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Quinta, 24 Novembro 2016 00:21

Conheça os Vacilos de Santos e Profetas da Bíblia!

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Ele foi ungido pelo Altíssimo, tinha grana, poder e muitas mulheres. Mas nem assim aquietou o facho. Cutucou a mulher alheia e ainda providenciou a morte do marido traído (II Sm 11). Trata-se de um crápula, um homem cujo destino só pode ser queimar no máaaaarrrmore do inferno, certo? Errado! Apesar desta sucessão de graves pecados, o rei Davi viveu e morreu no amor de Deus.

Ele pagou bem caro, é verdade, pelos seus erros. Em sua família, nunca houve paz: três de seus filhos morreram, e um deles sequestrou e dormiu com todas as suas concubinas. De incesto a assassinato entre irmãos, diversas tragédias abalaram a casa de Davi. Era uma família nada unida e muito ouriçada...

Porém, na vida de Davi, a graça foi muito maior do que o pecado. Se o rei muito pecou, também é verdade que muito amou. Dedicou quase toda a vida a fazer cumprir o plano de Deus para Israel, arrependia-se sinceramente de seus pecados, fazia penitência com rigor e aceitava sem reclamar os castigos recebidos; ouvia o conselho dos profetas, tinha reverência pelas coisas santas e procurava ser justo. Acima de tudo, não era hipócrita: Davi amava ao Senhor de todo o coração.

“Ah, fala sério... Amava Deus onde? Davi cometeu assassinato, adultério, onde o amor se encaixa aí?”. Sim, é desconcertante. Mas o amor de Davi por Deus era verdadeiro - tanto que o homi recebeu de Deus a promessa de que o Messias nasceria da sua descendência.

Da mesma forma, era verdadeiro o amor de Pedro que, mesmo triste envergonhado por ter negado o Mestre três vezes, disse: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo” (Jo 21,17). Mas não é só Davi que tem a ficha suja. 

Pisada de bola na Bíblia é o que não falta – e não estou falando dos “bandidos”, mas sim dos “mocinhos” - os profetas e santos. Confira a seguir.

VACILOS DOS ELEITOS NO ANTIGO TESTAMENTO

  • Moisés - Teve medo da missão e tentou de todo o jeito se descomprometer de seu chamado (Ex 3 e Ex  4,1-16).
  • Pecou por falta de fé no episódio das águas de Meribá (Nm 20,1-13), e por isso morreu antes de entrar na Terra Prometida.
  • Elias – Sentiu desânimo (1 Rs 19,1-4).
  • Jeremias – Sentiu desânimo e queria abandonar a missão profética (Jr 20,7-17).
  • Jonas – teve medo da missão e buscou fugir (Jn 1,3). Por falta de misericórdia (Jn 4), se irritou quando Deus, ao ver que o povo de Nínive estava mudando de conduta, resolveu não mais aniquilar a cidade.

VACILOS DOS ELEITOS NO NOVO TESTAMENTO

"Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho? Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior. Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos."

- Mc 9,33-35

Nos evangelhos, vemos que os Apóstolos viviam tomando pito de Jesus: um pela falta de fé, outro pela inteligência débil, outro pela vaidade... Entretanto, mais do que manchas na biografia dos santos, esses relatos pouco louváveis nos encorajam em nossa própria caminhada, pois evidenciam que nenhum limite humano pode ser maior do que o poder do Espírito de transformar os corações.

  • Zacarias – pecou por falta de fé (Lc 1,1-25), por isso foi castigado por uma mudez temporária.
  • São Tomé – pecou por a falta de fé, ao não acreditar no testemunho da Ressurreição ( Jo 20,24-31).
  • São Pedro - apresentou uma fé vacilante e afundou nas águas (Mt 14,22-31). Tinha excesso de auto-confiança em sua capacidade de ser fiel ao Senhor (Mt 26,31-35), mas o negou três vezes (Mt 26,69-75). Se apegou às práticas judaizantes, demostrando hipocrisia (At 10,1-28; Gálatas 2).
  • São Tiago e São João – Demonstraram vaidade (Mt 20,20-27 e Mc 10,35-45).

Somos um povo a caminho: avançamos, tropeçamos em algumas pedras, caímos vez por outra... Mas não devemos parar jamais de caminhar. De fato, todo aquele que grita através das trevas de sua alma será iluminado: "Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar" (Sl 50,19). santo_pecador A misericórdia de Deus é um desafio ao nosso moralismo. Muitas vezes, concebemos o cristianismo como um conjunto de regras, que nos esforçamos para seguir, somadas a uma lista de "coisas feias" que devemos evitar. Grande engano! O cristianismo possui uma moral a seguida, mas ele É MUITO MAIS DO QUE UM CÓDIGO MORAL.

Antes de tudo, ser cristão é reconhecer que Jesus está presente, que Ele vive, que Ele nos conduz pela mão em cada momento de nossa vida. E esse reconhecimento nos leva a amar Jesus Cristo, e nos faz viver as coisas com uma alegria antes impossível, com uma nova consciência – o trabalho, os estudos, o namoro, as amizades. Com o tempo, isso nos liberta cada vez mais do nosso nada, das nossas fraquezas.

É bem frisar: ao moralismo, não é razoável contrapor a heresia luterana de que basta ter fé em Cristo para sermos salvos, ainda que não sigamos os Seus ensinamentos (Sola Fide). Como bem disse São Tiago, a fé sem obras é morta, pois até os demônios têm esse tipo de fé (Tg 2,19). E, antes dele, Jesus já ensinava: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama" (Jo 14,21).

Como vimos, nem todo eleito de Deus passou a vida inteira sem cometer pecado mortal - alguns santos têm a ficha suja. Mas, por meio da oração, da caridade e da penitência, Jesus vence em nós.

6232 Domingo, 23 Abril 2017 22:37

Comentários   

0 # Anonima 15-03-2017 23:10
Meus escrúpulos, inseguranças têm me feito viver a fé como un conjunto de regras. Passo o dia com medo de cometer pecado mortal, acredito que tenho uma "vigilância" excessiva. Não sinto mais aquela consolação, aquele amor, aquela vontade de ir para o Céu e ver Jesus -- apenas não quero ir para o inferno. Mas não consigo mudar isso! Sou uma pessoa bastante solitária desde criança e tímida, não conheço bons padres que possuem tempo livre para me acompanhar. Estou com muito medo de acabar chutando o balde e perdendo a fé :/
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0 # maicon wodtke 17-09-2017 05:09
Santa teresa de Avila
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0 # Cintia 24-04-2017 11:49
Leia o livro Oração de amorização do padre Alirio, é baratinho.
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0 # Eudes 24-04-2017 01:31
Não artificialize sua vida, pois isso faz mal. Talvez seja necessário vc se conhecer melhor e encontrar suas limitações, pois qdo vc se conhece e se entende, pode viver a fé em Cristo com naturalidade. Vc está se forçando demais.

E não se esqueça jamais de pedir iluminação divina, e rezar o Pai Nosso, para q Deus "te livre de todo o mal e te guarde de cair nas tentações".
Fique com Deus!
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0 # Andrea 28-11-2016 18:54
Aos organizadores do blog "O Catequista", peço urgentemente que façam um post com comentários pertinentes e fundamentados (como vcs sempre fazem) sobre a tal carta de "Cardeal Burke e companhia" pedindo respostas do Papa Francisco sobre Amoris Laetitia. Essa é a treta mais tretíssima dos últimos dias, todos os blogs e sites católicos tradicionalistas anti-papa já comentaram sobre como "o Papa é herege", já fui chamada de "ignorante" por uma "tradcat teen" que está convencida de que o Papa é a "causa da divisão na Igreja" e que eu sou a única que não vejo isso, e eu aqui aguardando a opinião esclarecida de vcs. O mundo está acabando e eu não sei? Já estão separando o joio do trigo? Kkkk!
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+1 # Leniéverson 30-11-2016 06:48
Andrea e João Pedro, o comentário de vocês, em comum, revela um problema grave: considerar os quatro cardeais, integrantes de uma ala rebelde da Igreja. Essa tese foi criada pela mídia tradicional(https://noticias.terra.com.br/mundo/quem-sao-os-cardeais-rebeldes-que-acusam-o-papa-francisco-de-heresia,b276fb82d1c4f7cab236f415912eb8496234vgqa.html) e algumas pessoas acabaram comprando esse discurso, de maneira equivocada. Se guiar pela mídia tradicional, é permitir que debate sobre o assunto seja entremeada e repleta de bobagens sem sentido, vejam esse outro blog católico (https://fratresinunum.com/2016/11/24/dom-athanasius-schneider-sai-em-defesa-dos-cardeais-que-escreveram-a-francisco/). Embora o blog publique uma ou utra coisa, meio sem pé nem cabeça, nessa postagem mostrou bom contraponto a certas coisas tolas que tem sido dito por aí, sobre os quatro cardeais.
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+1 # João Pedro Strabelli 29-11-2016 11:07
Andrea Aproveitando o seu pedido, vou dar uma pequena sugestão ao site no post que você quer… eu eu também e muitos outros. Eu, modesta e humildemente acho que vai ser difícil achar outro trio de papas como os três últimos e percebo que cada um superou sua maior característica em seu pontificado. João Paulo II, o esportista e mais ativo deles, suportou resignadamente todos os problemas físicos que teve. Bento XVI, um dos maiores intelectuais da atualidade, espantou com a enorme humildade de sua renúncia, ao perceber que não conseguiria fazer o que precisava. E Francisco, que antes de pisar lá parecia o mais durão dos cardeais, mostrou-se de uma misericórdia enorme. Bento XVI mesmo disse isso alguns dias atrás. Conhecia Bergoglio como o cardeal que, se precisava fazer, fazia. Ainda tem mais algumas coisas a serem analisadas com muito cuidado. O fim do comunismo não levou a uma guerra catastrófica quando João Paulo II estava lá. Um monte de ideia besta, que tentava parecer intelectuais, morreram durante a curta estadia de Bento XVI. Pedofilia, alguém comenta isso depois de Francisco? Se é verdade que pelo fruto se conhece a árvore…
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0 # Mariele 25-11-2016 10:28
Bom dia Pessoal! Gostaria de compartilhar um pensamento e tirar uma dúvida (Não tem haver com o post)... Tenho visto na internet, varias pessoas se organizando pedindo Intervenção Civil, depois que os deputados queriam e querem aprovar a *Anistia ao Caixa 2*. O pessoal primeiro pediu Intervenção Militar, mas agora estão se organizando e querendo fazer uma Intervenção Civil. Vejo muito os videos do Padre Paulo e tenho lido muitos artigos, neste site e em outros sites Católicos, para poder defender a minha Fé e a Santa Igreja. E infelizmente por mais que não gostamos de Politica, tenho acompanhado muitas questões sobre Politica. Mas voltando na duvida e nos pensamentos que quero compartilhar... Vi um vídeo do Padre Paulo que fala da Profecia de Nossa Senhora ao Brasil, Nossa Senhora disse que aqui teria uma Guerra Civil, quase igual a Guerra Civil Espanhola, por causa do comunismo, e eu estava pensando, será que a Profecia de Nossa Senhora está se cumprindo? Este é o vídeo do Padre Paulo falando sobre a Aparição e Profecia: https://www.youtube.com/watch?v=Rv2SiX1O3ZM
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0 # João Pedro Strabelli 25-11-2016 14:48
Mariele O que o vídeo diz é que quando o padre perguntou, através da menina, se haveria aqui uma guerra civil nos moldes da espanhola Maria respondeu: “Quase”, o que pode muito bem dizer que quase haverá uma guerra civil daquele tipo, mas não chegará exatamente a acontecer. Penso que o que aconteceu no Brasil no final da década de 60 e na de 70 praticamente inteira foi isso: quase uma guerra civil. Em relação ao comunismo, ele não tomou conta do Brasil como partido político, mas como ideologia. A maioria dos partidos políticos e a maioria dos políticos foi, aos poucos, aprovando a pauta comunista. Não só aqui, mas no mundo todo foi assim. Foi como se, depois da queda do muro de Berlim, as pessoas percebessem que o comunismo, como partido e sistema de governo, leva a uma catástrofe (é só olhar para a Venezuela para entender). Como é uma tragédia, pegaram várias de suas ideias, como fim da família, o ateismo, aborto valorizar o dinheiro acima de tudo e esparramaram isso por aí. Muitos partidos, inclusive aqueles que se vota para evitar os outros chamados de comunistas, pregam estas ideias. Isso não aconteceu só no Brasil, mas penso eu que o Brasil ganhou isto como castigo porque recebeu de Deus a graça de ser o maior país católico do mundo e o que a gente fez com isso? Foi procurar outras coisas.
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+3 # João Pedro Strabelli 25-11-2016 06:05
Reli e post e entendi mais um motivo de porque minha devoção por São José aumenta sempre. Outros, digamos assim, muito melhores do que ele deram suas mancadas enquanto meu Santo silencioso cumpriu tudo sem abrir a boca. É não precisou nem Deus falar com ele, como a Moisés e nem o anjo aparecer pessoalmente, bastou um sonho. Só uma dica: quem quiser ter devoção ao Terço, ou aumentar esta devoção se já tiver, peça pra São José. É impossível que alguém que mereceu a confiança de Maria e de Jesus não resolva.
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+2 # Augusto 30-11-2016 16:12
São José é o Batman dos Santos. Enquanto São Pedro e os apóstolos fizeram o que é justo às claras conforme a sua vocação apostólica demandava(parecido com o Superman) São José fez tudo o que tinha de fazer nas "sombras" do anonimato. É ou não um "um guardião silencioso, um protetor cuidadoso"?
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0 # geraldo 26-11-2016 12:23
Oi João Pedro. Você me fez lembrar de algo que li acerca de São José um dia desses: comentários de vários santos e papas acerca do nosso glorioso patriarca.Veja: http://www.saojoseemnatal.com.br/oqueossantosdizemsobresaojose.php A igreja, captando com perspicácia a lógica da eleição divina, soube ler o muito que a Bíblia Sagrada nos diz através da ação silenciosa de José. De todos os comentários no link acima, o que mais me agradou foi o de São Jerônimo. Pois com seu profundo conhecimento das escrituras, ele expõe concisamente a riqueza de sentido que o termo JUSTO tem na bíblia. "Então José, seu esposo, como era justo, e a não queria infamar...etc. (Mt 1, 19)" Quando dizemos "justo" hoje em dia, quase sempre nos referimos à uma virtude específica, aquela que dá a cada um o que lhe pertence e é devido. Mas quando Jesus nos diz para "buscar primeiro o reino de Deus e sua justiça", não se refere à uma das virtudes, mas à totalidade da vontade de Deus. O justo, biblicamente, equivale mesmo ao santo, àquele que é fiel em todas as coisas, obediente à vontade de Deus de modo completo. A atitude conscienciosa e delicada de José para com Maria Santíssima, revela uma fina capacidade de discernimento dentro de uma circunstância confusa e angustiante. Parece que foi uma intenção de fuga, vista em nosso contexto atual. Mas teria sido a única forma de evitar o apedrejamento inevitável de Maria, caso a suspeita de José fosse real. E uma vez ciente da situação verdadeira pela revelação do anjo, sua postura foi de uma fortaleza e uma virilidade de caráter, raríssimas. O homem JUSTO, prontamente obediente à vontade de Deus tão logo a perceba. A bíblia não podia ter registrado melhor e maior elogio à figura de José.
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0 # João Pedro Strabelli 28-11-2016 18:51
Oi, Geraldo São José foi um presente para mim. Devoto mesmo, dele, eu não era. Gostava, conhecia, queria bem por ser da Sagrada Família, incluía um “São José, rogai por nós” no final de cada dezena do Terço mas não chegava a ser devoto. E foi um Terço que me fez devoto dele. Não foi um baque,, porque foi suave, mas foi coisa de dois ou três segundos. Eu sempre meditava em Jesus e Maria e em alguma parte do terço percebi: das sete dores de Maria, José estava em três! Imediatamente percebi outra coisa: Maria confiou nele, e antes mesmo do anúncio do anjo. Jesus confiou nele. Deus confiou nele! Era demais para um homem só. Uma vez até pensei em escrever uma análise dos Evangelhos do ponto de vista literário (não só literário, mas é que eu acho a Bíblia tão completa que praticamente todos os estilos literários estão lá e, além de textos sagrados, eles tem uma beleza literária que passa esquecida) e o que eu mais penso é em José. No começo eu achava estranho falarem tão pouco dele. Mas os evangelistas foram com José do jeito que ele era: justo e silencioso. O Evangelistas fizeram justiça com ele (a prova que os estilos literários da Bíblia são fantásticos). Todas as minhas outras devoções vieram primeiro da vontade, depois foram para a inteligência e para o coração. Mas começaram sempre com eu querendo. Com José, não, ela veio pra mim. Depois de perceber tudo o que ele significa, eu quis, mas antes ela entrou na inteligência e quase imediatamente no coração. Eu precisei de algum tempo para entender que eu também queria o que já estava arraigado. São José é diferente. Maria era Imaculada. É um modelo, mas um modelo inalcançável. João Batista, Jesus mesmo disse que não houve outro homem igual ele. Pedro e Paulo tiveram missões importantíssimas na Igreja. José, o que foi? Um pai de família e um trabalhador. E um justo! De um momento para outro ele me ficou familiar. Não que eu vá ser como ele, mas ele me parece um modelo próximo. São Francisco que me perdoe, minha devoção por ele não diminuiu nem um pouco, aumentou muito depois de José, mas o Santo silencioso alcançou o posto logo depois de Maria. Naquele mesma dezeno ele se tornou meu padroeiro e meu guia na minha devoção pelo Terço. Procurei imediatamente o Terço Glorioso de São José e, nas quartas-feiras que não tenho como rezar, fico sentindo falta. Acho que ele não ia gostar do elogio, mas São José é o cara!
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0 # geraldo 24-11-2016 21:07
"A Beleza salvará o mundo!" (Fiódor Dostoiévski) "A igreja não faz proselitismo, ela cresce muito mais por atração!" (Bento 16 em 2007, no Brasil) "Quem é este que até o mar e o vento lhe obedecem!" (Mc 4,41) "Senhor, para quem iremos nós? Somente tu tens as palavras da vida eterna!" (João 6, 68) "Fica conosco Senhor! Pois já é tarde e o dia declina" (Lc 24, 29). "O cristianismo é uma pessoa, que me amou, que nos amou tanto e pede nosso amor. O cristianismo é Jesus Cristo!" (Bem aventurado Oscar Romero) A pior deformação que pode ocorrer à fé cristã é o moralismo, porque ele é uma autossuficiência orgulhosa que faz dos mandamentos, pedras para atirar nos outros. Tanto o moralismo pessoal quanto o social (tão presente na maior parte das Teologias da Libertação) conduzem à arrogância, à pretensão de construirmos por nós mesmos aquilo que consideramos justo e bom, repetindo a história da Torre de Babel. "Ninguém pode ser bom se não é amado!" Dizia a prostituta Sònia ao amargo e desiludido criminoso Raskolnikov ( no livro Crime e Castigo, de Dostoiévski). E deixar-se amar por Deus, em Cristo, é muito mais difícil do que amar. Pois isso implica em reconhecermos, humildemente, que somos pó e barro, que somos vis e mesquinhos: "Ó Deus tem misericórdia de mim, miserável pecador!" (Lucas 18, 13) E o publicano que assim rezava no templo, nos diz Jesus, foi para casa justificado. A autossuficiência pretensiosa é algo tão arraigado em nós, que assumir a vileza, a podridão e até mesmo o ridículo da nossa condição é um grande sacrifício, como nos lembra Fernando Pessoa na crueza e realismo do seu Poema em Linha Reta: https://www.youtube.com/watch?v=uElwCENBDJQ A única pessoa que se inclina, sem condenações, sobre esta nossa miséria é Jesus. Mas a condição indispensável para que possamos experimentar sua ternura pessoal por nós, é a prontidão em tirar a nossa máscara diante dEle. O Evangelho não nos conta se a prostituta (humilhadíssima) que estava prestes a ser apedrejada até encontrar o olhar misericordioso do Senhor, é a mesma que depois lavou os seus pés com perfume caro e lágrimas, diante dos fariseus furibundos. Mas as duas cenas se casam perfeitamente. Piedosa e antiga tradição identifica ambas com Santa Maria Madalena,de quem foram expulsos sete demônios - ou seja: todo tipo de podridão moral (sete indica totalidade) - e que depois foi a primeira a ver e anunciar o Senhor Ressuscitado. Ela é, por isso, a padroeira da Ordem dos Pregadores (dominicanos), o que é bastante significativo, pois nos mostra a essência do anúncio cristão. Não comunicamos ao mundo um conjunto de regras morais, mas dizemos com toda a singeleza do coração agradecido: vejam o que o Senhor, que está vivo, tem feito por mim! "Sou um pecador a quem o Senhor tem olhado", como gosta de dizer o Papa Francisco. Dom, graça e beleza! A Alegria de sermos profundamente amados! É isso que temos para contar e partilhar com o mundo. Até mesmo a teologia moral e a catequese sobre os dez mandamentos - não obstante a clareza acerca do que é justo e bom - precisam ser um alegre anúncio da misericórdia de Cristo, da experiência que temos feito de sermos tocados e transformados pelo poder do seu amor, daquilo "que vimos com os nossos olhos, daquilo que contemplamos e as nossas mãos apalparam" (1 João 1:1) Pois a autêntica natureza do ser humano, é a atração da beleza! Não basta saber o que é justo e correto, não basta o (necessário) senso do dever, é preciso ter a chama interior que nos co-move! "A minha alma tem sede de Deus, anseia com ardor pelo Deus vivo! Quando contemplarei tua face, Senhor!" (Salmo 42) "Introibo ad altare Dei.Ad Deum qui lætificat juventutem meam! "Subirei ao altar do Deus que ALEGRA a minha juventude!" diz o sacerdote no belíssimo rito tridentino da missa, ainda que tenha 90 anos de idade, fazendo contínua memória do primeiro amor, do dia em que ouviu o Senhor lhe chamando pelo nome. E nós também, só viveremos o cristianismo como ele é, se à cada manhã, a cada despertar de um novo dia, voltarmos a ouvir a mesma voz que um dia nos cativou: https://www.youtube.com/watch?v=HMEwh01QAsk
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0 # Karina 24-11-2016 17:33
EX-CE-LEN-TE!
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0 # Andrea Vaz dos Santos 24-11-2016 13:13
Texto apaixonante.
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0 # Rodrigo 24-11-2016 11:07
Como encontrar o equilíbrio entre viver as regras sem legalismo e ser misericordioso e amoroso sem ser condescendente?
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0 # A Catequista 24-11-2016 11:46
A regra de ouro é bem evidente, pois o Evangelho insiste nesse conselho várias vezes: SE ABSTENHA DE JULGAR MAL O PRÓXIMO quando não conhece todos os elementos necessários para proferir um julgamento justo (e, convenhamos, na maioria das vezes, não sabemos da missa a metade, então o melhor é mantermos a língua quieta dentro da boca). Aqui, já publicamos 2 posts que ajudam a refletir bem sobre essa questão: Linchamento virtual: você já cometeu esse pecado? http://ocatequista.com.br/archives/17355 A mãe “desnaturada” do aeroporto: mais uma vítima do linchamento virtual http://ocatequista.com.br/archives/17387 Regra número 2: quando achar necessário fazer uma correção fraterna ou, em casos mais drásticos, uma denúncia pública, faça sempre com espírito de caridade, tendo em vista que você também é miserável pecador, e não se salvaria de modo algum de são fosse a bondade de Jesus, que derramou Seu Sangue para lavar nossos pecados. Ainda que tenha que desancar o outro publicamente, pelo bem das almas (se for necessário chegar nesse ponto), jamais se esqueça que você também é pecador, e sem a graça de Deus e o espírito de vigilância, poderá se rebaixar ao mesmo estado daquele infeliz que está combatendo. Resumindo: tira primeiro a trave do teu olho. Regra número 3 é ler, meditar e colocar em prática o sermão de São João Maria Vianney sobre o respeito humano. Muitas pessoas vão pagar caro no Juízo Final por não fazerem a devida correção fraterna quando a realidade as chamou a isso. Não querem jamais falar qualquer palavra que melindre os outros, não querem ofender ninguém, evitam contrariar os outros, como se isso fosse bondade e virtude. Não é, é covardia. Assim, deixam os irmãos continuarem cegos em seus pecados, seguindo pelo mau caminho, quando deveriam alertá-los caridosamente sobre seu mau procedimento. Regra número 4, seja suave e condescendente com as pessoas que estão em estado de ignorância justificada, e desça a lenha nos hipócritas, cínicos e vagabundos esclarecidos. Por exemplo, se um padre chega em uma aldeia indígena, ele seria louco se começasse a censurar a nudez do povo. Aquelas pessoas estão em um contexto cultural bastante específico, em que a nudez nunca se mostrou a elas como algo imoral. Então, se quer vê-las vestidas decentemente, vá com MUITA calma. A prioridade é pregar Jesus Cristo morto e ressuscitado. O resto vem depois. Índios podem até mesmo ir à missa pelados, na boa. Agora, se uma menina já frequenta a Igreja há 300 anos, já foi alertada carinhosamente 900 vezes sobre o seu modo impróprio de vestir, já ouviu catequese sobre castidade e modéstia, e ainda assim insiste e ir à missa de short e tomara-que-caia, o padre tem todo o direito de esculhambá-la, até mesmo o dever de proibi-la de comungar. Outro exemplo: uma vez uma amiga minha, que não ia à missa há 500 anos, foi à missa e comungou - até porque o sacrílego do padre disse que todo o mundo ali poderia comungar. Com carinho e com muita serenidade, expliquei a ela que ela não deveria comungar sem se confessar antes. Ela não entendeu, não concordou, disse até que não tinha pecado (rs), mas devemos entender que nos dias de hoje as pessoas perderam a noção de pecado, então quando elas dizem que não têm pecado, muitas vezes estão sendo sinceras. Depois, fui comentar o caso com a professora de religião, uma das responsáveis pelo retiro em que minha amiga comungou. Mesmo eu tendo demonstrado, pela doutrina da Igreja, que aquilo foi errado, a criatura insistiu que aquele sacrilégio era correto. Eu levantei bastante o tom e esculhambei ela. Professora de religião não tem direito de cagar e andar pra doutrina da Igreja. Fim. Não sei se esgotei a questão, mas no momento acho que essas dicas ajudam a ter um bom equilíbrio.
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0 # Rodrigo 24-11-2016 13:41
Ótimo, Viviane! Obrigado! Isso me alivia bastante a consciência pelo que já fiz esse ano a respeito da intenção de orientar, exortar e corrigir fraternamente (sobre aquele caso de inseminação artificial que conversamos em privado).
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0 # Fabio Machado 24-11-2016 09:01
Maravilhoso o texto! Divulgarei ao infinito ; )
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0 # JB 24-11-2016 08:00
Como infelizmente todos temos um primo ou um tio ou irmão divorciado, gostaria de saber se, na opinião de O Catequista, a comunhão para os divorciados e recasados está conforme a doutrina de sempre da Igreja ou se deve ser vista como um vacilo temporário de Pedro. Na primeira hipótese, gostaria também de saber como conciliar o ensinamento dos papas anteriores, particularmente São João Paulo II, com a nova prática de conceder a comunhão aos divorciados e recasados (pelo menos para alguns).
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0 # Ércio Melo Oliveira 24-11-2016 11:03
A "doutrina de sempre da Igreja" prevê que o Papa é infalível quando "ex cathedra" se pronuncia sobre assuntos de fé e costumes. É o dogma da infalibilidade papal, promulgado por Pio IX. Onde entra o termo "vacilo temporário de Pedro" na compreensão deste dogma?
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0 # JB 24-11-2016 16:50
Ércio, Não entendi sua questão. Amoris Laetitia pertence ao magistério ordinário. Portanto, pode talvez conter erros já que não está protegida pelo dogma da infalibilidade. E volto a perguntar: Como se poderá conciliar a comunhão dos recasados, que parece ser permitida pela interpretação dada pelo próprio Francisco à Amoris Laetitia, com a explícita proibição constante na Familiaris Consortio de São João Paulo II? É possível a conciliar a novidade com a Tradição? Ou estamos diante de um vacilo do atual sucessor de Pedro?
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0 # Ércio Melo Oliveira 25-11-2016 22:46
JB, creio que você deva revisitar os textos que fundamentam o dogma da infalibilidade papal. E não, não estamos diante de um vacilo do atual sucessor de Pedro. Estamos, pelo contrário, diante de alguém que seguramente não deixa dúvidas que está representando Jesus e seus ensinamentos.
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0 # JB 27-11-2016 18:11
Caro Ércio, Faço-lhe a mesma sugestão. Um pronunciamento pontifício só é considerado infalível quando o Santo Padre explicita e claramente indica sua intenção de fazê-lo ex-cathedra. Definitivamente esse não é o caso da Amoris Laetitia. Além disso, se a exortação apostólica Amoris Laetitia for infalível, infalível também será a exortação apostólica Familiaris Consortio, de São João Paulo II. Ora, esta última proíbe claramente a comunhão dos recasados enquanto aquela primeira o permite em alguns casos. Quer seja infalível quer não, a contradição entre o ensinamento de Francisco e o de São João Paulo II é visível. Se não é um "vacilo" do Santo Padre, por favor, explique-me então como resolver essa contradição.
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0 # @Lipee_Martins 24-11-2016 15:24
Ércio, O Papa é infalível, mas não impecável. Ele é humano, e podemos perceber isso claramente na Série dos Papas neste blog! Paz e Bem
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0 # Wiliam 27-04-2017 15:43
A Amores Laititea é pastoral, portanto não é dogmática que significa que não pode se sobrepor a outros documentos dogmáticos..
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