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Segunda, 18 Fevereiro 2013 08:02

Dê esmolas, mas não dê bobeira

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[caption id="attachment_8877" align="alignright" width="189" caption="Imagem da campanha "ESMOLA NÃO AJUDA", da Secretaria de Assistência Social de Ribeirão Preto"]esmola_nao_ajuda[/caption]

“Um dos preceitos aos quais os católicos devem estar atentos durante a Quaresma é o de dar esmolas aos pobres. Mas atenção: a forma correta de dar esmolas não é dar dinheiro às pessoas que mendigam nas ruas, e sim ajudar uma instituição de caridade séria, ligada ou não à Igreja.”

Esse foi um trecho da homilia que ouvi semana passada na missa da Quarta-feira de Cinzas. O padre está certo?

Depende. Essa conceituação é um tanto controversa e precisa ser melhor explicada, porém, considerando a realidade do meu bairro, o que padre disse faz muito sentido. Afinal, a grande maioria dos pedintes na região da minha paróquia é de aproveitadores, vadios por opção ou consumidores de drogas.

Minha rua costuma ter uma grande concentração de pedintes, quase todos viciados em drogas. Outro dia, vi um grupo de pessoas parar o carro diante deles, abrir o porta-malas e distribuir quentinhas. Meu sentimento diante desta cena foi dúbio: ao mesmo tempo em que admirei o nobre senso de solidariedade, ponderei a ingenuidade daqueles que promovem e sustentam a permanência dos “sem-teto” nesta triste situação.

Muitos drogados são recolhidos das ruas pela Prefeitura e levados para centros de desintoxicação e ressocialização, mas não aceitam ali permanecer. Outros rejeitam a ajuda de suas próprias famílias e se recusam a sair das ruas, onde não precisam obedecer regras e sempre arrumam quem lhes dê dinheiro e comida. Nas grandes cidades, não são raros os pedintes que chegam a ganhar bem mais do que um trabalhador assalariado.

E as maiores vítimas das esmolas irresponsáveis são as crianças. Por exemplo: muitas famílias recebem do governo federal uma ajuda mensal de R$ 200,00 para que seus filhos deixem de vender produtos nas ruas. Entretanto, muitos abrem mão deste benefício e preferem continuar a expor seus filhos aos perigos das ruas, pois é mais lucrativo. Então, quando compramos produtos de crianças nas ruas, em vez de ajudar, podemos estar reforçando ainda mais as correntes da miséria e da exploração.

[caption id="attachment_8879" align="alignleft" width="223" caption="Campanha da Sec. de Assistência Social de Ribeirão Preto"]esmola_nao_ajuda_crianca[/caption]

– A esmola torna mais difícil para as equipes convencerem as crianças dos aspectos negativos da rua. É uma concorrência desleal – diz a coordenadora da comissão do Comissão Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, Júlia Obst. (Fonte: Zero Hora)

“Ah, mas eu nunca dou dinheiro. Dou roupas ou comida”. Dá quase no mesmo, amigo. Qualquer doação pode servir como um incentivo para que a pessoa se acomode na situação de pedinte.

Pense: que criança ou adolescente vai querer ficar em um abrigo, quando as ruas lhe oferecem tantas vantagens materiais imediatas? E, ao permanecer nas ruas, seu destino é quase certo: prostituição, vício e delinquência.

“Então, o que devo fazer quando uma pessoa me pede ajuda na rua?”. A única resposta honesta que tenho para dar é NÃO SEI! Não acredito que haja uma fórmula exata para resolver a questão, mas é importante discutirmos o problema. Vamos refletir um pouco antes de dar esmolas.

Entretanto, sejamos sensíveis e estejamos alertas para notar as situações em que o discurso de "não dê esmolas" é desumano e não se aplica. Há, sim, casos em que uma pessoa na rua realmente deve ser assistida com comida, roupas ou dinheiro.

"Dê a quem pede a você e não peça para devolver, pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. (...) Ai de quem recebe: se recebe por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão e interrogado sobre o que fez; e daí não sairá até que tenha devolvido o último centavo.

A esse respeito, também foi dito: Que a sua esmola fique suando nas mãos, até que você saiba para quem a está dando."

Trecho da Didaqué, o primeiro Catecismo da Igreja

Ao ler esse trecho da Didaqué, fica evidente que a existência de pedintes malandros não é um fato novo. Ainda assim, os cristãos devem manter o espírito sempre disposto à partilha ("Dá a quem pede); ao mesmo tempo, devem cultivar a devida prudência ("Que a sua esmola fique suando nas mãos, até que você saiba para quem a está dando").

Cada caso é distinto. O contexto em que os pedintes se inserem muda muito conforme a época, a cidade, a cultura e a economia. Vamos pensar em uma noite de inverno, em uma cidade serrana no Sul do Brasil. Como um cristão poderia negar roupas, comida quente ou cobertor a uma pessoa que bate os dentes na rua, ainda que seja viciada em drogas ou vadia por opção?

[caption id="attachment_8882" align="alignright" width="195" caption="Este pobre sem-teto precisa de uma MULHER RICA. Alguém aí pode ajudar?"]sem_teto_precisa_mulher_rica[/caption]

Ao ver uma mulher pedinte com um bebê nos braços (eu sei, em muitos casos, isso envolve malandragem e exploração), muita gente questiona: “Por que não vai trabalhar?”. Ok... E com quem ela vai deixar o bebê? Nem todos têm parentes dispostos a cuidar de seus filhos, e o número de vagas em creches gratuitas em nosso país é pra lá de insuficiente.

Já vi crianças fazendo pequenos serviços nas ruas para complementar a renda familiar – engraxar sapatos, carregar sacolas de compras etc. –, mas que estudavam e eram bem criadas. Apesar desta situação passar longe do ideal, seus pais não tinham intenção alguma de lhes explorar.

A decisão não é óbvia, nem fácil. Pesando todos os fatores relacionados à esmola, procuremos usar o bom senso e orar. Lembremos sempre que um pobre que sofre é Jesus que sofre. Que o Senhor nos dê o amor, a generosidade e o discernimento necessários.

 

201 Quarta, 14 Dezembro 2016 16:27

Comentários   

0 # Augusto Paiva 07-10-2016 08:27
A ESMOLA (Belmiro Braga 1872-1937) Ao pobre dando esmola não procuro transformar o meu ato num troféu, porque ela apenas representa o juro de quantia maior que devo ao céu. À minha esmola, muito embora pouca, junto palavras de consolação: assim como alimenta o pão à boca, alimenta o carinho ao coração. A esmola sempre deve ser oculta aos olhares do próximo, porque, quanto mais a escondermos, mais avulta ela aos olhos de Deus, que tudo vê...
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0 # Rafael 04-10-2016 13:59
Por vezes já conversei com jovens na rua para tentar dar alguma orientação e faze-los mudar o rumo da própria vida. As vezes a melhor ajuda é apenas um conselho.
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0 # ronaldo 04-10-2016 10:37
Conheci uma pessoa que era relojoeiro. Quando os relógios se tornaram digitais, ele teve que trocar de profissão porque não sabia consertá-los. Começou a vender bilhetes de loteria. Não deu certo e terminou virando esmoleiro. Depois fique sabendo que se suicidou. Atrás de um pedinte sempre pode haver uma história como esta. Será que um pedinte que esmola por vagabundagem o faz como produto de uma decisão soberana, ou nesta decisão existem várias condicionantes e forças contrárias que atuam sobre ele e o fazem ser o que é, ou seja, um vagabundo? Por isso dou a esmola. O que ele vai fazer com ela é assunto que só diz respeito a ele e Deus.
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0 # Emanuel 03-10-2016 19:24
Interessante...nunca parei para refletir muito sobre isso. Questão espinhenta,não. Aqui na minha cidade ,evito dar esmolas na rua. Basicamente , porque os pedintes quase sempre estão balbuciando , cambaleando , com dificuldade para completar uma frase ou raciocinio. Ou seja : claramente bêbados. Assim,não dou esmola para não ficar de consiencia pesada,pois sei que a pessoa vai gastar tudo ou quase tudo em bebida depois.Arrumo uma desculpa e nâo dou. Não sei se temos alguma instituição de caridade (ligada a Igreja ou não ) mas vou procurar saber.Se tiver , ficarei feliz em contribuir. Porem ,dar esmola na rua eu considero complicado e perigoso , pois voçe não sabe o que a pessoa fará depois com o dinheiro.Pode estar ajudando a pessoa a cometer suicidio lento. Um dia desses ,estava voltando da escola , e dei 1 real para um menino desses , que fica fazendo malabarismo em semaforo.Porem, agora me diga : fiz bem ? Não tem como saber.Quem garante que o menino não era um dependente de alguma droga ou substancia ? Quem garante que ele não vai desperdiçar aquele real em porcaria ,depois ? Muito complicado.
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0 # ronaldo 03-10-2016 18:17
Jesus disse que pobres sempre teremos entre nós.Já em seu tempo então existiam os pobres por natureza. é como tratar um doete terminal. não é porque não há mais remédio para ele que vamos abandoná-lo a própria sorte. se ele pede, e nisto não está o remédio, que pelo menos alivie a sua misé ria e natureza incurável de pedinte. que beba ou se drogue tanto faz, ao menos teremos a certeza que não pecamos por omissão.
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0 # JR 03-10-2016 17:08
Sigo o seguinte: Não dê o peixe, ensine a pescar! Se quiser ajudar os pobres e doentes, existem instituições sérias que contribuo. E se quiserem eliminar a pobreza tem que eliminar a causa, a raiz do problema que é político/econômico e não os seus efeitos.
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0 # JB 04-10-2016 17:58
É isso aí. Dar esmolas atrasa a revolução...
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0 # alessandro 03-10-2016 16:13
sao joao crisostomo fala que dar esmola aos pobres e a maxima penitencia, vale mais que o jejum. e verdade, todas as vezes que a gente vai dar alguma coisa, esses pensamentos nos afligem, pensando em estar ajudando algum vagabundo, eu acho que porque somos apegados ao dinheiro, e os drogados e os bebados tambem sao pobres. mas e dificel, quantos bebados eu ja vi zombar da piedade e da religiao.conheco uma pessoa que distribui um marmitex para um mendigo e ele jogou no lixo.
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0 # Evandro 03-10-2016 14:31
Boa tarde Catequista. Devemos recordar que a Igreja ensina e estimula o católico a praticar o jejum, a oração e a esmola. Essas três formas de penitência são um remédio para o combate das doenças espirituais, sendo que o jejum auxilia no combate à gula, a oração no combate ao orgulho e à soberba, e a esmola no combate à avareza (ver Mt 6,1-6.16-18). Devemos sim, dar esmolas, sempre observando a virtude da prudência. O critério da nossa caridade nunca é agradar o outro custe o que custar. O critério da nossa caridade realmente será o bem daquela pessoa. Muitos tentam dissuadir as pessoas a dar esmola dizendo que isso é um papel do Estado e tentam convercer os cristãos a não ser caridosos. Podemos sim ser caridosos e ajudar o pobre e não podemos delegar a caridade a terceiros. A caridade é um ato que cada um de nós deve fazer. Ainda assim, é possível evangelizar aqueles que você está ajudando com a sua esmola. Fazer o bem sem olhar a quem.
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0 # Vitória Vasconcelos 03-10-2016 14:07
De fato, é uma questão delicada! Ajudo nas missões de rua da Comunidade Rainha dos Anjos e um dia, constatei essa realidade quando uma irmã recolhida para tratamento, disse pra mim: "Vocês são nossos amigos, porque vocês não trazem só pão e água, mas dão chance de sair da rua. Tem muitos que vem nas ruas só pra nos sustentar ainda mais na rua e no vício, são nossos inimigos, não querem nosso bem" Hoje, não dou mais a esmola, com raras exceções. Prefiro ajudar uma instituição de caridade, que tem necessidades alarmantes pra manter-se, para justamente não contribuir para a situação de adicto de rua.
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0 # Sara Almeida 14-05-2014 16:26
Ótimo post! É mesmo uma situação complicada. "Que o Senhor nos dê o amor, a generosidade e o discernimento necessários." Amém.
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0 # Henrique Sebastião 25-10-2013 21:19
Arrisco-me a dizer que a grande maioria da população de rua daqui da cidade de São Paulo está nessa situação por opção própria. Sei que parece desumano de minha parte, mas a minha experiência em pastorais e a vivência em instituições de caridade me levou a perceber que, quando damos esmola, ajudamos a aumentar essa população que não quer ajuda e nem quer se ajudar. Sei que soa um pouco radical, mas brasileiro é muito "bonzinho" nas situações erradas. Concordo 100% com a pregação do padre da paróquia citada no post e com a campanha da Secretaria de Assistência Social de Ribeirão Preto. Claro que existem exceções, aqueles momentos em que encontramos pessoas que realmente precisam de uma ajuda material e, como cristãos, devemos ajudar, mas isso é diferente de dar esmola. Acho muito mais válido, por exemplo, procurar uma família pobre, que sabemos que passa dificuldades (quem não conhece uma?), e ajudar anomimamente, enviando algum dinheiro ou víveres, na medida do possível, - se for o caso, para evitar ofender e para não "se achar". Mas a grande verdade é que existem inúmeras instituições sérias precisando da nossa ajuda, e fazemos muito melhor as ajudando do que dando esmola. Uma observação: no tempo e na realidade em que Chesterton viveu, as coisas eram muito diferentes de hoje, e muito diferentes do que acontece no Brasil... Hoje existe uma verdadeira indústria da esmola, em plena expansão, e alguns pedintes são profissionais na arte de comover as pessoas.
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0 # Bruno Linhares 18-02-2013 20:30
Sempre me incomoda o confronto com a realidade da esmola. Sempre fico me sentindo o mais negligente dos cristãos. Deve faltar desprendimento, sobretudo de tempo, para aconselhar. Ter paciência com os pedintes. Mas o que não falta é oportunidade.
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0 # Cadu Sindona 18-02-2013 16:19
Eu penso que devemos lembrar das palavras de Bento XVI na : "A caridade é a via mestra da doutrina social da Igreja. As diversas responsabilidades e compromissos por ela delineados derivam da caridade, que é — como ensinou Jesus — a síntese de toda a Lei (cf. Mt 22, 36-40). A caridade dá verdadeira substância à relação pessoal com Deus e com o próximo; é o princípio não só das microrelações estabelecidas entre amigos, na família, no pequeno grupo, mas também das macrorelações como relacionamentos sociais, económicos, políticos." (Idem, nº 2) "Pela sua estreita ligação com a verdade, a caridade pode ser reconhecida como expressão autêntica de humanidade e como elemento de importância fundamental nas relações humanas, nomeadamente de natureza pública. Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente." (Ibidem, nº3) Trechos da “Caritas in Veritate”.
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0 # Daniel Pires 18-02-2013 13:13
Olavo de Carvalho: "Ainda há quem diga: 'Mas se você dá dinheiro o sujeito vai beber na primeira esquina!' Pois que beba! Tão logo ele o embolsou, o dinheiro é dele. Vocês querem educar o pobre 'para a cidadania' e começam por lhe negar o direito de gastar o próprio dinheiro como bem entenda?" "Sim, a caridade individual está em baixa. Os frutos da bondade humana não devem ir direto para o bolso do necessitado: devem ir para as ONGs e os órgãos públicos, sustentando funcionários e diretores, financiando movimentos políticos, pagando despesas de aluguel, administração, publicidade e transporte, para no fim, bem no fim, se sobrar alguma coisa, virar sopa dos pobres, diante das câmeras, para a glória de São Betinho." "O brasileiro de classe média e alta está virando uma gente estúpida que clama contra a miséria no meio da abundância porque cada um não quer usar seus recursos para aliviar a desgraça de quem está ao seu alcance, e todos ficam esperando a solução mágica que, num relance, mudará o quadro geral." "Só acredito é em gente ajudar gente, uma por uma, não na mágica platônica das 'mudanças estruturais', pretexto de revoluções e matanças que resultam sempre em mais pobreza ainda." Eu dou esmola mesmo. Vou querer dar lição de cidadania a quem passa fome? Como vou saber se realmente o cara não vai usar a grana pra comida? - Senhor, me dê um trocado ou um alimento. - Ah, não, vamos exercer sua cidadania, blablablá - Quem tá com fome não ouve esse tipo de coisa. Se quiser ficar na rua que fique, mas a sua parte você fez. http://chestertonbrasil.blogspot.com.br/2010/12/objecoes-caridade_01.html
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0 # Paulo 22-01-2016 04:18
Nem todas as instituições de auxílio não alinhadas à ICAR são de esquerda (muitas alinhadas são). Existem instituições sem qualquer viés político que cuidam de doentes dos mais diversos tipos, basta conhecer. Até concordo com as palavras do Olavo, mas não dá pra colocar todas as instituições no mesmo saco dos "movimentos sociais".
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0 # Clarinha França 06-12-2013 15:14
Simples: Se a pessoa pede dinheiro para comprar comida e você em vez disso dá a comida e a pessoa não quer, ESSA PESSOA NÃO ESTAVA COM FOME. Uma mulher que já vem pedir na minha casa, pede roupas. A gente dá. O síndico do prédio então disse que viu a mesma mulher rasgando e jogando as roupas fora, FORA! Que fazer?
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0 # Harun Salman 07-12-2013 09:39
Primeiro tenha certeza de que o síndico realmente viu o que ele disse que viu. Um ato de caridade nunca se perde. Mas a injustiça perde muitas almas.
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0 # Paulo Ricardo 18-02-2013 19:53
Coaduno com sua posição Daniel.
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0 # Geraldo 09-10-2016 21:01
E eu também coaduno, Paulo e Daniel. Pois grande é o risco, embutido nessa advertência aparentemente sensata ("evite as esmolas, sob o pretexto de prevenir o assistencialismo e/ou a manutenção da malandragem"), de reforçarmos o poder estatal como o paizão do povo, com todos os perigos de um assistencialismo muito mais criador de dependência e o pior, de currais eleitorais cativos. Não é essa a história recente do Brasil? Pelo contrário, todos os nossos esforços (culturais e políticos) é que devem buscar devolver à sociedade e às pessoas, a dianteira e o protagonismo na prática da solidariedade. "Dias virão, em que teremos sociedades tão "perfeitas" que dispensarão a bondade entre os homens" (T.S.Eliot) O poeta se referia, nesses versos, à excessiva regulação e normatização do estado em cima da sociedade e dos indivíduos, regulação que chega à pretensão de dizer como deve acontecer a prática da solidariedade entre as pessoas, como se a sociedade e as pessoas que a compõe, fossem um bando de criancinhas ou de imbecis que precisassem das luzes do estado. Em última análise o estado se arvora em redistribuidor da renda, bancando o Robin Hood que tira de uns para dar aos outros. Bom, os recentes escândalos de corrupção (os maiores, mais sistêmicos e ideologicamente determinados da história humana) mostram no que dá confiar ao estado, esse poder supra-partes: a maior parte da renda fica sim, muito bem distribuída entre os bolsos do partido e os bolsos dos meta-capitalistas que a ele se aliam. Então o cuidado que devemos ter é de que a nossa prudência não dê aos tarados pela dominação estatal, o perfeito pretexto de que precisam. E penso que um caminho para evitar isso é transformar nossa generosidade esporádica, numa postura mais permanente, como fazem os vicentinos. Fazer com que a solidariedade seja um estilo de vida incorporada à nossa personalidade, como foi o caso de grandes santos como Dom Bosco, São Luís Orione, São José de Calazans, Santa Luisa de Marilac, Santa Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, São Vicente de Paula, São Benedito, enfim a maioria dos santos. Senão temos, nós mesmos, o dom e a vocação de sermos iniciadores e líderes de grandes e permanentes iniciativas solidárias, podemos apoiar as pessoas e grupos que fazem isso, e em toda diocese sempre existem esses irradiadores de solidariedade. Uma mentalidade "messianicamente" ideológica e revolucionária, vai nos tentar convencer de que isso é inútil, pois não muda as "estruturas" geradoras da pobreza. Mas, à parte o fato de que não pretendemos fazer o paraíso na terra, e sim cumprir o mandamento do Senhor que nos mandou amar uns aos outros e socorrer os pobres, efetivamente a única postura que mudou estruturalmente o mundo, foi exatamente esta. Pois nenhuma estrutura é mais duradoura e sólida que a cultura. E é exatamente uma grande cultura de solidariedade que o acontecimento de Cristo, prolongado pelo mistério da igreja, fez brotar (como algo inédito) no mundo. Cultura que chegou ao ponto de abolir a escravidão da face da Europa e depois, de contribuir de modo significativo para a abolição da escravatura moderna. Conheci um grupo de vicentinos que se empenhava a cada sábado na construção de um barraco para uma família sem moradia. No próximo sábado, a mesma família se ajuntava ao mutirão para construir uma nova casa e assim por diante. Isso é criação de cultura, de ethos. E esse é o principal papel que São Tomás de Aquino atribuía à esfera política: modelar, pela exemplaridade das lideranças, a postura do povo. Nessa ótica, faz todo o sentido a afirmação do Papa Pio XI: "Depois da evangelização, a maior forma de caridade é a política". Não como priorização do poder estatal e substituição da iniciativa social e pessoal, por este poder. Mas como esfera, onde a autonomia da sociedade e das pessoas, se sente estimulada a servir. A pior coisa, para nós e para o mundo, é deixarmos morrer essa herança cristã de ver Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de cada irmão necessitado (e que chegou a ser uma mística habitual na Idade Média) e substituí-la pela utopia de uma mudança estrutural total, pela via política, que não só não cria paraíso terrestre algum, mas tem feito surgir verdadeiros infernos neste mundo. A única promessa que Jesus nos fez é o céu. Quem nela soube crer, em vez de se iludir com a mudança total do mundo, é que mais experimentou o cêntuplo nesta vida.
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0 # Karina 18-02-2013 11:33
Eu penso assim: no imediato, uma doação até vale, mas tem vir acompanhada de algo como "ensinar a pescar". É muito difícil, ainda mais hoje em dia quando morar na rua está quase sempre acompanhado do uso de drogas. Enfim, vou contar uma história legal: o irmão de uma conhecida minha um dia atendeu um rapazote que pedia comida. Ele deu e ficou um tempão conversando com o rapazote. Esse moço que deu comida e conversa se tornou padre e, um dia, após uma celebrar a Missa, um homem veio procurá-lo. Qual não foi o espanto dele ao reconhecer o rapazote, que queria lhe agradecer pois, daquela simples conversa, o fez se enxergar como ser humano novamente e buscar sair das ruas, que foi conseguido com êxito, e o então rapazote havia se tornado empregado e tinha uma vida bem estável, longe das ruas. Não há receita, mesmo. Mas sempre aposto que uma acolhida de coração nunca é demais.
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0 # Raphael 18-02-2013 11:11
Olá amigos do Catequista, bom dia! Parabéns por mais uma excelente matéria! Ao ler a coluna “A fé que vence as tentações”, na última página do folheto “A Missa” desse domingo, o 1º da Quaresma, não pude deixar de imediatamente recordar de vocês, e da longa série de matérias destacadas no blog, sobre LUTERO! Na referida coluna, e no corpo do texto, foi citada uma frase, atribuída nominalmente (isso mesmo, o nome do cara tá escrito no folheto da missa!) ao “virtuoso” teólogo: “As tentações são uma realidade em nossa existência. Elas são como os pássaros que não podemos impedir que sobrevoem nossas cabeças. Porém, só fazem ninhos se nós permitimos.” Confesso que não faço a mínima ideia da motivação, velada ou não, escondida por detrás dessa atitude. Enviei agora pouco um e-mail para a Coordenação de Pastoral da Arquidiocese do RJ, pedindo esclarecimentos. Penso eu, com uma infinidade de ilustres pensadores (Agostinho, Tomáz de Aquino, os Santos Padres) não existe a menor possibilidade, além de necessidade, de se fazer referência ou qualquer tipo de associação à Luter e seus “belíssimos” pensamentos e textos, nos escritos e publicações oficiais da Igreja, não acham?! A Paz! Raphael
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0 # Augusto Paiva 07-10-2016 06:33
Então quer dizer que estão colocando frases do heresiarca Lutero no Folheto da missa? Mas esse pessoal mal sabe que Lutero desprezou as boas obras: “AINDA QUE OS PAPISTAS ME MOSTRASSEM UMA MULTIDÃO DE TEXTOS BÍBLICOS NOS QUAIS AS BOAS OBRAS SÃO PRECEITUADAS, NÃO ME IMPORTO COM TAIS PALAVRAS, EMBORA CITASSEM AINDA MAIS. PAPISTA ALTIVO E ORGULHOSO QUE MANEJAS A ESCRITURA, SABE QUE TENHO A CRISTO POR MESTRE. ASSIM NADA ME COMOVE, APOIA-TE SOBRE A SERVA, EU ME APOIO SOBRE O SENHOR DA ESCRITURA QUE É JESUS… A ELE PREFIRO RENDER AS HOMENAGENS DA FÉ, AO INVÉS DE APARTAR-ME DO SENTIMENTO QUE ABRACEI, MESMO TENDO CONTRA MIM TODA ESCRITURA.” MARTINHO LUTERO ESPERTO in Perrone “Regra de fé” tomo I pp 308. “Estas almas piedosas que fazem o bem para chegar ao céu não somente não o alcançarão, como serão arranjados entre os ímpios; e importa mais em impedi-los de fazerem boas obras que pecados.” (Wittenberg, VI, 160, citado por O’Hare, in “The Facts About Luther”, TAN Books, 1987, p. 122). ☩ ☩ ☩ ''Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.'' (Mateus 6,4) ''Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.'' (Mateus 25,34-36) ''Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo.'' (Lucas 10,37) ''Dai antes em esmola o que possuís, e todas as coisas vos serão limpas.'' (Lucas 11,41) ''Vendei o que possuís e dai esmolas; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói.'' (Lucas 12,33) “Os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados.” (João 5,29) ''Em Jope havia uma discípula chamada Tabita - em grego, Dorcas. Esta era rica em boas obras e esmolas que dava.'' (Atos 9,36) “Havia em Cesaréia um homem, por nome Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica. Era religioso; ele e todos os de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente. Este homem viu claramente numa visão, pela hora nona do dia, aproximar-se dele um anjo de Deus e o chamar: Cornélio! Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há, Senhor? O anjo replicou: As tuas orações e as tuas ESMOLAS subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança.” (Atos 10,1-4) ''Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças.'' (Filipenses 4,6) ''Queiras então, ó rei, aceitar meu conselho: resgata teu pecado pela justiça, e tuas iniqüidades pela piedade para com os infelizes; talvez com isso haja um prolongamento de tua prosperidade.'' (Daniel 4,27) ''Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados.'' (1 Pedro 4,8) ''E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.'' (Tiago 1,22) ''Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.'' (Gálatas 6,3) ''Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.'' (Gálatas 6,3) De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma.'' (Tiago 2,14-17) ''Olhemos uns pelos outros para estímulo à caridade e às boas obras.'' (Hebreus 10,24) “Aquele que souber fazer o bem, e mão faz, peca.” (Tiago 4,17) ''Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé.'' (Gálatas 6,9-10) ''Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.'' (1 Coríntios 13,13) ''Pois, ao reconhecer a experimentada virtude que esta assistência revela da vossa parte, eles glorificam a Deus pela obediência que professais relativamente ao Evangelho de Cristo e pela generosidade de vossas esmolas em favor deles e em favor de todos.'' (2 Cor 9,13) ''Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade.'' (1 João 3,17-18) ''Não negues um benefício a quem o solicita, quando está em teu poder conceder-lho. Não digas ao teu próximo: Vai, volta depois! Eu te darei amanhã, quando dispões de meios.'' (Provérbios 3,27-28) >>> comparar com Lucas 11,5-8. "Porque a esmola livra do pecado e da morte, e preserva a alma de cair nas trevas. A esmola será para todos os que a praticam um motivo de grande confiança diante do Deus Altíssimo." (Tobias 4,11-12) "A água apaga o fogo ardente, a esmola enfrenta o pecado." (Eclesiástico 3,33) ''Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo,que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniqüidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem. Eis o que deves ensinar, pregar e defender com toda a autoridade. E que ninguém te menospreze!'' (Tito 2,12-15) ☩ ☩ ☩ Santo Agostinho nos alerta afirmando o seguinte: "Os homens não entendendo as palavras do apóstolos, passaram a defender que ao homem é suficiente a fé." O mesmo Bispo da Igreja de Cristo adverte: "Esta é a fé que diferencia os fiéis dos espíritos imundos, a fé agindo pela caridade." Gl 5,6. (A Graça - Santo Agostinho, Ed. Paulus)
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0 # Cristiano Estolano 18-02-2013 11:56
Raphael, reparei a mesma coisa! Inclusive comentei com a minha mãe na mesma hora. Absurdo total! Falando em hereges, outro dia um padre, que foi vigário na paróquia próxima a minha casa, postou no Facebook um texto do "mestre" Leonardo Boff! Fora outras heresias e agressões a Igreja que são cometidas por lá! Quanto ao assunto do post, eu já vivenciei situações em que fiquei incomodado, achando ter errado tanto por ter dado esmola quanto por ter me recusado a dar. Outro fato curioso foi quando percebi uma senhora maltrapilha na rua e quis dar esmola mas ela rejeitou fortemente, quase gritando... Imagina a minha cara! Bom, por essas e outras eu procuro pedir sempre ao Senhor que me ilumine nessas horas, porque a decisão é difícil! Paz e Bem!
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0 # Raphael 18-02-2013 12:13
É "dona" Catequista, e Cristiano... É só o Papa dar uma "balançadinha" que neguinho já começa a botar as manguinhas de fora!!! Em sintonia com a tirinha postada no Face do Blog, tomemos muito cuidado. Pq desse jeito, já já, Alguém vai mandar raio pros lados da Igreja do Brasil tmb!!!!kkkk
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0 # A Catequista 18-02-2013 11:16
Raphael, Realmente, é no mínimo uma aberração que as palavras de um excomungado sejam publicadas como uma referência positiva em uma publicação que é distribuída nas missas. Infelizmente, não reparei no texto da coluna quando fui à missa...
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0 # Clarinha França 06-12-2013 15:05
Bom, só digo que Lutero foi uma PESSOA como eu e você e que Santo Agostinho cristianizou todos os pensamentos e reflexões dos filósofos da Antiguidade.
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0 # Harun Salman 07-12-2013 09:52
Clarinha, Santo Agostinho cristianizou um pouco do que podia ser cristianizado. Não tudo. Santo Tomás de Aquino cristianizou outro tanto. Mas, também, não tudo. A impropriedade de citar Lutero no folheto da missa está em que ele foi um herege. Assim declarado pela nossa tradição. Nada contra alguém citar Lutero, se o aprecia. Mas não num folheto próprio da liturgia que ele combateu! Seria como um rabino ler "Mein Kampft", como parte da liturgia, durante o serviço de Rosh Hashaná. É antes uma questão técnica: de coerência. Um abraço!
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0 # Victor Viana 03-10-2016 18:59
Ou também um padre citar Marx em uma homilia: "A religião é o ópio do povo." Só não caí para trás porque entendi perfeitamente o que ele disse: que as pessoas se alienam na prática piedosa mas se esquecem da caritativa, da necessidade que o mundo tem de nós cristãos, como se ambas (oração e caridade) não andassem juntas. Foi estritamente isto, não uma heresia. Não deixou, entretanto de ser uma aberração.
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0 # Yuri 18-02-2013 10:44
Existe um texto interessante do Chesterton sobre esmolas que é chamado "Objeções à Caridade", publicado no The Illustrated London News, 8 de dezembro de 1906. Vale a pena conferir.
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0 # A Catequista 18-02-2013 12:08
Yuri, Um leitor nos enviou o link do texto que você citou. Reamente, enriquece muito a reflexão sobre o tema: http://chestertonbrasil.blogspot.com.br/2010/12/objecoes-caridade_01.html?m=1
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0 # Lucas Romani 18-02-2013 10:35
ola acredito que esse ainda seja um tema difícil de discutir levando em conta essa situação de que muitas pessoas se aproveitam da boa vontade do proximo. Concordo com o que vc diz mas nao devemos esquecer que nosso primeiro dever como cristão católico é o serviço ao próximo, principalmente nesse tempo que estamos vivendo ..o pouco que fazemos para Deus é muito todos serao recompensados indiferente do seu gesto... ah sou muito fã de vcs ja acompanho o blog ja faz um tempo. Obrigado pelos ensinamentos, que Deus sempre continue abençoando o trabalho de vcs. Um grande abraço.
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