Papas do Séc. X (parte I) – Os Piores da História

papa_papaoE então povo católico,

Chegamos ao Século X.  O que vocês vão ler a seguir talvez os escandalize, mas não devemos perder de vista que a Igreja é formada por homens. Lembrem-se de que até mesmo no seu núcleo original, formado por doze apóstolos escolhidos a dedo pelo próprio Cristo, havia Judas Iscariotes. Talvez esse fosse um sinal de que os cristãos nunca ficariam isentos da presença de traidores, mas que isso jamais invalidaria o fato de que a Igreja é, e sempre será, guiada e sustentada pelo Deus Vivo.

Então, antes que algum crente ou anticatólico se anime, vai um alerta: nenhum pecado pessoal dos Papas causa qualquer arranhão no dogma da infalibidade papal. Seja o papa santo ou pecador, ele é sempre infalível quando trata de questões de fé e moral, ensinando a toda a Igreja (ex-catedra).

O SAECULUM OBSCURUM, OU PORNOCRACIA

Machiavel, entre os muitos estragos que sua pseudo-filosofia espalhou, legou ao mundo a imagem de Rodrigo Bórgia (Alexandre VI) como Papa mundano e amoral.  Numa coisa Machiavel estava certo: Rodrigo não era flor que se cheire.  No nosso imaginário ele é talvez o pior papa da história, mas há papas no século X – o Saeculum Obscurum – que fazem essa criatura parecer a Madre Teresa de Calcutá.

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Cardeal César Baronius

Considerado o período mais baixo da história da nossa amada Igreja, o Saeculum Obscurum recebeu esse nome do historiador e cardeal César Baronius.  Utilizando-se dos Annales Eclesiasti de Liutpranto de Cremona, Baronius trouxe à luz muitos acontecimentos tenebrosos desse período, para mostrar ao mundo que a Santa Igreja nada tinha a esconder.  A verdade seria contada, ainda que isso denotasse vergonha pelos atos de alguns dos homens que, mesmo indignamente, ocuparam o trono de Pedro.

Notem que interessante: este esforço de transparência aconteceu no século XVI!

Os demais historiadores, por sua vez, chamaram o período de um nome bem menos elogioso: pornocracia.  Foram cerca de 59 anos de 903 a 963, somente comparáveis à decadência e à devassidão perpetradas por Nero, Tibério, Calígula e Helioboros, sem exageros.

A origem de todo esse mal recai apenas sobre uma família de nobres romanos, mais precisamente sobre certas mulheres dessa família: os Teofilactos.  O destino de Roma esteve por algum tempo ligado aos caprichos daquelas “senhoras”, em especial Teodózia e suas filhas Marózia e Teodózia, a jovem.  Não eram prostitutas na acepção da palavra, mas faziam por merecer o título (a palavra pornocracia é derivada do alemão e não do grego, como pode parecer, e significa “governo das prostitutas”).

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O cadáver do Papa Formoso sendo julgado pelo infame Papa Estêvão VI.

O período que vai de 880 a 1046 registrou o maior número de papas da história: 48, que dá uma média de um ano e meio para cada papa.  Uma opinião pessoal minha é que esse foi o resultado da ira divina: Papai do Céu zangou-se muito com o nefasto “Sínodo do Cadáver” (quando o corpo do Papa Formoso foi desenterrado e julgado pelo infame Papa Estêvão VI. Clique aqui para saber mais).

Antes de mais nada, os dois primeiros papas que veremos não fazem parte da lista de escroques: foram apenas vítimas da balbúrdia que já vinha sendo tramada pelos Teofilacto. Tecidas as considerações, vamos em frente.

Bento IV – Durante o seu papado, os partidários do vilipendiado papa Formoso e seus opositores provocaram uma guerra civil.

Bento IV era um bom homem, que pouco pôde fazer diante da devassidão que surgia no horizonte.  Restou a ele convocar um sínodo para tentar arrumar minimamente as coisas.  Culto e gentil, foi vítima das intrigas e da mesquinharia demoníaca dos Teofilacto.  Teve ainda que enfrentar os húngaros e os sarracenos que batiam às portas de Roma.

Com a morte de Lambert, o jovem Rei, a Itália mergulhou no caos e os Estados Pontifícios perderam seu protetor, Berengário. Este podia suceder o rei, mas foi derrotado pelos magiares e teve suas pretensões contestadas por Luís II, O Cego, de Provença.  Bento cometeu o erro de coroar Luís.  Logo em seguida, recuperando suas tropas, Berengário depôs Luís e o expulsou da Itália.

A generosidade desse papa, sua bondade e seu zelo pelo patrimônio público são lembranças de que ainda havia no mundo homens dignos.  Suspeita-se que tenha sido envenenado pelos partidários de Berengário.  Papa de 900 a 903.

papa_leao_vLeão V - Leão V foi, antes de mais nada, uma vítima, vítima de um mundo ao qual ele não pertencia, vítima da maldade humana, vítima de seres imundos que inundaram Roma e a Casa de Deus de imundície.  Era apenas um sacerdote de uma cidadezinha a 35 km de Roma (Príapo), cuja boa reputação repercutia naquela região.  Foi uma ovelha jogada em meio aos lobos. Seu pontificado durou apenas dois meses.

O ambicioso sacerdote geral da igreja de São Dâmaso, Cristóvão, promoveu uma revolução palaciana com o intuito de assumir o trono.  O Papa Leão V foi jogado às masmorras.  Cristóvão assumiu o papado, mas nem esquentou lugar, pois foi logo deposto pelo infame Sérgio.  Ambos, Leão V e Cristóvão, foram torturados por meses antes de serem assassinados na prisão.

Somente registros extra-oficiais sobraram desse período (presume-se que queriam apagar Leão V da existência).

*****

Pois então, meus amigos, teremos a seguir o início do Saeculum Obscurum, cujo primeiro papa foi…

lord_voldermortSérgio III – Esse demônio é forte candidato a pior papa da história, é o mesmo Sérgio que os inimigos do papa Formoso haviam desejado fazer sucessor de Teodoro II, e foi chutado pra fora pelo Rei Lambert.  Assassino e covarde, manchou de sangue o trono do Príncipe dos Apóstolos.

Sérgio era conde de Tusculum e marchou contra Cristóvão para se vingar da humilhação que sofrera nas mãos dos partidários do papa Formoso. Os tusculanos possuíam ligações sanguíneas com os Teofilacto, a ambição de Cristóvão abriu espaço para a monstruosidade oportunista de Sérgio.  Uma das suas primeiras atitudes foi convocar um sínodo para confirmar… o Sínodo do Cadáver. Ganhou um 10.000 na escala Alexandre VI de patifaria.

Sérgio governou Roma com mãos de ferro graças ao apoio dos Teofilacto, que agregaram ao seu redor a maioria da nobreza, bem como através do favorecimento do funcionalismo público.  Governou pelo medo e pela dor.

Alguns defendem suas obras, como a reconstrução da Basílica de Latrão que havia sido parcialmente destruída por um terremoto que aconteceu… durante o Sínodo do Cadáver.  Depois dizem que Deus não avisa.

Curiosidade: o poltrão que estamos tratando foi ordenado diácono pelo nobre papa Formoso e, como as ordenações deste foram injustamente canceladas, Sérgio se fez ordenar novamente pelo papa Estevão VI (tão canalha quanto ele).  Parece uma idiotice, mas ele queria evitar que se invocasse contra ele o cânon 15 do Concílio de Nicéia… O pulha planejava há tempos ser papa!

velho_jovem

Pra piorar a coisa, Sérgio levou para sua cama a nefasta Marózia Teofilacto (o velho safado gostava de uma Lolita… ela tinha 15 anos).

Certo da sua impunidade e sequioso por escrever seu nome na história, Sérgio quis apagar os nomes de João IX, Bento IV e Leão V, datando o início de seu papado em 897, como sucessor de Teodoro II.

Mas parece que o ódio ao papa Formoso era o mote de sua vida.  Reafirmando as anulações do Sínodo do Cadáver, Sérgio III instaurou o caos na Igreja, uma vez que Formoso ordenara muitos padres e bispos que se viam agora “desordenados” por obra e graça de um louco.  Para consertar a grande “M” que estava fazendo, Sérgio determinou que todas as ordenações fossem refeitas… sem comentários.

Contribuindo ainda mais para o afastamento entre Ocidente e Oriente, Sérgio III aprontou das suas também com Constantinopla.  Quando o imperador Leão VI, O Sábio (tava mais pra sabichão), foi proibido de casar-se pela quarta vez pelo patriarca local, eis que vem Sérgio todo pimpão abençoar a união do dito.  Resultado: cheio de si, o imperador chutou o patriarca, que não ficou nada feliz, bem como o povo grego de Constantinopla.

E a gracinha não acabou por aí… Os Teofilactos ainda fizeram Teodózia e Marózia Senadoras de Roma.  Não por acaso, muitos fiéis consideravam que o terremoto ocorrido durante o Sínodo do Cadáver fora um sinal de descontentamento divino.  Hoje, muitos de nós católicos, quando chegamos a ter conhecimento da história nojenta desse papa, nos perguntamos: por que o descontentamento divino não fez chover paus e pedras na cabeça de Sérgio III?  Papa de 904 a 911.

*****

Devido à extensão e a complexidade do tema, daremos um tratamento especial ao século X, utilizando 4 posts.  Acompanhem!

Papas do Séc X (Parte II) – Marionetes dos Teofilacto

Papas do Séc. X (parte III) – Roma sente o bafo do inferno

Papas do Séc. X (parte IV) – Brincando de ioiô

47 comments to Papas do Séc. X (parte I) – Os Piores da História

  • Como ja havia falado Paulao respeito o devido cidadao pq afinal caso eu tivesse nascido naquela epoca ele seria o Papa, mas grd desprazer foi o trono petrino ter sido sentado por um traseiro tao maligno.

    O Seculo X é só mais uma prova que a Igreja é divina. Se ela nao fosse, nessa epoca, ou em qualquer outra de perseguiçao maldita, ela teria caido, mas nao caiu pq as portas do inferno nao tem poder contra ela nem nunca terao.

  • Paulo Ricardo

    Respeitar Sérgio III? Isso é o mesmo que dizer que eu não gosto do Hitler mas respeito ele. Quem não se dá ao respeito não merece respeito. Ponto final.
    A rapaziada de quem ele arrancou a pele (literalmente), torturou, matou e vilipendiou com todo tipo de infâmia, muitos bons cristãos, indignados, sentiram bem mais que um “desprazer”, sem contar nos estragos para reputação que Wycliffe, Huss, Calvino e Lutero usaram tão bem. Você acha que eles amavam citar quem quando falavam de papa do cabrunco? Gente simples e boba caiu na deles como cai na lábia da pastora daqui da esquina até hoje, com uma ajudinha, lá longe claro, de Papas como esse chefe de mafuá. Se a vida de Sérgio III teve um propósito esse foi o de nos lembrar da nossa humanidade sim, e outro de que a Igreja está acima de tudo mesmo com esse naipe de canalha tentando fazer de tudo para destruí-la.

  • Eu ja penso um pouco diferente Paulo. Se quero respeito, devo respeito a todos, mesmo quem foi tao execravel como Hitler, Sergio III e compania. O cara foi Papa, portanto mesmo sendo um crapula nojento, ele foi pastor universal da Igreja de Cristo e Sucessor de Pedro. Se eu tivesse vivido em sua epoca o respeitaria como tal, nao q goste dele, mas respeito.

    Ale, com ctza essa é uma verdade belissima: a Igreja é o designio de Deus para a humanidade. Msmo com líderes como esses, verdadeiros habitantes do inferno, ela é toda Santa e toda pura.

  • Paulo Ricardo

    Você é humano? Vai lá, Respeita Hitler, Sérgio, Stalin, Napoleão, Jean Wyllis… Caraca, quer ser mais santo que a santidade? Cristo por muito menos chutou um monte de safado do Templo de Jerusalém! AH! Mas claro que ele fez isso com muito respeito. Nada que dez pai nossos e vinte ave-Marias não resolvam. Ops, esqueci… foi ele quem ensinou o Pai Nosso. Aliás, esqueci mais ainda, ele era Deus. Vou roubar a mitra papal de Bento XVI e passar a ser digno de respeito. pois foi o que Sérgio III fez de Leão V. Passei a ser respeitado, sou um ladrão, sem vergonha, pedófilo safado, mas estou usando um chapéu na cabeça que me faz ser merecedor de respeito. Sou pastor espiritual do povo de Deus porque comprei todo mundo. Não é lindo meus irmãos? Durma-se com um barulho desses.

  • É, Cadu. Vamos definir respeito. Se respeito significa educação, temperança e civilidade, ok. Se significa seguir a declarações ex-catedra que são INFALÍVEIS MESMO PRA ESSES PAPAS, porque provém do Espírito Santo, mais correto ainda.

    Agora respeitar no sentido de não questionar, abaixar a cabeça… aí não. Muito menos com os exemplos citados do tipo Hitler, Stalin e cia. Pé na porta e tapa na cara é o mínimo que se espera.

  • Paulao quero sim ser muito santo, alias isso é apenas uma simples obrigaçao pra mim, como dizia a Beata Madre Teresa de Calcutá. O respeito que me refiro amigo é respeitar o ser humano dentro desses monstros, aquilo que Deus fez q era bom e bonito, caso todo mundo fizesse isso, olhasse a humanidade e a dignidade que no fundo habita em cada um, não haveria odio no mundo, nao brigas, mas odio.

    Eu quero, desejo ouvir cada barbaridade que estes cidadaos fizeram pq ai eu posso ver o quanto é bom viver a conversao e a santidade. Toda e qualquer historia errada, precisa ser contada para contar e viver uma certa. Questiono sim. Nao respeito as atrocidades deles. Obvio q nao. Mas respeito que mesmo tao nojentos eles sim tinham a autoridade petrina. Ja Napoleao, Hitler, Stalin, pq tbm foram seres humanos mesmo tendo sido tao crueis. Respeito é o minimo de amor. Amar ate os enimigos mais hediondos nao?

    Ale perfeito oq vc disse. É exatamente assim. nao abaixar a cabeça, ser condescendente, nao denunciar, claro q nao. É preciso indignaçao, chutar o balde pra q nao se repita, ser duro sim, mas respeitando quem foram e suas autoridades divinas. Mesmo esses crapulas foram Sucessores da Pedra em que Cristo fundou sua Igreja. Abraço irmaos amados!

  • Paulo Ricardo

    Qual a parte do: roubou a mitra do Papa legitimamente instituido, Leao V, que voce nao entendeu?

  • Eu entendi tudinho amigo, mas mesmo com tantos pecados, tanta maldade, nem eu nem ngm pode tirar a autoridade Paulo. Ele foi sim um assassino um crapula maldito e safado mas foi Papa, Cabeça Visivel da Igreja. Paulo ele pode ter sido maior demonio do mundo, mas digamos que ele tivesse deixado um doutrina dogmatica com o poder das chaves, vc chutaria a doutrina pq ele era um monstro e assim se tornaria um herege ou vc aceitaria pq ele seria o Vigario de Cristo na epoca? É só isso. Nao to entendendo porque tanto espanto. Uma equaçao simples.

    • A doutrina eu aceitaria, contanto que fosse ex-cátedra. Mas se ele fosse o maior demônio do mundo, iria, no mínimo levar umas porradas! Nosso povo católico não pode ter sangue de barata não!

    • Paulo Ricardo

      Ah! Não pode? Ele tirou! Tirou a autoridade de Leão V, isso pode?
      Quer saber, isso aqui tá parecendo dieta do Tim Maia: “em dois meses você perde exatamente 8 semanas”.

  • Maycon César

    Muito interessante as histórias, e contadas de uma maneira bem interessante. É bom conhecer a história, sem condenar a Igreja. Parabéns pela iniciativa. Luto muito por isso, nos lugares q vou.

  • Paulo Ricardo

    Faço minhas as palavras do Alexandre. Respeito consegue-se com merecimento. Pena que a Igreja Católica no Brasil está virando motivo de chacota tal a quantidade de “alminhas puras”. É santo demais pro meu gosto. Será que só eu e mais meia dúzia temos brios? Será que ninguém mais é capaz de reconhecer a sua situação de pecador? Que não vale nada? Bom, eu sei que eu não valho e não sirvo para santinho e detesto condescendência. Já disse mais de mil vezes, nos tempos de hoje precisamos de guerreiros tal o nosso déficit.

  • Concordo plenamente com vc Paulo, precisamos de gurreiros sim mas cada um luta do seu jeito. Como eu ja disse aqui varias vezes sei mto bem que sou pecador mas nao fico indiferente. Luto e com a garra de um jovem catolico que escolheu o ceu nao posso e nao vou de modo algum viver em pecado, ser condencendente com ele, nao vou mesmo. Unido a graça luto e lutarei sempre pela santidade.

    Ale eu tbm aceitaria a doutrina caso fosse dogmatica e tbm seria um dos aras que precionaria o Papa a se converter e ter uma atitude nao so de Papa mas de cristao acima de tudo. O cara era sim um demonio maldito mas sua infalibilidade nao poderia ser questionada, pq caso fosse nós seriamos hereges. Todos nós devemos ter uma coragem de cruzado hj em dia, mas tbm doçura e obediencia q obviamente nao podem ser cegas.

  • Alan Ramalho

    O que me diriam deste trecho:

    “Louco é o homem que está longe ou que age contra o Vigário, que detém as chaves do Sangue de Cristo crucificado. Mesmo que seja o diabo encarnado, eu não tenho de levantar a cabeça contra ele, mas tenho sempre de humilhar-me e pedir misericórdia através do sangue. Não presteis atenção ao que o diabo propor-vos-á, e de fato já propõe, sob o pretexto de virtude, que é pretender fazer justiça aos maus pastores por causa de seus defeitos. Não acrediteis no diabo: não queirais fazer justiça sobre aquilo que não vos diz respeito. Deus não quer que vós ou qualquer outra pessoa se torne carrasco de Seus ministros. Ele reservou a Si mesmo o julgamento, e assim a Seu Vigário: e se o Vigário não fizer justiça, temos que humildemente esperar a punição e correção pelo Juiz Supremo, o Deus eterno.”
    (Santa Catarina de Siena, Doutora da Igreja, a Barnabé Visconti, senhor de Milão. Epistolário, Volume I, Carta n 28)

    • Oi, Alan!

      Quem sou eu pra discordar desta grande santa. Entretanto, humildemente, preciso fazer uma ressalva.

      Veja, discordo do meu amigo e parceiro de blog, Paulo Ricardo, quando ele diz que um sacerdote que não está exercendo uma função ex-cathedra é só um homem comum. Na verdade, conforme a Tradição, um sacerdote merece um respeito especial, em qualquer situação. Podemos lembrar, por exemplo, do Rei Saul (que não era sacerdote, mas era o “ungido do Senhor”): ele, louco, vivia tentando matar Davi; este, por sua vez, teve diversas oportunidades de matá-lo, mas não o fez pq respeitava a condição do rei de ungido do Senhor.

      Entretanto, há limites. A dignidade humana não pode ser refém da tirania de um sacerdote. Te dou um exemplo: meu sogro, que é espanhol, me contou que lá na terra dele, na Galícia, um padre deu a maior bofetada na cara de um menino que estava jogando bola em frente à sua paróquia. O padre estava incomodado com o barulho das crianças, então foi tá e tacou o maior bofete. Pois bem. O pai do menino atocaiou o padre na estrada, parou o carro dele, o arrancou de lá de dentro e lhe meteu a porrada. Eu achei muito bem feito.

      E depois, esse padre aprontou tanto e se tornou tão odioso à comunidade, que passou a ser ameaçado por todos e foi obrigado a sair de lá. E já foi tarde. Menos um para escandallizar os pequeninos da região.

      É isso, Alan. Pra mim, padres são sagrados. Mas se bater na cara de um filho meu, vai tomar um belo chute no rabo.

  • Santa Catarina de Sena rogai por nós! Ela sentiu na carne essa obediencia Alan. Ela sabia do tamanho dos pecados da corte do Papa na epoca que vivia em Avignon (vou adorar ver o Paulo destrinchar o Grande Cisma do Ocidente no seculo XV), implorando que ele voltasse a Roma. Ela disse a ele que o cheiro de enxofre da corte do Papa estava sufocando as suas narinas e implorou com toda humildade que ele retornasse. O Papa fez o que a grande santa pediu e o cisma finalmente findou apos 60 anos.

  • Carlos Santana

    Pessoal, descobri este blog há pouco tempo por indicação de um outro blog que gosto muito de acessar: sentir com a igreja. Vocês estão de parabéns. A linguagem é muito atual e engraçada, porém sem perder a classe. Acesso sempre, mas gostaria de ser avisado por e-mail quando ocorrer nova publicação, assim como acontece com “o sentir”. Mais uma vez, parabéns. Continuem com este belo trabalho. Informa e forma de uma forma divertida.

  • Paulo, deixa ver se entendi o porque da sua revolta (ou espanto).

    O Problema é que, na realizadade Sérgio III tinha (tem) o status de Papa, mas na realidade não o foi. Ninguem se torna Papa por que quer, mas porque o Espirito Santo o conduz até ali (Vide Adriano II, que tentou como pode fugir da missão).

    Não posso simplesmente me autoproclamar Papa, ainda mais na situação que se deu.

    Deste modo não haveria por que respeitá-lo como Papa pois, apesar de se-lo de fato não o era de direito. O Papa legitimo desta época seria Leão V.

    abraços
    Deus abençoe
    Pax et Bonum
    Philipe Lucas

  • Entao Philipe caso a Igreja diga que Sergio III nao foi Papa pronto aí vc venceu, mas enquanto a Igreja e a historia o vê como Papa nao sou eu que vou enfrentá-lo pq ele teria sido o Vigario de Cristo.

  • Mas ele foi Papa, de fato mas não de direito, entende.

  • Isso é vdd Philipe. De fato nao de direito. Mas por ter sido de fato, nas questoes de fé e moral, (grande ironia nao?!), caso fosse ex cathedra, eu aceitaria a doutrina.

  • Seu raciocínio foi perfeito Philipe. Sérgio aproveitou-se da revolta de Cristovão para roubar a Mitra, mas não a devolveu a quem de direito (Leão V). Ele é reconhecido pela Santa Igreja porque realmente exerceu as funções de Papa durante um considerável tempo para época. Mas daí a respeitá-lo vai uma distância enorme. O que parece que muita gente não quer perceber é que o dogma da infalibilidade além de só ser válido para questões ex-catedra, nada tem haver com o ser humano, mas sim com o Espírito Santo.
    Vejamos, caso eu encontrasse o digníssimo Sérgio no meio da rua, enchesse ele de porradas, cortasse sua língua e enfiasse uma espada sarracena na sua papal goela, nesse preciso momento, ele estaria ELABORANDO DOUTRINAS? Óbvio que não, ele nada era mais do que um homem! Fico feliz em ver espíritos capazes de estabelecer contato com a realidade como seu Philipe. Tem gente que só sabe mesmo é beijar barra de batina. Nem percebem que caminham a passos largos para os braços de Lutero, mesmo achando-se a quintessência da carolice católica.
    Eu sei que não valho nada, vou passar o resto da minha vida penitenciando-me, mas não para padres. Eu respeito-os, mas encaro-os nos olhos, respeito-os como homens (quando são homens), nada mais. Mesmo o maior dos padres, Bento XVI,um homem que eu respeito, admiro, por quem rezo e peço longos anos para seguir em frente como nosso vigário, caso eu soubesse de algum feito seu que denegrisse o comportamento que teve ter o Papa, não me furtaria a xingá-lo, mas tenho certeza que isso nunca irá acontecer.
    Mas você quer ver essa polêmica toda acabar? É só um padre qualquer dizer que é dever do católico pio chutar a memória nojenta do Papa Sérgio III para debaixo do tapete. Eu penso, às vezes, se essa incrível capacidade em ser teleguiado não é um dom de Deus. Com certeza, se eu a tivesse iria me meter em bem menos confusões.

  • Paulo, de história eu sou péssimo, então me responde, houve algum pronunciamento do papa Sérgio III sobre questoes de fé e moral), ex-cathedra.

    (eu acho que não, pelo que sei são poucos os pronunciamentos com este peso e, alem do mais, o Espirito Santo não deve ter permitido)…

  • Paulao nao sou carolo chato da velha guarda mas eu devo o minimo de respeito a todo e qualquer ser humano que exista. Sergio III foi um monstro e como vc disse merecia ate uns bons tapas sem duvida mas só porque pode-se faze-lo nao da necessariamente o direito de bater. Respeitar nao é admirar. Respeito nao é so pra quem se ama e quer bem. Repeito é pra todos sem execessao. Nao sou nada. Muito menos que muitos. Mas quero e busco sempre a parte boa, a parte bonita que é a Imagem de Deus em cada um. So isso meu caro.

    Philipe, nao. Sergio III nao deixou nada nao. So usei como exemplo. Os pronunciamentos ex cathedra sao extremamente raros (ate hj so foram 2: Imaculada Conceiçao-Beato Pio IX e Assunçao da Santissima Virgem-Pio XII)

  • Eduardo Araújo

    Caro Paulo, esta série sua é fantástica! Estou digerindo-a com avidez.

    Ao Cadu: meu caro, houve papas que fizeram na verdade um grande desserviço à Igreja. Sem falar que nem sempre a sua colocação no Trono de São Pedro foi de lisura inquestionável.

    Espero, aliás, que o nosso historiador cubra toda a história. Prepare-se, então, caro, para os papas da Renascença, tipo Alexandre VI (o famoso Rodrigo Borgia) e Júlio II (que mais parecia um cavaleiro medieval, montado num cavalo,com armadura e tudo).

    Permita-me, ainda, propor-lhe à guisa de exercício na consideração do passado a saudável reflexão de que honrar a história de nossa Igreja significa não somente destacar os pontos bons (incontáveis), mas também os de triste memória. Estes, até, para melhor ressaltar as virtudes, os bons e ótimos papas que tivemos.

    • Agradeço o elogio Eduardo e peço a Deus que mantenha-me humilde (embora sei que muitas vezes eu não seja). A série dos papas é longuíssima e deve ter uma interrupção, claro, quando chegarmos no Século XVI para falarmos da “Reforma” que permitiu a Silas Malafaia hoje não morrer de fome. Retornaremos em seguida, para concluir, para os mais curiosos, a série termina em João Paulo I. João Paulo II, tal a quantidade de fontes, por si só, é capaz de fornecer outra série de posts de igual monta à série dos Papas e portanto não faz parte da mesma. Mas não se preocupem, nosso Beato será muito bem tratado historicamente, com posts e mais posts e mais posts. Como disse, João Paulo II é o Papa mais bem documentado da História.

    • Concordo plenamente Eduardo. Por isso tbm sou mega fã de carteirinha da série dos Papas. Adoro ficar aqui e mergulhar na história da Igreja. É muito unica a Historia da Igreja de Cristo. Com ctza houve nomes maravilhosos e houve tbm os quais nós precimos falar mesmo nao gostando. Isso me lembra o famoso versículo:”Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.”

      Paulao Joao XII foi outro ser deploravel da historia da Igreja. Papa muito jovem (18 anos !?) que nao governou mas que se deixou governar pela escória maldita na qual ele se encontrava. Esse pode sim ter sido o rei dos piores sem duvida.

      • Leilah

        Achei interessantíssima essa discussão dos papas canalhas, por jovens lúcidos como vocês, que nem por isso vacilam na fé solidamente edificada na Rocha que é Cristo e na pedra que é seu vigário.
        Acredito que a infalibilidade papal acontece (também) exatamente por causa da falibilidade moral dos homens que ocupam a cadeira de Pedro. Pois o que seria de nós se o Senhor não intervisse em nossa fragilidade com seu Espírito para nos confirmar na verdade? A infalibilidade não é privilégio pessoal para o bel prazer do papa. É dom para o povo de Deus que o inclui. E este dom do Espírito vem em nosso socorro, apesar da nossa falibilidade moral pessoal, nela incluída o papa. Os erros pessoais dos papas não dispensam nem impedem a guia do Espírito, antes a pedem e gritam por ela: “VINDE SANTO ESPÍRITO, VOIS SOIS A ALMA DA IGREJA! A GRAÇA BENFAZEJA QUE NOS IRMANA NO SENHOR!”. Vinde e clareai nosso caminho ainda que seja a contragosto do papa, usando o mesmo papa. Talvez Pedro (junto com Tiago e os outros) tenha tido que confirmar Paulo e sua missão, contrariando muitas coisas que culturalmente o repugnavam, pois era um judeu tradicional e os ATOS registram sua resistência sendo paulatinamente vencida, com relação à admissão dos não judeus ao Reino de Jesus. Os atos o mostram no Concílio de Jerusalém dando humilde testemunho dessa resistência inicial, de que como teve que ser convencido da vontade de Deus acerca do chamado aos não judeus e ao modo de proceder com eles. E ainda assim, depois do concílio, os depoimentos de Paulo nas cartas mostram como ele, Pedro, ainda tinha resquícios dessa resistência e preconceito a um caminho aberto pelo Espírito de Deus (a saber: a conversão dos gentios com as necessárias mudanças disciplinares que isso acarretava nas normativas judaicas então em curso). Caminho este, que foi sancionado inclusive com sua autoridade apostólica e quiçá contra suas preferencias e resistências pessoais. Os adversários do dom/fato/dogma da infalibilidade papal imaginam o papa como um senhor todo poderoso, acima dos mortais e não conseguem perceber que este é um dom para o povo de Deus, incluso o papa. No caso de Pedro me parece muito claro isso. Ainda que naquele tempo a igreja não tivesse ainda amadurecido a consciência do ministério petrino/papal como o cremos hoje, e a autoridade de Pedro aparecesse (nos ATOS) em colegialidade com a de Tiago e João, para mim fica claro por toda a narrativa de ATOS e das Cartas Paulinas, como o dom da infalibilidade é socorro para nós, para que nós tenhamos a guia do Espírito e como esse dom e socorro independem da coerência moral pessoal do papa. Jesus não disse: “na medida em que vossos líderes sejam muito santos e coerentes, eu estarei convosco até o fim do mundo e enviarei o Espírito para revelar a verdade completa”. Disse simplesmente que estaria conosco e que o Espírito nos conduziria à plena verdade.
        Verdade essa a que todos devem se ater inclusive o papa, goste ou não. Por exemplo: Bento 16 deve-se ater e obedecer ao que Pio XII definiu como fato-dogma a partir da cátedra. Ele não é um mandante arbitrário que faz o que dá na telha, mas obedece a uma história e à lógica do Espírito do Senhor nela. E no caso de uma definição ex-catedra (a história o mostra) dogmática, apesar das normais controvérsias, não é a vontade pessoal do papa que se impõe sobre a igreja. Há um período prévio de intenso diálogo em que o santo padre se põe à escuta do Espírito que fala através dos outros bispos (como no Concilio de Jerusalém, inclusive) dos teólogos consultados e do “sensus fidei” do povão de Deus. E esse diálogo ás vezes dura por vários pontificados. Isso faz cair por terra o mito/calúnia que muitas mídias gostam de espalhar caricaturando a igreja como a “MONARQUIA ABSOLUTISTA” mais duradoura no tempo: um quisto estranho numa época “democrática” como a nossa. O único monarca absoluto que seguimos é Jesus, e só Ele pode dar alicerce duradouro a qualquer democracia. Por isso a democracia moderna, não por coincidência, tem sua raiz última numa cultura que foi lentamente fermentada pelo Evangelho de Cristo.

        • O que é muito bom frizar Leilah é o fato de que a dogmática não é sao simplismente Leis todas-poderosas que não se podem sob hipotese alguma duvidar acidentalmente (nao arquitetadamente que é pecado grave, pois desconfiar de algo q a Igreja ensina propositalmente é descofiar da Esposa de Cristo, pecado contra ela gravissimamente) mas que é um Dom, uma Verdade, uma Graça que Deus deu a sua Igreja que precisa ser amada, ensinada, compreendida, carinhosa e humildemnente aceita por td povo de Deus. Amo a Dogmatica msmo tendo q aturar as chatissem de varios professores que se revolçtam de coraçao contra a Verdade.

          • Leilah

            É verdade. Infelizmente criou-se um preconceito (fora e dentro da igreja) contra o DOGMA, como se ele fosse um empecilho autoritário barrando toda discussão/investigação/progresso do pensamento e da atividade humana. Mas ao contrário, o DOGMA foi e tem sido historicamente o maior impulsionador do progresso. Veja o dogma da Encarnação Divina do Verbo, do Deus feito homem. Uma investigação isenta (inclusive recorrendo a autores ateus) mostrará como a consciência dos Direitos Humanos, da Democracia, o Método Cientifico, a Abolição da Escravatura, a Autonomia da Razão Humana e muitos outros valores e conquistas tão caros à modernidade, são em última análise frutos da milenar semeadura do Evangelho na sociedade humana, impulsionada por crentes no DOGMA do Deus feito homem. O DOGMA mesmo expresso na nossa linguagem humana limitada, só pode mesmo impulsionar o progresso humano, pois ele é um aceno de um ponto último, de um lugar último (o lugar do DIVINO) para nós que ainda estamos no tempo, peregrinos no tempo, atraídos pelo ímã do ETERNO que se comunica conosco no fato vivo do DEUS CONOSCO: JESUS.
            O Dogma não é uma mera teoria, ele é a reflexão da experiência viva, dessa nossa experiência de termos sido alcançados pelo DIVINO em nosso tempo e realidade histórica. Nada mais concreto e real do que o DOGMA. Ainda que ele seja um balbucio tímido de um bebê, ela é a expressão da nossa experiência com o MISTÉRIO que veio entre nós e transformou nossas vidas. O bebê sabe (mesmo que só intuitivamente, sem saber verbalizar) que é amado pela mãe, vive um fato, uma experiência real e concreta. Nós sabemos do que temos visto e ouvido e “nossas mãos apalparam o verbo da vida” dizia João. Experimentamos o MISTÉRIO do DEUS CONOSCO e agora tentamos traduzir e comunicar essa experiência viva, grande demais para caber em palavras. Mas ainda assim falamos, balbuciamos sobre a grandeza que não cabe em palavras, para comunicar nossa alegria aos outros e essas palavras são os dogmas. As palavras da fé. Expressões de uma experiência que temos feito com o ETERNO. Expressam o que o ETERNO nos disse e nos fez e faz experimentar. E por serem PALAVRAS do ETERNO, do MISTÉRIO DIVINO expresso em nossa limitada linguagem, são palavras que impulsionam enormemente a busca humana, já que são vindas do ponto para onde todos caminhamos. São sim o ponto final porque nos vem do infinito, mas exatamente por isso, são também o “chute” inicial, o ponto inicial de uma busca apaixonada e criativa de sentido e razão. Veja por exemplo, o enorme impulso no pensamento humano, surgido do encontro da filosofia grega com o dogma cristão. Não é possível entender a história da filosofia sem este encontro. Isso sem falar da ARTE (visual, musical, dramática) da CIENCIA, da UNIVERSIDADE. Se o dogma fosse algo que fecha, nada disso teria sido possível. Mas o dogma da fé impulsionou tudo isso e muito mais. Já o contrário do DOGMA, o relativismo (o “dogma” do relativismo) esse sim, fecha a discussão, a busca, o diálogo , o progresso, pois já que a verdade não existe, já que o ponto “final” (do lugar do DIVINO, do ETERNO) não veio ao encontro de quem ainda caminha no tempo, é inútil perder tempo buscando o sentido, o sentido da vida humana válido para todos. Mas uma vez admitida a possibilidade de existir O SENTIDO, A VERDADE, isso só pode nos impulsionar. Sobretudo porque essa VERDADE, ESSE SENTIDO feito carne em Cristo Jesus, ao se revelar a nós, continua a ser MISTÉRIO, e por isso ÍMÃ que atrai mais e mais. Por isso é bela a história da fé, da Revelação Divina, sendo descoberta em todos os seus desdobramentos ao longo do tempo. É um mistério que vai se descobrindo apaixonadamente, é de progresso em progresso, que a igreja avança rumo à compreensão do Mistério Divino que a tocou um dia há dois mil anos atrás. E os DOGMAS são pontos altos dessa busca. Como poderia Paulo lá atrás sequer imaginar que a fé em Cristo Senhor, Deus feito homem, nos levaria a desdobramentos como a fé na ASSUNÇÃO de MARIA, que na etapa da história da fé que ele viveu, só mereceu dele uma referencia sóbria e discreta (“DEUS enviou seu filho nascido de mulher”, Paulo diz só isso da Mãe de Deus e nada mais, porque muito do mistério revelado, ainda estava por ser mais bem compreendido). E como esse DOGMA da ASSUNÇAO da VIRGEM MARIA, nos levou a novos aprofundamentos do Mistério que nos tem tocado e transformado há quase 2 mil anos, como nos fez compreender como nunca antes, a natureza da igreja, o destino do povo de Deus como tão bem esclarece a LUMEM GENTIUM ao refletir o mistério da Igreja à luz de Maria e vice-versa. Assim o DOGMA puxa, faz avançar para diante, marca pontos altos, saltos qualitativos tremendos e extraordinários na compreensão do que Deus tem realizado entre nós. Para quem de fato percebe o que ele é, o DOGMA portanto não é algo parado. Não é “ROMA FALOU, ÁGUA PAROU” no sentido pejorativo. Mas é ‘ROMA FALOU (a partir da experiência do Mistério Revelado) ÁGUA COMEÇOU A ANDAR COMO NUNCA! PAROU sim, a estagnação e ganhou como nunca, um poderoso impulso, toda busca e investigação humana, pois não é mais uma busca às cegas, às apalpadelas errantes no escuro do relativismo, mas uma busca agora impulsionada pelo FAROL luminoso do MISTÉRIO feito presença entre nós. Ainda caminhamos na penumbra do tempo, mas a LUZ está sempre à nossa frente como guia, limpando sempre mais a nebulosidade da neblina, até aquele dia em que veremos sem véu. DOGMA de FÉ é abertura, empurrão para ir sempre mais além. É exatamente o contrário de todos os estereótipos e preconceitos fabricados para atacá-lo.

          • Leilah, tudo o que vc falou sobre o preconceito contra o dogma é perfeito. E isso nasce exatamente do desconhecimento das pessoas sobre o significado, a função e os frutos dos dogmas da Igreja. Já escrevemos um post sobre isso, o “Hot Dogma…”:

            http://ocatequista.com.br/?p=1737

  • Leilah

    Este site (blog, né?) de vocês é genial, caríssima catequista. Uma visão de catequese inteligente, madura, experiencial e doutrinária ao mesmo tempo. Seria muito bom que sites oficiais das dioceses e/ou CNBB tivessem link para o blog de voces.Pois infelizmente a enorme maioria das paróquias brasileiras vê a catequese como um “cursinho” em função apenas da primeira comunhão ou crisma (muitas vezes vistas como cerimonias sociais). Mas o blog de voces, dá para ver isso claramente, parte da perspectiva da catequese como EDUCAÇÃO PERMANENTE DA FÉ (incluindo o e a catequista)que até pode ter tempo para começar,mas nunca acaba, pois quanto mais se conhece mais se ama e se quer conhecer. Que o bom Deus abençoe largamente esse ministério e que o Bem Aventurado César de Bus, Santa Clélia Barbieri e São Carlos Borromeu, padroeiros dos catequistas intercedam junto de Jesus para que a exemplo da criatividade de São Carlos, voces continuem a tornar Jesus mais amado, conhecido e seguido. Grande Abraço.

    • Leilah, muito obrigada pelas suas palavras! Em um grande abraço pra vc tb!

    • Paulo Ricardo

      Tem que ser muito “chapa branca” para ser indicado pela CNBB. Da minha parte eu a desconsidero como representante do povo católico, e acho que se eu estiver um dia trabalhando para eles não estarei trabalhando para Jesus e para a Igreja. Vejo a CNBB como usurpadora de uma autoridade que absolutamente não lhe pertence. É uma ONG que cresceu demais e virou um terror, sem contar que lá tem muito mais gente que acende vela pra Karl Marx do que para o próprio anjo da guarda.

  • Júlio Oliveira

    Sou católico e tenho vergonha de tantos pseudo-papas que passaram pela Igreja. Dá nojo só de pensar. Esse último não passa de um idiota com poder em mãos.
    Parabéns pela série :D

    • Bem, Júlio, apesar de nossa vergonha, não podemos afirmar que se tratavam de pseudo-papas. Eram pontífices legítimos, tanto é que, sob a luz do Espírito Santo, conduziram a Igreja de forma perfeita na pregação da fé e da moral para a Igreja universal.
      Como vimos, se estes maus pastores não derrubaram a Igreja, ninguém mais derruba.

  • Júlio Oliveira

    Como pode-se pregar a fé se as ações de certos “papas” eram tão repulsivas?
    Acredito que a maior pregação está em atitudes, pois não adianta pregar belas palavras se as atitudes são conflitantes com o que foi dito.
    Eu entendo o que dizes, mas discordo quando fala que a pregação foi perfeita.

    Sem dúvidas a Igreja não será derrubada, pois o pior já passou.

    • Júlio, o que A Catequista disse, é que mesmo quando a Igreja passava por esse momento de trevas, o Espírito Santo cumpriu sua promessa de infalibilidade como diz nossa fé; se um desses monstros tivesse declarado algo como verdade de fé, seria obrigação nossa aceitar. A graça opera “ex opera operator” nos Sacramentos e na Igreja, aqui teria sido o mesmo.

    • Júlio,
      Eu não disse que eles foram testemunhas de Cristo. Está evidente que não foram. O que eu disse é que tudo o que eles pronunciaram, oficialmente, como papas, sobre fé e moral para toda a Igreja, foi perfeito. Eles não deturparam a doutrina, não ensinaram nada errado. Isso por causa da assistência do Espírito Santo, dada pela promessa do Cristo, que disse que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra a Sua Igreja.

  • Júlio Oliveira

    Compreendo e concordo nesse ponto.

  • BIANKA CRYSTYNA VENTURA DA COSTA

    NOSSA INTERESSANTE O ASSUNTO SOBRE OS PAPAS DO SECULO X

  • marcelo carlos

    seria interessante uma publicação sobre o papa marcelo II.

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