…e Livrai-nos das Dinâmicas de Grupo. Amém!

moises_dez_mandamentosUm grande o número de catequistas, coordenadores e agentes de pastoral utilizam dinâmicas de grupo para evangelizar. É um tal de passa barbante aqui, assopra bexiga ali, abraça fulano acolá, sempre com alguma liçãozinha besta de moral ao fim.

A proliferação desse tipo de coisa na nossa Igreja só pode ter sido uma forma que o capeta arrumou de afastar do Corpo de Cristo todos aqueles que têm mais de dois neurônios ativos.

Eu já fiz papel de imbecil um dia, confesso. Era um dia chuvoso e sombrio, quando fui obrigada a andar de olhos vendados, para entender o que é um “cego que guia outro cego”; sujei-me de carvão pra mostrar meu comprometimento com os pobres; e fiz bolhas de sabão com um canudinho para perceber como se dá a ação do Espírito Santo na história (oi?).

Não, essa não é a descrição de uma sessão de tortura, mas de um workshop de dinâmicas de grupo para católicos. Em respeito ao bispo que organizou o evento, me esforcei para colaborar com a palhaçada. Se fosse hoje, teria beijado devotamente o anel do homi, pedido a bênção e dado tchau.

sorvete_na_testaAs dinâmicas de grupo, quando selecionadas e aplicadas de forma inteligente, podem até ser úteis para o trabalho de evangelização; há algumas (poucas, devo frisar) experiências bem-sucedidas neste sentido. Porém, na maior parte das vezes, os responsáveis pelas atividades pastorais/espirituais propõe situações infantilóides, incompatíveis com a idade mental dos participantes. Por fim, o pessoal fica descontraído, bate palmas e, com sorte, aprende algum ensinamento cristão-jujuba.

Se você é adepto ferrenho de dinâmicas, pare um pouco e dê uma olhada ao redor: o mundo tá em ebulição, 90% das notícias dos jornais relatam desgraças, a Igreja é combatida pela massa dos intelectuais e políticos, os valores cristãos são ridicularizados pela mídia, os católicos parecem cada vez mais alienados de sua fé… Como as dinâmicas respondem as estas questões? Será que elas conseguem ter o mesmo impacto que toda essa cultura anticatólica que nos cerca?

Repense. Se for o caso, mude. O problema não é usar dinâmicas, mas elas precisam ir direto ao ponto. De nada adianta virar para a pessoa ao lado e dizer “Jesus te ama” se não se consegue dizer ao certo quem é Jesus ou como o amor dEle vence toda a cultura de morte em que vivemos.

E aí? Você vai mesmo continuar fazendo dinâmica com bolinha de sabão e canudinho?

bolha_sabao

Tem católico que acha que acha que essa é uma boa forma de entender a ação do Espírito Santo. Aham, senta lá, sem noção!

89 comments to …e Livrai-nos das Dinâmicas de Grupo. Amém!

  • Antônio Dácleo

    Sem comentários , meus parabéns à página , muito boa matéria ,concordo plenamente ! parabéns!

  • Marcelo

    Quando ia para encontros da RCC me sentia ridículo. Sério. Aquela musiquinha, “Eu preciso de você, você precisa de mim…”, me dá nos nervos, só de pensar em ter que ficar encarando a pessoa e fazendo aquela dancinha brincando de estátua. Hoje vejo que não acrescentaram nada à minha espiritualidade. O resultado percebe-se entre os colegas que se limitaram às dancinhas, e dinâmicas e não se aprofundaram na doutrina, estes só aparecem na Igreja no Batismo, Prim. Eucaristia, Crisma e quem sabe Matrimônio. As dinâmicas populares pregam tudo muito colorido e esquecem que estamos numa perseguição ferrenha à nossa fé. Dinâmicas imaturas, formam cristãos imaturos.

  • ” Sem medo algum se amem mais!”. Gente o que é isso quanta intolerância, Ora se gosta de fazer dinâmica faça-a. Se não gosta não faça. Mas em tudo o que fizeres de graças a Deus. Eu participei de dinâmicas quando tinha uns 10 anos e para mim foi mt engrandecedor. Ora eramos crianças e precisávamos de uma linguagem mais adequada a nossa idade. Depois de adulta não tive outras dinâmicas. Mas concordo com o Cadu Sidoma em sua opinião.

    • Camila Morais

      Por um lado, concordo contigo. Sei de gente que gosta de dinâmicas, de dancinhas, daqueles louvores de Grupo de oração, que obrigam as pessoas às vezes até a fazerem um passo de dança na frente da igreja toda… O problema é: muita gente não gosta. Na verdade, detesta. Aí as pessoas deixam de ir em eventos e encontros legais por causa de um momento de dinâmica… deixam de ir nos Grupos de oração porque serão obrigados a dançar… E você disse que fez dinâmicas quando tinha 10 ANOS. Esse post é exatamente contra dinâmicas na fase adulta, não quando se está na catequese. Criança não liga para isso, porque, como também foi dito, as dinâmicas são frequentemente infantis, o que é compatível com uma pessoa de dez anos de idade. Mas não dá certo submeter adultos à esse tipo de situação.

  • Nilvânia

    Eu sou do tipo: Se tiver dinâmica eu não vou! Ou saio a francesa, tem umas dinâmicas de grupo que são constrangedoras.

  • Gabriela A.

    A PJ da minha paróquia, infelizmente, é basicamente movida à dinâmicas e invenções litúrgicas na procissão de entrada, ofertório, etc. Eu gosto muito do pessoal, vejo que eles têm boa vontade, mas com o tempo fui achando as reuniões cada vez mais vazias de sentido e objetivo… eu queria que pudéssemos estudar um pouco sobre teologia do corpo, estudar o catecismo juntos, ler documentos pertinentes que façam os jovens conhecerem melhor a mensagem da igreja frente à assuntos desafiadores atuais, como o aborto, união homossexual, liberdade versus libertinagem, castidade, família, feminismo versus feminilidade, modéstia, a importância de se confessar regularmente, a importância da santa missa, a importância da oração do terço, devoção à nossa senhora… tanta coisa importante para se abordada nessas reuniões… Não posso negar que todos saíam das reuniões bem alegres e contentes, e até haviam jovens afastados se aproximando, mas faltava alimentar corretamente a nossa fé.

    Acho que os jovens têm sede de conhecimento, sede de verdade, todos temos uma sede enorme de santidade! A maioria das pessoas sente essa sede de Deus e não sabe… por isso acabam se perdendo… acho que as nossas pastorais poderiam ajudar as pessoas a redescobrirem essa sede de Deus e sede de santidade, seria maravilhoso se pudéssemos encorajar uns aos outros à uma vida de oração séria, verdadeira e constante!
    Oremos pelas nossas pastorais, pelos coordenadores, pelos catequistas, pelos párocos e pelos orientadores espirituais!

  • Vinicius Nascimento

    Sou professor e nunca gostei dessas dinâmicas nem em sala de aula, que dirá na Igreja? Também deixei de fazer papel de ridículo faz tempo…

  • rosane

    Não concordo com o artigo, uma coisa é vc achar que as dinâmica talvez não surtem o efeito esperado, mas achar que é imbecilidade fazer ou participar de uma dinâmica é outra coisa. O que move as guerras é a intolerância e é o que dá pra ver nitidamente neste artigo. Fico muito triste de ver nesta página esta matéria.

    • Rosane, sério?! Achar que uma coisa é imbecilidade é o mesmo que incitar a guerra? Nossa, vai começar uma guerra civil, pessoas fuzilando e tacando bomba umas nas outras só porque um grupo acha dinâmica de grupo legal, e outro diz que é imbecilidade. Uaaauuuu…

      Fico muito triste de ver no seu discurso a manipulação da ideologia esquerdista, que quer calar a boca da oposição acusando que pensa diferente de promover “discurso de ódio”. Recomendo que você leia o post abaixo. Vai te ajudar a abrir os olhos.

      http://ocatequista.com.br/archives/16620

  • heloisa helena

    Nasci 1955 sou da década de 70, isto é, era jovem nesta década e tudo era novidade… as dinâmicas eram novidades…mas parece que o tempo passou e muita coisa continua sendo a mesma coisa com o mesmo objetivo…
    gosto de novidade e sou muito resiliente…mas confesso que estamos carentes de novidades neste setor…
    Que tal irmos direto ao ponto, com perguntas que possam trazer à tona a certeza do caminho ???

  • Luis André Ramos

    Acho que as dinâmicas (algumas) podem servir para quebrar o gelo ou introduzir algum tema. Acho que podem ser, inclusive, uma ótima forma de se fazer isso. Mas realmente, fazer um encontro só de dinâmica não serve pra nada (nem mesmo se o encontro for pra crianças).

  • Giovanna

    Gostei do texto! Por acaso você sabe alguma dinâmica de grupo que vá direto ao ponto ? Porque quando procuro na internet só aparece essas dinâmicas jujubísticas do tipo: “abrace o ursinho” kkkkkkkkkkkkk

  • paulo

    Você devia ser mais inteligente e citar algumas dinâmicas que “vão direto ao assunto”.

  • Aurea

    Só quem é catequista há muitos anos,como eu ,sabe da dificuldade de tornar o encontro de catequese interessante,alegre e participativo e que faça os catequizandos levar para a vida o Evangelho. Francamente, uso muitas dinâmicas sim. Mas a melhor dinâmica que uso é o Amor que demonstro aos adolescentes, deixando que falem de suas vidas , seus medos, seus conflitos, ajudando-os a vencer os desafios dessa fase .

  • Mateus Pool

    Compreendo o drama dos catequistas: eles se vêem obrigados a cativar uma audiência de crianças que não traz de casa o mais mínimo conhecimento da fé, da sua importância e dos seus valores. Ignoram o que seja a catequese. Desconhecem todas essas coisas como os pais as desconhecem. Estes entregam a formação dos filhos a outros: ao colégio, ao catequista, ao cursinho de inglês, etc. E falo da verdadeira formação: moral. Aqui na minha cidade a catequese já virou desculpa para paquerinhas. Como fazer bons cristãos? Leiam a vida de Santa Teresinha de Lisieux e de seus pais, dois santos. O problema não são as dinâmicas; o problema é que algum dia alguém tenham cogitado haver dinâmicas!

  • Augusto

    Olá pessoal, visto muito dos artigos daqui. Me ajudam bastante. Sou catequista ah seis anos. Concordo parcialmente com esse artigo.. As dinâmicas ajudam sim, mas com crianças. Mas com adultos acho meio desnecessário algumas dinâmicas. Mas quando procuramos algo raramente encontramos.Eu customo criar minhas próprias dinâmicas, claro, baseadas em outras.

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