Catecine – O Caçador de Bruxas

Cacador_de_Bruxas_Vincent_PriceE aí meu povo, estamos de volta com mais um CATECINE, aêêêêê!!!!!

O filme de hoje é pra você jogar na cara daquele seu amiguinho protestante que vive acusando a Igreja Católica de ter feito uma implacável caça às bruxas. Erga a sua cabeça, irmão católico!

O Caçador de Bruxas conta a história real de um certo Matthew Hopkins, pilantra puritano que viveu no século XVII e se apresentava nos vilarejos da Inglaterra como Caçador de Bruxas enviado pelo governo.  O malandro criou até um título para si: General Witchcraft.

Ah! Pequeno detalhe: Hopkins COBRAVA dos aldeões para livra-los do mal. Ai da aldeia que não pagasse!!!  Seus métodos de tortura eram capazes de fazer Torquemada vomitar.  Hopkins escreveu um pequeno manual de caça às bruxas que em pouco tempo tornou-se um best-seller.  Esse cara-de-pau, pode-se dizer, inventou o workshop, pois dava cursos de como identificar bruxas, total self-made man. Tem mais… como começou sua carreira como advogado, ele sabia muito bem fazer um arremedo de julgamento e era capaz até de usar prestidigitação neles.  Devia ser realmente um show!

vincent_price

Matthew Hopkins (Vincent Price)

Os primeiros peregrinos puritanos vindos da Inglaterra para o Novo Mundo e que fundaram a nação americana são conhecidos como The Founding Fathers. Justiça seja feita, eles tinham muito mais vergonha na cara que Matthew; mas se os crentes adoram nos espezinhar citando a vida de Rodrigo Bórgia (o vergonhoso Papa Alexandre VI), podemos jogar na cara deles Matthew Hopkins.

Inteirados da figura histórica de que trata esse filme, voltemos ao dito.

Trata-se de um filme da Hammer, produtora inglesa que barbarizou no fim dos anos 50 e nos anos 60 com filmes “B”, principalmente de terror, e esse aqui foi vendido como tal (filme “B” não significa necessariamente filme ruim, falaremos disso um dia). Na verdade, O Caçador de Bruxas é uma peça gótica rebuscada, uma pequena pérola que foge a tudo que estamos acostumados a ver da produtora, a começar pelo pano de fundo histórico.

A história se passa no meio do século XVII, período em que a Inglaterra se via consumida por uma guerra civil, dividida entre Oliver Cronnell – uma espécie de puritano “Pink & Cérebro” (doido para dominar o mundo) – e o Rei Charles I.  Enquanto isso, Hopkins (Vincent Price) se diverte pelas planícies inglesas, santificando-as ao executar as bruxas e bruxos.  Esse Batman, sempre acompanhado de seu Robin (Robert Russell), segue de vila em vila, enchendo o bolso de bufunfa tirada dos ricos que desejassem prejudicar seus inimigos, colocando-os em posições que fariam o Marquês de Sade parecer congregado mariano.

witchfinder_generalUm dia, Hopkins mexeu com quem não devia, a família da bela Sarah Lowes (Hilary Heath). Isso deixou o noivo da mocinha e membro do exército Richard (Ian Ogilvy) fulo da vida e disposto a reduzir o Caçador de Bruxas àquilo que todo mundo aí já deve ter pensado.

Vou ser honesto… Tecnicamente, se comparado ao que estamos acostumados hoje, talvez a produção do filme, para maioria, pareça tosca. Mas vamos dar um desconto, certo? Esse filme é importante e o diretor Michael Reeves, que morreu ano seguinte, aos 25 anos, cheio de cana e barbitúricos na ideia, mostra segurança e talento para alguém tão jovem.

Vincent Price – a voz de Thriller, de Michael Jackson – estava mau como o pica-pau, cruel e sádico. Para os padrões da época, muita gente considera esse filme sado-masô. Às “alminhas puras” um aviso: aparece muié pelada nesse filme, o que também indica uma diferença brutal do padrão da Hammer, sempre cobrindo as mulheres de suas produções com figurinos vitorianos, nem sei como deixaram isso passar.

Mas o destaque maior vai para as cenas de tortura, mortes por enforcamento, por afogamento ou na fogueira, execuções por tiros à queima-roupa… ufa! Toda essa maldade é evidente na cena em que Hopkins pensa que é Beethoven e fica como que regendo uma sinfonia de morte, onde ordena a descida de três condenados num rio fedido. Se afogar, o malandro é santo. Se boiar ou gritar, tá com o cão nos couros. Bizaaarrooooooo!!!!!!!!!!!!!


Witchfinder General or Conqueror Worm, Trailer por chefandew

O diretor de fotografia devia ter síndrome de Caravaggio, porque tem horas que o filme fica todo preto, mas isso não é grande problema. O impacto que esse filme deve sobre mim foi grande, e acho que o mesmo pode acontecer com vocês. A cereja do bolo é o poema que dá nome ao filme e lhe confere mais ainda um ar de insanidade: Conqueror Worm, de Edgar Alan Poe. O herói interpretado por Ian Ogilvy, como a personificação do Tristão em certos pontos, lembra uma espécie de Frodo Bolseiro.

É isso aí meu povo!!! Divirtam-se e lembrem-se: se você largar a vida de pirata poderá, quem sabe, chegar um dia a Comodoro!

5 comments to Catecine – O Caçador de Bruxas

  • Interesante, deve ser um bom filme, daqueles que vale ver um vilao mascarado de heroi. Boa Paulo.

  • Murilo Stankevix

    Muito bom, Paulo! Nas Catequeses sempre busco desmistificar alguns absurdos que os protestantes fazem os desinformados engolirem. Certa vez foram duas pessoas das Testemunhas de Jeová no portão de minha casa. Quando disse que era católico apostólico romano, viram um prato cheio para mais de suas mazelas. Mostrei na Bíblia deles (já modificada por eles mesmos) a incoerência do que diziam, pelo que já começa da errônea tradução de YAWEH (Javé) para Jeová. Ao final, disseram que realmente não entendiam do que estavam falando e me pediram perdão.
    Nenhum católico verdadeiro pode ficar calado perante os ataques hediondos à nossa Santa Doutrina, ainda mais feitos por seguidores de seitas sem fundamentos.

  • Nikiforos

    Como cristão protestante gostaria de fazer a ressalva de quem não somos um pacote único, de que nem todas as denominações perdem tempo atacando a Igreja católica e, por último, de que a desinformação sobre a Inquisição vem das ideologias comunistas impregnadas no ensino fundamental e médio.

    Se a “crentaiada” fala asneiras é porque tem um sistema de ensino que doutrina isto. Mas vale ressalvar que muitos filhos de católicos mal-informados também compram, viram comunistas de butique e abandonam a fé (o mesmo para os evangélicos).

    O que falta é esclarecimento e debate civilizado. Aqueles que querem acabar com o cristianismo é que gostam deste bate-bate dentro da mesma casa, já que “uma casa dividida não subsistirá”.

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>