Perdão X Indulgência – Você sabe a diferença?

Oi Povo Católico!  A correspondente da Globo para o Vaticano, Ilze Scamparini, sempre fala besteira quando o assunto é Igreja…  Depois de afirmar que o Papa não acreditava mais no dogma da Infalibilidade Papal (isso é outro post), resolveu que agora os padres distribuem INDULGÊNCIAS no Sacramento da Confissão (veja o vídeo aqui).  Aff… tudo errado.  Mas, e você?  Sabe a diferença entre confissão e indulgência?

ReconciliaçãoBom, primeiro precisamos entender o que acontece quando fazemos besteira… Cada vez que pecamos, sofremos duas consequências: uma é a perda da comunhão com Deus por conta das nossas culpas.  Da nossa vontade de pecar.  A outra, é um “arranhão” na alma que nos distancia de ser o “Homem Novo” – são as “Penas Temporais” do Pecado.

A primeira, se resolve com o Sacramento da Confissão, no qual somos perdoados por Deus e retomamos a comunhão com Ele, desde que nos arrependamos sinceramente e tenhamos o firme propósito de não mais pecar.  Esta é a REMISSÃO do pecado.

Já as “Penas Temporais”, exigem uma purificação que pode ser em vida, ou após a morte.  Em vida, precisamos ser firmes nas provações e vivê-las como grandes oportunidades de verdadeira conversão.  Após a morte, este estado de purificação é o famoso “purgatório”.   Esta é a REDENÇÃO do pecado.  E é aí que as graças da indulgência atuam!

Pra ficar um pouquinho mais claro, imagine que um filho (maior de 18 e com carteira) pegue o carro de seu pai sem pedir autorização.  Quando ele volta pra casa, se dá conta da besteira que fez, se arrepende verdadeiramente e pede desculpas.  Seu pai aceita e o PERDOA, porém… avisa que se ele quiser ser digno de confiança novamente, vai ter que merecer.  O rapaz então se oferece para lavar o carro durante dois meses como forma de se REDIMIR pela besteira que fez e demonstrar que mudou suas atitudes.  É isso… Deus lhe perdoa, mas você precisa correr atrás da santidade pelos seus próprios méritos!

A Igreja, através de Deus, tem o poder de aplicar a redenção parcial ou total das penas temporais do pecado.  São as não menos famosas: Indulgência Parcial e Indulgência Plenária. Em outras palavras, ela pode atenuar ou eliminar suas provações em vida e seu tempo de purgatório!!!  Ah, e tem mais… você pode gentilmente ceder esta graça para um fiel defunto (não vale para outras pessoas vivas).

Bem, agora que você já sabe tuuuudoooo sobre indulgência, percebeu que só dá pra se redimir de alguma coisa se antes tiver sido perdoado, não é?  Então não tem como receber indulgência sem estar devidamente confessado! Ok?

Papa com os Jovens

Pra terminar, você deve estar se perguntando: onde eu arrumo indulgências?  A Igreja lhe concede indulgências nas raríssimas ocasiões em que ela considera que o seu esforço (mérito) para viver a fé lhe REDIME dos pecados já PERDOADOS.  Quer um exemplo?  Quem foi a Madrid se acotovelar e ficar de pé no sol pra ver o Papa, e estava confessado, vai passar menos tempo no purgatório!

Ufa… esse assunto ainda rende.  Vou voltar a ele um outro dia, principalmente para falar sobre mais uma mentira histórica: a venda das indulgências!

Abraços!

16 comments to Perdão X Indulgência – Você sabe a diferença?

  • Gostei de ler sobre as indulgências. Mas gostaria de saber mais sobre as vendas das indulgências, onde entra a história de Martim Lutero. Me formei da universidade Luterana (ULBRA) e claro que eles fizeram questão de passar o filme de Martim Lutero para nós e confesso que fiquei bem impresionada na época em que vi o filme pela primeira vez.
    Abraços.
    Margane.

    • Oi Margane! Vamos falar sim, sobre a Venda das Indulgências (que de fato, não ocorreu)! Mas preferimos antes introduzir o conceito de indulgência, do contrário seria impossível entender porque elas de fato, não estavam sendo vendidas pela Igreja (tinha uns espertos na história que vendiam mesmo, mas não era a Igreja). Sobre Lutero, vamos colocá-lo na nossa pauta e começar a produzir alguns textos. É um assunto extenso e interessantíssimo! Obrigado pelo seu apoio e pelas suas sugestões! Ah… e use bastante a camiseta que você ganhou!!! rs… abraços!

  • Cadu Sindona

    Muito bom! De fato ficou bem claro o que realmente são as indulgências, uma ação concreta de amor para com Deus e com Sua Igreja. Ora pois, se Jesus soprou aos Apóstolos o Espírito Santo e deu a eles a autoridade de perdoar os pecados (São João 20. 22-23), a eles também fora dado o direito de reabilitar o homem de suas faltas! É claro isso! Sempre quando estuda-se a reforma, fala-se em indulgências… Ai, como as pessoas adoram encontrar um motivo para deturpar a Igreja… Muitos professores, dizem que o acontecia era como comprar uma vaga no céu, coitados! São cegos. E cegos que guiam cegos caem no buraco! Naquela época o que acontecia era o fato de que as indulgências eram oferecidas de maneira aleatória, não custava nada a um nobre, subir em sua mula e andar 2 km que fosse, para chegar numa capela, ajoelhar, fingir que se arrependia e dar um punhado de dinheiro na Igreja dizendo que isso era para purgar as faltas cometidas. Então você mistura os pensamentos de alguns, evidencia isso, e mescla com o comportamento inadequado de muitos homens de dentro da Igreja, e têm-se a besteira que Lutero foi fazer…

  • Olá!! Amo esse assunto, e sempre achei que falta catequese por parte do Clero aos fiéis sobre esse tesouro que a Igreja coloca à nossa disposição em ocasiões especiais, porém raras… E mesmo sendo raras, quando elas acontecem, falta catequese aos fiéis… Desde que eu li sobre esse assunto, sempre que tenho oportunidade, esclareço, pois não podemos deixar passar momentos de graça como esses…Certa vez, eu joguei esse assunto numa reunião de catequistas e o próprio padre disse que esse era um assunto muito delicado e que precisava de certa cautela… concordei em partes, mas disse que o que faltava mesmo era uma boa catequese, partindo dos padres…Se muitos tem uma visão errada, é pela falta de conhecimento… como você disse, isso dá pano pra manga…mas, é um assunto pertinente ao catequista…
    Grande abraço, e parabéns pelo blog… Muito bom! Evangelizar é sempre muito bom, com humor e descontração melhor ainda!!

  • Excelente texto e ótimo assunto! Confesso que eu tinha certa dúvida sobre indulgências e agora elas foram sanadas rs. Obrigado por mais um texto ótimo.
    Que Deus vos abençoe, caríssimos.

  • Emanuel

    Excelente post! Muito obrigado!

    Poderia o blog, por favor, explicar mais a respeito da cessão da graça das indulgências para outras pessoas? Como é possível e como proceder?

    Paz e bem!

    • Emanuel, a paz!

      Recomendo que você leia o “Manual das indulgências” em que está relatado certinho como alcançar as indulgências, tudo aprovado pela Penitenciária Apostólica, cada oração, e as circunstâncias para alcançar a indulgência plenária.

      Pax et ignis!

  • Marisa

    Bom dia. Gosto muito de acompanhar as postagens de vc. Vivo indicando esse site p/quem eu conheço.Porém, gostaria q vc me explicassem o sentido de uma frase desse texto.Vc escreveram: “você pode gentilmente ceder esta graça para uma outra pessoa, viva ou não”, uma vez q tanto o Manual das Indulgências como o CIC(NO. 1471)apontam q as indulgências são adquiridas para a própria pessoa ou para os fiéis defuntos. Obrigada pela atenção,
    abs,
    Marisa

    • Marisa, a paz!

      Sim e a passagem do texto remete exatamente para isso. Vamos dar o exemplo de visitar os cemitérios na semana de finados: o manual das indulgências aponta para uma indulgência plenária restrita as almas do Purgatório, ou seja, ao fazer essa ação, você consegue tirar o seu ente querido do Purgatório, caso ele ainda lá esteja, mas você que fez essa ação não pode partilhar dessa indulgência.

      Pax et ignis!

  • Juliana

    Bom post, mas tem um erro: não se lucra indulgências para outra PESSOA VIVA. Não pode. Ou é para a própria pessoa ou para as almas do purgatório.

  • Gêneto

    Muito bom!!!Como estou trilhando o caminho de ler todos os post”s ainda não sei quando falarão sobre o purgatório e se falarão…Agora tempo de purgatório???Ainda é assim???Estado de purgatório???
    Bom vou avançar um pouco mais e veremos…
    Até agora tá show!!!

    • Gêneto, a paz!

      O purgatório é uma realidade de fé dogmatizado pelo Concílio de Florença e reafirmado no Concílio de Trento, é um dogma portanto. Em breves pinceladas, o purgatório é o estado de purificação final das almas benditas antes de serem introduzidas na visão de Deus. O purgatório serve para purificar os pecados leves da alma já salva, ou para purificar as penas temporais desses pecados, ou então os dois. É um estado de sofrimento santo. É uma tremenda esperança de salvação também. O Catecismo nos diz assim sobre a realidade do Purgatório:


      III. A purificação final ou Purgatório
      1030. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu.
      1031. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativamente ao Purgatório sobretudo nos concílios de Florença (622) e de Trento (623). A Tradição da Igreja, referindo-se a certos textos da Escritura (624) fala dum fogo purificador:
      «Pelo que diz respeito a certas faltas leves, deve crer-se que existe, antes do julgamento, um fogo purificador, conforme afirma Aquele que é a verdade, quando diz que, se alguém proferir uma blasfémia contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado nem neste século nem no século futuro (Mt 12, 32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas neste mundo e outras no mundo que há-de vir» (625).
      1032. Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos:
      «Socorramo-los e façamos comemoração deles. Se os filhos de Job foram purificados pelo sacrifício do seu pai (627) por que duvidar de que as nossas oferendas pelos defuntos lhes levam alguma consolação? […] Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações» (628).”

  • Pedro

    Muito bom ,meus irmãos estou aprendendo bastante com estas postagens do Catequista e dos comentários que se seguem, que Deus abençoe a todos vocês e continue mois firmes na fé !!

  • MÁXIMO

    “Salve Maria” a todos!

    Precisamos catequizar o clero modernista imediatamente!

    Abraços!

  • Anastacia Heck

    sou catequista e vejo que os padres e catequistas em vez de esclarecer direito esse negocio de indulgencias deixam sempre para melhor ocasião e essa nunca chega. por ex agora a abertura do ano santo de musericordia, pelo que eu ouvi qcho que quase ninguem entendeu, é uma pena que os grandes tesouros da igreja catolica acabam se perdendo para a maioria, depois reclamam dos catolicos que mudam de religião. Sabe as vezes vejo a igreja como uma mãe com os seios cheios de leite, nos seus sapatos de salto,não se abaixa para dar o seu leite aos filhos famintos, parabens, continue com suas explicações são muito boas!

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