Demorô, demorô! É o Apocalypso! – Entendendo as profecias

apocalipse_demoro

Toda a vez que abre o livro do Apocalipse você não entende néca di pitibiriba? Não desanime! Entenda agora alguns dos principais mistérios do último e mais enigmático livro da Bíblia.

Na época em o apóstolo João escreveu o Apocalipse (perto do ano 100), os cristãos estavam num mato sem cachorro: os mártires derramavam rios de sangue sob a opressão do Império Romano. Diante disso, muitos estavam amarelando e abdicando de sua fé. É o que nos esclarece o nosso papitcho Bento XVI:

“O livro tem que ser compreendido no contexto da experiência dramática das sete Igrejas da Ásia (…). João se dirige a elas mostrando profunda sensibilidade pastoral pelos cristãos perseguidos, a quem exorta a permanecer firmes na fé e a não se identificar com o mundo pagão, tão forte.” (1)

Então, a mensagem central desse livro, basicamente é: pessoal, eu sei que a situação tá punk pro nosso lado, mas fiquem firmes na fé, segurem as pontas. Deus fará justiça a quem permanecer fiel, a VITÓRIA é nossa, negadaaaaaa!

OS 4 CAVALEIROS E OS 4 ANJOS

 

Antes do retorno triunfal de Cristo, visitarão a terra quatro cavaleiros (Apo 6,1-7):

  • o do cavalo branco, que simboliza o Evangelho;
  • o do cavalo vermelho, que trará a guerra;
  • o do cavalo preto, que espalhará a fome;
  • o do cavalo esverdeado (cor da decomposição), cujo nome é Morte.

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Procurando converter os últimos descrentes, Deus fará com que o Evangelho seja pregado na Terra intensamente; todos terão a oportunidade de ouvir a verdade e de se voltarem para o bem:

Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim. (Mt 24,14)

Por outro lado, o Senhor enviará grandes sofrimentos, para mostrar às pessoas, de uma vez por todas, que ninguém pode colocar a sua esperança de felicidade em coisas meramente materiais ou em falsos deuses. Pra botar ainda mais lenha na fogueira, quatro anjos, guardiões dos quatro cantos da Terra, receberão a tarefa de “danificar a terra e o mar” (Apo 7,1-2).

AS SETE TROMBETAS E A VOLTA DE CRISTO

O dia em que o primeiro anjo soar a primeira trombeta, o povo vai sentir saudades das irritantes vuvuzelas! As sete trombetas representam as sucessivas pragas e calamidades que abalarão a humanidade. O Cristo só voltará após o toque da sétima trombeta.

A chegada do Senhor não será nada discreta… Todos O verão descer do Céu em Sua glória, com mais alarido do que em noite de Réveillon em Copacabana:

Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem. (…) Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade. Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas… (Mt 24,27.30-31)

A MULHER REVESTIDA DE SOL, O DRAGÃO E AS BESTAS

No capítulo 12 do Apocalipse, São João descreve a sua visão de uma “Mulher revestida de sol”, prestes a dar à luz. Esta mulher é perseguida pela besta, o “Dragão Vermelho”, que deseja devorar o seu filho. Bento XVI nos explica quem o Dragão representa as ideologias e os poderes perseguidores da Igreja em todos os tempos. Quanto à Mulher:

“Esta Mulher representa Maria, a Mãe do Redentor, mas representa ao mesmo tempo toda a Igreja, o Povo de Deus de todos os tempos, a Igreja que em todos os tempos, com grande dor, da à luz a Cristo novamente. E sempre está ameaçada pelo poder do Dragão.

“Parece indefesa, fraca. Mas (…) também está protegida pelo consolo de Deus. E esta Mulher, ao final, vence. Esta é a grande profecia deste livro, que nos dá confiança!” (1)

O Dragão convocará dois importantes aliados, duas feras. A primeira fera se refere a um grande poder político. De fato, ao longo das gerações, a Igreja é ferida por governos inimigos de Deus, como foi o caso do Império Romano, dos chefes iluministas e comunistas.

A segunda fera é um poder religioso, um falso profeta (Anticristo) que enganará a muitos com suas doutrinas, e terá apoio do poder político vigente. Isso, de fato, ocorreu com a Roma Pagã. E, nos nossos tempos, multidões continuam a seguir falsas doutrinas e ideologias.

666 – O SINAL DA BESTA

No Apocalipse é citado o famoso “número da besta”, com o qual muitos serão marcados “na mão direita ou na fronte” e sem o qual ninguém poderá “comprar ou vender” (Apo 13,16-18).

Há muita especulação, muita teoria louca, muita viagem na maionese… Mas a Igreja não apresentou até hoje nenhuma interpretação definitiva sobre este ponto. Mistéeeeeerio!

BABILÔNIA, A GRANDE PROSTITUTAbetty_boop

Em suas visões, João testemunha a destruição da Babilônia, uma cidade poderosa que é comparada a uma mulher adornada de jóias, que vive a se embebedar com o sangue dos mártires. Ela é chamada de “mãe da prostituição”.

Sempre a postos pra encher o nosso saquitcho, em cada esquina tem um protestante afirmando que a grande prostituta Babilônia é a Igreja Católica. Nestes casos, não discuta: manda um “fale com a minha mão”…

A Babilônia citada no Apocalipse representa a Roma pagã, que cultuava numerosos deuses; e, no Antigo Testamento, o culto a diversos deuses é chamado de prostituição. Roma, de fato, foi destruída pelas invasões bárbaras, conforme profetizou São João sobre a tal Babilônia.

No fim dos tempos, a exemplo de Roma, todas as nações pagãs serão feridas por Cristo (Apo 19,11-12,15).

A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS E O JULGAMENTO

Satanás travará o combate derradeiro com o Cordeiro de Deus. Beijará a lona, é claro. Será lançado no lago de fogo (Apo 20:10).

Os filhos de Deus e os infiéis finalmente ressuscitarão (Apo 20:5). Eles ganharão um novo corpo, o corpo glorioso (I Cor 15,44).

…porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de sua voz: os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados. (Jo 5,28-29)

SÓ 144 MIL ELEITOS?

Muitos serão os condenados, mas também muitos serão os vencedores. Tem gente que leva ao pé da letra a passagem que diz que o número dos eleitos será de somente 144 mil (Apo 7,4). O Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., pregador do Papa, diz que essa interpretação é absurda:

“Neste ponto, já podemos entender o absurdo daqueles que, como as Testemunhas de Jeová, crêem saber até o número preciso dos salvos: cento e quarenta e quatro mil. Este número, que aparece no Apocalipse, tem um valor puramente simbólico (12 ao quadrado, o número das tribos de Israel, multiplicado por mil) e se explica imediatamente com a expressão que lhe segue: ‘uma multidão imensa que ninguém poderia contar’ (Ap 7, 4.9).” (2)

O NOVO CÉU E A NOVA TERRA

Nada mais de gente ouvindo funk sem fone de ouvido no busú, nada mais de tratamento de canal, de atendente de telemarketing ligando pra sua casa do sábado pela manhã…

É a Nova Jerusalém aí, gente!!!

Os que combateram o bom combate e guardaram a fé até o fim terão as suas lágrimas enxugadas para sempre, e já não haverá lugar para a tristeza (Apo 21).

Senhor, dá-nos a graça de Te ver e de Te amar por meio dos nossos familiares, dos amigos, dos inimigos, dos que sofrem, dos que têm sede de verdade. Assim, poderemos vivenciar a grande promessa do Apocalipse: contemplar o Teu rosto face a face (Apo 22,4).

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Fontes:

 

(1) Site da Zenit. Bento XVI apresenta vidente do Apocalipse. 23-08-2006

(2) Site da Zenit. Pregador do Papa: São muitos ou poucos os que se salvam? 24-08-2007

14 comments to Demorô, demorô! É o Apocalypso! – Entendendo as profecias

  • Paulo Ricardo

    A atribuição do número 666 à besta foi um exercício de gematria de São João. Na verdade, aplicando valores hebraicos a caracteres gregos que formam a expressão “Nero César” você obtêm 666. A gematria é uma das bases da cabala. Não tem nada de místico e seu significado à época para quem recebia a mensagem era de certa forma claro. Seria como um trocadilho ou uma fina ironia que se lê nas entrelinhas. Além disso, na bíblia assim como o sete é visto como número perfeito (7 virtudes, 7 pecados, etc.) tudo abaixo dele é considerado imperfeito e faltoso. Serve a esse princípio o fato do 6 então ser o maior dos números imperfeitos.
    Além disso temos o fato de que a tripla repetição seria uma paródia demoníaca, o oposto da Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – substituída pela trindade diabólica – o demônio, o anticristo e o falso profeta.
    Essa é a versão mais aceita pela Igreja e cujo simbolismo é mais plausível para a comunidade científica.
    O resto é viagem na maionese como o Alexandre falou.
    (Acho que ouvi discos demais do Black Sabbath).

    A Paz de Cristo para todos.

  • Vivi Vivi… Muito belo! Mas queria fazer umas perguntitas básicas… Kkk… Como eu já disse o Apócalipse foi o 1º Livro da Sagrada Escritura q eu li de rabo a cabo, e até hj ele me fascina…

    Mas voltando ao assunto vamos lá:

    1)O anticristo não é o cavaleiro q se senta no cavalo branco? Eu ouvi isso uma vez e sempre fiquei com isso na cabeça… Se não for o q a Igreja diz eu sem dúvida mudarei proantamente de opinião devido a ignorância da minha parte.

    2)O falso profeta seria um tipo de sacerdote ou religioso q daria ao anticristo a ascenção política?

    3)Essa parrésia entre os acontecimentos passados e futuros tem quais proporções? Como será q a gente vai poder saber o limite do que São João quis dizer nas entrelinhas para os cristãos das Igrejas na Ásia, e até onde são de fato profecias?

    Se vc querida puder me responder seria incrível! Q o amor dAquela q é resvestida de sol, possa sempre nos unir em sua coroa de 12 estrelas, q representam a Santa Igreja, sustentada do Baluarte dos 12 Apóstolos!

    • Oi, Cadu! Respondendo:

      1) As duas únicas passagens que conheço que citam o cavalo branco são Apo 6:2 (que fala do cavaleiro que traz o Evangelho) e Apo 19:11 (onde o cavaleiro é o próprio Cristo). Há algum trecho nas Escrituras que lhe faz pensar que o Anticristo é aquele que senta no cavalo branco?
      O Anticristo é a segunda besta.

      2) Não, Cadu, o Anticristo e o falso profeta são a mesma coisa. Ele ganhará prestígio e convencerá a muitos que é gente boa, apoiado por um poder político (a primeira besta).

      3) Ótima pergunta! Cadu, a Igreja entende que João escreveu se dirigindo de forma mais “focada” às comunidades que estavam sofrendo na época. Porém, é evidente que as mesmas tribulações sofridas naquele tempo se repetem ao longo da história: vez por outra, aparece um poder político, uma ideologia que oprime brutalmente a Igreja e os seus membros. Veja, por exemplo, o caso da União Soviética e dos demais países socialistas, em que milhares de milhões de católicos foram mortos pelo regime. Isso não te faz lembrar a grande Babilônia, que se embebeda com o sangue dos mártires?

      Então, podemos dizer que São João atirou no que viu – a perseguição da Roma pagã – e acertou no que não viu – as sucessivas perseguições sofridas pela Igreja ao longo dos séculos. Isso fica claro no trecho do comentário de Bento XVI sobre a “mulher vestida de sol”: “é a Igreja que em todos os tempos, com grande dor, da à luz a Cristo novamente. E sempre está ameaçada pelo poder do Dragão”.
      Ou seja, muita água ainda vai rolar debaixo desta ponte do Apocalipse. O livro não se restringe aos fatos da Roma pagã, não.

  • Paulo Ricardo

    The Four Horsemen

    And when the lamb opened the first seal,
    I saw the first horse.
    The horseman held a bow

    Now when the lamb opened the second seal,
    I saw the second horse
    The horseman held his sword

    The leading horse is white
    The second horse is red
    The third one is a black,
    The last one is a green

    The leading horse is white
    The second horse is red
    The third one is a black,
    The last one is a green

    And when the lamb opened the third seal,
    I saw the third horse.
    The horseman had a balance

    Now when the lamb opened the fourth seal,
    I saw the fourth horse.
    The horseman was the pest

    The leading horse is white
    The second horse is red
    The third one is a black,
    The last one is a green

    The leading horse is white
    The second horse is red
    The third one is a black,
    The last one is a green

    The leading horse is white
    The second horse is red
    The third one is a black,
    The last one is a green.

    [do LP Duplo 666 da banda grega Aphrodite´s Child (formada por Evangelos Papathanassiou – mais conhecido como Vangelis -, Arthemios Roussos – mais conhecido como Demis Roussos -, Lucas Sideras e Anargyros Koulouris). Um lindo álbum, de musicalidade ímpar em que o Apocalipse de São João é musicado. Essa é minha preferida. Mas no disco inteiro se sente a presença de Deus.]

  • Não Vivi, não porque de fato não é mesmo. Fui na minha Bíblia agora e na nota de rodapé diz o que vc disse, então perfeito! Obg Vivi! Sempre vcs fazendo a gemte crescer no amor a Palavra sob a sempre segura e maravilhosa Sã Doutrina!

  • Digohs

    Muito bom! Parabéns!

  • eduarda rodrigues

    Simplesmente adorei! Estão de parabéns 🙂

  • Anny

    Vocês disseram que a Babilônia é Roma, mas há católicos que dizem que é na verdade Jerusalem! Vejam essa passagem, Apocalipse 11,16: Os dez chifres que viste, assim como a Fera, odiarão a Prostituta. Hão de despojá-la e desnudá-la. Hão de comer-lhe as carnes e a queimarão ao fogo.
    Me expliquem melhor pq isso ainda me deixa confusa!

  • Christiane

    Muito bom mesmo! Ainda ontem estava comentando com um irmão meu a passagem da Mulher vestida de Sol, que eu via somente como Maria, não conseguia entender por que aludiam também à Igreja, achava que isso era coisa de protestante para negar a realeza materna de Maria… Meu argumento era: Como a Igreja daria à luz Jesus se foi Jesus quem instituiu a Igreja? Não entrava na minha cabeça de jeito nenhum! Agora, com a explicação que eu li aqui, começo a entender. Não totalmente, mas já é um começo e um incentivo para estudar mais. Muito obrigada, mais uma vez!

  • Antonio Campinho

    Bom dia, amigos! Mais um post excelente, graças a Deus vocês são ótima fonte de formação para todos nós católicos. Só uma ressalva: na hora das referências bíblicas, não vamos separar capítulo de versículo com “:”, são protestantes que fazem isso! Separamos com vírgula (Ap 6,2)…. Deus abençoe a todos!!

  • Heloisa Araujo

    Post perfeito, como sempre!!!!!! Muito obrigada por compartilhar seu conhecimento com a gente, que ainda engatinha na fé!
    bjs

  • Marcos

    Eu acredito que a BABILÔNIA do Ap, não seja ROMA, mas sim A PRÓPRIA JERUSALÉM.

    Ap 18,21 “[…]BABILÔNIA, ((A GRANDE CIDADE))”

    A única CIDADE, chamada de “GRANDE CIDADA” e que reina sobre TODOS OS REIS DA TERRA é JERUSALÉM.
    ((GRANDE CIDADE)) (Lm 1,1; Jr 22, 8)

    Ap 11,8: “[…]GRANDE CIDADE. Esta cidade chama-se simbolicamente Sodoma e Egito, ONDE O SEU SENHOR TAMBÉM FOI CRUCIFICADO”.
    Jesus foi CRUCIFICADO em Jerusalém (Lc 9,30-31)

    ((REINA SOBRE OS REIS DA TERRA))
    Js 12,7: “Estes SÃO OS REIS DA TERRA que Josué e OS ISRAELITAS derrotaram aquém do Jordão(…)”

    FLAVIO JOSÉFO, grande HISTORIADOR Judeu, também confirma que a GRANDE CIDADE É JERUSALÉM.

    FLÁVIO JOSÉFO:
    “A tribo de Benjamim, em cuja partilha ESTAVA JERUSALÉM, deu paz aos habitantes dessa GRANDE CIDADE, satisfazendo-se em lhes impor um tributo. Assim, deixando uns de fazer a guerra e outros de vagar a esmo, puseram-se a cultivar e a valorizar as suas terras, e as outras tribos, imitando-as, deixaram também em paz os cananeus, contentando-se em fazê-los tributários.” (História das Antiguidades, Flávio Joséfo, Livro V, Capítulo II, Verso CXCV)

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