O que a Igreja tem a ver com o Halloween?

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Existe muito mais por trás do Halloween do que fantasias esquisitas e hábitos americanos clichês. A criação desta festividade milenar, em grande parte, contou com a ação da Igreja Católica. É fato, tem origens pagãs, dizem alguns historiadores; no entanto, eu considero esse mais um caso daqueles em que se tenta acusar a Igreja de apropriação indevida de tradições pagãs inteligentíssimas. Claro né? Afinal, o que são as contribuições da Igreja ante a “magnificência” daquilo que os pagãos nos legaram, como a clava e a cueca de pelo de esquilo?

Mas, como diz nosso amigo Jack, The Ripper, vamos por partes…

Como surgiu o Halloween
Samhaim

Pronuncia-se “souim”. Essa era uma festa pagã celebrada pelos celtas e considerada como a origem mais remota do Halloween. Durante o Samhaim – do qual, realmente, se sabe muito pouco – os celtas consideravam que no solstício de outono, mais precisamente no dia 31 de outubro, os vivos ficavam presos no mundo dos mortos e os mortos podiam aparecer no mundo dos vivos.

Bom, druídas new age ainda comemoram o Samhaim, para eles é como se fosse o ano novo. Porém, uma olhada mais detalhada em outro elemento de origem (a Lemúria) dá uma pista de que realmente tem coelho nesse mato.

Lemúria
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A palavra latina “lemur” quer dizer fantasma. Os europeus deram aos bichinhos lêmures este nome porque, ao ver esses “zoião” brilhando no meio da noite, lembravam dos espíritos.

Acho que todos conhecem a história dos gêmeos fundadores de Roma – Rômulo e Remo. Criados por uma loba, cresceram e então fundaram a Cidade Eterna. É Ovídio que nos conta que a Lemúria, um bizarro festival de adoração dos mortos, foi instituída por Rômulo, fratricida, para apaziguar a alma de seu irmão (na real, a culpa tava era roendo o cara por dentro). Tanto é que o nome original da festa era Remúria.

Durante a Lemúria, que acontecia entre os dias 9 e 13 de maio, os fantasmas voltavam dos túmulos (eram também chamados de larvas) para aterrorizar os vivos (resumindo: cambada de desocupados. Para acalmar as almas atormentadas, os pateres famílias tinham que fazer um ritual muito maluco que nem vale a pena descrever aqui. Além disso, os nossos amiguinhos fantasmas era tarados em leite (?) e bolo. O costume era as pessoas derramarem leite nos túmulos e ofertarem bolinhos pras alminhas que, mais tarde, viriam a ser amiguinhas do Kardec.

Com a chegada do século VII, os dias de paganismo da Lemúria estavam contados… O dia 13 de maio seria incorporado por uma grande festividade cristã.

Dia de Todos os Santos

Aí entra a Igreja. No ano de 609, o Papa Bonifácio IV consagrou o Panteão de Roma (antigo templo de culto aos deuses romanos) à Virgem Maria e a todos os Mártires. Foi então que a Igreja incorporou a data que era ocupada pela Lemúria – mais precisamente o dia 13 de maio – com intuito de varrer de vez o paganismo. Criou-se aí o Dia de Todos os Santos, cuja a data original era 13 de maio.

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O Panteão é o maior símbolo da vitória do cristianismo sobre o paganismo em Roma.

E como fazer um “link” entre Samhaim, Lemúria e Dia de Todos os Santos? Simples: bastou uma pequena mudança de calendário. O Dia de Todos os Santos foi transferido pelo Papa Gregório VII para o dia 1º de novembro. Como tem muito historiador babaca, dizem que ele fez isso para sufocar um provável renascimento dos antigos rituais ligados ao Samhaim (isso só estava acontecendo na Inglaterra, fique bem claro), que ocorria em 31 de outubro.  Não é mais lógico acreditar na verdadeira intenção? Ele construiu uma Igreja para todos os Santos em Roma, inaugurada em… 1º de novembro!

Com isso, o velho Samhaim, comemorado no dia 31 de outubro, na terra dos bretões, passou a ser chamado de “Noite de Todos os Santos“, que em inglês se pronuncia “All Hallows Evening” (Noite dos Santificados), que por derivação acabou dando na palavra “Halloween”.

No dia 2 de novembro foi criado o dia de todos os fiéis finados, nosso popular Finados. Concluímos que a associação ao macabro da Noite de Todos os Santos deve-se à Igreja por ser a data muito próxima do dia de Finados. Em outras palavras, o Halloween é, em grande parte, uma criação católica. Depois, a festa foi apropriada e “paganizada” pelos seculares que, utilizando-se de argumentos duvidosos, dizem apenas estar retomando de volta algo que lhes foi usurpado. Vai entender essa gente…

Por falar em Finados, foi graças a um apelo dos padres feito durante a Idade Média que, hoje, os felizes ateus e seus ateuzinhos podem sair de porta em porta nos EUA pedindo doces. Entenda a seguir!

Os principais elementos da festa
Pedir doces

trick-or-treatNo dia de Finados os padres sempre pediam aos cristãos que rezassem pelos que partiram, e cuja alma poderia estar no Purgatório. Isso poderia ajudar a mandar seus entes queridos mais rápido para o Céu. Mas sempre tem gente que é preguiçosa até para aliviar a alma da própria mãe… a ocasião fez o ladrão. As crianças, muito espertamente, arvoraram-se nas grandes tiradoras de almas do Purgatório, oferecendo-se para as pessoas como rezadoras, em troca de bolinhos.

Esses bolinhos, que muito lembravam pequenos panetones, passaram a ser conhecido como “bolinho das almas” e era pedido de porta em porta sempre na Noite de Todos os Santos, preparando-se para as orações no Dia de Finados.

Bruxas

Esse elemento não teve origem no meio católico. A imagem clássica que temos bruxa foi construída a partir do século XVI em países de forte influência luterana: Inglaterra, Alemanha e Suíça. Ou seja, é obra da turminha de Lutero.

A bruxa é a típica ajudante de satã. Sua imagem é a derivação de uma personagem que faz parte da mitologia inglesa chamada Hag, uma entidade mitológica que vivia em árvores e sufocava pessoas. Já notaram que a maioria dos instrumentos que essas mulheres utilizavam para praticar o mal não passavam de simples apetrechos comuns em qualquer casa (caldeirão, vassoura…)? Mas o que esperar da cabeça de um luterano ou de um calvinista?

Máscaras e destruições

Durante as festividades do Dia de Todos os Santos era comum que as pessoas bebessem um pouco além da conta e danassem a praticar a mais peculiar e maior especialidade do ser humano: fazer “M”. Eram comuns incêndios e depredações, e muitas crianças alopravam quando não recebiam a quantidade bolinhos das almas de que se achavam merecedoras. Para manter o anonimato, os vândalos passaram a utilizar-se de máscaras.

V de Vingança

v_de_vinganca_gui_fawkesMas o que é que o gibi tem a ver com isso? Tudo e nada, foi só para dar uma imagem recorrente no imaginário pop. A máscara do personagem V do filme/gibi é a representação do rosto de Guy Fawkes.

O uso de máscara era comum no campo e só passou a ser mais utilizado na cidade por causa de Guy Fawkes, um soldado católico que queria mandar o Rei Jaime I – protestante – literalmente, para o espaço.

Em 5 de novembro de 1605, Fawkes e sua turma colocaram 36 barris de pólvora embaixo do parlamento inglês. Fawkes era um completo idiota, muito católico, mas idiota. Sendo preso (o plano não deu certo), recebeu sobre si toda a piedade e beneplácito protestante: foi enforcado, teve o sangue drenado, o corpo esquartejado e, finalmente, foi jogado ao fogo.  No ano seguinte, no mesmo dia de sua prisão, as crianças de Londres saíram às ruas para zombar da memória de Fawkes promovendo balbúrdia por onde passavam.

Até hoje, na Inglaterra, se comemora o dia de Guy Fawkes.  É uma grande chacota, antes era mais perigosa, hoje é inofensiva.

Elementos do Halloween americano

Os puritanos do May Flower, quanto chegaram à América, tinham um só pensamento em mente: fundar uma nova nação em que nada da antiga Inglaterra, com seus hábitos decadentes e que ofendiam a Deus (na visão deles, fique bem claro) penetrasse em suas fundações. Como se isso fosse possível…. a começar pela língua. É claro que isso não era viável! De qualquer modo, dentro do barco da pureza tinha muita gente que curtia uma fogueirinha de Guy Fawkes. E assim, o terrorista católico chegou na América.

Assim como o Brasil, o EUA abrigam culturas distintas. O nascimento do moderno Halloween ocorreu lá no Norte, muito graças à mistura das tradições dos ingleses, já presentes desde a época do May Flower, com as dos irlandeses, italianos, portugueses e escoceses.

Vamos ver agora outros elementos presentes no Halloween, como estamos acostumados a vê-lo.

Lanterna de abóbora

halloween_abobora_nabo_jackA lanterna do Halloween, originalmente, não era feita com uma abóbora, mas sim com um nabo. Podemos associar a lanterna de abóbora, em primeiro lugar, à representação feita em Portugal da mitológica Coca, um ser maligno que também é a raiz do nosso conhecido bicho papão. Mas a lenda da lanterna está associada a um personagem conhecido como Jack, o miserável (em inglês, a lanterna de abóbora é conhecida como Jack O’Lantern). Então senta que lá vem a história.

Jack Miserável convidou o canho para tomar uns gorós. Como seu nome não era apenas uma figura de retórica, Jack Miserável não queria pagar a conta e solicitou ao diabo que virasse uma moeda para pagar a conta. Mesmo assim o sem noção não pagou embolsou o dinheiro e caiu fora. Jack ainda sacaneou o dito pois colocou a moeda no bolso ao lado de uma cruz que o impedia de reassumir sua forma normal. Para soltá-lo Jack faz um acordo com o duba de que este não o incomodaria por um ano e se morresse o demônio não reclamaria sua alma. Existem muitas e muitas histórias do embate entre Jack e satã, mas o principal mesmo ocorre depois da morte de Jack.

Tanto aprontou o pão-duro que claro sua alma não poderia ser aceita no céu, mas o demônio também não poderia reclamar sua alma em virtude do pacto firmado anteriormente. Então, Jack se viu preso entre reinos, um fantasma incorpóreo, que obteve do demônio um mimo: uma brasa de carvão infernal que nunca se consome. Como era muito quente para carregar na mão, Jack a enfiou dentro de um NABO e vagueia pelas noites segurando seu apavorante nabo assustando os viajantes pelas estradas do mundo.

Aí você se pergunta: por que nabos? Resposta simples. NA EUROPA NÃO EXISTIAM ABÓBORAS! Quando os imigrantes escoceses e irlandeses chegaram na América viram que era muito melhorar usar uma enorme, macia e colorida abóbora do que um duro, pequeno e branquelo nabo.

Mortalhas

A mortalha entra como elemento do Halloween porque a imagem mais comum de fantasmas que associa-se a essa data nada mais é do que corpos cobertos por mortalhas. Antigamente, quando o ser humano tinha mais imaginação, a figura fantasmagórica, banalizada pelos desenhos do Scooby-doo, era algo que realmente causava muito medo. Faça o simples exercício de imaginar o que há por baixo do lençol… Isso poderia antigamente levar à loucura, mas hoje em dia é considerado algo banal.

Falta de noção e criminalidade

Na primeira metade do século passado, as pessoas simplesmente perdiam a noção quando se tratava de Halloween. Durante a época da falsa depressão (1929, mais detalhes no futuro), os incêndios, depredações, esculhambações, assaltos e estupros quintuplicavam na época do Halloween (o que acabou levando a chamarem a data de “noite do demônio”).

No campo, a molecada costuma sair à noite para tocar rebanhos porteira a fora. Essa prática era tão comum que o Halloween na roça passou a ser conhecido como “noite da porteira”. Em 1933, a festividade foi chamada de “Halloween Negro” porque o nível de destruição daquele ano não encontrou parâmetros até os dias de hoje. Literalmente: tocaram fogo nos EUA.

O Estado interveio, e a repressão no ano seguinte e nos demais foi brabérrima. A sociedade civil amenizou os elementos de Halloween, associando seus caracteres macabros a coisinhas inofensivas e cômicas, e é essa estética que sobrevive até hoje. A única coisa assustadora que permaneceu foi o Michael Myers (o assassino da série de filmes “Halloween”, que deve estar no 3164, mais ou menos). No final esse inferno, tamanha a mobilização tanto do estado quando da sociedade civil levou ao inofensivo “doce e travessura”.

O bolinho das almas dos católicos medievais foi substituído por chokitos e balas juquinha, e ajudou a manter a falta de noção dentro dos limites aceitáveis.

Capitão Kirk

kirk_mascara_latexEssa vai para trekkers e para nerds que gostam de filmes de terror. Já falei do filme do Michael Myers, “Halloween”. O que pouca gente sabe é que esse filmeco – hoje classic cult – foi feito com orçamento de jantar em churrascaria rodízio – U$ 375.000,00 – e arrecadou nada mais, nada menos, do que 500 milhões de doletas.

Bom, com esse orçamento chulé os caras não tinham como custear altas maquiagens nem super efeitos, e se viraram com o que podiam. Como eles precisam dar uma “identidade” ao pai do Jason, errr…, quer dizer, o assassino do filme, eles foram até uma loja de mágicas ordinárias e lá encontram uma máscara de látex vagabunda que DEVERIA ser igual ao rosto do Capitão Kirk, da série Jornada nas Estrelas. Só que o negócio era tão tosco que nem de longe lembrava a cara do ator William Shatner. Ainda assim, usaram-na pra compor o personagem principal. Acabou que, hoje, uma das caras do Halloween é justamente a cara do Myers, que na verdade é a cara mal feita do Capitão Kirk.

*****

Agora vocês já podem dizer que sabem e entendem melhor as coisas dessa festa importada. Acho fascinante estudar o assunto para entender a cultura, mas, particularmente, não gosto da festa. E, nos dias de hoje, o espírito mitológico e o fundo religioso que estão ligados à origem do Halloween foram substituídos pelo hedonismo vazio do homem urbano.

Fiquem em paz, e até a próxima.

36 comments to O que a Igreja tem a ver com o Halloween?

  • Robert

    uma pequena correção – a festa, em inglês, era “All Hallows Eve” – Vigília de Todos os Santos.

    Abraços,

    • Correto,

      All Hallows Eve foi a expressão que deu por derivação Halloween. Retrocedendo um pouco: All Hallows Evening
      Hallow+even = Hallow + e – v + en = Halloween.
      Pra mim isso cheira a preguiça de falar o nome todo. Uma espécie de internetês das antigas.

  • Fernando Henrique

    kkkkkkk essa historia do “Jack, o miserável” daria um bom filme 🙂

    • Bom, filme eu não sei…

      Acho que deu livro… Nataniel Hawthorne escreveu algo a respeito.
      Graficamente, a série “Fábulas”, da Vertigo/DC/Warner, tem uma história com o personagem “João das Fábulas” em que ele assume a identidade de Jack, O Miserável, mas a história narrada ali é outra. É um encadernado, no site da Panini Brasil você encontra com certeza.

  • Olha só meus amigos,

    Esse post aqui é bem interessante e dá, como direi, uma completada bem legal no nosso:

    http://www.salvemaliturgia.com/2011/10/halloween-vigilia-de-todos-os-santos.html

  • Adão alves

    Assim como a maioria das festas que eram pagãs que a igreja católica e seus líderes buscaram revertê-las e mudarem para festas religiosas cristãs,tem se voltado de forma contraria a suas próprias origens e tornaram se novamente pagãs…infelizmente!A intenção pode até ter sido boa,mais não deu certo!

    • André C.A.

      Não deu errado. Por mais de mil anos deu bastante certo. Muitas pessoas que viveram nesse período (sobretudo aqueles que não teriam deixado o paganismo sem que essas medidas fossem tomadas) se beneficiaram espiritualmente dessas mudanças e proveitos de festas já existentes. A nós parece ter dado errado porque estamos vivendo em um tempo de decadência civilizacional do Ocidente – que foi a antiga Cristandade, onde ocorre aquilo que você apontou: as festas estão se tornando pagãs.

  • Paulo Ricardo, eu recebi “travessuras” agora pouco, ao invés de “doces”, quando divulguei esse artigo num grupo de jovens católicos do facebook. Os catequistas têm os detalhes, hehe.

    É muito bom ter um artigo assim, porque ajuda a desmistificar. Embora ainda tenha gente que insista em enxergar essa explicação como se fosse um incentivo, uma desculpa para curtir a festa de halloween fantasiado de fadinha.

    Curiosamente, é o mesmo tipo de gente que adora um “Cristofolia”…

    • Bruno,

      Eu vi a polêmica. Cara, você tem uma paciência de Jó, se eu tivesse que responder aquilo ia dar uma m… muito grande. Eu não desenvolvi muito a virtude da paciência, aliás, tenho pedido em minhas orações a Deus que a desenvolva, pois a minha é retardada. Agradeço a ter Alexandre e Viviane na minha vida, por conta própria eu já teria detonado muitos PJ´s, TL´s, catolicrentes e que tais.
      Se, quando o Azaghal, do Jovem Nerd, jogava war gostava de ganhar a Oceania, eu gostava de conquistar a América do Norte pra lançar bombardeio pra tudo que é canto.
      Eles são sábios em controlar meus ímpetos.

      Depois eu sou um cara ruim quando procuro seguir a risca o conselho do professor Olavo de Carvalho quanto à Igreja Católica no Brasil: “Vá à missa, ao final, saia correndo!”

      Ajuda-me Senhor Jesus!!!!!

  • Julia

    A festa da Lemúria,batizada pela igreja com o nome de All Hallows foi incorporada no dia 01 de novembro,pelo papa Gregorio,pois antigamente era dia 13 de maio.Sendo assim,o dia 31 de outubro foi chamado All Hallows Even (por ser a vespera do dia de All Hallows).
    Você fez uma pequena confusao ao relatar esta parte.

  • Anonimo

    Então é errado participar das festas? Eu tenho a opinião de que Deus conhece a intenção, mas eu realmente não sei…. Seria ”pecado” participar de uma festa de halloween por diversão?

  • Que interessante. Um documento no site do VATICANO diz que Halloween não tem nada a ver com o Dia de Finados nem com o Dia de Todos os Santos.
    “Un ejemplo bien claro es la celebración de Halloween, algo que ni tiene que ver con el Día de Muertos ni con la festividad católica de Todos los Fieles Difuntos, por lo que bien podríamos definir Halloween como una manifestación contracultural.”
    http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/cultr/documents/rc_pc_cultr_20001201_doc_iv-2000-not_en.html

  • Bom dia Rosemeire;

    Em resposta ao seu questionamento, observo que o artigo que você menciona diz respeito, especificamente, a um fenômeno que ocorre neste momento no México. No México, a festa mais importante do calendário, depois do Natal é o dia do Finados, sendo este mundialmente famoso. É uma das marcas mais profundas e conhecidas da cultura mexicana.

    Por conta dessa coisa medonha conhecida como globalização, que mais do que globalizar visa homogeneizar as diferentes culturas e hábitos dos seres humanos, bem como da proximidade com o primo rico do Norte, os EUA, os jovens mexicanos começam a adotar os hábitos estrangeiros – podemos ver isso aqui no Brasil também, onde é cada vez mais comum encontrar-se “Festa Halloween” por aí – em detrimento dos usos e costumes que mais do que sua tradição, compõe um aspecto importante de sua identidade, como povo bem como sua identidade espiritual.

    Quando o artigo diz que o Halloween nada tem haver com o dia de finados – e é disso de que trata a admoestação – está muito correto. Realmente, Halloween que vemos hoje é uma festa que eu sequer considero como pagã, mas apenas um feriado vazio e hedonista, feito por crentes americanos, em sua essência semelhante ao carnaval brasileiro.

    Mas esse artigo não trata disso – embora eu tenha quase que textualmente reproduzido a mesma ideia no final dele – se trata de vermos a ORIGEM das coisas, de onde vieram o nome, os elementos e porque motivos as pessoas agem assim ou assado. Nisto o Halloween é uma festa que tem suas raízes na Igreja, é um fato histórico, portanto imutável pela vontade de A, B ou C. Como disse, a festa tem na Igreja tem suas origens, mas infelizmente não está mais nela, assim como os luteranos.

    Para terminar, veja que a manifestação que você cita tem caráter regionalista e faz referência ao momento atual da Igreja e da sociedade. Não é uma manifestação de caráter universal. Nos EUA, pelo Halloween ser parte da cultura, principalmente das cidades do interior do país, a manifestação do clero teria uma orientação diversa. Provavelmente exaltaria os elementos católicos da festa, tentaria reforçar a sacralidade do Dia de Todos os Santos, e pediria aos fiéis para descartarem o que há de demoníaco nas comemorações.

    A conclusão óbvia é de que nosso artigo em nada contradiz a matéria que você cita. Para compreender melhor é preciso que se alargue a visão temporal para além do tempo presente.

  • Maria Carolina Zorzi

    olá, gente do céu!!!

    Vou participar de uma festa de aniversário de um grande amigo, um homem muito bom, cheio de ternura e que ama seus semelhantes. Um homem de Deus, muito mais que alguns que eu vejo servindo a messe.

    Porem a festa é de ….halloween! Confesso que me deixou um pouco apreensiva no início, porem agora já estou desencanada, Deus sabe da intenção de cada um e é bem certo que tem homens como coração cheio de maldade e frequentam a Santa Missa, não é mesmo?

  • Maurício Spínola

    Se alguém já leu e/ou acompanha o Padre Gabriele Amorth (exorcista #1 do Vaticano) vai saber o perigo que é se meter com Halloween. Festa essade culto as coisas mórbidas e do Diabo. Dessacralização da morte e banalização da mesma. Alguém pode estranhar, como assim, dessacralizaçâo da morte, morrer é sagrado? Sim, é nosso encontro, nossa ida a pátria celeste eterna (pelo menos aos merecedores, rsrs).
    Os exorcistas e demonologistas sempre nos alertaram o perigo de se meter com essa festa macabra, por mais brincadeira que possa parecer.As escolas estão aderindo a essa modinha ridícula em que nada tem a ver com nossa cultura. NÃO deixem que seus filhos participem disso. Para saber mais, acompanhem Don Gabriele Amorth e lá em seu mural tem várias publicações sobre o tem, vídeos… porém tudo em italiano, mas é fácil de entender.

  • Sueli bertoletti

    Artigo mto bom e esclarecedor. Importante é saber que DEus está acima de tudo. Mesmo porque deveriamos viver mais nosso folclore, do que nos ligarmos a estas festa de origem americana. Parabéns a tdos!!
    Q a luz do Espirito de DEus nos dê discernimento para sempre vivermos bem a nossa fé

  • Luciano J. Araujo

    Olha galera, não concordo em celebrar nada que tem a ver com paganismo, espiritismo, ocultismo ou qualquer coisa desse gênero! Porque não tem nenhuma base bíblica para essa classe de prática, até porque Deus tem a ver com vida e não com morte. O fato de termos lembranças dos entes queridos que já partiram deste mundo, não muda o curso de nossas vidas, muito menos em querer agradá-los com “presentinhos”. Se Eles tiveram uma vida com Jesus podemos ter certeza que que estão na glória com Deus. Temos sim é que aceitar Jesus como nosso senhor e salvador, e mais ainda, aproveitar as oportunidades pra estender essa salvação a outras pessoas e não manter vivo um costume que no meu ponto de vista é pagão e diabólico. Leiam Efesios 5-11

  • Diego

    Olá,
    Uma correção: o correto é equinócio de outono. Os solstícios são ou de inverno ou verão.

    Lembrei de uma coisa interessante: um personagem aparentado com a coca portuguesa é a brasileira bruxa Cuca de Monteiro Lobato.

    Sempre gostei muito de ler (e também ouvir) sobre folclore, independentemente de qual cultura. Acredito que ele pode revelar muita coisa sobre os medos e ansiedades de um povo. Hoje, nos consideramos mais esclarecidos e não temos mais medo de lobisomem, boi-tatá ou daquilo que está embaixo da mortalha, mas certamente inventamos outras coisas para ter medo.

  • Asenir Macedo

    Gostei da matéria. Bem elucidativa. Não conhecia o fato. Agora posso discutir o assunto.

  • pois é,alem do maldito Halloween,algumas festas alem desta estão se paganizando,o carnaval é uma delas..

  • E por sinal foi de Guy Fawker que surgiu a palavra popular “guy”, o mesmo que “cara”. E acho que já li em algum lugar que o dia das bruxas tem a ver com a morte de mil cavaleiros templários, degolados por extremistas islâmicos na idade média.Será?

  • Eduardo

    Faço Letras na faculdade e com licenciatura para inglês. Na aula de cultura estamos aprendendo sobre o Halloween, para podermos ensinar aos nossos alunos. Na minha escola, meus alunos querem que eu participe da festa que lá vai ter. É pecado ensinar ou participar do Halloween? O que devo fazer?

  • Osvaldo

    Parabéns! Muito interessante como sempre!

    Tenho uma dúvida sobre a tal da caça às bruxas, já que foi citada a imagem clássica da bruxa construída por protestantes:

    Não foi a própria Igreja Católica que iniciou e instigou a caça às bruxas? O próprio Papa Inocêncio VIII não ordenou o extermínio dos (pobres) gatos pretos por pura superstição?

    http://www.infoescola.com/historia/caca-as-bruxas/

    http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-o-gato-preto-econsiderado-mau-agouro

    Abraços

    • Oswaldo,
      Sobre a caça às bruxas, esse foi um fenômeno tipicamente protestante. A Igreja Católica, por sua vez, freou essa superstição. Já publicamos um post sobre isso:
      http://ocatequista.com.br/archives/6097

      Nunca houve na Igreja qualquer bula demonizando os gatos. Essa história é mais uma das inúmeras calúnias protestantes (os sites esotéricos também adoram divulgar isso).

      Quanto ao Papa Inocêncio VIII, eu já vi vários sites (inclusive o site do “Mundo Estranho”, da Abril), dizendo que ele incluiu esse animal em uma lista de “seres hereges” que deveriam ser perseguidos pela Inquisição. Fico imaginando como era feito o interrogatório de um gato preto acusado de heresia…: “Confessa, gato imundo! Confessa que você anda espalhando por aí que Jesus não é Deus!”. Gato herege, realmente, é algo complicado…

      Também já vi sites dizendo que o Papa Gregório IX teria emitido uma bula chamada Vox in Roma, demonizando os gatos. Acontece que tal bula nunca existiu. Basta checar a lista de bulas publicadas por esse papa, e não se verá esse nome entre os documentos que ele publicou.

  • Osvaldo

    Muito obrigado pela resposta.

    Realmente usam até os gatos para caluniar a Santa Igreja; ridículo.

  • Tiago

    http://blog.cancaonova.com/livresdetodomal/cuidado-com-o-halloween/

    Pra quem quiser conhecer um pouco mais sobre o halloween!
    Paz e fogo!

  • Natália

    Nunca fui em festa de Halloween, e a única vez que vi uma, bem de longe, era um pessoal dentro de um condomínio, no salão de festas fantasiado, não vi ninguém batendo na porta.. O que fizeram depois eu já não sei, rs.

    No entanto, eu fiquei meio confusa agora: se no meu escritório eu quiser colocar abóboras e morceguinhos, de e.v.a, só por brincadeira, seria errado também?

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