Se o Inferno estivesse vazio, Jesus seria um blefador

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Um leitor dO Catequista (que prefere ficar anônimo) nos escreveu relatando uma conversa informal que teve com um sacerdote. O padre lhe disse que o Inferno até pode existir, mas que deve estar vazio. Todos se salvariam (mesmo aqueles que não se arrependeram antes da morte), apenas alguns passando pelo Purgatório.

Tenho a impressão de que esse padre, assim como eu, curte o filme “O Auto da Compadecida”*, mas tem uma séria dificuldade de desvincular a ficção da realidade. Desconfiado desse conto de fadas, o leitor nos pergunta o que a Igreja realmente ensina acerca do Inferno e do destino das almas.

Bem, a verdade é que nem as Escrituras, nem a palavra dos santos, nem a Tradição dão qualquer suporte a esta historinha de “Inferno vazio”. Aliás, muito ao contrário. O Abismo tem muitos habitantes, a começar por Lúcifer e os anjos decaídos, conforme revelado no livro de Daniel. Como nós, os anjos rebelados eram criaturas amadas de Deus, mas a sua perversão os precipitou nas trevas para todo o sempre.

Mas antes de falar da Bíblia e da Tradição, vamos refletir sobre as coisas à nossa volta. Pensem, por exemplo, no caso dos criminosos abomináveis: na boa, algum de vocês apostaria um real que os pedófilos incorrigíveis vão habitar o Paraíso? Algum de vocês apostaria na salvação de Hitler, Lênin ou Stálin? E aqueles traficantes que queimam gente viva dentro da pilha de pneus, e morrem impenitentes? Já imaginou eles tocando harpa com asinhas nas costas, pulando de nuvem em nuvem?

É claro, só a Deus cabe o julgamento, mas eu – eu, eu – não arriscaria os meus trocadinhos nessa aposta! Deus é infinitamente misericordioso, mas também é justo. O médico veio para os doentes, mas se os doentes rejeitam o tratamento… como poderá Ele impedir as suas mortes?

Basta observar a realidade do mundo e a podridão dos corações para chegarmos à conclusão de que o Inferno tá mil vezes mais cheio do que show gratuito da Beyoncé.

Muitos são chamados, poucos são escolhidos
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“Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e são poucos os que o encontram!” (Mt 7, 13-14)

Há muitas passagens no Novo Testamento que indicam o grande número de homens – grande mesmo! – que caem na desgraça eterna. Como aquela em que um homem perguntou a Jesus (Lucas 13, 23-28):

– Senhor, são poucos os homens que se salvam?

O Mestre respondeu:

– Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque vos digo: muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora.

Notem: o Senhor afirmou categoricamente que muitos, mesmo entre os cristãos (“Nós comíamos e bebíamos diante de Ti e ensinavas nas nossas praças!”) não conseguirão entrar na Casa do Pai, e serão enviados para um lugar onde “haverá choro e ranger de dentes”.

É muito difícil ler isso sem concluir que a maioria das pessoas acabará na danação eterna. O pior é que esta passagem da “porta estreita” não está isolada, e corrobora com outros trechos do N.T. que indicam que o Inferno está muito bem povoado.

  • Jesus diz que “muitos são chamados e poucos são escolhidos” (Mt 22, 14).
  • Há pessoas que, por mais que ouçam a Palavra de Deus, jamais se abrem para compreendê-la e acolhê-la. Jesus diz que não pode curar (ou seja, salvar) gente assim.

Porque o coração deste povo tornou-se insensível. São duros de ouvido e fecharam os olhos para não ver com os olhos, e não ouvir com os ouvidos, não compreender com o coração e não se converter. Assim não podem ser curados”. (Mateus 13,15)

  • Jesus acusou os doutores da Lei e fariseus hipócritas de fecharem o Reino dos Céus aos homens com suas falsas doutrinas (Mt 23,13). E depois de os xingar muuuuuuito, questionou: “Como é que poderíeis escapar à condenação do inferno?” (Mt 23,33).

E o trecho que eu jamais gostaria de ter lido nos Evangelhos é este: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar fé sobre a Terra?” (Lucas 18, 8). Com que tristeza o Senhor não teve ter dito isso! Quem se recusar a abraçar a fé, como poderá receber a salvação? É bom lembrar o que Ele disse: quem não crer, será condenado (Mc 16,16).

Pra não me alongar muito, nem vou citar as numerosas passagens do Apocalipse que preveem a condenação de um grande número de pessoas.

Diante disso, alguém que insista em crer que o Inferno não existe ou está vazio terá, necessariamente, que afirmar que Jesus era chegado num blefe. Ficava contando lendas assustadoras sobre mundos imaginários, só pra botar terror e manter a gente no cabresto.

E quanto a Nossa Senhora de Fátima? Ela enganou os três pastorinhos com aquela visão do Inferno cheio de almas desesperadas! NÃO PERA…

Apesar de tantas evidências que desqualificam a tese do Inferno vazio, esse discurso convence a muitos (olha os cristãos-jujuba aí, gente!). Previsível: a grande maioria das pessoas prefere dar ouvidos a mentiras reconfortantes do que a verdades inconvenientes.

mentira

* No filme “O Auto da Compadecida”, há uma cena em que Nossa Senhora interdece pelas almas dos pecadores na hora do juízo particular. Contando com tão poderosa advogada, a adúltera, o empresário avarento e os sacerdotes corruptos escapam do Inferno, sendo todos encaminhados ao Purgatório. Devo dizer que a Virgem “força uma barra” em sua busca de amenizar os erros e justificar os piores crimes, mas a cena é bonita, e divertida também (ver aqui e aqui).

86 comments to Se o Inferno estivesse vazio, Jesus seria um blefador

  • Sidnei

    Eu gosto do filme O Auto da Compadecida, embora, tenha sido originado de um escritor socialista, e tenha alguns viés negativos contra a Igreja no caso do padre e do bispo corruptos, que não devemos ser ingênuos que não há, porque há, principalmente quando o assunto é teologia da libertação, desvio de dinheiro da Igreja e escândalos sexuais, mas que estes pesem a mão de DEUS pois: “Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir.” (Lucas 12 48b), mas que não devemos generalizar como fazem os inimigos da Igreja, pois sabemos que ao lado de maus sacerdotes que são verdadeiros joios, haverão bons sacerdotes que são os verdadeiros trigos, porém, voltando ao filme, vejo que no restante nada afetou os dogmas da Igreja, pois tudo foi retratado tal como ensina a Igreja, tal como a crença no Purgatório, na Intercessão Materna de Maria, no juízo final particular que haverá após a morte e presidida pelo divino juiz que é NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, enfim, acredito que em um todo, cerca de 80% do filme foi mais a favor dos ensinamentos da Igreja do que contra ela.

    • Victor

      Ariano Suassuna era socialista quando escreveu o Auto da Compadecida?

      • Não sei…
        Provavelmente sim. Dá pra notar, ainda que de modo sutil, a teologia frouxa da TL, segundo a qual nenhum pecador terá punição pelos seus crimes.
        Eu prefiro abstrair esta parte, porque o filme é muito bom, e Nossa Senhora é retratada com muito respeito.

        • Victor

          De todo modo, o Auto é mesmo uma obra maravilhosa. Só vi o filme, não li a obra.

        • Felippe

          em que pesa a “forçada de barra”
          (que foi forçada mesmo), a intercessão de Nossa Senhora no filme o “Auto da Compadecida” se fundamenta no fato de que, antes da morte, os pecadores reconheceram seus erros (ao menos aqueles principais), pediram perdão a Deus e se perdoaram. Inclusive, um dos sacerdotes perdoou seus algozes.
          Assim sendo, vejo que a cena demonstra que os pecadores ainda tem até o último minuto para voltar para Deus, não sendo de todo impenitentes. óbvio que entraria no conceito de arrependimento sincero e absoluto antes da morte como possibilidade de redenção, mas aí seria demais para uma obra popular.
          Ainda assim, todos passaram pelo purgatório e ficou claro que o inferno era uma possibilidade.

      • Paulo Afonso

        Não, Ariano Suassuna não era socialista, tanto que na obra original o demônio se chama Marx, uma clara referência a karl Marx.

      • Antônio Prado

        Muito pelo contrário! Suassuna abominava a Teologia da Libertação e foi criticado por isso inclusive. Em uma de suas famosas entrevistas, ele diz o seguinte: “Eu sou católico. […] Eles [os da Teologia da Libertação] ão favoráveis à colaboração com os marxistas e eu sou contra, há muito tempo, enfrentando muita incompreensão, inclusive. Durante o regime militar eu me vi muito sem opção porque eu nunca concordei com o imperialismo americano e quando eu denunciava o imperialismo americano os marxistas do Recife diziam ‘Ariano é um bicho danado, oh homem inteligente’, aí eu denunciava que na União Soviética estavam prendendo os intelectuais, e aí diziam que ‘Ariano é vendido ao ouro de Wall Street’. Uma vez chegou um lá e veio falar comigo essa frase, que é ridícula, um chavão: ‘você está ficando tão reacionário que daqui a pouco você vai dizer que comunista come criancinhas’. Eu disse: ‘eu não vou dizer isso não, que isso é uma frase imbecil, mas eu sei que eles estão prendendo ‘intelectuaizinhos’. Um grande escritor chamado Boris Pasternak está sendo perseguido. Pasternak nunca foi entusiasta da Revolução de 1917, mas Isaac Babel, foi o herói da Cavalaria Vermelha, mas Stálin fuzilou’. Eles não gostavam que eu dissesse isso”. C’est fini. 🙂

        Fonte: http://www.radioespinharas.com.br/noticia.php?codigo=11447

  • Luana

    Muito esclarecedor.
    As pessoas às vezes só sabem repetir que Deus é amor e misericórdia (e Ele, de fato, O é), mas acabam tratando Deus como uma “mãe tola” que deixa o filho fazer tudo o que quer, a hora que quer. Infelizmente não comparam Deus à uma “mãe sábia e prudente” que, por amar tanto seu filho, não age de maneira displicente com ele.
    O mais triste é que esse “”””ensinamento”””” tenha vindo de um sacerdote, cujo dever é guiar e conduzir o povo à Verdade.

  • Victor

    Um detalhe: o Senhor afirma que “muitos” vão para o Inferno, mas “muitos” não necessariamente significa a maioria. Dado que Deus não quer que ninguém pereça (1 Timóteo 2:3,4), qualquer número de humanos que optarem pelo Inferno já será grande demais. Se, de vários bilhões de humanos que já viveram, três milhões, digamos, caírem no Inferno, isso já são “muitos”, embora não sejam maioria.

    Evidentemente, é possível que sejam muito mais. E será muito triste se, ao final das contas, eles forem a maioria. Vai ficar um gosto na boca de que a obra de Deus de dar vida à criaturas dotadas de livre-arbítrio não foi lá tão bem-sucedida, já que ao fim de tudo a maioria optou por fechar-se ao amor de Deus.

    • Prefiro pensar assim também, como você, Victor.
      Até acredito, lá no fundo do meu coração, que assim seja, mas privilegiei neste artigo o parecer dos Padres e santos.

      O problema é que a interpretação das Escrituras feita pelos Padres, pelos grandes teólogos e pelos santos, até onde sei (alguém me corrija, se eu estiver errada), nos leva a crer que o número dos que se salva é enorme, porém, bem menor do que o número das almas que se perdem.

      Veja, por exemplo, este texto de São Leonardo de Port Maurice:
      http://www.fatima.org/port/crusader/cr92/cr92pg12.pdf

      Mas tenho esperança, de verdade, de que os grandes Padres e santos estejam errados neste ponto, e que a maioria das pessoas se salve. Afinal, esta não é uma questão de fé.

      • Eu já penso como os santos (acho que é porque desde muito jovem me decidi pelo céu e venho enfrentando os hereges, os apostatas e os maus) que o inferno seja o caminho da esmagadora maioria.

        Por que penso assim? Porque, tirando todas as evidências de que somos um “pequeno rebanho” a gigantesca e absoluta maioria vive com seus pecados mortais como se fosse tudo bem, como se Deus não se importasse que os seus filhos vivam vidas devassas seja na sexualidade suicída, nos excessos de tudo, no ódio, na inveja, nas heresias, na violência; e eles fossem os seres mais santos e impenitenciáveis da face da terra.

        Sinceramente acho que nós aqui dO Catequista somos os seres mais felizes e mais bem-aventurados (não estou sendo soberbo, e sim realista rsrs) do mundo.

  • Camila

    Certa vez, nosso pároco estava dando uma aula aqui na paróquia sobre Novíssimos, aberta a todos os interessados (que infelizmente não passavam de 20).
    Em certa altura, falando sobre Inferno, ele abriu um parêntese para falar desta crença do ‘inferno vazio’.
    Ele confirmou o Ensinamento da Igreja de que o inferno existe. Mas afirmou que ele, pessoalmente -e não a Igreja-, acreditava que o inferno estava vazio, porque achava que Deus era tão misericordioso que não deixaria nenhum filho amado ir para o inferno.
    Aconteceu que, antes que ele pudesse terminar de falar isto, uma tempestade caiu repentinamente. O barulho da tempestade era tão, tão grande que já não conseguíamos ouvir nada do que o padre falava e ele teve de se calar. Ele aguardou alguns instantes, até que o barulho diminuísse, e continuou de onde parou. Novamente o barulho se tornou ensurdecedor e ele calou-se mais uma vez.
    Eu estava próxima do padre e falei: “É, padre, parece que não é pr’o senhor falar isso”. E ele respondeu algo como: “É, melhor deixar minha opinião pra lá e falar só o Ensinamento da Igreja”.
    Então aguardamos mais um pouco, e em alguns minutos ele retomou a aula, desistindo de falar sobre a teoria do ‘inferno vazio’.
    Foi muito impressionante, pelo menos para mim, aquela manifestação da natureza.

  • Natália Oliveira

    Poxa,eu até meio que poderia compreender se um leigo dissesse isso: que não existe(ou provavelmente não existe) o inferno, claro não é tentar justificar alguém dizer um absurdo desses, mas um sacerdote?
    O que bulhufas está se passando nos seminários?

  • Natália Oliveira

    Hum, também queria usar o espaço dos comentários para fazer uma perguntinha. Ontem, na Missa de quarta-feira de cinzas, o padre que a celebrava dizia:O Senhor esteja com todos vocês, ao invés de O Senhor esteja convosco.Eu sempre escutei a última, então pq ele dizia da outra forma ?, eu estranhei, mas achei que fosse só daquela vez, mas durante a missa ele sempre dizia da outra forma, foi um estranhamento que tive, não tenho profundo conhecimento do Missal,por isso se alguém puder ajudar.

    • Natália, tá cheio de padre por aí que acha que o povo não entende nada. Aí em vez de dizer “convosco” (mais formal), dizem “com vocês” (mais compreensível para o povo mais simples).
      Eu considero inadequado, pois a Liturgia mais formal e solene nos deixa mais conscientes da grandiosidade do Mistério, mas não invalida a Missa.

      Já vi padre falando “O Senhor esteja conosco”, ou então “Deus misericordioso tenha compaixão de nós” (após o Ato Penitencial, usando “misericordioso” no lugar de “todo-poderoso”)… E aí eu já considero um pouco mais grave, porque nesses casos o sentido da frase foi mudado, o padre simplesmente não disse o que está previsto no rito.

      • Seria muito mais simples se os padres seguissem o que está escrito, mas até nisso há problemas já que ouviram alterações na tradução…

        • Cadu, realmente houve uma tradução mal feita, ou feita de má fé, ou as duas coisas. Traduzir “Et cum spirito tuo” para “Ele está no meio de nós” é dose, e nem é a pior parte. Seja como for, o texto foi aprovado pela Santa Sé, então acredito que as missas que frequentamos sejam válidas.
          Alguns padres optam por mudar algumas coisas para o bem. Por exemplo, eu conheço um padre que de vez em quando dá a bênção em latim, outro que diz, na consagração “tomou o cálice em suas santas e adoráveis mãos” e “que será derramado por vós e por muitos”, resgatando a forma extraordinária por um lado e fazendo a tradução correta por outro.
          Ainda assim acho inadequado, prefiro o bom e velho “leia o que está em preto, faça o que está em vermelho”…
          Está em curso uma nova revisão pela CNBB. Vamos ver se melhora, e rezar muito e sempre.

          • Fabão, irmão eu penso que está mais que na hora de colocarmos em prática a Reforma da Reforma, pedindo que a Santa Sé dê umas diretrizes de o que pode ser mudado no Missal para fazer a Ref. da Ref., vamos sim rezar e pedir ao Senhor mais sacralidade na Liturgia.

  • Regimário

    Ótimo texto,muito bom e muito bem vindo para o tempo litúrgico que estamos vivenciando. Só queria deixar uma observação, que não é de forma alguma uma correção, mas sim um complemento, até desnecessário. Vocês disseram no texto: Deus é infinitamente misericordioso, mas também é justo, como se as duas coisas fossem contrarias, opostas, quando na verdade não o são.
    Misericórdia e justiça são duas faces da mesma moeda. Deus não seria justo se não fosse infinitamente misericordioso,e não seria misericordioso se não fosse infinitamente justo.

    • Misericórdia e justiça são duas faces da mesma moeda. Deus não seria justo se não fosse infinitamente misericordioso,e não seria misericordioso se não fosse infinitamente justo. (2)

      Não, Regimário, de modo algum seu complemento é desnecessário! Excelente observação.

  • Eu entendo a dificuldade de cada pessoa e não quero generalizar e tal… mas, as vezes penso qual será a dificuldade dessas pessoas em pegar o velho livrinho amarelo e obter uma resposta 100% segura?

    O bom e o velho catecismo, fonte segura e fiel para liquidar nossas dúvidas.

    Sempre!

    Agora, Deus me perdoe por dizer isto, mas tem padres que dá até nojo de ouvi-los falar.

    Dá até vontade de gritar: “Ah vá, quer esfaquear a Igreja por trás e fica aí no lenga lenga… admite duma vez que não é Católico caramba!”

  • Mariele

    Gostei muito do Post. Vocês sempre nos ajudando a entender melhor a nossa Fé, e a defender a Nossa Igreja Santa.
    Mas tem um assunto que fuçando muito a internet, vejo uma Batalha muito Grande. I que as vezes confunde nós. Pois vejo muitos catolicos confusos com isso. É a briga dos Tradicionais com a RCC. Um assunto que vejo muito quando vou procurar algo na Internet. Gostaria que vocês me ajudassem a entender melhor essa briga. I por que toda essa confusão. Quais os lados que estão certos e errados. Se puderem me ajudar.

  • Diego Pires

    Mariele
    Sua dúvida é importante e não é de simples resposta. Para uma boa compreenção do problema e uma proposta a esta problemática sugiro fazeres um curso no site do Pe Paulo Ricardo sobre “Teologia Mistica e Dons Carismáticos”, onde ele apresenta um estudo sistemático da problemática e solucionática.
    Tentando abreviar com pouquissímas palavras a problemática, por um lado temos os Dons Carismáticos como uma realidade da Igreja de sempre e principalmente na Igreja nascente e por outro lado eventos históricos como a heresia Montanista do século II onde os carismáticos tentaram destruir a base da Fé Católica presidida pelos Bispos.
    É necessário temperança, prudencia e humildade, pois dos 2 lados (tradicionalistas x carismáticos) tem acertos e erros ou pós e contras. Por isso o Pe Paulo Ricardo propõe um simbolo (oriundo de outro teólogo que eu não lembro o nome) de uma pandorga querida por Deus, onde o Espírito Santo sopra para onde quer e o magistério de Igreja é a corda que a mantém estável.
    A paz do Eterno!

  • Diego Pires

    Mariele
    Quanto a solucionática em pouquíssimas palavras também, é necessário uma compreenção do problema, pois o diabo sabe imitar as coisas de Deus e nossa natureza humana possui faculdades no campo do inconciente que não é bem conhecida ainda pelos estudiosos. Por isso precisamos de uma profunda vida espiritual, uma intima relação com a hierarquia da igreja e um comprometimento em leitura da teologia, para assim por graça de Deus podermos obter o discernimento dos espíritos. Ou seja, o tal dom carismático é Espírito de Deus; é meu espírito humano ou é um espírito diabõlico?
    Deus nos proteja!

  • Mariele

    Muito obrigado Diego. É realmente esse tema é complicado.
    Mas agora sobre o assunto do Inferno, quero saber sobre aqueles que não conhecem a palavra de Deus e que não conhecem Deus. Como ficam?

    • Mariele,
      São Paulo, em uma de suas cartas, fala da lei de Deus que está inscrita nos corações das pessoas, mesmo daqueles que jamais ouviram falar de Jesus.
      Isso se chama “lei natural“. Mesmo que uma pessoa não tenha sido catequizada, há em sua consciência uma noção elementar do que é bom ou ou mau.

      Assim, uma pessoa que jamais foi catequizada será julgada por Deus conforme o mau que evitou e o bem que praticou, tendo como princípio os seus limitados conhecimentos.

      As pessoas que não conheceram Jesus por algum impedimento justo não serão condenadas por sua falta de fé. A isso a Igreja chama de “ignorância invencível”. Se forem condenadas, será por terem feito o mal de modo consciente, de acordo com aquilo que a sua cultura os permitiu entender como mal.

      Já aqueles que se recusarem a crer em Jesus por orgulho ou outro motivo injusto, estes serão condenados. Jesus fala com todas as letras que quem se recusar a crer será condenado.

  • Natália Oliveira

    Acho que a sociedade quer se afundar no inferno mesmo, apesar de negarem sua existência.

    O ano da Fé ou o ano dos gays?

    http://oglobo.globo.com/mundo/helena-celestino-ano-dos-gays-7542403

  • Paulo

    Amigos, sendo nosso Pai Celestial onisciente, qual seria a lógica de criar as pessoas para depois condená-las, sabendo-se desde sempre o que cada um viria a fazer?
    E condená-las, ainda, a uma eternidade de torturas sem fim, sem qualquer chance de redenção… Como atribuir ao Altíssimo um tal sadismo, inconcebível até mesmo para a mente humana mais sórdida?

    • Paulo,

      Certamente Deus não cria ninguém para a perdição. Isso jamais esteve nos planos do Senhor.

      Entretanto, o que muita gente não entende é que além de ter criado os anjos e os homens em perfeição, perfeitamente capazes de justiça e bondade, Deus lhes deu LIBERDADE, vontade própria. Não estava nos planos de Deus que uma parcela de seus anjos e que os homens usassem mal esta liberdade, mas, sim, Ele previa a possibilidade da queda.

      Então, os anjos e os homens não foram criados como robôs alienados, programados para sempre amar e obedecer ao Senhor. Deus espera receber de suas criaturas amor e obediência de forma livre e consciente. E, miseravelmente, Satanás e os anjos rebelados usaram mal esta liberdade, tendo sido depois bem-sucedidos em levar a humanidade para o mesmo caminho.

      E Deus, mesmo sabendo da possibilidade de que os homens usassem mal o seu livre-arbítrio, ainda assim, em seu infinito amor e sabedoria, os criou em liberdade, ensinando-os e conduzindo-os a fazer a melhor escolha.
      É tão verdade que Deus não deseja a condenação dos homens, que não poupou a humilhação, a extrema angústia, a humilhação, a tortura e a morte de cruz ao Seu próprio Filho, a fim de que Ele redimisse os homens do pecado e, com seu Sangue, os livrasse da perdição eterna.

      Não é Deus que condena, mas é o pecador que, recusando-se a aceitar o perdão e a purificação que vem Deus, condena-se a si mesmo. Não é Deus que afasta o pecador impenitente de si, mas é o pecador impenitente que rejeita Deus e o bem.

      O fato de existirem muitos condenados no inferno não denuncia sadismo da parte de Deus. Afinal, sádico é aquele que se satisfaz com o sofrimento alheio, enquanto Deus se comove profundamente (de modo que nenhum de nós pode imaginar) com cada alma perdida. A “loucura” da cruz é prova disso, é prova do que Deus é capaz de fazer para que todos se salvem.

      Quanto à chance de redenção, Deus nos dá todas as chances possíveis durante a nossa vida. Até nos segundos finais da existência de um moribundo este pode se arrepender e entregar sua alma nos braços de Deus, obtendo o perdão. Porém, quem odeia Deus e o seu próximo até o fim, como poderia habitar na casa do Pai?

      Como torturadores, assassinos, estupradores, genocidas, opressores dos pobres e devassos poderiam entrar nos Céus, sem arrependimento?

    • Paulo, a paz!

      Irmão Deus é onisciente mas não é mau; Ele é criador, mas não programador; Ele é santo e criador de santidade, mas não programador da mesma.

      Se Deus não nos tivesse feito livres, Ele não seria amor. Isso não é masoquismo, é amor, verdadeiro, puro, perigoso, terrível e supremo amor. Verdadeiro porque quem ama dá liberdade; puro porque é desinteressado; perigoso porque a liberdade pode sim causar, na mão de alguns, coisas terríveis (que digam Adão e Eva); terrível porque dói demais para o Senhor ver o mal no coraçao dos seus filhos; supremo porque nada, jamais é maior que essa realidade.

      Deus é Todo-Poderoso, é “aquele que é” (YHWH), aquele que desde sempre existe; a única coisa que Deus não cria é Ele mesmo, pois Ele desde sempre existe, ou seja, a única coisa que Deus não pode criar é o amor porque Ele É AMOR!

      Nosso Catecismo fala que Deus não predestina ninguém pro inferno, é o homem que o rejeita livremente, desprezando sua misericórdia e amor; Deus não pode ajudar quem não quiser ser ajudado.

      Não duvide irmão da misericórdia, mas não seja ingênuo: o homem pode sim perder a sua alma e infelizmente estes são muitos.

  • Paulo Cesar

    Depois de “muitos serão chamados e poucos escolhidos” e depois da “porta estreita”, uma das últimas palavras de Jesus na cruz foi: “Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”.

    • Paulo Cesar,

      De fato, esse apelo de Jesus é um dos mais fortes do Evangelho, e um dos mais belos também. Mas ele não desmente, não enfraquece nem entra em conflito com tudo o que foi dito anteriormente pelo próprio Cristo. Deus está sempre disposto a perdoar, e praticamente implora, praticamente mendiga pelo coração do homem. A grande lástima é que muitos se recusam a aceitar este perdão, a aceitar este amor que Ele oferece.

      Então, não surpreende em nada que o Mestre que nos ensinou a amar os nossos inimigos e rezar por aqueles que nos fazem mal desse Ele mesmo o exemplo, e desejasse o bem dos seus algozes. Resta saber se os homens pelos quais o Senhor apelou aceitaram o perdão do Pai… Aí está o ponto: a liberdade da pessoa.

      E, olhando ao nosso redor, fica evidente que muitas pessoas, apesar das oportunidades que lhe são dadas, insistem em permanecer em seus erros.

      Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas registram o que Jesus disse acerca do perdão dos pecados: todo o pecado será perdoado aos homens, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo. E a blasfêmia contra o Espírito Santo, segundo nos explica a doutrina da Igreja, é justamente permanecer no pecado até o fim, recusando-se a aceitar o amor e o perdão de Deus.

      João Paulo II nos explica muito bem isso, na Carta Encíclica Dominum Vivificantem:

      “a blasfêmia (contra o Espírito Santo) não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da cruz. Se o homem rejeita o deixar-se ‘convencer quanto ao pecado’, que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita ao mesmo tempo a ‘vinda’ do Consolador (…). Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito Santo e o sangue, permanece nas ‘obras mortas’, no pecado. E a ‘blasfêmia contra o Espírito Santo’ consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que ele é dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por ele operada na consciência (…) Ora, a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no seu pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, conseqüentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida.”

      Agora, Paulo, eu lhe pergunto: como Deus poderá perdoar e redimir alguém que não quer ser redimido?

    • Ah, Paulo Cesar,

      Acabei de lembrar de que um dos algozes de Jesus que certamente acolheram o perdão do Pai foi o soldado Longinus, que todos conhecem por São Longuinho.
      Foi ele quem transpassou o corpo de Jesus com uma lança, e naquele momento mesmo se convenceu de que o crucificado era o Filho de Deus.

      Este pobre homem se deu conta de seus pecados e aceitou mudar sua conduta, acolhendo em si o Espírito de Deus. Por isso, está na glória.

      • Paulo Cesar

        Vivi (vi te chamarem assim, me perdoe, pois não sei seu nome), concordo com tudo que você falou, da primeira à última palavra. Só que continuo achando que quem não aceita o perdão de Deus não sabe o que tá fazendo.

  • Paulo

    Olá, Vivi (perdoe-me pela intimidade…)! Agradeço por ter respondido. Não vim debater em vão, ou simplesmente “lançar charadas”, mas este é um tópico absolutamente central na nossa doutrina cristã, e naturalmente, suscita muitas polêmicas. Fico, aliás, muito feliz em ver que as intervenções aqui no “O Catequista” sempre correm em espírito de irmandade e respeito.
    Entendo seu ponto de vista e o respeito, mas pessoalmente não enxergo uma contradição no título do post, ou seja, o fato de o inferno, de fato, não existir, não torna Jesus um blefador.
    Ao contrário, Nosso Senhor, infinitamente sábio como é, entendia que a imensa maioria da humanidade é incapaz de fazer o bem pelo bem: aquilo que faz de bom, é porque almeja certa recompensa, e, se evita o mal, é por temor do castigo. Daí as alegorias do Paraíso e do Inferno (os quais, aliás, contém muitos elementos de paganismo).
    Veja bem, não estou negando a Vida Eterna, mas como e onde ela se dará, isso é algo que não sabemos.
    Na verdade, não existe nenhuma passagem bíblica analítica sobre o inferno, que permita muitas inferências sobre o que venha a ser…
    De qualquer forma, o cerne da mensagem do Redentor, muito mais que a vida após a morte, é o advento do Reino e a caridade… Isto é o importante para nós cristãos!
    Que Deus lhe abençoe sempre!

    • Sim, pode chamar de Vivi, Paulo.

      A questão é que eu não expus aqui o MEU ponto de vista (antes fosse, até gostaria mesmo de ser absolutamente desmentida), mas sim a interpretação da Sagrada Escritura à luz da Tradição da Igreja. Esse artigo está baseado na palavra dos primeiros Padres e de grandes santos e teólogos, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Além disso, temos a doutrina que recebemos dos Papas.

      Nenhum santo ou Papa jamais negou a existência do Inferno, muito menos disse que estava vazio. Ao contrário, todos que falaram sobre este assunto confirmaram a crença na sua existência, e lamentaram profundamente o destino das muitas almas que lá são atormentadas.

      O fato de não sabermos exatamente como é o Inferno não significa que Ele não exista. Certamente, um lugar onde a ausência de Deus é absoluta deve ser bem pior do que qualquer coisa que possamos imaginar. É certo que a Bíblia nunca se propôs a satisfazer as nossas curiosidades mais rasas, e sim procura nos lançar no sentido mais profundo das coisas. Creio que um detalhamento do que seja o Inferno não seria útil à alma de ninguém. A nós, basta saber o que nos foi revelado: aqueles que rejeitam Deus até o fim de suas vidas optam por viver para sempre apartados dEle, e assim, vão para um lugar terrível, onde há choro e ranger de dentes.

      Então, sendo católica, entendo que não é sábio nem prudente confiar mais em meus achismos e raciocínios pessoais do que naquilo que me ensina a Tradição da Igreja.

      Você tem total razão quando diz que o cerne da mensagem do Redentor, muito mais que a vida após a morte, é o advento do Reino e a caridade. Por isso, bem diferente de certas igrejas evangélicas, em que os temas “inferno” e demônio são quase uma obsessão, dentro do catolicismo não se dá tanta ênfase a estes aspectos. Porém, isso não exclui em nada a realidade do Inferno que, infelizmente, é inegável não só pela Tradição da Igreja, mas também pela observação simples do que ocorre à nossa volta, de toda raivosa, cega e insistente negação de Deus, não só em palavras mas, especialmente, em ações.

      Para mim (e acho que para qualquer um) seria muito mais interessante afirmar que Jesus realmente nos trata como crianças tolas e conta historinhas sobre castigos imaginários para nós. Mas, para isso, eu precisaria dar de ombros à palavra dos santos, Papas, dos Mestres da Patrística e à própria Bíblia, confiando mais nas suposições que a minha mente arquiteta.

      Que Deus te abençoe sempre também!

    • Me ocorreu um pensamento agora Paulo…
      Fiquei pensando o quanto é inconcebível crer que Deus está mentindo para nós – sobre qualquer assunto que seja. Afinal, Jesus afirmou que a Verdade nos libertará. E Ele também disse que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

      E mais: se Deus houvesse mentido sobre esta questão do Inferno, porque não teria mentido sobre outras coisas também? Como confiar em um Deus mentiroso?
      Esta ideia joga no lixo todo o cristianismo, toda a Bíblia, toda a fé.

  • Diego Pires

    Paulo

    Acredito que um estudo sistemático da escatologia possa esclarecer a forma pedagógica que o Espirito Santo revelou a humanidade a realidade da imortalidade, ou seja:
    1. Do tempo dos Patriarcas até a monarquia de Israel tinhamos o Xeol como morada única de todas as almas dos falecidos;
    2. Do tempo dos profetas até os livros deuterocanônicos temos o Xeol com dois andares distintos, e neste contesto tempos a parábola do rico epulão e o pobre lásaro;
    3. O Livro de Daniel e os deuterocanônicos falam da ressureição da carne;
    4. Os salmos místicos falam da esperança das boas almas, que estão na parte superior do Xeol de virem a ver a Deus;
    Concluindo a pequena sistematização bíblica, o inferno é uma triste INDENTIDADE Cristã, pois fora revelado desde o AT. Muito além de questionar a revelação Judaico Cristã a respeito das almas que se encontram nas profundezas do Xeol (andar inferior) “Donde haverá choro e ranger de dentes”; devemos antes é analizala cada vez mais afinco, e dicernir as escrituras à luz da interpretação da Fé Católica. Como ensina Santo Agostinho: A fé verdadeira nos leva a compreenção verdadeira e a compreenção verdadeira nos leva a Fé verdadeira; e assim, somente assim, compreendemos o que é de difícil aceitação.

  • Gente, a existência do Inferno é uma verdade de fé, um Dogma cuja existência é autenticada pela Escritura, Tradição e Magistério.

    O nosso Papa Bento XVI disse certa vez: “O que é o inferno? Uma eternidade sem Deus!”

  • Paulo

    Olá, Vivi! Mais uma vez, obrigado pela resposta.
    Jamais passou pela minha cabeça que Jesus houvesse mentido. Apenas entendo que uma mesma passagem das Escrituras possibilita vários níveis de leitura. E isso não saiu da minha cabeça – o próprio Mestre afirmou textualmente que seus ensinamentos suportavam diversos níveis de compreensão: “Mc 4:11”; “Mt 13:11” e “Lc 8:10”.
    Quando me referi ao seu ponto de vista, não quis dizer que vc o tirou “do nada”, sei que foi baseado na Tradição da Igreja.
    Ocorre que, quando optamos, por exemplo, por aceitar que “a Mãe Igreja proibe a livre interpretação das escrituras” esta aceitação é uma OPÇÃO NOSSA, ninguém nos obrigou a tanto. Por isso, é, sim, um ponto de vista pessoal, neste sentido.
    Mas, como disse, embora discorde, eu o respeito.
    Abraço!

    • Paulo,
      Vou te responder em vários comentários, porque há muitas coisas a observar.

      Você disse:
      “Ao contrário, Nosso Senhor, infinitamente sábio como é, entendia que a imensa maioria da humanidade é incapaz de fazer o bem pelo bem: aquilo que faz de bom, é porque almeja certa recompensa, e, se evita o mal, é por temor do castigo. Daí as alegorias do Paraíso e do Inferno (os quais, aliás, contém muitos elementos de paganismo).”

      Dizer que Jesus usou “alegorias” de Paraíso e Inferno é um modo mais ameno de dizer que ele inventou coisas, que mentiu. Levos as pessoas a temerem perigos e terrores inexistentes. MEN-TIU. Há 2 mil anos, os cristãos têm convicção de que os pecadores redimidos vão para o Céu e os que insistirem no erro vão para o inferno. Então, Jesus levou a Igreja a afirmar como realidade meras quimeras, lendas, mitos.

      Você parece sugerir que Cristo colheu elementos do paganismo para bolar a sua historinha de inferno e paraíso. A este respeito, recomendo que leia com atenção as palavras do Cardeal Newman:

      “O fenómeno, admitido por todos os lados, é o seguinte: — Que grande parte do que em geral é recebido como verdade cristã, são encontrados os seus rudimentos ou as suas partes separadas nas filosofias e religiões pagãs. Por exemplo, a doutrina duma Trindade é encontrada tanto no Oriente como no Ocidente; assim como a cerimónia da ablução; assim como o rito do sacrifício. A doutrina do Verbo Divino é platónica; a doutrina da Encarnação é indiana; a de um reino divino é judaica; a de Anjos e demónios é dos magos; a ligação do pecado com o corpo é gnóstica, o celibato é conhecido pelos monges budistas; a ordem sacerdotal é egípcia; a idéia de um novo nascimento é chinês e eleusino; a crença na virtude sacramental é de Pitágoras; e a honra aos mortos é politeísta. Tal é a natureza geral do fato antes de nós; o Sr. Milman argumenta a partir dele, – “Essas coisas existem no paganismo, portanto não são cristãs:” nós, pelo contrário, preferimos dizer: “estas coisas existem no cristianismo, portanto não são pagãs.” Ou seja, nós preferimos dizer, e nós pensamos que a Escritura dá-nos em dizer, que desde o início, o Governador Moral do mundo espalhou as sementes da verdade em toda a parte; que estas criaram raízes de diversas formas, e crescido como na selva, plantas selvagens mas na verdade vivendo; e portanto que, tal como os animais inferiores têm um princípio imaterial neles, contudo não têm almas, assim as filosofias e religiões dos homens têm a sua vida em certas idéias verdadeiras, embora elas não são diretamente divinas. Qual o homem no meio da criação bruta, tal é a Igreja entre as escolas do mundo, e como Adão deu nome aos animais sobre ele, assim a Igreja primitiva olhou em volta sobre a terra, observando e visitando as doutrinas que ela encontrou lá. […] Onde quer que fosse, com problemas ou em triunfo, ainda assim ela [a Igreja] era um espírito vivo, a mente e a voz do Altíssimo; “sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os”; reivindicando para si o que eles disseram justamente, corrigindo seus erros, […] expandindo suas conjeturas e, assim, gradualmente, por meio deles, ampliando o alcance e refinamento do senso de seu próprio ensino. […] Até que ponto, na verdade, este processo tem ido, é uma questão de história; e nós acreditamos que até agora tem sido grosseiramente exagerado e mal representado por aqueles que, como o Sr. Milman, têm pensado que a sua existência é contra a doutrina católica. […] Nós não estamos aflitos por nos ter contado que a doutrina da hoste angélica veio da Babilónia, enquanto que nós sabemos que eles cantaram mesmo no Natal; nem que a visão de um Mediador está em Fílon, se deveras Ele morreu por nós no Calvário. […] Dizemos que ela [a doutrina católica] nunca pode estar corrompida. Consideramos que uma promessa divina mantém a Igreja Católica da corrupção doutrinária.”

      —Essays Critical and Historical, volume 2: Milman’s view of Christianity; págs. 231-234

    • Paulo,

      Sobre a recorrente acusação de vários elementos e crenças do cristianismo terem sido colhidos dos mitos pagãos, já fizemos um post.

      Livro do Gênesis: uma cópia dos mitos de culturas antigas?

      http://ocatequista.com.br/?p=6004

    • Paulo, só existe uma Verdade, um Deus, um Cristo, um Espírito, uma Igreja, um Corpo.

      A Igreja nega a livre interpretação da Escritura pois não é possível, para uma mesma pergunta, duas respostas igualmente válidas pois se uma é verdadeira, a outra necessária e logicamente é mentirosa: se duas respostas “servem” para a mesma pergunta, então nenhuma das duas é verdadeira.

      A “livre interpretação” é um conceito calvinista, e diga-se de passagem que é essa “livre interpretação” foi a responsável por tantos cismas entre os protestantes (são mais de 100 mil denominações no mundo!) e qual delas é correta? Se uma delas está correta, todas as 99 mil 999 estão erradas; por isso temos fé na Tradição (que nos garante a Fé que os Apóstolos tinham) e no Magistério (que é garantida pela Sucessão Apostólica).

    • Paulo,
      Você diz que Jesus afirmou que seus ensinamentos suportavam diversos níveis de compreensão. E citou três passagens que, nem de longe, não dão a menor abertura para a conclusão de tamanho disparate.

      Nestas três passagens que você citou, Jesus diz que nem todos têm a graça de compreender as Suas palavras. E, se não compreendem, obviamente, é porque não são seus discípulos de verdade. Mais ainda: se não compreendem, é porque estão BOIANDO, estão viajando na maionese, e sua interpretação das palavras do Mestre não tem valor algum.

      São Paulo censurava com palavras duríssimas aqueles que pregavam uma interpretação do Evangelho diferente daquela pregada pelos Apóstolos – como, por exemplo, dizer que Cristo não ressuscitou de fato. E São Pedro condenava aqueles que davam uma interpretação torta às palavras de São Paulo:

      “É verdade que nelas há alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes distorcem, como fazem com as outras Escrituras, para a sua própria perdição.” (II São Pedro 3,16)

      Amigo, perceba a incoerência do que você está afirmando: que sentido faz Deus vir à Terra revelar a Verdade, e depois achar lindo que cada um a entenda à sua maneira?

      Não temos, de fato, nenhuma obrigação legal de aceitar a interpretação da Igreja das Escrituras. Ninguém vai nos prender por isso. Mas temos esta obrigação, sim, diante de Deus, que não inspirou os profetas e hagiógrafos à toa, nem tampouco deu aos Apóstolos a responsabilidade de ensinar em vão. Afinal, ele mesmo disse que “Quem não crer será condenado”, e “quem vos rejeita, a mim rejeita”. Ora, o que é rejeitar os Apóstolos, se não rejeitar seus ensinamentos? E o único meio pelo qual o ensinamento dos Apóstolos chega a nós de forma íntegra é a Tradição da Igreja.

      Uma pergunta, Paulo: você não é católico, certo?

  • Paulo

    Olá, Vivi! Peço que me perdoe e desconsidere os posts anteriores. Vc está certa, é tentador confiar em nossas próprias reflexões em detrimento da Tradição e do Magistério. E conviver com as imposições da modernidade não está fácil pra ninguém… Mas vcs fazem um excelente trabalho, keep doing it!
    Abraço e que Deus lhes abençoe sempre!

  • “A propósito de um pecado perdoado, não estejas sem temor e não acrescentes pecado sobre pecado. Não digas: ‘A misericórdia do Senhor é grande; ele terá piedade da minha multidão de pecados’ , pois piedade e cólera são nele igualmente rápidas, e o seu furor visa os pecadores. Não demore em te converter ao Senhor, não adies de dia em dia, pois sua cólera virá de repente, e ele te perderá no dia do castigo. Não te inquietes à procura de riquezas injustas, de nada te servirão no dia do castigo e da escuridão.” (Eclesiástico 5, 5-10)

  • daniel a

    Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno. mateus 18:8-9 como ja sabemos o salário do pecado é a morte…. arrependei-vos em quanto ha vida…

  • Larissa

    Os anjos têm livre arbítrio? Ouvi falar que não, que Deus só deu ao homem esse dom. Se eles não tem, como os anjos se rebelaram contra Deus e foram expulsos do céu?

  • João

    Mas o inferno do Auto da Compadecida estava cheio. E de almas aflitas e sofredoras. Acho que o reverendíssimo não foi pautado pelo filme, Vivi.

  • Ramaaton

    Parabéns! Mais esclarecedor impossível… Fiquei muito satisfeito.

  • Marta Borges

    Minha concepção de Cêntuplo aqui na Terra é estar com Deus, desejá-Lo e comungar do Seu amor com a comunidade dos Cristãos, reconhecendo, recebendo suas infinitas graças, mesmo sem merecer… isso é um prenúncio do paraíso… desejo sempre mais… Agora, a de Inferno é “viver” tardiamente (na morte) esse desejo e não ser correspondido eternamente… (Estar longe de Deus). Por isso, a nossa missão é levar Cristo, gritar Cristo ao mundo.

  • Marta Borges

    Obrigada, pelo excelente texto. Esclarecedor. Abraço

  • Samuel

    Toda vez que eu vejo discussões sobre o inferno,sempre acho que isso é menos uma questão teólogica e mais uma forma de inflar o ego de cada um,ao colocar uma dinâmica na discussão entre ‘nós'(Os crentes)contra ‘eles'(os descrentes).Simplesmente penso que isso é deplorável.Não estou falando que é o caso do artigo,mas só pra lembrar que qualquer um pode ir pro inferno,inclusive eu e todos vocês que estão lendo.Nenhum de nós é digno de Deus.

  • Carlos Pantoja Filho

    Só queria lembrar aqui que o autor do Auto da Compadecida, Ariano Suassuna, é católico! Uma das partes que mais gosto na peça (e que por motivos óbvios não foi incluída no filme) é quando João Grilo se admira com o conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre as Sagradas Escrituras e O pergunta se Ele era protestante, pois na terra dele “quem sabe muito da Bíblia a gente fala logo que é protestante”, ao que Jesus responde: “não, João, eu sou católico”. Muitas obras de Ariano trazem a marca da espiritualidade católica, como “Uma mulher vestida de sol”, que ele rescreveu depois que se converteu ao catolicismo. Acho que ele é o maior escritor católico brasileiro vivo, junto com o Armindo Trevisan. Leiam-os! Abraço

  • Vinícius de Aguiar

    Sabe, sempre que vejo essa passagem, eu fico triste… Tudo o que eu quero é estar com Deus na eternidade e vivo com medo do castigo eterno. Eu rezo pra que eu seja como Ele quer que eu seja, mas tenho medo de fazer errado…

    • Vinícius,
      O que você precisa é de um bom diretor espiritual, que possa lhe ajudar a caminhar com Deus no amor, não no medo. O temor de ofender a Deus é positivo, se nos faz evitar o pecado. Mas é negativo, se é fruto puramente do medo, do excesso de escrúpulos e da falta de conhecimento e de confiança na misericórdia divina.

      Procure um grupo de espiritualidade, se envolver com amigos católicos faz bem, ajuda a tirar as caraminholas da cabeça. Experimente viver a alegria de ser cristão!

  • Carlos

    Sobre o filme, tem um momento em que o diabo abre as portas do inferno e muita gente é levada…

  • Eduardo

    Esse tema é muito bom pois mostra quantos pontos de vista sobre inferno existem. Mais como sempre ouvi que o salário da morte é o pecado. E que a conversão é deixar as velhas práticas. Vejo o pecado como um vício que na hora do julgamento final a pessoa está tão atrelada a ele que não reconhece Cristo que estende a mão.

    Vou dar um exemplo: aquela pessoa que adora ver novela, jogar, falar da vida alheia, adora uma pornografia vive tanto esse pecado que fica preso a ele e não ouve e vê Cristo que o chama e esse pecado o leva ao inferno pois é o pecado que mata.

  • Marcos Crepaldo

    Excelente post muito esclarecedor , estamos em uma época que alguns teólogos modernos negam o inferno como local e sim um estado , parabéns por defenderem a verdadeira tradição da fé católica. Paz e bem!

  • Marcelo

    O inferno existe. É dogma de fé, assim como o Céu e o Purgatório.
    É uma realidade revelada pelo próprio Jesus Cristo. Só vai para o inferno quem o quiser a todo custo e com teimosia; quem se fecha para a misericórdia de Deus no último instante de sua vida.
    No entanto, quem vive em estado de pecado mortal e acha que não precisa se arrepender de nada porque Deus é misericordioso. Esta pessoa se condena pois peca gravemente contra o Espírito Santo: o pecado grave de presunção da salvação. O caso oposto é daquela pessoa que acha que o seu pecado não pode ser perdoado por Deus. Este é outro pecado contra o Espírito Santo: o pecado de desespero da salvação. Tal pessoa também se condena ao inferno.
    Deus não deseja a condenação de ninguém mas respeita a liberdade da sua criatura mesmo que esta prefira morrer no seu pecado a receber a misericórdia e o perdão de Deus.

    No livrinho “Oferecimento de Vida” – ‘Mensagens Marianas a uma Irmã na Hungria’, há o seguinte diálogo da Irmã com Jesus [página 6]:
    A alma privilegiada [a Irmã]:
    Certa ocasião, recebi um livro em que se dizia que Jesus se queixava de ver as almas cairem no inferno, tão numerosas como os flocos de neve no inverno. Ao ler isto tive uma vertigem e, em espírito, atirei-me chorando aos pés de Jesus. Então, uma voz interior, falou no fundo de minha alma, assim:
    [Jesus]
    “Não chores, porque esta imagem sombria vem do espírito maligno, que quer denegrir o Amor Misericordioso de Meu Pai.
    “Preste atenção, minha criança! Se as almas se condenassem em tão grande quantidade, Meu Pai, jamais teria criado o homem. Entretanto, criou-o porque queria derramar sobre as suas criaturas a felicidade da Santíssima Trindade.
    “É verdade que o homem pecou por sua desobediência; porém, Meu Pai enviou o Filho que, pela sua obediência, porém, tudo resgatou.
    “Só caem nas trevas eternas as almas que recusam a Deus até o último instante de sua existência. “Porém, a alma que, no seu último suspiro, disser com arrependimento: – ‘Meu Deus tem misericórdia de mim’- já se salvou da condenação eterna.
    “Olha, minha criança, como o Amor misericordioso de Meu Pai se aplica igualmente às almas endurecidas nos seus pecados. Quando Ele vos pede que unais o vosso Oferecimento de Vida ao Meu Sacrifício sangrento, é com o fim de satisfazer a justiça Divina. Assim os pecadores mais obstinados poderão obter sua Misericórdia, nem que seja no seu derradeiro instante. Por isso Eu convido uma multidão de almas, prontas a fazer o dom de si mesmas, para esta pesca apostólica de almas.”
    ——
    Esta é uma mensagem privada que nenhum católico é obrigado a acreditar.
    Esta publicada no livrinho “Oferecimento de Vida” com Nihil Obstat: Pe. Alberto Valazuela, S.J.
    Imprimatur: Pbro. Agustin Gutierrez de La Torre, Vigário Geral da Arquidiocese de Guadalajara, Jalisco, México, 12 de junho de 1992.

    Quem desejar adquirir este livrinho é só pedir. Vale a pena lê-lo e fazer o “Oferecimento de Vida” conforme pedido por Nossa Senhora. Não tem nada contra a fé cristã e católica.

  • Fernando

    Sobre a tese do “inferno vazio” vale muito a pena ler o artigo do Pe. Giandomenico Mucci, publicado pela revista “La Civiltà Cattolica”, em 19 de abril de 2008. Segue o link do artigo na íntegra: <>. Parte do texto foi traduzida para o português: <>.

    Segue o link do artigo na íntegra: http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/200421

    Parte do texto foi traduzida para o português: http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=E0F1F76D-3048-313C-2EFE4FF3FC79BCED&mes=Maio2010

  • ronaldo fontoura da silva

    que o inferno está vazio é uma idéia que não arrisco adotar, mas se todos vão para o inferno, (pois hoje em dia quem irá se salvar?) o sacrifício de jesus foi inútil. todo aquele sofrimento por nada,pois o homem anteriormente corria menos risco de danação do que agora, com o advento do cristianismo. Como se explica isto?

  • Larissa R.G.

    Catequista, eu sempre tive uma dúvida. Na Bíblia diz que Deus julgará cada um segundo as suas obras… Isso significa que há diferentes “castigos”? E o inferno, as vezes denominado lago de fogo reservado para o demônio e seus anjos, é a mesma coisa que “as trevas exteriores” das quais Jesus fala em algumas passagens, onde haverá choro e ranger de dentes? Há alguma exegesa bíblica a esse respeito?

    • Larissa, não sei se há diferentes modalidades de castigos no inferno (como imaginou Dante), mas certamente alguns serão mais castigados do que outros (seja no inferno ou no Purgatório). Veja o que Jesus diz, em Lucas 12:

      “Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”

    • dcmoreira

      É uma cultura de medo de castigo que eu fico admirado.

      • Sidnei

        E eu fico admirado por você ficar admirado, por nós crermos que quem semeia vento colhe vendaval, ou seja, quem só fez o mau, para o céu é que não vai. Quem evita o mau se não for por ofender a um PAI amoroso e benevolente, deveria ao menos, por saber que estará para sempre longe deste PAI, que tando nos ama.

  • João Pedro Strabelli

    É puramente raciocínio meu, baseado na frase de que o Reino dos Céus nos trará muitas surpresas, mas acho vai mais gente para o Céu do que para o Inferno.

    Aliás, os católicos são uns dos únicos, se não forem os únicos, que pedem a Deus para que qualquer pessoa, inclusive de outras religiões, vão para o Céu.

  • Eduardo M. Alves

    Nossa, essa matéria causou para mim mais impacto que qualquer outra que eu ja tenha visto. Me causou mais impacto ainda a fonte de onde foi tirado a matéria, segundo São Leonardo de Porto Maurício (acredito que um dos santos que se basearam neste artigo) tinha dito que de 30.000 almas, somente 5 se salvariam! Confesso que para mim, causou um sentimento de depressão total… É realmente assim que acontece? A Igreja não expõem nada sobre o tema? a fonte é realmente confiável? Existe algum outro santo que expõem uma opinião diversa?

    • Eduardo, a fonte do texto de São Leonardo é confiável. Porém, devo ressaltar que nenhum católico é obrigado a crer em revelações pessoais declaradas por santos. Quando afirmamos “Creio na Igreja Católica”, estamos dizendo que cremos no Magistério infalível da Igreja e nas Escrituras.

      Portanto, considerando secamente a o conteúdo da doutrina da Igreja, não podemos afirmar que o número de condenados é na medida afirmada por São Leonardo. Não sei se há outro santo com opinião diversa. De qualquer forma, o que mais nos deve interessar é isso aqui:

      “Buscai antes o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.” (Lucas 12,31-32)

      Cristo sofreu muito e morreu na cruz pela nossa salvação, para nos dar a vida eterna. O Deus Encarnado deu até a última gota de Seu Sangue para nos livrar da perdição. Tamanho amor deve nos despertar alegria imensa, e a urgência da evangelização, do anúncio do Reino aos irmãos; e também a urgência da nossa própria santificação.

  • marlene

    o filme o alto da compadecida o nome ja fala a mae de jesus se compadece sempre de seus filhos pede qcom jeito que recobre a conciencia dos deus atos pra evitar o inferno,ajuda na reflexao que atraz de uma açao ma tem uma pessoa maltratada e nos convida a pensar o inferno que muitas vezes fazemos na vida dessas pessoas quando negamos a ela dignidade compaixao amabilidade enquanto na lei moises dizia nao mate jesus em suas observaçaoes dos conflitos humanos foi alem de moises e disse nao irar, nao se encolerize contra seu irmao jesus foi o maior divulgador da sensibilidade e amabilidade via a pessoa nao o sistema nem certo errado ceu inferno tomada de co9nciencia nao julgamento o ceu e o inferno vai depender do damos hoje nosso irmao porque amanha esse inferno pode ser do nosso filho.

  • Mas uma coisa que vale ressaltar, e que muitas vezes vale meditar, é justamente sobre o inferno e os castigos eternos. Mas uma coisa é certa, onde entraria a misericórdia Divina se não tivesse o inferno? Óbvio que devemos temer ao inferno a ponto de borrar as calças, mas é o sujeito que escolhe a condenação. É a pessoa que renega e vira as costas para Deus. E quantas pessoas que por se tornarem cuticuti por respeito humano ficam horrorizadas ao ouvirem a simples palavra unha encravada, imagina inferno.
    Ai, você prova por a + b a ela, mas no fim ela irá olhar pra você e dirá: não posso crer nisso, vai contra todos os princípios do amor, isto pra mim é demais.
    Aí a gente fica com aquela vontade enorme de chamar tal sujeito de anta, mas aí sim, é uma ofensa, porém não ao indivíduo mas ao bixo.

  • João Pedro Strabelli

    Vou voltar a repetir o que disse um pouco antes, e é pura opinião minha: tem mais gente no céu do que no inferno. Tenho lá um monte de motivos e a misericórdia de Deus é um deles. A intercessão de Maria é outro (e é por isso que eu gostei tanto do Auto da Compadecida). O Bom Ladrão é outro. E quem manda (no sentido figurado, mas…) mais gente para o inferno do que para o céu não são exatamente os católicos. Nós temos a piedade de desejar o que mais queremos também para os irmãos de outras religiões. É até um pouco de torcida para que Deus “ganhe” do diabo, mas só Deus vê o coração. Depois de ver um cara que tinha sérios problemas com álcool cuidar de bom coração de um mendigo que morava debaixo de uma ponte, passei a ver que o mundo tem coisas boas. Óbvio que não é para relaxar nisso e achar que pode largar religião para lá, mas Deus vai cobrar o que deu a cada um. Ou, relembrando o Auto da Compadecida, Jesus Cristo mesmo livrou a cara do cangaceiro. O engraçado é que quando lembro disso lembra imediatamente as palavras do Papa Francisco aqui no Brasil, o “Quem sou eu para julgar?”

  • Nilton

    Pessoal. Li uma obra chamada “O pequeno número daqueles que são salvos”, onde falam-se coisas terríveis sobre a quantidade de pessoas que vão para o inferno. Realmente essa obra me perturbou, até mesmo constam opiniões de santos. Passagens como esta: “Quando fui apresentado diante do Tribunal de Deus, sessenta mil pessoas chegaram ao mesmo tempo, de todas as partes do mundo; desse número, três foram salvas, passando pelo Purgatório,e todas as outras se condenaram.”

    Eu fico pensando até onde essas informações são realmente verdadeiras. Concordo com muita gente aqui quando dizem que a maioria esmagadora das pessoas vivem suas vidas em pecado mortal e não tão nem aí, mas relatos como esse me fazem perceber que Satanás realmente atingiu seu objetivo principal, que é levar a maior quantidade de almas possível ao inferno.

    Eu fico perplexo pois é muito difícil vc viver neste mundo sem cometer algum pecado mortal por muito tempo. Deus me perdoe, mas acho muitas vezes que a Igreja acaba colocando medo nas pessoas, exagerando em alguns tipos de pecado mortal, como o caso do uso de anticoncepcional.

    • Nilton, quando os apóstolos perguntaram a Jesus sobre quantas pessoas se salvam, Ele não respondeu com números objetivos. Apenas disse que larga é a porta da perdição, e que muitos passam por ela; enquanto o caminho da salvação é estreito. Depois, Jesus pede que nos esforcemos para seguir pelo caminho estreito.

      Então, que muitas almas vão para o Inferno, isso é FATO. Se é a maioria, não sei, porque Jesus não revelou, a Tradição (até onde sei, posso estar enganada) não revelou… O que há são revelações pessoais de santos, e cada um que avalie essas revelações e tire suas conclusões. O principal é que saibamos que Deus não poupou a humilhação, nudez pública, tapa na cara, tortura intensa e morte dolorosíssima a Seu Filho, para nos salvar. Então, só não se salva quem não quer MESMO. Por que Deus, da Sua parte, deu até a sua última gota de sangue para reunir as ovelhas no aprisco, em segurança, longe dos lobos.

      Quanto ao pecado mortal, não fique perplexo: lembre-se que basta se arrepender, se confessar e ter o firme proposito de se emendar (o que é de graça, não paga nada) para escapar ao Inferno. Veja, até o homem que tentou estuprar Santa Maria Goretti se emendou (e eu creio que ele está no Céu), porque nos não podemos nos emendar?

      A Igreja não coloca medo nas pessoas, aliás, a Igreja tem falado pouquíssimo do Inferno. Nossa Senhora não teve problemas em mostrar o inferno para crianças pequenas – os pastorinhos de Fátima – , as hoje os padres quase não falam de Inferno, e já há fiéis que nem mais acreditam na existência dessa condição terrível, dizendo que todos vão para o Céu. Heresia jujuba nível master!

      Quanto aos anticoncepcionais, não há exagero algum. Os anticoncepcionais são o instrumento que Satanás usou para promover a quase que total ausência de castidade entre os namorados, o egoísmo dos pais e mães de família, o consumismo dos filhos (menos filhos, mais dinheiro sobrando para futilidades) e a decadência do Ocidente.

      Sobre isso, leia:
      http://www.presbiteros.com.br/site/queda-de-natalidade-taxas-imigracao-eis-porque-acabaremos-como-o-imperio-romano/

      Isso sem falar sobre o efeito dos hormônios na água que bebemos sobre a masculinidade dos homens – hormônios que vêm da urina de mulheres que tomam pílula anticoncepcional. Já foi comprovado que tais hormônios estão reduzindo a fertilidade dos peixes, e, o que é mais bizarro e preocupante, está fazendo com que alguns peixes-macho se comportarem como peixes-fêmea. Fica a pergunta: se esses hormônios etsão produzindo um “efeito afeminante” nos peixes-macho, será que não produz o mesmo efeito nos humanos?

      Sobre isso, veja os links abaixo:
      http://notifam.com/pt/2015/mais-um-estudo-mostra-o-uso-da-pilula-anticoncepcional-esta-afetando-as-populacoes-de-peixes/

      http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL40396-5603,00-HORMONIOS+FEMININOS+AMEACAM+PEIXES.html

      Só digo uma coisa: EU CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA! O Papa Paulo VI foi profético.

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