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Segunda, 26 Setembro 2016 10:45

Os loucos anos 70, aborto, maternidade e o Quarto Mandamento na prática

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Bom dia meu povo!

Hoje é dia de história. Um caso da vida real que relata na prática muitas das diretrizes de Nosso Salvador, e demonstram a santidade da Doutrina que a Igreja Católica legou ao mundo.

Era um bom tempo para se viver aqueles anos 70 - exceção para os comunistas. Havia problemas, havia dificuldades e o país se ressentia de nunca realizar seu sonho de ser uma grande nação (não realizou até hoje e, provavelmente, nunca o fará). Poucos anos antes, o melhor time de futebol da história desfilou triunfante pelos gramados do México.

Havia segurança nas ruas e, ao mesmo tempo, políticas desenvolvimentistas malucas e irresponsáveis. Frutos do espírito estatizante dos milicos, que fundaram essa república de quinta sob um lema positivista - Ordem e Progresso, coisa que se as pessoas soubessem o real significado, pediriam perdão à Família Real e devolveriam a eles sua legitimidade. E depois, numa aventura ditatorial estranha, levaram a uma situação de inflação que os moleques de hoje com menos de 30 anos enlouqueceriam só em imaginar.

Mas fazer um tratado de política e economia não é nossa finalidade aqui. Esta é uma história muito, muito humana.

Uma família bem pobre, mas dignificada pelo labor do dia a dia. Um matriarcado em uma grande cidade deste país. Era uma casa humilde, porém ampla, na qual vivia um clã de mulheres cuja velha matriarca era mãe de sete filhos: três homens (todos falecidos jovens) e quatro mulheres - das quais três ainda estão vivas, todas octogenárias. Ela criou suas filhas e filhos sob os princípios morais e a ética católica, e eles dignificaram seu nome.

Duas dessas filhas nunca se casaram, e castas viveram suas vidas. Duas outras casaram-se; uma teve duas filhas e ficou viúva ainda muito jovem; a outra teve mais três filhos. Somente um dos seus filhos teve descendência: três meninas. É a história de duas dessas meninas que passamos a contar.

Ela era jovem e bonita, a menor (em altura) das três irmãs. Ele surgiu vindo da distante (e quase mítica por aquelas bandas) cidade de São Paulo. Era um sujeito bonitão, o típico macho alfa, grande e um tanto quanto rústico. Tinha sido transferido para aquele canto do mundo meio que a contragosto, e lá encontrou a menina pobre trabalhando como telefonista. Foram uns meses muito, digamos, loucos para os dois. Lembrem-se que eram os tempos de Pink Floyd; Emerson, Lake & Palmer e Secos e Molhados.

Já a irmã mais nova da menina bonita não tinha tempo para isso. Ela passava dias e dias apenas dedicada aos livros da biblioteca pública, pois estava para se formar, e a faculdade era, como dizia sua tia, o caminho para dias melhores.

estudava

E então aconteceu. A menina bonita engravidou. Não, não foi aquela história clichê em que o cara engravida a menina e cai fora. Ele não renegou o filho. Ele assumiu a situação. Mas a menina não era casada. Para o matriarcado de onde ela saiu, era um escândalo. Mas ele não se importava, levava no jeito. Com seu estilo bonachão e sua convicção, passava a todos confiança. Até o dia em que seu empregador e os desígnios do Criador intervieram na celeuma.

Ele seria transferido para um lugar muito, muito distante dali. Não havia como ficar. Então convidou a jovem para ir com ele para desbravar um novo mundo. Mas não era fácil para ela atirar-se numa aventura, longe de sua família e de todas as suas referências. Por isso ela disse não. E ele partiu para voltar uma única vez, tempos depois.

casablanca

Ela estava sozinha e grávida. Sozinha? Não. As velhas senhoras estavam com ela e, mesmo cobertas de vergonha, não a expulsaram. Mas foram severas ao apontar o seu pecado, pois ela expôs aquela casa (não dá pra não lembrar do lema do Frei Clemente Rojão: a misericórdia é grande mas a penitência é braba). Outros tempos.

Mas tanto a jovenzinha quanto suas tias tinham uma certeza absoluta: a vida é sagrada e o aborto é condenação ao inferno, tanto para quem pratica quanto para quem ajuda a praticar. Mesmo com toda a pobreza, com toda a dificuldade, com toda a vergonha e os olhares condenatórios, aquela criança tinha que nascer.

A jovem gestante estava decidida cumpriu o mandamento de seu coração, conforme os valores que lhe foram passados pela família. A velha tia que a criou se comprometeu a assumir a criação do bebê como mãe substituta, como havia feito com as filhas do irmão falecido.

Enquanto isso a irmã mais nova da jovem estudava, estudava...

E a criança nasceu. A irmã mais nova foi a primeira a ver a criança recém-nascida. E ficou encantada. Encontrou ali seu primeiro filho, mesmo sendo uma moça sem marido, sem dinheiro, sem emprego, prestes a se formar. Tinha apenas o auxílio de suas tias. Foi a luta por ela e pelos seus.

A jovem parturiente sabia que seu papel havia sido encerrado. Partiu para fazer sua vida em outro lugar, deixando seu filho para sempre com sua irmã.

A história segue como tantas outras histórias de família. Mas apenas esse momento específico é suficiente para ilustrar os pontos do título.

1 - O Aborto NUNCA É SOLUÇÃO PARA NADA. A jovem mãe, criada em ambiente cristão católico, estava convicta de que abortar era assassinato e que não havia outro caminho senão aquele que leva à vida.

2 - Os Dez Mandamentos são tão poderosos que às vezes obedecemos mesmo sem querer. A família, o honrar pai e mãe, estão tão presentes nessa história que eu desafio os leitores a identificar os trechos onde o quarto mandamento não se faz presente como força invencível que é.

3 - A maternidade não está no parir, ou pelo menos não unicamente neste. A maternidade está no toque em nosso coração que Deus dá ao olhar uma criança, o amor que desperta sem que saibamos de onde, nem para onde vai.

4 - Quanto maior a família, maiores são as possibilidades de apoio mútuo. Isso o capeta sabe, por isso fez de tudo para plantar nos corações a mentalidade antinatalista, e conseguiu. Hoje nego tem um ou dois filhos, e olhe lá.

Este post tem por objetivo mostrar aos jovens que nenhuma noite é tão escura, nenhum problema é insolúvel, nenhuma cruz é tão pesada que não se possa carregar. Nesse mundo hedonista, onde sempre se busca a solução mais cômoda e prazerosa, estamos assassinando mais e mais inocentes a cada dia.

Vejam o exemplo da jovem formanda. Ela chamou para si a responsabilidade da criação de um ser que não era sua responsabilidade. Quantas jovens de hoje você conhece que fariam isso?

Ninguém me contou esta história. Eu estava lá. Foi assim que eu nasci. O menino cabeludo da foto no início do post sou eu, aos dois anos de idade.

Aquela jovem formanda me chama hoje de filho. Com orgulho, eu a chamo de mãe.

Fiquem com Deus.

959 Domingo, 23 Abril 2017 23:03

Comentários   

0 # Paola Trevisol 21-07-2017 16:45
Oi! Não sou cristã, sou agnóstica; também sou contra o aborto e toda essa promiscuidade das relações humanas. Sou muito atacada pela minha forma de pensar.

Gostei da sua história. Qual é a relação que você mantem com a "jovem parturiente" e o "sujeito bonitão e macho alfa"?
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0 # Oswaldo 05-12-2016 09:25
Graças a Deus. Posso colocar essa história no Facebook com finalidade pró-vida?
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0 # A Catequista 05-12-2016 14:04
Claro! Fique à vontade.
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0 # Giovanny 22-10-2016 10:13
só deu um leve espoiler kkk , o nomed do arquivo é menino_paulo
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0 # maria lucia afonso gonçalves 28-09-2016 18:45
maravilhosa! Para mm principalmente porque faço parte do movimento em defesa da vida e hoje estamos começando em várias cidades do Brasil 40 dias de orações pela vida.
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0 # Daniel 27-09-2016 21:17
Paulo Ricardo Essas histórias para mim, honestamente, são maior prova de que Deus existe e que o catolicismo é verdadeiro do que milagres. Deus o abençoe. E abençoe também sua família.
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0 # Paulo Ricardo 27-09-2016 00:22
Minha mãe biológica não é má pessoa, se ela pecou em algo foi por fraqueza. Mas ela não faz mal a ninguém e minha tia-avó que a criou, dentro de suas limitações, criou bem. Ela teve outros filhos que hão de cuidar dela na velhice. Espero que ela seja feliz, a honro com minha gratidão e respeito. Minha mãe, ao contrário, é tudo para mim. Foi meu modelo, estava lá como esteio, suportou-me na adolescência e ainda arrumou tempo para trabalhar, casar e ter mais dois filhos. Quero ver uma moleca idiota dessas de hoje fazer a mesma coisa.
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0 # Emanuel 27-09-2016 20:02
Bom,acho que eu definitivamente tenho que aprender a me expressar melhor. Eu não quis sugerir que sua mãe biologica é uma má pessoa. Desculpe se meu comentário soou dessa maneira.Não era o objetivo.Apenas me corrigi pois temi que meu primeiro comentário pudesse soar como uma piada maldosa.Mas,depois fui ver ,acho que acabou que que queimei ainda mais meu filme com o ''adendo''.Acho que não consegui me expressar corretamente. E,sim,voçe esta certo : duvido que 99 por cento da meninas de hoje iriam ser fortes o suficiente para aguentar o que sua mãe adotiva aguentou.Ela foi realmente muito mulher. Espero que entenda e que dessa vez tenha conseguido falar com clareza.
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0 # Paulo Ricardo 27-09-2016 20:25
Sem problemas. Eu tenho que responder essas questões bem direitinho porque minha mãe está vendo e ela adora a irmã dela. Ainda tem mais essa. As duas são bem chegadas até hoje. Ela sempre pede para eu tomar cuidado para não ferir a irmã dela (minha mãe biológica). Só me resta obedecer.
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0 # Alex Hoffmann 26-09-2016 20:32
É isto mesmo Paulo Ricardo, bela história. No meu caso, casei com uma mulher que já tinha uma filha. Era mãe solteira. A única coisa que me pena no coração é: quando casei, eu vivia nas trevas e tinha orgulho disto (ateu, atoa, meio comuna meio místico). Contudo, como meus pais não possuem respeito humano algum por ninguém ainda mais pelos filhos, (aliás, dos filhos eles arrancavam o couro mesmo), juntamente com altas doses de: "to nem ai pro seu mimimi", convenceram-me a casar (claro que rolou um papinho discreto de deserção caso não obedecesse), como um bom filho obediente (já com o cu na mão a estas alturas da conversa, kkk), obedeci. Mas pena mesmo que eu não queria saber de ir a Missa, papo sobre fé e religião era coisa de trouxa e tonto, dizia a mim mesmo sou mais eu, sou dono da minha vida. Terminei de ajudar minha esposa em criar e educar esta minha filha sem a fé, sem a religião, sem Deus. Pena que eu saí o oposto da minha mãe e do meu pai, eu tenho um respeito humano enorme.
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0 # Paulo 26-09-2016 19:27
História carregada de emoção!!! Meus pais tiveram 11 filhos!!! Eram 13 bocas, incluindo meus pais, e 3 salários mínimos para sustentar...Dá para imaginar o aperto nos anos 70 (sou o caçula e tenho 45 anos)... O irmão que me antecede recebeu a visita de um casal israelense na maternidade que se ofereceu ($$$$) para levá-lo a Israel...Apesar de toda nossa pobreza, meus pais se recusaram a dar meu irmão... Comigo, aconteceu algo semelhante, mas foi com um casal americano... A mãe será capaz de se esquecer ou deixar de amar algum dos filhos que gerou??? Alguém lembrou desse refrão de música... Paz e bem a todos!!!
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0 # Emanuel 26-09-2016 17:06
Linda a história ! Admito que lacrimejei... Paulo Ricardo ,desejo tudo de bom a sua mãe e sua familia ! Ganharam meu respeito! Tudo de bom para você também. Continue com seu grande trabalho aqui no blog,e continue ensinado a esses ''prufisores'' como se ensina História. Você tem talento,cara.Abraços !
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0 # Emanuel 26-09-2016 17:35
ALias , desejo tudo de bom a irmã da sua mãe , que te criou. Me desculpe, não foi uma piada de mau gosto , juro ! Eu sou desatento mesmo e escrevi errado. Quase morri de vergonha quando percebi. Legal,tive a capacidade de estragar meu próprio comentario... mas a mensagem ainda é valida. By the way , saudade dos seus posts . Só para reforçar : foi mal ! Tudo de bom ,Paulo !
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0 # roberta fernanda 26-09-2016 15:42
Linda história!!! Melhor ainda é saber que não eh novela,e a vida real e eh a misericórdia de Deus sempre em ação em favor de nós,que nem sempre A merecemos"!!!!
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0 # Dayane 26-09-2016 12:11
Que linda história, Foi com lágrimas que li, pois é um lindo conto de amor, muito emocionante. Deus seja louvado pela sua vida.
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0 # Natália 26-09-2016 11:44
"Este post tem por objetivo mostrar aos jovens que nenhuma noite é tão escura (e cheio de terrores, rs), nenhum problema é insolúvel, nenhuma cruz é tão pesada que não se possa carregar. Nesse mundo hedonista, onde sempre se busca a solução mais cômoda e prazerosa, estamos assassinando mais e mais inocentes a cada dia." Acho que vou levar esse trecho pra sempre comigo!
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0 # A Catequista 26-09-2016 11:39
Paulo, Me identifico muito com a sua história, porque também minha mãe engravidou sendo solteira, e não se casou com meu progenitor. No meu caso, foi o clichê: cafajeste engravida a moça e some pra sempre. Hoje, sei reconhecer a misericórdia de Deus nisso tudo, pois imagino que crescer sob a influência de uma criatura mau-caráter como ele seria realmente bem mais prejudicial para mim do que crescer sem pai. Junto comigo, minha mãe foi acolhida pela sua patroa (ela trabalhava como doméstica naquela casa). Hoje, aquela patroa é minha madrinha e segunda mãe, e suas três filhas são minhas irmãs, como se fossem de sangue. Minha madrinha foi muito generosa - ou louca, também um pouco louca, rs - porque morava em um apartamento microscópico (quitinete) com três crianças e mais a sua cunhada. E ainda assim chamou minha mãe para vir morar com ela. Sei que a vida da minha mãe foi bem difícil e sacrificada, mas de coração acredito que teria sido pior sem mim. Também minha infância não foi das mais felizes, mas ainda assim valeu muito a pena estar viva, e ser cumulada por tantas incontáveis graças que depois recebi (e recebo até hoje) sem merecer. Dou muitas graças a Deus pela minha vida, pela bondade que Ele teve comigo, me fazendo escapar do triste destino de morrer ainda no ventre, pelas mãos de um aborteiro.
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0 # Paola Trevisol 21-07-2017 17:07
E eu me identifico muito, mas não totalmente, com a história dos dois e penso de igual forma que ''A Catequista", mas não sou cristã nem misericordiosa.

Se meu pai vier pedir ajuda minha só vai receber o que me deu; e se pedir mais leva um chute na bunda dado com o maior prazer... eu não sou besta para investir tempo e dinheiro com alguém que nunca me quis, que deixou e ainda deixa os gastos e tudo o mais nas costas da minha mãe, paga uma pensão mixuruca e ainda foi prepotente querendo que a minha mãe me aborta-se depois de anos e anos enrolando com ela em um namoro.

Quem merece tudo de mim é apenas minha mãe, pq ela sim deu tudo de si. Além disso eu não acredito que exista depois da morte alguém que vai julga-lo como merece, então eu acho que tem que se pagar tudo em vida mesmo. Sou agnóstica e sei como vocês cristãos pensam. Não acho que ele um dia vá mudar pq NÃO existe ninguém que vá muda-lo.
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0 # Paulo Ricardo Costa 26-09-2016 12:02
Meu pai não é nenhum santo, mas não se negou a me registrar. Ele só não forçou a barra. Diz uma das minhas tias que por ele eu teria ido embora com ele. Ainda bem que não fui. Minha vida foi sempre muito boa. Nada a reclamar, nunca.
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0 # marcos 26-09-2016 11:35
Saudade dos seus posts. Ta demorando muito entre um e outro... Abraço. Que Deus abençoe.
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0 # A Catequista 26-09-2016 11:41
Marcos, Paulo já está com vários posts no forno. Ele agora vai publicar posts com regularidade bem maior. Para a nooooooooooooossa alegria!
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0 # Andrea Vaz 26-09-2016 11:13
Que história apaixonante... poderia dizer muito, mas prefiro não falar nada...
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