Dominicanos – os Cães de Guarda da Fé

dominicano_cao_do_senhorA Ordem dos Irmãos Pregadores foi fundada no ano de 1216. Mas as ideias que estruturam suas origens remontam a 1206. Neste ano, ao passar pela França em uma viagem cujo destino final era a Dinamarca, o Bispo de Osma (Norte da Espanha), era acompanhado por um certo Domingos de Guzmán – a quem eu chamo de “O Cara” – subprior dos monges da catedral de Osma. Nascido em uma família nobre na cidade de Caleruega, em Castela, por volta de 1170, desde de muito jovem este santo dedicou-se ao estudo clerical.

cao_tocha_dominicanoAntes de Domingos nascer, sua mãe, em sonho misterioso, viu um cão que trazia na boca uma tocha acesa, que irradiava luz sobre o mundo inteiro. Esse relato, presente na L.A. – a Legenda Áurea – e consagrado na historiografia de São Domingos, está relacionado com a etimologia do nome: uma denominação comum assumida pelos dominicanos era domini cane, os cães de Deus ou cães a serviço do Senhor.

Embora as datas referentes a nascimento e morte não sejam precisas, quando de sua passagem pelo Sul da França, Domingos tinha cerca de 36 anos de idade. Não fora sua primeira visita à França; três anos antes, em Montpellier, fora alertado pelos legados papais da heresia que “contaminava” a região. Homem de visão, Domingos estudou durante uma década no Studium Generale de Palencia e era conhecido por seus dons retóricos, capacidade nos debates e disputas.

Por ignorância e maldade, principalmente em terras “jesuíticas” como esta nossa Pindorama, o papel destinado a São Domingos pela historiografia tornou-se, injustamente, nojento. Quem me conhece dirá que eu sou suspeito, carrego São Domingos comigo o tempo todo (literalmente, pois já antes de minha conversão eu o amava, e tenho uma tatuagem dele no braço esquerdo), mas com pureza d’alma digo a vocês: São Domingos foi, talvez, a maior vítima da “Inquisição” difamatória perpetrada pela turminha protestante e iluminista.

Já aqui podemos observar um contraste entre a visão mais difundida dos fundadores das Ordens Mendicantes: São Francisco desperta estima e simpatia entre aqueles que chegam a conhecer sua biografia, exemplo de homem que deve ser imitado; em contrapartida, a figura de São Domingos não é capaz de despertar os mesmos sentimentos. Atribui-se a um historiador francês muito do safado, um pós-iluminista chamado Michelet, a propagação de suas características mais negativas através do imaginário geral, ao chamá-lo de “terrível fundador da inquisição”.

Atualmente, seus biógrafos estão empenhados em demonstrar que o Santo de Guzmán tem mais a legar tanto à história quanto à cristandade. Vejamos o que historiador André Vauchez nos diz a respeito da reação de Bispo Diego (personagem que viria a lhe influenciar fortemente pelas suas ideias e objetivos sonhados para propagação da fé católica romana), quando interpelado pelos monges cisterciences, em Montpellier:

“Desencorajados pelo mau acolhimento pelas populações locais, os cistercienses pediram conselho ao Bispo de Osma, que criticou vivamente a amplitude de sua equipagem e o luxo de suas vestes: ‘Não é assim irmãos, que se deve proceder’ – ter-Ihes-ia declarado – ‘pois os hereges mostram as aparências da devoção e dão às gentes o exemplo mentiroso da frugalidade evangélica e da austeridade. Portanto, se expondes maneiras de viver opostas, edificais pouco, destruireis muito e as gentes recusar-se-ão a aderir [à igreja católica]'”.

Consideramos o texto acima bastante esclarecedor para exemplificar o espírito que anima a ordem dos irmãos pregadores (dominicanos).

Quanto à questão do voto de pobreza, um outro historiador, chamado Hilário Franco Jr., é da seguinte opinião:

“(…), os dominicanos não adotaram uma pobreza tão rigorosa (em comparação aos franciscanos) e envolveram-se mais diretamente na luta contra as heresias, tanto que, a partir de 1231, o papa Gregório IX entregava-Ihes a direção da inquisição.”

Domingos não seria menos apegado à pobreza que Francisco, mas atribui a ela um lugar diferente. A pobreza, para os dominicanos, seria uma arma contra a heresia; em nossa opinião, seria inclusive uma arma que a Igreja aprendeu a forjar observando os hereges cátaros, que ganhavam a simpatia do povo simples justamente por terem uma vida austera (já explicamos isso em outro post). Então, a pobreza dominicana era um instrumento que sequer tinha caráter primordial, uma vez que somente as ordens mendicantes surgidas a partir do século XIII abraçaram-na como ideal de uma vida apostólica, sem que demonstrassem força para levar todo o restante da cristandade oficial ligada ao Vaticano a institucionalizá-la.

sao_domingos_queima_livros_dos_hereges_cataros

S. Domingos ordena a destruição dos livros dos hereges cátaros.

E, poucas décadas após sua fundação, os irmãos pregadores abandonaram os ideais ligados à sua origem no que tange à pobreza. Os críticos dominicanos veem aqui a brecha encontrada para a flexibilização que se verificou posteriormente, para o posterior acúmulo de riquezas, terras e igrejas pelos irmãos pregadores. Eles passaram a investir as doações para o crescimento da ordem, pois acreditavam que assim seriam muito mais úteis para as pessoas e para a Igreja do que vivendo na pindaíba.

Outros fatos marcantes dos primórdios da ordem dominicana dizem respeito ao falecimento do bispo Diego em sua Diocese, em 1207, pouco mais de um ano depois da viagem empreendida à Dinamarca, após fundar em Prouille um centro de missão e uma comunidade feminina dedicada a receber jovens advindas do catarismo (seita herética). Por falar no diabo, em 1208 o monge cisterciense Pierre de Castenau foi assassinado. Esse é o estopim da Cruzada Albigense (por isso que eu gosto de chamar o bispo Diego de Francisco Ferdinando – o arquiduque da Áustria-Hungria, que um bósnio idiota matou em Sarajevo e acabou provocando a primeira grande guerra). Acabara a paciência do papa Inocêncio para com os hereges.

Um discurso atribuído a São Domingos no centro de missão fundado pelo seu mentor, pouco antes do início das hostilidades, mesmo que não se possa afirmar categoricamente sua autoria, indica-nos o ânimo do imaginário às vésperas da Cruzada Albigense:

“Por muitos anos já, tenho-vos entoado palavras de doçura, pregando implorando, chorando. Mas como diz a gente de minha terra, onde a bênção não adianta, a vara prevalecerá. Agora convocaremos contra vós chefes e prelados que, ai de mim, se reunirão contra essa terra… e farão com que muita gente pereça pela espada, arruinarão vossas torres, derrubarão e destruirão vossas muralhas, e vos reduzirão a todos a servidão… a força da vara prevalecerá onde a doçura e as bênçãos não conseguirão realizar nada.”

Quem quer prender e arrebentar faz um discurso desses? As fontes não dão detalhes específicos da participação de Domingos na Cruzada. Afirmam alguns historiadores, e muitos deles pilantras notórios, que o santo foi chamado a julgar suspeitos de catarismo. Passada a tempestade provocada pela Cruzada, em 1214, Domingos dirigi-se a Tolouse, onde estabelece em três casas doadas por cidadãos ricos da cidade (uma delas ainda de pé) as bases da Ordem Dominicana, embora não oficialmente. Isso só ocorreria após os fatos que passamos a narrar.

Em 1215 Domingos, em companhia do bispo Foulques de Tolouse, viajou para Roma a fim de assistir ao IV Concílio de Latrão. Ali ele teria defendido a importância do embasamento teológico em qualquer tipo de pregação. Mas São Domingos estava ali para solicitar a aprovação institucional de sua ordem, que recebeu o título de Ordo Fratum Praedicatorum (Ordem dos Irmãos Pregadores). Preocupou-se Domingos em prestar conta dos rendimentos da mesma; tal atitude deixa ainda mais saliente a intenção de demonstrar que os dominicanos não foram levados para dentro de Igreja, mas desde de sempre foram inclusos nela.

Nesse aspecto, concordamos com a observação de André Vauchez, que considera os dominicanos, em comparação com os Franciscanos, muito mas clássicos, isto é, ligados à tradição eclesiástica católica. Adotaram uma regra preexistente – A Regra de Santo Agostinho – mas suas orientações fundamentais, definidas pelas constituições dominicanas de 1220, repousavam sobre um certo número de instituições, graças às quais a ordem se conectava diretamente com a sociedade da época, o que lhe garantia uma certa tranquilidade para exercitar seus objetivos.

Inocêncio III não viveu para ver o estabelecimento formal da O.P. – Ordem dos Pregadores. Coube ao papa Honório III entregar a Domingos, em 22 de dezembro de 1216, a bula de confirmação dos frades pregadores. O historiador Jacques Le Goff – um dos poucos esquerdões por quem nutro uma certa simpatia – trata da questão referente à adoção da Regra de Santo Agostinho pelos dominicanos como uma estratégia de Domingos para apresentarem-se como cônegos regulares, obviamente numa manobra política para mitigar a resistência do clero regular.

Le Goff ainda classifica como ficção o relato segundo o qual Francisco teria apresentado à Santa Sé um projeto de regra anteriormente ao Concílio (alguns acreditam que os franciscanos tiveram em 1223 uma regra redigida por Francisco após o primeiro projeto, recusado dois anos antes). O tratamento dado à 1ª regra como sendo uma ficção deve-se ao fato que a mesma nunca foi localizada. Porém, sua existência é afirmada pelo próprio Francisco e por São Boaventura, que a mencionam em seus escritos.Chama a atenção que o Concílio de Latrão IV proibira a criação de novas ordens religiosas. Tanto Vauchez quanto Le Goff mencionam esse fato, embora o tratem de maneira diversa. Atentemos para o fato de que a regra franciscana abriu uma exceção ao postulado pelo Concílio, conforme se verifica na historiografia.

Em 1217, os dominicanos dispersaram-se a partir da congregação original de Toulose, quando as tensões no Languedoc chegavam a um limite extremo. A historiografia trabalhada apresenta duas versões para justificar a dispersão: a causa fundamental teria sido a animosidade da população local com os dominicanos originais, ou ainda a ideia de São Domingos de enviar os irmãos pregadores aos grandes centros da cristandade, tendo por meta consagrar o esforço em sua preparação teológica. Esse primeiro movimento dos dominicanos corresponde a um padrão recorrente, afinal, a Ordem dos Pregadores instala-se preferencialmente em grandes cidades bastante importantes. Os franciscanos, por outro lado, preferiam pequenos conventos, localizados em povoações menores.

Em 1220, os pregadores introduzem nas suas instituições a renúncia a toda a propriedade e a todo rendimento. A O.P. abraça a mendicidade para sobreviver. Espalhando-se como uma rede por toda Europa Ocidental, seu valor para Igreja ia além do de catequizadores e pregadores, assumindo as mais diferentes posições dentro da estrutura eclesiástica.

Em 1221, Domingos faleceu em Bolonha, sua causa mortis foi atribuída a uma febre, mas seu estilo de vida aponta para puro esgotamento. A obra que iniciara continuou em marcha; havia cerca de vinte casas dominicanas na França e na Espanha e cerca de 120 dominicanos estudavam teologia em Paris em 1224.

Em 1231, sobe ao trono de Pedro o cardeal Hugolino, doravante denominado Gregório IX. Amigo pessoal de Domingos, entrou para a história como o papa que instituiu a Inquisição, entregando a sua direção aos filhos espirituais de Domingos. Por fim, num dos processos de canonização mais rápidos da história (se não estou enganado, a canonização mais “vapt-vupt” da história foi a de Santo Antônio – 11 meses – bom, mas esse aí era tão amado do Senhor que o bispo de Pádua pediu pra ele parar de fazer milagres porque já tava demais, ahahah), em 1234 Hugolino canonizou o bem-aventurado Domingos.

No próximo post, vamos falar de São Francisco de Assis e de seus filhos espirituais.

21 comments to Dominicanos – os Cães de Guarda da Fé

  • Tato Diego

    Caramba quanto mais estudo mais vejo que não sei é nada.
    Pensava que os Dominicanos eram como monges igual a Santo-Antão. Se não me falho a memória foi na mesma época dos heresias dos cátaros.
    Tanto Santo Agostinho que é doutor da Igreja, Sao Tomas de Aquino também era padre Dominicano e teólogo (claro). Está ai toda a base da nova fé hoje.

    Mas tenho que te perguntar Paulo. Em um debate na internet sobre Inquisição, mais especificamente no site da globo, um PROTESTANTE clamou:

    “Não queira comparar um evento com o outro. Pra você ver a brutal diferença entre a Igreja Católica e a Igreja Protestante basta ver o legado que deixaram nos povos que colonizaram. Enquanto aquela roubou e explorou com uma política exploratória intensa, este construiu nações e reinos. Como EUA, Austrália, Canadá, África do Sul e tantos outros à parte que a Igreja Romana fez países de 3o mundo onde as pessoas achavam que riqueza era coisa do demônio e assim construiu verdadeiros impérios onde ela está sediada.”

    Eu sei sobre todo o legado deixado pela Igreja até hoje. Quero saber o fato dessas ordens como OP e os franciscanos têm a ver com isso que ele disse ai em cima.
    Eles com certeza ajudaram na colonização da America e oceania e sempre falaram sobre a POBREZA etc. Pelo menos os franciscanos e Jesuítas (acredito).
    Tive professores marxistas que só falavam mal da Igreja Católica, consequentemente nunca falaram sobre isso.

    Sei que o PROTESTANTISMO visa “riqueza” mais especificamente os Calvinistas, sabemos que países como EUA e Australia realmente são maioria PROSTESTANTE e assim mais desonvolvidos. Pode me ajudar?

    Desculpe pela minha ignorância, mas estou apenas em busca da verdade. Se tiver um livro para me indicar sobre o assunto ficarei grato. Obrigado.

    A Paz contigo!

    • Luis

      Medir um país pela riqueza que produz, e ainda atribuir a causa disso à religião, só podia vir da boca dum protestante. Dá para comparar a racista África do Sul com o multicultural Brasil? Não estou desprezando a África do Sul mas não me parece que chegue sequer aos calcanhares do Brasil (e olha que eu não sou brasileiro). Mesmo os USA têm uma história de racismo que faria vergonha a qualquer um. Quanto a riqueza, não me lembro de Nosso Senhor dizer que os mais ricos estavam mais próximos de Deus. Também não disse que tinha de se ser pobre, mas antes pobre em espírito (que é uma coisa bem diferente). De qualquer modo a religião não existe para construir países nem dar lucro nem ter muitos espectadores. A Igreja Católica serve para salvar almas e reuni-las a Deus. O Céu não é na terra, isso é para comunista e protestante.
      Mesmo assim foi na Igreja Católica que Portugal e Espanha se tornaram os países mais importantes e ricos do mundo. E as colónias que tiveram foram muitas delas bastante bem sucedidas e muito do que fizeram serviu e serve ainda ao mundo hoje. Mas o mundo gira segundo a vontade de Deus e como os USA hoje são ricos e prósperos talvez chegue o dia em que nada disso seja verdade. Então que dirá esse protestante? Inventa outra desculpa. E o Japão? é rico por causa do Xintoismo? Que disparate. Cada vez que um protestante fala só sai patetice.

      • Tato Diego

        Luís.

        É uma cara de pau desses protestantes falarem de assuntos sobre religião sem mesmo estudar. Não precisa ser católico para saber sobre a verdade e sim honesto.

        Cada vez mais os assuntos são repetidos 1000x vezes, sem embassamento nenhum e vejo que isso contamina vários católicos com aquelas perguntas de “prache”.

        *Inquisição matou milhões de pessoas
        *Casamento de padres é proibido por cristo
        *Instituição criada não foi a Igreja e sim a família.
        *Castidade é algo impossível por isso a tantos escandalos.

        Essas vêm dos REFORMADOS mas poderia citar ainda um caderno vindo dos ATEUS MILITANTES.

        “A Verdade vos Libertará”(João 8:32).

        A paz contigo!

    • Paulo Ricardo

      Para entender o funcionamento da mentalidade protestante com relação a prosperidade econômica leia “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” de Max Weber.
      Meu amigo, mas é claro que um idiota protestante não vai nunca querer comparar com dados estatísticos um evento histórico com outro, mesmo que esses sejam homólogos. Não vai querer comparar porque ele vai perder para você. Aliás, faça o teste, mudo meu nome e rasgo meu diploma se, daqui a pouco, ele não esquece a objetividade e começa a colocar nas réplicas um monte de posts com versículos da Bíblia.
      Um conselho de amigo, estude, prepare-se e ignore esses desonestos, pois de cadeira posso falar que a maioria é desonesta. Se insistirem em encher, xinge-os, dê-lhes a vitória que para eles é tão importante, pois faz, justamente, parte dessa teoria da prosperidade, mas saiba que Jesus é a verdade e você estará com ela,azar do outro que prefere acreditar em Lutero, Calvino e Zwiglio. Olhe é muito fácil rebater essa questão da prosperidade protestante. Itália, Espanha, França, países muito mais importantes que a Inglaterra para formação da Civilização Ocidental, até hoje são fundamentalmente católicos. A Rússia, por outro lado, sempre foi ortodoxa. e aí? Os EUA são mais ricos? Claro, construíram uma civilização fantásticas… que está sendo corroída por dentro, graças justamente à mentalidade protestante. Os protestantes orgulham-se, por exemplo, de civilizações como as dos povos escandinavos, que são os mais ateus de toda Europa.
      Eu iria escrever um livro aqui, meu caro, mas nada que seu colega debatedor disse eu não enterraria com uma pá de areia para não feder. Particularmente eu já o teria mandado para o impublicável.

      • Tato Diego

        Paulo Obrigado pela dica, vou colocar na lista de livros para ler.
        Pois é eu não gosto muito desses debates mas esse em particular tive que falar umas verdades para os ATEUS MILITANTES e os protestantes por tanta mentira descarada falado na matéria.

        Não sei se vc viu mas é sobre o Bispo na Argentina pego com uma mulher na praia e o Vaticano aceitando o pedido de renúncia dele. Muito triste essa situação, mas nem por isso o Papa e a igreja têm culpa dos pecados cometidos por bispos, padres, freias e fiéis.

        Mas como vc mesmo disse: “eles vão começar a colocar trechos da bíblia”.
        Dito e feito, ele fugiu do assunto e começou a falar sobre Bispo se casar e bla bla bla… e que não tem nada bíblia e bla bla.

        Estou aprimorando esse assuntos para falar sobre essas acusasões aos meus catequisando e amigos.

        A paz Contigo!

        • Tato, em breve, talvez ainda nesta semana, vamos publicar um post sobre esta questão do celibato e do tal bispo amasiado da Argentina. A Paz!

        • Paulo Ricardo

          A palavra chave, vocêm mesmo disse, é honestidade. Acontece que essa gente não é nada honesta, como disse o Padre Paulo Ricardo, eles abriram mão da razão, já que não existe Deus (protestantes não acreditam em Deus, eles acham que acreditam, mas quando você entra nos meadros da filosofia você vê que, de fato, eles não acreditam, vide, como eu disse, nos países de maioria protestante os ateus crescerem mais que baratas no lixo.), só o que importa é o poder aqui e agora. Daí meu amigo, que eu acho que eles não valem a pena, só peço que Deus tenha piedade deles.
          A paz de Cristo, meu irmão.

  • Leilah

    No Brasil, o dominicano mais famoso (Frei Betto) envergonha a ordem e a igreja, pois sendo filho de uma congregação que deve zelar pela correta interpretação da experiência cristã, sequer cruzou o limiar mínimo dessa experiência e a combate diuturnamente, com arrogância e autoritarismo. Frei Betto, para ele próprio e para seus seguidores, é a autoridade máxima acima do papa, aqui no Brasil. Só ele possui a correta interpretação bíblica, aliás feita com bastante fundamentalismo (fundamentalismo oportunista e desonesto!) e falta de senso cultural e histórico, o que o levou a afirmar nada mais, nada menos que Jonatham e o Rei Davi eram amantes (e isso publicamente, em artigo reproduzido por muitos jornais e revistas). Toda vez que este homem abre a boca, a gente se segura na cadeira para não cair.

    • Paulo Ricardo

      Estou querendo entender onde está entrando seu comentário, Leilah, com relação a esse post. Concordo em gênero, número e grau com tudo que você disse e me pergunto por quê cáspide esse fulano ainda é Frei (nem sei se é mesmo). Pareceu que tens alguma coisa contra os dominicanos. Se for assim, que tal falar, por outro lado de Leonardo, o Bofe? Ele era franciscano. Quer dizer, por analogia, então, os franciscanos, todos eles, coadunam com esse cara?
      Bom, ele realmente é uma vergonha, vergonha maior é não expulsarem ele ou pelo menos mandarem calar aquela maldita latrina que ele chama de boca. São Thomas Morus nesse fulano!!!!
      Três dos cinco maiores exemplos de santidade que conheço foram dominicanos, em contrapartida aos Freis Bettos (são eles São Martinho, São Domingos e São Tomás de Aquino). Essa maçã podre aí nunca vai conseguir estragar o cesto – do mesmo modo que o Bofe não estragou o cesto franciscano.
      Particularmente, a pouca penetração dos dominicanos em Banânia deve-se aos jesuítas, em primeiro lugar. Esses gostariam de fazer com as demais ordens o que o Marquês de Pombal fez com eles, e isso é muito evidente. Em segundo lugar, porque culturalmente os dominicanos, vide sua origem franco-espanhola, ligaram-se mais facilmente aos fono-hispânicos.
      Tanto é que os padroeiros da América do Sul são dominicanos: São Martinho e Santa Rosa de Lima.

      • Leilah

        Com certeza Paulo, meu comentário foi um mero “desabafo” que em nada quis contradizer seu belíssimo e rico texto. Ambas as ordens, a franciscana e a dominicana, são extremamente importantes na formação do catolicismo brasileiro a despeito da forte presença jesuíta. E as lambanças dos pseudo-frades Betto e Boff, nem de longe arranham o prestígio de tão belas ordens, até porque além de sequer serem de fato frades, esses dois retardados mentais sequer são cristãos, como tão lucidamente analisa o ateu e nihilista Luis Pondé, mas são panteístas assumidos se aproveitando do prestígio conseguido graças à igreja, para lutar contra ela, travestidos de membros dela que não são. O nosso catolicismo ibérico e latino americano tem a marca de São Domingos (além da carmelita) e a ele devemos também a bela devoção do rosário e outras riquezas da piedade popular. Bem como aos franciscanos, devemos a devoção do Oficio da Imaculada (e em boa medida,o próprio dogma da Imaculada Conceição, cuja história em boa parte maturou em solo franciscano e com forte adubo fransciscano ). Sou muito grata e edificada com seu belo post, cantando as glórias de São Domingos, bem como a todos os outros posts seus, documentando tão bem a glória de Cristo na história.

        • Paulo Ricardo

          Leilah,

          O Luiz Pondé não é ateu, tampouco nihilista (uns caras, para quem não sabe, que conseguem ser piores que os ateus pois não acreditam nem em não acreditar… deu pra entender?). O Pondé, segundo ele mesmo diz tem a seguinte posição:
          “Minha posição teológica não é óbvia e confunde muito as pessoas.”. Creio que não seja agnóstico, está mais para um teísta, assim como Lewis era. E o Pondé tende muito para o lado da Igreja, o que, automaticamente, faz dele uma persona non grata. Tem pontos comigo.

          • Leilah

            Grata pela informação Paulo, sempre achei que ele fosse ateu e nihilista. Mas sua discordância provocou minha vontade de pesquisar mais e de fato, a posição dele corresponde à descrita por voce. E concordo com voce que algumas posições dele coincidem muito com posições defendidas pela igreja. O que é interessante e insuspeito, pois falando de um lugar que não é o da pertença à igreja, falando do lugar da reflexão crítica isenta e não confessional, ele acaba chegando às mesmas conclusões da fé cristã, reforçando o fundamento racional e a inteligência daquilo que nós igreja propomos ao mundo. Abraço e continue firme na difusão da verdade.

        • André

          Só uma correcão Leilah: “sequer serem de fato frades”; embora louco, Frei Betto é sacerdote sim, sequer sancões diocesanas ou do Vaticano esse avermelhado sofreu, logo ministra legitimamente os sacramentos todos, celebra Missas diariamente, quesito no qual temos de nos despir momentaneamente de nossas críticas a ele, já que na ceia eucarística ele ou qualquer padre TL é persona Cristo! Aliás, olha quem costuma assistir às Missas dele, o analfa suado: http://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/_agenciabrasil/files/gallery_assist/3/gallery_assist639256/prev/3fde3102222f0.jpg [nessa mesma foto, percebam que ele concelebra ao lado de um bispo, deve ser TL tbm =/]
          pra completar, parece que o discípulo de marx só não foi ainda enxotado da Igreja pq as pessoas com maior potencialidade de fazer denúncias, seus paroquianos, compartilham elogios ao dito-cujo numa comunidade do extinto orkut: “Bom eu era coroinha da pastoral dele e sempre q tinha suas missas o pessoal brigava para saber quem ia ficar com os quatro lugares dos coroinhaas”; ” Missa mais animada da Paróquia aqui de Nossa Senhora das Dores! Homem sábio e sério para as coisas de Deus! Excelente!”; “Também sinto muito a falta dele na paróquia de São Miguel em Ipojuca-Pernambuco! Realmente, um servo de Deus!”
          particularmente, não me surpreende essa burrice em massa, até pq a única raca mais burra que a dos TL é a dos brasileiros #patriotismozero

  • São Domingos é mais um exemplo que escandaliza o mundo. O processo de julgamento analítico e anacrônico em que queremos julgar o passado sob a ótica do presente.

    Homem espetacular. Rogai por nós ó S. Domingos!

  • Paulo Ricardo

    Nesse link você vai ver os comentários a respeito de uma entrevista de Pondé em que o entrevistador tenta espezinhá-lo e acaba levando um show, sobre a questão do abandono dele do ateísmo e as suas críticas à esquerda escocesa (aquela que gosta de uísque, de preferência blend 21 anos).

    http://www.outraleitura.com.br/web/artigo.php?artigo=514:O_drama_maior_do_que_o_atomo_Luiz_Felipe_Ponde_um_ateu_tocado_pela_graca

    • Leilah

      Olá Paulo, encontrei também uma entrevista bacana do Pondé (ver link abaixo)onde ele faz uma análise crítica da Teologia da Libertação (a de cunho marxista) em terreno muito simpático à essa teologia, que é a UNISINOS. É digno de nota que um pensador sem pertença católica, entenda tão profundamente (mais que muitos padres e teólogos nossos) das questões da nossa fé e tradição. Isso é honestidade intelectual, à medida que evita ser leviano falando do que não conhece, como sói ocorrer com a maioria daqueles que criticam a igreja, sem conhecer uma vírgula das questões que pretendem criticar. Gosto muito do Pondé por essa sinceridade e pela lucidez de pensar por conta própria, sem medo de ser rotulado por não se alinhar com as tendências dominantes. Penso que voce e os amigos do site, vão gostar muito da entrevista nesse link: http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=811&secao=214

  • Thiago Ventura

    Novamente um maravilhoso texto. Parabéns!!!
    Mas gostaria de tirar uma dúvida, a OP atualmente apoia a TL? Estava pesquisando no site dos dominicanos e vi um texto falando que o Frei levou o texto batizado “Teologia ou Ética da Libertação” e esse frei era/é da ordem(http://www.dominicanos.org.br/index.php/noticia/136-frei-marcio-couto-participa-do-encontro-de-formadores-em-lima-e-leva-carta-de-apoio-a-frei-gustavo-gutierrez).
    Abraços, fiquem com Deus e a SS Virgem.
    Parabéns de novo!

    • A paz Thiago!

      A resposta é não! A Ordem dos Pregadores não apóia heresias apesar de infelizmente estar recheada de hereges que envergonhariam muito Santo Domingos. Busque sempre irmão separar a instituição dos “institucionados”, a OP não tem culpa em si de infelizmente ter hereges no meio dela, mas ela precisa sim denunciá-los.

      Pax et ignis.

  • Thiago Ventura

    Muito obrigado Cadu.
    Já imaginava isso, uma Ordem que antes foi contra a heregia foi a favor… nunca rs
    Muito lindo e importante a vocação dos Dominicanos.
    Obrigado novamente.
    Salve Maria.

  • Márcia Maria

    Eu tive uma tia, freira, da ordem de São Domingos. Vivia num convento em S.Paulo. Depois de muitos anos ela e outras irmãs foram transferidas para um convento em São Roque (no interior). Uma vida de clausura e trabalho, com muito silêncio e contemplação. Ainda existe o convento e algumas poucas freiras. Ainda vou lá às vezes e assisto às missas de domingo de manhã.

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