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Quarta, 21 Setembro 2011 09:00

Os moralistas ladram e a caravana passa

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O JULGAMENTO DO CATEQUISTA BOCA-SUJA

Era pra ser mais uma reunião paroquial. Uma inofensiva e previsível reunião paroquial. Mas um palavrão dito na hora e no lugar errados acendeu o estopim da ira e da histeria.calvin_palavrao

De microfone em punho, diante do altar, o catequista tentava se comunicar com mais de 100 padrinhos e crismandos irrequietos. Após diversas tentativas vãs de manter o silêncio, o homi perdeu o freio e soltou um “Calem a boca, CARAL**!!!”. Cometeu, assim, dois pecados numa caral**da só: 1) desrespeitou um local santo; 2) escandalizou aqueles a quem deveria dar exemplo.

As pessoas tinham muita razão em se ofender – mau seria se tivessem achado normal –, porém, a dimensão que a coisa tomou foi patética e lamentável. Dias depois, o padre responsável pela pastoral se reuniu com os revoltosos para tentar conter a crise. “O rapaz já se arrependeu e se confessou. O que vocês querem mais?”. O povo ansiava pela sua expulsão, pela sua humilhação pública, sei lá, qualquer coisa menos o perdão. Anos de trabalho amoroso e dedicado a Cristo eram tidos como nada diante de um caral**. Como a cabeça do réu não foi cortada, alguns abandoram o curso.

Esse é um dos numerosos exemplos em que a moral cristã autêntica se deforma e dá lugar a um monstro disfarçado de bom-moço chamado MORALISMO. A justa defesa da dignidade do templo acabou se transviando em uma luta inclemente dos "bons" (que não falam palavrão nem fud**do) contra o "mau", o catequista boca-suja. O problema é que os "bons" se esqueceram de que, além de exigir o devido decoro na Sua casa, o Senhor espera que seus filhos se amem e se perdoem mutuamente. Quem se apega a regras de forma superficial, sem considerar o contexto em que o outro está inserido, deixa de lado o maior mandamento: a CARIDADE.

Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante. Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo. (Mt 23:23-24)

A princípio, a causa defendida pelos moralistas parece justa e está teoricamente de acordo com a Palavra de Deus; mas a presunção com que eles acatam essa Palavra os distancia da sua essência: “Ninguém é mais anti-evangélico do que aqueles que se consideram honestos, porque já não têm necessidade de Cristo” (Pe. Luigi Giussani).

Para o moralista, o centro da fé cristã é o cumprimento de um conjunto de regras e, convenientemente, ele costuma privilegiar umas regras em detrimento de outras. No fundo, sua fé não é centrada em Cristo, mas sim na sua capacidade pessoal de cumprir a lei. Se for hipócrita inveterado, passará a vida inteira sustentando uma farsa, já que ninguém é tão santo a ponto de ser capaz de ser coerente o tempo todo. Porém, se for minimamente honesto, mais cedo ou mais tarde ele se verá assombrado pelo fantasma da sua incapacidade humana; aí, ou se converte de verdade, ou chuta o balde e perde a fé.

A moral cristã não é o ponto de partida do cristianismo: é, sim, a sua consequência. A fidelidade aos valores do Evangelho é impulsionada dia após dia pela afeição – pela afeição! – a Cristo e ao Mistério da Igreja, e amadurece com o tempo. Quanto mais conhecemos a Jesus, quanto mais nos apegamos a Ele, mais somos capazes de compreender e pôr em prática os seus mandamentos. Não por uma regra, não por uma lei, mas sim pelo reconhecimento amoroso da Presença de Deus entre nós.

 

337 Segunda, 05 Junho 2017 18:04

Comentários   

0 # Vinícius de Aguiar 26-03-2014 12:33
Justamente o nosso maior pecado é de não conseguir amar como o Pai nos ama. Por isso que precisamos tanto Dele: só Ele pode nos ajudar a viver a vida que tanto deseja. Vale lembrar que isso não acontece de um dia pro outro, é um processo longo, por isso que Deus nos dá anos de vida. Seguir os mandamentos da Igreja é só uma consequência de querer seguir a Deus, mas se essas coisas forem feitas sem amor, não passam de ritos exteriores...
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+1 # Jairo Cardoso 27-10-2013 11:09
Eu não gostei do Artigo, ficou muito mais enfatizado que falar palavrão é correto, doquê é errado, o catequista que falou Palavrão cometeu um erro sim, e deve rever sua Vocação, pois Jesus disse Boca fala oquê o Coração está cheio...
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0 # A Catequista 27-10-2013 11:48
Jairo, Se ler o texto com atenção, verá que foi injusto ao dizer que não apontamos o erro do citado catequista. Leia com boa vontade, por favor: "Cometeu, assim, dois pecados numa caral**da só: 1) desrespeitou um local santo; 2) escandalizou aqueles a quem deveria dar exemplo. As pessoas tinham muita razão em se ofender – mau seria se tivessem achado normal..."
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0 # Marta 15-01-2013 19:03
Um palavrão, dito como desabafo, não pode ser considerado pecado. Ele falou num momento de total falta de paciência diante de pessoas que não respeitaram a presença do catequista e de outros... Não prestavam atenção ao que se dizia... mas no palavrão prestaram.... Não sou a favor de qq palavrão, mas se acontecer, há sempre o perdão... que atire a primeira pedra, pois há quem não fale palavrão, mas o vivencia com atitudes piores....
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0 # Apologética católica 13-01-2013 18:23
É uma situação em que eu não queria estar, ele errou feio primeiro por causa do horrível palavrão, e por fim um agravante em um local santo, realmente ele não se segurou nem conteve a raiva e cometeu um erro que não dá pra explicar o tamanho, pois o costume de casa vai a praça, existiam vários modos dele tentar acalmar a multidão, já era pra ele tá acostumado com barulho, pois ele é catequista e tem que aprender a lidar com essas ocasiões. Mas não cabe aos pais nem a ninguém afastá-lo ou puni-lo de qual forma que seja, ele errou sim e feio, mas o perdão acima de tudo. Uma dica pra esses moralistas acusadores era se colocar no lugar dele, quem não tá passando é fácil julgar, o difícil é sentir na pele, sem dúvidas ele fez mas fez em um momento de stress, onde ele agiu inconscientemente. Uma história de vários acertos não pode ser destruída por um único erro. www.facebook.com/apologeticacatolica.comfe
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0 # César Santos 03-11-2012 12:59
Não encontrei nada a respeito de São Francisco xingando. Alguma fonte? Pelo texto fiquei com a impressão de que xingar não é errado. É isso mesmo? Eu falo palavrão, mas acho um mau hábito =/
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0 # Graça 30-12-2011 16:03
"...Como a cabeça do réu não foi cortada, alguns abandonaram o curso". Pois que abandonem os que se consideram tão perfeitos. E que atire a primeira pedra quem nunca falou um palavrão.
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0 # Cadu Sindona 14-10-2011 16:14
Aff sabe o que dá vontade de mandar ver o que Saul falou para Jônatas: "Então Saul encolerizou-se contra Jônatas: Filho de prostituta, disse-lhe, não sei eu porventura que és amigo do filho de Isaí, o que é uma vergonha para ti e para tua mãe?" (I Samuel 20,30) Pe Léo falou dessa passagem uma vez e disse assim: "Falar palavrão pelo palavrão, não é pecado. Até na Palavra tem palavrão. É ta em I Samuel 20,30. Mas olha só eles querem ver mesmo se tem..." Grande Pe Léo. O rapaz foi se confessar e recebeu a absolvição né? Ora nessa mesma pregação Pe Léo disse: "E sobre os pecados absolvidos, ninguém tem poder, nem mesmo o demônio!" Então quem é alguém pra falar qualquer coisa?
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0 # Paulo Ricardo 21-09-2011 16:15
Olha essa aqui, Quem me conhece sabe que se tem uma sub-espécie de homo sapiens que eu não suporto a presença e tenho problemas em reconhecer que dentro da caixa craniana dos mesmo exista massa encefálica é a tal da "alminha pura". Primeiro, lugar de alminha pura é em site ateu ou em templo da Universal. Quanto aos xingamentos, esse povo nunca ouviu falar de São Francisco, o mais "crístico" dos Santos? Pois é, ele xingava. E tem mais São Thomás More respondeu a Lutero com muita "educação" em sua "Responsio ad Lutherum" (The Complete Works of St. Thomas More, ed. John M. Headley, vol. V, New Haven: Yale University Press, 1969, pp. 181 ss.). Sem contar São Josemaria Escrivá que mandava todo mundo pra casa do cara de alho. Alguma das alminhas puras fizeram mais pela Igreja do que qualquer um deles? Acho que não. O texto completo sobre São Tomas More vocês encontram no site do Professor Olavo de Carvalho: http://www.olavodecarvalho.org/textos/110721concurso.html Fiquem em paz.
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0 # A Catequista 21-09-2011 14:20
É, Carla, como bem dizia São Paulo, a Caridade é o maior dom. Ela nos vacina contra dois males extremamente danosos para alma: um deles é o farisaísmo, e o outro é o relativismo (nada é realmente mau, enfraquecimento da noção de pecado etc.). Abraço!
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0 # Carla Veronica 21-09-2011 14:03
Perfeito! Estamos muito farisaicos. Caridade acima de tudo!
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