São Francisco de Assis não era riponga

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Ele é certamente um dos santos mais populares do mundo, sendo admirado inclusive por pessoas que antipatizam com a Igreja Católica. Até aí, maravilha. O problema é a imagem de São Francisco de Assis que domina o imaginário geral é muito empobrecida em relação à sua autêntica biografia. O Francisco que muitas pessoas têm na cabeça é apenas uma caricatura, que oculta a história e a personalidade um homem extraordinário.

Poucos se dão ao trabalho de ir além dos clichês, por isso a grande massa acaba pensando que o pobrezinho de Assis não fazia outra coisa na vida além de conversar com passarinhos e louvar a beleza da natureza. Estranhamente, mesmo sendo um penitente católico e submisso ao Papa, o Francisco inventado pela mídia tinha certa “alergia” à doutrina da Igreja, pois jamais tocava em assuntos chatos e opressores, tais como pecado e inferno. Ele só falava do amô!

E, assim como certos padres que usam anel de tucum, o Francisco caricatura (não o verdadeiro!) tinha horror à ornamentação rica das coisas santas, como os objetos utilizados no altar e na Santa Missa. Quanto mais fuleira, melhor!

O problema é que certas fontes “católicas” que por vezes servem à imprensa ajudam a consolidar essa imagem pálida do santo. Então, nem podemos dizer que a mídia está inventando; está apenas repercutindo a historinha fajuta que repercute há décadas em muitos ambientes da Igreja.

Mas quem era o homem por trás da caricatura que circula por aí? Bem, num post não dá nem pra falar 10% do que São Francisco era, mas vamos focar em alguns pontos que desmistificam os aspectos mais deturpados de sua personalidade.

Francisco e a natureza

É bem verdade que ele enriqueceu a espiritualidade cristã com a ênfase na dimensão ecológica: a beleza da natureza era sinal fortíssimo do poder e da bondade de Deus. Entretanto, não era um “místico da natureza”, não era como certos católicos panteístas que acham que os elementos da natureza têm personalidade própria.

Ele chamava os pássaros de irmãos e tinha por todos os animais enorme simpatia. Mas compreendia muito bem a diferença de dignidade entre os homens e animais, porque, nas poucas vezes que lhe ofereciam, comia carne com gosto. Se realmente pensasse que os animais eram tão filhos de Deus quanto os homens, estaria sendo cruel.

Ele não endeusava os elementos da natureza, mas sim reconhecia a própria Beleza de Deus em tudo o que era belo na natureza. Dizia, sem nenhum traço de misticismo: irmão Sol, irmão fogo, irmã água, irmão corpo.

A alegria e positividade de sua pregação

De fato, Francisco era diferente dos demais pregadores itinerantes medievais. Naquela época, procurava-se tocar os ouvintes com a insistência sobre temas como o Juízo Final e os horrores da perdição eterna. O pobrezinho de Assis, por sua vez, em vez de explorar o medo das pessoas, buscava atraí-las pela verdade do Evangelho.

Entretanto, sua pregação não era água-com-açúcar. Sim, ele pregava o amor e a paz, mas também a necessidade de arrependimento e mudança de vida. A sua própria vida, o seu corpo, as suas vestes eram um testemunho de intensa penitência. Ele era a figura do Cristo casto, pobre e obediente. Certamente, Jesus não teria revolucionado tanto a sua vida se ele continuasse a ser o playboy de Assis.

Apesar de não dar ênfase à questão da perdição, ele reconhecia que aqueles que fechassem os ouvidos para a mensagem de amor do Evangelho estariam condenados. Tanto é que, há poucos dias de sua morte, pediu que seus irmãos Leo, Ângelo e Rufino acrescentassem a seguinte estrofe ao seu famoso “Cântico das Criaturas”:

Sê louvado, Meu Senhor, por nossa Irmã Morte Corporal,

da qual nenhum vivente pode fugir.

Ai daqueles que morrerem em pecado mortal!

Abençoados aqueles a quem a morte venha encontrar em Tua santíssima vontade,

pois a segunda morte não lhes fará mal.

Louva e abençoa meu Senhor e agradece-Lhe,

e serve-O com grande humildade.

Francisco que não julgava

O santo de Assis não abria a boca para julgar ninguém. O que não quer dizer que ele fazia vista grossa para o pecado, e nem tampouco que se calasse diante das faltas graves de seus irmãos. Esse é o entendimento que muitos católicos hoje estão longe de ter.

Entre os primeiros franciscanos, havia um sujeito que estava sempre pronto para comer o pouco que seus irmãos conseguiam com esforço diário, e quase nunca se dispunha a trabalhar. Esse foi primeiro irmão expulso da fraternidade: o “Irmão Mosca”, assim apelidado pelo irreverente Francisco. O santo não o julgou, mas também não se dispunha a sustentar vagabundo.

Da mesma forma, eram expulsos da fraternidade os irmãos que pecassem com uma mulher. Certamente, se arrependidos, seriam perdoados pela Confissão, mas deveriam tomar outro rumo, pois não teriam mais lugar entre os irmãozinhos de São Francisco.

Pobreza pessoal, riqueza litúrgica
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Essa é uma missa franciscana? NÃO MESMO!

Que São Francisco tinha uma vida paupérrima e era extremamente desapegado das coisas materiais, isso todos sabem, e é verdade. Entretanto, tamanha simplicidade no viver é confundida por alguns pseudo-seguidores com esculhambação litúrgica.

Vemos padres celebrando o santo sacrifício sobre panos mulambentos, no chão; vestidos com paramentos indignos, usando cálices e patena de material pobre. Querem fazer um teatrinho, uma desmonstração artificial e inapropriada da verdadeira pobreza evangélica. Diante disso, vale a pena destacar alguns trechos de duas cartas escritas por São Francisco a seus irmãos (fonte das cartas: Site da Província Fraciscana da Imaculada Conceição do Brasil).

“Consideremos todos nós clérigos o grande pecado e ignorância que alguns manifestam com relação ao santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e seu santíssimo nome (…). Logo, todos aqueles que administram tão sacrossantos mistérios (…) considerem no seu íntimo como são vulgares os cálices, corporais e panos de linho sobre os quais é oferecido em sacrifício o corpo e sangue de Nosso Senhor. (…) “Onde quer que o santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo for conservado de modo inconveniente ou simplesmente deixado em alguma parte, que o tirem dali para colocá-lo e encerrá-lo num lugar ricamente adornado.”

– Carta a todos os clérigos

“Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos (…) que prestem a mais profunda reverência ao santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, que tornam presente o seu sagrado corpo. Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa. “E se em alguma parte o corpo do Senhor estiver sendo conservado muito pobremente, reponham-no em lugar ricamente adornado e ali o guardem cuidadosamente encerrado segundo as determinações da Igreja, levem-no sempre com grande respeito e ministrem-no com muita discrição.”

Carta I – A todos os custódios

Viva São Francisco de Assis (o santo real, não o riponga esotérico que vaga por aí)!

*****

Informações sobre a vida do santo retiradas do livro Francisco de Assis – O Santo Relutante. Donald Spoto, Objetiva, 2010.

29 comments to São Francisco de Assis não era riponga

  • A desobediência de muitos pseudo-franciscanos (leia-se Genésio Boff e companhia) ao Papa seria mais que desaprovada por São Francisco, ele faria questão de pessoalmente pedir a excomunhão deles ao Papa.

    O próprio juramento dos Frades Menores é justamente obediência ao Romano Pontífice e seus sucessores.

  • Fernando Silva dos Santos

    Muito bom o texto, passa a verdadeira imagem deste santo.

    Bem diferente da imagem mostrada por aí e até por muitos frades “franciscanos”, onde a pobreza passa beeeeeem longe.

    Parabéns pelo site, sempre leio, mas nunca comentei. Primeira vez, tô até emocionado, rs.

    Forte abraço, paz e bem!

  • Daniel

    As pessoas as vezes SEPARAM tanto as coisas. “Não pode haver pobreza espiritual com riqueza liturgica”; “Não pode haver uma vida missionária e pastoral aliada a uma frequencia aos sacramentos e vida orante”

    Somos CATÓLICOS, do grego “katholikos” – Expressão para GERAL, UNIVERSAL. Nossa fé, nosso coração alia essas realidades, e S Francisco talvez seja apenas um entre milhares de exemplos disso. E o nosso ja tão amado Papa Francisco tem demonstrado essas duas realidades. Um homem que prega a sã doutrina, sem tirar nem por, e lava os pés de jovens presidiários. Luta contra o aborto e o casamento gay, e pega ônibus para estar perto dos mais pobres. Honra a santíssima virgem e celebra uma missa simples mas solene, e pratica a mais sincera e concreta caridade.

    Viva a santa igreja CATÓLICA, sem divisões, completa 😉

  • Lendo esse posto me fez entender um pouco as opções que o Padre Roberto Litieri fazia no tocante a liturgia. Muitos o criticavam por conta de suas casulas super chiques, e da sua exigência de cuidado para com os materiais litúrgicos.
    Muito bom o post, realmente galera chega de achar que São francisco era um bobão #paiseamô!
    Acho que merece um outro post, mostrando a postura de Francisco diante de outros temas, como castidade por exemplo!

  • Tiago Noronha

    Os “TL’s”, caricaturaram S. Francisco no Brasil de tal forma que o santo que encontramos nos livros autênticos sobre a sua vida distoa tanto do Francisco que eles pregam, que beira ao ridículo. Mas vale lembrar que eles caricatuam TUDO e TODOS para servirem aos seus ideais: A Liturgia, Os Sacramentos, O Papa Francisco, S. Francisco e até mesmo inventaram um “GÊZUISZ” (porque não é o que está nos evangelhos, é outro)GUERRILHEIRO, FEITICEIRO, HIPPIE…, que pra eles foi um parente distante do CHÊ!
    MARANATÁ, JESUS, QUE EU JÁ TÔ NAS ÚLTIMAS!
    Salve Maria!

  • Aline

    Meu questionamento pode até parecer infantil, mas eu não consigo compreender a relação entre pobreza e riqueza.. muitos santos tiveram a vida humilde e com voto de pobreza, enquanto alguns “personagens” da Bíblia se mostram cheio de riquezas. Às vezes se passa a idéia de que ter dinheiro “atrapalha” a vida espiritual. Se vocês conseguiram compreender o que eu quis dizer ( não consigo me expressar direito) gostaria que abordassem sobre a questão. Obrigada! 😀

    • Aline,
      Sua pergunta nada tem de infantil. Na verdade, é muito pertinente.
      Vou tentar esclarecer. Não há nenhum mal em ser rico, não há problema algum na riqueza em si. Alguns servem ao Senhor sendo ricos, outros sendo pobres. Santa Edwiges, uma mãe de família, por exemplo, usou seu farto patrimônio para construir um hospital para os pobres, um convento e para pagar a dívida de muitos desvalidos que mofavam em masmorras.

      Entretanto, é fato que quem possui bens precisa se dedicar à sua administração, e eventualmente precisa entrar em conflito com alguém (em âmbiro judicial, por exemplo) para defender seu patrimônio. Enquanto isso, quem nada possui, como o santo de Assis, pode se dedicar ao Evangelho de modo mais livre. Quem vive assim também sinaliza ao mundo que Deus provê, que não precisamos fazer dos bens materiais o centro da nossa vida, porque Deus nos dá tudo o que precisamos. Mas note que o modo de vida de São Francisco só é viável para quem não possui filhos para sustentar. Ele vivia em cabanas improvisadas ou cavernas, não tinha muda de roupa para trocar (trocava quando lhe doavam alguma) e na maior parte das vezes comia bem pouco.

      Então, a Igreja é um corpo, como disse São Paulo, e cada membro é diferente. Cada um serve ao Senhor conforme a sua vocação, e não necessariamente essa vocação passa por uma vida de pobreza.

      Ajudou? Ficou ainda alguma dúvida?

      • Na verdade vale lembrar que a probreza é um valor espiritual… uma pessoa pode ter muitos bens e ser extremamente pobre, enquanto algúem pode ser desprovido de bens mas ser ganancioso.
        A pobreza evangélica é justamente essa confiança depositada em Deus que provê o necessário.

        • Sim, Rafael,
          Certamente, antes de tudo, a pobreza evangélica tem a ver com a noção de que não são os bens materiais que nos dão segurança, mas sim a Providência Divina.
          Entretanto, em alguns casos específicos – como o de São Francisco de Assis – é fundamental que essa pobreza se manifeste radicalmente de modo externo.

      • Aline

        Ajudou sim, muito obrigada!!

  • Pedro Henrique Macedo Félix da Silva

    Gostei bastante do artigo. Tira aquela impressão, que o seráfico pai, era um homem “relaxado” com as coisas sagradas. Muito veem sua pobreza, como que extensiva a pobreza com as coisas sagradas. Com certa vez nos disse frei Aquino, OFM: Ser pobre é ter algo, porém não me apegar a esse algo. É uma pena que tantos frades se apegam demasiadamente a pobreza, de forma que a levam ao campo doutrinário e litúrgico. Paz e Bem!

  • MaFê

    Uma vez eu li não sei onde foi (talvez algum site religioso) que chamar a terra de “mãe” não era válido porque assim desrespeitava a Madre Igreja e a Mãe de Deus, e era um certo mimimi “nueigi” agir assim. Mas no Cântico das Criaturas de São Francisco ele cita a “mãe Terra”. E como nosso querido seráfico pai foi muito cuidadoso tanto com as criaturas quanto com a doutrina, fica a dúvida: “mãe Terra” é válido?
    Paz e bem!

    • MaFê,
      São Francisco dizia sim “a nossa Mãe Terra”. E isso não desrespeita a Mãe Igreja, assim como não é desrespeito ao Pai do Céu que os franciscanos e outros devotos chamem São Francisco de “nosso pai seráfico”. Uma mesma palavra pode ter diversas aplicações, com um peso diverso em cada uma delas.

      Entretanto, como eu busquei destacar na parte em que falei da relação de Francisco com a natureza, quando ele dizia essas coisas – irmão Sol, Mãe Terra, irmão fogo – não havia nele o misticismo anticatólico que há no coração de muitos que dizem essas coisas hoje em dia. Certas pessoas dizem “Mãe Terra” de forma idolátrica, com um sentimento pagão, que nada tinha a ver com as intenções do santo de Assis.

      A Terra é nossa mãe, sim, porque é boa conosco e nos dá tudo o que precisamos pra viver. Ela é dom de Deus pra nós, é sinal da Sua bondade. Mas essa consciência não têm nada a ver com a “idolatria” eco-mística da Terra como um organismo com “alma própria”, como se a Terra fosse dotada de personalidade e devesse ser venerada assim.

      Ficou clara a distinção?

      Paz e bem!

      • Lucas

        Na verdade,o texto original do cântico das criaturas diz:Laudato si’, mi’ Signore, per sora nostra matre Terra.
        Tradução:Louvado sejas,ó meu Senhor pela IRMÃ nossa, a mãe Terra. Ou então:Pela nossa IRMÃ mãe Terra. Ou seja,mais do que mãe,Francisco chama a Terra de irmã.Assim como ele chama todos as outras coisas no cantico das criaturas.Mas,realmente Ele sabia que nosso Pai era Deus,nossa Mãe a Igreja, A Mãe de Deus,etc. Porém, na época dele nao existia todo esse eco-misticismo pagão, coisa que a Igreja lutou tanto para vencer, e infelizmente está de volta.Mas, então dizer da forma,no contexto,e na irterpretação de São Francisco de Assis é uma forma de louvar a Deus e agradecer por tudo aquilo que ele nos dá para nosso sustento necessário para a vida na Terra.

  • cgfreita

    deixo aqui este link, tudo a ver com o post de vcs (até parece transmimento de pensassão):
    http://www.youtube.com/watch?v=ou28h2NVxdA&feature=youtube_gdata_player

    espero q gostem.

    Abraços!

  • André C.A.

    Em muitas devoções católicas de piedade popular (sobretudo no Nordeste) – e me refiro a devoções bastante antigas – a devoção a São Francisco não foi contaminada pelo vírus modernista. Ele é conhecido como São Francisco das Chagas por ter recebido as chagas de Cristo, então acho que isso – aliado a uma fé que vem desde antes dessas “reinterpretações” – deixa o povo bastante ligado no aspecto espiritual da vida de São Francisco. Tem uma basílica no Ceará, em Canindé, que recebe peregrinações de todo o Brasil.
    Vocês com certeza já sabem disso (ainda mais que o Paulo Ricardo, quando vocês se apresentaram, disse que é do Ceará), mas achei que valia a pena trazer o comentário para quem não conhecesse.
    Aqui uma imagem do santo: http://1.bp.blogspot.com/-j7ckh7K81AU/UB0uRGx1UfI/AAAAAAAAAt0/4TBzy3KmEbg/s1600/ct.jpg

    Li a biografia dele escrita pelo Chesterton. Fazem alguns anos já, mas se não me engano ele escreveu que São Francisco enfatizava a natureza também para tirar do povo o peso negativo de todo o mal que pairava a vida cotidiana. Tem uma parte que ele diz (não com essas palavras) algo como “depois de ouvir a pregação de Francisco uma criança poderia se balançar em um galho de árvore, esquecendo que ela foi usada para enforcamentos”. É como você disse, ele enfatizou que a natureza era obra de Deus.

  • Bom dia irmãos, ótimo texto, me ajudou a esclarecer bastantes duvidas, mas ficou uma ainda, muitas pessoas costumam usar o anel de tucum porque dizem que faz referência a São Francisco de Assis, isso é verdade mesmo? Pois já li em alguns sites que esse anel faz referência a teologia da libertação. Por favor me esclareçam essa duvida =)
    Paz e Bem

    • Vinícius, bom dia!
      O anel de tucum começou a ser usado pelo pessoal da Teologia da Libertação aqui no Brasil, como sinal do comprometimento com os pobres e oprimidos. O pessoal ligado à PJ (ao menos os grupos de uma linha mais marxista) também usa muito. Não faz referência à São Francisco, não… É algo como “ah, eu poderia estar usando um anel de ouro, mas prefiro optar pela pobreza e usar esse anel de material de pouco valor”.

      Não há nenhum problema em se usar este anel, contanto que a consciência de comprometimento dos pobres do fiel não seja contaminada pela ideologia marxista. Convenhamos, essa não-contaminação é muito rara nos meios da TL, mas é possível.

      No blog do Reinaldo Azevedo, da Veja, tem um post sobre o anel de tucum:
      http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ah-agora-entendi-o-anel-do-homem-de-carvalho/

  • Ma. Dourado

    Bem esta questão entre a POBREZA E A RIQUEZA,penso o seguinte: (se estiver errado me corrijam por favor). Sou filha de uma membro da Ordem 3ª de São Francisco, meu pai chamava-se Francisco de Assis, porém fui criada dentro do Sistema Educativo de Dom Bosco. Duas realidades, um único princípio “AMAR E SERVIR A DEUS”. Deus é rico pois é dono de tudo isso que existe, temporalmente, espiritualmente, psicologicamente, psiquicamente, enfim, humanamente, etc…O problema riqueza/pobreza não está simplesmente na matéria, pois ela é obra de Deus, mas sim na liberdade de escolha que vem do coração humano, onde o coração está? “onde está o seu coração aí está o seu tesouro”. ” O nosso coração está em Deus”, repetimos isto em cada Missas que participamos. É exatamente em Deus que ele deve permanecer e não nas coisas, no dinheiro, etc. Se em Deus ele permanecer, nós com toda certeza saberemos o que fazer com todo o dinheiro que recebemos, todos os bens e as riqueza que possuimos. Acredito que assim passaremos a usufruir, utilizar e partilhar tudo isto com justiça. Somos imagem e semelhança de um Deus rico em tudo, até mesmo na virtude da pobreza.

    • Amanda

      Muito boa a resposta, acredito que é isso mesmo. Tendo Deus no coração, saberemos como lidar com tudo o que está em nossa volta. Se em nossa vida não colocarmos Ele acima de todas as coisas, facilmente nos apegaremos ao dinheiro, ao poder, etc.
      Não é uma questão de conta bancária, mas de amor a Deus, srsrs!!

  • Renato Martinelli Casagrande

    Excelente artigo desmistificando o pobre de Assis. Ele era pobre sendo rico, pois se despia de suas fardas para vestir apenas uma túnica branca e sem os brasões da família nobre, mas muitos, ainda hoje, pensam que ele se despia ficando totalmente nu por causa dos distorcedores da verdade que atendem interesses midiáticos.
    E seu desapego material para viver não significa descuido ou miséria nas coisas de Deus.

  • Eduardo

    Foi Francisco quem criou o tau.Ou foi mais uma coisa incorporada por alguns que o seguiam.

  • Marta

    Se eu estiver enganada me corrijam, mas o próprio Deus, no Deuteronômio, diz como deve ser o seu templo e quase tudo era de ouro e tecidos nobres. De certa forma isso se deveria transportar para nossas igrejas de hoje, afinal estamos recebendo/guardando o Filho de Deus.

    • Sim, você tem razão. Não precisa ser tudo coberto de ouro, mas certamente o templo de Deus deve ter aparência nobre. As pessoas mais simples sabem disso. Em muitas capelas de comunidades rurais, mesmo sendo bem simples (pelos poucos recursos do povo local), dá pra perceber que o povo buscou usar os melhores materiais, dentro de suas humildes possibilidades.

      • Luiz Antônio Pereira

        Isso! O zelo pelas coisas de Deus como deve agradá-Lo!

        Mas sempre haverá um protestante ou ateu para querer nos alfinetar, alegando hipocrisia com nossos institutos de caridade e a “ostentação” dos templos… e Jesus aceitou de bom grado aquele perfume caríssimo derramado aos Seus pés por uma pecadora.

  • Rosane Santos

    O Senhor lhes dê a paz irmãos! São Francisco não mandava seus filhos deixarem de comer carne. Eles não poderiam fazer isso senão passariam fome, já que eles trocavam trabalho por comida ou mendigavam quando não conseguiam trabalho. Agora, São Francisco raríssimamente aceitava comida cozida e quando aceitava botava cinza em cima. E quando era convidado para alguma refeição na casa de alguém, ele fazia que comia a carne escondendo no meio das dobras de seu velho hábito. Isto está no livro O Espelho da Perfeição, do Frei Leão, seu fiel companheiro. A que conclusão se pode chegar? São Francisco não podia se sentir a vontade na frente do cadáver de um daqueles seus queridos irmãos. Mas ele não podia exigir que seus filhos rejeitassem a carne por causa do modo de vida escolhido por Jesus para sua Ordem. São Francisco não foi oficialmente vegetariano, mas sua alma era.

    Ele tinha um cuidado imenso por tudo aquilo que era sagrado. Varria as igrejas e recolhia tudo que se relacionasse com Deus e dava um destino apropriado. Mas ele não queria igrejas grandes e nem conventos. Ele queria que seus filhos fossem peregrinos e não se demorassem em lugar algum. Pena que o modelo que Jesus quis que perseverasse na sua Ordem não vingou. Paz e Bem

  • Amanda

    Concordo plenamente com o post. Infelizmente as pessoas menos informadas (e que não querem se informar) veem alguns santos de forma caricatural: Santo Antônio, o “casamenteiro” e nada mais; São Francisco, um “hippie” paz e amor, que amava os animais, e até Jesus, nosso Senhor, muitos chegam ao absurdo de achar que era um “cara revolucionário”!
    Pouco se fala sobre a verdadeira biografia e a rica espiritualidade vivida pelos santos… Infelizmente os católicos têm pouca formação…eu sou uma…Os padres também, nas homilias, pouco falam disso…
    Estudei em escola católica e lá pouco se falava do santo fundador..um grande santo com riquíssima espiritualidade. Mas sua congregação não fala disso…Pessoal lá só quer saber de paz e amor, como diz o post…PENA.

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