Catelivros – Frankenstein

mary_shelley_frankenstein_3E aí meu povo,

Hoje é dia de clássico, clássico, clássico aqui no Catelivros com a apresentação de “Frankenstein – O Moderno Prometeu“.  É isso mesmo, o livro tem um subtítulo, e não, o monstro do Dr. Victor não é o Boris Karloff nem tem parafusos no pescoço.

Então, antes que alguém comece a gritar “Is alive! Is alive” e tenha um piti, vamos começar com o óbvio: não associem o livro de Mary Shelley com as suas 150 versões filmadas.  Quem já leu o livro – a minoria feliz – sabe que o monstro não grunhe e é muito mais articulado que o Willian Bonner, por exemplo.  Victor Frankenstein é o retrato da pretensão científica do Século XIX, um pedante que busca substituir Deus na ordem natural das coisas; vem daí a sua comparação desde com Prometeu, o titã da mitologia grega.

Shelley foi muito feliz ao demonstrar aqui os caminhos que a humanidade estava tomando.  Ressalte-se ainda a peculiaridade do cenário utilizado pela autora para ambientar a obra: Suíça, pátria do nojento Calvino, do chocolate sem ter um único cacaueiro e onde surgiu o conceito de militância – mais nojentamente Deux ex-machina impossível.

Vocês acham que se trata tão somente de uma historinha de terror? Bom, ao longo do tempo, o cinema reduziu essa pequena obra-prima a isso mesmo, exceção feita ao quase bom filme de Kenneth Branagh, que teve uma boa hora antes de jogar tudo a perder numa segunda metade patética.  Para além disso, Frankenstein é aquele tipo de livro que realmente é capaz de antecipar com muita precisão o espírito do tempo e o comportamento humano quando já não é mais Deus o centro da vida.  (Olha o spoiler!)  O  final não poderia ser outro senão a completa e total falta de esperança; com a humanidade e suas criações jogadas ao inferno numa paisagem gelada em que toda esperança está morta.

Isso é o real terror, não um monstro de dois metros de altura com parafusos no pescoço feito para rapaziada poder dar uma de macho e agarrar a mulherada no cinema como se a coisa fosse saltar da tela a qualquer momento (acredite, a cara do Boris Karloff buscava provocar esse efeito).

A história do Barão Victor von Frankenstein e de sua criatura permanece atual, principalmente nesse momento em que muitos dos seus filhos ideológicos estão por aí, clonando ovelhas ou pior, planejando clonar Jean Wyllis ou Barack Obama.  Não deixem de ler esse grande clássico da literatura.

Você encontra o livro à venda neste link: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/339810/frankenstein/

Frankenstein

6 comments to Catelivros – Frankenstein

  • Paulo Ricardo "O Historiador"

    Complemetando: Prometeu -> Titã que apiedou-se da humanidade e ensinou aos humanos a arte de fazer o fogo. Como castigo por desobediência, Zeus, o Capo dos deuses Gregos, condenou Prometeu a passar a eternidade tendo seu fígado devorado todos os dias por abutres, reconstituído à noite para ser novamente devorado pelos abutres no dia seguinte.

  • Fascinante Paulo. Boa sugestao.

  • Eduardo Araújo

    Caro Paulo, é interessante observar, também, que o monstro não se chama Frankenstein, como o cinema, de certo modo, induziu a pensar. No livro, ele é referido como “a criatura”, sem receber qualquer nome.

    Demais disso, é uma pena que os cineastas ainda não se dispuseram a explorar o verdadeiro potencial do livro de Mary Shelley, muito mais rico que as caricaturais películas da 7ª arte. E, pasmem! Teve até um Frankenstein contra o Monstro do Espaço (salvo engano, também com Karloff).

    • Paulo Ricardo "O Historiador"

      Correto Eduardo,

      Victor Frankenstein é o Moderno Prometeu. Sua criação não tem nome, é apenas chamado de criatura ou você. Isso claramente é uma das formas de lembrar o leitor que não se trata de um indivíduo, mas sim de uma coisa, criação da mente doente de Victor Frankenstein.

  • Felipe

    Interessante post. Vocês deveriam comentar um livro chamado “Amor nas Ruínas” de Walker Percy. Fala sobre as aventuras de um mal católico no fim do mundo e tem como propósito AVISAR sobre os efeitos da modernidade no dia-a-dia do cristão. Obrigado pelo esforço. Fiquem com Deus.

  • Guilherme Atui

    Li esse livro no meu tempo de escola. Quando o vi esperava algo como retratado nos filmes.
    Mas ao ler no livro me deparei com uma riqueza sem igual, ao qual me apaixonei. É sim um livro fantástico que até hoje é atual, pelo próprio modo como se apresenta a sociedade nele

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>