Catecine – Santo Agostinho (1974)

E aí meu povo.

Vamos falar um pouco de uma das maiores obras cinematográficas do catolicismo: o filme sobre Santo Agostinho realizado por Roberto Rossellini, em 1974. Mas antes, vamos falar um pouco sobre o diretor dessa obra fantástica.

santo_agostinho_rossellini

Rossellini, logo após o término da Segunda Grande Guerra, foi responsável por um marco do cinema, o filme “Roma: Cidade Aberta” (Prêmio de Melhor Filme do Festival de Cinema de Cannes de 1945), co-dirigido com Federico Fellini.  “Santo Agostinho” é um trabalho da maturidade desse diretor (que faleceu em 1977) e conta um pouco da vida do grande santo, patrimônio da humanidade, um dos grandes nomes do cristianismo e uma das maiores mentes com que Deus agraciou o mundo.

Neste filme, não veremos toda a vida de Santo Agostinho, pois o foco está em fase específica de sua vida e obra: o momento em que ele se torna bispo de Hipona. Uma raridade, esse filme apresenta razoável rigor histórico e realismo, favorecendo imensamente a uma melhor compreensão das grandes questões culturais e religiosas daquele Império Romano decadente, quando os bárbaros investem contra Roma, que se encontra a beira do colapso.

agostinho_de_hiponaÉ maravilhoso ver o combate do santo com os donatistas, em sua peculiar oratória e sermões, seu serviço pastoral intenso, mas principalmente ver algumas de suas ideias muito vivas, com expressões de seus principais livros, como ConfissõesCidade de Deus. A cena final – construída sobre  aquela que é considera sua maior obra, “A Cidade de Deus” – é uma ode de amor ao cristianismo e à Santa Madre Igreja.

Esse filme é fabuloso para trazer ao público uma imagem menos hermética de um dos grandes pais da Igreja, e mostra bem a dimensão do homem e teólogo Agostinho. O ator que interpreta Santo Agostinho é mulato, bem diverso da iconografia tradicional medieval, que o deixa mais próximo do padrão Europeu (não devemos esquecer que Hipona é na Tunísia e os habitantes da África do Norte geralmente tem pele escura). Um indivíduo mais rigoroso no que tange à história da teologia e, principalmente, os biógrafos do santo irão perceber alguns anacronismos históricos, inclusive na terminologia religiosa e teológica.

Santo Agostinho é considerado um dos melhores trabalhos de Rossellini e uma oportunidade de se conhecer um pouco mais sobre a vida e obra de um dos Pais da Igreja.

Ao mar homens! Soltem a bujarrona e corram para as locadoras. Santo Agostinho merece.

8 comments to Catecine – Santo Agostinho (1974)

  • Mais uma dica fantastica Paulo. O Doctor Gratie é sem dúvida um dos maiores pais da Igreja. Santo Agostinho rogai por nós!

  • Carlos Santana

    Caro Paulo, existe uma versão mais recente de Santo Agostinho (Agostine, se não me engano) que achei muito melhor. Um dos melhores filmes que já assisti. Boa produção, e com uma outra parte da história desse que é um dos maiores fesouros da Nossa Igreja. Meu santo predileto.
    Vale a pena conferir.

    • Paulo Ricardo "O Historiador"

      Caro Carlos,

      Eu conheço o Filme ao qual você se refere. Ainda falaremos dele aqui. A questão com esse filme é que, falando do cinema como linguagem ele é um filminho muito mais pobre do que a obra de Rosselini. Como foi produzido a pouco tempo, sua linguagem visual é própria desses tempos. Ademais, historicamente, o filme é todo errado. Não sou biógrafo do grande santo nem um especialista profundo de sua filosofia, mas sei o suficiente para dizer que um estudioso da vida e da obra de Santo Agostinho tem arrepios, muito embora o filme mais recente seja belíssimo, quando depara-se com o roteiro de “Agostinho: A Queda do Império Romano” (esse é o nome que você via encontrar para o filme nas locadoras).
      Só para que ninguém depois venha querendo ficar “horrorizado com minha ignorância e falta de conhecimento histórico”, quando eu digo que o filme é historicamante todo errado significa que ele não é rigoroso com a biografia e com a cronologia, muitos dos fatos ali narrados fazem realmente parte da vida de Santo Agostinho, mas muita “licença poética” foi igualmente usada.
      É isso aí, fique com Deus.

  • Jéssica

    Excelente dica! 🙂 Queria fazer um pedido… Já ouviram falar do documentário “O Túmulo Secreto de Jesus”? Se vocês pudessem, gostaria que fizessem um post com informações sobre esse túmulo, que dizem os historiadores, ser de Jesus, e da “família” dele com Maria Madalena. Absurdo, I know it. Mas eu queria me informar mais… Se vocês puderem. Agradeço! Fiquem com Deus!

    • Paulo Ricardo "O Historiador"

      Jéssica,
      A princípio o Catecine não trata de documentários, mas quem sabe no futuro a gente não cria o “Catementário”? De qualquer forma obrigado pela sugestão.
      A Paz de Cristo esteja contigo.

  • Eduardo Araújo

    Caríssimos Jéssica e Paulo,

    Penso diferente com relação a esse documentário, que prefiro até chamar de porcumentário.

    Não sei se seria o caso de comentar em específico aqui essas produções que buscam, claramente, destruir o Cristianismo, tentando corroer as raizes históricas da nossa religião com pressupostos materialistas (tudo teria uma explicação científica, segundo os “especialistas” do Discovery e do NatGeo). Por um lado, seria bom no sentido de desmascarar a farsa pseudo científica dessas peças – caso, em especial, desse porcumentário sobre a tumba de Talpiot. Por outro, não combinaria com a linha da série CATE (Catecine, Catelivros, Catemúsica), que aborda produções verdadeiramente boas para o cristão. O que vocês acham?

    Será que não seria mais proveitoso, ao invés da dar ênfase a uma determinada peça antirreligiosa, fazer artigos sobre as “teses” estupendas que os seus autores acham que estão lançando? Exemplo: ao invés de um artigo específico sobre o porcumentário do Discovery, poderia ser um abordando o que os arqueólogos falam a respeito das alegações da “tumba de Jesus” (diga-se, aliás, na época todos os que li foram vigorosamente contra essas alegações).

  • Sávio Breno

    Que o Santo Doutor de Hipona devia ter uma aparência assim meio bérbere, isso é certeza. Mas e esse cabelo black power hein? kkkkkkkkkkkkk Brincadeira. Já assisti o filme e é de fato muito bom.

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