Papas do Séc. II: o combate às primeiras heresias

E então meu amigos,

Vamos continuar a postar a nossa listagem de Papas (veja a primeira aqui) e tecer pequenos comentários a respeito dos mesmos.  Nesse post trataremos dos Papas do Século II.

É importante notar que, em virtude das perseguições e das características fundamentais da Igreja em seus primórdios, as biografias dos Papas dessa época encontram-se cheias de lacunas.  É um exercício fundamental colocar-se no lugar daquela minoria.  Só precisamos de um pouco de imaginação, vontade de sair da zona de conforto físico-mental quanto ao entendimento da história da nossa Igreja.

Pope_Alexander_I

São Alexandre I

SÃO ALEXANDRE I – A ele é atribuída a inserção no cânon da missa da narrativa da instituição eucarística da Última Ceia.  São Alexandre também instituiu a benção dos lares. Seus últimos dias e sua morte permanecem um mistério, somente existem lendas a respeito. Papa de 105 a 115 pela lista oficial do Vaticano.

SÃO SISTO I – Adotou esse nome por ser o sexto sucessor de Pedro, assim como São Evaristo e São Alexandre foi um “Papa de catacumbas” e durante seu papado as coisas estiveram muito confusas.  Não achei fontes que indicassem com certeza seu nome real.  Sabe-se que era filho de um sacerdote e seu ato mais conhecido foi instituir que os receptáculos sagrados só poderiam ser manipulados por sacerdotes. Papa de 115 a 125.

SÃO TELÉSFORO I – Esse é o primeiro papa que teve o seu martírio confirmado oficialmente pela História (UFA!). Mas, fora isso, pouco se sabe sobre ele.  Papa de 125 a 136.

SÃO HIGINO – Primeiro dos Papas filósofos, era Grego, de Atenas e formado em Filosofia – mais filósofo que isso impossível. Papa de 136 a140.

SÃO PIO I – O primeiro dos “piedosos”, um nome sob o qual temos grandes pontífices.  Em seu papado, Roma consolidou-se como o centro da Igreja Universal. São Pio esteve usando a sandálias do Pescador de 140 a 155.

SÃO ANICETO – Não confundir com Anacleto.  Dois fatos marcaram seu papado.  O primeiro foi a proibição aos clérigos de usarem cabelo comprido.  A segunda e mais importante foram a série de discussões com Policarpo, discípulo ainda vivo de São João Evangelista. Policarpo era entrado em anos, tinha mais de 80 quando no papado de São Aniceto foi a Roma com intuito de implantar a Páscoa com base no calendário judaico. A Páscoa até então não era celebrada em Roma e todos os domingos eram considerados como dia da Ressurreição de Jesus. Não se chegou a um acordo e as discussões terminaram num grande “siga la pelota”. Papa de 155 a 166.

SÃO SOTERO – As discussões abordadas da época de São Aniceto deram frutos quando São Sotero, seu sucessor, instituiu uma data fixa para a comemoração da Páscoa, mais especificamente, o primeiro domingo depois de 14 de Nissan (primeiro mês do calendário lunar judaico, equivalente a março-abril, no calendário gregoriano).  Está aí o porque da Páscoa cair sempre por essa época (muita gente pergunta isso). Foi papa de 166 a 175.

SEleuterio

São Eleutério

SÃO ELEUTÉRIO – Foi diácono de São Aniceto. Seu papado ficou marcado pelo surgimento das primeiras heresias no Império, pelo menos as primeiras registradas, como as gnoses de Lyon. Foi Papa de 175 a 189.

SÃO VICTOR – O último Papa do século II foi também o primeiro africano. Outro dos Papas filósofos.  É o primeiro autor eclesiástico latino, inaugurando uma tradição que teve como ápice Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.

Foi São Vítor que ratificou a decisão de São Sotero a respeito da Páscoa. Aqui temos a gênese do primeiro grande cisma da Igreja. Eu disse GÊNESE, não o cisma em si. Ocorreu que as igrejas da Ásia Central mantiveram a comemoração da Páscoa Cristão junto com a Pessach judaica. São Victor excomungou todo mundo de lá e só voltou atrás por pressão dos demais cristãos. De certa forma, essa postura de ambas as partes deiou uma ferida que nunca foi cicatrizada por completo. Excomungou também um tal de Teodoto de Bizâncio, líder de um grupo que dizia que Jesus não era filho legítimo de Deus, mas sim filho adotivo (ai, meu Deus!!!).  Papa de 189 a 198.

No próximo post da série:  os Papas do Século III.

2 comments to Papas do Séc. II: o combate às primeiras heresias

  • Cadu Sindona

    Esses pequenos relatos dos Papados de cada um dos Sucessores de Pedro, são visões claras de épocas muito difícies na Santa Igreja de Cristo. Logo veremos a figura de São Silvestre (o grande Papa do I Concílio de Niceia) que teve que se levantar e afirmar que Jesus é o Filho do Pai e Deus ao mesmo tempo, em contra partida a heresia ariana, que culminou no primeiro cisma que a Igreja teve que enfrentar, cisma esse que separou a Santa Igreja Católica e a Igreja Assírica do Oriente (a nossa que professa a Trindade Santíssima, e a outra o arianismo). Deus abençoe o nosso Papa Bento XVI, para que Ele dê a seu Vigário, muita saúde, paz, sabedoria e amor em seu tão maravilhoso pontificado, e que como São Silvestre e acima de todos São Pedro, possa nos levar ao braços do Pai, pelo poder do Espírito Santo!

  • Robson

    Estou adorando a série sobre os papas da igreja de Cristo. Quando ela vai retornar? É fascinante estudar a história da santa igreja.

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