Catelivros – O Hobbit

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Salve povo católico,

Estamos de volta com nossas sessões fixas (não tão fixas assim). Recomeçando com mais um item fundamental para sua prateleira. O Hobbit, de J. R. R. Tolkien.

Todo bom nerd que se preza e jogou RPG sabe que absolutamente tudo em termos de fantasia tem início, meio e fim na obra de Tolkien. O que pouca gente sabe é que Tolkien era um tremendo católico, muito devoto, amigão de C. S. Lewis, que estava vindo para o lado bom da força pouco antes de partir para encontrar nosso Criador. Sou um nerd atípico, porque não gosto de jogar RPG real, só de videogame (Zelda, Final Fantasy).

Mas vamos ao que interessa. O Hobbit é o livro que narra as aventuras de Bilbo Bolseiro (Baggins, no original) e de como esse encontrou Golum e o anel de Sauron. É, na realidade, o prólogo de “O Senhor dos Anéis”. Muitas peças que ficam soltas na leitura desde último encaixam-se ao se ler O Hobbit.

O_Hobbit_livroUma rápida sinopse: Bilbo é o típico Hobbit bobão (quem viu os filmes do início da década passada, mesmo sem entender lhufas da obra tolkiana, percebeu que hobbitts são bobões); fazendo a correta analogia, seria uma espécie de típico cidadão de Sua Majestade da Inglaterra. Um belo dia, um fulano chamado Gandalf aparece na porta do bobalhão prometendo a ele uma aventura como nenhum outro hobbit  já teve. O sangue Tuk de Bilbo, família de hobbits mais chegada a um “porrada, tiro e bomba”, da qual ele é aparentado, compele-o a aceitar a proposta do mago doidão, e é aí que a cobra fuma pro lado do Bolseiro.

Mas ao que parece Bilbo não tem muita noção do que o termo aventura significa. Sua casa é invadida por um bando de anões que fazem o Grimlin parecer a Barbie. A clássica “caça ao dragão malvado” é o mote, no caminho eles tem que enfrentar trolls, orcs, a família da Laracna e elfos primos do Orlando Bloom, recebendo o auxílio luxuoso de águias, corvos e de um homem urso, chamado Beorn.

Ao longo do livro, Bilbo está quase sempre na pior. Só depois de passar a perna no Gollun a coisa melhora pro lado dele. A gente verifica aqui que o mundo de Tolkien tende ao realismo por que seu protagonista não é o cara com sorriso de super-homem que nada teme. É um baixote, fraco que pra sobreviver precisa aprender a ser ardiloso. Não percam de vista o fato de que esse livro foi escrito para os filhos do autor, a as figuras fantásticas tem um papel didático importante, é um pai ensinando, de forma genial, aos seus filhos, que nessa vida é preciso ficar esperto. Acho que é por isso que sempre leio esse livro começo a lembrar dos conselhos de minha mãe e de minha avó.

Mas, ao contrário daquela melancolia do Senhor dos Anéis – finalzinho a la Lost – no Hobbit, o final é feliz como o da Cinderela. Vamos ler então meu povo.

Na próxima, um pouco mais da vida de Tolkien e o Silmarillion.

9 comments to Catelivros – O Hobbit

  • Leilah

    Caro Paulo,

    Há quem classifique a obra de Tolkien (sobretudo o Senhor dos Anéis)assim como a de C.S.Lewis e outros, como transposição para a linguagem literária, de conteúdos da fé cristã. Consigo perceber isso bem em C.S.Lewis, na figura do leão Aslan e seu sacrificio que salva Edmundo, etc.Mas em relação à obra de Tolkien, lhe confesso que permaneço em total ignorância e burrice. Contudo, nunca li o livro. Só vi o filme e fiquei muito perdida, sem entender nada do filme em si e muito menos sem entender se e como ele seria de algum modo, metáfora da experiência cristã ou conter algum conteúdo da nossa fé, transposto para a linguagem literária. Não sei se outros leitores do blog, tem essa mesma ignorãncia minha. Mas eu ficaria muito grata, se voces do blog, fizessem esse favor de nos presentear como uma espécie de “alfabetização ou iniciação” à obra de Tolkien, ajudando-nos a perceber o que ele enfim quis dizer e sobretudo qual a relação de sua obra com sua experiência cristã. Não sei se lendo o livro, poderei perceber isso melhor. Pois vendo o filme, fiquei e estou ainda mais por fora que a bunda do indio. Abraço.

    • Leilah minha cara amiga tbm partilho dessa ignorancia. Tenho só a Sociedade do Anel e ainda nao consegui lê-lo mas uma coisa é certa: a obra de J. R. R Tolkien é mtoooo anterior ao Senhor dos Aneis.

      O Senhor dos Aneís ganhou mais popularidade mas sem dúvida as bases que desdobram nesse livro tem suas bases nos anteriores.

    • Paulo Ricardo

      Bom dia,

      Desculpe deixá-los no vácuo, mas só hoje eu vi as perguntas de vocês e achei muito pertinente. De fato, a primeira vista, a cristologia de Tolkien é mais sutil que a de Lewis. Mas, em contrapartida, quando nos aprofundamos realmente nos dois universos, vemos a complexidade filosófica daquilo que legou o cristianismo a Tolkien. Em Nárnia, Jesus é evidente, é Aslam, ponto final. No Senhor dos Anéis a mensagem do Salvador está disseminada por vários personagens: ora é Frodo, ora é Gandalf, ora é Aragorn. Até Barbávore. Pois bem, uma dúzia de livros em português discutem e revelam esse tema. São bons autores e filólogos sérios. em inglês e francês nem mais se contabiliza, poderiam as obras, por si só, formar outro ramo de ciência. Indico esses aqui para vocês começarem a inteirar-se do assunto:

      – O Mundo do Senhor dos Anéis – Ives Gandra Martins Filho
      – O Senhor dos Anéis e a Bíblia – Mark Eddy Smith
      – Encontrando Deus em o Senhor dos Anéis – Kurt Bruner Jim Ware.

      E, olhem só, recebi um convite eletrônico para o lançamento desse livro aqui em baixo. Como foi em São Paulo, não pude ir. Mas parece-me muito legal e não vejo a hora de por as mãos nele.

      – O Evangelho da Terra Média – Leituras Teológico-literárias da obra de J. R. R. Tolkien.

      O tema é atuallíssimo! Esse livro foi lançado ontem (peçam já o seu).
      Sei que isso não responde a contento as dúvidas de vocês, por isso, vou preparar um post para aprofundar mais especificamente essa questão. Mas já vou avisando, não sou teólogo, então vou me centrar mais nas questões referentes à filosofia, que é um terreno no qual em caminho com muito mais segurança.

      • Leilah

        Consultei as obras de referência aqui indicadas e agradeço por essa oportunidade de conhecer melhor a obra de Tolkien e sua relação com a Revelação Cristã. Aproveito para parabenizar voces do blog,muitíssimo, por essa bela iniciativa de trazer os “LIVROS DO ESPÍRITO CRISTÃO” à apreciação dos leitores. E vejo que fazem isso com outras peças culturais e artísticas como, filmes, músicas. Sugiro que aprofundem isso ainda mais, trazendo também análises acerca das obras e peças que trazem mensagens contrárias à visão cristã, para ajudar na formação do nosso senso crítico. Há uns 20 anos atrás assisti aí no Brasil, uma palestra sobre os fragmentos antigos do Novo Testamento. Para introduzir a palestra, o pessoal do Movimento Comunhão e Libertação fez um pequeno show com tres músicas e trouxe breves análises sobre cada uma delas. Eu nunca poderia imaginar, até então, que a bela música de Toquinho – Aquarela – fosse uma profissão de “fé” ateísta e nihilista, como a análise desse pessoal demonstrou: “uma aquarela que um dia enfim, descolorirá”, a realidade não tem consistência, tudo é ilusão, é a mensagem da canção segundo análise do grupo dos cantores de CL. Mais tarde, ouvi a mesma análise da boca do próprio Toquinho num show aí no Brasil. É legal termos os olhos aguçados para as mensagens das peças (musicais, teatrais, visuais, literárias, etc.) e não simplesmente cantar por cantar. Assim, acredito que daremos enorme contribuição na evangelização dos mais jovens, a partir do mundo da arte e cultura, tão presente em suas vidas.

  • Anne

    tem um vídeo do Pe.Paulo Ricardo sobre o tema. Coloco aqui para vcs o link:
    http://www.youtube.com/watch?v=wrAntJkNIic

  • Leilah

    agradeço a rica contribuição, caros Anne e Paulo. Abração.

  • Caros amigos e demais,
    Creio que a melhor “iniciação” às Obras de Tolkien seja a leitura de Silmarillion. Este livro é a gênese da Terra Média e creio que tudo daí fique mais claro.
    A priori digo que não se possa ler Tolkien exatamente como se lê Lewis. Em momento algum Tolkien teve o objetivo de fazer uma espécie de iniciação cristã em sua obra. Ele era um linguista e fez diversas línguas e criou a Terra Média como um lugar para se falar essas línguas. Acontece que, ao escrever suas obras, deixou nelas algo do mundo segundo ele via e ele via um mundo cristão. Assim suas personagens tem elementos da moralidade cristã embora não sejam propriamente cristãs. Não se pode fazer uma ligação direta entre Gandalf e Cristo (pelo mago ressuscitar) como se pode fazer entre Asla e Cristo. Compreende? Mas as virtudes teologais estão presentes em diversas personagens ao longo de toda a história, além de diversas outras temáticas. O Hobbit por exemplo destaca diversos temas como a luta entre o bem e o mal, a vocação, os objetivos, a moral de uma guerra, as guerras santas, etc.
    Em breve farei em meu site um post sobre o simbolismo em Tolkien. Um resumo do que irei apresentar em meu Curso de Política.

    Grande abraço.

  • Marconi

    Oi boa tarde, gostaria que os amigos me tirasse uma duvida, embora não tem muita relação com o tópico, mas de qualquer foma preciso perguntar. Tem um jogo chamado The Witcher 3, eu to curtindo o jogo gosto de RPG… mas tem momentos sombrios, invocação de espíritos, rituais macabros, violência e etc… no jogo isso é bom ou ruim para um católico?

    Agradeço a ajuda!

  • Um dos livros mais singelos e inspiradores que já li. Várias vezes fiquei paralisado na leitura refletindo a aplicabilidade cristã da história. É impressionante quando a narrativa vai chegando perto da montanha, e como as referências de interpretação se multiplicam. Maravilhosa história.

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