Pobreza-modinha não tem lugar na Sagrada Liturgia

pauperismo_liturgico

Lá em casa, muitas vezes bebemos água em copo de vidro de requeijão. Mas quando chega alguma visita, tiramos do armário os melhores e mais bonitos copos. Se agimos assim para demonstrar apreço aos amigos, porque faríamos diferente em relação a Jesus?

Dói as vistas quando, em uma missa, vemos que não há zelo com a beleza e riqueza dos objetos litúrgicos. A gente olha o altar onde o sacrifício de Cristo se faz presente e vê um cálice de vidro ou argila, uma patena mondronga, uma toalha lazarenta.

Na foto abaixo, note que, além do cálice de vidro comprado numa promoção das lojas Americanas, o padre usou garrafa pet para colocar o vinho (e foi tão desleixado que nem ao menos se preocupou em tirar o rótulo da garrafa). É um insulto, um sacrilégio!

pet

Todos sabemos a força educativa que os símbolos têm. Os vasos e panos sagrados não estão fora dessa realidade. O cálice de vidro, por exemplo, é muito comum, muita gente tem um em casa. Mas o cálice que porta o Sangue de Cristo não pode ser vulgar. Precisa ser especial, precisa ser nobre, por causa da força visual, do poder do simbolismo.

Essa é a ordem da Igreja a respeito dos vasos sagrados:

“Os vasos sagrados, que estão destinados a receber o Corpo e a Sangue do Senhor, devem-se ser fabricados, estritamente, conforme as normas da tradição e dos livros litúrgicos. (…) Sem dúvida, requer-se estritamente que este material, de acordo com a comum valorização de cada região, seja verdadeiramente nobre, de maneira que, com seu uso, tribute-se honra ao Senhor e se evite absolutamente o perigo de enfraquecer, aos olhos dos fiéis, a doutrina da presença real de Cristo nas espécies eucarísticas.”

Portanto, reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. Isto vale também para os metais e outros materiais, que se corroem (oxidam) facilmente.”

– Redemptoris Sacramentum

Podemos resumir essa diretriz em quatro palavras: ABAIXO O PAUPERISMO LITÚRGICO!

Pauperismo litúrgico é quando se confunde a simplicidade evangélica com pobreza estética e material dos objetos litúrgicos.

ambula_vidro

Se uma comunidade é muito pobre, certamente Jesus não se ofenderá se os vasos sagrados forem improvisados ou de material de pouco valor. Ele fica honrado em ver nos ritos sagrados os objetos simples, conforme o que a comunidade REALMENTE pôde dar de melhor. Deus olha o coração.

A foto abaixo mostra o Padre Mario Benedetti celebrando uma missa em um campo de refugiados no Sudão. Apesar da simplicidade dos objetos litúrgicos, é possível perceber o grande zelo com a ordem e a dignidade do altar. Que lindo!

sudao

Também em situações de guerra, muitas vezes é preciso improvisar o altar. Assim, é comum que os sacerdotes usem o capô de um jipe como altar, caixas sobrepostas ou outros objetos. Está ok! Afinal, a zona de guerra é geralmente cheia de grandes privações.

guerra

Mas o que vemos em certas comunidades é algo bem diferente desses casos justos: nota-se uma O USO PROPOSITAL DE VASOS SAGRADOS DE MATERIAL VAGABUNDO, uma opção planejada pela pobreza estética, para tirar onda de “simples”. É a pobreza soberba, pobreza style, pobreza de ostentação!

“Ain, mas Jesus nasceu numa manjedoura”. Sim, mas se a Virgem batesse à sua porta, prestes a dar à luz, você não daria a ela o melhor quarto de sua casa? Ou acaso lhe diria: “Tá vendo aquele curral ali? Tem cheiro de cocô de vaca, tem uns carrapatos, mas dá pra senhora se abrigar. Pode ir pra lá, boa noite!”. Jura que você faria isso mesmo?

Quando os Reis Magos vieram visitar o Menino-Deus, só trouxeram mercadoria de primeira, coisa fina! E Jesus também aprovou a atitude de Maria, irmã de Lázaro, quando ela ungiu Seus pés com um bálsamo perfumado que custava ozôio da cara (Jo 12).

Vocês querem mesmo demostrar simplicidade – não aquela aparente, afetada, mas a simplicidade real? Comecem por ser obedientes ao que a Igreja manda. E guardem no coração essas palavras de São Francisco de Assis:

“Consideremos todos nós clérigos o grande pecado e ignorância que alguns manifestam com relação ao santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e seu santíssimo nome (…). Logo, todos aqueles que administram tão sacrossantos mistérios (…) considerem no seu íntimo como são vulgares os cálices, corporais e panos de linho sobre os quais é oferecido em sacrifício o corpo e sangue de Nosso Senhor.”

– Carta a todos os clérigos

“Peço-vos ainda com mais insistência do que se pedisse por mim mesmo, supliqueis humildemente aos clérigos (…) que prestem a mais profunda reverência ao santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo bem como a seus santos nomes e palavras escritos, que tornam presente o seu sagrado corpo. Os cálices e corporais que usam, os ornamentos do altar, enfim tudo quanto se relaciona ao sacrifício, sejam de execução preciosa.”

– Carta I – A todos os custódios

32 comments to Pobreza-modinha não tem lugar na Sagrada Liturgia

  • marcos

    Aquelas situações das duas primeiras fotos acima, onde os padres (dá vontade de não chamar assim) sequer usam vestes litúrgicas, sequer usam alvas ou túnicas, são pra provocar, não são? Depois a gente fala que tem vontade de dar uns socos, aí vem dizer que é discurso de ódio… Ai, que ódio!!!

  • Rosemary

    Maravilhoso trabalho a serviço da Igreja Católica, Catequista. Precisamos deste movimento de retorno a valorização do que temos de mais sagrado. Jesus Eucarístico.

    Este tipo de abuso é mais um fruto da Teologia da Libertação (filha do socialismo) que com a desculpa de Igreja pobre para os pobres (como se a Igreja alguma vez só evangelizasse os ricos) depauperaram os paramentos e ritos litúrgicos.

    É uma inversão de valores muito grave, pois muita gente não sabe disto e muitas comunidades trabalham duro para deixar o prédio bonito e tratam a parte principal (paramentos litúrgicos e vasos sagrados ) com menos rigor. O curioso é que os mesmos defensores desta dita pobreza não querem andar a pé ou de fusquinha.

    Sinto dizer, mas há congregações religiosas financeiramente bem abastadas que realizam celebrações eucarísticas em encontros vocacionais e movimentos leigos colocando mesinha de centro como altar e utensílios domésticos no lugar dos vasos sagrados. Uma lástima. Aprendi sobre isto anos depois com a RCC e com o estimado Pe. Roberto Lettieri (que Deus o abençoe). Mais uma vez Catequista: vocês são “10” !

    • Um padre amigo meu, no tempo em que ele andava nas trevas (graças a Deus, tempos idos), era da Teologia da Libertação. Realmente ele não andava de fusca, mas sim com um maravilhoso 4×4. Jesus levou ele a bater dois 4×4, com perda total. Aí ele começou a tomar vergonha na cara. Parou pra refletir sua vocação e virou um bom padre.

  • Natália

    Por falar em Teologia da libertação + preferência pelos pobres, O Catequista poderia explicar melhor a relação entre as duas. Se já tem alguma matéria, pode colocar o link?

    Abraços

  • Andrea Vaz

    Bom dia, Viviane. Isso é mesmo muito doloroso. Na paróquia que eu frequentei na adolescência, onde recebi quase todos os sacramentos, se ostenta a maior pobreza. Os vasos (que não parecem nada sagrados) parecem plástico, pintados com motivos de argila, verdadeiros copos e cumbucas indígenas. o que mais dói no coração é que a paróquia com mais recursos da cidade, mais até que a Catedral… a matriz e as comunidades estão todas prontas e novas e o padre nem sabe onde investir o que arrecada com a festa do padroeiro.

    Graças a Deus, na paróquia em que eu frequento agora, a minha paróquia querida, prepara tudo de mais lindo pra Jesus. EStamos reformando o presbitério, devagar, com muita luta da comunidade, mas tudo está ficando lindo e solene. Sou ministra da distribuição Eucarística e somos orientados a termos o maior cuidado e zelo, não só com a Hóstia, mas com as vestes, as alfaias os vasos.

  • João Pedro Strabelli

    A verdadeira pobreza, a verdadeira humildade e a verdadeira simplicidade são do coração.

    Lembra uma charge do Angeli que foi comentada, de um cara que chama Deus, depois sobre numa mesa e chama Deus, depois sobe na cadeira em cima da mesa para chamar Deus? Quando ele está no lugar mais estranho descobre que Deus estava exatamente onde ele estava? A gente tem mania de procurar Deus em outro lugar se ele não fizer igual o 0800 do departamento de vendas: atender na hora. Daí, não teve resposta imediata, começa procurar nos lugares mais estranhos e dos jeitos mais estranhos. Quando Deus estava exatamente ali. Acho que essa busca por pobreza, simplicidade e humildade andam meio desse jeito, a gente procura dos jeitos mais estranhos e nos lugares mais estranhos. Menos no único lugar que elas podem estar, que é no nosso coração.

    Ainda tem mais uma coisa que eu vejo neste tipo de comportamento. Tem pessoas que não conseguem responder quando dizem que a Igreja é milionária, quando dizem que discrimina, quando dizem que apoiou a escravidão. Não conseguem responder ou acham que a resposta não vai convencer as pessoas. Daí, toma compensação, que costuma vir dos jeitos mais estranhos.

    Devo ter feito alguma bobagem deste tipo. Mas meu desespero em levar alguém para Deus nunca funcionou. Fazer meu serviço quietinho, levou.

  • Ronaldo Ribeiro

    Não tem opção aplaudir calorosamente? absurdo…. um post desses devia ter….

  • Altair Silva

    Eu conheci um padre desse jeito. Era um encontro da comunidade de Taize, a jornada da confiança, mas estavam muitos pejoteiros. O padre rezou a missa com cálice de barro, um altar improvisado no chão e outra coisas mais. Depois da missa, esta que enaltecia a pobreza, o desapego e o MST; o padre foi embora com um carro, não lembro o marca, mas na época me pareceu ser bem caro e nada popular.

    A PJ é assim: cultua a pobreza, mas ama a avareza. Mateus 15: “7Hipócritas! Bem profetizou Isaías sobre vós, denunciando: 8‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 9Em vão me adoram; pois ensinam doutrinas que não passam de regras criadas por homens’”.

  • Fran

    Graças a Deus, na minha paróquia os cálices são de ouro, e as toalhas são bordadas pelas freiras, e tem uma mais linda que a outra — cheias de detalhes dourados. Queria eu toalhas iguais para minha casa! Hahahaahhaahah

  • Geraldo

    Aquilo que a poeta Adélia Prado diz no seu já famoso depoimento sobre a avacalhação litúrgica no Brasil, é bem verdadeiro: “é uma coisa “fazida”, fabricada”.

    As fotos no post ilustram isso muito bem e mostram uma ponta do iceberg.

    O resto do iceberg nos mostra algo muito triste: Cristo, sua obra, sua graça salvadora, são apenas concepções, teorias.

    E há uma quase obsessão por uma tradução estética das concepções que estão na cabeça da pessoa ou grupo litúrgico que pretende fabricar celebrações de acordo com suas concepções.

    Ocorre que Jesus não é uma teoria, uma visão de mundo, mas uma pessoa que está viva e atuante na história, há dois mil anos.

    Embora nossa fé nele, não contrarie mas valorize e eleve enormemente a nossa inteligência, não é nossa cabeça que cria Jesus, como se produzisse uma ideia, uma interpretação. Cristo não é um problema cerebral.

    Ele é alguém, que nas estradas da vida, nos encontrou e amou, trazendo-nos o dom da salvação. É assim que eu o conheço, como alguém que preencheu minha vida de sentido alegria e esperança.

    E diante dele, me esvazio de minhas concepções fabricadas, de minha autossuficiência orgulhosa, para seguir a comoção, a atração, a confiança profunda que ele despertou em mim: Mestre, onde moras?

    “Venha e veja”. Ele me convida. E eu vou de coração aberto, disponível. Não vou fabricar uma pessoa e uma concepção sobre ela e por isso, sou surpreendido por uma novidade radical, sou encontrado. Isso chama-se GRAÇA, DOM, SALVAÇÃO GRATUITA E IMERECIDA.

    “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta em Deus, o meu salvador, que olhou a humildade de sua serva. Magnificat!”

    “Cantai ao Senhor um canto novo, Aleluia, pois Ele tem feito maravilhas!”

    O canto de louvor que brota dos lábios daquele (pessoa e povo) a quem Cristo encontrou, não é a fabricação de uma concepção ou de uma interpretação, mas expressão da consciência grata, alegre e humilde de um acontecimento, de um dom recebido, de uma graça encontrada.

    Assim nasceu e se formou a liturgia da igreja ao longo dos tempos, intimamente colada ao acontecimento, ao dom de Deus.

    Compreenderá melhor e vibrará mais com os textos bíblicos aquele que tiver sido agraciado com o mesmo acontecimento que eles narram.

    Quem foi surpreendido – de outras formas e por outros caminhos – pelo mesmo Cristo que encontrou São Paulo na estrada rumo à Damasco, se identificará de imediato com a narração que ele faz de sua conversão e com o hino de louvor que brota de seus lábios, como grata e maravilhada consciência acerca daquilo que Nosso Senhor fez por ele:

    “Ele nos resgatou do poder das trevas e nos trasladou para o reino do seu Filho muito amado,no qual temos a nossa redenção e a remissão dos nossos pecados.” (Colossenses 1:13,14)

    As cartas de Paulo estão cheias de trechos de hinos litúrgicos como este.

    Alguns desses hinos eram cantados nas celebrações dos primeiros cristãos e ainda se encontram nos textos da nossa missa. Eles sempre expressam a consciência, a memória dos fatos experimentados, da graça recebida, da salvação encontrada.

    A sagrada liturgia é, pois, essencialmente memória: “Fazei isso em memória de mim!”.

    Memória que presentifica o fato: “É ele o sacerdote verdadeiro que sempre se oferece por nós todos, mandando que se faça a mesma coisa que ele fez naquela ceia derradeira.” (Oração Eucarística V)

    Por isso, cada um de nós, ao participar da liturgia, devia ter os ouvidos e o coração totalmente absorvidos em cada palavra que ali se pronuncia, como quem diz:

    “Ei! Isto está falando de mim também! Está contando a minha história! Eu também fui agraciado com este dom. A memória deste povo a quem pertenço é a memória da minha vida, de tudo o que me aconteceu, desde que fui surpreendido pela presença de Jesus Cristo!”

    Mas, se, pelo contrário, eu preciso inventar um Jesus e então achar a expressão estética e ritual correspondente à minha invenção, à minha artificial fabricação, isso é muito mal sinal. Aí não é apenas a liturgia que vai mal, mas todo o resto.

    E, nesse caso, a expressão “abuso litúrgico” soa como um eufemismo, pois ocorre algo muito mais grave que isso: o uso da palavra cristianismo para dar mera aparência religiosa à um troço da minha cabeça.

    É a exaltação máxima de mim mesmo, a ponto de este eu mesmo, se sobrepor a Deus.É o máximo fechamento do coração ao Dom gratuito de Deus.

    O cristianismo como invenção intelectual, ideológica, é a pior praga que possa existir, pois cria um muro grosso e enorme, pesado, entre a pessoa e Cristo.

    E essa inquietude, quase como que uma ansiedade, por novidades e invencionices litúrgicas é claramente sintomática de um cristianismo assim falsificado.

    Se não encontro, nas palavras que estão há séculos na memória do povo de Deus, um repouso tranquilo e reconfortante que pacifica a minha alma inquieta e sedenta, por causa da profunda correspondência entre o que elas dizem e aquilo que meu coração tanto buscava, ainda estou tentando fabricar, por mim mesmo, um sentido, que no entanto, está aqui na minha frente, me dizendo: “EU SOU!”

    “Ó Beleza Infinita, sempre antiga e sempre nova, tarde te amei!” (Santo Agostinho).

    Sabemos que um dos fatos decisivos da conversão de Santo Agostinho, foi exatamente a beleza litúrgica que ele presenciou na igreja onde Santo Ambrósio a presidia.

    Muitos anos depois ele ainda se recordava: “das lágrimas derramadas ao ouvir os cantos de tua Igreja, nos primórdios de minha conversão.” (Confissões)

    Toda autêntica renovação litúrgica (inclusive e SOBRETUDO a do Concílio Vaticano II) é naturalmente avessa à invencionices, buscando, ao contrário, uma volta às fontes primeiras da fé, à tradição.

    Arrisco-me a fazer uma comparação: uma fonte de água, será tanto mais capaz de gerar fecundidade, quanto mais imutável for.

    Se poluímos uma fonte, ela não terá mais utilidade alguma para nutrir a vida, sua água não matará a sede de ninguém, não irrigará jardins e hortas, enfim não irá contribuir para a fecundidade e riqueza de vida que surge a partir da água.

    Todas as grandes civilizações aconteceram a partir da disponibilidade de água boa e limpa. Quanta criatividade e invenção, ao redor do rio Nilo. Mas o Nilo mesmo, ninguém ousou inventá-lo.

    Nas fontes não se mexe, ninguém mexe. Pois elas são a condição mesma, indispensável, para que haja a fecundidade e a criatividade. Quem se pretende muito criativo, matando a própria FONTE DA CRIATIVIDADE, é pior do que aquele imbecil que matou a galinha dos ovos de ouro, pensando em pegar todos os ovos de uma vez.

    Existem realidades FONTE na igreja de Cristo: a Bíblia Sagrada, a Liturgia, a Doutrina.

    A imutabilidade essencial dessas fontes, gerou, ao longo dos séculos, uma criatividade infinita em todos os campos da vida humana.

    Cito um trabalho que ilustra isso muito bem. Um dos críticos e teóricos da Literatura, mais competentes e influentes do Século XX, Herman Northrop Frye, coloca a Bíblia Sagrada, como arquétipo inspirador de praticamente todas as grandes criações literárias do Ocidente.

    Essa enorme fecundidade criativa da Palavra de Deus, só existe e só é possível, porque ela é uma realidade fonte, assim como a Sagrada Liturgia.

    Na fonte a gente não mexe, a não ser para aumentar a proteção em torno dela, para voltar ainda mais às origens (como faz a Sacrosanctum Concilium). E a gente não mexe na fonte, sob pena de ABORTAR E MATAR TODA A CRIATIVIDADE (muitas vezes contrariando a pretensão de sermos justamente mais criativos).

    Por isso, assim como uma rigorosa política de leis ambientais de proteção às nascentes de água que abastecem uma cidade, a igreja tem especial rigor na proteção da sagrada fonte que é a liturgia e diz claramente que ninguém está autorizado, por iniciativa própria, a mudar a forma das celebrações e as normas litúrgicas prescritas.

    Ela sabe que se a fonte for poluída, todo o resto fica comprometido, inclusive e sobretudo a própria criatividade do povo de Deus, que precisa ser continuamente alimentada na FONTE.

    A liturgia deve receber de nós uma atitude parecida com a de um beduíno cuja história me foi contada , anos atrás, por um padre escolápio:

    Estava este beduíno do deserto malinês, num grupo de turistas que acompanhava um cicerone em algum parque florestal da França. De repente o grupo para diante de uma belíssima cachoeira.

    O beduíno que jamais vira tamanha quantidade de água e nessa forma tão bela, ficou boquiaberto contemplando aquilo. O grupo foi saindo para ver a próxima atração turística, mas o africano ficou ali, parado, extasiado diante da beleza.

    O cicerone o chamou:
    _ Você não vem conosco? O que faz aí parado?
    _ Estou esperando acabar…
    _ Mas acabar o quê?
    _ Esperando a água acabar de descer dali de cima!

    Cristo, pois, é o mesmo ONTEM, HOJE E SEMPRE. Se a Sagrada Liturgia não nos proporcionasse o acesso à essa “Beleza Infinita, sempre ANTIGA e sempre NOVA”, ela não seria a fonte que permite a fecundidade de toda a vida cristã e não seria, como é de fato, a ação do próprio Jesus em seu corpo que somos nós.

  • Uma pergunta séria : o sacramento continua sendo valido,
    mesmo aplicado por um mau sacerdote ?

    Pense em um Padre que, tendo toda a condiçao de fazer algo melhor , faz missas como a da segunda imagem para inflar o próprio ego,se orgulhar de sua ”humildade”.

    Ou então em Padre da Teologia da Prosperidade .

    Ou um Padre que pede o fim do celibato.

    Enfim,pense em uma dessas criaturas .

    O sacramento continua sendo valido , apesar da infidelidade galopante do Padre a doutrina da Igreja ?

    E se o Padre for um desses que NEGA a presença real de
    Cristo na Eucarisistia ? Como fica ?

    Tipo , o Padre da minha paróquia é comunista DECLARADO.

    Estou pensando seriamente em mudar de paróquia. Não aguento mais a jujubice cronica dele. Mas , todas as vezes que eu comunguei com ele…foram validas ?

    • Veja Emanuel, Judas Iscariotes pode ser chamado de o padroeiro dos teólogos da libertação, padroeiro dos comunas, mas mesmo assim quando Jesus enviou os apóstolos de 2 em 2 ele foi junto, e foram válidos os trabalhos dele. A saber que o dito judas já passava a mão na sacola de dinheiro, sempre dava um jeito de subornar alguém, lutava por um mundo melhor (o dele, como todo bom comuna).
      Claro que numa missa assim não se recebe as mesmas graças, mas ainda assim o sacramento é válido. Mesmo que a missa em si esteja sendo missa de zumbi.

      • Obrigado pela resposta ,Alex.

        É bom saber . Se o sacramento fosse invalido , isso significaria que eu não comungo a um ano.Mas não pretendo continuar nessa paróquia , não. Já deveria ter saido a muito tempo.

        Adorei a analogia entre Judas e os Padres comunas. Gosto de chama-los de ”devotos de São Marx” ,mas ”devotos de Judas ” tambem cabe como uma luva.

        • Geraldo

          Oi Emanuel.

          Se você me permitir dar um pitaco nessa questão (pois penso que também neste espaço do blog, o fato de sermos irmãos em Cristo, inspira nossos comentários e as partilhas que fazemos da nossa fé comum, não?) gostaria de opinar o seguinte:

          Ainda que o pároco seja o responsável maior – e oficial- pela edificação e crescimento da igreja de Cristo naquela porção do povo de Deus que é a paróquia, pode acontecer (e eu já vi isso várias vezes) que ele seja o elemento que menos contribua para que isso ocorra.

          Pode ocorrer que seja um leigo, às vezes analfabeto, que faça florescer o autêntico cristianismo ali e, eventualmente, até provocando a conversão do pároco.

          Não é o que vimos acontecer muito claramente na vida de Santa Josefina Bakhita?

          Durante toda a sua vida naquela cidadezinha da Itália (links para o filme de sua vida, abaixo), podemos ver que ela foi se tornando o principal polo irradiador da autêntica fé em Cristo naquela paróquia, que no entanto era centenária e, seus paroquianos e pároco já se julgavam, entretanto, muito cristãos.

          Mas um ponto alto, significativo, do testemunho de Bakhita – quando ela ainda nem era batizada e sequer era uma catecúmena! – aparece a partir dos 1:22 minutos do vídeo (segundo link).

          O diálogo entre aquela mulher pagã e o pároco do lugar, é admirável e marcante (ela tinha ido parar ali, na capela, por causa de um fato alheio à vontade do padre):

          – Mas, este é o filho de Deus? Um escravo?-pergunta Bakhita, depois de ouvir do padre – em resposta à pergunta que fizera pouco antes – que o homem do grande crucifixo no altar, era o filho de Deus.

          -Porque você diz que ele é um escravo? – indaga o padre, com espanto e curiosidade.

          – Pois na minha terra, só os escravos eram pregados assim, num madeiro!

          Diante dessa resposta desconcertante e ao mesmo tempo reveladora, o pároco (quiçá rejuvenescendo a memória de uma verdade que talvez ele já estivesse acostumado a pregar mecanicamente e sem perceber toda a sua radicalidade e alcance) lhe diz:

          _ Sabe de uma coisa? Você está certa. É verdade, o Senhor permitiu que seu filho fosse crucificado para nos ensinar que não há escravos, servos e patrões, pois somos todos filhos dele, iguais e livres.

          A pergunta, simples e inocente, daquela negra e escrava, de algum modo, re-evangelizou o padre, fê-lo voltar ao primeiro amor.

          E foi nessa atmosfera de volta aquele que um dia o havia chamado pelo nome, que ele falou do Salvador à jovem Bakhita.

          E vendo o restante do filme vamos nos dando conta de como ela foi contribuindo, para que ali naquele lugar onde a fé cristã já tinha se tornado uma rotina sem incidência na vida, rejuvenesce e desse frutos.

          E percebemos que aos poucos vai ocorrendo uma mudança radical, tanto no pároco, como nos outros habitantes do lugar.

          Tendo conhecido Jesus há tão pouco tempo, Bakhita se tornou logo uma grande testemunha dele, através de todos os seus gestos e palavras.

          E assim, ela praticamente renovou toda a paróquia (e penso que, em sua simplicidade, ela nem se deu conta disso) que se tornou um lugar onde brilhava a caridade cristã , justamente diante de uma situação (epidemia de lepra), onde a maioria costuma fugir.

          Uma só pessoa (e ainda antes de ser batizada!) tornou-se a maior e melhor influência, que provocou naquela paróquia o rejuvenescimento da fé e do amor.

          E quis trazer este testemunho de Santa Bakhita, justamente para dizer que muitas vezes o rebanho converte o pastor, nem que seja uma única ovelha desse rebanho.

          Se todos fugirem de sua paróquia, exatamente quando ela mais precisa do testemunho da santidade buscada, o que será da igreja de Deus?

          Não digo que a opção da mudança de paróquia, não seja a melhor escolha a ser feita. Pode ser que sim. Mas sugiro que você pergunte a Deus, em oração: Senhor, que queres que eu faça?

          Que coloque essa decisão nas mãos dele, pedindo-lhe: se for da tua vontade, Senhor, que eu permaneça aqui. Se posso dar algum testemunho de ti aqui e contribuir para a edificação e santificação desta paróquia, me mostre isso de algum modo.

          Pode ser que Deus queira a sua presença ali, ou pode ser que não.

          Mas penso que,a princípio e por princípio, o critério norteador da decisão não poderia ser o mau comportamento do pároco, sua incoerência e sua infidelidade à igreja. A princípio, Deus quer que frutifiquemos no lugar onde sua Providência nos colocou.

          Que o Senhor abençoe sua decisão e que ela seja movida pelo Espírito de Deus.

    • Joao Marcis

      Apesar de toda a sacanagem litúrgica (só falando assim mesmo), que pode conduzir a sua ilicitude, os sacramentos possuem efeito ex opere operato. Se a fórmula da consagração foi correta e houver a mínima intenção nesse momento de fazer o que a Igreja determina e o que Jesus deseja, há Eucaristia, logo válido o sacramento. Pra invalidar o sacramento (e conduzir uma assembleia inteira a um ato de idolateia), o buraco é mais em baixo… Mas, nos casos apresentados, estão bem perto disso. Só faltou o suco de uva e o pão francês pra termos isso!!!

  • catequista, já vi padres cantarem a oração eucaristica é correto na liturgia um sacerdote tomar essa atitude

  • César Augusto Simões

    O feed de vocês não está mais funcionando. 🙁

  • Joao Marcis

    Definitivamente, se não é o melhor texto de O Catequista sobre liturgia, está no Top 10. Perfeito!!!

  • Alexandre Teofilus

    Gosto de O Catequista, porém essa tendência demasiada direitista com ar legalzao deixa a impressão de uma Eclesia Eclesiola (Igreja dentro da Igreja).
    Concordo que o Santo Sacrifício deva ser de forma zelosa, porém não podemos perder de vista que o CONTEÚDO é mais importante que a FORMA!
    A Igreja católica herdou a liturgia propriamente da cultura romana, porém a própria Igreja entende que possa haver adaptações em certas circunstâncias.

    • Existe o Missal, a Redemptiones e um caminhão de documentos sobre liturgia. Nenhum deles ensina que pode-se empobrecer a liturgia de propósito.

      Nunca a riqueza litúrgica afastou os pobres. Isso é coisa de quem não conhece pobre. Pergunte à Rosecreide que deixou a Igreja pra ir na Assembléia se ela abandonou a fé católica por causa da “riqueza” litúrgica. Não. Ela abandonou porque acha que a Verdade (Jesus) está na Assembléia de Deus.

      Quando pararmos de agir como protestantes, escolhendo quais instruções da Igreja criada por Cristo vamos obedecer, quem sabe Jesus seja percebido por quem vai à Missa.

      • Exatamente João, é quando dentro da Igreja Católica o Sagrado deixa de ser tratado com todo o zelo do mundo e adornado com o mais fino ouro, é quando deixamos de dizer que as paredes de tijolo fazem parte da Igreja que é de Jesus Cristo e Ele mora dentro destas quatro paredes, em suas capelas, paróquias, catedrais, basílicas, exatamente lá no altar mor, e que Ele mesmo fica todos os dias a esperar por alguma alma caridosa que venha adora-lo e glorifica-lo que as pessoas começam a sair de lá, porque na igreja das Santas Missões o pastor por mais torto que seja não transforma a Bíblia num livro de jibi, aliás, por mais simples que seja, mas a Bíblia tem um lugarzinho muito bem adornado e é sobre o móvel mais caro da igreja que ela fica.
        E nós católicos ficamos comprando a idéia: “a Igreja Católica é cheia de ouro, devia vender todas as riquezas e dar o dinheiro pros pobres”.
        O que nisto tem dois problemas: o primeiro é que as coisas da Igreja iriam parar na mão de quem tem muito dinheiro, ninguém mais veria nada, estes compradores usariam disto para fomentar seus pecados mortais luxuriosos. O segundo problema é que o pobre que recebe a grana gasta com roupa, dá uma parte de entrada numa brasília velha e o restinho que sobrou compra uma picanha pra assar, no mês seguinte a Igreja vende seus prédios e todos os imóveis, os fiéis que rezem debaixo das árvores porque a Igreja somos nós, com o dinheiro arrecadado distribui tudo para os pobres que agora irão concertar a brasília, comprar roupa nova, mais um kg de picanha pra assar, no fim, o pobre continuou pobre, não mudou em nada sua situação financeira, porém quando o dito pobre quiser ir a missa, cadê a beleza do prédio? Cadê o prédio? Debaixo da árvore? Não, lá ele não vai, então ele vende a brasília, vende a roupa, deixa de comer arroz e feijão e fica só com o arroz ou só o feijão e entrega todo o dinheiro pra estas igrejolas ditas evangélicas na esperança de que o pastor compre ouro e adorne o prédio para que fique mais belo. Porque quando a Igreja Católica usava todo o ouro pra enfeitar seus prédios era tão bom rezar lá, era tão especial uma missa com um castiçal de ouro maciço todo trabalhado e adornado com diamantes, rubís e esmeraldas, que saudade.
        Mas alguém em algum momento teve a grande idéia de pelar e deixar as capelas como caixotes de feira, alguém gosta de caixote de madeira? Eu adoro, são ótimos para fazer fogo e mais nada.

    • geraldo

      Eu não concordo com isso que você diz, meu irmão, Alexandre.

      A igreja herdou a liturgia da cultura romana?!? Como assim?

      O rito romano é apenas um dos tantos existentes na igreja. E nem ele e nem os outros, são herdados das culturas onde se consolidaram. Se assim fosse, estaríamos adorando até hoje, as miríades de deuses e deusas que eram cultuados nessas culturas, antes da vinda de Jesus Cristo.

      A liturgia (romana, ambrosiana, armênia e cia) é a ação do próprio Cristo.

      É ele mesmo quem continuamente ora ao Pai em seu corpo que é a igreja.

      É dele que herdamos a liturgia e é ele quem continua sendo, até agora, o principal agente dessa liturgia, morrendo e ressuscitando em nossos altares, partindo o pão – que é Ele mesmo – para nós, curando nossas enfermidades, dando-nos o Espírito Santo, perdoando nossos pecados, etc.

      Estamos diante de uma iniciativa divina, de um mistério no sentido mais genuíno do termo e de um acontecimento.

      A Liturgia é o diálogo com Deus que brota do acontecimento de Cristo, da vinda e permanência (como ressuscitado) do filho de Deus feito homem no meio de nós, que continua a agir, curar, salvar, ensinar e orar por meio do corpo dele que é a igreja.

      A ação da igreja é a ação do próprio Jesus, que escolheu esse meio e método de perpetuar sua presença no mundo.

      Estar, pois, diante e dentro de uma ação litúrgica é tocar o corpo ressuscitado do Senhor. “Quando SEUS OLHOS SE ABRIRAM, eles o reconheceram ao partir do pão!” (LC 24, 30-35). Isso não é uma derivação cultural, é um fato, sendo operado por uma pessoa viva, aqui e agora!

      Isso é supra-cultural! Deus feito homem, morto, ressuscitado, vivo e presente é um fato, um presente de Deus destinado a todos os povos e culturas. A Sagrada Liturgia torna esse fato, esse dom, presente em todos os tempos e lugares.

      O império romano era extensíssimo e cada uma de suas províncias e colônias tinha sua própria cultura e tradição.

      Não obstante, para o povo cristão, espalhado por este império multi-cultural, como registra a antiquíssima carta a Diogneto, “toda pátria estrangeira é sua pátria, e cada pátria é para eles, estrangeira”, exatamente porque marcado por um fato que transcende as culturas, lugares e tempos.

      Por isso, o que marca a nossa tradição litúrgica não é, de modo algum, uma dada forma cultural, mas um acontecimento que transcendendo todas as culturas, destina-se a todas elas.

      Certamente, esse fato supra-cultural foi comunicado na linguagem e sensibilidade de cada povo que recebia a mensagem e os sinais da presença de Cristo e certamente tudo o que havia de bom, belo e verdadeiro foi assumido e elevado, dentro da novidade de Jesus que ia chegando e sendo abraçada pelas pessoas.

      Por isso a igreja se tornou rica e diversa em tradições litúrgicas. Temos assim não apenas o rito romano (que não é O rito da igreja, mas um deles) o armênio, o copta, o maronita, o ambrosiano, o caldeu e tantos outros.

      No entanto, todos eles, não obstante sua diversidade , tem como referência central O FATO de Cristo. E esse é o elemento determinante e não a cultura na qual esse fato foi acolhido e expressado.

      Todos esses ritos estão intimamente colados ao acontecimento salvador de Cristo, derivam dele, atualizam-no e o tornam presente e atuante nos quatro cantos da terra.

      Todas as vezes que os sacramentos são celebrados nesses diferentes ritos , em qualquer lugar do mundo, cumprem-se as promessas de Jesus:

      “Quem vos ouve é a mim mesmo que ouve!”
      “A quem perdoardes os pecados, ser lhe ão perdoados.”
      “Quem come a minha carne, viverá eternamente.”
      Etc.Etc.

      Só que isso não quer dizer que a forma (da celebração) em nada interfere na veracidade e eficácia salvadora do conteúdo.

      Se adoto, por exemplo, uma forma que reze assim: “Senhor aqui estamos para comemorar e recordar simbolicamente a tua última ceia…”, com certeza essa forma modifica totalmente o conteúdo da Eucaristia , que não é um mero símbolo, mas a efetiva presença FÍSICA de Jesus Ressuscitado.

      E tal é, como sabemos, a forma protestante de celebrar a ceia do Senhor: recordação, lembrança, simbolização.

      Não foram poucos os protestantes que entraram em profunda crise com sua própria tradição, ao comparar essa forma de celebrar usada por eles, com o testemunho dos evangelhos e da constante tradição cristã, que jamais apresentam a ceia do Senhor como mero símbolo e sim como a real presença de Jesus, atualizando no tempo o sacrifício do calvário.

      E vários deles, saíram dessa crise de identidade, aprofundando o seu conhecimento de Cristo e voltando ao seio da igreja católica.

      Portanto, eles se deram conta de que havia sim, justamente uma questão de FORMA, prejudicando gravemente a compreensão do CONTEÚDO, e mais ainda, a AÇÃO plena desse conteúdo (que é o Cristo Vivo) nas suas vidas.

      Daí que, não obstante a diversidade de ritos na igreja (de FORMAS, pois) a autoridade da igreja garante que em nenhum deles, o conteúdo (o fato de Cristo) é minimamente arranhado.

      E igualmente (como guardiã do conteúdo que o próprio Senhor lhe entregou e confiou) essa autoridade se pronuncia, toda vez que formas errôneas de celebrar, comprometem o conteúdo da fé.

      E ambas as atitudes, de aprovar ou de reprovar as formas litúrgicas, não tem como critério e parâmetro a “cultura romana”, mas o acontecimento de Cristo tal como comunicado nas Sagradas Escrituras e na Tradição, interpretados pelo magistério vivo da igreja.

      Se o critério fosse a cultura romana, evidentemente a igreja não teria pleno reconhecimento e aceitação de todos os ritos católicos que existem em seu seio, além do romano.

      Portanto, as duas coisas (forma e conteúdo) estão intimamente relacionadas. Há formas que expressam bem e fielmente o conteúdo e há formas que, claramente, deturpam-no.

      Há, por exemplo, uma comunidade protestante nos EUA, que realiza uma celebração onde os crentes seguram uma serpente antes de serem batizados. Se a serpente morder um deles, é sinal – para eles – de que esse não tem fé suficiente para ser batizado.

      E fazem isso, afirmam eles, em fidelidade e obediência à palavra do Senhor que disse: “pegarão em serpentes e essas não lhes farão mal algum.”

      Ora, quem ousa negar que aqui existe uma FORMA deturpando claramente o CONTEÚDO?

      Se essa comunidade protestante fosse uma paróquia católica, a autoridade episcopal (e em última instância, a romana) não teria pleno direito e dever de lhe puxar a orelha (e até mesmo de proibir) e afirmar perante todos: Essa é uma forma de celebrar que não corresponde ao conteúdo da nossa fé, que o deturpa.

      É exatamente este o sentido e a razão de ser do velho adágio latino: LEX ORANDI, LEX CREDENDI. A lei (ou forma) da oração, é a lei da fé. Rezamos aquilo que cremos.

      ____________________

      Agora vem cá, meu irmão. Quantos grupos e facções existiam no tempo de Jesus? Quais eram os, digamos, de direita, centro ou esquerda?

      Apesar de não haver esse tipo de qualificação naquele tempo, certamente haviam grupos mais propensos a apoiar a presença romana (seriam a “direita?”), outros pregavam (e organizavam) a rebelião armada contra ela (seria a “esquerda” daquele tempo?), outros comtemporizavam (“centristas”?) outros preferiam se refugiar desse barulho todo, nas grutas.

      E podemos identificar ainda várias outras tendências e posicionamentos políticos e religiosos do tempo de Jesus.

      Como Jesus se posicionou perante todos esses grupos? Com quem se identificou?

      Com nenhum! Sua pessoa, sua mensagem e sua obra eram destinadas a todos, não para reforçar seus posicionamentos, mas para trazer algo totalmente novo em relação ao que já pensavam e viviam.

      “Meu reino não é deste mundo!”, disse ele, muito claramente.

      O que é a igreja de Cristo? É a sua continuidade no mundo, proposta para todos. Portanto, direita, esquerda, centro, conservadorismo, progressismo, e coisas do tipo, são categorias paupérrimas e medíocres para se referir ao Mistério de Cristo que nos transcende e ultrapassa nossos pobres rótulos.

      Por tudo o que eu conheço (há anos) e o arquivo aí está, o blog O CATEQUISTA, se coloca nas pegadas de Jesus e da igreja, portanto, não se encaixa, de forma alguma, nessas gavetas onde os seres humanos vivem se enfiando e enfiando os outros.

      • Gillian

        Estou impressionada com o modo como você explica as coisas. Quando crescer quero ser assim, meu irmão. Benza Deus!

        • geraldo

          Eu já penso (não sei se você está “falando” comigo, se não for, desculpe o “mico”) que fica muito comprido, quilométrico mesmo, e quando ao final do comentário, vejo o tamanho do bicho, fico meio envergonhado, como se estivesse cansando demais as pessoas.

          Mas não gosto muito de que meus comentários sejam recebidos como “explicações”.

          Fica parecendo que são aulas, quando na verdade tudo o que eu queria era partilhar, como irmão entre irmãos, impressões, fatos, intuições, enfim comunicar o tesouro da fé, do mesmo modo como o recebo tão generosamente de tantos leitores aqui , a começar dos autores do blog.

          Eu me lembro muito de uma passagem dos Atos dos Apóstolos, que nos conta de como os cristãos de certo lugar estavam tão entretidos, a conversar longamente sobre as coisas de Deus, junto com São Paulo, que nem viram o tempo passar e entraram madrugada a dentro, a ponto de um rapaz chamado Êutico, adormecer e cair da janela (do terceiro andar!)e , morrer.

          Depois São Paulo orou por sua ressurreição, e eles continuaram a partilhar os tesouros de Cristo.

          Esse blog me transmite exatamente esse calor, esse aconchego (mesmo à distância) que nos encoraja a abrir o coração e nos enriquecermos mutuamente na fé que Nosso Senhor nos deu.

          Faz a gente se sentir em casa, entre irmãos. Seria até bom que seus autores promovessem um encontro entre os leitores, lá no Rio de Janeiro, para a gente se conhecer melhor.

          Aí nós faríamos como São Paulo, que nas cartas que escrevia, não deixava de expressar também o desejo de (re)encontrar pessoalmente seus destinatários, para que a partilha dos dons de Deus fosse ainda maior.

          Mas esse tom explicativo tem uma explicação: é que sou professor há muitos anos. De modo que o didatismo acaba ficando como vício. Mas, por razões igualmente didáticas, sei que preciso aprender a resumir e sintetizar minhas reflexões.

  • Davi Almeida

    Aproveitando esse post, quero comentar de uma missa que foi apresentada na rede Canção Nova. Foi hoje(22/09) e tava tudo bem, momento de elevar suas preces ao Pai, tudo direito. Até que eu ouvi uns “Sha-la-laiê Sha-la-laiá” e outras dessas entre as falas do padre. Não consegui deixar de pensar que um “coro” seria melhor do que esses cantos, que mais parecem pertencer a cerimônias tribais.
    Esses”Sha-la-laiê Sha-la-laiá” são adequados a cerimônia litúrgica?

  • Sidnei

    Na Igreja Católica não se tem zelo por nada mesmo, os padres estão se achando donos dos templos, das igreja, e hajam que podem demolir a hora que quiserem, podem modificar a hora que quiserem, mesmo sendo uma igreja tombada pelo patrimônio histórico. Eis um exemplo que esta acontecendo aqui em Santa Catarina, na terra de Santa Madre Paulina, Nova Trento, em que o vigário quer reformar a Igreja matriz da cidade, São Virgílio, reforma esta que iria desfigurar totalmente a igreja. Acompanhem a polemica, para quem quer saber, está neste link: http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2016/08/reforma-de-igreja-historica-causa-polemica-em-nova-trento-7334971.html

    Parece que os padres de hoje querem varrer da face da terra, tudo que pertencia a Igreja antes do concílio do Vaticano II, como estas igrejas antigas, tão belas que eram, ao contrário destas igrejas horrorosas que se fazem hoje em dia, como bem disse o Alex, parecem caixas de feiras, será que estes padres não vão tomar vergonha na cara é nunca.

    Desculpem pelo desabafo, e me perdoem os padres, não quero com isto ofender a todos, pois sei que há padres que zelam por toda beleza que há na Igreja, seja no que toca nas construções dos templos, na liturgia, porém, há aqueles que eu não sei, que querem porque querem destruir todo o passado glorioso da Igreja, tudo para se adequar aos novos tempos, mas será que não entram na cabeça deles, que não é a Igreja que tem que se adequar ao mundo, mas o mundo a Igreja?.

    • geraldo

      Rapaz, nem me fale nisso. Eu fico tão triste quando vejo essas igrejas tão feias, tão sem mensagem.

      A unção e a piedade do culto divino, começa no próprio aspecto – externo e interno – do lugar que abriga nossas celebrações, que deveria ser quase que um sacramental, nos falando da beleza de Cristo.

      Olha que coisa mais linda essa capela:

      http://us.123rf.com/450wm/maggee/maggee1011/maggee101100017/8346606-chapel.jpg

      “Nobre simplicidade”, é o que nos orienta o Concílio Vaticano II, em termos de arte litúrgica. Mas esses caixotes, como você bem disse, são mesmo o fim da picada, a total falta de sensibilidade. E nem um jardinzinho na frente. Quanta frieza!

      Assim como aquela prostituta que derramou o óleo perfumado mais precioso aos pés de Jesus, deveríamos reservar as coisas mais belas, para a adoração, porque o NOIVO está vivo no meio de nós.

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