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Terça, 27 Setembro 2016 01:53

Não eram padres nem freiras: os LEIGOS fundaram a Igreja na Coreia

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Hoje, na Coreia do Sul, país de maioria budista, há quase 2 milhões de católicos. O mais interessante é que o catolicismo foi semeado na Coreia não por missionários religiosos, mas sim por leigos. Nós, leigos do Brasil, temos muito a aprender com esse testemunho!

Em meados do século XVIII, um grupo de estudiosos coreanos ficaram profundamente tocados pela leitura do livro título “O verdadeiro sentido de Deus”, do padre jesuíta Matteo Ricci. Eles tinham sede de conhecer melhor a doutrina de Cristo, mas naquele país não havia quem lhes pregasse a Boa Nova.

Malandramente, o jovem Yi Sung-Hun (vou chama-lo de Psy, porque esse nome aí tá muito complicado) foi à China em 1783 buscar catequese junto ao bispo de Pequim. Após algum tempo, Psy voltou à Coreia batizado, e cheio da graça do Espírito Santo. Oppa, Jesus style!

psy

Junto a seus amigos leigos, Psy fundou a primeira comunidade cristã. Pregaram o nome de Jesus aos parentes, aos amigos e de aldeia em aldeia. Em dez anos, já havia dez mil cristãos na Coreia!

Alguns desses cristãos coreanos abraçaram o sacerdócio, mas o número de padres era insuficiente diante do rebanho cada vez mais numeroso. A comunidade pediu ao Bispo de Pequim, por diversas vezes, que enviasse sacerdotes, porém isso só ocorreu 30 anos depois.

Nesse tempo, já milhares de cristãos coreanos haviam sido martirizados pelo governo budista coreano - inclusive Yi "Psy", que foi decapitado em 1801. Já seu amigo Yi Byeok, outro grande pregador cristão, foi morto pelo próprio pai. Entre os que tiveram seu sangue derramado pela fé estava também o Padre André Kim Taegon, canonizado pela Igreja junto com seus 103 companheiros mártires.

Que lição nós podemos tirar dessa história? O Papa Francisco disse claramente, em homilia na Casa Santa Marta (17/04/2013): não é preciso fazer parte de uma elite clerical para sermos capazes de pregar a Boa Nova. Não mesmo! O BATISMO É SUFICIENTE PARA EVANGELIZAR.

papa_leigo

Muitos de nós latino-americanos ainda não compreendemos o centro da proposta do Concílio Vaticano II: o “chamado universal a santidade”, com grande incentivo ao apostolado dos leigos. Não devemos somente ficam esperando a ordem de algum padre para levarmos o Evangelho ao mundo. Isso se chama CLERICALISMO.

Em carta ao Cardeal Marc Ouellet, Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, o Papa Francisco denunciou o clericalismo como “uma das maiores deformações que a América Latina precisa enfrentar”. Destacamos a seguir alguns trechos dessa carta.

PROTAGONISMO DOS LEIGOS

“Faz-nos bem recordar que a Igreja não é uma elite de sacerdotes, consagrados, bispos mas que todos formamos o Santo Povo fiel de Deus."

"Os leigos são parte do Santo Povo fiel de Deus e portanto os protagonistas da Igreja e do mundo; somos chamados a servi-los, não a servir-nos deles."

CLERICALISMO

"Esta atitude [o clericalismo] não só anula a personalidade dos cristãos, mas tende também a diminuir e a subestimar a graça batismal que o Espírito Santo pôs no coração do nosso povo. O clericalismo leva a uma homologação do laicado; tratando-o como 'mandatário' limita as diversas iniciativas e esforços e, ousaria dizer, as audácias necessárias para poder anunciar a Boa Nova do Evangelho..."

HIERARQUIA

"Não é o pastor que deve dizer ao leigo o que fazer e dizer, ele sabe tanto e melhor que nós. Não é o pastor que deve estabelecer o que os fiéis devem dizer nos diversos âmbitos." [Lendo a carta inteira fica claro que, aqui, o Papa Francisco não se refere ao âmbito paroquial ou às atividades oficiais da diocese, em que os leigos devem sempre se submeter ao que a autoridade clerical estabelece]

"Confiemos no nosso Povo, na sua memória e no seu 'olfato', confiemos que o Espírito Santo aja em e com ele, e que este Espírito não é só 'propriedade' da hierarquia eclesial."

CATEQUISTAS, HÁ UM PADRE AVALIZANDO O BLOG?

A história da Igreja na Coreia e as palavras do Papa Francisco sobre clericalismo nos ajudam a responder uma das perguntas que mais recebemos aqui no blog: “Uma página com tanto alcance conta com a análise e acompanhamento de algum padre ou diácono? Vocês falam em nome da Igreja?”.

padre_catequista

Não, não somos porta-vozes da Igreja Católica. O Catequista é uma iniciativa 100% leiga. Não há nenhum religioso em nossa equipe. Somos apenas catequistas fazendo uma bem-humorada “catequese de boteco” e buscando cumprir o que pede o Concílio Vaticano II:

“Segundo o grau de ciência, competência e autoridade que possuam, têm o direito, e por vezes mesmo o dever, de expor o seu parecer sobre os assuntos que dizem respeito ao bem da Igreja.” (Lumen Gentium, 37)

Em espírito de amor e obediência, nossos posts de catequese se fundamentam sempre na palavra segura das autoridades da Igreja: os documentos oficiais do Vaticano, a Patrística, o ensinamento dos santos, dos bispos e dos grandes teólogos.

696 Sexta, 24 Março 2017 14:31

Comentários   

0 # O. J. Dotto 19-01-2017 16:55
Pessoal de O Catequista: Sou leigo, mas profundo conhecedor da doutrina da Igreja, e posso garantir que não encontrei até agora nenhum erro doutrinário no que expõem. Parabéns pelo grande trabalho e só almejo que aparecem mais sites como o de vocês.
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0 # A Catequista 19-01-2017 20:02
Obrigada, Dotto!
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0 # Pe. Cassio S Souza 03-10-2016 21:45
Sou Sacerdote e acompanho o blog e vejo que é sumamente importante a participação dos leigos e leigas na Igreja na evangelização. Jesus pediu para anunciar o Evangelho, a boa nova do Reino de Deus! Não pediu para celebrar a missa primeiro. A Missa é o a Celebração dos que são evangelizados! E quando leigos comprometidos evangelizam outros que precisam comprometer-se quem ganha é a Igreja de Jesus! De fato, diversas matérias aqui apresentadas e comentadas com o bom humor, que particularmente admiro, ditas por leigos fundamentados como vocês do blog, têm uma "liberdade" que nós sacerdotes não temos, pois somos colaboradores do Bispo na ordem Sacerdotal e prometemos respeito e fidelidade a ele e aos sucessores, o que seria "cutucar a excelência" e sermos submetidos a algumas advertências. Já vocês leigos podem explicar e ensinar com o devido respeito de sempre. Bom exemplo sobre o projeto de Lei da Reforma Política que vocês postaram, se fosse eu, pobre coitado sacerdote fadado a um puxavante de orelha! Por isso parabenizo! Pois Jesus disse: Quem não está contra nós, está a nosso favor!
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0 # A Catequista 04-10-2016 11:38
Agradecemos muito as suas palavras, Pe. Cassio!
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0 # Luis Gustavo 02-10-2016 02:27
Bravo! Caros Catequistas seja lá quem o Geraldo for, convida ele para fazer parte da equipe do Blog! O homi escreve mto bem e é ungido em suas reflexões!
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0 # adriano 01-10-2016 14:16
A clericalização do leigo é a outra face da laicização / dessacralização do ministério sacerdotal. Temos assistido a um processo violento de dissolução da identidade sacerdotal, desde o Concílio Vaticano II(não por causa dele, mas depois dele). Aliás, já que toquei no assunto, o que os teólogos modernistas e seus sequazes fizeram com o Concílio foi claramente uma guerra de narrativas (estratégia retórica hoje conhecida por muitos, mas infelizmente outrora desconhecida). Eles fizeram a interpretação deles prevalecer sobre a interpretação ortodoxa (a única admissível), mediante uma ardil estratégia de infiltração e propaganda acadêmica e eclesial. Esse ardil foi tão eficaz que alguns conservadores, ao invés de atacarem a INTERPRETAÇÃO MODERNISTA do Concílio (a narrativa modernista), propondo substitutivamente a interpretação ortodoxa, passaram a atacar o Concílio em si. Estes, na verdade, fizeram aquilo que os modernistas queriam... que era aceitar a narrativa deles. Mas, voltando à laicização do sacerdócio. O Padre infectado pelo modernismo se enxerga como um mero animador da comunidade. Sobre o Santo Sacrifício da Missa, ele pensa: "É a comunidade toda que celebra, eu sou só o animador". Na verdade, para eles o sujeito-Igreja é somente o povo, na sua dinâmica própria. Os sacerdotes são simplesmente animadores do povo, não seus formadores. Por isso eles não querem ensinar o catecismo, não querem administrar os sacramentos, não querem abençoar objetos. Eles não querem ser formadores (aquele que dá forma), que ensinam, que comunicam eficazmente a graça de Deus. Eles querem somente ser animadores de algo que dá a forma a si mesmo, na sua dinâmica própria. Não há, para eles, diferença qualitativa entre o "sacerdócio comum dos leigos" e o sacerdócio ministerial dos padres, somente uma diferença de grau. Esse é o espírito da mal-traduzida resposta "Ele está no meio de nós". O original "Et cum spiritu tuo", em qualquer país latino é traduzido como "Y con tu Espiritu", e em português evidentemente deveria ter sido traduzido como: "E com o teu espírito", para demarcar a diferença qualitativa entre o "ministério dos leigos" e o Ministério sacerdotal dos Padres. É por isso que os Padres modernistas não querem rezar missa privada, sozinhos. Porque, pensam eles, a Missa é do povo, para o povo, é a celebração da comunidade... Na verdade, a missa é a renovação sacramental do sacrifício de Cristo, e isso se opera com ou sem povo. O povo une-se espiritualmente à ação Divina, mas a ação Divina é a mesma com ou sem povo assistindo. É por tudo isso também que os garotos não querem mais ser padres. O padre não é mais visto como um herói da fé, cavaleiro de Cristo, pai espiritual da comunidade, mas como um animador de festa... Tudo isso faz parte da crise do sacerdócio. O que quer dizer, em resumo? Que os leigos lotaram a sacristia, porque os Padres jogaram fora as batinas. P
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0 # Geraldo 01-10-2016 22:12
E no entanto, essa diferença qualitativa, Adriano, é essencial para compreendermos (e vivenciarmos) o próprio cristianismo. "Convosco sou cristão, para vós sou bispo", assim dizia Santo Agostinho, revelando uma compreensão muito clara da realidade do cristianismo. Todo bispo e padre com certeza também é cristão, e nisso somos iguais. A igreja "toda ministerial" (expressão que se tornou comum entre nós) pode ser uma riqueza que expressa a nossa comunhão fraterna em Cristo, mas dependendo do modo como a compreendemos, pode empobrecer tremendamente a experiência da fé e até mesmo impedir que ela se manifeste no meio do mundo. Se esta fórmula for apenas a expressão moralista de um esquema que simplifica a riqueza da realidade e da experiência (humana e cristã) - "somos todos iguais" - nos arriscamos a perder o melhor da vida, que é a gratuidade e a iniciativa do amor. Há uma série de expressões e concretizações da mesma tendência ideológica igualitarista e praxista, contaminando e paralisando a vida do povo de Deus e a manifestação do Amor de Deus no meio do mundo: 1) A Trindade como modelo de uma sociedade igualitária; 2) O desprezo do primado da fé e da graça sobre o amor e afirmação de que tanto faz, partir da fé ou do amor (famosa polêmica entre os irmãos Boff em 2008) como lugar teológico; 3) Uma igreja "toda ministerial" - em consequência das duas afirmações anteriores - como expressão de igualitarismo, que nos casos mais radicais chega a propor que os fiéis façam rodízio na presidência da liturgia. Além da clara filiação ideológica dessa interpretação estreita da fé (que não encontra qualquer justificativa no Novo Testamento e na Tradição Cristã), há nela um claro germe de paralisia e inação (ou pior: de ação que mata o amor). O que é um contraproducente tiro no pé, já que a intenção declarada era lutar contra uma fé que não incide na vida e na história. E lutar de modo artificioso: "já que a nossa fé é vista (ao menos por nós) como algo que não altera nada neste mundo e até contribui para a sua piora, vamos mudar toda a teologia (toda a interpretação da fé) para que ela se torne mais "libertadora", mais transformadora da realidade. Isso, de certa forma, ecoa o Marx tardio e, especialmente, Gramsci, os Frankfurtianos e todos aqueles que elegeram o campo da transformação cultural, como condição indispensável para a revolução do mundo. E porque há aqui um contraditório germe de paralisia e de desamor que faz lembrar a poética profecia de T.S.Eliot - "Virá uma sociedade tão perfeita que dispensará a bondade entre as pessoas"? Porque o amor é - intrinsecamente - INICIATIVA. É um sair de si para ir ao encontro do outro. Uma esquemática e fabricada representação da Trindade Divina, como igualdade estática e estanque, faz lembrar aquela famosa historieta das quatro pessoas cujos nomes eram TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM: "Havia um trabalho importante a ser feito e TODO MUNDO tinha certeza de que ALGUÉM o faria.QUALQUER UM poderia tê-lo feito, mas NINGUÉM o fêz. ALGUÉM zangou-se porque era um trabalho de TODO MUNDO. TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo. Ao final, TODO MUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito." Parece uma discussão estéril e infrutífera, mas a complexa teologia católica das "processões e relações" no interior da Trindade, nos dizendo - entre outras coisas- que o Pai procede do filho, é muito reveladora do Mistério que tem criado, salvado e santificado, este mundo. Não é mero desvio histórico, não é traição da sua ideia e proposição original, o fato de que as ideologias igualitárias tem sido os fatores que mais geraram desigualdades e injustiças na história. Já no artificialismo da proposição original dessas ideologias, morava o germe das posteriores injustiças que elas geraram, e creio que a historieta citada revela bem isso. Dentro da própria Trindade Divina existe INICIATIVA, o pai GERA o filho e o Espírito Santo procede de ambos. Esta é a mesma dinâmica que faz do céu e da terra, realidades CRIADAS. A realidade é antes de tudo, DOM. Somos tomados pela surpresa de não existirmos por nossa própria vontade, mas pela INICIATIVA de um Outro. Se formos fazer um histórico minucioso, um inventário da criatividade positiva no mundo, veremos que ela sempre brota dessa posição existencial: reconhecer a positividade do mundo. A realidade é boa! As ideologias que nascem da revolta e do ódio, do ressentimento, as posições filosóficas que se recusam a abrir os olhos diante da beleza do real, mas se pretendem - desde Descartes (e mesmo antes, desde Guilherme de Ockam e seu nominalismo) - inventoras da realidade a partir do zero ("Importa transformar o mundo, não entendê-lo", Karl Marx), trazem em si o germe do desamor e em última instância, da paralisia e da morte da criatividade. Quem constrói a partir do que recebeu, quem cultiva uma humilde e alegre postura de gratidão diante da realidade, tende a deixar marcas mais criativas no mundo. Um dos posts deste blog que tratou da abolição gradual da escravatura como fruto maduro da fé cristã (e não apenas, e nem mesmo sobretudo, como resultado de novas condições de produção material) mostra claramente isso. O Deus que livre e gratuitamente criou o mundo, como INICIATIVA do seu Amor sedento por dar de si, é o mesmo que veio salvar este mundo perdido por não saber ser criatura. Pois mil vezes mais difícil que amar, é se deixar amar. A igreja nasceu desse gesto cheio de simplicidade: acolher Aquele que veio armar sua tenda entre nós e partilhar de nossa mesa: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir minha voz e me acolher, entrarei e cearei com ele!" (Ap 3:20). A entrada do Senhor na realidade humana, no cotidiano da vida, como salvador (pois como criador ele já está em todos os lugares e tempos e prossegue seu diálogo com o mundo, gerando todo o bem que possa resultar da acolhida de sua voz), depende do que Ele mesmo disse, do método e caminho que ele mesmo escolheu para estar no mundo: "EIS QUE EU VOS ENVIO, QUEM VOS OUVE É A MIM MESMO QUE OUVE E ACOLHE"(Lucas 10). Porque Deus quis agir assim? Porque este escândalo da escolha de um detalhe da criação, para nele se manifestar? Porque essa pequena porção da humanidade chamada Israel foi a depositária da promessa de salvação do mundo? E porque este pedaço de povo chamado igreja, recebeu a missão de tornar universal essa salvação? Isso não é anti-igualitário? Porque tamanha discriminação do restante da humanidade? Porque só um homem é a encarnação do Deus Vivo no meio de nós? E os outros avatares? E Buda? E Krishna? E para piorar as coisas, um ministério em especial, o ministério ordenado (bispo-padre) é a continuação sacramental da presença do salvador pastoreando esse pedaço do povo, chamado igreja. Que escândalo! Que coisa altamente insuportável aos nossos ouvidos acostumados aos discursos libertários da igualdade. Só que os "discursos libertários da igualdade" tem gerado - como nenhum outro fator antes deles - a maior concentração de poder já vista na história do mundo! Isso tudo me faz lembrar um caso triste ocorrido com meu velho pai: Era um dia de forte tempestade e ele, montado em seu cavalo, topou com uma mulher que queria se atirar a um poço fundo. Com o coração compadecido, ele apeou do animal e envidou todos os esforços para tirar a mulher da beira do poço e buscando saber os tristes motivos (miséria, fome, abandono, desamor, desespero, etc) de sua tentativa de suicídio, fez tudo o que pôde para ajuda-la. Felizmente ela correspondeu à sua INICIATIVA e com grata alegria, retomou a vida e até melhorou bastante seu modo de ser. E claro, sempre dizia a todos, que devia sua vida àquele homem, que apareceu do "nada", montado em seu cavalo, numa noite fria de tempestade. Se aquela mulher tivesse uma mentalidade infantilmente igualitarista contaminando sua visão acerca de todos os fatos que lhe ocorressem, qual teria sido sua reação? "Ah não, meu senhor! Sua iniciativa de ter ido me salvar estabelece uma DESIGUALDADE entre nós e eu não posso aceitar tamanho escândalo! Porque eu também não posso ser salvadora? Isso é tremendamente injusto, é uma discriminação! A minha condição de mulher então, me faz repugnar do fundo da alma, essa situação misógina, e blá, blá, e mimimi, etc. etc." Será que ela negaria a beleza, o dom, a gratuidade do amor que teve lugar naquele dia memorável? E negaria isso com base nessa doentia visão de que o fato que mudou sua vida, se deu contra suas ideias de igualdade? Às vezes penso que as ideologias igualitaristas (e a contaminação de parte da teologia católica por elas) se parecem um pouco com uma reação boboca e infantiloide assim. Uma reação que, evidentemente, seria um tremendo tiro pela culatra. Pois, aquela mulher socorrida por meu pai se tornou membro da conferência vicentina da qual ele participava, e a partir dali, também socorreu outras vidas desesperadas. Imagine o que seria, se aquela mulher ficasse caçando chifre em cabeça de cavalo: "mas isso é uma desigualdade, eu também tinha que ter sido a salvadora vinda a cavalo e blá, blá, blá e mi mi mi..." Ela ficaria totalmente paralisada, ou então se movimentaria muito, mas na direção errada e contraproducente. "O ódio não é uma força criativa, o amor é uma força criativa" (São Maximiliano Kolbe). Que contraste tremendo entre essa frase do santo polonês (que morreu pelo que, por QUEM acreditava, dando a vida no lugar da de um pai de família, mas jamais cogitou de matar por isso) e esta outra: "ódio como elemento de luta; ódio cruel do inimigo, impelindo-nos acima e além das limitações naturais das quais o homem é herdeiro até transformá-lo numa efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar" (Che Guevara) Esta é a beleza da realidade e da história! Desde o fato de o Filho ser eternamente gerado pelo pai, desde a iniciativa da criação do mundo, da escolha de Israel como portador da promessa após a queda do pecado original, da vinda de Cristo e da continuação de sua presença no mundo por meio da igreja, tudo é sequência de uma grande iniciativa de amor. São Paulo poderia ter tido uma tentação moralista, uma tentação ideológico-revolucionária, de perverter a sua experiência de ter sido encontrado por Cristo, de ter sido agraciado por um dom imerecido, em uma pretensão de "mudar o mundo", quando escreveu a Filemom, lhe devolvendo o escravo Onésimo. Ele poderia ter estimulado a fuga e rebelião de Onésimo e ter transformado a abolição da lei escravagista numa "causa" a ser assumida pela comunidade cristã a todo custo. Mas sua experiência pessoal (e a experiência do povo salvo a quem pertencia) lhe dizia: Só ama quem se sabe amado! Só é capaz de iniciativa, quem foi atingido pela iniciativa amorosa de um Outro. Nada disso que estou dizendo é negação do caminho político que a igreja faz questão de estimular, nada disso é recusa de buscar leis mais justas. E muito menos é a recusa de se admitir que a realidade não é apenas testemunho da bondade divina, mas também do pecado e da maldade ingrata do ser humano. Mas é alerta contra a ilusão de uma pretensão utópica. E já estamos bem crescidinhos (historicamente falando) para termos ilusões desse tipo, para não termos aprendido as lições da experiência, dos fatos e da história. E mais: já somos experientes o bastante (histórica e culturalmente falando) para não deixarmos passar a melhor oportunidade (não a única, mas certamente a melhor, a mais promissora) de fazer algum bem nesse mundo. E essa melhor oportunidade de fazer o bem, é, sem dúvida, deixar que o bem seja feito a nós, deixar-se amar, receber a realidade como um DOM, deixar-se surpreender pela graça de uma PRESENÇA. Receber o amor, é mais difícil que amar. Pois isso mexe com nossa pretensão e autossuficiência. É nessa perspectiva da INICIATIVA que nos amou primeiro, ainda quando não éramos capazes de amar ( e muito menos, pois, de "mudar o mundo") que se situam a criação do mundo, a salvação trazida por Cristo, a existência da igreja como continuação de Cristo assim querida por ele, e o ministério ordenado, dentro dessa igreja, como presença de Cristo pastor e cabeça do seu povo. Uma iniciativa de amor se acolhe e se multiplica! ____________________________________ É claro, contudo, que isso tudo aumenta a responsabilidade de quem se diz cristão e impõe a pergunta: o fato de que a igreja seja sobretudo, INICIATIVA do Amor divino, é, em nossa vida, uma mera afirmação proclamada, ou um fato vivido? Nunca é demais lembrar que a graça de pertencer ao povo escolhido, não é um privilégio para nos fazer andar por aí de nariz empinado, mas é um serviço ao mundo. E nunca é demais lembrar da grande responsabilidade que isso nos traz: "Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas teriam se arrependido sob o cilício e a cinza.Por isso vos digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós! E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia. Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!" (Mateus 11: 21-24)
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0 # Geraldo 02-10-2016 01:51
Ops. Erro sério no texto acima (por distração minha): "que o Pai procede do filho". Quis dizer: que o filho é gerado pelo Pai!E o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Ou como dizem os ortodoxos, "do Pai, pelo Filho", expressando um outro ângulo do mesmo mistério (mas isso é outro assunto). Ou seja, quis enfatizar que há INICIATIVA no interior da realidade divina, da TRINDADE. Iniciativa que continua na vinda do Filho de Deus entre nós e com o envio (pelo filho) da igreja pelo mundo e a história afora. Há sim circularidade (para lembrar do famoso Círculo Hermenêutico que é uma categoria usada pelas tendências teológicas ideológicas, que cito acima) no interior da Trindade. Mas, uma vez que o Pai tem gerado eternamente o Filho, enviou o Filho ao mundo, e este enviou a sua igreja, a ideia da circularidade, de Gadamer, é muito pobre para ser referência da teologia cristã. Esse tipo de círculo corre o risco de nunca sair do lugar (e a história nos tem mostrado à farta, os frutos podres das ideologias que exacerbam a igualdade) como o cachorro com uma salsicha amarrada na cauda, dando voltas e mais voltas circulares. Quem pôs o círculo em movimento? "Nem a fé e nem o amor são polos privilegiados, tanto faz partir de um como do outro" afirmam aqueles que quiseram transferir esse esquema fechado para a teologia. É claro que todo amor sincero vem de Deus e leva à Deus. A igreja jamais vai negar isso. A questão, contudo, é outra: se o ser humano é tão capaz assim de amar, com suas próprias forças, sem fazer a experiência de ter sido amado antes - e essa experiência é justamente a fé - para que Deus se fez homem, então? Esse tipo de circularidade não tem outra saída senão reduzir Jesus a um modelo ético - entre tantos outros - como se ele tivesse vindo ao mundo apenas para ensinar como devemos nos comportar. Porém, foi Cristo mesmo quem nos disse: "Sem mim, vocês nada podem fazer!" Existe, contudo, um círculo muito diferente desse de Gadamer, e ele é expansão dinâmica e infinita, portanto é uma metáfora, uma ilustração e um modelo que expressa muito melhor a dinâmica da realidade criada e salva por Deus. E este círculo é aquela belíssima rosácea que encontramos nos vitrais de tantas catedrais. Ela parte de um ponto (INICIATIVA) e vai se expandindo cada vez mais: https://ioakinnouk.files.wordpress.com/2014/05/dscn27441.jpg Lá no centro dessa rosácea, há o menino Jesus no colo da mãe, o mistério da encarnação, da vinda do Senhor na carne, a INICIATIVA do amor divino por nós. A expansão crescente , a partir desse centro irradiador, sugere um movimento que não tem fim. Eu cá não quero entrar numa circularidade fechada que não me leva a lugar nenhum. Eu quero pegar na mão dAquele menino que se acha no centro da rosácea, no centro do movimento que Ele mesmo colocou em marcha. Pois sei que sem Ele, eu nada sou.
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0 # Luis Gustavo 01-10-2016 02:29
Geraldo, meu irmão, quem é você? Vivi, revela aí o que é o Geraldo, por favor! Já sei, matei a charada. Se o historiador Paulo Ricardo Costa não é o Pe. Paulo Ricardo, então o Geraldo é que é o padre...kkk... brincadeira! Mas Deus seja louvado por seu dom da escrita e seu amor à Verdade! Pelo Blog do Geraldo já!
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0 # Julio Bacelar 30-09-2016 18:36
Cara, é porque escrever (e falar) ZULU e ZUMBI é mais fácil do que Yi Sung-Hu. E outra, não deve ter nenhum sul-coreano acompanhando esse "site esquisito".
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0 # GB 29-09-2016 17:42
Creio que chamar o jovem Yi de Psy pode até ser engraçado, mas talvez seja ofensivo aos coreanos, não? É como chamar qualquer negro de, sei lá, Zulu ou Zumbi.
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0 # Joao 29-09-2016 13:29
Leigos participando no mundo? Leiam sobre a Opus Dei e o carisma de S. Josemaria Escrivá. Ao contrário do que vc viu nos livros do Dan Brown, é um grupo voltado a incentivar o apostolado no meio do mundo, isto é, te ensinam a ser "santo pé no chão", onde você está. Eu penso que esse é o carisma mais importante hoje. Ah, e as formações que eles dão em seus Centros Culturais são excelentes. Fora a direção espiritual dos sacerdotes de lá. Quem mora em capital provavelmente tem um Centro Cultural da Obra à disposição. Se desejam um site que é avaliado por sacerdotes, tentem o www.presbiteros.com.br
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0 # Christopher maia 29-09-2016 01:36
alguém pode me tirar essa dúvida: todas as pessoas são filhos de Deus ou só as batizadas?
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0 # Geraldo 29-09-2016 16:04
Essa dúvida, Chistopher (que nome bonito: portador de Cristo!), costuma surgir por causa da doutrina que ensina que o batismo nos faz filhos de Deus. Se fôssemos muito simplistas na sua interpretação - sobretudo nesses nossos tempos da Tirania do Politicamente Correto - poderíamos deduzir que é uma doutrina discriminatória por não considerar os outros como filhos do mesmo Deus que criou a todos. Se por "filhos de Deus", entendemos o fato de que todos viemos dEle, fomos e temos sido criados e sustentados por ele, todos os seres humanos são sim filhos de Deus. E por isso São Paulo valorizou, ao evangelizar em Atenas, aquele verso de um poeta grego que dizia: "SOMOS TAMBÉM DE SUA RAÇA!" Mas a rigor, Jesus Cristo é o único FILHO de DEUS, "Filho Unigênito, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, GERADO, não criado, consubstancial ao Pai..." como rezamos no belíssimo Credo Niceno - Constantinopolitano. Ele é filho de Deus, por sua intrínseca natureza. Porém nos convida a nascer de novo: "Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus". Assim nos tornamos filhos nO FILHO. "Por adoção", se dizia antigamente. Isso não discrimina quem não é batizado, mas valoriza enormemente a pessoa humana e a dignidade da sua liberdade, já que responder ao convite para entrar na vida divina é uma escolha, o amor é uma escolha. A gente se acostuma a ver a igreja em sua dimensão institucional (que existe de fato) e neste mundo repleto de mil denominações cristãs, é fácil vê-la como uma denominação entre tantas, o que contribui, e muito, para desfigurar a obra de Cristo. A CRIAÇÃO do mundo por Deus é vista com mais facilidade, como algo que pertence à própria natureza e feição do real; a SALVAÇÃO mais ou menos...(já que há várias religiões que não consideram Jesus como Deus feito homem por nossa salvação). Já a continuação dessa história, que se chama justamente IGREJA, como uma terceira etapa intimamente colada às duas anteriores, é um ESCÂNDALO (no sentido paulino do termo) muito difícil de engolir, sobretudo pelo mundo atual. Que Deus tenha criado o mundo e enviado seu filho para salvar este mundo, é algo razoavelmente admitido por muita gente. Mas que a igreja, à qual se pertence mediante o batismo e a escolha consciente de permanecer na graça que ele dá, seja o terceiro capítulo dessa história, é praticamente a maior pedra de tropeço para a adesão à fé. Basta lembrar no escândalo que sucedeu à publicação da famosa declaração Dominus Iesus, do Vaticano, que assumia e enfatizava a doutrina católica de sempre: "Só Jesus salva universalmente e o faz mediante o mistério da igreja." Eu me lembro perfeitamente da reflexão de um famoso teólogo da libertação chamado José Comblin, que em reação àquela declaração disse o seguinte: " Há certas coisas que não são para ser ditas, ainda que sejam verdadeiras..." (e aquilo chamou muito a minha atenção). Logo em seguida ao texto dele, vinha um de Leonardo Boff (era uma coletânea de textos reativos à Dominus Iesus) em que ele dizia à guisa de conclusão: " será mais verdadeira a igreja que mais amar!" E ao ler ambos os textos, eu sintetizei para mim mesmo: "Por um lado e em certo sentido, esses dois estão montados na razão (embora errados em todo o resto) e estão dando razão à Dominus Iesus, mesmo que não tenham essa intenção!" Pois é exatamente este o mistério da igreja de Cristo. Mais que algo a ser proclamado e verbalizado, ela é antes de tudo, algo para ACONTECER e SER, porque É! E o muito proclamar, sem que aconteça e seja, é contraproducente e escandaloso. É, me desculpe a comparação, uma propaganda sem o produto. Para clarear isso melhor, lembro aqui da frase de São Francisco que um leitor deste blog (esqueci seu nome agora) nos trouxe dias desses: EVANGELIZAR SEMPRE. SE NECESSÁRIO, USAR PALAVRAS. Parece, a princípio, contraditório, já que a "FÉ ENTRA PELOS OUVIDOS" como diz São Paulo. Só que ele diz, mais precisamente, "a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus!" Mas o que é a Palavra de Deus? Como Deus fala? Antes de mais nada, DEUS É,FAZ, ACONTECE, AGE no mundo, expressando o que ele É. Não é o que nos ensina aquele grande documento do Vaticano II, a DEI VERBUM? E então, tendo agido, Deus diz o porquê fez isso e aquilo, por que agiu, qual o sentido e o motivo da sua ação. A palavra está sempre colada à ação. É assim na bíblia toda, de ponta a ponta. Assim também fez Jesus: ações e palavras, umas revelando o sentido , o significado das outras. E assim é a igreja, a terceira etapa da obra da salvação. Ela também é, sobretudo, um agir de Cristo no mundo. "Vejam ali, como essa gente se ama!" Os atos dos apóstolos não registram esta outra fala, mas é inevitável que ela tenha ocorrido: "Ei, cristãos! Porque vocês se amam assim? Porque vocês são tão diferentes?" A ação abre caminhos para a palavra! E a palavra revela o significado profundo das ações. Não estou falando necessariamente de uma ordem cronológica e linear, mas meditando sobre as feições do mistério de Cristo tal qual ele se apresenta a nós: A PALAVRA PROCLAMADA É UMA LUZ QUE SE PROJETA SOBRE O ACONTECIMENTO VIVIDO e TESTEMUNHADO! Assim a fé entra não somente pelos ouvidos, mas pelos OLHOS: "Venha e veja." O tornar-se filho no FILHO único de Deus, é um acontecimento, uma experiência vivenciada. O catecismo, a doutrina, proclamam essa verdade, como reflexão e síntese da experiência vivida. Mas, mil vezes mais importante do que o discurso acerca do que aconteceu, é o FATO acontecido. Não nego aqui a grande importância da doutrina e do seu estudo nem da apologética (defesa da fé). Mas mil vezes mais importante é o AGIR de Deus. A palavra só faz sentido, porque colada à essa AÇÃO, iluminando para nós o seu sentido. O que a igreja comunica ao mundo não é apenas a doutrina, mas é o seu SER que se revela no seu AGIR: continuação de Cristo no tempo. De modo que ao conhecer a igreja, ao entrar em contato com ela, a pessoa possa estar vendo o mesmo Cristo Ressuscitado que se revelou aos discípulos de Emaús, no partir do pão. Ao entrar em contato com cada cristão, na universidade, no ambiente de trabalho, na sua vizinhança, no clube, na rua, cada pessoa que se sente como criança abandonada... (e o mundo de hoje, o poder dominante, tem feito aumentar enormemente essa sensação de desgarramento, de falta de pertença profunda, de atomização do sujeito, ao buscar a destruição dos laços mais significativos de modo a tornar a pessoa impotente frente ao estado)...deveria poder fazer essa descoberta: "Ei! Este aqui tem família! Tá na cara que ele é muito querido! Tá na cara que ele é FILHO!" E deveria sentir em si o despertar de um desejo que mora ali desde sempre, mas que andava anestesiado: "Ei, eu também quero pertencer à essa família, também quero ser filho! Que devo fazer, amigo?" Foi a pergunta que muita gente fez a São Pedro, logo depois de sua primeira pregação em Jerusalém: "Que devemos fazer, então?" E Pedro respondeu: "Arrependam-se e que cada um de vocês seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; depois receberão do Pai o dom do Espírito Santo" (Atos 2,37-38). É claro que o que essa gente ouviu de Pedro,foi um monte de palavras. Mas eram palavras que explicitavam o sentido de ações, de ACONTECIMENTOS muito recentes acerca dos quais, quase todo mundo ali tinha conhecimento: 1) O mais recente tinha sido a ação miraculosa do Espírito Santo, ali mesmo diante deles, minutos antes de Pedro tomar a palavra. Apesar de cada um falar um idioma diferente, todos se entenderam perfeitamente. 2) Os outros acontecimentos cujo sentido Pedro explicitou foram a morte e ressurreição de Jesus. Da morte quase todos ali sabiam, a ressurreição (sentido e razão de ser daquela morte) ele anunciou: " A este Jesus, Deus ressuscitou dos mortos e nós somos testemunhas desse fato." E assim prosseguiu a vida da igreja ao longo dos séculos até hoje: VER e OUVIR! "Vejam como eles se amam!" "Porque vivem assim?" "O que os move?" "Porque ao entrar em contato com essa gente, o desejo do meu coração ao qual eu nem mais prestava atenção (" A gente se ilude, dizendo que já não há mais coração!" Alceu Valença) ficou escancarado???" "Eu também quero pertencer à essa família, quero ser filho!" Foi assim que me aproximei de Cristo e do seu povo. O SER FILHO, mais que uma teoria ou uma doutrina, cuja "correção política" eu poderia ficar examinando e testando, para ver se ela merecia minha adesão ou não, foi UM ACONTECIMENTO, que despertou em mim O DESEJO de PERTENCER, de ser FAMÍLIA. Primeiro eu VI e depois OUVI. Poderia ter ouvido primeiro, mas se eu não tivesse visto em algum momento, aquilo que eu teria ouvido antes, seria como uma propaganda sem o produto. ___________________________- Agora, só uma palavrinha sobre a "IGUALDADE". Pois muitas vezes a objeção à doutrina do Batismo (que afirma que o mesmo nos faz filhos de Deus) vem carregada de uma ideologia igualitarista politicamente correta: "então, vocês querem ser mais que os outros? Isso é contra a igualdade entre os seres humanos!!!" Normalmente, e historicamente (as ideias tem sua genealogia e seu percurso, localizáveis, sendo possível refazer o trajeto do ponto em que se acha até sua origem) essas ideologias igualitaristas, tem sido as que mais geraram desigualdades, injustiças e opressões no nosso mundo. É que alguns querem ser "mais iguais" que os outros. Aqueles que denunciaram as desigualdades (algumas de fato injustas e outras inventadas) ao se colocarem como juízes e re-distribuidores do poder, ficaram pois acima das partes, não se incluíram. A história nos mostra, à farta, como esse tipo de ideologia gerou uma concentração de poder jamais vista no mundo. De modo que quando ouço uma pregação muito exacerbada acerca da igualdade entre os seres humanos, fico assim meio que com um pé atrás. Essa história já terminou mal milhares de vezes e teve um custo humano, desastroso. Quase sempre ela tem terminado assim: https://www.youtube.com/watch?v=2ygQBkmMfqY
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0 # Geraldo 28-09-2016 23:45
Sem falar, Padre Orlando e Viviane, que a melhor resposta à escassez de vocações sacerdotais não é a substituição deles por leigos e nem a aventura da abolição do celibato presbiteral. A conversão profunda das paróquias e comunidades para uma vivência autêntica do cristianismo, costuma resultar (como fruto sazonado do Espírito Santo que atua fortemente onde Jesus e seu Evangelho são levados a sério) no desabrochar de muitas vocações consagradas e sacerdotais. Esta é, pois, a melhor resposta frente à escassez de vocações ao ministério ordenado. Quando todo mundo quer se enfiar nas sacristias, se clericalizar, a própria perda do sentido da presença e participação dos leigos no mundo (e, portanto, a perda do sentido mesmo do cristianismo: ide e evangelizai) se torna um dos fatores mais fortes e decisivos para a escassez de vocações sacerdotais. Uma coisa puxa a outra. Mas quando a evangelização e a animação das realidades temporais(universidades, mídia, escolas, organismos sociais intermediários, mundo do trabalho, etc. ) com o "bom odor de Cristo", são assumidas para valer, as vocações sacerdotais e consagradas, costumam brotar em consequência disso. Tanto é verdade, que os movimentos eclesiais e novas comunidades - que, pois, privilegiam o apostolado leigo no meio do mundo - tem sido um terreno fértil onde desabrocham muitas vocações ao presbiterado. Em várias dioceses, as vocações oriundas desses movimentos, costumam ser a maioria.
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0 # Geraldo 29-09-2016 01:05
E quando a gente fala em apostolado leigo, em evangelização no meio do mundo, não estamos pensando apenas no anúncio explícito de Jesus como salvador, vivo aqui e agora. Mas falamos também de procurar "atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação." (Evangelii Nuntiandi, 19) É o Papa Paulo VI que assim nos orienta na exortação apostólica citada acima. E Bento 16 deixou uma indicação preciosa para o nosso empenho pastoral no mundo, recorrendo, muito criativamente, à imagem bíblica do fruto do Sicômoro ou Figueira Brava: O fruto do Sicômoro, em princípio, não serve para comer. Mas ele tem em si mesmo uma potencialidade que o torna comestível e saboroso. É a presença do gás etileno. Se riscamos precocemente o fruto com um prego, ele absorve melhor a água e,além disso, esse seu gás é liberado e o fruto cresce muito mais e se torna mais saboroso, doce e suculento. Essa técnica (comum no antigo Israel, bem como no Egito) era usada pelo profeta Amós, que dizia "eu era boieiro e riscador de figos". Bento 16, citando Amós, a toma como metáfora da nossa ação evangelizadora e da nossa presença no mundo, especialmente no campo da cultura. O Evangelho ajuda povos e pessoas a tomarem consciência do melhor que há em si. Ou como dizia sempre São João Paulo II: Cristo revela o homem, ao homem. Assim como a educação é trazer para fora de si o que já mora lá dentro, como num parto, o encontro com Jesus Cristo traz à tona as melhores potencialidades das pessoas e dos povos, que então se desenvolvem e frutificam de um modo que eles próprios nem poderiam imaginar. O leigo é esse riscador dos figos. Ou ainda melhor: ele é um instrumento ao permitir que Cristo - por meio de se testemunho - seja essa incisão no corpo do mundo, esse sangue novo que expulsa a velha anemia e traz a vida. E para isso, é essencial perceber o coração que pulsa no mundo, nos povos e nas pessoas (em nós mesmos). As pessoas deixam vir à tona muitas vezes, até sem o perceber, aquilo de que o coração é feito, suas buscas, suas exigências de verdade, bondade e beleza. E não raro, vão se dessedentar em fontes de água apodrecida e poluída. O riscador de figos que somos, no diálogo evangelizador, ajuda as pessoas a olharem para a estatura do próprio coração: "Para o desejo do meu coração, o oceano é apenas uma gota!" (Adélia Prado) Essa consciência que a poeta Adélia Prado revela acerca do próprio coração, esse conhecimento das exigências que o constituem (de bem, de beleza e verdade) faz com que ela não aceite qualquer água que lhe ofereçam: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti, Senhor.” (Santo Agostinho) Ajudar as pessoas a perceberam a estatura do próprio coração, é "riscar o figo" liberando a potencialidade que nele está. Escancarar a ferida do coração, evidenciar a sede de Infinito que nele habita e lhe é estrutural é uma grande obra evangelizadora. "A gente se ilude, dizendo que já não há mais coração!" (Alceu Valença). Essa frase permeou um intenso e longo diálogo entre o Padre Virgílio Resi e o compositor Alceu Valença. Virgílio, nos muitos encontros que manteve com ele, fez dessa sua composição, um convite para que Alceu prestasse atenção em sua sede, se voltasse para o "desejo do seu coração para o qual o oceano é uma gota apenas". E fez isso partilhando as buscas que moravam dentro dele próprio, Virgílio, e narrando como o fato de ter sido encontrado por Cristo, fez com que sua sede encontrasse a água viva, a resposta mais coerente com essas buscas. Padre Virgílio faleceu (em idade relativamente nova) e não sei no que resultou essa sua amizade com o cantor e compositor pernambucano. Sei que um dias desses, ele estava entre os romeiros que peregrinam todos os anos, rumo ao Santuário Mariano que fica no alto da Serra da Piedade, na cidade de Caeté (MG). Foi ali que ele se encontrou várias vezes com o Padre Virgílio que morava junto ao santuário. Como disse, não sei no que resultou esse diálogo, do qual apenas soube por alto. Mas o figo foi riscado.
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0 # Ana Cássia 29-09-2016 12:41
Que análise poética! Sobre os movimentos, entendo que eles são um ambiente propício para a atuação do leigo e acabam sendo também, em grande parte dos casos, o suporte de formação e de comunidade fraterna que dá ao leigo a oportunidade de aprofundar a sua fé. Apesar disso tudo ser muito bom, às vezes parece que fomos nos amedrontando e acreditando que a fé é uma experiência privada apenas. Assim, falamos mais para nós mesmos que para os outros,não geramos sentido, não chegamos no mundo da cultura.
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0 # Geraldo 29-09-2016 17:47
É verdade, Ana. E isso é a morte certa da fé. A experiência que não é repartida e comunicada, atrofia-se, apodrece, morre. Se , mesmo participando de movimentos eclesiais, alguns continuam enfiados nas suas "tocas" (sacristias), evitando, como diz o papa, "a promiscuidade" com o mundo, o "sujar-se na lama do mundo", e "falando apenas entre eles mesmos", estão fazendo isso em total contradição com a finalidade mesma dos movimentos eclesiais que surgiram exatamente por isso: ser uma presença no meio do mundo. Os movimentos que eu conheço melhor tem feito isso, muito exemplarmente, sobretudo no mundo universitário. Eu tenho pelejado um bocado no mundo da cultura, tanto no "maistrean", como no campo da cultura popular. Uma ausência forte nossa, tem sido o mundo da política, onde os protestantes tem, bem ou mal, atuado mais. Mas eu creio que, pensando em termos da qualidade da nossa presença no mundo da política, "é urgente ter paciência" (Goethe). Ou seja: como a fermentação cultural, em longo prazo, acaba resultando nos frutos políticos mais tarde ( basta ver toda a contaminação gramsciana da cultura brasileira até resultar no atual apodrecimento da política que elevou à enésima potência a podridão já existente antes da presente hegemonia marxista). Por isso o campo da cultura me parece realmente, como já dizia antes, uma grande prioridade pastoral.
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0 # Geraldo 29-09-2016 01:12
Relevem os erros gramaticais aí de cima, amigos. Escrevi com pressa e só depois notei os erros.
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0 # Padre Orlando Henriques 28-09-2016 21:11
Acho que compreendi onde o Cássio queria chegar ao falar em “lotar a sacristia de leigos”. A clericalização dos leigos, a meu ver (e falo do contexto rural português), tem passado muito pelas “Celebrações Dominicais na ausência do presbítero”, conhecidas mais vulgarmente como “Celebrações da Palavra”. O problema não está nas Celebrações em si mesmas, o problema é que o esquema aprovado é, praticamente igual ao da Missa: passa-se da Oração dos Fiéis quase directamente para os Ritos de Comunhão (Pai Nosso, etc., podendo haver, normalmente, um pequeno momento de adoração eucarística): uma autêntica “missa” sem cânone! Além disso, caiu-se no abuso de substituir a Missa por Celebrações da Palavra em lugares muitíssimo perto de igrejas onde há Missa habitualmente, às vezes a 2 ou 3 quilómetros! E isto pelo menos desde o início da década de 80. Até se compreende que haja lugares distantes e isolados onde há, de facto, necessidade de um leigo orientar uma celebração para que, na falta do padre, o povo se possa reunir, da maneira possível, para celebrar o Domingo, portanto tais celebrações SÃO LEGÍTIMAS, desde que haja uma situação de REAL NECESSIDADE; mas fazê-lo tão perto de lugares onde há Missa e com um esquema igual ao da Missa é a mesma coisa que dizer às pessoas que Missa e Celebração da Palavra são a mesma coisa. Claro que os doutores da pastoral teórica dirão que é preciso formar as pessoas, explicar-lhes as diferenças… mas essas explicações não passam de palavras: aquilo que o povo vê com os olhos é que conta; aquilo que se fazemos na prática tão eloquente que abafa as palavras e explicações: se lhes damos uma celebração que tem as leituras do Domingo, uma homilia e distribuição da Sagrada Comunhão, para o povo isso vale a mesma coisa que a Missa, e ponto final. E é aqui que acontece a clericalização dos leigos: se Missa e Celebração da Palavra se tornam equivalentes, então qualquer leigo se torna equivalente a um padre. «As mulheres também dizem Missa, e qualquer homem diz a Missa», afirma-se entre o povo. Ora, isso redunda na desvalorização do ministério ordenado, na desvalorização da Eucaristia (já que Missa e Celebração valem o mesmo) e, portanto, na PROTESTANTIZAÇÃO da Igreja. Assim, a clericalização dos leigos tem como consequência uma protestantização da Igreja.
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0 # A Catequista 28-09-2016 21:34
Sim, é verdade, padre! E também é lastimável ver essa clericalização ocorrer mesmo na presença do padre. Alguns padres têm a mania de colocar leigos para erguer o Pão e o Vinho no momento sacratíssimo da Consagração Eucarística. Isso é sacrilégio! Estão querendo igualar o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum dos fiéis. Tal como fez Lutero! Também é triste ver, em muitas paróquias, leigos com "paramentos" (MECEs e leitores), até mesmo seguindo a cor do tempo litúrgico, coisa que é completamente alheia à Tradição e às normas litúrgicas. Pior ainda é quando arrumam umas "echarpes" para as mulheres, que elas colocam sobre uma túnica branca, e ficam parecendo sacerdotizas com estola.
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0 # Cássio 28-09-2016 14:14
Importante que o leigo participe da vida eclesial, mas não devemos esquecer que os sacerdotes são os filhos prediletos de Nossa Senhora. Ao invés de lotar a sacristia de leigos, devemos rezar, e muito, para que surjam mais vocações sacerdotais e vocações santas em nossas paróquias. Paróquias que não suscitam vocações são paróquias "mortas" na fé. Os leigos tem papel fundamental sim, no que lhes cabe, mas não são sacerdotes e é muita "soberba" querer tomar o lugar daqueles que foram apartados para tal serviço. Ao invés de uma clericalização do leigo parece que estamos começando a ver uma "leiguização" do clero. É sempre importante recordar as palavras de São João Maria Vianney: “Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem o colocou no tabernáculo? O padre. Quem foi que recebeu nossa alma à entrada da vida? O padre. Quem a alimenta para lhe dar força de fazer sua peregrinação? O padre. O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.”
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0 # A Catequista 28-09-2016 15:30
Oi, Cássio! Certamente a vocação sacerdotal é superior e mais nobre. Entretanto, o que dissemos aqui nada tem a ver com clericalização do leigo (algo também criticado pelo Papa Francisco, já vi ele falar sobre isso em uma entrevista). A evangelização é, e sempre foi, desde os primórdios da Igreja, missão essencial de QUALQUER BATIZADO. Com o grande cisma gerado pela Reforma Protestante, a Contra-Reforma trouxe um remédio amargo, porém, muito necessário: um maior controle (quase uma proibição mesmo) sobre as iniciativas de leigos na evangelização e pregação. Graças ao senhor Lutero, tava na modinha qualquer um se achar o melhor intérprete da Bíblia, e sair por aí pregando asneiras. Para defender as almas dos fiéis desses pregadores malucos, a Igreja clericalizou a pregação. Com isso, até mesmo Santo Inácio de Loyola foi parar no xilindró, tendo sido preso pela Inquisição para averiguações (ele era leigo, nessa época). Como verificaram que ele tinha uma pregação piedosa e ortodoxa, o libertaram, mas com a condição que ele estudasse para se tornar padre. E assim ele fez. Estamos em outros tempos, afinal. A Igreja, por meio do CV II, ensinou que está mais do que na hora de os leigos serem protagonistas na missão de evangelizar. E quando dizemos "evangelizar", estamos falando não das paróquias e sacristias (locais em que o clero deve liderar, obviamente), mas sim nos diversos ambientes em que o leigo está presente, fora das estruturas da paróquia e da diocese. Quando os leigos, no ambiente que lhes é próprio - na política, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nas escolas etc. - assumem a dianteira na tarefa de evangelizar, eles não estão tomando soberbamente o lugar do padre. Ele estão, isso sim, cumprindo o seu dever de batizados. Então, não é importante que o leigo meramente "participe" da vida eclesial. O LEIGO É IGREJA, o leigo deve levar o rosto de Jesus aonde quer que vá. Leia a carta do Papa Francisco na íntegra, vale a pena. Está linkada em nosso texto.
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0 # Geraldo 28-09-2016 13:44
Antes do Concílio Vaticano II (o concílio que enfatizou como nunca o apostolado leigo e o fez muito bem) e eu não saberia dizer o porquê, o protagonismo leigo era muito maior que hoje. Basta lembrar de figuras como Jackson de Figueiredo, Alceu de Amoroso Lima, Gustavo Corção, Raissa e Jacques Maritain, Charles Péguy, Bellock, Chesterton e tantas outras lideranças cristãs e sociais, que ocupavam a arena do debate público, trazendo a contribuição da perspectiva católica (como uma competência e saber não raro superiores a de muitos padres). Hoje um padre (e certamente há louváveis exceções) vai à televisão e a gente fica torcendo para ele não dizer uma asneira qualquer. Depois que o concílio resolveu - no que fez muito bem - sistematizar mais a doutrina sobre a vocação apostólica do leigo e traçar suas diretrizes básicas (pois essa ação leiga já estava em curso bem antes, sobretudo na Ação Católica), a coisa toda parece ter sido interpretada como "enfiar os leigos na sacristia", clericaliza-los. De lá para cá, a presença pública do leigo cristão diminuiu enormemente em quantidade e qualidade, embora tenha aumentado na esfera intra-eclesial. Mas a ênfase do Concílio era justamente a nossa presença no mundo, no frigir dos ovos da história, em meio aos desafios contemporâneos: sal da terra e luz do mundo! Esses leigos cujos nomes citei há pouco eram tomados como referências importantes do pensamento cristão de seu tempo, e tinham entre seus discípulos não poucos padres e até bispos. E a importância de alguns deles é supra geracional e ainda atualíssima. Pensemos em Chesterton, por exemplo, cuja influência tem ido muito além do mundo anglo saxão no qual atuou e muito além do âmbito católico e cristão, pois até Gandhi foi beneficiado por sua "filosofia" política permeada pela perspectiva cristã. Agora, com todas as diretrizes do concílio e dos papas que vieram depois dele, para que nós leigos possamos atuar mais decididamente no meio do mundo, "animando as realidades temporais" com a luz do Evangelho, o que vemos? Um aumento sim da participação leiga, mas espremendo-se, por assim dizer, na sacristia! Certamente uso aqui uma linguagem pejorativa não para desprezar essa importante participação leiga em ministérios que alimentam a vida do povo de Deus, internamente. Mas e a incidência política, e a participação na vida social e, sobretudo, cultural, dos leigos? E o fermento na massa do mundo? Por isso é mais que oportuna a crítica contínua que o santo padre tem feito desde que chegou ao pontificado, com relação à excessiva clericalização do leigo, com a consequente perda do sentido da sua presença no mundo secular.
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0 # marcos 30-09-2016 10:40
"Hoje um padre (e certamente há louváveis exceções) vai à televisão e a gente fica torcendo para ele não dizer uma asneira qualquer" Bem isso... É só aparecer um padre na mídia secular que já da arrepios na espinha e tremedeira nas pernas...
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0 # geraldo 30-09-2016 18:11
Principalmente os padres cantores. Eles, de algum modo, passam a compor a galeria dos astros midiáticos e parece que ficam com medo de expor opiniões impopulares, que possam ir contra a correnteza. O único padre que eu vi, no programa da Marília Gabriela, sem nenhum receio de comunicar a visão católica das coisas (excetuando-se sua ideia acerca da não existência do diabo, que é totalmente contrária à doutrina cristã) foi o Padre Quevedo. O restante (incluindo Reginaldo Manzoti) concordava prontamente com as bobagens que ela dizia acerca da igreja. Ela: a igreja é um negócio. Ele: mais ou menos...blá blá....Sim, a igreja é um negócio. (custava ele dizer que a igreja, mesmo tendo que administrar negócios e lidar com a dimensão dos gastos, jamais se confunde com uma empresa, que ela é essencialmente um mistério divino?) É claro que a gente não pode ter uma atitude fiscalizadora, com lente de aumento, para ficar catando com pinça todo e qualquer deslize dos padres que vão à TV. E devo dizer que o padre citado acima, também teve falas que merecem elogio. É óbvio que alguma coisa ou outra é dita, por vezes, no improviso e no imprevisto das perguntas e quem sabe o padre até retificaria, se pudesse, o que foi dito no afogadilho. Todos estamos sujeitos à essas imprecisões em nossas falas mais espontâneas. Contudo, creio que o alerta permanece válido: cuidado com a popularidade fácil, ela pode ser uma armadilha, algo que amarra e condiciona a sinceridade e liberdade da fala, a parhesia evangélica. Um padre (e qualquer batizado) deve testemunhar a alegria e a atratividade do evangelho sobre o coração humano, sem dúvida. Nossas falas e atitudes, devem demonstrar que Nosso Senhor enche nossa vida de sentido e de satisfação. Apresentar a experiência cristã como um mero conjunto carrancudo e negativo de proibições é desfigurar o rosto de Jesus diante do mundo, nos lembrava sempre, e com muita razão, o papa Bento 16. Pois Jesus é o termo das buscas mais insistentes do coração humano, "o desejado de todas as nações" (Ageu 2: 7) Mas também devemos estar preparados para vaias, para o desprezo, para perseguições midiáticas e até mesmo para o ódio que se volta contra nós quando revelamos a sinceridade de Jesus diante do mundo: «Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. (...) Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações.» (Lucas 2: 34-35)
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0 # geraldo 30-09-2016 18:19
"Por amor ao teu Amor Hei de ter a coragem de ser Pedra de contradição Pedra de afirmação Pedra de sustentação Por amor ao teu Amor" (Padre Zezinho) https://www.youtube.com/watch?v=VElisek_bUc
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0 # Geraldo 28-09-2016 14:12
E o mundo da cultura , não no sentido antropológico mas sapiencial do termo (o cultivar do humano que vai formando um patrimônio comum e atemporal) é o que mais necessita da nossa presença, sobretudo no âmbito da educação (formal e informal) das artes e da mídia. Pois a cultura é uma realidade muito mais estruturante do que a própria política, que dela depende. E isso implica muito estudo. Precisamos de leigos interessados em filosofia, em literatura, cinema, comunicação, educação. O grande Edgar Morin (filósofo agnóstico) apontou - com lucidez - uma área de prioridade na renovação do pensamento contemporâneo: o campo das humanidades, que se não for devidamente desenvolvido coloca em risco o próprio futuro da ciência que, desprovida de fundamentos sapienciais e éticos, pode se voltar contra o bem da pessoa humana (e tem se voltado!). A visão de conjunto que as humanidades (o campo da filosofia, das artes, da literatura, da reflexão sapiencial, etc.) permitem, buscando a perspectiva dos valores é essencial em termos de sobrevivência da civilização e de garantia da sua qualidade espiritual. Pois este campo está muito abandonado, depois de ter sido devastado por uma visão positivista (comteana) que desfigurou sua natureza. E como terra seca em busca de chuva, é um campo que precisa de muita água e nutrição. Eu posso estar equivocado, mas vejo que o presente e o futuro da ação leiga está aqui , sem prejuízo das demais áreas e vocações.
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0 # Victor Viana 28-09-2016 20:07
O positivismo privilegiou as ciências exatas em detrimento das humanas, e o modernismo e fabianismo enterraram mais nossas esperanças por humanidades decentes.
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0 # Geraldo 28-09-2016 23:13
Exato, Vítor, e esvaziou todas as ciências do seu sentido ético. E as humanas, sentindo-se inferiores, pouco precisas, quiseram entrar na bitola positivista para terem algum status. Um estrago geral que nos fez perder a visão de conjunto que a própria palavra universidade sugere e que, no entanto, por causa de sua origem cristã, ela estimulava em seus primórdios. A unidade do saber humano (da cultura) vem se fragmentando desde a Renascença atingindo níveis insanos nos dias de hoje. O que faz o alerta do poeta T.S.Eliot soar mais atual que nunca: "onde está o conhecimento que perdemos na informação e onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?" Mas nós somos seguidores dAquele que veio para "recapitular em si todas as coisas". E isso não é uma pretensão teocrática, mas é um fato histórico e cultural já presente, o Espírito de Cristo já renovou a face da terra e está nos alicerces da nossa civilização. E este fato, essa herança preciosa, é um direito do povo todo e de cada cidadão. O jornalista Diogo Mainardi, em depoimento a Reinaldo Azevedo, expressa isso muito bem quando afirma que mesmo sendo ateu, matriculou o filho em escola católica devido ao tesouro cultural e civilizacional comunicados pela igreja (até que ponto nossas escolas católicas tem feito jus à essa identidade e missão, é outro assunto). Se o laicismo ideológico e raivoso que vem se alastrando (muitas vezes por mero oportunismo e malandragem política) em nosso mundo, fosse honesto e coerente consigo mesmo, ele deveria aceitar que listássemos uma série de influências culturais, sociais, jurídicas e políticas da fé cristã no mundo atual e exigir que fossem todas derrubadas. Ia sobrar o que? De modo que ao lutarmos por essa unidade da cultura humana (holisticamente, se diz hoje), estamos lutando também por seus fundamentos históricos e por algo, que é um direito dos povos ocidentais e de cada cidadão em nossas sociedades, um patrimônio de todos. Foi por carregar essa consciência cívica e cultural, que aquele juiz judeu, foi contra a retirada do crucifixo nos tribunais de certo país na Europa, não por motivos religiosos (pois Cristo nem é o Messias para ele), mas culturais, pelo direito que o povo tem à sua identidade e herança histórica e questionou com sincera lucidez: "porque não protestam também contra o descanso dominical? (Domingo: Dia do Senhor, Jesus!) Não é ele uma influência cristã? Se ele continuasse perguntando (sobre o que tirar e censurar, por ter origem cristã) a lista seria imensa. É por isso que naquele mundo imaginário do Admirável Mundo Novo de Huxley, toda a memória cultural foi apagada, até os livros de Shakespeare. Desse modo, não restaria de Cristo a mínima sombra, a mais pálida lembrança.O que é muito próprio das ditaduras e totalitarismos, o apagamento e esvaziamento da memória do povo, a ser programada para novas palavras de ordem, de acordo com o planejamento dos especialistas a serviço do poder. E a isso chamam de "progressismo". Mas o progresso é o avanço e aperfeiçoamento daquilo que já existe (certamente superando erros), um desenvolvimento orgânico e não uma destruição. E com certeza, toda proposta de melhoria do que já existe (e até de eventual transformação) precisa passar pela escolha inteligente e consciente das sociedades. Mas o que temos hoje? A "persuasão" abaixo do nível da escolha e da razão consciente. Ou seja, a manipulação, ocorrendo paralelamente à ocupação de espaços incidentes e estratégicos. Muitos a denunciam como doutrinação ideológica. Mas é mais que isso: é a indução subliminar do comportamento e a manipulação desonesta dos meios e métodos de acesso a instâncias de participação e representatividade social e política, onde toda voz divergente é silenciada e intimidada. Por isso digo que esse é um campo (o da cultura) prioritário para a presença e o apostolado leigo hoje.
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0 # Ana Cássia 27-09-2016 23:01
Esse tema do lugar/papel do leigo na Igreja é muito empolgante, ainda mais quando se pensa essa questão em relação a internet.... e quando se refere ao O Catequista, então, nem se fala hehehe Falo com tanto entusiasmo porque essas questões são parte importante da minha vida desde 2014. Faço doutorado em Comunicação na Universidade Federal de Santa Maria/RS e a minha pesquisa é sobre O Catequista e as possibilidades de protagonismo leigo na internet. Pouquíssimas vezes comentei aqui, mas acompanho (quase) tudo, sei quem é frequente nos comentários, já conversei várias vezes com a Vivi e o Alexandre. Vi nesse post a oportunidade perfeita para me apresentar oficialmente para "comunidade de leitores" e dizer que gostaria muito de conversar mais com vocês sobre o blog, sobre ser leigo, sobre ser leigo na internet... Enfim, quem quiser se voluntariar para conversar mais, participar da pesquisa ou dar uns pitacos, eu vou adorar :) Catequistas, obrigada pelo post <3
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0 # Emanuel 27-09-2016 14:50
Os leigos são capazes de fazer coisas maravilhosas. Recordo-me de uma resposta do Geraldo falando de Bakhita,a Santa. Apesar de ter se tornado religiosa com o tempo , a mulher já tinha uma grande influencia positiva ANTES de ser religiosa. Tambem usaria como exemplo os pais de Santa Teresinha,ambos santos. Assim , não é nenhum demérito para o site ser formado por leigos. A situação do cristianismo na Asia é complicada. Na India , os cristãos são perseguidos por hindus ,por exemplo (e olha que os hindus supostamente deveriam seguir um príncipio de não -violencia ). Um numero surpreendentemente grande de violência tem sido feita em nome do Budismo , tambem (sendo que os budistas teoricamente tambem deveriam seguir um príncipio de não - violencia ). No Japão , a grande maioria dos japoneses nunca sequer viu um cristão vivo .O cristianismo é visto como misterioso e exótico por lá. Tanto que a maioria da obras japonesas que retratam o cristianismo são CHEIAS de erros .Basicamente , a desinformaçao sobre cristianismo no Japão é generalizada. Continuem com seu ótimo trabalho.Esse site tem me ajudado muito ,acreditem. E tenho certeza que ajuda muitas outras pessoas por aí. Sinto que ainda sou um estranho aqui-mas gosto do site e gosto do trabalho de vocês. Abraço !
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0 # Victor Viana 28-09-2016 20:00
Vai ver no Japão não seja tanto desinformação, seja aversão cultivada nos últimos 3 ou 4 séculos. O catolicismo foi banido de lá.
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0 # Cássio 27-09-2016 12:14
Muito oportuna essa matéria agora que começa a se ter notícia de que o próximo sínodo mundial dos bispos, programado para 2018, abordará a questão dos ministérios ordenados, bispos, sacerdotes, diáconos, inclusive a ordenação de homens casados e a possibilidade de um diaconato feminino. E por onde se começaria isso? Bem, a Amazônia seria, então, um destes “territórios” imensos em que os poucos sacerdotes ali presentes são capazes de chegar a núcleos remotos de fiéis não mais de duas a três vezes ao ano. Portanto, com grande prejuízo – sustenta-se – para “o cuidado das almas”. Esse "projeto" parece-me que está a cargo do cardeal brasileiro Cláudio Hummes. Deve-se dizer, no entanto, que uma situação deste tipo não é exclusiva dos tempos atuais. De fato, caracterizou a vida da Igreja ao longo dos séculos e nas mais diversas regiões. Mas, tem mais. A falta de presbíteros nem sempre foi um prejuízo para o “cuidado das almas”. Pelo contrário, em alguns casos coincidiu inclusive com o florescer da vida cristã. Sem que a ninguém ocorresse de ordenar homens casados. Com essa "coincidência" de notícias acontecendo e agora encontro essa notícia "solta" por aqui, leva-me a concluir que esse site, ao que parece, pode estar funcionando como um meio utilizado pela nossa "querida" e "amada" comuno-CNBB, ou tornou-se um idiota-útil mesmo, para amaciar as mentes dos católicos e prepará-los para as "surpresas do Espírito Santo" (estamos tendo muitas surpresas recentemente). Parece que o Espírito Santo resolveu trabalhar forte nessas últimas dácadas e quis dar uma mudada geral no ambiente católico. Interessante não? Afinal, como diz aquela velha frase: "uma mentira falada muitas vezes acaba tornando-se verdade".
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0 # A Catequista 27-09-2016 12:19
Quanto ao diaconato feminino, fique tranquilo: não vai rolar. Já publicamos um post sobre isso: http://ocatequista.com.br/archives/17059
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0 # Natália 27-09-2016 10:45
Foi por conta de leigos que me interessei em aprender mais (doutrina/história da Igreja/ensinamentos de Jesus). Um casal que fez escola de ministério e em seguida O Catequista. Ainda tenho muito o que aprender, então não me arrisco muito em sair por aí falando... O máximo que faço, ainda, é pegar meu caderninho, anotar dúvidas e escrever algumas afirmações que acho importante ter fácil, caso alguém me questione! Recentemente comprei um livro chamado "Católicos Perguntam", mas ainda estou à espera do livro d'O Catequista (reza a lenda que iria ter, hahaha!). Muito obrigada a todos da equipe e muitos dos comentários, que são edificantes, também! <3
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0 # Paulo Ricardo 27-09-2016 10:37
Vai piorar agora que os gênios vão saber que eu não sou o Padre PAULO RICARDO. Aliás, daqui pra frente vou colocar também o Costa nos meus artigos. Não aguento mais gente me pedindo a benção.
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0 # Alex Hoffmann 27-09-2016 16:07
kkkkkkkkkk, Padre Paulo Ricardo, acho que nem com o Costa vai resolver muito. "Não é o Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior? Que coisa, eu não sabia disso, mas ainda bem que é o Padre Paulo Ricardo Costa, este também é dos meus, mita muito." kkkkkk, vai ver se não sairá esta.
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0 # Sidnei 27-09-2016 09:44
Que não tem padre ou religioso validando o blog, tudo bem, mas que poderia haver alguém acompanhando e apoiando, deveria, sobre tudo para dar maior credibilidade diante daqueles que dizem que o blog não é católico, não representa a Igreja Católica, porque falta com respeito aos membros de outra religiões, porque são arrogantes, etc. etc. etc..., como já li em vários comentários lá no Aleteia quando foi abordado sobre o Chico Xavier. Temos um padre que nos acompanha, que é o Padre Orlando Henrique lá de Portugal, que ajuda bastante este blog, e é uma boa companhia, pois em um certo sentido, isto baixa a guarda daqueles que atacam este blog, pois pelo menos, há um religioso, mesmo que de longe, que nos acompanha e corrige quando se comete algum erro, ou dá seu aval, quando esta se caminhando pelo rumo certo. Quanto a participação do leigo na Igreja, acho louvável, pois tenho para mim, que o leigo não deve esperar tudo do Padre, o leigo também deve se mexer e ir atrás da Verdade, eu fui um que não fiquei esperando pelos Padres para saber isto ou aquilo, fui, comprei livros que esclarecessem algumas dúvidas, no tempo que não tinha internet e nem o blog aqui do Catequista, e hoje, o leigo que esta familiarizado com a Internet e quer ter conhecimento da doutrina católica, além de livros, podem ir a ótimos sites e blogs católicos na internet, como este aqui, e o católico só viverá na ignorância religiosa se quiser. Porém, eu tenho algum preocupação com relação a participação do leigo na Igreja, que são: - A dos padres repassarem todo o trabalho de evangelização para o leigo, e o padre só restará é rezar a Missa e mais nada. Pregar o evangelho, assistir aos doentes, realizar enterros, casamentos, batizados, tudo estará nas mãos dos leigos, só não rezar a missa e ouvir confissão, aí seria demais. - Outra é que o leigo se sentirá uma super leigo, e achará que está acima do Padre, do Bispo e se bobear até acima do Papa e de DEUS, pois eles estará a frente e tanta coisa, que chegará um certo momento, que se um padre o chamar atenção por algum erro, ou o padre quiser fazer alguma mudança na forma de catequizar em que se o padre verificar que a catequese não está sendo ortodoxa mas heterodoxa, o leigo irá dizer não ao padre, baterá o pé, vai reclamar com o Bispo e pede até a cabeça do padre em uma bandeja, como a filha de Herodiades pediu a Herodes, a mando de sua mãe, a cabeça de São João Batista em uma bandeja. Com relação ao clericalismo, uma coisa que me incomoda, e aí vai um tanto ao contrário do que coloquei acima, é de certos padres que em algumas paróquias se acharem donos delas e de querer fazer as coisas como bem entenderem, sem pedir a opinião dos leigos, como por exemplo, de padres que querem demolir ou reformar antigas igrejas, belas e próprias para um culto digno a DEUS, para construir, nos dizer do Alex Hoffmann, verdadeiras caixas de feira, coisa que esta muito em voga por este Brasil afora, tal como está acontecendo com a Igreja Matriz de uma cidade vizinha a minha aqui em Santa Catarina, mais precisamente, na terra de Santa Madre Paulina, Nova Trento. Se os leigos pagam o dízimo, seria nada mais justo, que o Padre antes de fazer qualquer reforma ou até a demolição de igrejas antigas, pedir a opinião do povo sobre estes assuntos, e não já ir chutando o pé na barraca, derrubando tudo, acabando com tudo, com a desculpa que a Igreja tem que se modernizar, modernizar esquecendo o passado, não é modernizar, é querer virar tudo do avesso para agradar o mundo, isto para mim não está correto. Poderia citar outros exemplos de como o clericalismo é nocivo a Igreja e como corrói a fé de muitos dentro da Igreja, tudo porque há padres que não mostram o rosto misericordioso de CRISTO, ou são arrogantes que não estão nem aí para opinião dos fieis. Oremos por nossos sacerdotes.
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0 # Victor Viana 28-09-2016 19:52
De leigos assumirem a função dos padres já temos os ministros extraordinários corriqueiros... e não sei se é laxismo dos padres (alguns parecem que colocam menos partículas nas suas âmbulas que na dos ministros), se medo de rebeldia dos ministros leigos.
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0 # Padre Orlando Henriques 27-09-2016 12:44
Caríssimo Sidnei Caríssima Viviane É, de facto assim! Não sou mais do que um simples internauta que gosta do blogue e de participar nos comentários. Se alguns comentários meus ajudarem alguém, Deus seja louvado, pois a Ele é que pertence a glória! Eu não teria, realmente, vagar para ser estar a avaliar as publicações do blogue, além de que nem isso é necessário e nem seria bom: o que é bom e belo é ver como os leigos fazem um trabalho desta qualidade. Aliás, foi isso que me fascinou desde o início neste blogue: num estilo bem disposto, cheio de humor, temos aqui leigos que sabem a sério e mostram o que valem. E tanto a equipa do blogue como muitos dos leitores que comentam. Quando encontramos alguém a saber um pouco mais, logo surge o preconceito de pensar que deve ser padre, como se os leigos não tivessem a obrigação de aprofundar a sua fé e de saberem a sério. Graças a Deus que está aqui este blogue para dizer todo e qualquer leigo não só pode mas DEVE estudar, rezar e conhecer, para saborear como Deus é bom e para saber, a qualquer momento, "dar razões da sua esperança", como diz São Pedro. Talvez muitos já associem o meu nome aqui ao blogue (mesmo sem ser da equipa), mas para mim é uma honra fazer parte da história deste "site esquisito"! Lol
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0 # A Catequista 27-09-2016 12:13
Veja, Sidnei, uma coisa que ouvimos muito é: "Meu bispo diz que gosta muito do blog O Catequista... mas não fala pra ninguém, tá?". Rsrs... Daí você pode ter uma noção de como pode ser indesejável e inconveniente que um membro do clero associe seu nome ao nosso blog. Às vezes, dizemos coisas que muitos padres desejariam dizer, mas simplesmente não podem.
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0 # A Catequista 27-09-2016 12:04
Sidnei, essas pessoas que dizem isso sobre nós não mudariam de ideia se um padre estivesse avalizando o blog. Veja, o Monsenhor Jonas Abib lançou um livro alertando católicos a não se envolverem com espiritismo, e acabou sofrendo um processo, o livro foi até mesmo proibido e recolhido das lojas. Só há pouco tempo é que a censura caiu e o livro voltou a ser vendido. Veja então que o fato dele ser um sacerdote célebre e respeitado não evitou os ataques e o achincalhamento. Outro fator é que, para nós, é muito importante ter liberdade para escrever certas coisas, que seriam impossíveis de serem escritas se estivéssemos comprometidos de modo linear com a hierarquia da Igreja. O importante post que alertava a respeito da armadilha que era a reforma política proposta pela CNBB, por exemplo, não poderia ter sido publicado se um padre fosse o responsável último do blog. Ainda que ele concordasse com o conteúdo do artigo, seria complicadíssimo para ele comprometer seu nome em um texto que se coloca contra uma política da CNBB (entidade que nós respeitamos e prezamos muito, mas que tem certas complexidades e meandros políticos que podem ser questionados). Então, essa liberdade de leigos é fundamental para nós. É uma vantagem! Outro fator, esse técnico, é que os sacerdotes são muito ocupados, e realmente seria impossível que algum deles ficasse disponível para analisar e aprovar nossos textos com a velocidade que um blog requer. Não podemos esperar um, dois, três ou mais dias para que um padre revise um texto nosso, para que só então possamos publicá-lo. Isso inviabilizaria qualquer blog. Quanto ao nosso querido e precioso Padre Orlando, ele não tem um papel de avalizador do blog. Ele é, isso sim, um amigo que faz contribuições inestimáveis em seus comentários, que somam e enriquecem as informações publicadas. Não podemos colocar sobre as costas dele o peso de um avalizador, porque o comprometimento é muito grande. E ele, afinal, deve ter a liberdade de, eventualmente, não concordar com 100% do que nós publicamos. Suas preocupações realmente são justas, Sidney. De fato, especialmente nas paróquias aqui do Brasil, me parece que o clero precisa acompanhar mais de perto o trabalho de catequese, que muitas vezes é entregue na mão de leigos muito devotos e cheios de boa vontade, mas pouco preparados. Quanto ao leigo se colocar acima do padre, isso, no campo das atividades paroquiais e diocesanas seria mesmo uma afronta, um abuso (e eu já vi acontecer). Mas aí é fácil de resolver. Basta o padre fazer valer a sua autoridade e deixar claro que, na paróquia (ou nas atividades oficiais da diocese), quem manda é o padre, conforme a ordem de papéis estabelecida pelo bispo local. Sobre o último ponto que você citou, realmente, deveria-se trabalhar com mais seriedade a questão do conselho paroquial, em que os leigos possam ajudar o pároco a tomar as melhores decisões, sempre em espírito de submissão e obediência.
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