Papas do Século XI (parte II) – Pontificado de bêbado não tem dono!

Um papa que vendeu o seu poder pontifício quando estava bêbado; um santo peregrino que foi eleito papa por aclamação popular; papas que bateram firme no comércio de bens espirituais por parte do clero e no envolvimento de sacerdotes com mulheres; um papa que abriu caminho para as cruzadas e outro que as estabeleceu.  A seguir, você conhecerá estas histórias e muito mais. Fique de olho em mais este episódio da biografia dos papas do século XI!

Bento IX – Sobrinho dos antecessores. Perigo, perigo! Outro Papa tchutchuco, tinha apenas 20 anos quando foi colocado no Trono de Pedro.

adriano_bebida_1Esse papado foi uma confusão só. Eleito três vezes, Bento IX foi destituído em duas ocasiões! O problema é que ele era mais Teofilacto do que Papa, e fazia o que sua detestável família queria. Além disso, era um completo ignorante dos deveres de um Papa – em outras palavras, não passava de um moleque mimado, mal saído dos cueiros.

O primeiro chute que recebeu no traseiro deu-se durante uma revolta popular em 1038. Caindo fora, refugiou-se num mosteiro e voltou em seguida. Deve ser o papa mais xingado da história junto com o “trio demônio” Sérgio III, João XII e Alexandre VI. Era um degenerado (palavras da enciclopédia católica) e um tremendo cretino. Sua primeira abdicação deu-se em 1044 e, em seu lugar, foi levado ao sólio de Pedro o papa Silvestre III. Este foi papa por meros 50 dias, já que o Conde Tusculum colocou Bento IX de volta no trono.

A segunda destituição de Bento IX foi tão ridícula que só rindo mesmo; daquele tipo de façanha digno de um João XII. Bebaço, o papa VENDEU o que não lhe pertencia, isto é, o seu título de Bispo de Roma para seu padrinho João Graziano, que adotou o nome de Gregório VI. Essa gracinha levou ao paradoxo total de haver três papas coexistindo: Bento IX, Silvestre III e Gregório VI.

quatro papasO Imperador Henrique II foi a Roma para ser coroado.  Mas por quem?  Fazendo um uni-duni-tê reconduziu o papa Bento IX de volta ao trono – esse foi o Sínodo de Sutri. O problema é que, quatro dias depois daquele Sínodo, outro foi realizado em Roma, e Bento IX caiu novamente. Como o Imperador estava com saudades de sua cerveja alemã e não devia gostar muito de salsichas italianas, para piorar a situação, arrumou ainda um outro papa (é mole ou quer mais?), Suidger de Bamberg, que adotou o nome de Clemente II.

Enfim, dentro desse caos, com a inacreditável coexistência de QUATRO PAPAS (!!!), Bento IX foi reempossado pela última vez em 1048, mas foi obrigado a cair fora logo em seguida pelo Imperador.  Bento partiu para sua terra natal e, um ano depois, foi convocado a Roma para responder acusações de simonia (venda de bens espirituais); como ele não apareceu, foi excomungado. Provavelmente morreu entre o fim de 1055 e o início de 1056. Papa de 1032 a 1044 com váaaaaarias interrupções.

Silvestre III – Ficou 50 dias no poder antes de ser destituído pelo Conde de Tusculum e pelo papa Bentinho, o moleque.  Silvestre III voltou, então, às suas obrigações como Bispo de Sabina. Em 1046 foi condenado pelo Concílio de Sucri, confinado e despojado de suas ordens sacras.  Não temos fontes confiáveis, mas parece que Silvestre III teve a cassação revogada e voltou a suas obrigações como bispo em Sabina.  Papa em 1045.

Gregório VI – Esse aqui era padrinho do Bentinho IX. Durante essa bagunça toda dos papas paralelos, foi com certeza o “menos ruim” do período.  Lutou para estabelecer a ordem em meio ao caos criado pelo imperador e por Bento IX.

Foi Gregório VI que instituiu o exército pontifício para libertar e proteger os territórios da Igreja. Obrigado a deixar o trono pelo imperador, partiu para Colônia com seu capelão e futuro papa Gregório VII, onde passou seus últimos dias em oração, como monge. Papa de 1045 a 1046.

Clemente II – Clemente II instituiu algumas inovações em seu curto papado. Uma deles foi a penitência de 40 dias para sacerdotes nomeados por bispos pegos em simonia.  Sua morte se deu de repente, e suspeita-se que tenha sido envenenado, já que Bento IX rondava por ali.

Politicamente, Clemente II deu ao imperador uma importância política decisiva para a eleição do Papa, o que na prática aumentou não só a influência política do papado, mas também seu poderio militar. Papa de 1046 a 1047.

Dâmaso II – O que podemos falar do papa Dâmaso II?  Morreu de malária.  Nada pôde realizar, ficando no Trono de Pedro apenas 23 dias. Seu nome de nascimento era Poppo e foi bispo de Brixen até o momento que o Imperador resolveu transformá-lo em Papa. Papa em 1048.

cisma do orienteSão Leão IX – Antepassado espiritual de João Paulo II, esse grande papa era conhecido como “O Papa Peregrino”: ia aonde o povo estava mesmo.  Chegou a Roma como simples peregrino, foi saudado pelo povo e coroado.

Suas principais lutas foram contra a simonia e o nicolaísmo, heresia que pregava, entre outras coisas, o casamento dos clérigos. Atacou também os bispos-condes (bispos com grande poder temporal), o que é visto como causa de sua prisão em Benevento. Muito embora não tenha sido maltratado, Leão IX sentia-se triste e fadigado, vindo a falecer não muito depois de seu retorno a Roma em 1054.

Logo após a sua morte, o enviado papal em Constantinopla, Humberto de Silva, excomungou o patriarca em nome do Papa Miguel I (ato considerado ilegal, já que Leão IX já havia falecido e não se tinha ainda escolhido seu sucessor), que como resposta excomungou o Papa (ou seja, não excomungou ninguém).  Esse momento é conhecido como O Grande Cisma do Oriente, marco do afastamento em definitivo dos cristãos orientais. Papa de 1049 a 1054.

Vitor II – Foi o último papa chucrute até a eleição de Bento XVI.  Também foi o último dos papas impostos pelo Imperador Henrique III. Dedicou-se ao combate à simonia, seguindo os passos de seu antecessor. Destacou-se também no combate à transferência das propriedades eclesiásticas.

Em seus últimos dias, reuniu um sínodo em Latrão que, depois, foi transferido para a Toscana. Morreu de malária e, juntamente com a morte do Imperador Henrique III, terminava com ele a reforma imperial e papal, depois de um período de 10 anos. Papa de 1055 a 1057.

dengue_xuxaEstêvão IX – Frederico de Lorena (nome de batismo deste papa) pouco fez, tendo também sido vitimado pela malária. Sua eleição não foi comunicada ao Imperador – já que este ainda era uma criança –, sendo mais tarde sido ratificada retroativamente.

Sua eleição tinha por objetivo principal evitar que os barões romanos voltassem a ter influência na eleição do pontífice como na época dos Teofilactos e dos Crescentii.  Estêvão IX estava em viagem ao Sul da Itália para firmar uma aliança contra os normandos, quando a malária o pegou. Papa de 1057 a 1058.

Nicolau II – O grande marco do papado de Nicolau II foi a bula In Nomine Domini, que instituiu que a eleição do Papa seria restrita dali em diante aos cardeais. Era um golpe fatal na simonia, que estava sendo um calo difícil de curar no pé da Santa Igreja.

Durante sua eleição, deu-se um conflito entre os reformistas (legados de São Leão IX e do Imperador Henrique III) e os antirreformistas que elegeram um antipapa, o bispo de Valletri, João (Bento X). A bagunça aumentou quando um grupo de bispos germânicos declarou nulos os atos do papa Nicolau II (com autoridade advinda de onde, bwana?). Nicolau II não teve tempo de lidar com as repercussões, vindo a falecer em julho de 1061. Papa de 1059 a 1061.

Alexandre II – Adotando a linha reformista, durante seu pontificado, Guilherme, O Conquistador, invadiu a Inglaterra e teve suas ambições contra o Rei Haroldo apoiadas pelo Papa. Deu-se aqui a famosa Batalha de Hastings.  Alexandre II não havia tido sua eleição ratificada pelo Imperador do Sacro Império Romano Germânico, que então elegeu um antipapa, Honório II. Este contou com o apoio da nobreza de Roma, e o papa Alexandre foi deposto em 1062.

Pelo papa legítimo, lutou o duque de Lorena que, com uma força militar muito superior, chegou aplicando uma voadora bonita na aristocracia romana. O duque persuadiu Alexandre II e o antipapa Honório a voltar para suas dioceses originais enquanto se decidia a questão. Alexandre teve ganho de causa, mas Honório o excomungou.  Briga daqui e briga dali, o papa Alexandre II passou a caneta em um monte de bispos acusados de simonia (venda de bens espirituais), inclusive cinco de seus seis conselheiros. Dá pra se ver que as coisas não corriam bem. Papa de 1061 a 1073.

cabra machoSão Gregório VII – Foi um cabra macho. Este beneditino, nascido na Toscana com o nome de Hildebrando, conseguiu o que muita gente julgava impossível: botou ordem na bagunça de uma vez por todas. Morto Alexandre II, Hildebrando foi aclamado como o novo Papa.

Gregório VII foi secretário do falecido papa Gregório VI, e foi ao lado dele que este grande homem começou a caminhar pela seara que levaria à sua grande reforma da cristandade católica. Em seu papado, ele instituiu valores que perduram até os dias de hoje, entre eles, a determinação de que nenhum outro patriarca poderia mais ostentar o título de Papa além do Bispo de Roma. Eis aqui umas das primeiras realizações de São Gregório VII.

Os 27 axiomas de sua reforma estão publicados no seu Dictatus Papae, que objetivamente define o papel do pontífice na sua relação com os poderes temporais, especialmente com os imperadores do Sacro Império e suas manias de cientista-maluco-que-quer-dominar-o-mundo. Vamos resumí-las da seguinte forma:

  • o Papa é senhor absoluto da Igreja, estando acima dos fiéis, dos clérigos e dos bispos, e acima das Igrejas locais, regionais e nacionais, e acima dos concílios;
  • o Papa é senhor único e supremo do mundo, todos lhe devem submissão incluindo os príncipes, reis e imperadores;
  • a Igreja romana não cometeu nunca erros;
  • quer resolver um problema? Fale com Roma. Tem um padre chato te azucrinando? Fale com Roma.

Óbvio que muita gente não gostou. E a velha luta contra a simonia e a fornicação de clérigos continuava. Posso dizer que Gregório VII foi o Papa da época que mais partiu pra dentro contra essas coisas. Bateu onde mais doía, no bolso, cortando os rendimentos dos “Dons Juans de batina” (padres que insistiam em se casar). Fez o que precisava ser feito e pagou caro por isso, morrendo só e esquecido até pelos seus colaboradores mais próximos. Papa de 1073 a 1085. Foi canonizado pelo Papa Paulo V em 1606.

Vítor III, Bem-aventurado – Foi um grande partidário de São Gregório VII. Seu nome era Desidério e foi resistente à sua própria eleição.

Foi com Vítor III que surgiu a ideia das Cruzadas – com sua proposta de uma ação militar contra os muçulmanos no Norte da África – porém seu curto papado foi muito tumultuado e marcado pela presença do antipapa Clemente III, em um momento da história do papado que lembra muito filme de bang-bang barato. Os tumultos entre os partidários de Papa e do seu rival davam-se rua a rua.

No final, Vítor III saiu da cidade e retornou à sua diocese em Monte Cassino. Com a saúde muito abalada, esse bom homem não chegou a retornar ao seu trono por direito, estando sepultado naquela cidade. Foi beatificado por Leão XIII em 1887. Papa em 1087.

cruzadasUrbano II – Os detratores da Igreja adoram chamar o Papa Urbano de “monstro cruel responsável pelas atrocidades das Cruzadas”. Isso é papo de idiota. Para começo de conversa, o Papa Urbano só reagiu. Já fazia tempo que a turma do charutinho de repolho tava pedindo.  Esse papinho de marxista querendo dar um de defensor dos pobres arabinhos só me dá nojo.

Então vejamos: Urbano II convocou os cristãos a uma guerra contra os muçulmanos, a fim de reconquistar Jerusalém, porque o nível humilhação pelo qual os peregrinos passavam já não podia ser mais tolerado.  Muitos papas anteriormente fizeram vista grossa. A turcaiada tava doida pra conquistar a Europa, ou vocês acham que a queda de Constantinopla não teria acontecido muito antes se não fossem as cruzadas? Fora isso, como você acha que um turco tratava um maronita (católico oriental)?

O papa Urbano teve ainda que lidar com problemas internos, como o Imperador Henrique IV nos seus calcanhares. Este chegou a exilá-lo e lhe obrigou a entregar o poder ao antipapa Clemente III. Jerusalém foi retomada pelos cruzados, mas a notícia não chegou a tempo para o velho papa. Seu papado vai de 1088 a 1099.

*****

A seguir: os papas do século XII.

18 comments to Papas do Século XI (parte II) – Pontificado de bêbado não tem dono!

  • Leilah

    PROMETO SER BREVE (viu Cadu? rs.rs.rs..): Cara catequista, sua fé serena e adulta me edifica (confesso que lhe acho um pouquinho “desbocadinha”, mas isso é questão de estilo literário e não devemos ver isso com moralismo ou carolice). Nem todos os cristãos, tem essa tranquilidade de ver a carniça imunda da raça humana, atingindo também os homens da sua igreja e ainda assim, crer e acolher a Palavra de Deus que nos vem através deste povo santo e pecador, preservada em sua pureza pelo magistério pontificio. O poder da Palavra e da graça de Deus que nos transforma, não é algo automático e mágico. Precisa da abertura de cada um, inclusive do papa. Sempre me perguntei como funcionaria o dom da infalibilidade doutrinária no caso de papas canalhas como esses citados no post. E sempre me respondi pensando e concluindo que o Espírito Santo não é pateta. Quando Ele quer confirmar o seu povo numa verdade/fato da fé (o dogma ou a declaração ex-cátedra) ele também não escolhe qualquer pontífice, ele prepara o terreno direitinho e por vezes as condições para a definição de um dogma levam vários pontificados para amadurecer. Pois se o carisma/ministério da INFALIBILIDADE fosse algo arbitrário ao bel prazer da vontade pessoal do papa, esses degenerados iam arrebentar com o futuro da Igreja. Entretanto, é admirável a coerência e harmonia da doutrina cristã, que passou incólume e impoluta por esses períodos tenebrosos da nossa história. Gostei também da ênfase no contexto histórico em que você expos a Reforma Gregoriana. Certos historiadores (e “teólogos”) costumam apontar essa fase como o período de auge do poderio temporal/espiritual do papado. Mas a recuperação que você faz do contexto prévio e contemporâneo ao pontificado de São Gregório, deixa muito claro o que seria de fato, um tremendo poder temporal maléfico, quem o assumiria e com que péssimas consequencias para as sociedades e a igreja, se não fosse essa intervenção papal. E isso me estimulou a lembrar dos outros períodos de sombra da história cristã, fazendo-me perguntar: apesar de tantos botarem nas costas da igreja a culpa pelo extermínio indígena nas Ámericas, o que seria dos índios se não fossem as intervenções do papado em favor deles? De fato, surge aqui uma outra ótica e chave de leitura histórica e seu texto me estimula a estudar isso mais a fundo (se tiver bibliografia nessa linha agradeço que me indique) . Aquilo que parece absolutista e cruel, aos olhos da pessoa do século XXI pode ter sido na verdade o melhor bom senso em vista do contexto da época. Até porque a história mostra que, quem se afastou “horrorizado” com os pecados das figuras eclesiásticas e criou outras comunidades,quase sempre fez coisas ainda mais horrorosas do que aquelas que antes criticava, mostrando que não há estrutura eclesiástica que impeça e segure a liberdade humana quando essa quer optar pelo mal.Outrossim, gostaria de sugerir que um dia, voces condenssassem esse material numa apostila ou livrinho, para uso em formação de catequistas e outros ministérios. Mas que então vocês fizessem duas colunas paralelas: numa coluna narrassem a história da igreja e do papado, com as porcarias todas que a igreja não tem medo de contar, do mesmo jeito que voces tem feito com essa série dos papas. E na coluna do lado, relatassem as maravilhas da Graça de Cristo no meio do seu povo, a santidade cotidiana das comunidades cristãs ocorrendo paralelamente no mesmo tempo em que ocorreu essa porcariada toda. E mostrando como as pessoas mais santas de cada época, acolhiam o ministério papal como fator decisivo da sua santificação, sem deixar que seus defeitos pessoais fossem pretexto/obstáculo em seu caminho rumo à santidade.Sugiro isso porque muitas vezes, surge na mente e coração das pessoas (quando estudam a história da igreja) uma impressão ruim de que a vinda de Cristo e a fundação da Igreja por ele, foram em vão. Ao passo que uma história da igreja e do papado que também mostre a potência transformadora da Palavra de Deus na história, edifica a nossa fé e provoca entusiasmo na nossa conversão a Jesus, vivida na igreja. Ops, prometi comentar pouco e lá vai eu de novo, fazendo um jornalão. Paro por aqui. Abraços.

    • Leilah

      Só lembrando que, com certeza, voces também tem destacado o lado positivo e santo da história da fé, mesmo nesses posts sobre os papas. A sugestão das duas colunas paralelas é só para mostrar o contraste que nos faz ver que “onde abundou o pecado, superabuindou a graça!”

    • Leilah

      OPS, desculpa aí Paulo Ricardo. De tanto falar com a catequista, nem reparei que o autor do post é voce. Só agora que vi. Por isso considere minhas palavras (acima e abaixo) endereçadas a você.

  • Bravo Paulo! Paulao posso perguntar o que exatamente o Beato Urbano II ofereceu aos cristãos caso fossem as Cruzadas? Era a Indulgência Plenária não é? Muitos professores marxistas dizem que era o perdao dos pecados afff! Que odio ouvir isso!!! Tenho que fazer como São Francisco de Sales e roer a tabua embaixo da carteira pra me controlar porque quero responder com amor sempre.

    • Era realmente indulgência plenária. Mas, afinal. o que esperar? Que professor vai estar preocupado em explicar o que é indulgência plenária? E viva nosso sistema de ensino! Esses caros estão mais preocupados e sentirem-se pobres coitados (são mesmo) a queixar-se de seus baixos salários.

      • Paulão o resurgimento do capitalismo na Europa tem suas origens mesmo nas Cruzadas? Estava estudando isso pela quinquenésia vez mas nunca entendi isso bem. Será que sem as Cruzadas o capitalismo (pré e depois capitalismo comercial) não teria reaparecido?

        • Paulo Ricardo "O Historiador"

          Não.

          A escola marxista tenta reduzir tudo a vala comum das teorias econômicas de Marx. O capitalismo desenvolveu-se graças às guildas de ofício e as teorias economicas desenvolvidas pelos monges católicos. A Revolução Industrial na Inglaterra, tão cara ao barbudão, em virtude da ação desastrosa do Rei Henrique VIII, que tinha formiga nas calças e não conseguia parar de casar e assassinar esposas, foi atrasada um século.
          Procure o livro de Jean Gimpel – A Revolução Industrial na Idade Média. Complemente com os livros dos Professores Felipe Aquino e Thomas Woods Jr.: “Uma História não Contada” e “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”

          • Leilah

            Acerca da sua afirmação acima “O capitalismo desenvolveu-se graças às guildas de ofício e as teorias economicas desenvolvidas pelos monges católicos” , isso consta da bibliografia que voce sugeriu ou voce teria outros livros a indicar que possam fundamentar essas afirmações.

  • Paulo Ricardo

    Olá,

    Bom, agradeço pelos elogios. Com relação aos livrinhos ou apostilas que você sugeriu, só posso responder pela parte historiográfica. Como já disse aqui milhões de vezes, teologia não é minha praia e se fosse falar do assunto eu com certeza falaria um monte de bobagens. Viviane e Alexandre podem falar muito melhor do que eu pois são catequistas eu sou só um historiador, mistura de nerd e headbanger. O post dos papas serve de guia para mim para falar da história da Igreja.

    A seguir estou preparando uma série sobre heresias do século XII, essencial para entender o papado desse tempo e principalmente a formação das ordens mendicantes: franciscanos e dominicanos.
    Fico feliz de estar escrevendo algo útil a vocês. Tenho postado muito pouco em virtude de uma série de trabalhos paralelos que estou desenvolvendo, mas podem ter certeza que sempre vou ter tempo para “O Catequista”.

  • Sensacional! Agradeço essa referência leve e completa da história da Igreja, estou babando aqui… obrigado por me fazer passar muito tempo neste blog! =)
    Grande abraço

  • Aliás, Paulo, esqueci de fazer uma pergunta. Tenho MUITO interesse em história da Igreja, até consegui aprender algumas coisas, mesmo com o pouco tempo que tenho às vezes. Estou comprando a coleção de História da Igreja do Daniel Rops, e tenho o Curso Básico de História da Igreja, do Roland Frölich, para referência rápida. Há alguma outra boa fonte para consultar e estudar?
    Abração, paz e bem.

    • Eu cito alguns livros básicos no post “História para quem precisa de História”. além daqueles procure o livros “Os Papas” do professor McBrien. Fácil de encontrar na editora Paulus. Os livros do Professor Rops são muito bons,continue comprando. Alguns livros de Jacques LeGoff, como a biografia desde de São Francisco é uma boa pedida. Um livro razoável é “A Espiritualidade na Idade Média Ocidental” de André Vauchez. Isso já dá algum trabalhinho certo?

    • Oi, Pedro!

      Complementando a resposta do Paulo Ricardo…
      O post em que ele indica uns livros bacanas (“História para quem precisa de história”) é esse aqui:
      http://ocatequista.com.br/?p=84

      E tem tb um post em que o Paulo cita as suas fontes para fudamentar os posts que ele faz sobre os papas:
      http://ocatequista.com.br/?p=4319

      Grande abraço, e que a paz de Jesus esteja com você tb!

      • Gente, muito obrigado pela ajuda! O livro “Os Papas”, do McBrien, acabou de chegar lá em casa, uhú! Vou pesquisar os outros por aí. Agora é ter tempo pra ler e estudar tudo, heheh.

        Abração!

  • Eduardo Araújo

    Olá, caríssimos!

    Peço a devida licença ao nosso historiador Paulo (descobri ser meu conterrâneo) e à nossa formadora Catequista para sugerir ao Pedro, em acréscimo, os livros da Ed. Quadrante.

    Há no catálogo deles (http://www.quadrante.com.br/catalogo.asp) verdadeiras jóias preciosas, dentre as quais a já mencionada História da Igreja, de Daniel Rops.

    São tantos, numa coleção que reúne desde livrões, como os do Prof. Rops, até livrinhos de bolso (muito bons!), que fica até difícil citar um em particular. Portanto, os três que vou mencionar, agora, são apenas para dar uma ideía do que pode ser encontrado lá (são livros que já adquiri, li e fiquei bastante satisfeito):

    – “Paulo de Tarso”, de Josef Holzner: um trabalho muito bem encadernado em capa dura, com informações pormenorizadas sobre a vida e as missões do apóstolo, sem degenerar para aquelas interpretações materialistas grotescas, tipo epilepsia para “explicar” o acontecimento da estrada de Damasco;

    – “Galileu”, de Jorge Pimentel Cintra: é um dos livrinhos da Quadrante, que enganam pelo tamanho, porquanto contém uma riqueza de informações calcadas no amor à verdade, em contraposição à balbúrdia anti-religiosa que costuma se encontrar nesse assunto;

    – “Os Primeiros Cristãos”, de Luiz Fernando Cintra: outro livrinho “livrão”. Aliás, parecem fazer parte de uma série que aborda toda a História da Igreja nos primeiros séculos do Senhor (A.D.).

    Por falar em referencial de datas, gostaria aqui de fazer uma sugestão de artigo ao nosso historiador Paulo, podendo ser realizado, também, pelos caros Catequistas:

    Não sei se todos vocês já notaram, está tomando corpo uma artimanha – na minha pobre visão, de origem e intenções ateístas – de substituir em livros de história a convenção referencial baseada em Cristo (a.C. e d.C.) por um troço que chamam “Era Comum”. Assim, não usam mais a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo), e, sim, A.E.C. (antes da Era Comum) e E.C. (Era Comum). Confiram, a respeito, esses artigos do blog do Carmadélio:

    http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/26488-so-faltava-essa-reforma-no-novo-programa-escolar-australiano-propoe-extincao-do-uso-das-siglas-%e2%80%98%e2%80%98a-c%e2%80%99%e2%80%99-e-%e2%80%98%e2%80%98d-c%e2%80%99%e2%80%99-das-datas-historicas

    http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/26716-bbc-retira-a-c-e-d-c-de-sua-datacao-historica-e-causa-forte-reacao-vaticana

  • Eduardo Araújo

    É isso aí, minha cara!

    Acabei de ler o post do nosso prezado Catequista.

    Acrescento que essa onda não está ocorrendo apenas na Austrália ou nos porões da BBC. Há poucos dias adquiri um livro sobre história da Grécia que – infelizmente, descobri depois – usa essa artimanha.

    O fato é que agora pretendo fazer o seguinte: vou, sim, antes de comprar um livro de história, verificar suas páginas para saber se o autor segue essa onda ou não. Que bom seria se todos os cristãos boicotassem essas publicações…

    Abraço e que Deus sempre os abençôe neste ótimo e importante trabalho!

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