Mulheres sauditas ao volante. Pode, Arnaldo?

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Resposta do Arnaldo: "Só se for disfarçada de homem. Senão, vai pro xilindró!"

Nós ocidentais temos a imensa sorte de ter nascido em uma nação fortemente influenciada pela cultura judaico-cristã. Devemos agradecer a Deus todos os dias por gozarmos a séculos de direitos e liberdades que milhões de pessoas de outros povos (com origens religiosas diferentes) estão longe de conquistar. E, se pensarmos especificamente na situação das mulheres, essa diferença é ainda mais gritante.

No mês passado, uma mulher chamada Sheima Jastaniah foi condenada na Arábia Saudita a levar dez chibatadas por ter sido flagrada dirigindo um automóvel. Na legislação oficial do país, não há nenhuma lei que proíba as mulheres de pegar no volante, mas a tradição religiosa se impõe. O rei Abdullah livrou a prisioneira na última hora, anulando a sentença (1). Porém, as mulheres continuam relegadas ao banco do carona.

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Sem poder dirigir, torna-se impossível para muitas mulheres o acesso ao trabalho e ao estudo, já que nem sempre há um homem da família disponível para lhes dar carona. E os serviços prestados por motoristas particulares são caríssimos! A fundadora da Sociedade de Defesa dos Direitos da Mulher na Arábia Saudita, Wajeha Al-Huwaide, nos dá a dimensão do problema: “Dirigir aqui é tão importante porque, sem isso, não podemos ir para a escola, para o trabalho, fazer compras. Nossas cidades são construídas de modo que o carro é muito necessário. Não temos um transporte público desenvolvido, então não podemos depender dos ônibus, poucos e caindo aos pedaços” (2).

Em junho deste ano, a ativista Manal al-Sharif passou mais de dez dias no xadrez depois de postar um vídeo no YouTube em que aparece dirigindo. E, pasmem, esta não é a única restrição sofrida pelas mulheres por lá: “A saudita precisa ter um homem a tiracolo para tudo na vida. Sem um acompanhante, seja marido, filho ou pai, ela não pode conseguir emprego, ser aceita na escola, receber tratamento médico (…) viajar, (…) abrir conta em banco, começar um negócio, nada. Todos os aspectos da nossa vida são controlados”, denuncia Wajeha.

women2drive_posterE o pior é que, por aquelas bandas, só os homens podem votar, então… Vai demorar muuuuito pra haver mudanças. Há um mês, o rei anunciou que “as mulheres de seu país vão poder votar e candidatar-se a cargos políticos” (3), mas só daqui a quatro anos (!!!). Detalhe: elas só poderão usufruir destas “regalias” se forem autorizadas por algum homem da família. Ah, tá…

E olha que não estamos falando de nenhum lugarejo pobre e esquecido: a Arábia Saudita bóia no petróleo, sendo a principal potência econômica do Mundo Árabe!

Enquanto isso, as ocidentais comandam o próprio carango, e ainda colocam um adesivo no vidro dizendo: “JESUS É O MEU CO-PILOTO”. Ói que luxo!

Fontes:

(1) Site da Revista Veja. Rei da Arábia Saudita anula sentença contra mulher condenada por dirigir. Matéria publicada em 28/09/2011.

(2) Site do jornal O Estado de São Paulo. Ativista diz que mulheres sauditas cansaram de ser tratadas como ‘crianças irresponsáveis’. Matéria publicada em 02/10/2011.

(3) Site da Revista Época. Arábia Saudita: elas podem votar, mas não dirigir. Matéria publicada em 28/09/2011.

5 comments to Mulheres sauditas ao volante. Pode, Arnaldo?

  • Cadu Sindona

    A Catequista tá na onda do feminismo cristão! Rsrsrs. Brincadeira Vivi… Muito bom também esse post. Os nossos irmãos mulçulmanos precisam ser respeitados, até mesmo pelas tradições esquisitas e reacionárias que só tendem a dar marcha ré e regredir. As mulheres cristãs têm liberdades inadimissíveis em muitos povos. No Japão, por exemplo, as moças são educadas desde sempre a serem passivas, e a fazerem somente a vontade dos maridos, pais e filhos. “Se revoltar” não é do tipo delas… Acho que isso também é cultura e por isso a gente precisa ponderar a história de cada povo. Mas de fato, existem coisas que pô né não dá pra aguentar, afinal estamos no século XXI! Algumas coisas absurdas como não poder dirigir é ridiculo.

  • Gostei de teu Blog, colocarei um link para cá no Blog da Catequese Crismal.
    Parabéns!

    Anizio
    Catequese Crismal
    Paróquia São Francisco de Assis
    Mangabeira VII – João Pessoa – PB
    Blog: http://crismaconfirmacao.blogspot.com/

  • Oi, Anizio! Muito obrigada pelo apoio! Deus abençoe a missão de vcs aí em João Pessoa.

    Oi, Cadu! Na verdade, meu objetivo com este post não foi o de criticar nenhuma religião específica. A questão central é chamar a atenção de como as sociedades influenciadas pelo cristianismo, em geral, estão anos-luz à frente das demais em termos de democracia e de direitos humanos. E, para que isso fique evidente, é importante a gente comparar com a realidade de povos não-cristãos, pq aí fica bem clara esta discrepância.
    Neste sentido, até os ateus e membros de outras religiões deveriam ser gratos ao cristianismo, pq as liberdades de que gozam diariamente não seriam possíveis sem a sua influência.

    Então, a abordagem aqui vai além do feminismo: o respeito aos direitos e à dignidade das mulheres é só um pano de fundo para refletirmos sobre a beleza da nossa fé, e a riqueza moral e intelectual que ela pode trazer para a a humanidade. Abraços!

  • Cadu Sindona

    Sim sim Vivi! Muito bom tá o artigo como eu disse. Não é uma crítica, mas sim uma constatação que realmente se existe “democracia” é devido a Igreja.

    • marcos

      A questão é justamente CONTRÁRIA ao feminismo. O post, indiretamente, ao meu ver, é uma crítica a essa praga demoníaca. Explico por que.

      A maior vítima (senão a única) dessas desgraçadas, especialmente o sulfuroso femen, é a Santa Mãe Igreja (isso me irrita muito, por que com a Mãe não se mexe!…). E é justamente – como bem ressaltado logo na primeira frase do post – o desenvolvimento de uma sociedade sobre bases cristãs que deu a essas vad***s o direito de poderem dizer o que quiserem. Isso é o feminismo: a vontade de cuspir, bater e esfaquear a própria mãe, só por que ela diz: filho, você pode fazer o que quiser, mas certas coisas me entristecem.

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