Meu passado me condena

Quase todas as pessoas carregam consigo lembranças que preferem esquecer. E, eventualmente, algumas destas lembranças podem despertar o sentimento de culpa e vergonha. Esta “dor moral” tem o seu lado bom: serve pra que tenhamos um verdadeiro arrependimento de nossos erros e para que desejemos nunca mais tornar a cometê-los. Só as pessoas desonestas, cínicas, degeneradas ou psicopatas não sentem remorsos pelo mal que fizeram.

Por outro lado, a culpa e a vergonha são maléficas se persistem em atormentar a pessoa mesmo após a Confissão, pois levam à tentação do desespero; partem da falta de confiança na misericórdia divina, da falta de fé no poder de Deus de abençoar e restaurar todas as coisas.

Assim aconteceu com Santo Inácio de Loyola, nos primeiros tempos após a sua conversão: apesar de feito uma confissão meticulosa de seus pecados, alimentava grandes escrúpulos e sofria muito ao pensar em sua vida passada. Apaixonado pelo Cristo, mas ainda imaturo no caminho da fé, chegou até mesmo a pensar em suicidar-se. O santo livrou-se destes pensamentos nefastos graças à sua fidelidade e à oração fervorosa:

“Socorre-me, Senhor! Pois não acho nenhum remédio nos homens, nem em criatura alguma!’ Estando nestes pensamentos, vinham-lhe muitas vezes tentações, com grande ímpeto, para lançar-se de um buraco grande (…), junto do lugar onde fazia a oração. Mas sabendo que era pecado matar-se, voltava a gritar: ‘Senhor, não farei nada que te ofenda!” (1)

Um cristão sincero que tenha se purificado por meio de uma boa Confissão não tem mais motivos para ficar arrastando correntes, como se fosse uma alma penada. É um homem novo, que pode desfrutar com alegria da amizade com Deus.

Portanto, se algum dia você dançou ao som do É o Tchan (ah, ordinário(a)!), cortou o cabelo igual ao do Xororó na década de 90 ou bebeu demais e deu uma de “Ronaldo comprando Kinder Ovo”, FORGET IT! O que passou, passou! Reflita, confesse-se com um sacerdote, penitencie-se, aceite com paciência as penas que o Senhor lhe enviar e siga em frente, com o coração livre.

“Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério desta reconciliação. “Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação.” (II Cor 5, 17-19)

As pessoas mal resolvidas com os erros de seu passado, em geral, sentem-se incapazes de percorrer o caminho da santidade, e justificam sua “eterna” apatia e mediocridade espiritual com uma pseudo-humildade: “ah, eu não sou capaz, já fiz isso e aquilo na vida”. Isso não é humildade, isso é medo de se entregar de vez nas mãos do Senhor e deixar que Ele seja o Senhor da sua vida; é desconhecer ou desconfiar das promessas que Ele fez aos Seus filhos:

“Assim diz o Senhor Javé: Eu vou reunir-vos do meio dos povos, vou juntar-vos de todos os países para os quais fostes levados, e dar-vos-ei depois a Terra de Israel. Logo que lá chegardes eliminareis dela todos os ídolos e abominações. “Dar-lhes-ei um coração íntegro, e colocarei no íntimo deles um espírito novo. Tirar-lhes-ei do peito o coração de pedra e dar-lhes-ei um coração de carne. Tudo isto para que sigam os meus estatutos e ponham em prática as minhas normas. Então eles serão o meu povo, e Eu serei o seu Deus.” (Ez 11,17-20)

Portanto, se fez merda, dá descarga e manda a bosta embora. Desapega! Não fica lá parado, contemplando a cagada, remexendo, revirando… Eca!

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Nota: (1) Autobiografia de Inácio de Loyola (tradução e notas Pe. Armando Cardoso, SJ), Edições Loyola, 1991. pp. 36-37

31 comments to Meu passado me condena

  • Douglas Olivera

    Muito bom! “Eis que tudo se faz novo”…não há santo sem passado, nem pecador sem futuro…

  • Como é bom ter certeza que Deus apaga nossas ofensas, as destrói como se não existissem, e nos reconcilia com Ele! O Sacramento do Perdão é o remédio da alma, quem dele não vive, é cego e efermo de alma!

  • Helena dos Anjos

    À equipe do Catequista, muitos parabéns. Vocês mais uma vez demonstram com clareza qual é o Espírito do qual estão imbuídos.
    Excelente trabalho na formação espiritual dos verdadeiros filhos da Igreja.

    coragem! permaneçam firmes neste sagrado ideal!

  • Leilah

    Acredito também amigos, que muitas vezes o complexo de culpa por pecados já perdoados, pode vir de certa paralisia espiritual da nossa parte. Temos que ver a vida espiritual como um processo de ir pecando cada vez menos, de nos ir revestindo cada vez mais do homem/mulher novos. É bom levar a sério a advertencia do Senhor quando nos alerta de que “se um espírito mau” sai de alguém, mas depois volta e encontra a “casa” vazia, “volta com 7 espíritos piores e a situação dessa pessoa se torna muito pior que antes”. Ou seja, não basta limpar o coração do pecado, na confissão, é preciso preencher esse coração com algo mil vezes melhor do que a sujeira que saiu, é preciso entrar decididamente numa caminhada progressiva de identificação com Jesus Cristo, buscar crescer como diz Paulo, rumo à estatura de Cristo! Pois muitas vezes, a culpa é uma estratégia do inimigo para nos paralisar. Invejoso da obra de misericórdia, perdão e justificação que o Senhor tem feito em nós ele nos persuade à lei do menor esforço e da acomodação. Por isso devemos cultivar o desejo da santidade e fazer disso uma AGENDA, um programa de vida diário, sempre revisto e retomado, mesmo que nossa fragilidade nos faça cair muitas vezes. É preciso nos projetar para a frente, para diante, positivamente, deixando Jesus Cristo e seu Espírito (santificador) ir convertendo aquelas áreas da nossa personalidade, da nossa vida, que ainda não estão sob seu reinado e senhorio e assim, fazermos a bela experiência do CÊNTUPLO já nessa vida que o Senhor nos assegura no Evangelho.

    • Leilah

      E sabe que voces, falando em Santo Inácio de Loyola, me fizeram lembrar de como ele fazia do ideal da santidade, algo sistematicamente revisto e planejado, diariamente? Ele era extremamente prático nesse sentido. Logo ao acordar de manhã, ele fazia o propósito de viver segundo o EVANGELHO o melhor possível naquele dia e antes de dormir, ele fazia anotações (tracinhos e pontinhos, para as virtudes praticadas e também para as infidelidades). Profundo observador de si (era psicólogo de si mesmo) ele ia com o tempo, percebendo como os sinais marcados iam aumentando ou diminuindo com o tempo. Percebia nesse registro diário, quais eram seus pontos fracos, onde precisa investir mais energia para vencer seus defeitos. E sobretudo era consciente de que seu esforço pessoal não era mérito algum, mas abertura à uma graça poderosa atuante em seu coração, pois sempre dizia: TRABALHAR COMO SE TUDO DEPENDESSE DE MIM, MAS REZAR SABENDO QUE NA VERDADE TUDO DEPENDE DE DEUS. Assim ele exercitava uma contínua abertura do coraçao ao poder transformador da graça de Cristo. Isso era algo retomado à cada manhã, houvesse entusiasmo ou não. Quando batia o desânimo, a aridez de alma, ainda assim ele firmemente prosseguia na direção escolhida e tornou-se um dos mestres cristãos que mais nos ajudaram a entender o processo da auto-disciplina espiritual, que não é heróismo no sentido de mérito total do cristão, mas abertura do coração (a parte que nos cabe) ao poder da graça divina, fazer o corpo obedecer ao coração cativado pela amizade do Senhor. É como alguém que tanto deseja uma casa nova, que até de madrugada trabalha em sua construção sem medir esforço ou suor, ou como nos diz o Senhor: como alguém que encontra uma pérola preciosa num certo campo, vende tudo o que possui para comprar o campo onde está a pérola preciosa. Movidos pelo AMOR QUE NOS AMOU PRIMEIRO, somos capazes de ir muito longe na radicalidade do amor.

    • Leilah minha cara belíssima reflexão. So uma coisa amada: quando decidimos passar o oleo de peroba na nossa cara-de-pau e de fato lutar com todas as forças contra o pecado que nos escravisa (o que deveríamos fazer com todos os pecados sejam eles veniais ou mortais, a todo instante) é muito importante desejar e de fato decidir o coração e buscar largar o pecado de uma vez.

      Estudos nos dizem que é muito mais fácil um dependente químico se curar se larga de vez o vício, do que ir dizendo “largo um pouquinho de cada vez.” Compreendi o que você quis dizer no sentido que seria como fazer uma leitura todos os dias mas precisava chamar a atenção para isso. Abraço! Pax et ignis semper!

      • Leilah

        De acordo plenamente, Caro Cadu. É preciso uma escolha decidida e firme pelo TESOURO mais precioso, sem medir esforço e suor todos os dias para sermos fiéis à escolha radical feita de vez, sem olhar para trás. Eu acentuei mais o trabalho duro, cotidiano, para manter a decisão tomada. E você, com toda razão, acentuou a importância dessa decisão radical e clara, sem sequer olhar para trás. A decisão por Cristo e a rejeição radical e inequívoca do pecado, a opção pela santidade é sem dúvida algo que tem que entrar no coração sem qualquer negociação ambígua com o inimigo, com o mundo e com nossas tendências ao mal. (como dizia a catequese clássica: A carne, o demônio e o mundo; nossos maiores inimigos). Enfatizei, contudo, que essa escolha radical pelo CAMINHO do Senhor (ou melhor, pelo caminho que é O SENHOR!) tem que ser retomada diariamente. O gradual e processual aqui, não pode ser jamais (e nisso concordo plenamente consigo) no sentido de adiar, nem no sentido quantitativo de vencer aos pouquinhos. De forma alguma! A escolha de cada dia é clara: SEREI UM CRISTÃO PLENO DURANTE TODO ESSE DIA, FAREI TODO O MEU ESFORÇO PELA PÉROLA MAIS PRECIOSA. Agora imagine você e eu, fazendo e vivendo essa escolha todos os dias, a cada manhã! No final de nossas vidas, ao olharmos para trás, veremos gratos e livres, quantas maravilhas Jesus Cristo realizou em nós. Nesse sentido, vejo certa sabedoria nas entidades de recuperação (de vícios e neuroses) baseadas nos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos, que em última análise, também bebe na fonte da Cultura Cristã. O lema deles UM DIA DE CADA VEZ, me faz lembrar o que o Senhor também nos diz: TOME SUA CRUZ A CADA DIA. Esse “CADA DIA” me parece sumamente importante e crucial para quem toma a peito a missão de ser santo. Claro, jamais no sentido de renunciar um pouquinho de cada vez e ir adiando a conversão, como você bem lembra. Mas no sentido de refazer a cada manhã a escolha pela santidade TODA, pelo seguimento TOTAL de Jesus. E é bonito perceber como é possível seguir e servir JESUS assim. Se a nossa vida futura, se o nosso prazo para estar nessa terra, fosse de apenas um dia, até mesmo de uma hora apenas, ainda assim era possível passar uma borracha no passado, acolher Jesus e sua salvação em nós e partir com ele para o paraíso. Foi exatamente o que ocorreu ao bom ladrão, na cruz. Muitos se chocam com a afirmação realista da catequese clássica que nos ensina que basta a morte nos apanhar num só pecado mortal, para irmos ao inferno eterno. Mas se esquecem de que, também que basta voltar o coração com toda a sinceridade para o Salvador e sermos fiéis ao que ele ensina, pede e manda, para já na terra termos o cêntuplo e mais a eternidade. _________________________
        Mas mudando radicalmente de assunto, gostaria de retornar à saudável polêmica que tive consigo tempos atrás acerca da Teologia da Libertação. Não para polemizar mais, pois ambos chegamos a bom termo acerca dessa questão. Mas para sugerir algo a você e aos responsáveis pelo blog e seus posts. É o seguinte: por vezes noto que existe uma ênfase forte, por parte de muitos cristãos, nas censuras feitas pelos papas às formas heterodoxas de TDL, uma ênfase no que se deve rejeitar, no que não se deve fazer, mas pouca ênfase positiva no que o cristão DEVE FAZER em matéria de empenho social e luta pela justiça social, segundo as orientações do santo padre. O próprio Bento 16 alertou (enquanto Cardeal Ratzinger ainda, à frente da CDF) para que o documento sobre a TDL que ele escreveu, jamais fosse usado por ninguém como pretexto para fugir ao compromisso com a justiça social e os pobres, que tem marcado a igreja ao longo de 2 mil anos e especialmente desde o papa Leão 13 no século 19. Por isso gostaria de sugerir vivamente que vocês do blog, postassem uma série de artigos (uns 6 ou 8) condensando em linguagem simples e leve (como vocês tão bem fazem com qualquer tema) as orientações dos sumos pontífices em matéria social, em suma: posts sobre a Doutrina Social da Igreja. Recentemente a TV Canção Nova tentou fazer isso, trazendo um deputado petista para assumir um programa sobre DSI. Mas, com toda e óbvia razão, muitos protestaram ante a escolha desse deputado cuja prática política (dele e do partido) é exatamente o oposto da Doutrina Social Cristã. Como “A CATEQUISTA” que também responde por esse blog, deu a entender (num de seus comentários) que conhece o Dom Filipo Santoro, tenho certeza de que este bispo é uma referência seguríssima para indicar material ou pessoas que possam servir de consulta para a eventual publicação dos posts. Senão ele, o Dom João Carlos Petrini da Bahia (Diocese de Camaçari). E senão ambos, alguém do Núcleo Cultura e Fé da PUC-SP. Essas três referências que sugiro, são seguramente ortodoxas e fiéis à Doutrina Católica e ao mesmo tempo, seriamente comprometidas com as lutas sociais e a promoção/libertação dos mais pobres, na linha do magistério do santo padre. Sugiro ainda que ao publicar tais posts, sejam também divulgadas experiências concretas de quem faz o trabalho social segundo a Doutrina da Igreja. Isso é muito importante e a meu ver, é a maneira mais eficaz de barrar o caminho das TDLs falaciosas e heréticas. Pois desse modo, as pessoas podem ver na prática concreta (i.é, pelos testemunhos divulgados por vocês) como já acontece o compromisso social e libertador segundo as orientações da autoridade pontifícia. E olhe que os exemplos são numerosos e de grande qualidade e duração no tempo (muito melhor que quaisquer práticas pseudo-libertadoras de certas TDLs da vida…) . Nesse sentido as mesmas fontes que sugeri (Dom Filipo Santoro, Dom João Carlos Petrini da Bahia e/ou o pessoal do Núcleo Cultura e Fé da PUC-SP, que é intimamente ligado aos dois bispos citados) são fontes seguras para indicar projetos sociais em curso no Brasil efetivamente fiéis à Doutrina Social dos papas. É minha sugestão. Pois a pretexto de rejeitarmos (e devemos fazê-lo!) os equívocos e traições das teologias da libertação contrárias à fé, não podemos de forma alguma ignorar o que os sumos pontífices nos tem orientado e urgido a fazer na área social. Também o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, especialmente nas páginas dedicadas ao 5º, 7º e 10ºmandamentos e na introdução à sua 3ªseção, traz preciosos ensinamentos e indicações práticas acerca do empenho social dos cristãos.
        Grandes Abraços a todos que fazem (e leem) esse simpático e fiel blog.

        • Bom minha cara, se é para votar, meu voto é sim. Aconselho também aO Catequista e A Catequista a fazerem uns posts sobre a TL sim para que façamos mesmo uma separação bem concisa e fiel entre o que é Santo (que está na Doutrina Social da Igreja), do que é heresia (boffismo, marxismo, bettismo etc.)

  • Olá, boa noite, gente, a paz de Cristo.E por falar em Teologia da Libertação e Marxismo, alguém viu a declaração de Bento XVI, no primeiro dos cinco dias de sua visita a Cuba. Na ocasião, ele disse, respondendo a um jornalista que “Hoje, é evidente que a ideologia marxista, na forma em que foi concebida [em Cuba], já não corresponde à realidade”,o chanceler cubano respondendo a fala do Papa disse:
    “Escutaremos com todo o respeito à Sua Santidade”, disse o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, em uma entrevista coletiva em Havana. “Respeitamos todas as opiniões. Consideramos útil o intercâmbio de ideias. O governo cubano se esforça para fazer da visita de Sua Santidade um acontecimento memorável e um êxito pleno.”
    Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/papa-a-caminho-de-cuba-e-evidente-que-a-ideologia-marxista-nao-corresponde-a-realidade/
    Qual a interpretação fazer disso?Com a palavra o casal “Catequista”, Cadú e Paulo Ricardo.

    • O que podemos retirar disso Leniéverson é que o Santo Padre destacou o óbvio:a Revolução Cubana e o socialismo lá implantado,mostrou ao mundo o fruto tristíssimo que a Igreja já sabia:a socialização das misérias.

      O povo cubano enfrenta muitas dificuldades sem dúvida, até podem ter elevados números de alfabetização e saúde,mas é evidente que muitos lá passam fome.Desde a viagem do B.Joao Paulo II,Cuba e a Santa Sé começaram um diálogo de paz cujo obvetivo é acabar com a não democracia de lá.A Igreja tem uma influência, com a graça de Deus, muito boa ainda na América Latina,e onde o Peregrino da Esperança vai,suas ovelhas o escutam com enorme alegria.

      Vamos rezar pra que Cuba supere suas misérias, bem como nosso Brasil,e que o amor e a caridade fraterna vençam todas as tristezas que nosso povo latino ainda precisa enfrentar.A Doutrina Social da Igreja é clara meu querido amigo:as desigualdades,a fome e a falta de cultura,so serão superadas com a caridade e não com o marxismo.

      • Leilah

        Concordo com você Cadu, quando você diz que embora a Doutrina Cristã não dialogue com o Marxismo, o cristão pode e deve dialogar com os marxistas. Pois eles são pessoas humanas que tem direito à Boa Nova que Jesus mandou anunciar a todas as criaturas. Não podemos esquecer-nos dos inúmeros marxistas convertidos a Cristo, conversão que se deu justamente devido ao diálogo evangelizador. Sem falar do famoso diálogo/debate entre Bento 16 e Habermas, um dos maiores nomes do marxismo contemporâneo. O fato de Bento 16, concordar com alguns pontos da teoria de Habermas não diminui uma só vírgula da sua crítica global ao marxismo.
        Só gostaria de comentar um pouco o final da sua resposta ao Leniéverson, quando você diz assim: “A Doutrina Social da Igreja é clara (…): as desigualdades (…) só serão superadas com a caridade…”. Se na palavra CARIDADE você está incluindo também a luta pelas mudanças de estruturas injustas que geram tais desigualdades, concordo plenamente. Pois isso é essencial para a DSI. Veja você a questão do aborto que é uma grande desigualdade e injustiça para com a pessoa humana do bebê/feto indefeso. É preciso mudar as estruturas legais que permitem esse assassinato em alguns países, como a Austrália, onde uma mulher pode matar o feto ao seu bel prazer. Outro exemplo: é preciso mudar as estruturas e leis injustas que impedem o ensino católico (ou protestante, ou qualquer outro ensino confessional) de ser financiado pelo governo, como indica a doutrina da igreja, ou mesmo mudar estruturas que impedem o ensino católico, como na Coréia do Norte. Nesse caso da Coréia Comunista é preciso mudar praticamente a estrutura social-política-econômica toda, pois é uma estrutura assassina que agride os direitos humanos diuturnamente, é o país que mais mata cristãos no mundo, hoje. Por isso, já antes do avanço do Vaticano II, o Papa Pio XII dizia que a maior CARIDADE é a caridade política, justamente porque ela beneficia milhões de uma vez só. A caridade interpessoal ajuda um, dois, meia dúzia que muitas vezes, poderão estar sempre necessitados de novo. A caridade da PROMOÇÃO HUMANA tem o mérito de ensinar a pescar (ensinando uma profissão por exemplo) e não manter a pessoa eternamente dependente da ajuda. Já a caridade politica busca ver o que está causando a poluição do rio, impedindo que haja peixes. Por mais que eu ensine a pescar, se não houver peixes disponíveis no rio…Mas se algo for feito no âmbito das causas estruturais que impedem a presença de peixes (no caso dessa metáfora: a poluição) estarei beneficiando muitos pescadores de uma vez só. Por isso João Paulo II foi um grande lutador contra as estruturas sócio-políticas injustas e não poucos historiadores reconhecem sua grande participação na derrubada do socialismo real que tem sido uma das estruturas que mais geraram injustiças e pisoteamento dos Direitos Humanos na história do mundo. Por isso também os papas insistem na repartição justa da terra e das riquezas, na participação do trabalhador na gestão e frutos das empresas, todas essas (e muitas outras) são iniciativas voltadas à mudança das estruturas causadoras de injustiça e desigualdade. E essa mudança estrutural é algo bastante fundamental em toda a DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA. Veja por exemplo o que diz Bento 16: A prioridade reconhecida à liberdade e à conversão do coração não elimina, de forma alguma, a necessidade de uma mudança das estruturas injustas. É plenamente legítimo que aqueles que sofrem opressão por parte dos detentores da riqueza ou do poder político ajam, por meios moralmente lícitos, a fim de obter estruturas e instituições nas quais os seus direitos sejam verdadeiramente respeitados.
        A insistência dos papas em relação a luta pela mudança das estruturas causadoras de injustiças, não nos deve levar a pensar que ela afirma a mesma coisa que o marxismo, já que o mesmo também sempre afirmou que é preciso mudar o sistema, as estruturas de opressão. Existe uma diferença profunda e básica na mudança estrutural preconizada pela igreja: nós cristãos priorizamos a pessoa, a pessoa humana fundamenta a sociedade. Ao passo que para o marxismo a sociedade e suas estruturas é que fundamentam a pessoa. A pessoa é peça da estrutura. Por isso um monte de gente, com a queda do socialismo na Rússia, Polônia, Tchecoslováquia, etc. já não sabe mais o que fazer da vida, pois o regime nunca educou as pessoas para a responsabilidade, a iniciativa e a autonomia. As estruturas sociais se sobrepõem às pessoas no marxismo. Quando nós cristãos falamos em luta por mudanças estruturais, estamos colocando a pessoa humana no centro e, as estruturas à serviço da sua dignidade. Assim é que em muitas empresas organizadas segundo as indicações da Doutrina Social da Igreja, o trabalhador participa na gestão e frutos da empresa, e ele e suas necessidades constituem o critério para definir a margem de lucro desta e não o lucro em si. Já num regime comunista (e no capitalista) o trabalhador é pego de supetão por exigências de cima para baixo e serve à elas de modo impessoal, como peça de uma engrenagem. A Doutrina Social da Igreja é mil vezes mais avançada que o marxismo e o capitalismo e que as formas equivocadas das TDLs que bebem na fonte poluída do Marxismo. Mas infelizmente ela, a DSI é uma grande desconhecida do público católico e é fortemente discriminada nos meios ditos “esquerdistas” e nos ditos “direitistas” e mesmo “centristas” dentro e fora da igreja. Para mim, isso já é claro sinal do seu valor, pois Cristo também não se deixou prender por nenhum esquema de direita, centro ou esquerda do seu tempo, mas foi livre como deve ser sua Igreja.

        • Leilah

          Ah, esqueci de dizer de onde tirei a citação do Bento 16. É da instrução LIBERTATIS CONSCIENCIA sobre a TDL, onde ele diz: “Entretanto, a prioridade reconhecida à liberdade e à conversão do coração não elimina, de forma alguma, a necessidade de uma mudança das estruturas injustas. É, portanto, plenamente legítimo que aqueles que sofrem opressão por parte dos detentores da riqueza ou do poder político ajam, por meios moralmente lícitos, a fim de obter estruturas e instituições nas quais os seus direitos sejam verdadeiramente respeitados.” MAS É IMPORTANTE TAMBÉM LEMBRAR QUE BENTO 16, NÃO ENDEUSA NEM PRIORIZA A MUDANÇA DAS ESTRUTURAS COMO FAZ O MARXISMO (Meu Reino não é deste mundo!! Diz Jesus) A PRIORIDADE É SEMPRE A PESSOA, NO MESMO DOCUMENTO BENTO 16 TAMBEM DIZ ASSIM: O primado atribuído às estruturas e à organização técnica e não à pessoa e às exigências da sua dignidade, é a expressão de uma antropologia materialista, contrária à edificação de uma ordem social justa. PESSOAS SUBMISSAS A UMA ESTRUTURA ESTATAL, É O QUE SE VIU NA RUSSIA, CUBA, COREIA E CIA. NÃO POR COINCIDENCIA, TEMOS VISTO CERTA TENDENCIA DO ESTADO BRASILEIRO HOJE SE SOPREPOR SOBRE AS PESSOAS E FAMÍLIAS. VEJA O O CASO DO FAMOSO “KIT GAY” E DA TENTATIVA CONTINUA DOS ORGANISMOS DE DIREITOS HUMANOS DO GOVERNO LULA/DILMA DE IMPOR UM CONCEITO ÚNICO DE DIREITOS HUMANOS: O DELES!

    • Leniéverson,

      É complicado dizer algo mais sem conhecer o texto da entrevista na íntegra (que não consegui achar). Mas imagino que o Papa esteja dizendo o óbvio: o modelo marxista, em Cuba, não funciona, não deu certo, é surreal.

  • Paulo Ricardo "O Historiador"

    Que interpretação Leniéverson? Simples. O Senhor chanceler mentiu. Marxismo é totalmente calcado na “Estratégia das Tesouras” o que significa, sem dar grandes explicações, que eles mentem o tempo todo, tudo em prol de “La Revolucion”. Eles não vão abrir mão de um milímetro de poder em Cuba, esqueçam, só vão sair de lá mortos. Na cabeça doente deles, esses hereges trabalham “por um futuro melhor” mas, observe, um futuro que nunca se materializa, nunca chega e nunca consegue mudar a realidade presente, a única coisa que objetivamente existe, que só piora.
    Não acredite EM HIPÓTESE NENHUMA EM IDÉIAS MARXISTAS. Tudo é mentira, canalhice, roubo e doença mental. Também não perca seu tempo discutindo com eles, marxistas são coisas preconceituosas e de antemão eles sempre já venceram na cabeça deles. Isso ocorre justamente em virtude dessa idéia perfeitamente idiota de que eles serão os responsáveis por um “futuro melhor”. Para quem não sabe o nome disso é tautologia, mais conhecida como “efeito tostines”: Eu posso fazer o que eu quiser pois sou responsável por um futuro melhor e o futuro será melhor porque eu posso fazer o que eu quiser.

    • Falou bonito Paulo. Boa reflexão. O que o Leniéverson perguntou é se Cuba poderia se abrir mais e ir gradualmente deixando o marxismo. Eu sinceramente acho bem difícil não pelo sentido de “La Revolución” mas porque para isso seria necessário destronar Raúl e Fidel e isso sim é bem difícil.

      É inegável que a Igreja hoje tem uma influência considerável na ilha. Desde o começo da dita “Revolución”, a Arquidiocese de Havana e os Santos Padres vem fazendo pressões. Creio que ouvir o Vigário de Cristo pregar o Evangelho naquele país dito ateu, é sim reanimar a alegria do povo e aprofundar um diálogo com o governo Che Guevara. A Igreja não vai negociar com o marxismo mas vai dialogar com os marxistas, e isso é importante mesmo que eles seja cegos e surdos. Também não creio que eles escutem muito. Marxista marxista mesmo não dialoga, mas vamos rezar pra que aconteça o melhor né? Abraço!

      • LEILAH

        Eu cá creio que o dito “comunismo” CCC (Cuba, China, Coréia) cairá de podre e de exaustão e já está caindo. Aquilo é uma fachada que não faz sentido mais existir. Economicamente, os três países tem cedido mais e mais à práticas capitalistas e isso não convive com um poder centralizado e autoritário no estilo comunista. A pressão internacional também tem aumentado. Contudo, infelizmente, como lamentou João Paulo II, os países que tem deixado o comunismo, vão caindo de boca no “fruto proibido” do capitalismo, como se apenas houvesse, fatalmente dois caminhos (capitalismo ou socialismo) e, não usam de criatividade alguma para renovar suas vidas a partir de caminhos próprios.
        Creio que essa é uma oportunidade histórica para a Doutrina Social Cristã, não no sentido de ser um sistema alternativo ou de resolver os dilemas sócio-econômico-políticos de vez, já que o Reino de Jesus “NÃO É DESTE MUNDO”. A missão cristã é nos preparar em cada vida pessoal e comunitária, para chegarmos ao Céu, e já é missão de bom (de melhor!) tamanho! Contudo, sem essa ilusão boba (e perigosa, de certo modo) do “CÉU CÁ NA TERRA”, este tempo de queda dos regimes comunistas e da crise capitalista no primeiro mundo, tem a função pedagógica de mostrar (e a Igreja pode profeticamente “aproveitar” isso) que só JESUS responde aos anseios da pessoa humana, que só Jesus e seu mandamento novo podem ser base da justiça e fraternidade humana e que toda solução que descarta Deus, idolatrando o dinheiro (capitalismo cru) ou o estado (socialismo) tende a gerar mais opressão. Ou seja, uma oportunidade EVANGELIZADORA. Muitos cobram da igreja a construção concreta de um sistema alternativo aos dois, para mostrar na prática como os cristãos veem essa questão. Só que a Igreja jamais vai cair nessa ilusão do paraíso na terra. Isso não significa que ela não queira que a caridade seja eficaz e prática atacando a miséria nas raízes estruturais (Já Pio XII dizia que a maior caridade é a caridade politica, pois pode estancar na fonte a raiz da injustiça e opressão. Por isso a importância de haver deputados católicos, que mudando leis e estruturas ajudem a impedir as injustiças: aborto, opressão dos pobres, etc.). Mas por mais eficaz que possa ser a ação social da Igreja, ela continua carregando no coração a consciência da nossa condição de peregrinos cujo Reino não é deste mundo, e essa é a condição mesma de fazer daqui um lugar melhor. “O MEU LUGAR É O CÉU, É LÁ QUE EU QUERO MORAR” canta o Dunga da Canção Nova. Só com a cabeça e o coração no destino real das nossas vidas, é que essa terra terá um pouco mais de valor e beleza, mas sempre longe da pátria verdadeira. Essa idéia tida como “alienante” por muitos, gerou homens e mulheres (os santos e santas, vide Teresa de Calcutá) que estão entre os que mais ajudaram a transformar o mundo em um lugar um pouco mais humano e justo. O grande Luigi Giussani, conta que vendo seus jovens dançando e pulando de alegria, com muita euforia, lhes fez notar de repente algo, dizendo: “MAS CREIO QUE ESTÁ FALTANDO ALGUMA COISA AQUI…UMA PONTA DE TRISTEZA.” Quase ninguém entendeu a chamada dele. Mas o Senhor e seu Espirito, por mais felizes que possamos ser neste mundo, até por causa da presença dEle em nós, sempre deixa em nós o resíduo da tristeza, marca da nossa queda original e saudades de um “lugar” que ainda não conhecemos , mas para o qual o coração humano foi feito. Por isso a doutrina social cristã, por mais que seja realista e esteja cheia de indicações concretas (muitas já postas em prática e bem sucedidas) tem um realismo ainda maior, de saber e ensinar que nada que é terreno satisfaz de fato o coração da pessoa humana, senão a VIDA DIVINA derramada em nós a partir do ENCONTRO PESSOAL COM JESUS, que é a verdadeira e maior libertação fonte de todas as outras libertações de qualquer ordem (psicológica, social, econômica, etc.). Por isso São Paulo era efetivamente LIVRE EM CRISTO, mesmo em correntes na prisão.

  • Leilah

    Cadu você conhece o site do Vaticano? http://www.vatican.va/phome_po.htm

    É que vejo você sempre muito zeloso e cuidadoso em “sentir com a Igreja” alinhando seu pensamento com o do Magistério Vivo da nossa igreja. Se você ainda não conhece, é um tesouro. E tem me ajudado muito a fazer isso que você busca fazer: alinhar meu pensamento com o do santo padre. Ali tem de tudo, o link para a documentação da Congregação para a Doutrina da Fé é uma beleza, cara! Tem explicações sobre a Teologia da Libertação, o que é, quais formas são condenadas e quais não o são. Tem explicação sobre as orações de cura, até onde podem ir segundo a orientação católica. Tem a posição da igreja sobre a Mensagem de Fátima e até cópia do manuscrito da terceira parte do segredo da nossa mãe e Senhora. Enfim, um grande tesouro para ministros da palavra e catequistas. Recomendo muitíssimo!

  • Graça

    Todo pecado tem o seu perdão. Tudo o que fazemos de errado hoje, é perdoado pela misericórdia infinita de Deus, e não nos cabe julgar ninguém.

    Mas, referente à ilustração do texto acima, eu não consigo entender essa roupa pelada e escandalosa da Xuxa no Clube da Criança – TV Manchete. Nada a ver para um programa infantil.
    Não seria melhor uma roupa de princesa, de fada, ou pelo menos um vestido ou um shortinho decentes?

  • Ana Cláudia Marques

    Entendi tudinho, menos a expressão “Ronaldo comprando Kinder Ovo”… É alguma referência sutil àquela famosa “aventura” dele?

  • Julio

    Catequistas, tenho uma situação bem difícil quanto à confissão… Gostaria de pedir dúvidas:

    – Uma vez, expliquei meus pecados, mas usei uma palavra que considerei inadequada depois, aí eu acabei usando uma MENTIRA para corrigir (estava nervoso, falei meio “sem querer”). A confissão é inválida? Não escondi nenhum pecado mortal!

    – Outra vez, sim, deixei de contar um pecado – mas porque achava que ele não era grave. Hoje, olho e penso que talvez tenha sido sim, um pecado grave, mas na hora eu preferi não me alongar muito e não confessei os que achava que fossem veniais. Fica válida a confissão mesmo assim?

    – E as confissões antigas? Sempre fui católico, mas não conhecia quase nada de doutrina. Quando redescobri (anos depois da catequese) as confissões, tenho a impressão (não a certeza, esse é o problema) de ter me confessado sem arrependimento, ou de ter escondido algum pecado grave – sem o pleno conhecimento de que isso era um sacrilégio. E agora? Refaço todas essas confissões?

  • convertido

    Ando sofrendo muito com os escrúpulos, por favor me ajudem!
    Eu me afastei da Igreja e era ateu quando jovem, e retornei ha alguns meses. Confessei que tinha assistido pornografia centenas de vezes, mas na hora nem pensei em falar que tinha visto videos com lesbicas, travestis, fetiches e coisas do tipo. Eu esqueci desses detalhes ate porque é melhor não pensar neles, mas me pergunto… Eu estou perdoado? Precisaria entrar nesses detalhes? Por favor me ajudem!!.

    • Amigo, você está perdoado! Sua confissão foi correta, não precisa entrar em detalhes ao confessar. Basta dizer como pecou (com pornografia), quantas vezes pecou (centenas de vezes) e os eventuais agravantes. No caso da pornografia, julgo eu, o único agravante possível seria ver imagens de pedofilia, pois envolve muito mais do que simples pecado sexual: é se deleitar com um crime horrendo, envolvendo inocentes estuprados.

      Coloque esse seu problema de escrúpulos aos pés de Nossa Senhora.

  • Amanda

    Pessoal, minha dúvida se assemelha muito com a do Julio aí em cima. Já me aconteceu de, por exemplo, confessar lendo uma lista de pecados, mas quando chegaram os veniais eu não achei necessário ler. Depois bateu uma dúvida se fiz bem…E outra vez em que confessei algo que não estava arrependida de ter feito e nem parei de fazer, mas depois me arrependi e confessei, e sempre mencionava isso nas confissões, escrúpulo né?

  • Lorenzo

    Olá! Há alguns dias fiz uma confissão geral (sou escrúpuloso) e confessei vários pecados mortais que estou profundamente arrependido.
    Maaaas….. Confessei um pecado duvidoso, que seria no máximo venial, mas acho que não estava arrependido dele.
    Fui perdoado? Cometi sacrilégio?

    O pecado em questão era fazer donwload pirata de músicas e jogos. Como não sei se é pecado, não estava lá muito arrependido.

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