuamente se coadunam humildade humana e grandeza divina. Como Deus não se altera por tal misericórdia, o homem não desaparece, absorvido pela dignidade divina. Age cada uma das naturezas em consonância com a outra, quando a ação é peculiar a uma delas. O Verbo opera o que lhe é próprio, e a carne executa o que lhe compete. Uma resplandece pelos milagres, enquanto a outra é sujeita aos opróbrios. Como não se aparta o Verbo da igualdade da glória paterna, a carne não perde a natureza do gênero humano. Um e o mesmo, convém repeti´lo, é verdadeiramente Filho de Deus e filho do homem. Deus, porque no princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1,1). Homem, porque o Verbo fez´se carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Deus, porque todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele, coisa alguma foi feita de quanto existe. Homem porque nascido de mulher, nascido sob a lei (Gl 4,4). O nascimento carnal é manifestação da natureza humana; o parto da Virgem, indício do poder divino. A humilhação do presépio denota a infância do menino (Lc2,7); as vozes dos anjos declaram a grandeza do Altíssimo (Lc 2, 13). Quando procurou o batismo de João, seu precursor, (Mt 13,3), para ser patente que o véu da carne encobria a divindade, veio do céu a voz do Pai que dizia: Este é o meu Filho amado, no qual ponho as minhas complacências (Mt 3, 17). Enquanto a astúcia do diabo tenta´o, como se fosse apenas homem, serve´o o exército dos anjos, como sendo Deus (Mt 4,1; 11). Ter fome, ter sede, estar cansado e dormir evidentemente é humano. Mas, saciar com cinco pães cinco mil homens (Jo 6, 12) e dar à samaritana a água viva (Jo 4, 10), que não deixa mais ter sede quem a beber, andar sobre as ondas do mar a pé enxuto (Mt 14,25) e acalmar o furor dos vagalhões, falando imperiosamente à tempestade (Lc 8, 24) é indubitavelmente divino. Omitindo muitos fatos, digamos apenas: não é próprio de uma só e mesma natureza chorar por comiseração o amigo morto (Jo 11,35) e após a remoção da pedra do sepulcro de um defunto de quatro dias, despertá´lo redivivo, somente emitindo uma ordem; ou pender do lenho e transformar o dia em noite, fazendo tremer todos os elementos; ou ser transpassado pelos cravos e abrir as portas do paraíso ao ladrão por causa de sua fé (Lc 23, 43). Do mesmo modo não provém da mesma natureza dizer: “Eu e o Pai somos uma só coisa” (Jo 10,30) e afirmar: “O Pai é maior do que eu” (Jo 14, 28). Embora seja nosso Senhor Jesus Cristo uma só Pessoa, Deus e homem, difere contudo a proveniência para as duas naturezas do opróbrio comum a ambas e da glória comum. Pelo que recebeu de nós, a humanidade, ele é menor do que o Pai; do Pai lhe vem a igualdade com o Pai, a divindade. Por causa dessa unidade de Pessoa em duas naturezas lemos ter o filho do homem descido do céu, quando o Filho de Deus, da Virgem da qual nasceu, assumiu um corpo. E novamente diz´se que o Filho de Deus foi crucificado e sepultado, ao sofrer tudo isso, não na própria divindade, pela qual o Unigênito é co´eterno e consubstancial ao Pai, mas na fraqueza da natureza humana. Igual perigo seria crer que o Senhor Jesus Cristo é Deus só sem ser humano, ou apenas homem e não Deus. Qual a finalidade do prazo de quarenta dias após a ressurreição do Senhor, a não ser libertar da integridade de nossa fé qualquer obscuridade? Conversou com seus discípulos, esteve na mesma casa e comeu com eles (At1,4). Permitiu que o tocassem com diligência e curiosidade os que estavam ansiosos pela dúvida. Entrava com as portas fechadas onde estavam os discípulos; com seu sopro comunicava´lhes o Espírito Santo (Jo 20,22) e dando as luzes do entendimento revela´lhes a Sagrada Escritura ... Assim, reconheceriam os discípulos que nele as propriedades da natureza divina e humana permaneciam intactas, e saberíamos nós que Verbo e carne não se identificam e que o único Filho de Deus é Verbo e carne. Não desconfies ser homem com um corpo igual ao nosso quem ele sabe ter sido passível, porque a negação da verdadeira carne é igualmente negação da paixão corpórea. Se adere à fé cristã, e não desvia o ouvido da pregação do Evangelho, contemple qual foi a natureza que pendeu do lenho da cruz, transpassada pelos cravos, e tendo sido aberto o lado crucificado pela lança do soldado, entenda de onde brotou sangue e água, para que a Igreja de Deus fosse refeita pelo lavacro e o cálice. A Igreja Católica vive de tal fé e nela progride: Não há em Cristo Jesus humanidade sem verdadeira divindade, nem divindade sem verdadeira humanidade. Êutiques respondeu a vosso interrogatório: “Confesso que nosso Senhor tinha duas naturezas antes da união; depois desta, confesso ter apenas uma natureza”. Admiro´me que tão absurda e perversa profissão não tenha sido repreendida e censurada pelos juízes e tenha passado em silêncio palavra tão insipiente e blasfema, como se nada de escandaloso tivesse sido ouvido. Afirma ele tão impiamente que o Unigênito Filho de Deus, antes da encarnação, tivera duas naturezas, quanto criminosamente assevera haver nele uma só natureza depois que o Verbo se fez carne. A justiça, pois, reprima os pecadores e a misericórdia não repila os convertidos. (Coleção Patrística, Sermões de Leão Magno, pp. 202´213, Ed. Paulus, 1996, DP). Acho que devia ter postado só o link...Desculpe-me.
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0 # Sidnei 18-11-2013 08:22
Este teólogo está mais com os pés na seita dos testemunhas de Jeová que dentro do cristianismo. Um prova que para mim JESUS é DEUS, esta na passagem de Hebreus 5,5 citando o Salmo 2,7: "Assim também Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei", este hoje, muitos teólogos entendem que seja no tempo da eternidade, desde antes de todas as coisas, desde sempre, DEUS PAI, gera o FILHO, e neste momento que vem amente o seguinte pensamento: se quem é gerado tem a mesma natureza de quem o gerou, JESUS que foi gerado pelo PAI deste toda a eternidade também terá a mesma natureza divina do PAI, formando com o PAI e com o ESPÍRITO SANTO, que procede dos DOIS um só DEUS, pois assim como temos a natureza humana provinda de nossos pais, JESUS tinha sua natureza divina provinda de seu PAI, porém nossa natureza se dá no tempo e no espaço, enquanto que a natureza divina de JESUS, por se tratar de uma natureza divina, pois tudo que provém de DEUS se dá na eternidade, ELE (JESUS) assume sua natureza divina na eternidade quando gerado pelo PAI. Parece um jogo de palavras, mas se raciocinar um pouquinho fará todo sentido, não é por nada que inúmeras vezes JESUS se dirá como FILHO UNIGENITO DO PAI: João 1,14, 18; 3, 16, 18; 1º João 4, 9. Também em Lucas 10,22 JESUS dirá: "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar." Horas, DEUS que é infinito, cuja criatura alguma mesmo na eternidade poderá conhecer a DEUS por inteiro, somente uma pessoa divina poderia conhecer a DEUS por inteiro, porém JESUS diz que conhece o PAI de uma maneira que mais ninguém O conhece, se JESUS diz isto, ELE diz para deixar claro que somente ELE conhece a DEUS PAI por inteiro, se ele diz que somente ELE conhece a DEUS PAI por inteiro, ELE esta dizendo de forma indireta, que ELE também é DEUS, pois como comentei acima, somente uma pessoa divina poderia conhecer a DEUS por inteiro, pois criatura alguma, mesmo Maria Santíssima, que é a mais santa das meras criaturas, não poderia conhecer DEUS por inteiro, somente JESUS que possuidor da natureza divina, sendo DEUS com o PAI e o ESPÍRITO SANTO, é que conhece DEUS por inteiro, pois ELE mesmo também é DEUS.
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