Catecine – Os Miseráveis

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Tem gente que se acha muito certinha, muito boazinha, muito cristã, mas está longe de praticar a verdadeira misericórdia. Assistindo ao filme “Os Miseráveis”, de Tom Hooper, fica mais fácil pra todo o mundo entender melhor a grande diferença entre a moral cristã e o moralismo puritano, farisaico.

“Os Miseráveis” é uma adaptação para o cinema do musical de mesmo nome, que há 27 anos é sucesso de bilheteria na Broadway. Por sua vez, a obra teatral é baseada no romance de Victor Hugo.

O filme conta a saga de Jean Valjean, preso e condenado a 19 anos de trabalhos forçados por roubar um pão. Depois de cumprir sua pena, ele é posto em liberdade condicional, mas continua a ser tratado como um bandido pela sociedade. Sozinho, sem trabalho, com fome e frio, em sua alma crescem a amargura e o rancor.

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Hugh Jackman como Jean Valjean.

O rumo de sua vida muda após a acolhida amorosa de um bispo católico. Convertido, Jean Valjean se torna novamente um homem honesto. Para se livrar do estigma de criminoso, muda de nome e foge da condicional. Consegue se tornar um cidadão respeitável e bem-sucedido.

Entretanto, o implacável inspetor Javert não mede esforços para prendê-lo novamente.

Javert é o tipo de cara que acha que agrada a Deus cumprindo rigorosamente as normas da civilização, e jamais se desviando daquilo que é “moral”. Ele sente que é seu dever perseguir e punir duramente todos os que saem da linha, e não cogita para eles qualquer possibilidade de reabilitação. Uma vez pecador, sempre pecador.

Javert é a imagem da justiça despida de misericórdia: ele odeia não só o pecado, mas também o pecador. Sua justiça é de natureza terrena, não celeste. E a justiça sem misericórdia nunca é justiça de fato.

O Mandamento diz “Não roubarás”; por isso Javert, moralista inflexível, não tem piedade do homem que rouba um pão para salvar um bebê faminto. O Mandamento diz “Não pecarás contra a castidade”; e assim, obcecado em fazer cumprir a lei, o inspetor não enxerga e não se comove com a alma estraçalhada de Fantine, que vende o seu corpo e a sua dignidade em meio ao desespero, buscando garantir o sustento da filha.

O final é de fazer qualquer católico se arrepiar!

Agora que já abordamos os aspectos religiosos da trama, vamos falar da pipoca. Pra quem curte produções grandiosas, o filme é um banquete completo. São mais de 4 mil figurantes apoiando um elenco maravilhoso, e as músicas são espetaculares.

Hugh Jackman está excelente como Jean Valjean. Como bem disse o nosso amigo Paulo Ricardo no blog PDF, “o Wolverine mostrou que não precisa sacar as garras e enfiar no bucho de alguém para ser notado”. E Anne Hathaway, como a pobre Fantine, deve estar muito orgulhosa por levar até os machões mais duros na queda a verterem lágrimas condoídas, enquanto ela arrasa cantando “I Dreamed a Dream”. É de emudecer a alma.

A trama se ambienta na França pós-Revolução Francesa. Pra nos permitir respirar em meio a tanto drama e tensão, temos o alívio cômico nas cenas dominadas pelo casal de picaretas Thénardier (Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter). Diversão garantida!

O filme venceu três Globos de Ouro, inclusive o de Melhor Filme (categoria comédia ou musical). Também concorre a oito Oscars, entre eles o de Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante.

Curiosidade: Victor Hugo era fortemente anticlerical. Entretanto, foi capaz de reconhecer e elogiar publicamente as obras das Irmãs da Caridade e de São Vicente de Paulo. E, apesar dos protestos de seu filho, também avesso à Igreja, ele colocou como instrumento da redenção de seu personagem Jean Valjean um bispo extremamente honesto e generoso.

41 comments to Catecine – Os Miseráveis

  • Mariele

    Ótimo! Eu já li o Livro e gostei muito… Também acho muito interessante… Vale a pena assistir. =)

  • não sabia da tematica do filme. me interessei.

  • Flávia Cabral

    Imperdível! Preciso ver!

  • Ah, mais uma observação: sei que tem muita gente que é alérgica a musicais, rs. Então, vale pegar na locadora a versão deste filme com Liam Neeson como protagonista (Jean Valjean) e Uma Thurman como Fantine. É muuuuuito bom!

    E o ator que interpreta Javert nessa versão de 1998 se sai bem melhor do que o Russell Crowe.

    http://poseseneuroses.com.br/os-miseraveis/

  • Rosana Both

    O filme é DEMAIS! Enquanto produção, qualidade musical, roteiro… e, para quem o assiste com um olhar católico, se torna mais especial ainda!
    Jean Valjean muda o rumo da sua história porque faz a experiência do amor e da misericórdia, porque, com a atitude acolhedora do bispo, sente-se amado pelo Senhor. Numa sociedade despedaçada como aquela pós Revolução Francesa, e como (por que não?) a que vivemos hoje, somente é possível a restauração da humanidade e da dignidade das pessoas por meio de atitudes como esta. Em um período que só vemos ataques à fé católica e à Igreja, onde se há um padre ou religiosa em um filme/novela, geralmente são retratados de forma, no mínimo, desrespeitosa, é muito bom que um filme com esse olhar esteja em cartaz!
    Ah, preciso registrar minha admiração pelo site, pela forma como são firmes e claros na defesa da Igreja e da fé, mas sempre de um jeito leve e divertido. Que o Senhor abençoe cada dia mais esta missão!
    Abraços,
    Rosana

  • Julio César

    Eu já assisti a primeira versão de filme, com Liam Neeson e o filme é realmente excelente. Ainda não tive tempo para assistir o que está em cartaz, mas assim que puder vou correndo pro cinema. Sou muito fã do Hugh Jackman.

  • Lucas Romani

    Filme simplesmente incrivel

  • Paulo Ricardo

    Os miseráveis tem versão a dar com pau. A de Liam Neeson é uma das piores. Mas não é um filme ruim. Aconselho que vejam a minissérie com Gerard Depardieu(Valjean) e John Malkovith (Javert) que é muito mais completa e interessante. O clássico de 1935 também é bem melhor que o filme com Neeson e é também a versão mais curta. Esse clássico imorredouro está entre as obras mais filmadas, sendo um dos primeiros registros de filmagem da obra pertencente aos criadores do cinema – os Irmãos Lumiere.

  • Níkolas

    Muito boa a reportagem, mas quem ganhou o globo de ouro de melhor filme foi o Argo. Os Miseráveis ganhou o golden globe de melhor musical.

  • Rodrigo

    eu ia comentar esse detalhe do Paulo Ricardo

    existe mais ou menos umas 8 versões em filme de Os Miseraveis, nenhuma delas é completamente o livro mas cada uma delas se destacando

    a melhor versão na minha opinião é a de 1935, que tem o meu Valjean predileto nas telas interpretado pelo Fredric March, é possivel “ver” os pensamentos do Valjean na interpretação do March

    a versão de 95 é uma das mais fracas, ainda assim é muito bem e tem aquele que para mim é o Javert mais interessante, mas também é dificil errar com o excelente Geoffrey Rush

  • Túlio Galvão

    Acabei de assistir ao filme. Pesquisando sobre victor hugo, li num texto de olavo de carvalho em que diz que ele é o poeta preferido dos revolucionários.
    No filme ficou fácil notar o motivo e porque é tão aclamado na broadway. Uma apologia a revolução. Quanto ao personagem principal, podemos discutir a pena, se justa ou injusta, mas ele foi um infrator (teve a pena aumentada por tentar fugir) e tinha que pagar. “Dai a cesar o que é de cesar”. Óbvio que como cristão acredito na conversão das pessoas, acredito que uma pessoa pode mudar e que devemos perdoar mas o vies revolucionário chega a revirar o estômago. Ver revolucionários posando de santos e policiais de sanguinários foi a mais nítida inversão, foi a clara luta de classes pregada por Marx.

    • Túlio,
      O pensamento de Victor Hugo é complexo, mas os comunas, obviamente, buscam colocá-lo entre os seus partidários. Entretanto, o poeta jamais abraçou o socialismo, e nem poderia, já que era a favor da livre iniciativa.

      Victor Hugo era um crítico das misérias sociais – e isso é ótimo – mas jamais apoiou a luta de classes. Ele acreditava na COOPERAÇÃO entre as classes. Repare que o seu personagem Jean Valjean se torna um empresário bem-sucedido, e assim espalha prosperidade aos demais habitantes da região.

      Há relatos de que o poeta era muito coerente com essa ideia de cooperação, pois doava muito dinheiro para instituições de caridade.

      Victor Hugo jamais poderia apoiar o comunismo, pois era honestamente a favor de uma sociedade democrática, e o comunismo prevê a ditadura do proletariado, o cerceamento da liberdade. Sobre a distribuição forçada de bens e a igualdade artificial almejadas pelo comunismo, ele disse:

      “O comunismo e o agrarianismo acreditam que resolveram este segundo problema [da distribuição de renda], mas estão enganados: a distribuição destrói a produtividade. A repartição em partes iguais mata a ambição e, por conseqüência, o trabalho. É uma distribuição de açogueiros, que mata aquilo que reparte. Portanto, é impossível tomar essas pretensas soluções como princípio. Destruir riqueza não é distribuí-la”.

      Quanto ao musical, você tem razão quando diz que os revolucionários foram idealizados. Porém, sinceramente, acho que isso não compromete o filme, do ponto de vista religioso. Afinal, colocando na balança, há muito, muito mais elementos positivos do que negativos.

      Quanto à questão da pena de Jean Valjean, você realmente crê que um homem deva ser punido por roubar um pão para matar a fome de um bebê?
      Coloque-se no lugar do personagem: sem trabalho, sendo marginalizado por uma injusta condicional, após 19 anos de trabalhos forçados, você jura que não fugiria da condicional e buscaria viver como um homem honesto? Acha mesmo que Deus puniria Jean Valjean por isso?

    • Ah, Túlio, completando…
      Você diz que Jean Valjean foi um infrator e tinha que pagar.
      Quero lembrar que todos os cristãos que viviam sob as leis do Império Romano, a partir de Nero, eram criminosos. Então, seguindo este seu raciocínio, todos eles, em vez de viverem como clandestinos e se refugiarem nas catacumbas para realizar seus ritos, deveriam voluntariamente se entregar ao governo para serem trucidados, junto com seus filhos.

      Lembro também que roubar para matar a fome – própria ou de familiares – dependendo do caso, pode não constituir pecado, segundo a doutrina da Igreja.

      • Eu estou estudando Direito Vivi, e apesar da influência do pensamento esquerdista no Direito moderno, eu concordo com a distinção entre “legal e legítimo” que os comunistas da USP firmaram na época do Regime militar: nem tudo que é legal, que é positivado, é necessariamente legítimo, vide o caso do nazismo que foi um regime legal e legítimo, mas suas ações a pesar de serem legais, não eram legítimas.

        O Código de Direito Penal brasileiro exclui a pena se o ato ilícito foi para salvar a sua vida ou a de outrém.

    • Daniel Pires

      “Quanto ao personagem principal, podemos discutir a pena, se justa ou injusta, mas ele foi um infrator (teve a pena aumentada por tentar fugir) e tinha que pagar.”

      Javert, é você?

  • Túlio da Silva Galvão

    Acredito que todos fazemos escolhas. Pobre, rico, culto ou inculto. Se existe uma lei que pune tal atitude e a pessoal mesmo assim decide por contrariá-la (claro que se deve dar amplo direito de defesa), mas se condenada não vejo injustiça nisso. Não estou aqui discutindo se a pena era justa ou injusta. As leis são feitas por homens e totalmente passíveis de erro. A condenação de Jesus Cristo foi justa? Mesmo assim ele a cumpriu e como um cordeiro levado ao matadouro não abriu a boca.
    Li uma frase do Reinaldo Azevedo que nunca esqueci “Os pobres também fazem escolhas morais.”
    Devemos perdoar nossos inimigos e os pecados são perdoados por Deus mas devemos estar prontos para responder por estes nossos atos.

    • Túlio, insisto: partindo deste teu raciocínio, de que as pessoas pecam se não obedecerem às leis, mesmo as mais injustas, então todos os cristãos no tempo da perseguição do Império Romano deveriam ter se entregado ao governo, em vez de se viverem como refugiados.

      Creio que você, focado na lei e na justa aversão à Revolução Francesa, não entendeu a mensagem essencial do filme.

    • Túlio, lembro também que Maria e José deram um “drible” nas leis do governo, quando fugiram com o Menino Jesus de Belém. Afinal, a lei determinava a morte dos bebês de até 2 anos de idade.
      Segundo este teu raciocínio, eles deveriam ter permanecido lá, e deixando o Menino ser morto “como um cordeiro levado ao matadouro”.

      Devemos entender as coisas da Bíblia em seu contexto, e não tirá-las de seu contexto para encaixá-las em nossas teorias.

    • Luiz Antônio Pereira

      Jean Valjean, na obra de Victor Hugo, assume que errou furtando o pão e que merecia pagar por isso, achava justo, pois em vez de furtar poderia ter pedido ou aguentado a fome por mais tempo até encontrar uma solução decente, … mas a pena foi alargada pelas tentativas de fuga, o que ainda acha de certa forma justo, pois sabia que a pena aumentaria se tentasse fugir. Não vi ainda o filme, mas talvez tentaram vitimizar demais a figura de Jean, nesse ponto.

  • Túlio da Silva Galvão

    Você está me convencendo.
    Mas ainda penso que algo não está certo no filme.
    Seus argumentos realmente estão me fazendo pensar. Na verdade eu concordo com seus argumentos mas ainda tem alguma coisa que me deixa com um pé atrás com relação ao filme e não estou conseguindo dizer o que é.

  • Túlio da Silva Galvão

    Só uma coisa.. não penso que as pessoas pecam por irem contra a lei e nem que pecado deve ser colocado num código penal. Acho que existem leis injustas sim.

  • Túlio da Silva Galvão

    Agora só para registrar após reflexão.
    Realmente eu estava errado sobre a condenação do personagem principal do filme.
    Roubar para alimentar a família pois o alimento lhe falta não é crime mesmo. Então Jean Valjean não merecia ter sido condenado.
    Definitivamente interpretei de forma equivocada essa questão.

    • Túlio, vale mesmo chamar a atenção deste “porém” que você citou, ou seja, a “santificação” dos revoltosos vermelhos. Mas acho que este é mesmo um detalhe sem muita importância, diante dos demais pontos positivos do filme.
      Pra uma história que saiu da mente de um sujeito anticlerical, a imagem positiva da fé católica passada no enredo é um verdadeiro milagre, rs.

  • Paulo Ricardo

    Vítor Hugo era Espírita. Alega, inclusive, que recebeu comunicações de… Jesus Cristo. Pára o mundo que eu quero descer! Passou do meu ponto!!!!!!
    Apesar de ter ficado gagá (isso foi ao fim de sua vida) Vítor Hugo foi um grande escritor e “Os Miseráveis” é o seu “Irmãos Karamazov” (mal comparando Dostoiévski com Hugo, pois considero o russo um escritor como Vítor Hugo, apesar de filho dileto da tradição literária francesa, jamais chegou perto de ser), um clássico imorredouro e um livro fantástico. Hugo é o Escritor com “E” maiúsculo ou seja, um observador social de verdade que sabia muito bem onde, em meio a sujeira e a porcaria, estavam depositadas a caridade e bondade que emanam do Senhor de toda criação. Isso se chama honestidade intelectual, um conceito desconhecido aqui no Bananistão pelos “burricos que pensam” e que por osmose passa a patuléia circundante.

  • Jefferson Teixeira

    Da obra de Victor Hugo só vi o filme com Liam Neeson e sinceramente gostei muito, então reconheço que sou péssimo analista de cinema…rsrsrs.
    Mas tb achei o Javert ótimo. Como gosto de história e sou católico esta obra é um deleite, agora quero ver esta nova versão com certeza.

  • Pablo Fuchs Dias

    Creio que Valjean não pecou ao roubar um pão para alimenatar uma criança. O próprio Catecismo diz que “O sétimo mandamento proíbe o roubo, isto é, a usurpação do bem de outro contra a vontade razoável do proprietário. Não há roubo se o consentimento pode ser presumido ou se a recusa é contrária à razão e à destinação universal dos bens. É o caso da necessidade urgente e evidente, em que o único meio de acudir às necessidades imediatas e essenciais (alimento, abrigo, roupa…) é dispor e usar dos bens do outro” (CIC nº 2408).

  • Pablo Fuchs Dias

    Sobre Victor Hugo, ele, em sua juventude, era conservador, monarquista e Católico convicto! Só depois, no fim do reinado de Carlos X, que ele foi mudando sua visão, e já nos “Três Gloriosos” (a Revolução do filme) ele já estava mudado.
    Quem quiser aprofundar o assunto, recomendo:
    WINOCK, Michel. “As Vozes da Liberdade: Os escritores engajados do século XIX”. Cap. 6: Victor Hugo, o romantismo vira à esquerda”. Ed. Bertrand Brasil.

  • Vanêssa Ribeiro

    Estou louca pra assistir… Assisti parte do seriado e adorei!!!
    Ah… Amo este site!!!! Parabéns!! E que Deus os abençoe.
    Paz e bem!

  • Vi o filme hoje e digo: chorei como uma criança no final depois de muitos aplausos no meio da história. O filme merece o nome de “musical cinematografado” mesmo. Faltam-me palavras. Muito lindo. O filme parece ser um instrumento de conversão.

  • Lucas Brasil

    Li em um site que várias das obras de Victor Hugo foram condenadas pela Igreja, e adicionadas ao Índice de livros proibidos… inclusive “Os Miseráveis”. Essa informação é verdadeira? Pois se é, deve haver algum motivo para a proibição… Seria alguma influência de doutrinas não-católicas em sua obra?

    • Luiz Antônio Pereira

      Não sabia que “os miseráveis” estava no index, mas “o corcunda de notre dame” é certo que estava e nem precisa-se pensar muito no porquê.

      Eu comprei a edição de 2 volumes de “os miseráveis” da Cosac Naify, por ser tão comentada essa obra de Victor Hugo, mas reluto ainda um pouco até em tirar o lacre (penso em vender sem ler). Não é que eu tenha receio em cair diante de alguma tentativa de lavagem cerebral, ou heresia, ou desvalorização da moral, ou afronta à Igreja, nada disso, mas pesa um pouco o senso de estar de certa forma contribuindo com algo que a Igreja condenou. Mas eu leio (não totalmente) coisas brabas como “eram os deuses astronautas”, ou até os videozinhos do “zeitgeist”, para saber bem o que tenho que combater e como refutar, quando um vislumbrado ateuzinho aparece se achando o dono da razão.

      Victor Hugo é uma figura controversa. Não era comunista, mas ardia em críticas à Igreja (tudo bem que ser liberal é diferente de ser conservador e comunista), mas é intrigante em meio a uma revolução; apesar do personagem bonzinho do bispo em “os miseráveis”, fez o padre frollo de “o corcunda de notre dame”.

      Eu só quero ser mais fiel à Igreja!

    • Mendes

      Até os escritos de Santa Teresa de Ávila foram parar no Index também… não leve isso muito a sério, cara!

      • Sim, por prudência da Igreja. Havia um a desconfiança relativa a seus aspectos místicos. Mas o tempo mostrou que ela merecia crédito.

      • A Igreja prudente nos alertava em “os miseráveis” ao perigo do relativismo, creio eu, e de fato Victo Hugo conseguiu seu intento, pois ainda hoje o personagem do bispo de Digne é idolatrado e Victor Hugo bajulado, mesmo sendo um dos personagens de maior astúcia que Victor Hugo usou para esculhambar com a Igreja.

  • Heloisa

    Oi gente,
    eu assisti a uma resenha sobre o livro os miseráveis e a moça que fez a resenha afirma que Victor Hugo era católico fervoroso, ela faz essa declaração com base em um livro do Vargas Llosa que “fundamenta” e explica “Os Miseráveis”. Ela inclusive fala que ele era católico mas por alguns momentos ele praticou o espiritismo.. fiquei na dúvida! Alguém saberia me responder? Agradeço desde já!
    Heloísa

  • André alves de araujo

    Genial tanto o musical quanto o do Liam Neeson.Preferi o final do musical.Mas Liam é um mito no filme.E os dois bispo são épicos tbs

  • João Pedro Strabelli

    Não sou exatamente fã do Victor Hugo, mas reconheço o seu valor literário. O enredo e a narrativa de Os Miseráveis lembra um pouquinho os dramalhões mexicanos que você já assistiu um pouquinho na televisão da casa da vovó ou da titia, mas é muito melhor. É a diferença que você encontraria em uma cerveja feita num mosteiro belga daquela que você compra no boteco da esquina.

    O que me chamou mesmo a atenção é que depois de ler O Corcunda de Notre Dame, em que Victor Hugo faz o esforço que pode para esculhambar bispos e governos, ele use um bispo bom no enredo. Foi o dia que ele abandonou sua ideologia e olhou à sua volta.

    Um escritor brasileiro, de certa forma, também fez isso. Diogo Mainardi é cinicamente contra tudo e contra todos, especialmente se houver religião no meio. Costuma dizer “Deus, se existisse”. Mas quem lê a crônica Meu Pequeno Búlgaro, sobre o filho que nasceu com paralisia cerebral, vê que tem sentimentos sinceros. Claro, ele não vai mudar nada das outras coisas que fala, porque quer manter seu personagem, mas esse tipo de coisa faz a gente ver porque nosso mundo ainda existe. O amor de Deus é grande e quando a gente menos espera, ele floresce.

    Bom filme a quer for assistir.

    • Eu acho que a arte é usada pelos artistas, não só artisticamente, mas até mais para estampar suas crenças e militâncias. na literatura não é diferente.

      Se padre Frollo é o espantalho católico de Victor Hugo, o bispo Mriel não fica muito atrás, talvez seja isso sim, mais sutil em cutucar a Igreja. Ora! O bispo de digne com toda a sua sabedoria mostrada nas falas, fica sem palavras diante da aula de moral de um incrédulo, e se “confessa” com um comunista, ou seja, é um “tapasso” e tanto na cara da Igreja, e talvez por isso mesmo o livro “os miseráveis” foi colocado no index.

      Ao meu ver, Victor Hugo foi muito astuto para ganhar a simpatia dos católicos, que tranquilamente deixaram passar dois atos repugnantes do bispo de Digne, para exaltar seu criador, um contumaz crítico da Igreja Católica.

  • Geraldo

    Curiosa e instigante essa discussão sobre a justiça das ações da história contada no livro e no filme. A ONU tem desposado, patrocinado e imposto esse conceito positivo do direito, da justiça como sendo aquilo que os seres humanos (os especialistas sobretudo, ainda mais que os legisladores, sendo que os primeiros – via ONU – tem tido uma preponderância e um reconhecimento praticamente tácito do seu “direito” de impor seus conceitos sobre os segundos e sobre a sociedade em geral) decidem por no papel. Enquanto a igreja insiste na existência de um DIREITO NATURAL que solicita a nossa paciente e honesta investigação e atenção aos dados da experiência humana, para sondar essa mensagem ontológica, natural, essa voz do criador que fala nas coisas, na realidade.
    E a civilização ocidental voltou seu olhar para essa lei natural, devido a um fator que interveio em sua história: a lei sobrenatural da graça, a REVELAÇÃO DIVINA em Jesus.
    E este é um fator incontornável diante do qual é impossível haver uma “LAICA” neutralidade ou pretensão de isenção laicista. Normalmente as ideologias laicista e estatista, coloca essa questão do seguinte modo: o estado é laico e não deve sofrer influência da fé religiosa (especialmente da católica) em suas leis. O grande problema e lacuna racional e lógica dessa posição, é que ela pretende partir de um impossível marco zero. Ou seja: aborda a coisa como se tratasse de uma questão meramente teórica, desconhecendo o fato histórico. Pois a questão não é se é justo e legítimo ou não que a fé influencie a noção de justiça (e portanto, as leis) no estado. Se a coisa é colocada tão somente nesses termos, comete-se uma omissão tremenda, sem a qual nossa compreensão do real fica muito aleijada e incompleta. Pois o fato é que, HISTORICAMENTE, muito das nossas concepções acerca do que é justo e injusto – incluindo muito daquilo que vários ateus afirmam vir da sua própria consciência, do seu próprio senso ético – já é fruto da influência da fé cristã, da novidade de Jesus. Já aconteceu! Jesus e sua nova lei, já informam vários fatos culturais, várias concepções que regem nossos arcabouços legais e, por isso, foi de total pertinência cultural e civilizacional (em consonância com a história mesma do ocidente) o fato de Vitor Hugo ter colocado um bispo na origem dos fatos que em sua ficção, sugerem uma leitura humanizadora da lei.
    A Divina Revelação teve e tem um efeito saneador em nossa compreensão do mundo e da vida humana. Como disse São João Paulo II, não se entende o humano sem Jesus Cristo (e evidentemente, sem a ação da igreja que atualiza Jesus no mundo e na história). ELE, historicamente foi um fator, O FATOR que mais pesou em nossa compreensão do humano! Não se arranca esse dado cultural crucial em nome de nenhuma pretensa neutralidade laicista, sob pena de não podermos nos entender mais como história e civilização e até mesmo de perdermos toda a funcionalidade como sociedade. Se os laicistas fossem levar até o fim , com total coerência e honestidade intelectual, as consequências razoáveis e lógicas de sua premissa, deveriam estar dispostos a jogar fora TODAS as influências da tradição judaico-cristã, que ainda permanecem na sociedade atual. Mais da metade do que consideram valioso, seria jogado no lixo: o direito à ampla defesa (qualquer investigação histórica honesta mostra que ele começou a existir na inquisição), a previdência social, o direito associativo e tantas outras coisas que nascem diretamente da influência cultural da fé cristã. Se é para sermos laicistas, o sejamos por completo e não apenas jogando fora aquilo que convenientemente nosso preconceito selecionou como sendo incômodo.
    Em suma, a REVELAÇÃO DIVINA, é superior à toda lei humana, à toda lei positiva. E o DIREITO NATURAL, cuja importância ela – historicamente – nos ajudou a perceber melhor, valorizar e cuja compreensão ela fez evoluir entre nós, também é superior à toda lei humana e positiva pois lhe é FONTE e CRITÉRIO AVALIADOR. Negar isso (como tem sido feito desde a revolução francesa, como tem sido encarniçadamente pretendido pela ONU) é puro suicídio civilizacional, é pretender construir-se como sociedade a-histórica, sem passado e sem memória, sem DNA. E será sempre uma pretensão seletiva, uma vez que jamais terá a coerência ética e intelectual de jogar fora TODAS as influências da fé cristã (e deveria ter, já que a premissa é influência zero da fé no estado laico) mas apenas aquelas das quais não se gosta. Quando São Paulo, escrevendo a Filemon, muito o exortou a receber como irmão o seu escravo fugido (Santo Onésimo) , ali se inoculou um germe na cultura e civilização ocidental cujas consequências colhemos até agora. Um ateu que se vanglorie de ter apenas a própria consciência e senso ético como guia, um laicista que pretende afastar toda influência cristã da sociedade e do estado “laico”, terá a coerência de reivindicar a volta do instituto da escravidão??? Não sabe ele que foi uma nova consciência vinda da influência da fé cristã, que permitiu a definitiva abolição da escravidão na Europa? E não sabe que foi justamente esse tremendo fato cultural (arquipresente no imaginário social do ocidente) que modelou a luta abolicionista e o fim da escravidão negra entre nós, nos países cristãos (a qual depois disso ainda permaneceu por muito tempo em ambiente não cristão, entre os negros africanos e entre os muçulmanos)?.

    Os recentes e escandalosos acontecimentos na Europa (terrorismo islâmico) mostram que não haverá qualquer evolução civilizacional entre nós, a não ser na assunção daquilo que somos, das nossas raízes culturais mais profundas, que exatamente por terem sido negadas e até perseguidas nas últimas décadas, nos tornaram confusos, perdidos, desfibrados e vulneráveis.
    As ideologias laicistas de nada nos podem valer na crise que ora atravessamos. A concepção jurídica que elas vão configurando cada vez mais em nossos países, estão fazendo prevalecer cada vez mais a lei do mais forte, a negação da inteligência e da evidência dos olhos, que tem dado lugar à obediência cega aos ditames especialistas (do gênero, do elegebetismo, etc.) e donos da verdade, por mais que esses acumulem contradição sobre contradição. Como povo e como civilização urge voltarmos ao primeiro amor.

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