Por que Jesus é chamado de Cordeiro de Deus?

cordeiro_de_deus_jesus

Agnus Dei. Tela de Francisco de Zurbarán (1640)

Em todas as missas, pouco antes de os fiéis serem chamados à comunhão eucarística, ouvimos o sacerdote dizer: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Você sabe o que isso quer dizer? Para que compreendamos a fundo o sentido desta expressão, precisamos nos debruçar, primeiramente, sobre o Antigo Testamento.

O cordeiro imolado no A.T.

Antes que Deus chamasse Abraão para estabelecer com Ele uma Aliança, era muito comum que povos das mais diversas etnias sacrificassem animais, e até mesmo seres humanos, aos seus deuses. Eles acreditavam que todas as coisas ruins que aconteciam no mundo eram fruto da ira divina, que precisava ser aplacada (faltava-lhes o conhecimento sobre o pecado original). Assim, seria preciso realizar algum ato que pudesse agradar a(os) deus(es), como abrir mão de algo muito valioso para demonstrar devoção e apreço – neste caso, sacrificar cabeças de gado ou pessoas, que podiam ser inimigos ou até mesmo parentes.

pascoa_judaica

O Deus de Israel repudiou de forma veemente o sacrifício de seres humanos – exceto naquela vez em que deu uma trollada em Abraão, levando-o a crer que deveria sacrificar Isaac –, mas incorporou o sacrifício ritual de animais na cultura religiosa do povo escolhido.

Quando o Faraó recusou-se a deixar os escravos hebreus partirem, o Senhor lançou sobre o Egito uma última e terrível praga: a morte de todos os primogênitos. Seguindo a orientação de Moisés, antes da noite do extermínio, cada família israelita sacrificou um cordeiro ou cabrito, que deveria ser “macho, sem defeito, e de um ano” (Ex 12,5). O animal deveria ser comido, e o seu sangue deveria ser passado nos batentes das portas:

Eu sou Javé. O sangue nas casas será um sinal de que estais dentro delas: ao ver o sangue, Eu passarei adiante. E o flagelo destruidor não vos atingirá, quando Eu ferir o Egito. (Ex 12,12-13)

E assim se estabeleceu a celebração da Páscoa judaica. O sangue do cordeiro macho e sem defeito livraria o povo da morte do corpo, assim como o Sangue de Cristo – Deus e Homem sem defeito, sem mácula – livraria os cristãos da morte da alma, após a nova Páscoa. O cordeiro imolado do A.T. era uma imagem do Cordeiro Imolado do N.T.

Assim, ao renovar a Sua Aliança com o povo hebreu por meio de Moisés, o Deus de Israel estabeleceu que o perdão dos pecados se daria por meio do sacrifício de animais, inclusive de cordeiros. Os pecados da pessoa eram “transferidos” para o animal por meio da imposição de mãos, e este deveria morrer em seu lugar – da mesma forma como, depois, o peso dos pecados humanos recairia sobre Cristo, que aceitou morrer por nós.

Em Levítico 4, está detalhado como o “rito pelo pecado” era feito: conforme a “classe” a que o pecador pertencesse, deveria apresentar no templo um determinado tipo de animal para ser imolado. Se o pecador fosse sacerdote, deveria sacrificar um bezerro; se fosse um chefe do povo, levaria um bode (taí a origem da expressão “bode expiatório”); se fosse homem comum, apresentaria uma cabra ou ovelha. Entretanto, a oferta de uma cabeça de gado para o sacrifício expiatório representava um prejuízo patrimonial considerável; por isso, caso o pecador fosse pobre, poderia oferecer duas rolas ou dois pombinhos.

Após o animal ser morto pelo sacerdote, seu sangue era derramado nos cantos do altar e em sua base. Depois, o corpo do animal era queimado e suas cinzas eram jogadas fora do acampamento, como forma de simbolizar que o pecado fora levado para bem longe da comunidade.

george_foreman

Em Levítico 5, o cordeiro é citado como um animal sacrificial:

Se alguém, sem se dar conta, praticar alguma coisa proibida pelos mandamentos de Javé, será responsável e carregará o peso da sua falta.

Como sacrifício de reparação, levará ao sacerdote um cordeiro sem defeito, avaliado em proporção com a culpa. O sacerdote fará o rito pelo pecado cometido sem saber, e o pecador ficará perdoado. (Lev 5, 18-19)

Mas como o sangue de animais podia ser capaz de lavar os pecados dos homens? Não podia. Este rito prescrito pela Lei de Moisés era apenas de caráter educativo, simbólico e provisório. Por meio dele, o Senhor levava o povo a compreender que o pecado sempre traz más consequências – sendo a morte a pior delas. Na sua Carta aos Hebreus, está declarada a ineficácia dos sacrifícios de animais para a justificação dos pecados :

A Lei possui apenas uma sombra dos bens futuros, e não a realidade concreta das coisas. Por isso, mesmo oferecendo sacrifícios continuamente, ano após ano, a Lei não tem poder de conduzir à perfeição aqueles que participam nesses sacrifícios. (…)

…uma vez que é impossível eliminar os pecados com o sangue de touros e carneiros. (Heb 10,1;4)

O sacrifício do cordeiro prescrito pela Lei de Moisés era, portanto, apenas um rascunho, um símbolo do sacrifício que Jesus aceitaria realizar na cruz – este sim, eficaz, perfeito e definitivo.

O Cordeiro Imolado no N.T.

Certo dia, estando o João a batizar o povo e a pregar, viu Jesus se aproximando. Então, olhou para Ele e disse:
“Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo.” (…)

E João testemunhou: “Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e pousar sobre Ele. (…) E eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus”. (João 1,29; 32; 34)

Com Sua Paixão e Morte, Jesus Cristo remiu os pecados da humanidade com o Seu sangue precioso. Ele é a vítima perfeita, que, com seu sacrifício, apagou definitivamente da alma dos batizados a mancha do pecado original, ofensa imensa a qual nenhuma criatura tinha poder de desagravar.

Assim, foi revogado o sacrifício da Antiga Aliança, que dependia da morte de animais para a expiação dos pecados, e foi estabelecido o sacrifício da Nova Aliança, por meio da morte de Cristo.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a graça de honrar com nossas vidas cada gota de Seu sangue precioso!

sacrificio_animais_antigo_testamento

50 comments to Por que Jesus é chamado de Cordeiro de Deus?

  • Leilah

    Como é oportuna e como faz falta, cara catequista, essa mensagem sobre o valor e a eficácia da Morte Redentora do Cordeiro de Deus que Tira o Pecado do Mundo! Certas correntes teológicas ligadas à TDL ou às Teologias do Pluralismo Religioso (TPRs), com significativa propagação pastoral, pretendem ensinar que o sacrificio de Jesus na cruz, foi algo meramente moral, a morte em função de uma causa nobre: o amor. A notificação de Roma ao John Sobrino (teólogo latino americano) se deu também em função desse erro. A CRUZ DE CRISTO e a nossa SALVAÇÃO por meio da sua morte, tem sido cada vez mais para muitos “teólogos” (e através deles para muitos “cristãos”) novamente “ESCÂNDALO E LOUCURA” como o foi no tempo de São Paulo, PEDRA DE TROPEÇO para a inteligência orgulhosa de muitos. Afirmar que Cristo salva a pessoa humana por meio de sua morte na cruz, tem sido entendido por muitos como uma pregação violenta, desrespeitosa das culturas, anacronica, impertinente e inadequada às sensibilidades moderna/pos-moderna. É incrivel como se joga fora exatamente o CENTRO, A RAZÃO DE SER, A MEDULA do anúncio e da vida cristã, como se fosse um detalhe irrelevante. Eu gosto de imaginar/comparar a morte redentora do Senhor por nossa salvação com a seguinte metáfora: Já viu aquela brincadeira de dominó, onde as peças são postas de pé uma atrás da outra e basta derrubar a primeira para que todas caiam?? Assim me parece a estrutura da realidade do mundo e da pessoa humana, a partir da queda. A tragédia do pecado original fez e faz cair tudo, irreversivelmente sendo que a última “peça” a cair é a morte. Ela é o salário derradeiro do pecado, a última peça do dominó. Ou seja, o pecado desencadeou um processo tal de contaminação da realidade humana e terrestre, que é inevitável que sejamos esmagados sob o seu peso. Até mesmo sem recorrer à linguagem simbólica do Gênesis, é possivel ver esse fato nos rodeando todos os dias. Como numa espiral que se propaga, todos os males sociais, economicos, psicologicos, etc. têm seu centro e raiz, nas escolhas humanas. E tudo tende à morte. E o pecado é de tal sorte horrendo e desastroso, de tal sorte fatal nos seus resultados, que se torna lógico que nós estejamos colhendo seus frutos amargos, pois uma coisa puxa a outra na lógica do pecado, é um efeito multiplicador. E cá estamos nós, seres humanos, esmagados sob o peso do pecado e suas consequências sendo a última delas a morte e a morte eterna, a perda da imortalidade feliz com o Senhor. O que faz Cristo para nos salvar dessa situação, desse impasse? Em nosso lugar, ELE se coloca debaixo da “última pedra do dominó a cair”. Pela justa lógica das coisas, nós é que devemos ser esmagados pelas consequencias do pecado original originado da escolha dos nossos pais e nossas. Nós é que fizemos o estrago, assumamos, pois as consequências! Mas eis que “DEUS ENVIOU SEU FILHO AMADO PARA MORRER EM MEU LUGAR, E ELE NA CRUZ PAGOU POR MEUS PECADOS”. A última pedra do dominó caiu pesadamente por cima dele!!Onde devíamos estar nós, esteve ELE!É assim que entendo a misteriosa frase de Paulo quando ele diz: CRISTO SE FEZ PECADO POR NOSSA CAUSA…Porque nós não daríamos conta de satisfazer à justiça, de restaurar a justiça original, a feição original da realidade. O estrago e dano do pecado em nós foi e é de tal ordem, que nos tornou incapazes até de aguentar as consequencias dele. A igreja insiste em afirmar que a questão da queda humana via pecado original, é um dado ontológico mesmo, ou seja faz parte da estrutura da realidade humana e terrestre (não a estrutura original e sonhada por Deus, mas a estrutura e feição que o mundo tomou por causa do pecado original) e de fato essa é chave de leitura mais esclarecedora para entender o mal no mundo, do contrário só resta o desespero de um beco sem saída ou o cinismo da conformidade com o mal que nos destrói e destrói o mundo.Mas CRISTO inverte radicalmente essa estrutura da realidade, pois o SEPULCRO VAZIO ESTÁ PORQUE ELE VIVE!! E PORQUE ELE VIVE, TEMOR NÃO HÁ!!! Com toda certeza seu amor incondicional, seu compromisso radical com sua mensagem até o fim, o levou à prisão e morte de cruz e nisso estão certos os teólogos que citei antes. O problema é que eles só enxergam e analisam essa foto da morte de Cristo, e não enxergam a RADIOGRAFIA, a razão da sua morte no designio e plano de Deus, seu sentido em relação à estrutura da realidade humana marcada pela queda original. Só enxergam a viga horizontal da cruz e não veem a viga vertical! Fazem uma leitura meramente humana e até politica da morte do homem Jesus comprometido com um ideal ético-moral e por isso levado à prisão e morte. Nada enxergam por trás disso, e por isso a cruz e a mensagem da cruz volta a ser ” ESCANDALO E LOUCURA mas para nós, que estamos sendo salvos, ela é o poder de Deus” (1ª Corintios 1, 18)que nos salva. Cristo esmagado sob o peso “da última pedra do dominó” (para continuar minha pobre metáfora) levanta essa pedra (a morte e o maligno sob cujo domínio jaz o mundo) vence a morte, vence o mal e o maligno, e uma a uma todas as outras pedras vão se levantando, até que toda a justiça seja restaurada e em Cristo sejam recapituladas todas as coisas. “EIS QUE FAÇO NOVAS TODAS AS COISAS!DEIXEI O SEPULCRO VAZIO, A MORTE NÃO ME SEGUROU, A PEDRA QUE ME PRENDIA NO TERCEIRO DIA ROLOU.” Muito grata querida catequista por renovar o anúncio da Boa Nova da nossa salvação em Jesus, com as palavras deste post. Obrigado por anunciar a novidade permanente que nunca esgota seu poder de mudar nossas vidas e nosso mundo. Deus a abençoe largamente por isso. Sempre é tempo de renovar esse anúncio da SALVAÇÃO, sobretudo numa igreja, em que muitas de suas cabeças “pensantes” têm visto na cruz redentora, a maior pedra de tropeço. Pois que nela tropeçem esses senhores, deixando o caminho da Igreja livre para evangelizar!

    • Leilah minha cara, mais uma vez revela muita sabedoria e tato com as belezas da Fé. Sobre essa questão do Cordeiro de Deus, eu imagino S.João Batista, vendo o Senhor se aproximar, ele que era tão radical, ver vindo se diminuir e se permitir batizar por seu primo (batismo esse que é muitíssimo menor que o nosso), o próprio Deus Encarnado que veio ser Cordeiro e tirar o pecado do mundo. Jesus, sendo o Cordeiro Divino, libertador das cadeias do pecado, se permitiu imolar entregando livremente a si, a maior das provas de amor!

      Vivi fantastico! Belissima constatação e maravilhosos relato. Perguntinha pra vc Vivi: porque você colocou São Paulo como autor da Carta aos Hebreus? A Igreja não sabe exatamente quem ele era. Provavelmente era discípulo, ou de São Paulo, ou de São Timótio. Ja ouvi até que poderia ser um de S.Lucas também. Sinceramente sempre fiquei curioso quanto a isso. Parabens novamente!

      • Cadu,

        Sobre a autoria da Carta aos Hebreus, de fato ela é um tanto controversa. Porém, no cânon bíblico, ela é apresentada com um dos escritos de São Paulo.
        A referência que eu tenho é esta:

        LIMA, Alessandro. O Cânon Bíblico, A Origem da Lista dos Livros Sagrados. São José dos Campos: ComDeus, 2007.

        Esta obra foi escrita por um dos maiores apologistas católicos da atualidade, o Prof. Alessandro Lima.

        • Entao ne Vivi, eu sinceramente acho que caso fosse São Paulo ele não temeria em assinar a Carta. Mas como vc apontou uma fonte confiabilíssima, vale a pena considerá-la, mesmo ainda me parecendo um pouco estranho que o Apostolo das Gentes nao a tivesse assinado.

          • Pois é Cadu, a fonte é boa, mas não confere 100% de certeza. E muita gente realmente discorda.
            Porém, como não há mal algum em dizer que a autoria deste livro é do Apóstolo dos gentios, não me acanhei em indicar isso no post.

          • Leilah

            Sabe, catequista e Cadu, que era um método muito comum naquele tempo (do 1º e 2º séculos) sem que isso fosse considerado desonesto, alguém da escola de um autor, ou do seu círculo de influência (um discípulo)assinar uma obra como sendo daquele autor. Muitos estudiosos e pesquisadores pensam ser o caso da epístola aos Hebreus e e outras (não lembro com exatidão o caso de cada epístola). Assim é comum, alguns escritores cristãos ao citarem Hebreus, escreverem algo como “segundo o autor da carta aos Hebreus” ao invés de dizer Paulo, meio que “por via das dúvidas”. Contudo para a igreja o importante é que a carta traz doutrina paulina, pertence ao círculo do pensamento paulino.

          • Leilah

            Rapaz vi o seu “DOMINUS VOBISCUM” hoje. Que coisa mais linda menino! Deus o abençoe muito mesmo por essa maneira bonita, jovem e apaixonada de anunciar Jesus. Fiquei encantada com o seu blog.E os VICENTINOS DO ASFALTO? Que beleza, que criatividade! Bendito seja Deus por essa juventude fantástica que ele tem suscitado na Igreja, quando tantos a julgavam incapaz de resistir aos últimos golpes, que só fizeram fortalece-la com tanto sangue novo e generoso!!!

          • Leilah, não confunda o Cadu Sindona, nosso “leitor xodó”, rs, com o Cadu do blog Dominus Vobiscum.

          • Rsrsrsrsrs obrigado pelos elogios mas o Cadu do BDV é muitooo mais capaz que eu Leilah. Adoro o blog dele tbm minha cara. Ja participamos, eu, o Cadu do BDV, o pessoal aqui dO Catequista, do Deus lo Vult e do Ecclesia Una, de varias mobiliazaçoes no twitter, mas ainda eu não tive coragem de começar um blog apesar de ja ter pensado seriamente em fazer.

            O grande problema é fazer um sobre o que exatamente a favor do anuncio do Reino e da servidao incansavel a Igreja. Eu não tenho nem de longe a capacidade dos blogueiros católicos desse meu Brasil.

          • Leilah

            Caramba! Então eu lhe confundi com outro Cadu? Deve ser porque, no post sobre o negócio lá do Jean Willis que atacou o papa, voce diz que postou algo sobre o assunto no DOMINUS VOBISCUM. Aí eu vou lá para ver e encontro o nome do “dono” do blog igual ao seu. Vê se pode! O que eu gosto em muitos desses blogs católicos (incluindo esse do CATEQUISTA) é sua ortodoxia e zelo em alinhar o pensamento com o papa. E as discussões e comentários que se seguem, mostram como isso tem valor, como ajuda e edifica a igreja, o fato de seguir o papa. Porque se seguimos todos o papa, não tem esse negócio de “conservador”, “progressista”, “centrista” ,pois o negócio é simplesmente ser católico e o catolicismo tem identidade, rosto e orientação clara que supera todas as parcialidades dos nossos “ismos” partidários. Tentaram prender Jesus em seus esquemas no seu tempo, e Ele simplesmente não se aliou nem se alinhou , seja com ZELOTES, FARISEUS, SADUCEUS, ESSENIOS. E como sempre Ele e sua Igreja, continuam livres sem se aliar/alinhar com a linha de BOFF ou BETO de LEVEFRE ou RICHARDSON (ainda que eles gritem nosso Jesus é mais Jesus que o dos outros!). A igreja e seu magistério falam “supra-partes” sem temor de valorizar a parte boa de cada parte e de “puxar a orelha” quanto aos erros de cada parte. Um blog que se coloca em sintonia com o Magistério Vivo da Igreja como este, mostra e prova como isso ajuda a diversidade na unidade, pois justamente oferece um ponto de convergência. As partes, quanto mais se partidarizam mais se afastam da unidade e do sentido católico. Leonardo Boff, por exemplo, tanto se arvorou em ser porta voz de uma tal “igreja da base” até que essa corrente se tornou minoritária e anacrônica com os rumos da história (a tão proclamada “fidelidade à história” ficou sem chão e referência pois a história tomou outro rumo!). As ditas correntes “Ultra-conservadoras” também nunca encontraram respaldo no papado, apesar das más linguas acusarem-no de benevolência quando ele quer apenas evitar mais cisões no Corpo de Cristo. E é bonito ver que como ocorreu com Jesus também o papado é sinal de contradição, pois os ditos “progressistas” naõ gostam dele pois o acusam de ser muito tradicional e conservador e os ditos “conservadores” gritam que ele é por demais progressista. Enquanto o católico médio sabe o que manda o bom senso e a fé: Deus nos quer unidos e nos deu um sinal visível de unidade: O PAPA.”Tú és Pedro!” E quem tropeça nessa pedra nada edifica entre o Povo de Deus. Alguns críticos profundos das atitudes papais (como Catarina de Sena) na história da Igreja, nunca deixaram, naõ obstante, de viver e afirmar o essencial: a fé de que Cristo nos deu esse sinal de unidade e verdade e que devemos obedecê-lo, o papa. A vida de São Francisco foi uma denúncia silenciosa, mas viva, do luxo e da opulencia dos homens da Igreja incluindo o papa Inocêncio em seu tempo, mas na vida de São Francisco, mostra sentido de desobediência e afronta ao santo padre, ao contrário sua devoção ao vigário de Cristo é notória. Por isso ele edificou muito mais que Lutero, que tropeçando na fragilidade humana dos homens eclesiásticos, mais destruiu e pulverizou, fazendo e dizendo coisas mil vezes piores que aquelas que criticou tão duramente. Quem se atém ao magistério da Igreja, quem ouve o papa, constrói sobre ROCHA FIRME, sobre a PEDRA ANGULAR que é Cristo que se faz presente “in persona” na pedra visível que não substitui nossa escuta crente e pessoal do Espírito, mas que nos garante que não muitos “espíritos” se contradizendo nas “Babéis” que criamos. Pedro tomou a palavra em Pentecostes e resumiu/traduziu/sintetizou aquela experiência para que todos entendessem seu significado em DEUS. Muitos entregaram suas vidas à mensagem do CAMINHO que ele proclamou naquele dia, sem ficar se perguntando e polemizando vacilantes no limiar da porta (da porta que é CRISTO!) : “é infálivel ou não, entro ou não entro, me batizo ou não, é só um homem a falar, ou Deus fala mesmo através dele??”…Não, nem estaríamos aqui hoje se eles se detivessem nessa dúvida. Confiantes naquele palavra humana que portava a Palavra Divina, acolheram JESUS como salvador e hoje cá estamos prosseguindo o mesmo CAMINHO. E ainda hoje é Pedro/Bento 16 o instrumento que Jesus usa para discernir a voz do Espírito em meio a confusão de vozes, para que não fiquemos perplexos como os espectadores dos primeiro Pentecostes a nos perguntar “estará toda essa gente bêbada??” Não. A igreja não é Babel, é Pentecostes! E como o primeiro papa , o mais recente também toma a palavra para esclarecer o que vem ou não do Espírito. Louvo pois a atitude desse BLOG “O Catequista” de se pautar pela escuta do Espírito da Unidade e da Diversidade Eclesial que está no MAGISTÉRIO do santo padre.

          • Eu tambem fiquei muito do intrigado quando vi o trabalho do Cadu do DV pq parecia que ele tinha algumas ideias muito parecidas as que eu tinha amada. Aí fiz também essa mesma comparaçao kkk. Bom eu ainda não sei se um dia farei um blog, me falta uma equipe e um pouco de coragem rs, mas quem sabe… Qual a sua opiniao Leilah? Acha que seria uma boa ideia minha cara?

  • Victor Picanço

    Muito bom. E Elucidou muitas coisas pra mim.

    Ainda tenho muita dificuldade pra entender a atuação de Deus no processo de fuga do Egito e das punições que imputou aos egípcios.

    • Victor, depois, se quiser, você pode nos detalhar estas dúvidas.
      Se soubermos responder…

      • Leilah

        Oi dona catequista. Me desculpa aí viu. Quando comecei responder ao Vitor não tinha visto o que voce postou em resposta a ele. Espero não parecer estar “dando pitaco” onde não fui chamada. Mas é que esse blog tão instigante que a gente acaba se empolgando e comunicando também nossa experiencia de Deus, nesse clima tão bom que voces criam aqui.

    • Leilah

      Olá Vitor, permita-me dialogar com voce a partir da questão que voce levanta. Penso que é normal ficarmos perplexos ante as narrativas do Antigo Testamento, onde Deus aparece à nossa mentalidade contemporânea como injusto, fazendo inocentes perecerem pelos pecadores, etc. Einstein dizia rejeitar o Deus bíblico, porque o achava muito à imagem e semelhança do homem, cheio de intolerância, ciumes e vinganças desumanas. Eu penso que para entendermos como o AT é ainda assim uma grande e inédita revelação da MISERICÓRDIA de DEUS, é importante prestarmos atenção no contexto em que surge a Revelação Bíblica. O mundo pagão que rodeava o povo de Deus era de tal forma cruel, que a lei do Talião (olho por olho…) é algo inédito e hiper-humano em comparação. Para cada dente que voce me arranca eu lhe arranco 20 e ainda arranco os da sua mãe e do seu tio, primo, avô e cia. Era a lógica da vingança que reinava. Nesse mundo assim cruel, onde se sacrificavam crianças para aplacar a ira dos deuses, Deus se revela como JUSTIÇA E AMOR. Sendo essa mentalidade pagã tão arraigada, voce pode imaginar a resistência (lentamente vencida) das pessoas à revelação do amor de Deus. O Amor de Deus não muda, se ele é o AMOR MISERICORDIOSO revelado em Cristo, não é porque Ele mudou, não é porque no AT ele era vingativo e agora ficou bondoso. O fato, me parece, é que a revelação do seu amor foi gradual. Mais: a percepção do que Ele foi revelando, se deu também gradualmente, aos poucos. A gente também cresce e evolui em nossa compreensão de Deus, sob a guia do seu Espírito. Desde quando comecei minha caminhada com Deus, anos atrás, eu estava sob a guia do Espírito Santo e quando evangelizava e comunicava minha experiencia de Deus aos outros, eu estava sob a guia do Espírito Santo pois “ninguém diz JESUS é SENHOR a não ser no Espírito” nos lembra Paulo. Quando a Samaritana, recém-evangelizada por Jesus saiu dizendo aos conterrâneos “venham ver o homem de Deus”, ela também estava anunciando Jesus movida pelo Espírito Santo. Mas é claro que dali há uns 5 anos, 10 anos, à medida em que ela crescesse na sua experiencia com Deus, ela iria anunciar o Senhor de outra forma. Mas tanto no inicio da sua conversão, como na maturidade da conversão após anos, era sempre o mesmo Espírito Santo que guiava o anuncio da Boa Nova que ela fazia. E é claro, que a comunicação da experiencia de Deus que ela fazia no inicio, trazia uma visão de Deus menos perfeita comparada com a comunicação/evangelização feita na idade madura da fé. Do mesmo modo quando eu evangelizava (sob a guia do Espírito) aos 18/19 anos eu transmitia (validamente) uma visão de Deus que agora, aos 40 anos, evoluiu à medida em que cresceu minha intimidade com o Senhor. Assim também o Povo de Deus, foi registrando (sob o impulso do Espirito de Deus) sua experiência com o Senhor, na medida em que foi avançando na percepção dessa experiencia, na medida em que foi aumentando sua intimidade com o Senhor e vice-versa. De modo que os relatos bíblicos não registram visões necessariamente distorcidas ou contraditórias do caráter divino, mas registram a evolução de um povo (O Povo Eleito) em sua gradual compreensão de Deus, sua gradual compreensão daquilo que Deus lhes ia revelando. Pense na brutal diferença entre a justiça e o amor infinitos de Deus e a nossa limitada capacidade de perceber isso, ainda que Ele se revele a nós. E mais ainda, na nossa limitada capacidade de comunicar isso aos outros. A mãe diz de fato ÁGUA, mas o bebe diz ABO, AUA, compreende e comunica como pode, como dá conta de compreender. A mãe se comunicar com o bebê é uma coisa, a maneira como o bebê compreende e comunica o que a mãe lhe diz é outra coisa. DEUS de fato se comunicou ao povo eleito, com fatos e palavras (palavras essas que são a posterior reflexão sobre os fatos, guiada pelo Espírito) e o povo, guiado pelo Espírito de Deus (mais propriamente os escritores sagrados dentre o povo) foi compreendendo de modo gradual aquilo que Deus comunicava e foi registrando do modo como compreendia, de modo que o que temos na Bíblia é essa gradação, essa evolução da compreensão (guiada pelo Espírito de Deus) que o povo eleito foi adquirindo aos poucos. Assim, não podemos concluir da matança dos bebes egipcios algo negativo acerca do caráter divino. Mas ver aí o registro que o escritor fez da percepção que ele tinha da justiça divina, da predileção divina pelo povo eleito. Ainda que nos pareça horrendo que o escritor sagrado tenha tal percepção de Deus, com certeza era uma percepção e comunicação da ação divina guiada e inspirada pelo Espírito de Deus, era uma auto-comunicação de Deus ao povo, percebida do modo como este povo podia perceber naquele momento no nível de maturidade espiritual que este povo tinha então. E é possivel perceber como o Espírito Santo falou forte então, revelando coisas novas e bonitas, comparando com a percepção anterior que este povo tinha de Deus. A percepção de Deus que o povo de Israel tinha de Deus (de deuses até, em muitos casos) antes do chamado e da libertação do êxodo, era algo tão tosco, tão distorcido, que é impossível não constatar que as páginas do Antigo Testamento, representam uma tremenda evolução em relação ao pensamento (pagão) predominante antes e por isso com certeza são REVELAÇÃO DIVINA INFALIVEL E INERRANTE. Espero ter ajudado um pouquinho sua compreensão do Antigo Testamento e das suas passagens meio “esquisitas” onde Deus parece não ser lá muito “católico”.

  • Marcio

    Peço ajuda para “A Catequista” e para “O Catequista”, se puderem por favor.
    Onde resido há poucos catequistas e com o intuito de ajudar a comunidade ofereci-me para ser catequista. Fiz um curso de preparação, mas percebi que é muito pouco, pois também minha formação cristã é muito pequena… Vocês poderiam enviar-me algum material no e-mail para meu estudo? Obrigado…

  • Victor Picanço

    Muito obrigado, Leila. Ajudou bastante mesmo.

    Acredito que a “esquisitice” resida mesmo na percepção dos israelitas sobre a ação de Deus. E de como eles registraram essa sua compreensão na Bíblia.

    • Leilah

      E ainda assim a Igreja diz que é uma compreensão (e isso é importante!) sob a inspiração divina do Espírito Santo. O que dá à Bíblia o caráter de INERRÂNCIA. Penso que aqui o importante é percebermos que essas passagens não fazem da bíblia algo imperfeito ou incompleto no sentido de deformar a imagem e o conceito de Deus. O próprio Sâo Paulo,diz em suas cartas que a LEI contida no Antigo Testamento, teve o papel de PEDAGOGO, de conduzir pouco a pouco o povo eleito para a plenitude da REVELAÇÃO que é Jesus. De modo que nada se perde da Revelação Bíblica e nada nela foi escrito sem a direta inspiração do alto. Se nós temos uma caminhada para Deus, uma história com Deus (e voce tem, eu tenho) nas diversas etapas dessa caminhada é sempre Deus a nos guiar, mesmo se nossa percepção nas etapas iniciais ainda for meio nebulosa. Acho fundamental insistir nisso: a Bíblia Sagrada registra sim a percepção humana do povo de Israel, mas a percepção GUIADA POR DEUS, INSPIRADA, SOBRENATURAL dentro desse caráter processual, gradual da revelação que por fim culmina em JESUS que afinal nos revela o rosto do PAI. Assim de modo algum o Cristão lê a Bíblia, PALAVRA de DEUS como sendo algo meramente humano, que registra percepções meramente humanas. A nossa leitura da Palavra é orante e crente, uma verdadeira escuta do próprio Deus que se comunica e a maior chave que resolve as aparentes “contradições” das narrativas bíblicas, que dá o fio condutor que liga tudo é JESUS ponto culminante desse processo de mais de mil anos, em que Deus foi se revelando (a Bíblia foi escrita mais ou menos durante esse período) e o povo eleito foi captando e registrando e progredindo na relação com Deus e percebendo Deus mais e mais. Se a intenção da Bíblia fosse uma revelação instantânea de uma vez só, do plano e do caráter divino, essas aparentes “contradições” ficariam realmente sem lógica alguma. Mas dado que a Bíblia registra um processo que vai amadurecendo até Cristo, retroativamente JESUS CRISTO é a chave de interpretação de todo o Antigo Testamento. Sugiro que voce busque no site do vaticano (http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html) a constituição DEI VERBUM que é muiot esclarecedora acerca da interpretação católica das Sagradas Escrituras.

      • Muito bom leia apontar a Dei Verbum. Vitor aconselho também a Verbum Domini, Exortação Apostólica de Bento XVI sobre as Escrituras.

        Leilah acho também bom salientar o perigo das exegeses (interpretações livres da Palavra) contrarias aquilo q a Igreja nos ensina. Por mais que os protestantes me pressionem e falem um monte de besteiras, mostrando como disse São Lucas em Atos, doutrinas perversas: “Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos.” Atos dos Apóstolos 20,30, eles nunca separaram meu coração da Verdade que é a Sã Doutrina.

        • Leilah

          É verdade, uma má exegese pode levar a uma má hermenêutica. Como a exegese busca fazer a “arqueologia” do texto, situando-o em seu contexto histórico, social e cultural, se isso for bem feito temos bons alicerces para uma hermenêutica que consegue perceber a intenção original do autor e a atualidade de sua mensagem para nós.
          A exegese competente descobrirá, por exemplo, que a falta de técnicas adequadas de limpeza e cozimento, no tempo do povo bíblico, fazia da carne suína uma fonte de mil doenças, infecções e alto índice de mortalidade. Descobrirá também que para a mentalidade judaica, a religião era fonte de todas as orientações para a vida, incluindo as regras sanitárias (que hoje independem de religião, até certo ponto). E que por isso a proibição da carne de porco era tida como orientação divina. Já a hermenêutica ao interpretar/atualizar a Palavra Eterna de Deus para o nosso tempo, saberá discernir que mudado o contexto (hoje temos condições e técnicas para aproveitar a proteína suína, comendo-a com moderação, sem arruinar nossa saúde) a interpretação do texto, também é outra. Mas guarda a essência daquele texto bíblico que proibia a carne de porco (devido ao contexto do tempo e lugar) que é o dever de cuidarmos bem da nossa saúde, como um dom de Deus. Por mais que um protestante fundamentalista queira levar ao pé da letra, a Bíblia toda, na prática ninguém faz isso com todos os textos da Bíblia. Eu nunca vi um só protestante, após fazer suas necessidades, abrir um buraco para jogar as fezes dentro e cobrir com terra. E, no entanto isso é orientação bíblica (passada ao povo como vinda de Deus. E veio mesmo, para aquele contexto). Só que o mínimo bom senso percebe que mudado o contexto (temos privadas sanitárias hoje) aquela regra de enterrar as fezes sob a terra perde totalmente o sentido. Mas permanece o fato de que gratos pela saúde que nos vem de Deus, devemos cuidar bem dela.
          Contudo, penso que a questão mais grave em termos de interpretação bíblica hoje (e isso toma conta de boa parte da teologia católica contemporânea) é o fato de o teólogo eleger previamente um projeto, uma visão X de pessoa humana, de sociedade, de mundo, de Deus (até sem desconfiar, sem ter distância crítica para perceber que matriz ideológica o alimenta nessa visão de mundo) e depois buscar na Bíblia (e até na tradição cristã) a todo o custo, forçando a barra muito artificialmente, para “obrigar” a bíblia a referendar/justificar seu projeto e visão de mundo. Isso é o exato oposto da sábia fórmula de Agostinho: “CREIO PARA COMPREENDER E BUSCO COMPREENDER PARA MELHOR CRER”. A teologia (com as hermenêuticas bíblicas que a subsidiam) é a fé que busca inteligibilidade, coerência racional. Mas ela é filha da fé, nasce da “fé que uma vez foi dada aos santos “(Jd, 3). Mas hoje o projeto ideológico para muitos antecede a fé e depois os dados da fé (Bíblia e Tradição atualizadas pelo Magistério Perene e Vivo) são forçados na marra a entrar como “prova” e “justificativa” para sustentar as opiniões escolhidas antes. É o triunfo da opinião sobre a fé. Este é basicamente o método do Leonardo Boff. Tal método o levou a sugerir (num teologumenon) que não só Jesus é Deus encarnado (Deus Filho) mas Maria também o é ( no caso, ela seria a encarnação de Deus Espirito Santo) e José também (que seria o Pai Eterno encarnado em forma humana). E isso porquê? Porque é mais “democrático” e “igualitário”. Se a fé sustentar que só o Filho se fez pessoa humana, temos o CRISTOCENTRISMO e daí o consequente AUTORITARISMO da igreja e na igreja. Para termos uma igreja democrática e igualitária temos que mudar o dogma da Trindade e da Encarnação, passando a formular que Deus se fez carne três vezes: em Jesus, em Maria e em José! Veja como o projeto e a visão de mundo que a pessoa tem antes de ter a fé (virá a ter a fé um dia? Pelo menos a fé cristã?) é projetada na sua “teologia” (será ainda teologia, no sentido cristão?) e se torna critério da seleção de passagens bíblicas que a favoreçam e sustentem.
          Em 2008 o irmão do Leonardo, o Clodovis Boff trouxe a público, o fruto maduro e lúcido de uma autocrítica profunda e fecunda que ele tem feito como TDL. Justamente denunciando essa instrumentalização da fé, pela ideologia previamente assumida. Uma boa turma de TDLs (incluindo seu próprio irmão que foi o mais agressivo e virulento) reagiu com alvoroço despejando mil textos na imprensa especializada, para tentar contestar Clodovis Boff. Alguns apelaram até para o julgamento pessoal das atitudes dele, em vez de ficar no mérito da análise da questão teológica em si. Mas espremendo tudo o que se escreveu contra as ideias de Clodovis, chega-se à mesma conclusão: opções teóricas prévias (“circulo hermenêutico” “adequada teologia da encarnação”, etc) com posterior tentativa de fazer a Bíblia e a Tradição entrar nessa jogada, forçadamente. Só não conseguem enfiar o Magistério da Igreja na marra. Os mais “bonzinhos” dizem que quando muito o papa tem uma teologia tão válida quanto a deles, mas não acima da deles. Ou seja, negam o caráter normativo da doutrina católica oficial, porque ela nada mais é do que uma teologia a mais, dizem. Outros dizem que o papa é que tem traído a Bíblia usando-a para justificar um “projeto de poder e dominação”. Mas se esquecem de que as opções teóricas das quais partem, já há mais de três séculos tem sido exatamente a fonte e sustentação teórica do poder, do poder que mais assassinou e oprimiu. O liberalismo individualista e o comunismo (a primeira e a segunda ilustração) a par dos progressos alegados, jogou a muitos na miséria e opressão, gerou a idolatria da ciência tecnológica insensível, pragmática e fria, gerou a idolatria do estado invasor das consciências. E agora que o Espírito do Senhor suscita na Igreja um dos críticos mais profundos dessa decadência cultural (Bento 16, respeitado até por Habermas nesse sentido), esse homem é taxado de “inimigo dos pobres e das suas causas”.
          Por isso meu irmão, faça sim seu blog, quanto mais gente a reverberar e ecoar o testemunho e profecia de Bento 16, melhor para a Igreja. E isso é sinal de autonomia do leigo. Um leigo deve ter comunhão com seu pároco. Mas acho curioso ver certos padres que tanto criticam o suposto “autoritarismo” de Roma e do papa, ficarem roxos de raiva autoritária quando percebem que um leigo, um paroquiano seu começa a ficar por dentro das coisas e conhecendo a verdadeira doutrina católica, expressão da vida e experiência do Povo de Deus (sobretudo dos pobres, melhores guardiões da sã doutrina) que o Espírito suscita e valida pelo carisma do discernimento do magistério do santo padre. E nesse processo de esclarecimento, “de pingos nos is”, a INTERNET, tem sido extremamente útil e oportuna.
          Há um caminho de humildade que nós crentes devemos percorrer com toda simplicidade: Deus não quis jogar uma bíblia de para-queda, para que cada um o lesse como bem entender. Deus suscitou um povo, que começando dos doze apóstolos e outros discípulos, fez a experiência concreta e viva da salvação. Pessoas pecadoras e frágeis, mas justificadas pelo sangue de Cristo, encorajadas pela sua presença ressuscitada e confirmadas pelo seu Espírito derramado nelas que as colocou ainda que frágeis e pecadoras, no caminho rumo à santidade. Era isso que os primeiros convertidos tinham à sua frente: TESTEMUNHAS VIVAS DA OBRA DE DEUS! Não tinha livro algum para validar, para provar, a não ser o Antigo Testamento que mostrava ser Cristo o messias prometido, mas ainda assim lido e interpretado na ótica dessas testemunhas vivas que perseveravam, diz os ATOS, “NA DOUTRINA DOS APÓSTOLOS”, ou seja, na orientação de viva voz da AUTORIDADE, de gente de carne e osso. E essa foi a simplicidade dos primeiros convertidos, não viram nisso pedra de tropeço e escândalo, a fé lhes entrou pelos ouvidos e cá estamos nós hoje, continuando a perseverar na Doutrina dos Apóstolos, que só depois de uma Tradição do Espírito consolidada, resolveram colocar parte dela na Bíblia. E essa tradição viva nos alcançou hoje. E ainda hoje a par da importância única da Bíblia (já que a mesma registra as origens da nossa fé) a vida da Igreja em comunhão com seus pastores, continua a ser o método que iniciado por Jesus (A COMUNIDADE que CONTINUA sua PRESENÇA e AÇÃO NO MUNDO) nos alcança, nos converte, nos faz entender a sua Palavra. Com certeza o Espírito Santo assiste e orienta o leitor individual da Escritura como sustenta o protestantismo, mas não é um Espírito moleque irresponsável que se contradiz o tempo todo, dizendo A nessa denominação e B naquela outra e XYW na outra acolá. A Bíblia, vemos isso em todo o LIVRO DOS ATOS, sempre foi lida e interpretada no contexto da igreja, pátria do Espírito, no contexto da experiência viva e concreta do poder de Jesus Ressuscitado e seu Espírito, criando a comunidade dos fiéis que perseveravam na Doutrina dos Apóstolos. Isolar a bíblia deste chão onde o próprio Deus a enraizou, é fatalmente traí-la e fragmentar tremendamente sua mensagem, tornando a fermento de divisão como a história dos últimos 500 anos, registra tão fartamente.

          • Muito bom Leilah! Estou muito impressionado amada com tamanha sabedoria que você tem demonstrado e conhecimentos variados sobre a Sã Doutrina. O grande problema do blog seria arrumar uma equipe e achar novos assuntos variados sobre a Igreja. Ter contato com muitos documentos não creio ser tão complicado mas mostra-los sim. E tempo… Mas caso dê certo eu queria sim fazer. Espero continuar a ver seus comentários aqui Leilah eles muito me ajudam apesar de serem absurdamente longos (sem ofensa rs). Fantastico ter contato assim com tamanho conhecimento.

          • Absurdamente foi ofensivo Leilah perdao. Quis dizer muito longos. Isso mostra que uma palavra mal-dita deixa quem fala muito mal tbm. Perdao.

  • Leilah

    ERRATAS:

    “…mas NADA na vida de São Francisco, mostra sentido de desobediência e afronta ao santo padre..”

    “Cristo que se faz presente “in persona” na pedra visível que não substitui nossa escuta crente e pessoal do Espírito, mas que nos garante que não EXISTEM muitos “espíritos” se contradizendo nas “Babéis” que criamos.

    • Leilah

      COMENTÁRIOS LONGOS? você tem toda razão Cadu, os comentários que posto são mesmo absurdamente longos e prolixos. Um convite a não serem lidos, a não ser que o leitor/internauta esteja super interessado. Eu vou refletindo e escrevendo muito espontaneamente, como se estivesse falando diretamente com as pessoas e quando olho para trás e vejo aquela escrita quilométrica me assusto: CARAMBA! NINGUÉM VAI LER UM JORNAL DESSE TAMANHO!Quando preparo os encontros de catequese, por ter mais tempo, sintetizo mais e deixo os detalhes para as conversas e tira-dúvidas da comunidade, do finalzinho do encontro. Perdão pela massada! Vou tentar ser mais curtinha d’ora em diante. A Palavra de Deus (cuja ação em minha vida, tento aqui comunicar) tem que ser saboreada, ruminada, e por vezes um texto longo atrapalha essa ruminação e textos mais curtos, permitem melhor a necessária pausa da reflexão.

  • Victor Picanço

    Muito obrigado, gente

  • Samuel

    Eu sempre tive dificuldade de entender porque Cristo tinha que morrer para apagar os pecados sendo que Deus,sendo Deus,poderia apagá-los de qualquer forma menos ‘drástica’,por favor expliquem.Além disso,qual é o sentido do termo ‘tirar os pecados do mundo’ em relação ao sacríficio de Cristo.Obrigado.

    • Oi Samuel! Bom respondendo a sua pergunta:

      “Deus,sendo Deus,poderia apagá-los de forma mesnos drástica”

      Na verdade amado, Deus precisava de uma remissão eterna do mal do pecado. Pra entender isso precisa-se entender o que é o pecado.

      “§1849 A definição do pecado

      O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como “uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna”.

      §1850 O pecado é ofensa a Deus: “Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mau aos teus olhos” (Sl 51,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se “como deuses”, conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, “amor de si mesmo até o desprezo de Deus”. Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário à obediência de Jesus, que realiza a salvação.” (Catecsimo da Igreja Católica)

      Essa ofensa contra Deus, é uma mancha terrível cuja cura única é a morte do próprio Deus Encarnado por nós. Jesus, enquanto Deus e Homem, decidiu-nos amar-nos e primeiro e amou-nos até o fim. (São João 3,16). O sacrifício deCristo é o sacrifício do amor que nos amou tanto que decidiu-se por nós. Não devemos ter pena de Jesus amado, Ele deu sua vida gratuitamente pra que todo o que nEle crer e crer na Sua Igreja, tenha a vida em abundância.

      Só Jesus Samuel poderia morrer por nós e nos levar do câncer da alma. Se Deus tivesse escolhido outra maneira, Ele não cumpria a Escritura, que diz que haveria inimizade entra a decendencia da mulher e da serpente. (Gn 3,14), desde a queda de Adão e Eva, Deus já tinha a promessa de livrar o homem de sua culpa. Isso é a prova mais inestimável do amor de Deus por nós: Ele desceu do céu, assumiu em tudo nossa condição, eceto no pecado, e assumiu por amor sem fim nossas misérias. Isso sim é amor.

      “Tirar o pecado do mundo” amado significa o ato voluntário de Jesus em remir o mundo. Ele, o Cordeiro de Deus, tomou TODOS os nossos pecados, e com o derramamento do Seu Sangue, Ele imolou-se a si mesmo e deu-se totalmente por nós na Eucaristia. Quando na Santa Missa o padre fala essa frase, ele nos está mostrando o poder da graça de Deus, que tomou a iniciativa e não temeu a morte e a Cruz pra vencer a morte. O sacrifício da Santa Missa é exatamente o mesmo do Calvário, so que no calvário Jesus deu-Se cruentamente e na Santa Missa incruentamente.

      Espero ter ajudado amado.
      Abraço! Pax et ignis!

      • Erratas: “Só Ele poderia nos livrar (não levar) do câncer da alma.” e “Ele não cumpria a Escritura, que diz que haveria inimizade entre (não entra) a decendencia da mulher e da serpente. (Gn 3,14)”

    • Oi, Samuel!

      O Cadu já repondeu uma parte (obrigada, Cadu), mas vamos nos debruçar sobre este tema em um post.
      Só não prometo data, porque andamos aqui meio enrolados. Mas este tema é fundamental para os cristãos, precisa ser tratado muito carinho e cuidado.
      Já vi até crianças se perguntando porque Jesus precisou sofrer tanto, por que isso? Era mesmo necessário?
      De fato, a cruz continua a nos encandalizar.

      Espero que possamos te responder o mais breve possível.

      • Ahh perdao Vivi, esqueço que o blog não é meu. Ficar se intrometendo assim não é legal, preciso me controlar mais. É que a vontade de saciar a inquietação dele foi muito grande e eu queria uma brechinha pra poder dar uma desculpa e falar de Jesus rsrs.

        Bom Vivi preciso mesmo ser menos estabanado. 🙂 Aliás como é que se usam direito as HTML tags hein? é a segunda vez que não consigo kkk. Sou um adolescente que não entende assim tanto de computador e de suas percipecias kkk.

  • Samuel

    Prezado Cadu:

    Você escreveu :’Essa ofensa contra Deus, é uma mancha terrível cuja cura única é a morte do próprio Deus Encarnado por nós.’

    Meu caro,Deus é onipotente.Ele pode definir de qualquer modo que lhe seja melhor como iria limpar o pecado do mundo.O que não entendo é o porque de Deus morrer na Cruz.Porque o próprio Deus manda que nós perdoemos livremente quem nós faz mal,mas porque para Deus perdoar o mal que é cometido a Ele é necessário um sacríficio(que seria Cristo na Cruz)?Isso não é contraditório?Entendo o motivo da Encarnação dEle,que é para nos trazer os ensinamentos,a Fé etc,mas não consigo entender a sua morte.Alias,se Cristo remiu todos os pecados,então não existe mais pecado?E se existem(e claro que existem)então para que serviu sua morte?Eu não consigo ver a conexão entre ‘morrer na cruz’ e ‘remissão dos pecados'(sendo que eles existem ai desde sempre.

    Obrigado.Muitas dúvidas hehehe quem quiser esclarecer a minha ignorancia por favor se manifeste.

    • Samuel meu caro isso tem a ver com o amor como eu já disse. Deus prometeu a serpente que ela teria uma inimizade eterna com a descendencia da mulher e Deus,sendo Deus, cumpre sua promessa. A morte de Cristo é amor sem fim. Deus escolheu dar-Se a si mesmo e só isso importa. O homem decidiu livremente ser como Deus,e para que Deus pudesse contrabalancear com a cura sem fim um câncer fim, Ele decidiu livremente fazer-se Homem, vir ao mundo e sofrer por amor para nos salvar.

      Cristo destruiu o pecado na Cruz. Destruiu de fato e para sempre, mas quem nEle não cre e quem não busca a Redenção que esta contida misticamente nos Sacramentos (principalmente Confissao e Eucaristia) não participa da vitória do amor e da Cruz. Ele sofreu porque livremente, por vontade do Pai, Ele quis nos amar e nos livrar. Beber do Cálice da Nova Aliança é uma escolha nossa, nâo uma imposiçao. Pela morte de Cristo Ele nos livrou amado. Adoremos Sua Santa Cruz que remiu o mundo!

    • Leilah

      Olá Cadu, Vivi Catequista e Samuel,
      Olha eu aqui de novo com meu “jornalão”. Achei interessante (e fundamental) essa saudável discussão de vocês acerca do motivo que levou Deus a “escolher” a morte de cruz para nos salvar. Então resolvi dar meu modesto “pitaco” nessa partilha fraterna.
      Olha só, tem algumas coisas que acho fundamentais:
      1) O FILME AINDA NÃO ACABOU: a história da realidade humana e terrestre está em pleno caminhar. Nem tudo é claro para nós nessa etapa do caminho. O próprio mistério do mal no mundo, o porquê de Deus ter permitido que a pessoa humana usasse mal de sua liberdade, trazendo-nos essa escravidão “hereditária” do pecado, são realidades envoltas em grande mistério. Ainda…
      2) Tal como o bebê que de fato recebe e percebe a COMUNICAÇÃO de sua mãe, nós, de fato recebemos uma revelação de Deus acerca da nossa origem e destino. Mas assim como o bebê que compreende e reproduz a fala da mãe do jeito que dá conta, por causa de suas limitações de compreensão, raciocínio e fala, nós os discípulos de Jesus (desde 2 mil anos atrás até hoje) compreendemos e comunicamos nossa experiência de Deus do jeito que damos conta, dentro de nossas limitações de compreensão e linguagem.
      3) Isso nos leva à uma modéstia e despretensão de linguagem que o próprio Catecismo Católico assume no capítulo intitulado “O HOMEM É CAPAZ DE DEUS”. Ou seja, nós Igreja, não temos a pretensão de fazer Deus e seu mistério caber dentro do limite de nosso raciocínio e linguagem. Sabemos que ELE está muito além.
      4) E ainda assim, dizemos que a nossa fé não contradiz, mas até supõe a razão humana. Não que a razão descubra por si mesma, o que fé nos diz. Mas a razão chega a um ponto de indagação acerca do Mistério da Vida e do Mundo, que admite ser racional que exista uma realidade acima de nós, já que ontem eu não era e agora cá estou. De modo que quando essa realidade misteriosa que nos faz, resolve SE REVELAR, a razão humana não vê contradição entre o que indagava e buscava e o que a REVELAÇÃO DIVINA traz. Embora fique maravilhada e boquiaberta ao ver que essa revelação corresponde sim ao coração, mas de um modo muito além do que se podia esperar, de um modo inusitado, que longe de resolver nossas buscas ao modo de uma resposta à uma equação matemática, nos deixa mais “embatucados” ainda, embora apaixonados, fascinados e atraídos pelo MISTÉRIO que se fez carne e amigo em nosso caminho humano. Ele não deixou de ser mistério, mas é um mistério próximo e amigo, que até se deixar tocar como realidade física e carnal na proximidade de um homem que come conosco (JESUS) e na proximidade da sua continuação na terra ( nossa fraterna comunhão, isto é A IGREJA, cujo auge como continuidade de JESUS na terra é a EUCARISTIA).
      5) Agora se um namorado e agora esposo, ainda é mistério para mim, se um amigo íntimo de longa data, ainda é mistério para mim, imagine você se esse amigo é o próprio MISTÉRIO do mundo e da vida…
      6) Então a fé é resposta para as buscas do coração humano, mas não ao modo de uma lógica matemática que se encaixe com perfeição nos nossos raciocínios. Ainda seria Deus um deus assim? Com todo respeito pelos espíritas, toda a sua doutrina reencarnacionista traz essa “lógica” que tenta fazer Deus e seu Mistério, perfeitamente assimiláveis às categorias mentais da nossa pobre razão e lógica, aos nossos terrestres conceitos de bem e mal, de justiça e mérito, etc. Acontece que DEUS é muito maior que nossos raciocínios.
      7) E a fé católica na encarnação de DEUS entre nós, na vinda do MISTÉRIO que anda conosco, come, bebe, festeja e brinca, chora e fica brava, liberta, cura, salva e santifica, não tem a pretensão de dissecar o mistério profundo deste amigo divino, desta comunidade que traz sua presença viva e ressuscitada, deste DEUS CONOSCO. Simplesmente acolhe, o deixa caminhar conosco e nos transformar.
      8) E acolhendo-o, acolhe o fato de que ELE nos amou de tal modo a ponto de dar a vida por nós. E acolhendo, crendo, experimenta o poder amoroso de sua SALVAÇÃO mudando a nossa vida.
      9) Isso é essencial na nossa teologia. Antes de tudo vem a experiência concreta e vital que fazemos da salvação, antes de tudo vem a OBEDIÊNCIA DA FÉ. Pedro, André, Tiago, simplesmente seguiram, creram, porque intuíam no fundo do coração: se este homem que está aqui, não é a resposta para as buscas do meu coração, ninguém e nada mais, o é. A compreensão racional veio depois e ainda assim não ao modo de uma solução de equação matemática, mas ao modo de uma PRESENÇA VIVA que liberta e satisfaz, que preenche a vida de sentido e alegria, que nos dá como ELE prometeu a quem o segue, 0 CÊNTUPLO já nessa vida,
      10) Assim, nós cristãos somos amigos do MISTÉRIO. Passeia entre nós, entra em nossas casas, come e bebe conosco na maior intimidade alguém que não obstante continua a ser MISTÉRIO. Sua intimidade conosco é tão profunda e concreta que seu corpo e sangue são alimento para nós, passando a ser carne da nossa carne a espera da RESSURREIÇÃO final.
      11) Qualquer especulação intelectual acerca do mistério de Deus (seja na catequese, na evangelização, na pastoral, na teologia) que não passe pela comunicação viva de uma experiência pessoal da nossa vida transformada em Jesus, corre o risco de ser só isso: especulação mental. Palavras nossas para nós mesmos, sem a unção do Espírito, autor da evangelização através de nossas vozes e, sobretudo de nossa vida por ELE transformada.
      12) Não obstante, a razão (uma vez convertida) sabe encontrar a discreta “razão da nossa esperança”. Creio que Cadu, deixou claro que o pecado, o mistério do mal é de tal modo horrendo… (basta olhar ao nosso redor: guerras fratricidas, genocídios tremendos, egoísmo e insensibilidade assombrosos, crueldade, etc., isso tudo somos nós, é nossa raça. E diz a psicologia que muitas vezes os adjetivos mais terríveis são usados por nós para classificar os crimes mais pérfidos, meio que para exorcizar nossos demônios internos, para sentirmos que isso tudo são “os outros”, nós somos do “bem”…)…enfim o pecado é tão horrendo em sua dramaticidade e malignidade (e aqui estamos diante de algo misterioso mesmo) , que fatalmente causa a nossa morte, a nossa desgraça eterna. Para usar uma expressão chula, o pecado “fudeu com a gente de vez”, acabou, frustrou o destino inicial, o plano previsto. É ladeira abaixo agora, sem chance de volta. E isso por escolha nossa, pelo nosso querer, pois o pecado original enfraqueceu tremendamente nossa vontade livre, mas não a anulou por completo. Ainda somos livres e escolhemos quase sempre o que nos escraviza. Ou seja, nós estamos numa descida acelerada que vai dar no pior. Esse PIOR, essa consequência final desastrosa, JESUS entrou na frente e aguentou por mim. Eu ia de encontro contra o muro e ELE entrou na frente e foi de encontro contra o muro no meu lugar. Morreu a morte que a mim era devida. Morreu no meu lugar. POR QUÊ? Eu não sei por que, eu só sei que experimento o poder da sua morte e ressurreição na minha vida, ainda pecadora, mas muito transformada por ELE. Cada vez que me aproximo da EUCARISTIA onde essa morte e ressurreição continua a se fazer presente no tempo, eu me torno menos má, mais transformada por sua presença ressuscitada. Sou amiga do MISTÉRIO. Um homem, homem-Deus é tão íntimo e próximo de mim, que pouco a pouco, sua carne glorificada tem se tornado carne da minha carne. Sua SALVAÇÃO tem atuado em mim. ELE me amou e se entregou por mim e eu tenho experimentado o que isso significa concretamente quando olho para o meu coração e minha vida, para as coisas que fazia antes e vejo que não sou mais a mesma. Eu não seria capaz disso, minha vontade debilitada não seria capaz de fazer certas escolhas se eu não fosse sustentada por essa presença amiga e ainda assim MISTERIOSA e por isso mesmo DIVINA. Só um Deus que é mistério merece que eu dobre meus joelhos diante dEle e O adore. Um Deus que é explicável segundo as categorias da minha pobre lógica terrena, para mim não é mais Deus, mas mero reflexo das minhas idéias.
      13) Eu sei e vejo que a existência humana se deteriora, que não obstante os mil progressos da ciência, da técnica, dos sistemas políticos e sociais, das intervenções psicológicas, o mistério da escolha humana pelo egoísmo continua e até aumenta. E vejo isso ao meu redor dia e noite e, isso me inclui. Sei e respeito que os ateus, vejam minha necessidade de um salvador como fraqueza (que me faz inventar um Deus e salvador, eles dizem) e assumo mesmo que sou fraca, que sinto na pele a necessidade de que aconteça uma salvação, que não só explique (até certo ponto) essa tragédia toda do mal que me rodeia, mas que me faça sair disso, que me coloque num outro modo de existir. Respeito novamente os ateus éticos a quem basta o sentido do que é justo (dizem), para bem viver nesse mundo. Que bom para eles cuja vontade é tão firme e resoluta que conseguem sempre optar pelo que é bom. A minha não é, sou má e egoísta e minha vontade sempre pende para o que é mais cômodo e vantajoso para mim. Mas olho para trás e vejo que eu era mil vezes pior antes, vejo que ELE tem me transformado e prossigo crendo nessa SALVAÇÃO que tem atuado em mim. Vejo e experimento o mal, no mundo e em mim mesma, sinto que se eu deixar o egoísmo tomar conta de mim ele vai se tornando cada vez mais irreversível. Pressinto que isso vai me arruinar se eu não reagir. Quero reagir mas não aguento em minha fraqueza, quero pular dessa margem insegura do desfiladeiro para a margem segura do outro lado, para não cair no abismo do egoísmo sem volta ao qual minhas escolhas vão me conduzindo (= INFERNO). Mas sou fraca. De repente, quando menos espero, do outro lado uma mão se estende para a minha. E é uma mão assim como a minha, de carne e osso. É um irmão, uma irmã, um amigo cujo sorriso, cujo olhar, cuja vida e cujas palavras, me animam a saltar para o outro lado. E ai descubro que esse irmão, essa irmã cuja vida e cujas palavras me animaram a dar o salto, alimentam sua esperança em outra coisa, os vejo lendo a Palavra, comungando, confessando, vivendo juntos em alegre fraternidade, dizendo o tempo todo ELE ESTÁ NO MEIO de NÓS! Atraído por essa presença misteriosa que me é anunciada, vou me juntando sempre mais e mais a eles e me alimentando do que os alimenta e quase sem perceber vou sendo também a mão estendida a outros que antes estavam como eu. Assim o fato de que ELE me amou e se entregou e entrega por mim, ou seja, a SALVAÇÃO vai sendo uma realidade concreta em minha vida, uma experiência. Porque ELE quis se entregar por mim?? Porque ELE assumiu as consequências, até a última? (A última: a morte eterna. Sim, porque o diabo não esperava pela consequência inesperada, pelo resultado que foi a Ressurreição, a vitória sobre a morte eterna. Ele julgava que tinha dado a Jesus o nosso mesmo destino de pecadores. Assim como a morte eterna, a condenação infernal era o último resultado e consequência do mal, a RESSURREIÇÃO foi a consequência inesperada do fato do próprio Deus ter assumido em carne, as consequências do mal. (Como C.S.LEWIS mostra no episódio do Leão Aslan, nas CRONICAS DE NARNIA, que ilustra tão bem isso! Vale assistir, meditando, rezando e adorando tão grande SALVADOR!) . Porque JESUS me salvou, morrendo na cruz? Será que pela própria natureza das coisas, pela lógica das coisas, só o próprio Deus poderia assumir por nós as consequências do nosso mal?? Eu sei que eu mereceria assumir, eu mereceria colher toda a consequência do meu mal até a última. Tenho mesmo a intuição (vendo a enormidade do mal no mundo e em mim) de que a coisa indo por onde vai, teria mesmo que terminar em algo trágico, a doutrina do pecado original e da condenação eterna só fazem dar forma racional à minha intuição e percepção vaga. Eu sei que esse resultado trágico da opção da pessoa humana pelo mal, se radicalizada, vai dar no pior irreversível e me é anunciado que ELE assumiu no meu lugar esse pior irreversível e o REVERTEU, ME SALVOU. Resolvi CRER PARA VER (e não ver para crer) e tenho experimentado a salvação acontecer em minha vida. Espero que nunca a perca, para que essa salvação já em processo se torne um dia SALVAÇÃO ETERNA! AMÉM E ALELUIA!

    • Leilah

      Imagine um pobretão que enche a cara de cachaça e bate o carro, arrebentando uma mansão milionária. Nem que esse pobretão trabalhasse décadas daria conta de pagar o estrago que fez. Mas eis que alguém amigo e inocente daquele ato do pobretão chega e paga o preço da burrada dele. Com essa fraquíssima metáfora, entendo que Jesus assumiu por mim a consequência de um erro que eu mesma não teria como assumir. O estrago que o mal, entrando na história humana (pecado original) e na minha historia pessoal (pecado pessoal) fez, foi tremendo e Jesus se ofereceu para pagar o preço, a consequência e assim reverter tudo. E não só reverter, mas ainda levar a história humana a uma glória ainda maior. Por isso diremos nós daqui a uma semana na Vigília Pascal do próximo sábado: O FELIZ CULPA DE ADÃO QUE NOS MERECEU TÃO GRANDE REDENTOR!
      Agora porque teve que ser morte dolorosa de cruz, se Deus onipotente poderia evita-la se quisesse? As circunstancias concretas do processo criminal e execução de Jesus, são exatamente o que são: circunstâncias. Ocorreu assim como poderia ter ocorrido de outro modo. O catecismo da igreja nos lembra que a VIDA INTEIRA de Jesus é mistério de nossa salvação, do presépio até a cruz. Ele nos salva já ao se fazer um menino, recapitula em si todas as coisas, como diz Paulo. Ou seja: faz do jeito certo, tudo o que a gente fez errado. Mesmo sendo Deus, trata Deus por Deus e O adora, reza e suplica à Ele, ensina a amá-LO. Parece estranho e engraçado, mas é como se o nosso Pai tomasse nosso lugar para nos ensinar como tratá-lo devidamente, mas sendo deixar de ser nosso Pai (com o perdão da comparação, pois imagens são sempre fracas para dizer de tão estupendo mistério) . E nessa história ficamos sabendo que Ele não só nos ensinou a ser filhos como se deve, mas que Ele próprio é O Filho de um modo que não somos e assim nos é revelado o maravilhoso mistério da Trindade, de cuja vida misteriosa agora participamos. Novamente algo que nos toca e nos é íntimo, continuando a ser Mistério. SOMOS AMIGOS DE UM MISTÉRIO que nos é próximo e íntimo.
      Mas Jesus podia ter morrido de outra morte e ainda assim seria morte redentora que jogaria por terra a última pedra que nos prende: a morte eterna, a condenação infernal. Perguntar como Deus poderia ter previsto isso, e não aquilo é tentar aplicar à realidade DIVINA (tão acima de nós) um raciocínio que segue o tamanho da nossa pobre lógica. Pois em Deus não cabe previsão. Previsão é uma ação mental de quem está no passado e prevê ou planeja o futuro. Mas em Deus passado, futuro e Eterno Presente são tudo uma coisa só, e aqui lembro que estamos balbuciando como bebês tentando dizer o indizível. Por isso a teologia começa na fé e termina no silêncio de ADORAÇÃO ao DEUS MISTERIOSO E INSONDÁVEL, mas ainda assim, insisto, próximo, amigo, cuja amizade e graça se faz sentir em tantas vidas transformadas, a minha, a sua.
      Mas uma coisa é certa, a manifestação máxima da bondade no mundo, por contraste, faz aparecer a extrema maldade. Estude a vida de todas as pessoas que se destacaram pela prática do bem, da justiça e do amor desinteressado. Sempre atraíram alguma oposição, e muitas vezes oposição cruel. Imagine então quando apareceu no mundo não o extremo da bondade, mas A BONDADE em pessoa. Aqui , até humanamente falando, é possível entender porque Jesus sofreu tanto. E é por isso que João Paulo II diz na “Redemptor Hominis” (a encíclica inaugural do seu pontificado) que toda pessoa que sofre por causa do amor e da justiça, de certa forma está unida a Jesus Sofredor.
      Assim, independentemente de ser em cruz, cadeira elétrica, forca, o fato é que a presença da extrema bondade, da BONDADE mesma em carne e osso, tem por efeito quase automático provocar não só o coração aquecido daqueles que a acolhem, mas revelar a malícia dos corações, a maldade, a dureza do coração e o que jaz misteriosamente por trás dela (na nossa fé cristã, a ação do maligno sem a qual o mistério do mal, fica ainda mais incompreensível). E consequentemente isso traz sofrimento. Perguntar porque Deus ao se fazer homem não evitou tal sofrimento é o mesmo que perguntar: porque Ele não evitou a manifestação da maldade (humana e diabólica)? Que é o mesmo que perguntar: Afinal porque Ele veio ao mundo nos salvar? Porque não deixou a gente se ferrar e assumir as consequências do nosso mal histórico (original) e pessoal, até a última. Pois uma vez vindo ao mundo para nos salvar, Ele não iria mudar a estrutura da realidade humana, para o negócio ficar mais fácil para ele, né? Se é para assumir a natureza e realidade humana tal qual ela é e, assim nos salvar, então que seja para valer. Senão seria um faz de conta. E se na realidade humana tal qual ela é, tal qual ficou e fica por causa do pecado, a manifestação da bondade tem como reação inevitável a manifestação da maldade, Jesus não escaparia disso. Muito pelo contrário, enfrentaria esse embate em grau máximo. Nisso tem razão a Teologia da Libertação, ao afirmar que a morte de Jesus na cruz foi consequência da sua escolha de viver o amor e a justiça radicalmente. Mas ela tem razão só pela metade, só superficialmente, na análise meramente humana da coisa. E isso até um investigador barato faz, até um repórter mediano dá conta de perceber quando alguém foi assassinado em razão de um compromisso ético. Não foi o caso do Tim Lopes? Mas a morte de Jesus é muito mais que essa foto jornalística! É morte redentora da condição humana arrebentada pelo pecado. Não por força de ser um exemplo estimulante para o nosso compromisso, como sustenta a mesma TDL. Que estimulante “pôrra nenhuma!” diriam os mais desbocados (aqui está a grande mediocridade da TDL) . Desde quando alguém preso, torturado e assassinado me estimula a fazer o que ele fez para ser morto??!! Cê tá é louco meu! O único estímulo que isso traz é o estímulo para sair correndo antes que os caras me peguem também!!!Tanto é assim que Jesus não faz a mínima cobrança ao aparecer a Pedro (já ressurreto) acerca da covardia dele, quando da sua morte.
      Então Jesus quando mostra na cruz, o AMOR MAIOR que é dar a vida pelos outros, inevitavelmente também vemos o contraste disso com a maldade maior, a crueldade maior. E isso é experiência humana cotidiana. Quando entramos em contato com uma pessoa cheia de bondade, de gestos generosos, ainda que tocados e edificados, sentimos todo o peso do nosso comodismo egoísta, da nossa indignidade. E até vergonha. E se sentimos a bondade daquela pessoa como apelo à nossa mudança radical, aí o bicho pega de vez. É como se um cimento poderoso nos pregasse no chão. Mas se somos abertos, se o egoísmo ainda não nos cegou de todo, sobretudo se somos muito HONESTOS COM O NOSSO CORAÇÃO, com certeza vamos atrás do incomodo que aquela pessoa deixou dentro de nós, queremos saber o caminho que nos leva aquela bondade. Mas ocorre que há muitas pessoas que não cultivam essa sinceridade com o próprio coração e assim aquele apelo à bondade, se torna algo incômodo, como se diz “um pé no saco”. E às vezes se torna não só incomodo, mas até odioso, a ponto de se querer elimina-lo! “PARA DE FALAR NA MINHA CONSCIENCIA SEU GRILO FALANTE!” Mal comparando, o sofrimento de Jesus ocorre nesse contexto, só que em proporção gigantesca. Assim podemos entender a profecia do velho Simeão no templo, quando Jesus era um bebê ainda: “ESSE MENINO SERÁ SINAL DE CONTRADIÇÃO, PARA A QUEDA DE UNS E ERGUIMENTO DE OUTROS (…). E ASSIM SE REVELARÃO OS SEGREDOS DE MUITOS CORAÇÕES…”. O que se acha oculto em nosso coração se revela na presença da bondade: ou nossa sinceridade conosco mesmos que nos leva a assumir que somos mesmo tão maus e querer descobrir o caminho que nos livra disso, ou o incomodo que a presença do BEM nos causa e até a repugnância e o ódio, por vezes ao ponto de querer eliminar a bondade, a pessoa bondosa que pelo seu simples existir me mostra o quanto eu preciso me converter. Novamente me lembro do grande protestante C.S.LEWIS em suas Crônicas de Narnia. Já leram o livro ou viram o filme pois não? Lembram-se do contraste tremendo entre a expressão dos irmãos Penvensie (Lucia, Suzana e Pedro) e a cara de culpa e ira do Edmundo, diante do anuncio da proximidade do leao Aslan, que na imaginação rica do escritor , simboliza o Leao de Juda: JESUS? Pois aquilo ajuda a entender o que digo aqui.
      Desejo que nessa semana santa, o desejo mais íntimo do coração de todos os autores e leitores desse santo blog (a começar de mim) se revele diante de JESUS CRUCIFICADO e que seja expresso na prece: CURA MEU CORAÇÃO EGOISTA E PECADOR SENHOR, QUE SUA SALVAÇÃO ACONTEÇA SEMPRE MAIS EM MIM!

      • Belissimo minha cara! Sabe Leilah seu encontro pessoal com esse Deus tão maravilhoso, puxa e puxará sempre mais coraçoes para uma conversão sempre sincera. Samuel, a loucura da Cruz tem um nome: amor. E nao o amor de posse, de coisificaçao, de autoridade, mas de amor real, pessoal, infinito, incondicional. Não é possivel entender a justiça divina com olhos humanos, mas ao tentar fazê-lo vemos que outro método talvez não justo o suficiente para destruir o pecado. So esse amor que não tem fim poderia fazer isso. Uma santa Semana Santa para todos! Pax et ignis!

        • Leilah

          Então você é isso mesmo que li acima? Um adolescente ainda? E já tão de Deus? Que beleza Cadu! Tenho acompanhado seus comentários e vejo passa uns bons pedaços na escola, com os professores metidos à ateu, né? Isso me faz lembrar um grande apóstolo da juventude chamado Luigi Giussani. Ele resolveu enfrentar o desafio do Ensino Religioso numa escola secundária em Milão. Uma escola “infestada” de ateísmo militante, devorador. E numa das primeiras aulas, Giussani escreveu no quadro as palavras chaves de sua palestra: FÉ e RAZÃO. Um estudante com a cabeça já “feita” pelo professor de filosofia da turma, atacou: “é inutil o senhor vir tecer raciocínios sobre a fé, pois Fé e Razão nada tem a ver uma com a outra.” O experiente Giussani perguntou: “Filho o que é RAZÃO para você?” Silêncio dele e da turma a quem Gius dirigiu a pergunta também. Depois: “E o que é a FÉ, para voce?” Novamente o silencio constrangedor. Então ele disse: “MAS COMO VOCE REPETE FEITO PAPAGAIO AS COISAS QUE OS OUTROS LHE DIZEM?! COMO VOCE OUSA DEFINIR QUE UMA COISA NADA TEM HAVER COM OUTRA COISA, SE VOCE MESMO ADMITE QUE IGNORA O CONCEITO DE AMBAS!!” Coincidentemente, na saída da classe Giussani topa com o professor que havia “feito” a cabeça da turma e lhe diz logo: “PROFESSOR, SE EU LHE DIGO QUE EXISTE A AMÉRICA ONDE JAMAIS ESTIVE , ESTOU SENDO RACIONAL? SE LHE DIGO QUE ESTOU CERTO DE SER AMADO POR MINHA MÃE, ISSO É RACIONAL?” E o professor após certa vacilação disse:”NÃO, NÃO é RACIONAL.” Ao que Giussani respondeu: “MOÇADA, EIS AQUI UM EXEMPLO VIVO DO QUE QUIS DEMONSTRAR: NÃO EXISTE SÓ A RAZÃO HUMANA, EXISTEM TAMBÉM CONCEITOS DIVERSOS QUE OS HOMENS TEM ACERCA DA RAZÃO. E VEJAM BEM A DIFERENÇA BRUTAL ENTRE O CONCEITO DE RAZÃO E DE RACIONAL QUE ESTE HOMEM TEM E O CONCEITO QUE VOS PROPONHO. Para este professor,”razão” é aquilo que é comprovável mediante a estreiteza de uma fórmula química, de uma equação matemática, de uma verificação a olho nu. Para o meu conceito do que seja RACIONAL ( e alargou muito os braços ao dizer isso) a razão abarca muito mais coisas que estão além da estreiteza dessas provas, o amor de minha mãe por ex, não cabe numa verificação de tipo cientifica e no entanto é racional que eu afirme o amor dela por mim. Decidam voces próprios qual conceito de RAZÃO HUMANA abrange mais a realidade, e qual aquele que tem que ALEIJAE, CORTAR a realidade para que ela por fim, caiba na estreiteza do coração fechado!”
          Continue assim caro Cadu a ter este coração aberto para a totalidade do REAL, onde DEUS entra e se comunica conosco.
          Abraços.

    • Leilah

      Oi Samuel,
      Eu diria “cuja CURA única, Deus quis que fosse sua encarnação e morte na cruz por nós!” Poderia ter ele querido e escolhido outra coisa, como voce diz? Sendo onipotente como é? ELE PODE FAZER O QUE ELE BEM QUER. Mas reflita comigo:
      Imagine que você seja apaixonado por uma garota, que nunca lhe dá bola. Claro que isso lhe faz sofrer. Principalmente se ela fizer algo para lhe magoar, quando sente que seu amor torna-se algo incomodo e repugnante à ela. Agora imagine se você pudesse numa hipótese digamos surreal, programá-la de alguma forma para gostar de você… Sei lá, por hipnose por exemplo. No fundo ficaria em você ou um complexo de inferioridade, ou uma dúvida tremenda: “mas essa mulher gosta mesmo de mim ou não”?
      É um exemplo tremendamente irreal e artificial. Mas por isso mesmo, serve um pouco para mostrar o absurdo que seria um AMOR que não fosse fruto da livre escolha. De modo que sua pergunta quanto ao motivo que leva Cristo a sofrer e morrer por amor de nós, necessariamente remete não só à cruz, mas ao próprio mistério da nossa criação como pessoas livres. É da natureza do AMOR ser livre e espontâneo e isso implica no risco da rejeição (por vezes, rejeição violenta) do amor que queremos dar ao outro.
      Você tem razão: Deus podia ter escolhido sim de não correr esse risco de aguentar a decepção da nossa rejeição. Mas escolheu nos amar, escolheu correr o risco de uma rejeição violenta a ponto de fazê-lo padecer na cruz. No fundo a questão é a de sempre: porque Ele escolheu de nos criar livres com todos os riscos que a liberdade implica? Porque existe a liberdade? Não seria mais fácil que não houvesse a liberdade? Porque Deus correu o risco da aventura da criação da pessoa humana. E aqui entramos numa dimensão misteriosa mesmo da vida, não só para os ateus e descrentes, mas para nós todos os seres humanos. De modo que a ignorância não é só sua, mas é de todos nós. Somos todos ignorantes do mistério profundo da liberdade humana. Ficamos todos estupefatos diante de um crime horrendo e nos perguntamos “mas porque Deus permitiu que essa criança inocente sofresse?” Percebe? O pecado e suas trágicas consequências (e a morte do Senhor na cruz é uma delas, a pior) é opção da liberdade humana e a única alternativa (surreal e artificial) seria a opção da “escolha” não livre pelo bem e pelo amor. “Necessário que o Senhor venha morrer na cruz” não é. Ou seja: não é necessário que ele corra o risco da nossa violenta rejeição. Não é necessário que Ele nos ame. Ele podia muito bem nos deixar entregues aos nossos erros e suas consequências. Mas não quis fazê-lo, insistiu e insiste em nos amar.
      “E porque ainda existe pecado” se ele nos remiu se perdoou e apagou nossos pecados? Só que isso não é automático, ele tira o pecado daqueles que se abrem a isso. A SALVAÇÃO acontece para quem aceita a salvação. E de fato Ele tirou os pecados de milhões de pessoas. O fenômeno da santidade tornou-se muito comum na história do mundo após a vinda do CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO. De modo que a realidade do mal e do pecado, não está de forma alguma como esteve desde sempre. Há desde 2 mil anos atrás até agora, uma REALIDADE TOTALMENTE NOVA NO MUNDO. O Cordeiro efetivamente tem tirado o pecado do mundo, para aqueles que o aceitam e se abrem ao poder da sua SALVAÇÃO e se ainda vemos o mal acontecer, isso se deve aqueles (cristãos ou não) que ainda não se abriram à essa salvação, não deixam ela acontecer em suas vidas. Se você é cristão, e não pode afirmar com certeza que o CORDEIRO de DEUS tem tirado os seus pecados à cada dia que passa, então você sequer cruzou a porta de entrada que nos introduz no CAMINHO da Salvação. A salvação não é uma mágica: ABACADABRA E ALELUIA, A PARTIR DE AGORA NÃO EXISTE MAIS PECADO! Mas abriu-se uma possibilidade (a de sermos salvos, a de entrarmos numa existência diferente que não aquela onde o pecado predomine) que antes não existia. E essa possibilidade já deixou de ser só possibilidade na vida de todos aqueles que já se abriram à graça da SALVAÇÃO. De modo que o CORDEIRO de DEUS que TIRA o PECADO do MUNDO, é um fato, um acontecimento, uma realidade que existe sim no mundo. Já é SALVAÇÃO na vida de muita gente, já tem ocorrido desde dois mil anos atrás até agora. Assim, eu lhe faço uma sugestão, pedido e apelo: não se pergunte tanto porque Deus o ama a ponto de morrer na cruz por você. Aceite este amor e deixe que este amor, transforme sua vida, não deixe que a oração que você faz antes de cada comunhão CORDEIRO DE DEUS QUE TIRAIS O PECADO DO MUNDO TENDE PIEDADE DE MIM seja feita em vão. Que ele de fato vá tirando do seu coração tudo aquilo que o impede de usar sua liberdade para amar, que você o deixe ir convertendo/limpando as áreas da sua vida que ainda estão sujas. A morte do Cordeiro que tira o nosso pecado, poderá não ter sido em vão na minha vida e na sua vida, só depende de nós. Ela não tem sido em vão na vida de muitos. Na vida de Pedro e Paulo, Agostinho de Hipona e Mônica, Luzia de Siracusa, Perpétua e Felicidade, Inês e Cecília, Francisco de Assis e Tomás de Aquino, Padre Pio e Madre Teresa, João Paulo II e Bento 16, etc.etc.etc. Façamos parte desse corpo, desse pedaço de carne nova e sã que foi enxertada na carne apodrecida do mundo. E que esse enxerto da carne sadia possa ir avançando pelo corpo apodrecido do mundo do qual ainda fazemos parte e por isso clamamos ainda: CORDEIRO…PIEDADE DE NÓS! Piedade de nós que ainda estamos sujos em muita coisa, piedade de nós que ainda não cremos o bastante no seu amor, na sua força, na sua amizade que pelos sacramentos, quer se fazer próxima de nós e nos salvar, nos limpar, tirar nosso pecado. Antigos manuais de catecismo traziam um desenho bonito, mostrando Jesus Crucificado com seu coração aberto pela lança do soldado e desse coração jorrava um rio que se subdividia em 7 rios: os sete sacramentos da nossa salvação. Esse é o rio que brota do coração do cordeiro e chega até nós pelo Mistério e Ministério da Igreja. Então o que ocorre não é apenas que o Cordeiro tirou os pecados do mundo, ELE está tirando nesse exato momento! Nesse exato momento, tem gente em vários lugares do mundo (temos vários fuso-horários simultâneos, pois não?) sendo batizada, se confessando, participando da Eucaristia, batizando, deixando o cordeiro ir lavando, ir lavando, ir tirando o pecado do mundo. É assim que acontece a SALVAÇÃO, é assim que se realiza o AMOR daquele que nos amou primeiro, na liberdade da nossa escolha, na proporção da nossa abertura a este amor que salva, cura, liberta e santifica. Mas se você não se abre, se você rejeita este amor, a resposta à pergunta “MAS PORQUE ELE TEVE (E TEM) QUE SOFRER TANTO?” caberá somente a você, dar. Que eu e você, não façamos Jesus sofrer com a violência da nossa rejeição.

      • Samuel e Leilah,

        Amado, tudo o que, com nossa tâo simples mentalidade humana tentamos mostrar pra vocé, é o fato de que nós fomos salvos pela Graça de Deus. Ele nos amou primeiro e já morreu por nós. O motivo? Porque nos ama! Porque? Pra nos livrar da culpa eterna intdoduzida no mundo por Adão e Eva que deram ouvidos a si mesmos e a serpente, se separando de Deus.

        É muito importante porém não cairmos no pelagianismo (heresia que dizia que o homem é tão livre que não precisa da graça) nem no jansenísamo (heresia de Calvino que dizia que Deus fez escolhidos e não escolhidos, sendo que o homem nada pode fazer pra ser salvo). Nós somos sim escolhidos amado e precisamos abraçar a Cruz que remiu o mundo e a nossa cruz diária pra completar a nossa Fé nas obras. É preciso amar pra viver esse amor apaixonante e apaixonado da Trindade por nós. Estamos juntos nessa!

        • Leilah

          Andou vendo a última aula do Padre Paulo Ricardo, hein? Que beleza, eu também vi essa explicação tão boa que ele deu e gostei demais. Me fez lembrar Santo Inácio com sua espiritualidade prática: TRABALHAR COMO SE TUDO DEPENDESSE DE NÓS (a parte humana, a atuação da parte de liberdade que ainda nos resta e que não foi totalmente detonada pelo pecado original) E REZAR SABENDO TUDO DEPENDE DE DEUS (a iniciativa divina de nos chamar e nos sustentar no caminho da salvação).

  • Post Maravilhoso!!! parabéns.

  • Jean

    Quando vejo as publicações desse site e os comentários aqui feito, vejo quão pequeno e sem instrução eu sou da minha própria fé. Que Deus abençoe a vida de vocês e continue a lhes inspirar tamanho amor e conhecimento, a pouco mais de um ano entrei para o movimento da Equipes Jovens de Nossa Senhora e eles estão me ajudando a estudar e entender melhor a nossa fé. Sou fã do site, pena não conseguir tanta tempo para desfruta-lo melhor. Abraços

    • Gêneto eugenio

      Jean, sinto o mesmo…O que me alegra é o querer(eu quero)saciar minhas dúvidas e me esforçar na certeza que estou na barca da Igreja rumo ao céu.
      OBRIGADO BLOG O Catequista.

  • Cordeiro de Deus”
    o senhor é o cordeiro e sempre sera.
    Desde o início da criação, Deus já havia avisado ao homem e a mulher que o pecado e a desobediência os levariam a morte. (genêsis 3:3). ( tiago 1:15). Mesmo assim o homem pecou inúmeras vezes merecendo portanto a morte. (genêsis 6:12-13). E vendo Deus que todos continuariam pecando e assim seria extinta toda humanidade (genêsis 8:21), permitiu então que um cordeiro sem defeito, puro e inocente fosse morto no lugar do pecador (números 6:14).

    Sendo assim, a imagem do cordeiro aparece no A.T., no centro da religiao judaica. No livro do Exodo, aparece o cordeiro na instituiçao da Páscoa judaica. Esse animal deveria ser comido pela família e o seu sangue deveria marcar as portas das casas dos israelitas. Quando o anjo do Senhor passasse para exterminar os primogênitos do Egito (última praga do Egito), o sangue serviria de marca para os filhos de Israel e o anjo nao exterminaria os primogênitos do povo de Israel. Mais tarde, quando Moisés recebeu a Lei de Deus, a leu para o povo, que a aceitou. Ele entao aspergiu o sangue de um cordeiro sobre o povo dizendo: “esse é o sangue da Aliança entre Deus e o seu povo.”

    No A.T. o sangue do cordeiro sela a Aliança entre Deus e o povo. O sangue do cordeiro livrou os israelitas da morte e os livrou da escravidao do Egito.

    Mais tarde, em Isaías 53 aparece um personagem novo no mundo bíblico. O profeta anuncia que viria um homem, que sofreria como um cordeiro, sem abrir a boca. Ele seria levado a morte e por seu sangue nossos pecados seriam perdoados. É a profecia do “Servo do Senhor”. Diz lá:

    “Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele. Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.)”

    No Novo Testamento, Jesus é identificado como esse “Cordeiro de Deus”, que nos perdoa por seu sangue, nos dá a paz; que carregou sobre si as nossas dores pela sua cruz, foi morto mas está vivo, ressuscitado.

    Joao Batista foi que chamou a Jesus de cordeiro de Deus, ainda em vida. Lemos:

    “No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos. E, avistando Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras? Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.” (João 1:35-39)

    No Livro do Apocalipse a visão de Joao do Cordeiro Imolado (Cristo) que tem o poder de julgar a vivos e mortos:

    “Eu vi no meio do trono, dos quatro Animais e no meio dos Anciãos um Cordeiro de pé, como que imolado. Tinha ele sete chifres e sete olhos (que são os sete Espíritos de Deus, enviados por toda a terra). Veio e recebeu o livro da mão direita do que se assentava no trono. Quando recebeu o livro, os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos). Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra.”(Ap 5, 6-10)

    Portanto, o Cordeiro é uma imagem de Cristo. Simboliza a sua missao. Ele veio para nos salvar da morte e dos nossos pecados. Ele nos salvou pela sua paixao e morte na Cruz e por sua ressurreiçao.

    Jesus diz:
    ” Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos”.
    (Marcos 14:23-24)

  • Guilherme

    Que maravilha esse post e o comentário da Leilah.
    Fico profundamente angustiado cada vez que ouço essa mensagem maravilhosa de redenção sento trocado por um discurso meramente Social/Político/Moral.

  • Augusto Paiva

    Jesus fala do seu corpo e do seu sangue que será entregue para a remissão dos pecados e salvação daqueles que crêem. Ele oferece os seus braços, as suas pernas e todo o seu corpo chagado. Ele diz: ”Isto é o meu corpo, que será entregue por vós”. Jesus Cristo é o Cordeiro Pascal sem defeito: Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado (1 Cor 5,7). Exatamente como em Êxodo 12.

    ☩ ☩ ☩

    Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! (Is 1,18). Ver também Isaías 53. Eis os cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29). Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue (At 20,28).

    Mas estes venceram-no por causa do sangue do cordeiro e de seu eloqüente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte (Ap 12,11). Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor de vós (1 Pe 1,18-20); que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniqüidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem (Tt 2,14).

    Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço do teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra (Ap 5,9-10). E são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo. Deus o destinou para ser, pelo preço do teu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores (Rm 3,24-25); [Ele] que se entregou como resgate por todos. Tal é o fato, atestado em seu tempo (1 Tm 2,6).

    Nesse Filho, pelo preço do teu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça (Ef 1,7). Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, PROFANAR O SANGUE DA ALIANÇA, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, autor da graça! (Hb 10,29), [porque] Aquele que O come e O bebe sem distinguir o corpo do Senhor, COME E BEBE PARA A SUA PRÓPRIA CONDENAÇÃO. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos (1 Cor 11,29-30).

    Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados. Porque éreis como ovelhas desgarradas, mas agora retornastes ao Pastor e guarda das vossas almas (1 Pe 2,24-25). Pois a minha carne é VERDADEIRAMENTE uma comida e o meu sangue, VERDADEIRAMENTE uma bebida (Jo 6,55).

    Meu Jesus, perdão e misericórdia pelos méritos das Vossas Santas Chagas.

    • Augusto Paiva

      ”Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?” (Hebreus 9,13-14)

      ”Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”(1 João 1,7)

      ”(…) Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, Glória e Poder pelos séculos dos séculos! Amém.” (Apocalipse 1,5-6)

      ☩ ☩ ☩

      Ave verum corpus, natum
      de Maria Virgine,
      vere passum, immolatum
      in cruce pro homine.
      Cuius latus perforatum
      fluxit aqua et sanguine:
      esto nobis praegustatum
      in mortis examine.

      O Iesu dulcis, O Iesu pie,
      O Iesu, fili Mariae.
      Miserere mei. Amen.

  • Muito bom o artigo. Estou acompanhando as discussões que também são muito boas coerentes e mostram um profundo entendimento. Uma coisa a se levar em consideração quando analisamos o AT enquanto cristãos temos apenas parte da verdade rabínica, um judeu seguidor da Torá (nosso Pentateuco) e demais livros da Bíblia Judaica, tem por trás respaldos como o Talmude e outras fontes judaicas que explicam e explicitam melhor a prática do sacrifício. A Talmude é considerada a Tora oral, que foi posteriormente transformada em texto, assim desde muitos anos este pensamento de imolar ou sacrificar animais não é mais comum, até porque só era feito no templo (e não em sinagogas).

    Há um profundo conhecimento nos escritos talmudicos e judaicos que nos ajuda a compreender melhor o AT (ou Bíblia Judaica). Evidentemente nosso foco deve ser o NT conhecer as raízes e o(s) Deus(es) do Antigo testamento.

    É uma temática absurdamente incrível de ser estudada, e nos trás de volta ao período onde nosso salvador viveu e o que era praticado. Hoje judeus menos ortodoxos já são mais abertos inclusive à profecia messiânica de Jesus.
    Obrigado por terem tratado um tema tão importante e tao pouco discutido.

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>