Catecine – Diário de um Pároco de Aldeia

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Fala povo católico!

São raros os casos de um livro gerar um bom filme, em virtude da incompatibilidade dos meios. No caso do Diário de Um Pároco de aldeia, de 1951, a literatura exuberante de Bernanos tem seu par perfeito no cinema minimalista de Robert Bresson.

Já falamos aqui de Bresson quando dissecamos o filme “O Processo de Joana D’Arc“.  E temos um Catelivros que fala da obra e um pouco da vida de Bernanos. Mas é da união desses dois gênios que nasce um dos maiores filmes de todos os tempos.

Vou deixar bem claro que “Diário de Um Pároco de Aldeia” não é para qualquer bico. É um filme denso e profundamente filosófico. “Alminhas Puras” talvez não o suportem, tamanha sua crueldade. Fique claro que não é uma crueldade gratuita, são situações e momentos humanos; só que não estamos acostumados a encarar de frente nossa humanidade, preferimos mensagens bonitinhas e edificantes. Nosso jovem pároco, em certos momentos, de tão patético irrita, mas nada ofende mais os sentidos do que os habitantes da Vila. Reconheço aí pessoas de muitas paróquias.

A atuação perniciosa das pessoas umas sobre as outras e como isso afeta a nossa vida é explorada neste filme de forma mais do magistral. Te tanto sofrer e de ver tanta escrotidão por parte dos seus “fiéis”, o pároco, que amava tanto a Deus, sente-se desiludido e passa a questionar a existência de Nosso Pai. Mas não acontece isso sempre na vida real, e não só com os padres, cáspide? Não é um filme estilo “porrada, tiro e bomba”, é uma obra contemplativa que tem nos diálogos sua força motriz. E que diálogos! Tudo aqui é magistral e filosófico, e uma mera desatenção pode fazer com que você perca alguma passagem que mude sua forma de encarar o mundo.

Isso faz desse filme um dos momentos maiores, senão o maior do cinema francês (é ainda sai coisa boa da terra dos croissants). Só uma coisa; não espere nada de terno, a rispidez é a tônica do filme inteiro.

Em termos de cinema, sua visão nunca mais será a mesma.

9 comments to Catecine – Diário de um Pároco de Aldeia

  • Alexandre José

    Vc sabe se tem alguma versão com legenda em portuga ou espanhol?

  • Maria Marina

    Gostei muito do filme. Obrigada pela dica!

  • alice franca leite

    Vi esse filme ontem à noite e gostei muito!Não sou fã da nouvelle vague e adorei a forma introspectiva desse filme!É o velho cinema francês ainda virgem de clichés!Está mais para o néo-realismo italiano do que o que veio depois!Não há heróis nesse filme…

  • André C.A.

    Paulo Ricardo,
    Você acha que esse filme seria uma boa indicação para emprestar para uma pessoa não católica (mas que possui uma boa cultura, apesar de muitos preconceitos contrários à Igreja)? Quero dizer, esse filme poderia ser benéfico para uma pessoa assim ou será que reforçaria o esteriótipo? Aproveitando, vocês do blog tem alguma indicação de filme que acham que poderia ajudar esse tipo de pessoa? (exemplificando, abordar diretamente o tema da religião não tem dado certo, então, sugiro ou empresto um filme – ou livro – que possa jogar algumas sementes na cabeça da pessoa)
    Comprei o filme e estou esperando chegar.

    • Oi, André!
      Para os adolescentes da Crisma, um filme que O Catequista e eu costumamos utilizar e que é muito bem aceito é “Olhos abertos”.
      É a história de um menino de uns 10 anos ou menos, que perdeu o avô, que era a pessoa que ele mais amava no mundo. Então, para tentar trazer algo do avô consigo, ele procurou entender a fé que seu avó tinha (era muito católico). O menino não acreditava em Deus, mas se esforçou de todas as maneiras possíveis para encontrá-lo. É claro que ele não fica sem resposta nesta busca… Mas até achar uma resposta, ele passa por momentos de desânimo, de negação total de Deus, de desesperança… O filme é muito didático, além de leve e divertido.

      http://ornitorrincocinefilo.wordpress.com/2011/08/05/olhos-abertos-m-night-shyamalan-1998/

  • André C.A.

    Complementando minha pergunta anterior, me referia a uma pessoa adulta. Creio que existam algumas diferenças em indicações para adolescentes (público maior dos cursos de Crisma) e adultos.

  • Esse filme é baseado num grande livro, claro, em virtude da mídia, o livro é muito superior. Mas o Diário é um filme espiritual, nele você vê que a miséria não é da Igreja, pusilânimes são as pessoas. Um adolescente brasileiro não alcança a dimensão desse filme.
    Mas, sem enrolação, não acho que é uma boa dica de acordo com a descrição que você deu, porque a pessoa ao assistí-lo vai ver o que quiser ver. Não vai estar nem aí para saber que Bernanos era um grande católico. Mas pra esses aí até a “Paixão de Cristo” só comprova que a Igreja é FDP.

  • André C.A.

    É, acho que você tem razão. Obrigado!

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